ARTIGO – Ordem e Progresso? Falta alguma coisa. Por Marli Gonçalves

bandeira BRPositivo operante. Estou numa saia meio justa e nem sei se justifica, porque ainda não tenho exatamente certeza do que acho mesmo desse lema adotado pelo governo que chamarei novo, mas só porque é novo, não por seus integrantes. Ordem e Progresso. Tem alguma coisa nele que já me incomodava ver estampado na bandeirabandeira BR

Amigo querido, conheço o publicitário Elsinho Mouco, e sua equipe, que foi quem bolou já começar o primeiro dia do governo Temer com uma nova simbologia, imagem, motivação. Achei perfeito terem pensado nisso, em um novo visual, que fosse astral. Foi ele quem encontrou a solução dentro de casa, rapidinho, nas imagens das manifestações de ruas com milhões de pessoas enroladas nelas, nas bandeiras brasileiras. Elas estavam nas ruas nas mais diversas aplicações, tamanhos, tecidos – e renderam dinheiro para os ambulantes. Se não é todo o mundo que conhece, certamente todos os brasileiros a conhecem. O verde de nossas matas, o ouro de nossas riquezas, as estrelas de nosso céu azul, e no seu meio, , o lema! Simples, compreensível, assimilável.

No novo símbolo que pretende substituir aquele horror da Pátria Educadora, que ficou só no discurso da posse da Dilma 2, a escolha caiu para o azul, em dégradé, o branco. O amarelo do ouro, aquela riqueza que a bem da verdade sumiu mesmo ultimamente, aparece só na faixa que circunda o globo que por sua vez se destaca, e parece pedir ordem e progresso em letras verdes, não tão garrafais, mas verdes. Bonito ficou. Ponto positivo. Uma coisa nacionalista. É, pode ser. Para recuperar um pouco do orgulho nacional. Sim, era preciso.

Aliás, passadas já algumas horas dos fervilhantes acontecimentos, podemos ver outros pontos positivos. Entre eles, a calmaria geral como se nada de diferente estivesse acontecendo, e como se houvesse, sim, um enorme alívio coletivo, interrompido apenas por murmúrios angustiados soluçando golpe, golpe, golpe, como se precisássemos bater nas suas costas para fazê-los desengasgarem. E o rebuliço das redes sociais, com seus militantes encastelados, de um lado e de outro formulando revoluções e resistências, ambos inúteis quando precisamos apenas de muita realidade. Até para entender o que foi isso tudo.

Horas depois da saída de um, já havia um outro governo entrando pela portinha quase que completo assumindo a direção – e até com símbolo! Isso eu achei genial. Tipo em horas trocamos tudo, bem, quase tudo – claro, cheio de resquícios esquisitos do passado recente e personagens que ainda nos deixam pasmos com suas incríveis capacidades de adaptação, troca de opinião e posição, e que colocam pedras e névoas em cima de seus passados. Se hay gobierno, yo estaré con él.

Voltando ao lema Ordem e Progresso preciso dizer que me incomoda ouvir isso e lembrar imediatamente de OSPB, Organização Política e Social Brasileira, que éramos obrigados a estudar como matéria. Literalmente, obrigados. Porque ensinava disciplinas, distribuía regras, obrigações e normas, disso e daquilo, uma coisa horrorosamente reacionária e limitadora. Pelo menos é assim que lembro, estudando no segundo grau no tempo da ditadura. Muita coisa que a gente precisava decorar. Eu odiava.

“O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. “O progresso é o desenvolvimento da ordem”. Ideais republicanos. Teoria positivista de Augusto Comte (1798-1857) foi a origem do Ordem e Progresso de nossa bandeira. Esse Comte era tão louco que chegou até a elaborar um calendário, para “desenvolver o espírito histórico e sentimento de continuidade”. Vejam só: a proposta era que o ano tivesse 13 meses de 28 dias, cada mês exatas quatro semanas, e um ano bissexto para a compensação. O dia restante no final de cada ano seria para a celebração dos mortos.

LABRASIL0219Nos anos bissextos, o outro dia que sobraria, seria para, ainda segundo a proposta dele, dedicar às Santas mulheres (?!?), ou a uma determinada mulher (?!?). Impressionante o tamanho da concessão, não? – puxa, que homem generoso com as mulheres!

Ah, vá! Mas o mais doido é que ele também propôs dar nomes aos meses, glorificando importantes da religião, literatura, filosofia, ciência e política, nessa ordem, e todos bem masculinos: Moisés, Homero, Aristóteles, Arquimedes, César, São Paulo, Carlos Magno, Dante, Gutenberg, Shakespeare, Descartes, Frederico II e Bichat, esse último nome, bem acentuado, e que foi um importante anatomista francês.

Foi saber disso para ficar ainda mais preocupada com o grupo de vetustos senhores – sem nenhuma senhora – que entrou na cabine de direção do Brasil e dessa Ordem e desse Progresso. Começo imediatamente a achar melhor propor para a gente ir cuidar das nossas vidas e de nossos costumes – do que nos é de mais precioso. Vamos dar um tempo para ver o que conseguirão fazer.

Mas enquanto isso, alertas, vamos voltar a dar atenção e cuidar de nossos avanços de comportamento, das conquistas que tivemos, lembrar das leis que derrubamos e nas que precisamos ajustar. Do que necessitamos para nossas ordens, para o nosso progresso. E, fundamentalmente, para conseguir a palavra que bem que poderia já ter vindo também estampada no novo símbolo, arejando, como lema: Liberdade. Tornaria a ordem e o progresso menos reacionários.

Senti muito a falta dela. Que isso nunca seja literal.

Marli Gonçalves, jornalista A ordem é mesmo sempre tão relativa.

São Paulo, 2016

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17 de Maio, 15 horas, no Masp, Avenida Paulista, SP: Movimento de Mães em Luta pelo Brasil. Leia o manifesto. Se liga: é gente séria que convida.

maes em lutaO Movimento de Mães em Luta pelo Brasil nasceu assim: quatro amigas do mesmo bairro conversaram sobre a tristeza que sentiam de não verem futuro promissor para seus filhos. Os motivos principais dessa desesperança: a corrupção desenfreada; um sistema político arcaico e defeituoso (além de nada democrático); a falta de justiça igual para todos.

Desses três pontos, para elas, nasciam todos os problemas com os quais o país convive: educação péssima, saúde horrível, desigualdade social (enormes fortunas convivendo com muita pobreza!), falta de segurança, violência explícita, qualidade de vida injusta e inconcebível. Se houvesse (já, agora!) uma reforma política pra valer e não maquiagem de reforma política. Se os corruptos fossem varridos do mapa . Se a justiça fosse igual para todos (e mais rápida!). Se… Se… Muita conversa e o movimento foi nascendo. As quatro amigas chamaram outras três. E a primeira reunião teve o comparecimento de representantes do Voto Consciente. O Voto Consciente é um movimento que só tem feito bem ao país. Com ele ao seu lado as sete amigas se sentiram mais fortes. Elas são duas bibliotecárias, uma socióloga, uma jornalista, uma advogada e promotora pública, uma dentista, uma psicóloga. Fizeram reuniões, discutiram, traçaram planos, criaram página na internet.

E tocaram o bonde pra frente! Nasceu o Movimento das Mães em Luta pelo Brasil. Pensaram primeiro numa passeata. Depois numa caminhada. Em seguida num encontro. No vão do MASP, dia 17 de maio. Com início às 15 horas.

Primeira e mais firme decisão: ausência total de partidos políticos! Único partido no qual o movimento acredita é o partido do Brasil, esse país imenso e querido que precisa acordar e cujos filhos merecem futuro digno. Segunda decisão: o convite para que se unam às “mães em luta” gente de todas as tendências, de todas as raças, de todas as cores, de todas as preferências sexuais e religiosas. De todas as classes sociais. De todas as profissões. Também os sem profissões. Os que lutam pela igualdade social. Os que pedem respeito aos animais. Os que pedem respeito ao país. Teve gente que não acreditou nas “Mães em Luta pelo Brasil”.

Tem gente que não acredita, ainda. Há quem duvide das intenções. E quem ache que elas são sonhadoras. Daqui pra frente a voz é delas: “Não tem importância. Vamos em frente, pelos nossos filhos, pelos filhos de nossos amigos, pelos nossos netos, sobrinhos, afilhados.

Estamos começando uma luta e sabemos que essa mesma luta vem sendo travada por outros movimentos. Nossa intenção é a união com todos os que desejam um país melhor! Um país com transparência.

Sem políticos incompetentes e desprezíveis. Sem impostos abusivos. Com saúde e educação de primeiro mundo.

Com segurança para todos. Um país sem desigualdades. Sem corrupção. Um país alegre, feliz. E tem gente à beça querendo isso” !

NOSSO LEMA: FORA CORRUPTOS. REFORMA POLÍTICA, JÁ. JUSTIÇA IGUAL PARA TODOS!

Atrás disso vem o resto!

Agenda (1)Eu assino embaixo

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