Abril de 1980. Ele, Lula, tinha 34 anos, ia ao Gallery fumar e beber com os ricos. E deu entrevista para a …Xênia! (Lembram dela?)

Enfim, para combinar com o clima dado pela entrevista de Romeu Tuma Jr. ontem ao Roda Viva, lembrei-me de uma publicação que, garanto, raras pessoas têm ou lembram.

Eu guardei, linda e encadernada, a entrevista que Lula deu – publicada em abril de 1980 – para a então polêmica apresentadora de tevê, Xênia Bier. A revista era a ESPECIAL, da qual tive a honra de participar ao lado dos maiores feras do jornalismo, fotografia e artes gráficas do país. Era editado pela Atlântica, de José Pascowitch, irmão de Joyce Pascowitch, e que por acaso também era um dos donos da boate mais badalada  daqueles anos, o Gallery, em São Paulo.

Foi uma das mais modernas e maravilhosas revistas que já foram feitas. Tantos anos depois todos os temas continuam em vigor -e o que é pior, não resolvidos. Um dia falo mais sobre ela e fotografo outras matérias.

As fotos que trago do LULA são do grande Rômulo Fialdini. Eles fizeram uma quebra de braço e tanto.

Publico agora essa lembrança, porque fiquei muito chateada com a  ousadia ( ou, na dúvida, falta de senso) dos dois  jornalistas que insistiram – porque só assim “acreditariam”- que o Barba era sim muito bem relacionado com o poder – em pedir  que Tuminha dissesse o que é que ele teria informado. Qualquer coisa, uma vez, seria um acinte. Dizer bom dia par a aquela gente já era um acinte. Mas o Lula já mostrava a barba, o dedinho cortado, e uma vontade insopitável de chegar ao poder.

Quem viveu, viu.

Cara, quem viveu na época sabe que não era mesmo para qualquer um, como bem descreveu o Tuminha, andar “preso, fumando, com janela aberta e o braço de fora no carro da polícia“.

Vamos e venhamos.

Então, aqui, mostro umas fotos, da capa e internas e destaco uns trechinhos – na época me deram enjoo; hoje continuam me dando ao ver o quanto essa pessoa mudou e está fazendo desse país um inferno. Inclusive como co-presidente.

Divirtam-se! Feministas, igreja, Roberto Carlos foram apenas alguns dos assuntos comentados em dez páginas da edição. Tem um monte, mas esse é aperitivo.

A CAPA:

20140204_145315a FOTO INTERNA – PÁGINA DUPLA:

20140204_145415Mais uma, do então chamado – vejam só!- símbolo sexual

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E ALGUMAS DECLARAÇÕES DE DOER…

20140204_145523 20140204_145513 20140204_145654

Morreu uma das ex-primeiras damas mais pimposas que conheci: Dulce Figueiredo

Tenho dela só lembranças de imagens fortes e de quem era famosa por se divertir com as lambanças do marido ditador João Figueiredo.

Na minha memória, a mais forte lembrança é a do começo dos Anos 80. Organizamos uma festa grande na Boite Gallery, a mais glamurosa que havia, e para a qual editávamos uma revista ( Gallery Around), eu, Antonio Bivar e a dona da editora, Joyce Pascowitch.

Era o começo do movimento punk e fizemos a VAGUE. Além de Kid Vinil, a festa – que teve todos (quase) os seus registros destruídos por conta exatamente da Dona Dulce, contou com ratos do Porão, Inocentes, e muitos punks – e todos de verdade. O Vinil era odiado. lembro até que ele foi armado, com medo dos punks…

Dona Dulce, na mesma noite, infelizmente, resolveu curtir a noite, da qual ela era famosa frequentadora, e cercada de seguranças.

Punk que é punk até hoje não respeita autoridade. Imagine em 1980 e pouco…
Ela passou. Eles cuspiram. O tempo fechou, com pancadaria ds seguranças em cima dos meninos, todos meio raquíticos, pobrezitos, com alfinetes espetados na cara e no corpo.

Foi um forrobodó para conferir. Nós viramos “personas non grata”  no local. Os caras exigiram que todos os filmes feitos fossem literalmente queimados ( eu devo ter uma/duas fotos disso, mas sem o registro do quiproquó).

Assim foi. Aproveito para registrar o acontecimento. Não é, Joyce?

RJ: Dulce Figueiredo é enterrada

Folhapress
Foto folha sp
DONA DULCE FIGUEIREDO FALECEU NA ÚLTIMA SEGUNDA, NO RIO

 Foi enterrado nesta terça (7), no Rio de Janeiro, o corpo da viúva do ex-presidente João Figueiredo, Dulce Figueiredo. A ex-primeira dama morreu ontem (6), após sentir-se mal e ser levada de ambulância para um hospital na zona sul da cidade. Dona Dulce tinha câncer e estava bastante debilitada. Segundo seu neto, João Baptista Figueiredo, ela faleceu aos 83 anos de idade.
 
FONTE: COLUNA CH