ARTIGO – O tempo, os cabelos e a gente. Por Marli Gonçalves

Eles começam a pular igual a sapinhos na lagoa em noite de lua cheia. Dá a impressão até que espreitam, surgem justamente na hora que você vai olhar lá no espelho em busca de autoestima, saltam aos olhos só para aborrecer, destoar. Tóiiimm. Olha ele lá, branquinho, diferenciado, mais grossinho, mais seco, fica se mostrando como que fazendo careta, se joga pra fora em atitude suicida. Provoca. Cada cabeça, uma sentença. Eu arranco. Miro, cato, arranco.

Cabelos brancos nascem, são arrancados, voltam. São teimosos e obstinados. Alguns se organizam mais rapidamente, em multidões, para serem invencíveis e tomar posse de vez do que acham que lhes pertence, as nossas humanas cabeças. Sim, eles são ousados, aparecem muito também – e rapidamente – em áreas mais íntimas. No peito de alguns homens, por exemplo. Vamos ficar por aqui que vocês já entenderam. Pelos, cabelos. Trocadilho: será que pelos cabelos podemos mesmo saber quem são as pessoas? Os brancos sempre devem ser respeitados, me ensinaram.

Mas de repente passei a me perguntar: a que se relacionam, como vivem, como se reproduzem, do que se alimentam esses safados? Ah, outra coisa: estresse causa sim cabelo branco, nem vem que não tem – vocês estudiosos só não comprovam isso por preguiça. Em um dia daqueles de barra pesada já tive a clara impressão de ver que eles explodiram, alguns tomaram até fios longos, desafiantes; parecem dizer “Viu? Você não me achou e eu cresci!”. Já reparou nos charmosos cabelos brancos da Renata Vasconcelos no Jornal Nacional? Que assanhados para aparecer no horário nobre? Repara que tem dia que tem mais – certeza de que é dia dela dar notícia cabeluda.

Mas eles – esses branquelos – aparecem principalmente por causa do tempo, da passagem dele, dessa maluca medida de horas, minutos, segundos que é a nossa existência.

Daí, creio, costuma-se associar cabelos brancos à sabedoria, mas não é que esta semana vimos que nem sempre isso é verdade? Naquele balcão de julgamento no TSE algumas cabeças brancas luziam e nem tudo foi sabedoria ali. Teve até cabeça branca ameaçando degolar jornalistas e a coisa ficou por isso mesmo, como se uma fala dessas, vinda de um juiz (e juiz, repito, de cabeça branca de longos fios) fosse normal, aceitável. Napoleão Nunes Maia Filho, nascido em Limoeiro do Norte, Ceará, peixeira imaginária nas mãos, afiada em pescoços de jornalistas, praguejando a ameaça de vingança com a própria faca. Ainda não vi sanção. Nenhuma referência aos de Sansão, aquele que neles tinha a força, mas, traído por uma mulher, um dia acordou sem eles.

Fiquei em dúvida ainda se são ruivos naturais os cabelos do relator Herman Benjamin, o juiz que a mim pareceu até divertir-se nesses dias de julgamento da chapa quente e nos duelos com os demais. Talvez seja vaidosa tintura sobre cabelos brancos indesejados. Ao seu lado, a caudalosa, brilhante e admirável cabeleira negra de Luiz Fux – que certamente deve fazer igual a mim arrancando os teimosos que tentam se destacar mais do que ele. Aliás, que fogueira de vaidades, hein?!?

E teve a ministra Rosa Weber, versão loira, que não sei se é original ou se também encobre os malditos fios brancos. Olha aí, entendi agora o resultado final, foi decisão entre cabelos coloridos versus cabelos brancos que se aliaram a nenhum cabelo e a cabelos em ilhas. Uma questão de cabelos, assim decidida, batendo cabelo como roqueiros. Mostrando, todos, ter cabelinhos nas ventas.

Não riam. É sério esse assunto. Tão sério que numa pequena pesquisa descobri que tem gente que segue dicas engraçadas para acabar com eles. Uma delas seria passar cebola! Sim, cebola. Um suco de cebola, ou mesmo esfregar a cebola no couro cabeludo. Eles garantem que é tiro e queda. Queda de quem se aproximar, dado o cheiro do tal tratamento. Outros dizem que o legal mesmo é passar batata, mais especificamente as cascas, que virariam uma espécie de tintura quando fervidas com óleo de alecrim ou lavanda. Nessa aqui pelo menos indicam que se escolha um aroma do gosto para adicionar em tal poção. Outra coisa importantíssima que descobri: é mito que quando você arranca um, outros sete aparecem. Graças a Deus!

Bom saber que pode dar certo a gente sair por aí arrancando alguns deles de seus postos.

São as relações de tempo, de todo esse tempo que estamos perdendo vendo essas cabeças brancas se digladiando e os fatos se passando incólumes, impolutos, enquanto nos descabelamos para sobreviver.cabelos 2

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marli em redMarli Gonçalves, jornalista – E você, o que está achando de tudo isso?

Brasil, embaraçado, 2017

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marligo@uol.com.br

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@MarliGo

Belíssima nota de Lauro Jardim. Observação sobre o país, sobre Dilma, sobre …

elephant-swingUma insuperável vontade de servir à Pátria

dilma

Fama pelas broncas

Dilma Rousseff voltou e, abençoada pelo papa Francisco, retornou nos últimos dias ao arrastado enredo da reforma ministerial.

O que impressiona, dado que todos os candidatos a ministros conhecem o temperamento nada fácil de Dilma, é ter tanta gente com disposição para tomar esporros monumentais.

Só pode ser mesmo uma inexcedível vontade de servir à Pátria.

Por Lauro Jardim

Olá, boa semana a todos. Vou sair catando coisas para a gente qui. Mas, antes, ouça essa pérola que captei de um grande amigo. Sobre os ministros barrados e revistados…

” Tudo bem, essa revista da segurança, embora nossa soberania precise  ser respeitada.

Mas esqueceram de um aspecto, de avisar a segurança do Obama que aqui a revista deveria ser feita quando saem. Não quando entram.”

Viu?

OLHA AÍ: O FUX VIROU PUX NO DIÁRIO OFICIAL. Puxxxzzz…

Parece história em quadrinhos, ou nome de filme de ficção científica.

Mas também, puxa, não precisavam errar o nome do ministro belezura que vai ofuscar o Tóffoli nas paragens judiciais.

Essa nota é da coluna do Claudio Humberto – www.claudiohumberto.com.br

STF: Diário Oficial chama Fux de ‘Pux’

Foto
MINISTRO LUIZ FUX , INDICADO POR DILMA

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A presidenta Dilma Rousseff (PT) encaminhou ao Senado a indicação de Luiz Fux para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Ao ser publicado o ato nesta quarta (2) no Diário Oficial da União, o nome de Fux foi redigido de forma errada, como “Luiz Pux”. Fux ainda terá que ser sabatinado e ter o nome aprovado pelo plenário do Senado para poder, enfim, assumir o cargo. A vaga está aberta desde agosto, com a aposentadoria do ministro Eros Grau.

Ministros: muitos. Mas alguns mais que outros. E por minutos.

Nota do jornalista Lauro Jardim na coluna radar, da Veja online http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/

E nem mais um segundo

A reunião ministerial de amanhã, a primeira comandada por Dilma Rousseff, deixará patente a existência de duas classes de ministros – a dos ministros de quinze minutos e  a dos ministros dos cinco minutos.

Explica-se: Dilma Rousseff deu quinze minutos para que alguns ministros exponham os problemas e desafios de suas pastas – entre eles, Guido Mantega e Antonio Palocci.

Outros, como Ideli Salvatti e Pedro Novais, terão que falar tudo isso em cinco minutos. E nem mais um segundo.

Por Lauro Jardim