#ADEHOJE – TEMER AO MOLHO PARDO. E O BRASIL, SALADA MISTA

#ADEHOJE – TEMER AO MOLHO PARDO. E O BRASIL, SALADA MISTA

SÓ UM MINUTO – O ex-presidente Michel Temer está sendo frito em fogo lento. Réu em 11 processos, denunciado em mais três. Há mais cinco investigações em andamento. Variam de corrupção, lavagem de dinheiro, com mala de 500 mil, JBS, tudo junto. Vai ser difícil escapar, e pode ser preso novamente.

Jair Bolsonaro voltando ao Brasil com suas polêmicas, ministros equivocados e filhos. A reforma da Previdência está que nem peteca. Cada hora aparece um projeto para enfrentar o governo. Hoje o Senado aprovou o orçamento impositivo que já havia sido aprovado na Câmara, lembram? Pauta-bomba. Nomeações discutíveis continuam.

Além de tudo isso, ainda temos que ficar apavorados com a questão da vizinha Venezuela. Se prenderem Juan Guaidó a situação pode esquentar muito. Aqui do lado. Russos versus americanos.

 

#ADEHOJE – DIA BOMBÁSTICO NA POLÍTICA

#ADEHOJE – DIA BOMBÁSTICO NA POLÍTICA

 

SÓ UM MINUTO – O dia amanheceu quente hoje, e não só por causa das prisões de Michel Temer e Moreira Franco, pedidos expedidos pelo juiz Marcelo Bretas do Rio de janeiro, e para onde Temer foi levado. Logo cedo a PF estava nas ruas, em São Paulo e Alagoas cumprindo mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, contra acusados de emitir fake News e ameaças aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Fora isso ainda há gente que parece que está cego e surdo – não conversa com o povo nas ruas – e ainda insiste em acusar a pesquisa Ibope divulgada ontem de mentirosa. Sim, gente, a aprovação ao governo e forma de Bolsonaro governar está despencando. Ele precisará colocar a economia para andar, se quiser deter essa sangria, mas até agora permanece no Twitter. E a equipe a nos fazer passar vergonha.

#ADEHOJE, #ADODIA – FRIGIDEIRA NO FOGO. INGREDIENTES VARIADOS. NÓS SOMOS TEMPERO

#ADEHOJE, #ADODIA – FRIGIDEIRA NO FOGO. INGREDIENTES VARIADOS. NÓS SOMOS TEMPERO

Não é para menos que o calor está tão forte e que até raios assustadores agora surjam saindo do solo em direção ao céu. Raios ao contrário. Dizem que são as forças negativas. Vejam só o tamanho dessa panela, que agora tem o futuro ex-presidente que ficará sem foro, denunciado ontem, o Ministro Marco Aurélio de Mello que arrumou uma pendenga forte com os outros 10 por conta de uma decisão que tentou tomar, e que o Toffoli cortou as asas. Mais: João de Deus, investigações sobre um assassinato bem esquisito do secretário de transportes de Osasco, sobrou até para a mãe do ex-senador Aécio Neves. Continua sumido o assessor que tinha de explicar o dinheiro que foi e voltou, o motorista, assessor e faz-tudo do Bolsonarinho Flávio. Tem a posse dia 1º e tudo o mais que virá junto, como decisões que poderão nos afetar e muito. Algumas até para melhor; mas há outras que ameaçam ser apavorantes e darão pano para manga e sapatos para protestos nas ruas.

 

#ADEHOJE, #ADODIA – PLANTÃO: VOU TE CONTAR AS COISAS QUE TÊM PARA ACONTECER NESTE QUENTE VERÃO

#ADEHOJE, #ADODIA – PLANTÃO: VOU TE CONTAR AS COISAS QUE TÊM PARA ACONTECER NESTE QUENTE VERÃO

 

FIM DE ANO, SOL, VERÃO. ESTOU DAQUI VENDO VOCÊ FAZER PLANOS, ARRUMAR MALAS, CONFERIR PASSAGENS, TUDO PARA SAIR POR AÍ. NÃO ME ABANDONE. FICO AQUI DE PLANTÃO. AINDA MUITA ÁGUA VAI ROLAR NÃO SÓ NOS PRÓXIMOS QUINZE DIAS, COMO ESPECIALMENTE NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DO ANO QUE VEM. VEJAM SÓ: TEM JOÃO DE DEUS FORAGIDO, PARA SE ENTREGAR… SERÁ? COM 35 MILHÕES NO BOLSO. SEI NÃO SE ELE JÁ NÃO PODE ESTAR LONGE FAZENDO RETIRO EM ALGUM TEMPLO DO LUXO. TEM CESARE BATISTTI COM UM AVIÃO ESPECIAL PARADO ESPERANDO POR ELE PARA LEVÁ-LO DE VOLTA À ITÁLIA CONFORTAVELMENTE. E O QUEIRÓZ, O ASSESSOR DO BOLSONARINHO FLÁVIO QUE SUMIU? E LEVOU A FAMÍLIA, MAS MANTEVE A CONVERSA NO NOTICIÁRIO SÓ PIORANDO PRO LADO DOS QUE VÃO ASSUMIR A DIREÇÃO DO GIGANTE ADORMECIDO. E DEPOIS? O QUE ACONTECERÁ COM O TEMER E OS INQUÉRITOS QUE PAIRAM SOBRE ELE AMEAÇADORES. COMO SERÁ A POSSE, OS NOVOS GOVERNOS? O VERÃO VAI SER QUENTE MESMO.UM FORNO. VOU TE CONTANDO, VOU TE CONTAR.

ARTIGO – A desgraça como aleg(o)ria. Por Marli Gonçalves

Vou tentar fugir do pode não pode, do skindôlelê. Tudo pode. O “É Proibido Proibir” ecoou bonito como tema em vários blocos de rua este ano. Mas há de se pensar muito quando a “solução” das terríveis situações em que vivemos são saudadas como espetáculos desfilando em escolas de samba e em tropas do Exército nas ruas

À base de Bic`s ou Montblancs. Decretação de Intervenção Federal na segurança do Rio de Janeiro. Decretação de calamidade social em Roraima. De canetada em canetada, de pulo em pulo, de reunião em reunião, de declaração em declaração vai se tentando resolver as mazelas do país da forma mais desorganizada. Aos soquinhos. A última foi a extrema de botar general no comando geral da PM e o Exército nas ruas do Rio de Janeiro: o presidente Michel Temer deixa claro que não gostou nadica dos desfiles onde apareceu como, digamos, destaque.

A alegoria de mão virou, então, a caneta dos decretos. Preparem-se, outros Estados! Receberão baciadas de venezuelanos refugiados para darem um jeito. E certamente receberão, com a mala e a cuia na mão, além do fuzil, claro, os líderes meliantes cariocas vindos refugiados dos morros e matas. Quando o Morro do Alemão foi tomado há alguns anos, bandido correndo para tudo quanto é lado, a região metropolitana de São Paulo foi aprazível morada onde vários deles se fixaram.

Mas o que importa, não é mesmo? Além da imagem, da cara de bravo, frases bonitas, da imponência do discurso cheio de metáforas anunciando “restaurar a tranquilidade do povo”. “Nossos presídios não serão mais escritórios de bandidos, nem nossas praças continuarão a ser salões de festa do crime organizado. Nossas estradas devem ser rotas seguras para motoristas honestos”, disse Temer, sem corar, do alto do pedestal.

Oi? Uai, a tal intervenção não é só no Rio de Janeiro?

Aí reside o perigo. Se a população que nessas primeiras horas estou vendo aplaudir a medida – até porque o povo carioca vivendo uma guerra insana se agarrará a qualquer coisa – der boa mídia – o Exército que se vire. Podem ser chamados para preencher outros buracos nacionais de poder, de incompetência, de desmandos. Até porque ou haverá uma chacina, ou os “elementos” se espalharão. Prender não tem onde. Já há sérias dúvidas de como os soldados irão comer, onde dormirão, essas coisinhas básicas.

O que irrita é que a falta de planejamento das medidas, da ordenação social, do desenvolvimento das cidades é tão comum que acabamos nos acostumando a arroubos em crises. Seja na segurança perdida, no transporte público travado, nas tragédias sem amparo.

O maniqueísmo culpa a imprensa. Duas cândidas escolas de samba do Rio batem no peito como vitoriosas porque botaram na avenida o que o ano inteiro passou diante dos nossos olhos e ouvidos, e, destaque-se, pela imprensa – assaltos, arrastões, tiroteios e balas perdidas, protestos e muitos etcs –esqueceram que elas próprias são dirigidas por meliantes que incentivam tudo isso. O governo seguiu o exemplo. Botou os soldados em marcha e anuncia que – ah, agora vai! – também vem por aí mais um Ministério! Da Segurança Pública. Dado o nível dos atuais ministros e indicações, só mais umas vagas abertas para negociações.

Tudo isso me lembra muito um problema que estou às voltas: formigas, formiguinhas. Pequeninas, andam em todos os cantos, menos onde poderiam ser pisadas. Impossíveis de serem contidas. Se abandonam um lugar, daqui a pouco surgem em outro local, sempre inusitado, birrentas, num organizado desfile e muita união.

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Marli Gonçalves, jornalista. Oh pátria amada, por onde andarás? Seus filhos já não aguentam mais! – dizia o refrão que tantos cantaram atrás de um beija-flor

marligo@uol.com.br/ marli@brickmann.com.br

SP, 2018

 

ARTIGO – Temer, por favor, sai daí! Por Marli Gonçalves

Sai daííí! Estamos muito arranhados. A verdade é que só uma coisa é certa: o país não resistirá a percorrer mais um processo de impeachment. Por favor, presidente, já que disse que não tem apego, deixa a gente seguir em frente enquanto o senhor se defende. Por favor, por você, por nós todos.

Se pudesse pedir algo ao papai do céu, ao anjo da guarda, a Todos os Santos, fazer mandinga, seria para que algo iluminasse a sua cabeça, presidente Temer, para que decida pela forma menos traumática, e por conta própria: renuncie. Não, calma, não estou fazendo juízo de valor, nem o condenando antecipadamente, embora seja bem difícil inocentar – acho que deve se defender com unhas e dentes já que garante que pode, e está – garanto – com um dos melhores advogados do país, Dr. Mariz, que pessoalmente tenho na maior conta, respeito e admiração.

Mas não governando; não pode obstruir a estrada como a terra de um muro desbarrancado pelo tremor, pela avalanche. Se não sair nada mais andará para frente; ao contrário, vai ter marcha-a-ré.

Como vê, em poucos dias já foram buscar e estão começando a passar com trator em cima do senhor. Várias vezes. Vai piorar, vão passar com uma locomotiva carregada, que – veja – apita e aparece logo ali depois da curva. Avalie: como vai continuar governando sem paz? Sem base? Com um monte de flechas apontadas, com manifestações dia sim, dia sim? Se já estava difícil sem tudo isso, imagine agora.

Sei que nesse caso o foro privilegiado que dispõe é de suma importância e o senhor se sentiria mais protegido. Mas, ao mesmo tempo, pense. Os foguetes atingiram sua tenda, furaram o teto, e até o STF já pediu sua investigação enumerando motivos horrorosos. Como ser presidente com esse fardo?

O senhor caiu no centro de uma teia maquiavélica, uma cama-de-gato, uma arapuca engendrada de forma orquestrada, premeditada. Admita. Se tentar se debater dentro dela, se enroscará mais e mais, e talvez não tenha chance de sair dessa com um mínimo de dignidade, que tenho certeza, gostaria de resguardar. Caiu o senhor, caíram até aqueles que já estavam caídos, e quanto mais todos se mexem mais o país para. Esse caso une a verdade aparecendo, sim, mas contada por manipuladores, regados a inveja, disputas internas, frutos de disputas insanas entre poderes. Vamos combinar: dessa vez com uma jogada záz-tráz, mortal.

Por favor. Considere isso. Seria uma decisão nobre, mesmo no meio de toda essa lama. Não espere que o tirem aos pontapés, como vai acontecer, seja no TSE, seja no tal impeachment, palavra que me dá até alergia em imaginar tudo de novo. Não dê chance a mais esta acusação – de ter falido um país. A História registra. O jornalismo é o dia a dia.

Mais uma vez, presidente, acredite, dou graças por não ter filhos – não saberia como explicar a eles esse momento que vivemos. Ficaria muito mais perturbada ainda se os visse assistir às cenas que todos estamos vendo. A começar pelos diálogos dos poderosos empresários delatores. Agora piorou, presidente! Os açougueiros foram mais longe ainda. Para se salvarem, aos seus luxos, se prestaram a papéis que não dá nem para dimensionar o nível de canalhice. Agora estão lá fora rindo muito de nossa cara, falando em português primário, enquanto o senhor ainda busca e usa rebuscadas palavras para se defender.

É com essa gente que está lidando agora. Não é mais só com os políticos submissos às suas ordens, os chucros. Não é só com os petistas e afins. Sinta como do dia para a noite foi sendo abandonado. Veja como o bombardeio foi muito bem sucedido, tramado.

Salve sua história, pelo menos a até aqui. Leu o jornalista Jorge Moreno? Mais ou menos: “Prof. Michel Temer chame à razão o presidente Michel Temer”. Acrescento: vamos nos agarrar ao livrinho da Constituição.

Se quer noticias aqui de fora, conto que está todo mundo muito, mas muito mesmo, muito p…, chateado, cansado, e isso é muito, mas muito mesmo, ruim. Ainda tem alguns resignados e à sua volta deve estar cheio de falsos amigos mais preocupados em se manter a salvo do que com o apoio que precisa. Aquelas deprimentes e tímidas palmas que recebeu durante seu primeiro pronunciamento dizem tudo sobre a solidão que enfrentará dentro dos gigantescos palácios.

Por favor, Temer, sai daí. Deixe que nos apeguemos ao pouco que ainda temos, permita que as coisas não piorem, gerando ainda mais miseráveis. Não nos use como escudo, vingue-se depois, mas deixe-nos passar por outros caminhos.

A pinguela ruiu. Salve a República!

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please3Marli Gonçalves, jornalista – Abismada. Preocupada. Impressionada. Envergonhada. Enojada.

Brasil, mostra a tua cara!

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ARTIGO – L-J, ou Querida, o país encolheu. Por Marli Gonçalves

tv_01b_bbForam tantas tratativas pensando em melar a Operação Lava Jato que faltaram chamar a Wanderléa para fazer serenata para o Sergio Moro: “Senhor Juiz, pare agora! Por favor, pare, agora! ” Para completar, temos uma dívida monstro tipo corda no pescoço, mais de 11 milhões de desempregados, saques assaltos bilionários sanguessugas nas empresas e das empresas na gente, um projeto de poder falido tentando de um tudo para continuar atarracado. E mais a violência que nos sangra e respinga

Geleia geral, se alguém queria saber a sua mais completa tradução, chegou a ela nos últimos dias destes últimos meses. A novela mais assistida voltou ao horário das oito, o do noticiário, agora repleto de personagens que entram mudos e não saem, calados; que saem, ou ainda tentem, falando, dedando, traindo; que fogem ou são fugidos, gravam e são gravados – e gravados puramente sinceros. Os que estão numa lista aguardando a chamada. E os que estão numa outra lista de espera para ingressar em breve no espetáculo, em alguma fase de nome criativo da Operação. Mais matracas declarando roteiros que não cumpriram quando puderam.

Se for para começar a usar sinônimos, lá vem mais um: decomposição. A coisa está tão feia, sem limites, derretendo sórdida e a passos tão largos que não nos sobrará outra opção que não seja histórica, esta sim o será, e corajosa. Do ponto de vista político de unidade nacional, se estiver mesmo querendo passar melhorzinho para a história não restará a Michel Temer alternativa a não ser liderar um rápido e radical processo de transformação e renovação, chamando eleições em todos os níveis, e em um processo que no máximo se resolva desse outono ao outono do ano que vem. Só assim poderá manter o apoio, porque a impressão é que ainda vem onda grande por aí.

Mas quem dera fosse só na política essa degradação, embora a ela tudo pertença de alguma forma. Estamos precisando falar sobre a nossa índole que está mostrando um lado brutal que ainda poucos se dão conta. Aliás, poucos se dão conta que isso tudo é real, significa, e é a sua própria vida e destino no jogo.

tv_04a_bbEssa novela, “L-J ou Querida, o país encolheu” já ultrapassou Redenção, da extinta Excelsior, que tem o recorde de ter ficado no ar por mais tempo na televisão brasileira. Foram vinte e quatro meses e dezessete dias, 596 capítulos. A história agora, a atual, parece infinita, um polvo, e de cada uma de sua pernas cortadas, surgem outras, ainda mais compridas, como rabos de lagartixa. As histórias esticam sua dimensões e alcançam cada vez mais personagens detrás de portas e janelas onde tentavam se camuflar.

Enquanto discutimos estruturas burocráticas de ministérios, fazendo cara de conteúdo, bocas e bicos, e usando argumentos chulos e apelativos para falar sobre a cultura, ela se nos apresenta em sua mais brutal face. No estupro coletivo da menina, que ainda por cima suporta agora em cima dela as dúvidas dos detalhes, e a ineficácia da proteção e investigação policial; nos assustadores números do índice nacional de estupros e violência contra a mulher. Na desonestidade intelectual dos que se afundam na tentativa de torcer o rabo da porca, para salvar a que fizeram heroína, e heroína do nada é. Se foi, foi.

As estribeiras estão soltas. A pedra atirada que mata o rapaz que dormia embalado nas curvas da estrada de Santos rolou do alto de uma montanha que desmorona, nos fazendo lembrar de olhar para cima. Para ver se vem rolando outras e tentar delas desviar. Ou procurar por Deus, pedindo que nos perdoe a todos por uma possível omissão que estaria escrevendo essa história, que nos suspende, e que embora possa parecer comédia, tenha até seus momentos hilários, não é.

É drama e dos grandes, de ainda nos fazer chorar muito. Com reprises programadas.

a43eb-tvMarli Gonçalves, jornalista Não quero ter mais tanto medo. Nem do presente, nem do futuro. Nem do enredo, nem de ser enredada

São Paulo, 2016

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ARTIGO – Ordem e Progresso? Falta alguma coisa. Por Marli Gonçalves

bandeira BRPositivo operante. Estou numa saia meio justa e nem sei se justifica, porque ainda não tenho exatamente certeza do que acho mesmo desse lema adotado pelo governo que chamarei novo, mas só porque é novo, não por seus integrantes. Ordem e Progresso. Tem alguma coisa nele que já me incomodava ver estampado na bandeirabandeira BR

Amigo querido, conheço o publicitário Elsinho Mouco, e sua equipe, que foi quem bolou já começar o primeiro dia do governo Temer com uma nova simbologia, imagem, motivação. Achei perfeito terem pensado nisso, em um novo visual, que fosse astral. Foi ele quem encontrou a solução dentro de casa, rapidinho, nas imagens das manifestações de ruas com milhões de pessoas enroladas nelas, nas bandeiras brasileiras. Elas estavam nas ruas nas mais diversas aplicações, tamanhos, tecidos – e renderam dinheiro para os ambulantes. Se não é todo o mundo que conhece, certamente todos os brasileiros a conhecem. O verde de nossas matas, o ouro de nossas riquezas, as estrelas de nosso céu azul, e no seu meio, , o lema! Simples, compreensível, assimilável.

No novo símbolo que pretende substituir aquele horror da Pátria Educadora, que ficou só no discurso da posse da Dilma 2, a escolha caiu para o azul, em dégradé, o branco. O amarelo do ouro, aquela riqueza que a bem da verdade sumiu mesmo ultimamente, aparece só na faixa que circunda o globo que por sua vez se destaca, e parece pedir ordem e progresso em letras verdes, não tão garrafais, mas verdes. Bonito ficou. Ponto positivo. Uma coisa nacionalista. É, pode ser. Para recuperar um pouco do orgulho nacional. Sim, era preciso.

Aliás, passadas já algumas horas dos fervilhantes acontecimentos, podemos ver outros pontos positivos. Entre eles, a calmaria geral como se nada de diferente estivesse acontecendo, e como se houvesse, sim, um enorme alívio coletivo, interrompido apenas por murmúrios angustiados soluçando golpe, golpe, golpe, como se precisássemos bater nas suas costas para fazê-los desengasgarem. E o rebuliço das redes sociais, com seus militantes encastelados, de um lado e de outro formulando revoluções e resistências, ambos inúteis quando precisamos apenas de muita realidade. Até para entender o que foi isso tudo.

Horas depois da saída de um, já havia um outro governo entrando pela portinha quase que completo assumindo a direção – e até com símbolo! Isso eu achei genial. Tipo em horas trocamos tudo, bem, quase tudo – claro, cheio de resquícios esquisitos do passado recente e personagens que ainda nos deixam pasmos com suas incríveis capacidades de adaptação, troca de opinião e posição, e que colocam pedras e névoas em cima de seus passados. Se hay gobierno, yo estaré con él.

Voltando ao lema Ordem e Progresso preciso dizer que me incomoda ouvir isso e lembrar imediatamente de OSPB, Organização Política e Social Brasileira, que éramos obrigados a estudar como matéria. Literalmente, obrigados. Porque ensinava disciplinas, distribuía regras, obrigações e normas, disso e daquilo, uma coisa horrorosamente reacionária e limitadora. Pelo menos é assim que lembro, estudando no segundo grau no tempo da ditadura. Muita coisa que a gente precisava decorar. Eu odiava.

“O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. “O progresso é o desenvolvimento da ordem”. Ideais republicanos. Teoria positivista de Augusto Comte (1798-1857) foi a origem do Ordem e Progresso de nossa bandeira. Esse Comte era tão louco que chegou até a elaborar um calendário, para “desenvolver o espírito histórico e sentimento de continuidade”. Vejam só: a proposta era que o ano tivesse 13 meses de 28 dias, cada mês exatas quatro semanas, e um ano bissexto para a compensação. O dia restante no final de cada ano seria para a celebração dos mortos.

LABRASIL0219Nos anos bissextos, o outro dia que sobraria, seria para, ainda segundo a proposta dele, dedicar às Santas mulheres (?!?), ou a uma determinada mulher (?!?). Impressionante o tamanho da concessão, não? – puxa, que homem generoso com as mulheres!

Ah, vá! Mas o mais doido é que ele também propôs dar nomes aos meses, glorificando importantes da religião, literatura, filosofia, ciência e política, nessa ordem, e todos bem masculinos: Moisés, Homero, Aristóteles, Arquimedes, César, São Paulo, Carlos Magno, Dante, Gutenberg, Shakespeare, Descartes, Frederico II e Bichat, esse último nome, bem acentuado, e que foi um importante anatomista francês.

Foi saber disso para ficar ainda mais preocupada com o grupo de vetustos senhores – sem nenhuma senhora – que entrou na cabine de direção do Brasil e dessa Ordem e desse Progresso. Começo imediatamente a achar melhor propor para a gente ir cuidar das nossas vidas e de nossos costumes – do que nos é de mais precioso. Vamos dar um tempo para ver o que conseguirão fazer.

Mas enquanto isso, alertas, vamos voltar a dar atenção e cuidar de nossos avanços de comportamento, das conquistas que tivemos, lembrar das leis que derrubamos e nas que precisamos ajustar. Do que necessitamos para nossas ordens, para o nosso progresso. E, fundamentalmente, para conseguir a palavra que bem que poderia já ter vindo também estampada no novo símbolo, arejando, como lema: Liberdade. Tornaria a ordem e o progresso menos reacionários.

Senti muito a falta dela. Que isso nunca seja literal.

Marli Gonçalves, jornalista A ordem é mesmo sempre tão relativa.

São Paulo, 2016

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ARTIGO – Ficar para a história. Por Marli Gonçalves

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Ficar para a história

 

Por Marli Gonçalves

Também estou preocupada. Todos nós estamos apreensivos, e perplexos. É estranho estar apreensivo e perplexo ao mesmo tempo, mas é o que acontece. Vou tentar expor um ponto de vista daqui da minha torre de observação: um novo tempo, apesar dos pesares, está chegando. Eles agora têm netos, não vão querer fazer feio. Pelo menos não tão feio

Pensa comigo. Aos fatos. Está visto no decorrer da Operação Lava Jato que não há mais como escapar de investigações e que estas viram ao avesso as vidas, o presente, o passado e o futuro, aqui e em toda a galáxia. Certo? Certo. Até pode fazer, mas tem de rebolar tanto para não ser descoberto que vai acabar chamando a atenção do japonês.

Sorria, você está sendo filmado, fotografado, televisionado, gravado, youtubado, instagramado, facebucado, zapzapeado e tuitado – eles também, e bem mais do que nós.

Pois bem. Com algumas décadas acompanhando a política nacional como jornalista, conheço ou lembro mais detalhes ainda do que a maioria de vocês, da vida pregressa desses cavalheiros de cabeça branca ou lisinha que ora se apresentam para nos governar e também os que se apresentam para resistir. Muita coisa antiga da época que só havia muito o “ouvi falar”, mas quase nada era mesmo investigado. Assunto abafado era o termo. Às vezes, escapava, vazava, e algum jornalista conseguia uma boa história, suportava a pressão. Mas, como disse, eles eram jovens, arrogantes, queriam subir na vida e aprenderam política antiga contaminada por populismo.

A essa altura, hoje, já devem ter percebido que as coisas realmente mudaram. Se tiverem consciência da importância do momento e da missão que constroem – e isso a gente pode ficar lembrando a eles todo o tempo – precisam tentar fazer o melhor, o seu melhor, não podem se deslumbrar com cargos e poderes. Já viveram, são raposas, experientes em sua grande maioria.pen-fountain-drawing-animated-gif

Vão querer entrar para a história com uma foto melhor na carteira de identidade. Tomara. Tomara. Tomara.

Da mesma forma, e do outro lado, os mais tradicionais dirigentes e militantes parecem crianças novamente se divertindo de voltar a atuar, ser de esquerda, de se manter bem à esquerda, combatendo “golpes”, de agitar, conclamar, ser revolucionário – a única forma que antes todos nós achávamos legal para ficar para a história. Mártires. Mas eles terão um limite, não posso acreditar que – e será uma enorme decepção se o fizerem, como inclusive ameaçam – na Hora H insuflarão mais as massas de manobra, os jovens. Temo porque eles não têm mais tanta energia, e a situação ficaria fora de controle.o-pequeno-principe-estreia-breve

Passado esse meu momento otimismo em primeiro grau, me peguei pensando nessas coisas, entrar na história, ficar para a história, passar para a história. Entrar: a marca que deixamos quando fazemos algo marcante, realmente importante. Ficar: o legado de que um ato ou pensamento nosso possa conseguir ser imortal, ser exemplo, servir como guia e lembrança. E, enfim, passar para a história: o reconhecimento de uma ou mais gerações, ou ao menos de algum estudioso que dê a chancela, faça algum registro. Há até os que ganharam feriado, ou o direito de ficar “a vida inteira” sendo festejado no aniversário da morte.

Nos tempos digitais, com a locomotiva do tempo transformando-se em trem bala de forma espantosa, e o google virando verbo, ficou mais fácil e ficou maior esse mundo da tal história. Mais espaçoso, infelizmente talvez também menos criterioso, mas agora todos nós podemos sonhar com isso. Em estar bem na fita. Temos que caprichar é como chegaremos lá e por quais fatos mereceremos ser lembrados eternamente – História é eternamente, um infinito que não tem tamanho.

Nesse exato momento, por linhas tortas ou não, somos a caneta que escreve a história. Mas não posso deixar de ressaltar que a tinta é indelével. Portanto, por favor, redobrem a atenção, escrevam com cuidado, sem arrependimentos, porque esse é exatamente um momento que passará para a história. E não pode ter borrão.

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Marli Gonçalves, jornalista Registre-se isso.

São Paulo, olho em Brasília, Brasil, maio de 2016

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Que legal ser Temer na vida. Come-se bem, pelo menos. E adivinha quem paga o tempero.

  • frango no espetoCardápio gordo

O vice-presidente Michel Temer parece ter cansado do cardápio: reservou R$ 4,3 mil para treinar oito cozinheiros na preparação de receitas diet e light no Palácio do Jaburu, afirma o Contas Abertastoss_salad_wooden_bowl_md_wht.

FONTE: CLAUDIO HUMBERTO, NO DIÁRIO DO PODER

Melou de vez: Renan Calheiros, presidente do Brasil. Pelo menos até segunda…Vivemos para ver

africaDILMA VAI PARA A ETIÓPIA

MICHEL TEMER, PARA A POSSE DO RAFAEL CORREA NO EQUADOR

HENRIQUE ALVES ESTÁ NOS ESTADOS UNIDOS

 

PORTANTO,

bandeira brasileiraRENAN CALHEIROS

PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

 

 

bandeira pirataSERÁ QUE FOI COMBINADO? SERÁ? SERÁ?

Rapaz, olha quem vai tirar a roupinha na Playboy: a cunhada do Temer…

FONTE:http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/964657-cunhada-do-vice-presidente-michel-temer-vai-posar-para-a-playboy.shtml
celebridades

 

Cunhada do vice-presidente Michel Temer vai posar para a “Playboy”

 

DE SÃO PAULO

Fernanda Tedeschi, 25, cunhada do vice-presidente da República, Michel Temer, vai posar para a revista “Playboy”.

Reprodução/Facebook.com
Fernanda Tedeschi vai posar para a "Playboy"
Fernanda Tedeschi vai posar para a “Playboy”

Segundo a assessoria da revista, Fernanda já assinou contrato, mas ainda não foi decidido de qual mês ela será capa.

Fernanda é irmã mais nova de Marcela Temer, 28, que arrancou olhares e comentários na posse de Dilma Rousseff.

A capa da edição de setembro será a ex-BBB Adriana, conhecida também por ser ex-miss Campos dos Goytacazes.

Sobre Errolflyns e outros. Comentário do Gabeira vale. Pela seriedade, pelo humor, e porque mostra que estamos mal com essa turma aí, escandalosamente cinematográfica

Em busca das provas robustas

por Fernando Gabeira

    A presidente Dilma Rousseff, para variar, ficou irritada. O vice Michel Temer perguntou onde estavam as provas robustas.

As duas figuras que aparecem como noivo e noiva no bolo de aniversário da coligação PMDB- PT  estão unidas na censura à Policia Federal.

Acontece que a tanto a Policia Federal como a Procuradoria estão apresentando muitos dados, gravações telefônicas e, agora, depoimentos dos presos.

Apareceu até uma testemunha chamada Errolflyn de Souza Paixão. Os mais jovens podem ir ao Google e encontram lá o nome do ator norte-americano que inspirou os pais do Errolflyn brasileiro.

Num texto literário, esse nome seria um achado. Mas os estudiosos dos escândalos brasileiros sabem que, assim como fumaça e fogo, nomes estranhos e escândalos andam juntos no Brasil. Ele afirma que a deputada Fátima Pelaes sabia do esquema e ficou com parte do dinheiro da emenda de R$ 4 milhões.

O ideal seria que o governo ficasse calado até que o processo se desenrolasse. Ao se precipitar nas criticas à operação da PF, tentou mostrar para a base aliada que vai protegê-la.

Mas os fatos estão aí. O trabalho da PF está fundamentado neles. Dificilmente, as investigações, sobre esse e outros casos, será paralisada.

É o dilema que  tenho enfatizado. Não dá para evitar que a roubalheira venha à luz. Mas não dá também conter a base aliada que quer verbas das emendas parlamentares e suavidade na PF.

Se a greve dos aliados acabar com a liberação das verbas, aí então é que o trabalho da PF se fará mais necessário porque é das verbas que nascem as tramóias.

Só uma coisa preocupa. A PF tem enfatizado sua luta salarial. Isso significa que, com aumentos de salários, ela será mais complacente?.

Os tempos de vacas gordas permitiram a implantação de um poderoso esquema no Brasil. Seu objetivo não foi somente trocar o governo, mas também democratizar as benesses do poder, incluindo um amplo espectro de partidos, sindicatos, entidades de classe e ONGs.

É a tática da Arca de Noé que funciona bem no pais mas ameaça afundar nas crises. Quando menino, ouvia muito esta frase: ou todos se locupletam ou restaure-se a moralidade.

Em tempos da vagas gordas, chegou-se perto da estabilidade ideal do modelo. Quase todos que têm voz e organização foram cooptados. A própria PF, em alguns casos que envolviam o governo, pipocou.

Errol Flyn, o ator, em pose de detetive.

Não é só a crise econômica que ameaça a estabilidade do modelo. Ele também é ameaçado pela ganância e sensação de impunidade.

No imenso laranjal em que tranformaram o Brasil, Erroflyns da Paixão, Capitães Marvel da Silveira, Clarkgable dos Santos vão aparecer muitas vezes. Isto para ficar apenas na inspiração do cinema americano. Há todo um arsenal nativo à disposição dos plantadores.

( fonte: BLOG DO GABEIRA, NO ESTADÃO )

Que papo é esse? Temer dando ordens na roupa da jovem esposa?

Pincei esse trecho da entrevista do “estilista” André Lama,  quem fez a roupa que Marcela Temer usou na posse presidencial.

O relacionamento, como prevejo, é do tipo papai-filha, ditador-submissa, eu mando aqui?

Ou ele entende de moda e a gente não sabia?

Veja o trecho da entrevista ( coluna Monica Bergamo)

Temer aprovou o modelo?
Se ele não tivesse gostado, Marcela não teria usado.

A isso chamamos jornalismo explícito. Assim foi a saída da missa de 7º dia em tributo ao Quércia

Essa loucura é uma tentativa de entrevista.

Aí no meio está o Governador Geraldo Alckmin, na saída da missa em honra de Orestes Quércia, ex-governador de São Paulo, realizada hoje na Praça da Sé.

Estava todo mundo lá. Inclusive eu.

Não fiz imagens internas porque havia uma tristeza imensa na família do ex-governador, comovente. Os filhos chorando, Dona Alaide chorando…

Uma tristeza. Já disse aqui que gostava do Quércia, e reafirmo.

Fui também para dar um grande abraço na vice prefeita de São Paulo , Alda Marco Antonio, mas havia tanta gente que não consegui. E faço aqui, deste espaço, meu abraço.

Ela certamente é uma das pessoas mais tristes pela perda. Foi sempre uma fiel escudeira.

Estava lá também o novo vice-presidente, Michel Temer. Ouvi várias piadas sobre sua mulher e a falta que fazia ao seu lado.

Vi Kassab, o governador Alckimin e a esposa, Lu; Afif, o vice-governador, que reclamou de não me ver faz tempo (:-)), Maluf, Suplicy ( sem samba), uma horda de prefeitos e de novos secretários de Estado, como o Pagura (Esportes) e Silvio Torres.

O vice-presidente, Michel Temer, tentando entrar no carro

A briga por uma declaração