ARTIGO -De repente…Por Marli Gonçalves

 

De repente, fevereiro. De repente a gente está aí, às voltas com um vírus internacional. De repente, tudo pode acontecer – de um segundo a outro, e isso é de pirar. De repente, olhei minha mão e meu dedo médio da mão direita estava com a ponta caída, muito esquisito, sem atender ao meu comando, o que eles, médicos, chamam de pescoço de cisne, uma parte do dedo chamada distal. Hospital, raio-X, tala por meses e mais um problema a resolver, que chega de repente, como todos os problemas, esses infiltrados em nossas vidas

Tenho horror a isso, isso do “de repente”. E não é que meu dedo ficou mesmo igual ao tal pescoço de cisne? Aliás, um formato bastante conhecido e de outras coisas também… (sem gracinhas, hein?). Não bati em nada, não quebrou nada…De repente, a ponta do dedo “caiu”. Não, não o enfiei em lugar nenhum. Nem o usei, embora seja exatamente aquele dedo médio que a gente usa para… bem, vocês sabem. E também sabem que temos sempre um monte de razões para mostrá-lo para um monte de gente que nos perturba. Mas não foi o caso.

Já senti que o problema é interno, coisa, creio, de ligamentos, artrose, que vou rezar muito para que não seja sério e que a tala que o imobiliza, o dedo, mas também a mão e o meu humor, resolva. Como precisei largar tudo que estava fazendo para ir ao pronto-socorro, agora que voltei o tema que desenvolvia para essa semana ganhou até mais sentido. Mais realidade. De repente, fevereiro! De repente, enfaixada. De repente, puxa se pudéssemos antever as coisas quanto poderíamos fazer? Poderíamos? Temos esse poder?  Pior é que creio que não mesmo. Só podemos evitar um pouco das coisas; nosso corpo é muito louco e com vontade própria.

Então, de repente é fevereiro, já. De repente estamos ligados no vírus internacional, no estado de emergência global, torcendo para que a China seja bem mais longe do que já é. De repente, as chuvas engrossam e fazem o estrago que já fizeram em Minas Gerais e Espírito Santo, com tantas mortes, destruição, desabamentos, afogamentos que ocorrem não em rios ou lagos ou mar, mas nas ruas que explodem com as ondas que as tomam completamente.

De repente, quem ia viajar não vai mais, porque não pode, porque tem medo, ou porque está proibido de ir ao lugar que planejaram por tanto tempo. Ninguém vai à China ou ao Oriente assim, de estalo. De repente quem estava lá não pode voltar – até porque o nosso governo não quer ajudar, prefere manter todo mundo lá. De repente, nossas preocupações com Trump, guerra, Oriente Médio, ficaram pequeninas. Voltamos a ficar mais atentos, sim, mas ao nosso céu, se as nuvens estão carregadas, aos macacos que voltam a aparecer mortos por febre amarela, e atentos a aqueles mosquitinhos bundudos que espetam, que causam a dengue que matou quase 700 brasileiros o ano passado. Quer que eu repita? 700. Oficialmente, 689 pessoas. Mortas. Fim.

Fevereiro vem com tudo, sambando na avenida. Com todo o seu calor, mais um carnaval de dúvidas, mês bissexto, diferente. Tudo bem que eu nem precisava ter avisado porque as contas que já chegaram aí para você, também já chegaram para mim. Aquele monte de “is”, Iptu, Ipva, mais os Iss e outros nada isentos que recebemos com grande tristeza até por não vermos nunca os valores que neles dispomos serem utilizados sem nosso bem-estar e em melhorias nas nossas regiões. Se prepara para o pior, aquele “i” do leão, o do IR, do Imposto de Renda.

Outro dia assistindo a um documentário na GloboNews, “Desacelera”, me auto percebi talvez estar acometida do que eles falavam, psicólogos, psiquiatras, pacientes, etc.: transtorno de ansiedade generalizada. Sintomas? Preocupações e medos excessivos, visão muitas vezes irreal de problemas, inquietação ou nervosismo, sem paciência com gente lenta, entre outros.

Mas dá, me digam, por favor, para não ficar chateado ou nervoso, por exemplo, com a lentidão das pessoas e ações que devem tomar, principalmente as que nos governam?

Não dá. Até porque a lentidão deles sempre vem acompanhada de trapalhadas de toda a sorte.

E a gente querendo um fevereiro de verão, de calor, de carnaval, de frevo, dançar com a sombrinha. E acabamos, de repente, só sambando na mão deles.

Com o dedo enfaixado como estou agora, de repente não posso nem mais mostrar para eles meu desencanto…mas ainda posso batucar aqui nas pretinhas.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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#ADEHOJE – MINAS GERAIS ARRASADA. E VÍRUS, E BRONCAS…

#ADEHOJE – MINAS GERAIS ARRASADA. E VÍRUS, E BRONCAS…

 

SÓ UM MINUTO – Já são mais de 50 – cinquenta! -mortes pelas chuvas e inundações e deslizamentos ocorridos em Minas Gerais e no Espírito Santo. Ainda não vi ações reais para ajudar os milhares de desabrigados, só “quaisquaisquais”, como diria Adoniran.

Witzel, governador do Rio, expõe gravação de conversa com o General Mourão que está presidente e provoca a ira tanto de Bolsonaro como do próprio Mourão. Fico pensando se ele tivesse falado alguma coisa forte (ou sigilosa, ou censurável) na gravação…

Ana Maria Braga informa tratamento para um câncer de pulmão. Toda nossa força e solidariedade. Guerreira da Saúde.

O coronavírus continua em franca expansão aterrorizando o mundo.

Tristeza total pela morte de Kobe Bryant, o campeão e conhecido jogador de basquete americano, que morreu em desastre de helicóptero. Morreram nove pessoas, inclusive a filha do astro, Gianna, uma promissora atleta do esporte, que estava com 13 anos.

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#ADEHOJE – OCDE ANTES DA ARGENTINA? E SABOTAGENS

#ADEHOJE – OCDE ANTES DA ARGENTINA? E SABOTAGENS

SÓ UM MINUTO –Trump apoia o Brasil na entrada na OCDE ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENT ECONÔMICO; o caso da cervejaria; tumulto na Cracolândia

#ADEHOJE – AS BRECHAS E BURACOS

#ADEHOJE – AS BRECHAS E BURACOS

SÓ UM MINUTO – A gente pode estar passando e de repente uma brecha – boom -nos retira da vida e do mundo. Aconteceu ontem na China: um ônibus caiu numa vala de 80 m² , explodiu, matou seis e feriu outras dezenas, inclusive pessoas que tentaram ajudar. A vida é uma vala? É o avião que explode no ar atingido pelo míssil errado. É o buraco coberto pela água das enxurradas. São os coitados moradores do prédio de Osasco que confiaram que a polícia ia cuidar do prédio de onde foram obrigados a sair por rachaduras, e que foi assaltado por um bando, que levou muito do pouco que tinham e foram obrigados a deixar.

É a cerveja mineira envenenada, provavelmente sabotada, que já matou um e tem mais 17 pessoas passando mal.

Mas tem o nosso Buraco Brasil. Eles ainda dão entrevistas! Bolsonaro pretende dar a benesse de aumentar de 1039 o salário mínimo, para 1045, Obrigada, Senhor, pelos 6 reais! E ainda ouvir a opinião dele sobre o doc. Nacional candidato ao Oscar 2020. E que, claro, não viu, mas opinou, abrindo aquela boca enorme: “Pra quem gosta do que o urubu come…”

#ADEHOJE – DE PRINCESAS E SAPOS QUE ENGOLIMOS

#ADEHOJE – DE PRINCESAS E SAPOS QUE ENGOLIMOS

SÓ UM MINUTO – A gente fica daqui encantado com a história de Megan e Harry causando na monarquia britânica. Nada como acompanhar história de príncipes e princesas. Aqui a gente só tem sapos para engolir. Hoje eu destaco a série de acidentes de carro assassinos, de assassinos que bebem, ou usam drogas, ou ambos e dirigem. Um encheu a caçamba de gente e capotou. O outro, um maluco cheio de lança-perfumes na fuça, invadiu um lugar onde havia uma festa, matou uma criança e ainda feriu um monte de gente. Teve mais. É hora de parar.

Outro sapo foi a declaração do infeliz oficial da PM-BA (Polícia Militar da Bahia) que afirmou que uma vítima de estupro de 19 anos, também assaltada. Ele disseque a menina “assumiu o risco” por estar sozinha andando na praia de Itapoã, um dos maiores pontos turísticos de Salvador.. Acreditam? #chegadeviolênciacontraamulher

Outro destacão de hoje foi a indicação do filme Democracia em Vertigem, dirigido pela jovem cineasta Petra Costa e distribuído pela Netflix, ao Oscar 2020 de melhor documentário. O filme cobre o impeachment de Dilma. A história começa a ser contada a partir do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e segue analisando a posterior crise política no Brasil que deu no que deu, no que vivemos hoje. Do sapo barbudo ao Bolsonaro dedos de pistola.

 

#ADEHOJE – PENSA: ELES MORRERAM PISOTEADOS. E EUA ATACA

#ADEHOJE – PENSA: ELES MORRERAM PISOTEADOS. E EUA ATACA

 

SÓ UM MINUTO – FECHE OS OLHOS E IMAGINE ESSA CENA, para entender o horror. Cinco mil pessoas em um baile funk, em uma Favela, sim, Paraisópolis é quase uma cidade, mas é uma favela, cheia de vielas, ruas sem saída, obstáculos. A polícia entra no meio do baile – violenta – atrás, como ela diz, de 2 bandidos, e acaba conseguindo a morte de 9 jovens, entre 14 e 23 anos. É o horror, a barbárie. Não pode ter perdão. Morreram encurralados e pi-so-te-a-dos. Até porque vocês não pensem que a comunidade – que lá é bastante organizada – não vai reagir…Mais cedo ou mais tarde. AH, e até esse momento, mais de 24 horas depois, ainda ninguém caiu na cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

O Trump dá mais uma porrada no amigo Bolsonaro, acusando o Brasil de desvalorizar o real e afirmando que imporá sobretaxação do aço brasileiro. Bolsonaro diz que vai telefonar pro Trump e que não é retaliação americana. Isso é que é governante, hein?!? Vai telefonar.

 

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Paraisópolis

ARTIGO – Matemática da cilada. Por Marli Gonçalves

 Ô mania que grudou na imprensa! Você fica lá prestando a maior atenção e aparecem aquelas tabelas e tabelas torturando números, comparados a algum lugar do passado, para o bem ou para o mal.  São os percentuais, ou porcentuais, que dá na mesma, e você entendeu do que estou falando. Os coitados dos números, surrados, dizem qualquer coisa quando obrigados

É muito chato mesmo. Mas virou mania. Querem dar uma notícia, por exemplo, que tal situação melhorou. E lá se vai em busca do número usado em algum lugar do passado, e que provavelmente foi o último dado por alguém ou algum. Chegam as manchetes! Diminuiu em tantos porcentos o número de acidentes nas estradas. Se parar para prestar atenção mesmo, com caneta e papel ou calculadora, vai perceber que teve decréscimo de umas migalhinhas. Tipo eram 12, e esse ano 10. Condições do tempo, das estradas, dos veículos e dos etceteras? Eram as mesmas?

Não costumo assistir a jogos de futebol, mas quando assisto dá uma irritação danada ouvir os locutores falando, falando – e lá atrás na imagem você vê que está acontecendo uma jogada bem importante que fica sufocada – e derramando números sobre dribles, jogos do século passado, enfrentamentos da história recente. Isso tudo piorou muito na era dos computadores, que fazem cálculos e cálculos, como se todos fôssemos e pensássemos como tabelas de Excel.

Engraçado. Embora tenha tido boas notas na época nas aulas de Estatística, nunca gostei muito dessa matéria. Na faculdade, no Diretório Acadêmico, acabei como “representante dos alunos no Departamento de Métodos Quantitativos”. O que valeu foi uma enorme dor de cabeça e mais uma inscrição na ficha do Dops dos terríveis tempos da ditadura. Como os caras não sabiam do que se tratava, esse fato está lá na minha ficha de “subversiva”. Mal sabiam ou sabem eles que fui parar aí porque eu era a única boa aluna que conseguia tratar melhorzinho com o professor dessa matéria na faculdade, e que era um horror. Vai explicar! Bem que tentei, mas creio até hoje que acharam que eu era guerrilheira e estrategista de alguma célula especializada em manufatura de bombas, ou alguma outra coisa desse jaez.

Hoje mesmo tive a sensação de ter ouvido que diminuiu em num sei quantos porcentos o número de notificações de violência contra as mulheres. Só se for porque elas morreram antes de denunciar. Todo dia, toda hora, das formas mais grotescas e cruéis as mulheres estão morrendo, assassinadas por ciúmes, por causa da loucura humana e do destempero das relações.

Essa semana, repara – aliás, já estamos ouvindo essa ladainha há quase um mês – tem a tal da Black Friday, onde se quer aparentar uma maravilha, mágica, onde todos os produtos ficarão mais baratos do dia para a noite, os comerciantes resolveram dar uma força e se desapegar de seus lucros, uma coisa impressionante – para onde olhar vai ver números gigantescos de descontos, com o percentual do lado. Pega o óculos, a lente, o binóculo, a lupa. Perto dele, ali bem pequenininho, vai ter também uma palavrinha: “Até”. Esse “até” é a grande questão. Faz o teste. Procura o que é exatamente que vai ter desconto de “até” 80%, 90% na lista ofertada.

Propaganda já foi a alma do negócio. Vem sendo usada – de braços dados com o marketing, que é mais complexo – de forma indiscriminada e enganosa, sem que providências sejam tomadas contra isso.  E para não acharem que estou tentando me desviar da política, vou citar duas coisinhas dessa semana, que serviram apenas para cilada.

Uma, a do deputadozinho que me recuso terminantemente a dar o nome, que resolveu prestar homenagem para o ditador Augusto Pinochet na Assembleia de São Paulo. Queria apenas ficar conhecido, esse indigesto. Para ir contra, fomos obrigados a falar dele, saber se sua vil existência.

number_ball_tMais conhecido, talvez, entre esse grupo de – dizem, mas vamos esperar as próximas pesquisas – cerca de 30% (!!!) que parece que ainda apoiam a loucura que se estabeleceu no governo de nosso país. Esse do “38”, o número do partido que pretendem criar com suas balas e dedinhos em forma de arminha, borrando o verde e amarelo de nossa Nação com seus pensamentos de baixíssimo calibre.

Mais uma 100% cilada.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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