VEJA ESSA CARTA.EM PROL DO VERDADEIRO RELAÇÕES PÚBLICAS, A INSUPERÁVEL LALÁ ARANHA. MANIFESTO CONTRA O LEWANDOWSKY, QUE ANDOU PENSANDO E FALANDO BESTEIRAS SOBRE A PROFISSÃO

LALÁ ARANHA – tive a honra de com ela trabalhar, ela como presidente, na AAB, Hill & Knowlton do Brasil. Toda a minha admiração à essa grande profissional, com quem aprendi também a ser RP

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Rio de Janeiro, 3 de setembro de 2012

Exmo. Senhor Ministro do Supremo Tribunal Federal                                                                                                                                                                                                                                     Dr. Enrique Ricardo Lewandowski                                                                                                                                                                                                                                                                Supremo Tribunal Federal               

Senhor Ministro:

Pelo presente, venho manifestar minha contrariedade quando, no Jornal Nacional de hoje, tomei conhecimento de seu voto por gestão fraudulenta à direção do Banco Rural. Minha oposição não é contra o voto, ao contrário. Mas quanto ao fato de ter qualificado o publicitário Marcos Valério, apontado como operador do mensalão, como “um agente de negócios, um relações públicas do Banco Rural”.

Para vosso conhecimento, em 11 de dezembro de 1967, a lei nº 5.377 regulamentou a profissão de Relações Públicas. “A designação do Profissional de Relações Públicas passa a ser privada dos bacharéis formados nos respectivos cursos de nível superior”.  Somos responsáveis por construir a imagem e consolidar a boa reputação da organização que nos contrata. Jamais agimos como intermediários e beneficiados da corrupção, que é o caso do publicitário Marcos Valério.

Como profissional de Relações Públicas, venho informar a Va. Exma. que nós, os Relações-Públicas, temos diploma de bacharel em Relações Públicas que nos habilita a praticar a atividade; somos registrados no Conrerp da nossa região e cumprimos nossas obrigações legais: Seguir o Código de Conduta  Ética; Manter o registro em situação regular;  Colaborar para valorização da profissão: 1. por meio de esforços próprios de divulgação; 2. para apoiar as campanhas desenvolvidas pelo Conrerp/Conferp; 3. e para recusar condutas que desabonem a profissão ou provoquem constrangimento a categoria, a terceiros ou a Sociedade.

Gostaria ainda de informar que na área de comunicação social, somente os relações-públicas fazem parte de um conselho profissional. Existem no Brasil cerca de 40 Conselhos que cobrem 62 profissões regulamentadas por lei, num universo de 2.512 ocupações constantes do Código Brasileiro de Ocupações do Ministério do Trabalho e Emprego.  

Confesso que gostaria de ouvir publicamente de sua parte uma declaração em prol destes profissionais que lutam diariamente por manter sua imagem.

Agradeço vossa atenção.

 Lala Aranha- Conrerp 1ª. Região n˚ 2965

 

Artigo – Violência contra a mulher: eu me manifesto. E você? Vai ficar olhando?

Marli Gonçalves(*)

Mulheres apedrejadas, esquartejadas, violentadas, exploradas, baleadas, surradas, torturadas, mutiladas, coagidas, reguladas, censuradas, perseguidas, abandonadas, humilhadas. Até quando a barbaridade inaceitável vai vigorar?

Eu me manifesto, sim, contra tudo que considero inaceitável. E não é de hoje. Desde pequena meto-me em encrencas por causa disso. Uma vez, tinha acho que uns 12 anos, e brincava na portaria do prédio quando ouvi um homem brigando com uma mulher do outro lado da calçada, ameaçando-a de morte, dando-lhe uns sopapos. Não tive dúvidas. Atravessei, entrei pequenina no meio deles, gritando forte por socorro, o que o assustou e fez com que ele parasse as agressões. Para minha surpresa, ao olhar para os lados, vi que havia muitos adultos assistindo à cena, impassíveis.

Nunca me esqueci disso. Inclusive porque, quando voltei para casa, tomei uma bronca daquelas. Atraída pelos meus gritos, minha mãe tinha ido à janela, e assistiu. “E se ele estivesse armado e te matasse?” – ouvi. Creio que respondi que nunca ficaria quieta vendo aquela cena, onde quer que fosse, e que jamais seria resignada. Dentro de minha própria casa já havia assistido a cenas que teriam ido para esse lado, não tivesse sido minha mãe uma guerreira baixinha e desaforada, ela própria vítima de um pai tão violento que não o aceitava nem em sua carteira de identidade, nem em sobrenome. Minha avó materna teria sido morta por um “acidente”, em que um motorista de ônibus, que por ele teria sido pago, acelerou quando ela descia. Caiu, bateu com a cabeça na sarjeta, morrendo horas depois, de hemorragia, na pequena cidade do interior de Minas.

Anos depois, senti em minha própria pele o desespero solitário da agressão, da humilhação, do medo. Em plena juventude e viço, em uma ligação amorosa complicada, de paixão e amor intenso que vi virar violência, agressão, loucura e insegurança, só saí viva porque mal ou bem sou de circo, e protegida pelos meus santos e anjos, daqui e do céu… Tentei não envolver ninguém, resolver, e quase virei primeira página policial. Tive a minha vida quase ceifada, ora por ameaça de facadas; ora por canos e barras de ferro, ora pela perda de todas as referências, ora pela coação verbal. Os poucos e únicos amigos que ainda tentaram ajudar também entraram no rol da violência. E os (ex) amigos que viraram as costas, ou faziam-se de cegos, desses também me lembro bem; inclusive de alguns que conseguiam piorar a situação e pareciam gostar disso, insuflando. Ou se calando. Ou me afastando. Deve ser bonito ver o circo pegar fogo.

Desespero solitário, sim. Não há a quem recorrer. Polícia? Apoiam os homens. Delegacia da Mulher? Na época não existia, mas parece que sua existência só atenuou a dimensão do problema, que pode acontecer em qualquer lar, lugar, classe social. Lei? Veja aí a Lei Maria da Penha. Pensava já naquele tempo, meu Deus, e se eu ainda tivesse filhos para proteger, além de mim? Não poderia ter me livrado – concluo ainda hoje, pasma em ver como a situação anda, em pleno Século XXI. Hoje, acredito que curei minhas feridas, que não foram poucas, especialmente as emocionais.

Há semanas venho tentando defender, aqui do meu cantinho, a libertação da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, mais uma das mulheres iranianas cobertas da cabeça aos pés pelo xador, a vestimenta preta que é uma das versões mais radicais do véu muçulmano. Mas esse, a roupa, não é o maior problema dela e de outras iranianas. Viúva, dois filhos, em 2005 Sakineh foi presa pelo regime fundamentalista do Irã. Em 2007, julgada. A pena inicial foram 99 chibatadas. O crime, adultério! Sua pena final, a morte por apedrejamento.

Uma história que lembra a fascinante personagem bíblica de Maria Madalena, a moça que aguardava a morte por apedrejamento até ser salva por Jesus Cristo. Cristo provocou com uma frase que ficou célebre, e revelou-se futurista: “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”. Esses iranianos estão querendo matar Sakineh e outras a pedradas, e com pedras pequenas, para que sofram mais; talvez porque sejam, acreditam, muito puros? A sharia, lei islâmica, devia prever cortar dedos, língua, furar os olhos desses brucutus modernos, hitlers escondidos sob mantos religiosos, protegidos por petróleo e riquezas?

Não bastasse a novela de Eliza Samudio que, morta ou não, faltou ser chutada igual bola, e de tantas jovens, inclusive adolescentes, mortas pelos namoradinhos, a advogada que morreu no fundo da represa. Todo dia tem violência. No noticiário ou na parede do lado da sua, no andar de baixo, no de cima, na casa da frente.

Nem bem a semana terminou e outro caso internacional estava na capa da revista Time, com o propósito de pedir a permanência das tropas de ocupação no Afeganistão. Na foto, na capa, a imagem chocante da afegã Aisha, 18 anos, que teve o nariz e as orelhas decepados pelo Talibã. Foi a punição à sua tentativa de fugir de casa, de uma família que a maltratava. Agora, Aisha está guardada em lugar sigiloso, com escolta armada, paga pela ONG Mulheres pelas Mulheres Afegãs. Deve ser submetida a uma cirurgia para a reconstrução do rosto. No Irã, ou melhor, globalmente, porque lá nada se cria, se estabeleceu a campanha “Um Milhão de Assinaturas exigindo mudanças de leis discriminatórias”, com protestos e abaixo-assinados, de grupos internacionais de mulheres e ativistas, organizações de direitos humanos, de universidades e centros acadêmicos e iniciativas de justiça social, que manifestam o apoio às mulheres iranianas para reformar as leis e conseguir o mesmo estatuto dentro do Irã legal do sistema.

O que há? O que está havendo? Mulher é menos importante? A realidade: em cerca de 50 pesquisas do mundo inteiro, de 10% a 50% das mulheres relatam ter sido espancadas ou maltratadas fisicamente de alguma forma por seus parceiros íntimos, em algum momento de suas vidas; 60% das mulheres agredidas no ano anterior à pesquisa o foram mais de uma vez; 20% delas sofreram atos muito fortes de violência mais do que seis vezes. No Brasil, a violência doméstica é a principal causa de lesões em mulheres entre 15 e 44 anos; 20% das mulheres do mundo foram vítimas de abuso sexual na infância; 69% das mulheres já foram agredidas ou violadas. No Nordeste, 20% das mulheres agredidas temem a morte caso rompam a relação; no geral, 1/3 das mulheres agredidas continuam a viver com os seus algozes. E continuam sendo agredidas. É pau, é pedra, é o fim do caminho.

Estudos identificam, ainda, uma lista de “provocadores” de violência: não obedecer ao marido, “responder” ao marido, não ter a comida pronta na hora certa, não cuidar dos filhos ou da casa, questionar o marido sobre dinheiro ou possíveis namoradas, ir a qualquer lugar sem sua permissão, recusar-se a ter relações sexuais ou suspeitar da fidelidade, entre eles.

Até quando ficaremos assistindo a esse filme? Chega. Foi como li a conclamação da amiga e uma das mais respeitáveis profissionais de comunicação do país, Lalá Aranha, em seu Facebook: “Não posso entender como em pleno século XXI as mulheres brasileiras são tão molestadas. Precisamos fazer algo neste sentido. Quem me acompanha?”

Adivinhem quem foi a primeira a responder? Eis, assim, aqui, também, minha primeira contribuição.

São Paulo, onde as pessoas se isolam, na aridez e grandeza de suas dimensões, mas ainda podem ter seus gritos ouvidos, 2010.

Marli Gonçalves, jornalista. Inconformada. Espevitada e livre, fiquei feliz quando outro dia me contaram que debaixo da pesada burca as mulheres andam completamente nuas. Será verdade?

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Lalá Aranha lança livro: aproveite e tome as cápsulas de seu ensinamento em RP

Lalá

é uma lenda

no nosso meio.

Lalá Aranha: tudo o que eu for falar dela será pouco diante da admiração e respeito que por ela mantenho, desde que a conheci, em 1990 e pedrinhas.

Tive a honra de por ela ser chefiada. De ter ganho sua confiança e, creio, também o seu respeito.

É doido saber que agora ela vai ensinar por livro um pouco do que aprendi apenas olhando para ela, observando seus movimentos contidos e elegantes.

Eu e Celsinho Barata, o outro diretor, a chamávamos de mamãe, de madame, lá na AAB, Hill and Knowlton do Brasil, onde trabalhamos, junto da Standard, Ogilvy & Mather, do Ronald Assumpção, do Faveco, de toda uma lista de craques.

Ela nos olhava com ar de preocupação e depois sorria.

Sabia tudo, mesmo que não soubesse nada. Nunca a vi dar o braço a torcer. Mas a carinha de muxoxo a denunciava. Não, naquele momento não sabia.

Mas daqui a alguns minutos, ela chegava, munida, e dava o show.

Lembro-me e tenho saudades dela, que agora vive no Rio de Janeiro. Tenho saudade de ver seus modos clássicos, seus modelos clássicos que adorava herdar – era dia de festa quando ela aparecia com uma malinha de roupinhas e coisinhas, que até hoje tenho e uso – às vezes até para me inspirar em reuniões mais importantes ( ela não sabe disso).

ôba, vou encontrá-la na semana que vem!

marli gonçalves

Não deixe de ver o convite do post anterior.