#ADEHOJE – TODO DIA, NOSSOS SUSTOS. E A DIVISÃO SE ACENTUA.

#ADEHOJE – TODO DIA, NOSSOS SUSTOS. E A DIVISÃO SE ACENTUA.

 

SÓ UM MINUTO – Quando comecei esse programa há sete meses, logo após o resultado das eleições, mal ou bem, pela experiência, já sabia que todos os dias teríamos muitas coisas para comentar. Primeiro pensei em fazer com humor, mas com o tempo, infelizmente, as coisas foram se deteriorando tanto que até o humor fica prejudicado. Resta a ironia. São cinco meses de um governo confuso como biruta de aeroporto; que propõe retrocessos inaceitáveis e que cria casos em sequência.

Mas garanto que, por mais que soubesse que teríamos problemas, nunca poderia imaginar que seriam tantos! Ministros da Educação como esses dois, o de agora é mais perigoso que o colombiano! – a troca de cargos feitas à faca, relações externas feitas a navalha, ministra da Mulher que não vê os fatos, o da Justiça engolindo sapos seguidamente. O do Meio Ambiente mais um sem noção. E um presidente que, junto com os filhos e uma turma, parecem apenas querer uma divisão ainda maior do que a que vivemos tão apreensivos.

ARTIGO – Que gestação é essa? Por Marli Gonçalves

Que gestação é essa?

Marli Gonçalves

Pega a folhinha. Conta. 1, 2,3. Três já foram. Faltam agora só nove e a coisa que creio todo mundo mais deseja é não ter que passar esses nove meses esperando que nasça um novo Brasil. Temendo que esteja sendo gestado um monstro nascendo prematuro, tirado a fórceps. Que vá direto para uma encubadeira.

Entra dia, sai dia, entra noite, sai noite. É na hora do café da manhã, do almoço, do jantar. Se bobear, também na hora do lanche. Uma informação estranha, muito estranha, uma prisão, uma soltura, uma chacina, assaltos, explosões. Tiros. Um desaforo. Um telecatch entre ministros supremos, alguma deselegância.

Será que estão se dando conta? Três meses já foram. Mais três tem Copa do Mundo, que era só o que faltava para esse ano; soma mais três e – lembra? – Eleições. Nacionais. Para a Presidência, Governo dos Estados, Senado, Câmara Federal. Seria a hora boa para trocar, renovar, arejar, oxigenar. Seria.

Mas nossas mãos embalam um berço ainda vazio. O que poderia vir como novo se dedica especialmente a infernizar a Mãe Pátria, chutando bem a sua barriga, e nessa gravidez múltipla – põe múltipla nisso – com mais de dez candidatos a herdeiro, um tenta enforcar o outro com o cordão umbilical, tomar as forças, tomar a frente, nascer.

E, pior, parece que todos são gêmeos quase idênticos, para o nosso desespero, nós que esperamos aqui do lado de fora. Querendo saber se é menino ou menina, o tom da pele, se vai nos libertar ou censurar; se vai propor o desarmamento de espíritos, se vai querer estudar e ser alguém ou viver de dar jeitinho. Com quem vai parecer. Queremos ver a carinha, saber de que cor vai ser seu enxoval, sua roupinha, se branca, verde ou encarnada.  Se cantaremos cantigas românticas, ou hinos nas ruas, com o velho refrão: o povo unido, jamais será vencido.

Ficamos aqui torcendo – pelo andar desse andor – que ao menos nasça de parto minimamente natural. Ao menos isso temos de conseguir nesse meio tempo, já que os nossos desejos ainda terão de ficar esperando. O ovo ainda não mostra a serpente.

Não há como negar, contudo, que essa gravidez está bem tumultuada e estressante. Tanto que não dá nem pra desejar comer melancia com pão, ou sorvete de bacon. Temos de nos ater ao arroz e feijão, pondo a mão para cima, louvando se os temos.

Há fantasmas rondando esse berço, vindos de uma espiral do tempo, de 68, 78, 88, por diante, e não são rotações. As farsas se repetem. E nesse futuro-presente vêm ampliadas em redes virtuais, tecnológicas, não humanas, redes que ainda não têm a sua capacidade de destruição totalmente identificada.

Sai pra lá, bicho papão! Dona Cegonha, tenha piedade de nós.

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Marli Gonçalves, jornalista – Que confusão é essa? Que bandalheira é essa? Que gestação é essa, que nós é que sentimos as contrações?

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

Brasil, lépido 2018

O que você espera da segunda metade? Révélé. Por Marli Gonçalves

Pois é. Já acabou, passaram-se os primeiros seis meses de 2017, acredita? Sei que acredita porque deve estar igual a mim, se tinha depositado tantas esperanças de que as coisas iam melhorar, isso e aquilo, que voltaríamos a olhar pra a frente, que seria legal, iríamos tirar o pé da lama. Vamos tentar de novo para os próximos seis meses?

Não pulei sete ondinhas, porque não deu. Quando o ano virou eu estava aqui na cidade numa situação bem esquisita, hospital, família, você sabe se me acompanha. Mas à meia-noite projetei bons pensamentos, acreditei até em milagre; como era horário de verão, por via das dúvidas, repeti tudo de novo à uma hora da manhã. Acompanhei fogos coloridos da janela, vi pela tevê um monte de gente jogando astral para cima, de branquinho, fazendo promessas, jurando o velho amor eterno.

Temo que a gente não tenha se concentrado direito, porque nada rolou exatamente como gostaríamos. O milagre não rolou. O eterno não existe. A coisa toda está inclusive até mais enroscadinha: a situação do país tiririca, aquele que pior fica. E especialmente porque não temos nada / ninguém que preste para tapar o buraco.

Da próxima, precisamos ficar mais juntos, mais abertos às boas energias. Quem sabe se, sei lá, déssemos as mãos? Juntos, em todo o país. Então, estou propondo que a gente tente agora, para fazer, algo, dia 30 de junho, para 1º de julho – a Grande Comemoração do Réveillon do Segundo Semestre. Imagina você que fui procurar no Google e a única pessoa que falou sobre isso que eles registram sou … eu! Mais: se procurar entre aspas, as citações mandam só para mim, em locais de todo o país onde sou publicada.

(Confesso: a palavra foderaizer – “ligar o foderaizer”- , que também uso de vez em quando e que todo mundo entende, é só minha lá no Google. Não é fácil isso com tanta gente nesse mundo, veja bem. Marli Gonçalves, criando moda, expressões! Devia ganhar alguma coisa).

Réveillon tem origem no verbo réveiller; em francês, e quer dizer “acordar” ou “despertar”; “reanimar”. Perfeito. Tudo que precisamos agora. Nos reanimarmos. Para ir às ruas, mudar as coisas, batalhar para que parem essa cantilena que não aguentamos mais e que tanto tem nos prejudicado. Concentrem-se.

É. Sei o quanto de coisas temos a pedir. Comecei a fazer uma lista aqui e me impressionei, fiquei até cansada de tantas providências que deveria tomar que me passaram na cabeça. Tantas mágoas a esquecer. Tantas resoluções que infelizmente já sei que não vou conseguir seguir porque são aquelas que aparecem em todas as listas há anos. Parar de amar quem não me merece. Esquecer a desatenção e embrulhar o orgulho. Parar de prestar tanta atenção no ao redor. Parar de tentar salvar o mundo. E torcer para que me descubram – sucesso.

Os pensamentos coletivos, se nos esforçarmos, podem ser mais exatos, caprichados: que acabe o desemprego, que os juros abaixem, que tomem vergonha na cara, que parem de agir como piratas saqueadores. Que a arte nos encante novamente. Que parem de querer se meter nas nossas vidas, legislando sobre os nossos corpos e mentes, que deles sabemos nós. E como sabemos se somos nós, as mulheres!

Temos mais seis meses para chamar de nossos em 2017. Chegamos aqui, nem dá pra reclamar tanto, embora estejamos meio avariados. Nesses que passaram tomei várias mordidas, tropecei em muitas calçadas, pisei em poças. Mas estou aí e também vi dias lindos, conheci a solidariedade em momento de dor, aprendi um pouco mais o sobre o que é ser amigo, sobre como é bom não ter do que se arrepender por não ter feito ou tentado, porque fiz e tentei.

Pronto, está vendo? Dá para fazer igual ao fim do ano quando a gente fica fazendo balanço e inventário. Vamos lá. Que o segundo semestre seja um novo despertar.

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20170617_130831Marli Gonçalves, jornalista. Tim-tim. Feliz Réveillon do segundo semestre! Capricha no desejo, que a Terra vai correr de novo de uma extremidade a outra do diâmetro da órbita. Outra chance.

Passando do meio, 2017

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marligo@uol.com.br – marli@brickmann.com.br

@MarliGo

ARTIGO – Feliz Ano Novo, e que tudo se realize…

Por Marli Gonçalves

…no semestre que vai chegar! Acabou a primeira fase de 2011. Foi tudo muito rápido, meu bem, e não deu tempo nem de sentir prazer. Vamos, então, festejar o réveillon do segundo semestre, para ver se pelo menos agora vai.

É hábito de muitos anos. Sempre comemoro, mesmo que em silêncio, o que chamo de réveillon do segundo semestre, e é agora, esta semana. Voou; não passou. Chegou julho. O tempo, esse maluco, anda parecendo motoqueiro furando trânsito em São Paulo – não respeita mais nada, nem ninguém, nem qualquer previsão ou expectativa. É cruel: comigo, com você, com as contas, com a Dilma, e também com a leseira dos tais preparativos para a Copa, que já estão dando no saco.

Tudo parece que foi ontem. A chegada do ano e sua presidente, com seus porquinhos, brancas-de-neve e cinderelas, além dos personagens eternos, como o Mordomo, o Bigode, o Empertigado e, claro, O Barba. Muitos não ficaram nem até a meia-noite na festa, e a lua-de-mel com o povo quase dura menos do que as do Fábio Jr. Tem bruxinhas voando para todos os lados, e se há alguém que não acredita em duendes, até pode ser. Mas aloprados há aos montes. Desgovernados, todos nós. E alucinados, lunáticos, despropositados e afins andam procriando mais do que os embriões manuseados por aquele médico maluco que nos deu uma banana, literalmente, e fugiu por aí.

Os tais grandes eventos, que não sei mais quem ainda acredita que vão mudar nossa situação, já faz tempo que foram anunciados. Que preguiça! E? Nada. Aeroportos, estradas, serviços, comunicações e todos os etceteras continuam lentos, quase parando, piorando, sigilosos, e já nem mais é segredo por quê. Contrato bom é contrato feito de emergência. Foi um brasileiro quem – quase certo – inventou a máxima: no fim, tudo dá certo. Só pode ter sido. E nem sempre é verdade, também sabemos.

Nesses primeiros seis meses assistimos foi a muitas desgraças, cruz credo. Enchentes, deslizamentos, inundações, acidentes, desgovernos, denúncias, corrupções & bandalheiras, barrancos e barracos vindo abaixo. Lá de fora recebemos uns borrifos de sangue de Osama, cinzas de vulcão, ares carregados de medo, inclusive nucleares, tremores e deslocamentos de terra e da Terra, bactérias-monstro, notícias de primaveras de liberdade que até agora não deram flores.

Precisamos de um descarrego. Não, não é preciso criar mais um ministério para isso, calma. Já viu que agora tudo o que a gente fala ou pede perigas virar mais um órgão público onde sentam um apaniguado de algum partido ou de alguém? Temo que eles estejam precisando de mais espaços. Melhor ficar junto à parede. Porque até siglas são pomposas. Que tal, por exemplo, a Autoridade Pública Olímpica? APO. APOlogia, para políticos APOsentados, ou APOiados em APOstas que dão com os burros n`água. De autoridades estamos é cheios.

Pela frente serão só mais seis meses para chamarmos de nossos. Ano que vem tem eleições de novo, e então seremos mais uma vez invadidos por aquela estranha sensação de sentir alguéns passando a mão em algumas partes de nossas, digamos, estruturas. É o caso de começarmos nossos planos, todos, de novo.

Assim, primeiro, você, mulher: a cor da calcinha que vai usar nessa virada. Como é de quinta para a sexta, sugiro uma branquinha com detalhes em verde, com elástico amarelo e uma fitinha vermelha. Você, homem: uma cuequinha simples, branca, que vocês nem se ligam muito nessa, mesmo. E como diria aquela travesti que ficou famosa na internet, tomar uns “bons drink” pode ser uma. Mas sem sair de casa para não cair em nenhuma malha, nem rodoviária, nem policial, nem leonina. Nada de cavalos, também, que estes andam quebrando as costelas da oposição, como se precisasse e elas não quebrassem sozinhas.

O importante será a concentração em termos de boas ideias, mais do que intenções, e pensamentos elevados. Tipo que o inverno não seja rigoroso porque logo já vai ser Dia dos Pais e tudo sobe o preço, inclusive chinelos, pijamas e cobertinhas. Pensando bem, melhor ser mais geral: concentrar-se contra a inflação que está mesmo afiando as garras.

Vamos olhar para frente, marchar para continuar protestando, e esperar. Temos seis meses pela frente até podermos comemorar outro réveillon, outro despertar.

Como sempre, o melhor é começar tentando manter-se entusiasmado por alguma coisa. Quem sabe o verão?

São Paulo, seco como o Saara, cof cof cof, 2011. Por enquanto, 2011.

(*) Marli Gonçalves é jornalista. Adoraria poder vaporizar as ideias deste país que dá dois passos para frente, três para trás.

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