#ADEHOJE, #SÓ UM MINUTO – PROVIDÊNCIAS JÁ. CHEGA DE MORTES DE MULHERES

#ADEHOJE, #SÓ UM MINUTO – PROVIDÊNCIAS JÁ. CHEGA DE MORTES DE MULHERES

A situação está insustentável. Somente em 2019, e que foram noticiadas, já são mais de 12 mortes de mulheres. Facadas, tiros, machadadas, emboscadas, mortas diante dos filhos. Até quando serão falhos os sistemas de proteção? Onde estão as medidas como os botões de pânico? Chega. Precisamos juntas dar um basta a essa situação

Anúncios

Morre Audálio Dantas: grande perda. Que me deixa muito triste. Um amigo, grande e antigo amigo

Morreu o grande jornalista Audálio Dantas, um digno cidadão brasileiro

Fiquei sabendo agora pela Thaís, neta dele, que trabalha com minha filha Mariana, uma notícia muito triste para todos os jornalistas e cidadãos brasileiros: morreu meu amigo Audálio Dantas, um cara que batalhou pela vida até o seu último suspiro.

Estive com ele poucos dias atrás num almoço com velhos amigos no Hospital Premier, onde ele viveu seus últimos dias, com a mesma dignidade de toda uma longa jornada de lutas, nem sei de quantos anos, porque até hoje há controvérsias, mas foram muitos, alguma coisa entre 80 e 90.

Trabalhou até onde deu, vivia com muito aperto apenas dos seus escritos, que lhe garantiam a sua sobrevivência e a da brava e unida família Dantas, comandada pela guerreira Vanira.

Audálio há tempos sofria de muitos achaques da saúde, um após outro, mas tenho certeza de que morreu foi mesmo de tristeza, ao ver o que fizeram do seu país, pelo qual sempre foi muito apaixonado.

Nas nossas últimas conversas, ele já estava desesperançado de que a nossa geração ainda conseguisse ver o Brasil com que sonhamos a vida toda, mais justo, mais humano, mais decente.

Sertanejo valente dos sertões das Alagoas, este brasileiro de muito talento e firmeza foi um dos protagonistas da passagem da ditadura para a democracia quando falar a verdade era correr risco de vida.

Para quem quiser saber mais sobre a sua história, é só entrar no Google, porque agora vou ao velório para ver se é verdade que ele morreu mesmo.

Homens como Audálio Dantas nunca deveriam morrer, mas continuarão vivos na nossa lembrança.

Vida que segue para quem fica.

Quem matou? Quem mandou matar? Projeto ABRAJI faz levantamento sobre assassinatos, em documentário

 

LINK: http://www.abraji.org.br/projetos/tim-lopes/

No sábado, 28 de outubro, às 16h30, a Abraji lança na sala 4 do cinema Caixa Belas Artes, em São Paulo, o documentário.

Os autores –  Bob Fernandes, Bruno Miranda e João Wainer – estarão lá para debater o tema e contar um pouco dos bastidores deste trabalho. A entrada é gratuita. 

QUEM MATOU?
QUEM MANDOU MATAR?

Política e polícia no assassinato de jornalistas

 Bob Fernandes (reportagem)
Bruno Miranda (vídeos)

Quase todos nas cabeças, tórax, alguns na boca: 36 tiros.

Assim foram assassinados os jornalistas Gleydson Cardoso de Carvalho, Djalma Santos da Conceição, Rodrigo Neto de Faria, Walgney Assis de Carvalho, Paulo Roberto Cardoso Rodrigues e Luiz Henrique Rodrigues Georges.

Gleydson, 36 anos, morto dentro do estúdio da Rádio Liberdade FM, em Camocim, Ceará, em 2015. Três tiros.

Djalma, 54 anos, sequestrado, torturado e assassinado no meio do mato em Conceição da Feira, Bahia, em 2015. Quinze tiros.

Dois anos antes, em Ipatinga, Vale do Aço, Minas, em intervalo de 37 dias foram mortos Rodrigo e Walgney. Três tiros para cada.

Em 2012, em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, assassinados Paulo Roberto, o “Paulo Rocaro”, e Luiz Henrique Georges, o “Tulu”.

Nove tiros para Paulo, três para “Tulu”. Mortos em fevereiro e outubro. A 50 metros de distância um do outro, na mesma Avenida chamada Brasil.

“Tulu” dirigia o Jornal da Praça, que tinha “Paulo Rocaro” como Editor-Chefe. Paulo era, também, Diretor do Site Mercosul News.

Nos demais assassinatos, acusação, indiciamento ou, no mínimo, suspeita de políticos ou seus familiares terem dado ordem para matar.

Em dois dos quatro municípios, policiais suspeitos, ou acusados de envolvimento nos assassinatos.

O Brasil tem outorgadas 14.350 emissoras de rádio, com 9.973 outorgas para emissoras nas áreas comercial e educativa e 4.377 para rádios comunitárias.

O jornalismo é quase sempre feito pelas rádios. À exceção de Ponta Porã, e do fotógrafo Walgney Carvalho em Ipatinga, demais assassinados trabalhavam basicamente em rádio.

Se no topo o país vive monopólios na indústria de comunicação de massa, imagine-se a fragilidade no Brasil profundo.

Emissoras e profissionais, muitas vezes em vão, se esforçam para não se tornarem reféns de anunciantes. Sejam eles de origem privada ou pública.

Em muitos casos, na prática o salário é obtido diretamente pelo profissional junto aos anunciantes. Essa, uma fragilidade extremamente perigosa. E não apenas para o jornalismo. Principalmente para os jornalistas.

Segundo o Committee to Protect Journalists (CPJ) 39 jornalistas foram mortos no Brasil desde 1992. Assassinos ou mandantes de 25 destes jornalistas mortos continuam impunes.

Jornalistas mortos no exercício da profissão são, na realidade, mais do que os listados nessa contagem.

Ao levantar casos de jornalistas mortos no exercício da profissão, o CPJ e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) têm tido prudência.

Prudência recomendável diante da imensidão continental do Brasil. E, além disso, das dificuldades em se definir com precisão: o assassinato se deu por motivos ligados ao jornalismo ou por ações pessoais alheias ao exercício profissional?

Limite por vezes tênue, como se verá em casos investigados em quatro reportagens que resultaram, também, em quatro vídeos.

O limite leva à prudência, mas não impede que se exija investigação e punição dos responsáveis seja em que caso for.

Essa, de resto, uma obrigação fundamental do jornalismo no país que tem assistido quase 60 mil mortes violentas a cada ano.

Quando estas reportagens e vídeos eram finalizados foi presa e indiciada Roseli Ferreira Pimentel (PSB), 44 anos, prefeita de Santa Luzia, Minas Gerais.

Presos também David Santos Lima, Alessandro de Oliveira Souza e Gustavo Sérgio Soares Silva.

Todos acusados de envolvimento no assassinato de Maurício Campos Rosa, 64 anos. Morto com cinco tiros em 17 de agosto de 2016.

Maurício era dono do jornal local “O Grito”, distribuído gratuitamente na região metropolitana de Belo Horizonte.

Quais, entre dezenas de casos, investigar e documentar?

Além do flagrar em regiões variadas a violência indiscriminada, generalizada pelo país, optamos por alguns critérios nessa viagem de 14.800 quilômetros pelo Brasil.

  • Gleydson, em Camocim, Ceará, por ter sido assassinado dentro do estúdio, quando entrava no ar. Crime com repercussão mundo afora.
  • Rodrigo Neto e Walgney de Carvalho, em Ipatinga, pela reação exemplar do jornalismo aos assassinatos.

Pressionado pelo trabalho de repórteres da região, e pelo Sindicato dos jornalistas de Minas, o governo estadual montou uma força-tarefa.

Os dois assassinos, um deles policial, foram condenados e presos. Acusados por outros crimes, 10 policias foram presos. Depois, pouco a pouco, foram libertados. Os mandantes seguem livres.

Em Conceição da Feira, na Bahia, o contrário. Ninguém preso. O delegado que investigou o crime já não está na cidade. Que seguia sem promotor, sem juiz, e sem Fórum.

Em Ponta Porã/ Pedro Juan Caballero, a feroz disputa do narcotráfico, com a presença de “Comandos” que, assim como Brasil afora, guerreiam e ocupam territórios.

Mortes e mais mortes, com máxima brutalidade, no meio de ruas e avenidas de duas cidades fronteiriças tornadas uma só. E assassinato por motivo político com envolvimento de personagens da narcopolítica.

Naquela fronteira, e demais municípios onde jornalistas foram assassinados, um mosaico do Brasil extremamente violento.

Os órgãos de Dona Mariza poderão ser doados? Uma amiga questiona. Veja as regras gerais

Antes de mais nada, meus profundos sentimentos. Não é a ex-primeira dama.

TRISTE

É uma mãe, avó, esposa que cuidou dedicadamente de seu marido quando este adoeceu e que comeu o pão que o diabo amassou para chegar onde chegou.

______________

Resultado de imagem para dONA mARISA

TRAGO AO DEBATE. MÉDICOS, COMO FUNCIONA?

 

Uma amiga conhecedora das lides médicas me chama a atenção para uns detalhes sobre a falada doação da família Lula dos órgãos de Dona Mariza, hoje em morte cerebral.
Segundo ela, esses ítens – Drogas que inibem o SNC/ 66 ANOS/ ex-fumante…E temperatura corporal abaixo de 35 – impediriam a doação.

Veja detalhamento constante no Ministério da Saúde:

______________

Informe-se sobre o processo de doação de órgãos e tecidos
Transplantes


Para ser doador, não é necessário deixar documento por escrito. Caberá aos familiares autorizar a retirada dos órgãos

 

O número de doadores de órgãos no Brasil cresce cada dia e, com ele, o índice de transplantes realizados no país. Atualmente, o programa público nacional de transplantes de órgãos e tecidos é um dos maiores do mundo. Para ser doador, não é necessário deixar documento por escrito. Cabe aos familiares autorizar a retirada, após a constatação da morte encefálica. Neste quadro, não há mais funções vitais e a parada cardíaca é inevitável.

Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem ajuda de aparelhos. O processo de retirada dos órgãos pode ser acompanhado por um médico de confiança da família. É fundamental que os órgãos sejam aproveitados enquanto há circulação sanguínea para irrigá-los. Mas se o coração parar, somente as córneas poderão ser aproveitadas.

Quando um doador efetivo é reconhecido, as centrais de transplantes das secretarias estaduais de saúde são comunicadas. Apenas elas têm acesso aos cadastros técnicos de pessoas que estão na fila. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade com o doador. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a ser beneficiado. As centrais controlam todo o processo, coibindo o comércio ilegal de órgãos.

A doação é regida pela Lei nº 9.434/97. É ela quem define, por exemplo, que a retirada de órgãos e tecidos de pessoas mortas só pode ser realizada se precedida de diagnóstico de morte cerebral constatada por dois médicos e sob autorização de cônjuge ou parente.

Para ser doador é preciso:

• Ter identificação e registro hospitalar;

• Ter a causa do coma estabelecida e conhecida;

• Não apresentar hipotermia (temperatura do corpo inferior a 35ºC), hipotensão arterial ou estar sob efeitos de drogas depressoras do Sistema Nervoso Central;

• Passar por dois exames neurológicos que avaliem o estado do tronco cerebral. Esses exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e de transplante;

• Submeter o paciente a exame complementar que demonstre morte encefálica, caracterizada pela ausência de fluxo sangüíneo em quantidade necessária no cérebro, além de inatividade elétrica e metabólica cerebral;

• Estar comprovada a morte encefálica. Situação bem diferente do coma, quando as células do cérebro estão vivas, respirando e se alimentando, mesmo que com dificuldade ou um pouco debilitadas.

Observação: Após diagnosticada a morte encefálica, o médico do paciente, da Unidade de Terapia Intensiva ou da equipe de captação de órgãos deve informar de forma clara e objetiva que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante.

Quais órgãos podem ser doados?

• Coração (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo seis horas);

• Pulmões (retirados do doador antes da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por no máximo seis horas);

• Rins (retirados do doador até 30 minutos após a parada cardíaca e mantidos fora do corpo até 48 horas);

• Fígado (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);

• Pâncreas (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);

• Valvas Cardíacas

Quais tecidos podem ser doados?

• Córneas (retiradas do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidas fora do corpo por até sete dias);

• Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue);

• Pele (retirada do doador até seis horas depois da parada cardíaca);

• Cartilagem (retirada do doador até seis horas depois da parada cardíaca);

• Ossos (retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até cinco anos);

• Sangue

Doadores vivos

A doação de órgãos também pode ser feita em vida para algum membro da família ou amigo, após avaliação clínica da pessoa. Nesse caso, a compatibilidade sangüínea é primordial e não pode haver qualquer risco para o doador. Os órgãos e tecidos que podem ser retirados em vida são rim, pâncreas, parte do fígado, parte do pulmão, medula óssea e pele.

Para doar é necessário:

• Ser um cidadão juridicamente capaz (maior de 18 anos ou menor de idade antecipado, com condições de saúde que não comprometam a manifestação válida da sua vontade);

• Estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais;

• Apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação;

• Querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim, e não impeça o organismo do doador continuar funcionando;

• Ter um receptor com indicação terapêutica indispensável de transplante

• Ser parente de até quarto grau ou cônjuge. No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial.

Quem não pode doar?

• Pacientes portadores de doenças que comprometam o funcionamento dos órgãos e tecidos doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular;

• Portadores de doenças contagiosas transmissíveis por transplante, como soropositivos para HIV, doença de Chagas, hepatite B e C, além de todas as demais contra-indicações utilizadas para a doação de sangue e hemoderivados;

• Pacientes com infecção generalizada ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas;

• Pessoas com tumores malignos – com exceção daqueles restritos ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e câncer de útero – e doenças degenerativas crônicas.

Fonte:
Ministério da Saúde

ARTIGO – Roletas russas da vida. Por Marli Gonçalves

 

MAO NA MAOUma decisão, um passo, um segundo, um minuto, uma virada errada, uma distração, um tropeção, uma bala, uma chuva, uma rua, uma carona, uma queda. Qualquer coisa. A vida é frágil. A terra é frágil. O ser humano vive em uma corda bem bamba e muito fina desde que nasce até que morre. Tudo pode acontecer. Inclusive nada. Essa é a verdadeira loucura da existência

MAO FACA

Como é que pode? Como é que pode? Todo mundo batendo cabeça e se perguntando das ironias da vida quando fatos horríveis assim acontecem. Os inesperados. Ouvi e li de um tudo, e são dezenas as fantásticas teses conspiratórias que garantiam- já minuto seguinte ao acidente que matou o ministro do STF Teori Zavascki – que foi um atentado. Um assassinato. Claro, investigue-se, detalhe por detalhe, peça por peça, minuciosamente, o que ocorreu. Não deixem essa virar mais uma lenda urbana que viva no imaginário popular assombrando o país.

Mas eu não quero ser considerada burra nem ingênua ao ter certeza de que foi acidente.

Acidentes com aviões particulares têm enorme chance de matar personalidades. Gente conhecida. Gente importante. Gente famosa. Quem é que anda para lá e para cá em aviões particulares? Em helicópteros? Eu? Você? Até já andei muito, mas sempre de carona, de estepe, por algum motivo profissional, acompanhando algum cliente, como jornalista, nem sabia se meu nome contava na lista de passageiros. Como as duas mulheres que, além do piloto, do dono da aeronave – pessoa entre as mais bem relacionadas do país – e do ministro, estavam lá e tentavam chegar à bela Paraty em um chuvoso e cinzento dia de verão. Que tipo de sabotagem seria essa que só ocorreria na ponta da pista? Quem teria contratado São Pedro para soprar nuvens? Sofisticada essa ideia de fazer cair no mar, para afundar e ninguém achar os destroços.

Ah, mas era o ministro que cuidava da Lava Jato! Sim. Podia ser outro ou outra da mais alta Corte. Podia ser Moro, algum membro (ou todos) da força tarefa do Ministério Público. Algum artista – eles se deslocam muito em aviões. Para “pegar” o ministro não haveria outra forma? – veneno, urticária, espiã, manga com leite, jogar um piano da janela quando ele estivesse passando, cortar o cabo do elevador, infiltrar uma cobra venenosa no gabinete dele? (se bem que essa opção não pode ainda ser descartada…)

São pessoas – não há redoma que possa protegê-las delas mesmo. Andam de carro, de moto, de avião, de bicicleta. Podem escorregar no tapete do banheiro depois do banho. Depende do que fazem, como vivem, onde andam, e até do que comem – são protegidos, mas seguranças não são infalíveis e nem conselhos de cuidado com isso ou cuidado com aquilo e que em geral são ignorados. Igual à gente quando foi criança, a mãe disse não vá, e birrentos demos com a cara na parede – alguns têm cicatrizes que lembram esse dia a vida toda. Claro, quando não foi mortal de vez, e valeu a vida.

A verdade é que ninguém nunca espera que vá acontecer o que pode acontecer. Ninguém acredita que poderá ser retirado desse mundo de forma tão abrupta que não tenha nem tempo de respirar, dizer tchau. Creio que nem quem pratica esportes e outros passatempos radicais pensa nisso. No xeque-mate.

E não adianta ter medo. O medo não salva. É o famoso quando tem de acontecer acontece. Deus resolveu – para quem nele acredita. Fatalidade. A hora da morte.

Há riscos e perigos. Risco é a probabilidade. Perigo é uma ou mais condições que têm o perfil de causar ou contribuir para que o Risco aconteça. Não se mede e não há como eliminar o Risco. Já os perigos até poderiam ser prevenidos, analisados, mensurados e corrigidos.

São perigos que nos rondam como a bala do tambor do revólver de uma roleta russa. Ou como se andássemos sempre com pés enormes em campos minados.

Podia ser um terremoto, um maremoto, uma enchente, uma avalanche, um ataque de coração. Podia até ser um atentado.

Mas foi um avião e um passeio interrompido. Que esperamos não interrompa as esperanças do povo brasileiro na Justiça e no desfecho da mais rumorosa tentativa de faxina e descoberta de quem nos bateu a carteira.

ROLETA

_______________________

20160813_143252Marli Gonçalves, jornalista – Não adianta não fazer, não ir, não tentar. Só morre quem está vivo. Ou que pelo menos estava assim até que…

2017, acreditam?

____________________________________________

E-MAILS:

MARLI@BRICKMANN.COM.BR
MARLIGO@UOL.COM.BR

23 anos sem o anjo que ainda me guia na vida: EDISON DEZEN

Hoje, 25 de agosto, como todos os anos, para mim é dia de boas lembranças, de vida, de viagens, de conhecimento, mas especialmente de amor. Dia de lembrar, também, e uma tristeza imensa me invade apenas porque se o mundo fosse povoado por gente como Edison foi,  como levou sua vida, nossa, como  como toda ela seria tão bela, boa, bonita, caridosa, de paz!

Edison Dezen foi a melhor pessoa que conheci em minha vida, não sendo superado nem 23 anos após sua morte.

Hoje, coincidentemente, achei uma de sua últimas mensagens para mim, sempre acompanhada dos anjos que já o representavam aqui na Terra. Do dia do meu aniversário, no ano anterior à sua morte.

Mas onde vejo anjos – e sou guardiã de vários que o acompanhavam- me sinto beijada por ele.

Não posso deixar de mostrar a todos, com o orgulho que sempre tive de ter sido sua parceira, meu lorde Dezen.

E um pedido: por favor, proteja-me. Proteja a nossos amigos. A aura de sua energia nos alimenta.

Anjos, olhai por nós

20160825_141058

Anjosanjos

Chorei. Médico de cuidados paliativos agradece a Bowie. Na hora da morte, fleuma. ( Da Folha SP)

graphics-medical-medicine-204552Médico de cuidados paliativos agradece a David Bowie em carta comovente

DE SÃO PAULO

Em um blog da prestigiosa revista médica inglesa “BMJ”, um médico de cuidados paliativos do NHS (Serviço Nacional de Saúde britânico) publicou uma comovente carta a David Bowie, morto na semana passada.

“No início daquela semana conversei com uma paciente do hospital que estava chegando ao fim da vida. Falamos de sua morte e sua música, David, e isso nos levou a conversar sobre várias questões profundas que nem sempre são fáceis de se discutir com alguém que encara sua própria morte próxima. Na realidade, sua história virou para nós um gancho para falar muito abertamente da morte”, escreveu Mark Taubert.

No texto, Taubert agradece ao artista pelos anos 80 (e os momentos de alegria proporcionados pelas músicas de Bowie) e também pelo último álbum, “Black Star”. “Sou médico de cuidados paliativos, e o que você fez no período que antecedeu sua morte teve um efeito profundo sobre mim e muitas das pessoas com quem eu trabalho. “Blackstar” está cheio de referências, pistas e alusões”, escreveu. “O vídeo de “Lazarus” é muito profundo, e muitas das cenas terão significados diferentes para cada um de nós; para mim, o vídeo fala em lidar com o passado quando você se vê diante da morte inevitável.”

Taubert também comenta as últimas imagens de Bowie que foram divulgadas. “Foi dito que as fotos suas que emergiram alguns dias após sua morte teriam sido de suas últimas semanas de vida. Não sei se é correto, mas tenho certeza que muitos de nós adoraríamos ficar tão bem em um terno elegante quanto você estava naquelas fotos. Você estava lindo, como sempre, contestando diretamente a imagem assustadora com a qual as últimas semanas de vida muitas vezes são associadas.”

Leia a carta abaixo.

Jimmy King/Divulgação
David Bowie
David Bowie

*

Oh, não, não diga que é verdade!

Querido David,

Naqueles dias frios e cinzentos de janeiro de 2016, enquanto íamos pouco a pouco absorvendo a notícia de sua morte, muitos de nós continuamos a trabalhar como sempre. No início daquela semana conversei com uma paciente do hospital que estava chegando ao fim da vida. Falamos de sua morte e sua música, David, e isso nos levou a conversar sobre várias questões profundas que nem sempre são fáceis de se discutir com alguém que encara sua própria morte próxima. Na realidade, sua história virou para nós um gancho para falar muito abertamente da morte, algo que muitos médicos e enfermeiros têm dificuldade em introduzir numa conversa. Mas, antes de ir mais fundo no bate-papo com a paciente, quero lhe dizer algumas coisas. Espero que você não ache isso um tédio.

Obrigado pelos anos 80, quando seu álbum “ChangesOneBowie” nos proporcionou horas de alegria, especialmente durante uma viagem de ida e volta de Darmstadt a Colônia. Acho que meus amigos e eu sempre vamos associar “Diamond Dogs”, “Rebel Rebel”, “China Girl” e “Golden Years” àquele momento particular de nossas vidas. É desnecessário dizer que nos divertimos demais em Colônia.

Obrigado por Berlim, especialmente no começo, quando suas canções nos mostraram um pouco do pano de fundo musical do que estava acontecendo na Alemanha Oriental e Ocidental. Ainda tenho “Helden” em vinil e o ouvi novamente quando ouvi a notícia de sua morte (e você vai gostar de saber que “Helden” também fará parte do nosso próximo evento Analogue Music Club, no pub Pilot, em Penarth, este mês). Algumas pessoas podem associar David Hasselhoff à queda do Muro de Berlim e à reunificação da Alemanha, mas muitos alemães provavelmente gostariam que o tempo tivesse pegado um cigarro e o enfiado na boca de Hasselhoff naquela época, em vez de ouvir “I’ve been looking for freedom” interminavelmente no rádio. Para mim, a trilha sonora daquele momento na nossa história é “Heroes”.

Obrigado também em nome do meu amigo Ifan, que foi a um de seus shows em Cardiff. A irmã dele, Haf, estava na porta naquela noite, recebendo os ingressos, e ouvi um boato de que Ifan conseguiu entrar de graça (ele pede desculpas!). Você acenou para ele e o amigo dele do palco. Isso ficou na memória de Ifan para sempre.

Obrigado por “Lazarus” e “Blackstar”. Sou médico de cuidados paliativos, e o que você fez no período que antecedeu sua morte teve um efeito profundo sobre mim e muitas das pessoas com quem eu trabalho. “Blackstar” está cheio de referências, pistas e alusões. Como sempre, você não facilitou muito a interpretação, mas isso talvez não seja o principal. Sempre ouvi falar de como você foi meticuloso em vida. Para mim, o fato de sua morte tranquila em casa ter coincidido tão estreitamente com o lançamento do álbum, com sua mensagem de despedida, não deve ter sido coincidência. Tudo isso foi planejado cuidadosamente para ser uma obra de arte tendo a morte como tema. O vídeo de “Lazarus” é muito profundo, e muitas das cenas terão significados diferentes para cada um de nós; para mim, o vídeo fala em lidar com o passado quando você se vê diante da morte inevitável.

Sua morte em casa. Muitas pessoas com quem falo na minha vida profissional pensam que a morte acontece sobretudo em hospitais, em ambientes muito clínicos, mas eu suponho que você tenha optado por morrer em casa e tenha planejado isso detalhadamente. Esse é um dos objetivos nossos na medicina paliativa, e o fato de você tê-lo realizado talvez leve outras pessoas a enxergarem isso como uma opção que gostariam de realizar. Foi dito que as fotos suas que emergiram alguns dias após sua morte teriam sido de suas últimas semanas de vida. Não sei se é correto, mas tenho certeza que muitos de nós adoraríamos ficar tão bem em um terno elegante quanto você estava naquelas fotos. Você estava lindo, como sempre, contestando diretamente a imagem assustadora com a qual as últimas semanas de vida muitas vezes são associadas.

Para controlar seus sintomas, imagino que você tenha tido profissionais de cuidados paliativos dando-lhe assistência com a dor, náusea, vômitos e falta de ar, e imagino que eles o tenham feito bem. Penso que eles também devem ter conversado com você sobre qualquer angústia emocional que você possa ter sentido.

Para seu planejamento prévio de cuidados paliativos (ou seja, planejamento das decisões relativas à sua saúde e cuidados médicos, antes de sua situação se agravar e você ficar incapaz de expressar o que queria), com certeza você teve muitas ideias, expectativas, decisões e estipulações prévias. Estas devem ter sido apresentadas com clareza por escrito, perto de sua cama, em sua casa, para que todos que o encontrassem estivessem claramente informados do que você desejava, independentemente de sua capacidade de se comunicar com as pessoas. Essa é uma área que não apenas os profissionais de cuidados paliativos, mas todos os profissionais de saúde querem que seja observada e aprimorada, para reduzir as chances de incidentes repentinos de saúde automaticamente levarem as pessoas a serem carregadas ao pronto-socorro de ambulância. Especialmente quando as pessoas não estão mais em condições de expressar-se bem sozinhas.

E duvido que alguém lhe tenha feito reanimação cardiopulmonar (RCP) nos últimos dias ou horas de sua vida ou tenha sequer cogitado em fazê-lo. Lamentavelmente, esse tratamento ainda é dado de modo padrão a alguns pacientes que não deixaram claro que não o querem. A RCP envolve a compressão física do peito, que às vezes quebra ossos, choques elétricos, injeções e inserção de tubos nas vias aéreas -e só tem êxito em 1%-2% dos pacientes cujo câncer já se espalhou para outros órgãos do corpo. É muito provável que você tenha pedido à sua equipe médica uma ordem de Não Empreender a Reanimação Cardiopulmonar. Só posso imaginar como deve ter sido falar abertamente disso, mas você foi um herói, ou um “Held”, mesmo nesse momento mais difícil de sua vida. E os profissionais que o atenderam devem ter tido bons conhecimentos e habilidades de atendimento paliativo e de final da vida. Lamentavelmente, essa parte essencial da formação médica nem sempre é dada aos profissionais de saúde juniores, incluindo médicos e enfermeiros, e às vezes é passada por cima ou não vista como prioritária por aqueles que planejam o ensino deles. Acho que se você algum dia voltar à vida (como Lázaro), vai defender a criação de bons cursos de cuidados paliativos abertos a todos os profissionais de saúde em toda parte.

Então voltamos à conversa que tive com a senhora que tinha recebido pouco antes a notícia de que tinha câncer metastático em estado avançado e provavelmente não teria mais que um ano de vida pela frente. Ela falou de você e adorava sua música, mas, por alguma razão, não apreciava seu figurino de Ziggy Stardust (não tinha certeza se você era menino ou menina). Também ela tinha lembranças de lugares e acontecimentos nos quais sua música foi a trilha sonora idiossincrática. Então conversamos sobre uma morte boa, os momentos finais da vida e como eles geralmente são. Falamos sobre cuidados paliativos e como podem ajudar. Ela me falou de como seu pai e sua mãe morreram. Disse que queria morrer em casa, não em um hospital ou sala de emergência, mas que concordaria em ser transferida para uma Unidade de Cuidados Paliativos se seus sintomas ficassem graves demais para permitir o cuidado em casa.

Ela e eu tentamos imaginar quem estava ao seu lado quando você deu seu último suspiro e se alguém estava segurando sua mão. Acho que esse era um aspecto da visão que ela tinha de sua própria morte que tinha importância máxima para ela, e você, David, lhe proporcionou um jeito de expressar esse anseio profundamente pessoal a mim, um relativo desconhecido.

Obrigado.

Dr. Mark Taubert, especialista em Cuidados Paliativos do NHS (Serviço Nacional de Saúde britânico) em Cardiff, Reino Unido. @DrMarkTaubert”