#ADEHOJE – CAMÕES, CHICO, ARMAS.

h2 style=”text-align: center;”>#ADEHOJE – CAMÕES, CHICO, ARMAS.

SÓ UM MINUTO – Claro que pode ter sido uma resposta – e das boas – ao momento que vivemos. Mas é com grande orgulho que temos de receber o Prêmio Camões, o mais importante da literatura mundial em língua portuguesa, para Chico Buarque de Holanda, pelo conjunto de sua obra.

Vale muito. Vale muito mais agora que estamos nessa inacreditável seara de pensamentos, vivendo sob ataque de ignorantes, rasos, desprovidos de qualquer senso.

O decreto de armas foi revisto, mas está lá vivo. Mortos estarão os brasileiros com mais gente armada. Mortes brutais, principalmente ontra mulheres, vêm ocorrendo, causada por todas as armas; a de ontem, em Porecatu, Minas, foi causada por canivetadas. Depois o assassino saiu atirando dentro de uma igreja evangélica. A loucura está solta – não é hora para armar ninguém, nem com pistolinha de água.

#ADEHOJE – PICADINHO DE NOTÍCIAS

#ADEHOJE – PICADINHO DE NOTÍCIAS

 

– O dólar subiu, a bolsa caiu e as crianças pararam de brincar de brigar, ao menos publicamente. Maia falou com Moro; Bolsonaro diz que está tudo bem com Maia…O ministro da Educação, o Vélez, na corda bamba. Damares fazendo as bobagens de sempre.

– Finalmente o reinado de Perillo em Goiás está sendo investigado. Hoje prenderam o ex-chefe de gabinete com dois milhões de reais em dinheiro

– Ditadura militar que querem comemorar: 132 VIAS COM NOME DE 31 DE MARÇO! Bolsonaro agora diz que era só para lembrar…Muito obrigada, mas quem esquecerá o horror que foram esses 21 anos?

– Barragens em Nova Lima e Ouro Preto entraram em alerta máximo por falta de declaração de estabilidade. Sirenes tocaram. Minas Gerais em pânico. Brasil em pânico.

– Assaltantes explodem Caixa eletrônico de hotel vizinho à residência do presidente, em hotel de luxo, do ladinho do Palácio da Alvorada

– 106 presos em operação de combate à pedofilia, em 133 cidades

#ADEHOJE – Sexta-feira em vermelho e negro, de sangue e luto

#ADEHOJE – Sexta-feira em vermelho e negro, de sangue e luto

10 meninos e seus sonhos queimados no Ninho do Urubu, incêndio no centro de Treinamento do Flamengo. Três sobreviventes feridos, um em estado bem grave.

13 pessoas mortas em tiroteio em Santa Tereza, bairro do Rio de Janeiro. Polícia informa que houve um confronto entre criminosos que disputam o controle de tráfico de drogas na região

O plano de emergência foi acionado pela ANM (Agência Nacional de Mineração) e houve toque de sirene para alertar e evacuar a população de Barão dos Cocais e Itatiaiuçu, Minas Gerais, cidades onde há barragens.

O presidente Jair Bolsonaro com pneumonia, internado no Hospital Albert Einstein e o povo continua fazendo como se ele fosse o Homem de Ferro, que pode governar nesse estado, da cama, com sondas nasal e gástrica.

Renato Franco de Mello, um querido e grande amigo, que vivia no lindo casarão da Avenida Paulista. Acabo de saber que morreu essa semana. Um dândi, uma elegância a menos em São Paulo.

 

#ADEHOJE – PEGA-PEGA NO SENADO. ENTENDE PORQUE TUDO ESTÁ ASSIM?

#ADEHOJE – PEGA-PEGA NO SENADO. ENTENDE PORQUE TUDO ESTÁ ASSIM?

SÓ UM MINUTO – Antes, salve Iemanjá em seu dia! Não sei se você ficou acompanhando o processo eleitoral no Congresso Nacional. Se não, só perdeu uma espécie de show patético. A cena da senadora Kátia Abreu roubando a pasta do senador Alcolumbre que se atarracou na cadeira fez lembrar aquelas brigas de crianças mimadas. Tiriricas da vida. Até esse momento, começo da tarde de sábado, 2 de fevereiro, os senadores, por exemplo, ainda estão se digladiando. Deram abertura até para a interferência do Poder Judiciário para a retomada do processo agora pela manhã. Na Câmara -óóó, venceu Rodrigo Maia. Surpresa. No Senado, Renan Calheiros usa de todo seu conhecimento interno para se manter no poder se reeleger presidente da Mesa. Esses resultados serão essenciais para o andamento do novo Governo e suas reformas. Onix Lorenzoni pisou no tomate nas duas casas, nos dois tapetes, o vermelho e o verde, e que marcam os lugares do Congresso, em Brasília.

Continuam as repercussões das divulgações das dramáticas imagens que mostram o exato momento do rompimento da barragem de Brumadinho e as consequências e a destruição. Prosseguem os trabalhos de procura dos corpos dos desaparecidos.

 

ARTIGO – Escovar palavras em busca de ossos. Por Marli Gonçalves

ESCOVAR PALAVRAS EM BUSCA DE OSSOS

MARLI GONÇALVES

Precisarei, contudo, de uma escova de cerdas de aço para seguir o ensinamento do mestre Manoel de Barros. Escovar palavras. Preciso desembaraçá-las, dar-lhes uma forma para que não ofendam os mais sensíveis. As que me vêm à mente para descrever as cenas da tragédia e do mar de lama de Brumadinho são muito duras, nervosas, indignadas. E agora será preciso que até lá cheguem também palavras de esperança e beleza, como a da chuva de pétalas de rosas com as quais os bombeiros homenagearam os mortos e desaparecidos

Tomo emprestada do poeta Manoel de Barros (1916-2014) a expressão que cunhou em suas palavras recordando a infância, quando viu homens “escovando ossos”, e que depois aprendeu serem arqueólogos que buscavam vestígios de antigas civilizações naquele chão onde viveu, em Cuiabá. A cena o fez querer escovar palavras e escrever, escrever, escrever as coisas que via e sentia.

Para falar dos acontecimentos e consequências do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, que ceifou centenas de vidas, sobre feridos, sobreviventes, desaparecidos soterrados que virarão para sempre terra, perdidos, misturados, levados para as correntezas, guardados sob dezenas de metros de rejeitos, preciso escovar as palavras. Elas choram, agoniadas.

Que palavras levar àquelas famílias que dia após dia estão ali em busca de alguma certeza que na verdade já têm, a de que não mais verão seus filhos, maridos, mulheres, pais, mães? Um dia, talvez, se aparecerem as pessoas que escovam ossos. Que pacientemente buscarão vestígios, não de civilização, mas de barbárie.

Essa semana consegui forças para ir à estreia do monólogo Meu Quintal é Maior do que o Mundo, brilhantemente encenado pela atriz Cássia Kis, com direção de Ulysses Cruz. Com simplicidade emocionante levaram ao palco a poesia de Manoel de Barros. Imperdível. Está no Teatro Popular do Sesi, em São Paulo, até meados deste mês, e depois percorrerá o país.

Uma coincidência, terrível, ouvir aqueles poemas não poderia ter sido mais atual para o cenário que se descortinou na verdade, na nossa realidade, sobre a natureza humana, a natureza das coisas, a natureza da natureza, e sobre a impiedosa marca da rudeza com a qual a ganância destrói sonhos e chãos. O que o poeta, se vivo estivesse, diria desses ossos enterrados, das vidas levadas, dos rios invadidos, das árvores sem pássaros, dos clamores das palavras em conchas?

Precisamos pedir a escova de cerdas de aço para não assistirmos tão inertes às explicações toscas dos culpados, que agora resolveram lançar balões de bondades, alguns com promessas de dinheiros que não pagam, que agora nada valem; balões, como se eles pudessem elevar aos céus os perdidos na lama escura. Precisamos escovar as palavras, aliás, desenrolar as palavras e fazê-las de flechas para responder aos que nada viram, nada fizeram, e ao presidente da poderosa empresa da represa, das ações na Bolsa, dos lucros das escavações das riquezas minerais.

As sirenes não soaram, senhor presidente, porque foram engolfadas? Engolfadas e levadas com as centenas de funcionários que almoçavam no refeitório e prédios plantados no caminho da morte que escoou? Como é? Como disse? Que o rompimento foi muito rápido, imprevisto? Ele devia, sei lá, ter telefonado antes, em nome da barragem, mandado e-mail, talvez uma mensagem por WhatsApp, como uma carta de um suicida? – “Senhores, há muito aguardo que vocês tomem providências. Tenho os pés rachados, não suporto mais segurar a pressão. Vou vazar. Tentei achar os alarmes, mas não alcancei. É que eles estão lá embaixo junto com as pessoas e tudo que vou ter de engolfar, no meu caminho na Vale, no Vale, o da Morte. Um abraço para o senhor que disse `Mariana, nunca mais´. Só não sei que desculpas usarão desta vez; só sei que elas, creio, não servirão mais para nada. Adeus.”

Não há desculpas. Não há palavras que possam ser escovadas para amainar o desespero. Temos forças apenas para balbuciar, dirigindo-nos aos socorristas, todos, que como caranguejos há dias rastejam na lama em buscas que nem eles mesmos sabem mais do que: Obrigado. A determinação de vocês nos faz chorar, acreditar que nem tudo está perdido, mesmo depois da lama derramada. Vocês escovam a esperança.

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Marli Gonçalves, jornalista – Indignada. #nãofoiacidente. Assim, também jogo a escova fora.

Brasil, de Mariana e Brumadinho, ano após ano

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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Escovar palavras

Manoel de Barros

Eu tinha vontade de fazer como os dois homens que vi sentados na terra escovando osso. No começo achei que aqueles homens não batiam bem. Porque ficavam sentados na terra o dia inteiro escovando osso. Depois aprendi que aqueles homens eram arqueólogos. E que eles faziam o serviço de escovar osso por amor. E que eles queriam encontrar nos ossos vestígios de antigas civilizações que estariam enterrados por séculos naquele chão. Logo pensei de escovar palavras. Porque eu havia lido em algum lugar que as palavras eram conchas de clamores antigos. Eu queria ir atrás dos clamores antigos que estariam guardados dentro das palavras. Eu já sabia que as palavras possuem no corpo muitas oralidades remontadas e muitas significâncias remontadas. Eu queria então escovar as palavras para escutar o primeiro esgar de cada uma. Para escutar os primeiros sons, mesmo que ainda bígrafos. Comecei a fazer isso sentado em minha escrivaninha. Passava horas inteiras, dias inteiros fechado no quarto, trancado, a escovar palavras. Logo a turma perguntou: o que eu fazia o dia inteiro trancado naquele quarto? Eu respondi a eles, meio entresonhado, que eu estava escovando palavras. Eles acharam que eu não batia bem. Então eu joguei a escova fora.

 

 

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#ADEHOJE – DAMARES NO ALVO. MILHÕES NAS RUAS, PROTESTOS. MAS LÁ NA VENEZUELA

#ADEHOJE – DAMARES NO ALVO. MILHÕES NAS RUAS, PROTESTOS. MAS LÁ NA VENEZUELA

SÓ UM MINUTO, TALVEZ MAIS… – Juan Guaidó agora foi reconhecido pelo Parlamento Europeu como presidente da Venezuela, como se autoproclamou a semana passada. O problema é que a Rússia está perto de defende-lo e os malucos de Maduro seguem na repressão violenta, inclusive contra os jornalistas estrangeiros. Mas o babado do dia está por conta de quem? … Da Damares Alves, claro! A revista Época vem pesada contra ela. Reconstrói a história de como a ministra Damares Alves levou há 15 anos, de uma aldeia no Xingu, a menina que hoje apresenta como sua filha adotiva, Lulu Kamayurá. A adoção nunca foi formalizada. Uma das pessoas ouvidas pelos repórteres Natália Portinari e Vinícius Sassine é Tanumakaru, uma senhora octogenária e cega de um olho, avó da menina e quem a criou até mais ou menos seus seis anos. Falando em tupi, ela contou que Lulu nasceu frágil e com inúmeros problemas de saúde. Era menininha ainda quando Márcia Suzuki, braço direito da hoje ministra, se ofereceu para levá-la a um tratamento dentário. Nunca mais voltou. Damares conta que salvou a menina de ser sacrificada. Segundo os índios, ela foi levada na marra. MP investiga a Ong da tal ministra.

Ah, tem mais essa: 3,5 milhões no país vivem em áreas com barragens em risco.

#ADEHOJE – LULA NÃO VAI LÁ. E O DESENROLAR DA TRAGÉDIA

#ADEHOJE – LULA NÃO VAI LÁ. E O DESENROLAR DA TRAGÉDIA

SÓ UM MINUTO – Hoje o Ministro Dias Toffoli, presidente do STF autorizou o ex-presidente Lula a viajar para encontrar parentes e homenagear, Vavá, que faleceu ontem. Não deu para ir ao velório e ao enterro, tantas idas e vindas. Foi uma peregrinação até conseguir, o que aconteceu só na instância máxima. Mas Lula embirrou e disse agora no começo da tarde que não virá mais. Lula viajaria com a Polícia Federal para São Bernardo do Campo e poderia encontrar sua família, mas numa instalação militar da região. Vamos ver como será isso. Na tragédia de Brumadinho começam a parecer os rostos e histórias das centenas de vítimas. O porta voz dos Bombeiros, bárbaro, Pedro Uihara, que está fazendo um trabalho excepcional merece os nossos aplausos de hoje. A Vale agora resolveu divulgar um saco de bondades e decisões que já devia ter tomado faz muiiiitttooo tempo.