#ADEHOJE – ECLIPSE, MUITO ALÉM DO SOL

#ADEHOJE – ECLIPSE, MUITO ALÉM DO SOL

SÓ UM MINUTO – Hoje tem eclipse total do Sol, e tem muita gente lá no Chile que foi assistir, por ser um local mais adequado para acompanhar o fenômeno. Mas esse tipo de acontecimento muda muita coisa na geral, e nos faz pensar, e além até da astrologia. Há nesse momento – praticamente todos os dias – um eclipse da razão, da inteligência, da lógica, do relacionamento entre as pessoas.

Tenho lido, visto, ouvido, sabido, assistido a coisas que podem ser chamados do arco da velha, como diz a expressão popular. A internet, as redes sociais, a exposição absurda da vida privada e intima vem criando uma nova sociedade. Onde a intolerância acaba combatida com mais intolerância ainda, criando uma bola de neve perigosa, que pode se transformar em avalanche.

Bem, e hoje ainda tem também o jogo Brasil X Argentina, que nos conclama ao pior de uma torcida, sempre.

#ADEHOJE – CULTURA, ATENÇÃO.

#ADEHOJE – CULTURA, ATENÇÃO.

 

SÓ UM MINUTO – ALIÁS, ATENÇÃO, EDUCAÇÃO E CULTURA, NA VIDA E NAS INSTITUIÇÕES, NO BRASIL. A Rouanet vai perder o nome, virando só Lei de Incentivo à Cultura, se é que isso ainda pode ser considerado um incentivo. O Valor máximo por projeto cairá de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão; lote de ingressos gratuitos aumentará e preço do ‘ingresso social’ será menor. Fora isso, esses dias o presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine) Christian de Castro recomendou a suspensão de repasses de verbas para séries e filmes, inclusive aqueles já em produção, o que interfere diretamente todo o setor de audiovisual nacional.

Os parlamentares, aliás, estão preparando uma CPI de Crimes Cibernéticos, entrando junto com o STF na defesa das instituições que vêm sendo esculachadas especialmente nas redes sociais, além das ameaças – para eles haveria no Brasil um ataque planejado e sistemático às instituições, que precisaria ser investigado e contido.

ARTIGO – Comunicação do além, para além de nós. Por Marli Gonçalves

Entre as coisas que vêm mudando com rapidez assustadora está a comunicação. Total. Entre as pessoas, entre elas, para elas, e até com os astrais superiores. As autoridades também andam inovando, mas pensa: eliminam intermediários muito mais apenas para não serem contrariados.

Começou com aquela tal vela automática, eletrônica, nas igrejas, aquela da luzinha que acende quando você põe a moeda na máquina. Sempre achei esquisito. Ainda não descobri como andam pagando promessas nas igrejas, aquelas promessas que usavam velas do tamanho das pessoas a serem protegidas. Mas também tem – e aí nem precisa sair de casa ou do celular – dezenas de apps, aplicativos, de promessas, de palavras confortantes, todas as religiões entrando na era digital. Você também pode acender velas pelos sites, fazer pedidos e até rezar o terço. Imagina a capacidade instalada do servidor de Deus! Será que Ele também sofre com a lentidão, com downloads, muito tempo diante da tela? Que equipamentos usará? Será que visualiza as nossas mensagens? Bloqueia, responde correntes? Certeza é que não atende aquelas ordens de “REPASSE SEM DÓ”, geralmente mentiras cabeludas que toda hora querem que a gente passe para a frente, e também deve odiar receber vídeos e áudios sem noção.

Mas não parou aí essa mudança. Logo viveremos só com as nossas telas. O mundo digital causa uma revolução no nosso dia a dia, atinge o relacionamento humano interpessoal. A eleição demonstrou de forma cabal coisas que há pouco nem imaginaríamos ser possíveis.

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Por exemplo, brigamos com “amigos” que nem conhecemos, nem chegaremos nunca a ser na vida real. Ou nos juntamos a grupos enormes que pensavam como nós, acreditando piamente que fazíamos a diferença, como em um protesto monumental. Concordamos, seguimos, conversamos ou batemos boca com robôs. Aliás, não há como esquecer que agora compramos roupas e várias outras coisas de vendedores virtuais; podem até ter nome, mas não existem. Isso porque não faz muitos anos a gente só reclamava de “não ter gente” que nos atendesse quando telefonávamos para reclamar de alguma empresa. Disque 1 para isso, 2 para aquilo, 440 para nos xingar, e … 9! – Se quiser falar com algum de nossos atendentes, que poderão, claro, deixar a linha cair e você precisar fazer tudo de novo, essa sim uma verdadeira via crucis.

Não por menos agora a moda seja a comunicação de tudo, vai, me diz se não é verdade, de tudo, sendo feita via redes sociais. O Twitter é o predileto dos políticos que anunciam o que bem querem, o que pensam e muitas vezes nem pensam para escrever, o que fazem muitas vezes em alterados estados na madruga…e depois do rolo, correm para apagar. Outra coisa que também é digna de nota: escreveu, não leu, o pau comeu, ou seja, não dá mais para apagar. Em algum canto do planeta alguém copiou, printou, fotografou, guardou, salvou, arquivou e vai esfregar na cara de quem disse que não disse, na primeira hora que for possível. Por enquanto a única saída é alegar que foi hackeado, que teve o computador invadido e as contas usadas.

O novo governo já é especialista nisso, começando pelo presidente eleito e seus replicantes. Jair Bolsonaro anunciou os componentes do governo, debateu, critica quem quer, opina até sobre o que não perguntaram. Ainda. Manipula a informação. Ele é quem pauta, e só, claro, o que lhe interessa. Qualquer hora publicará uma foto pondo a língua para fora ou dando “uma banana” aos jornalistas, a quem vem sobrando apenas correr atrás dos caracteres já publicados, das migalhas. Tudo muito igual o Trump, nos Estados Unidos, que parece mesmo ser o ídolo máximo do nosso novo governante.

Incentivamos com nossa curiosidade. Porque por isso ganham a cada linha, cada foto, cada #hashtag publicada, por livre e espontânea vontade acompanhamos tudo de celebridades e subcelebridades. Sabrina Sato nos fez sentir até a dor do parto de sua primeira filha, Zoe. Novidade mesmo foi essa do João de Deus que, para satisfazer seus desejos e, obviamente, seus problemas de ejaculação precoce, alegava que seu pênis era uma espécie de antena com o além. Só se concentrava, sem precisar de equipamento.

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Marli Gonçalves, jornalista – Desejando tudo de bom a todos e que o ano que vem essa nossa comunicação virtual alcance todos os sinais e que continuemos unidos, na realidade, pelo que melhor e mais nos faça feliz.

Brasil, quase… 2019.

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noel

 

ARTIGO – Antes e Depois: as pessoas “fakenstein”. Por Marli Gonçalves

Antes e Depois: as pessoas “fakenstein”

MARLI GONÇALVES

A loucura da vaidade e avidez por mudanças para aparecer bem, de bonita ou de bonito, nas redes sociais, nas selfies e etceteras faz surgir uma nova sorte de criaturas, meio humanas, meio alguma coisa grotesca indefinível. A situação está tomando um rumo que faz com que muitos virem também mortos nas mãos de despreparados, ou, quando têm sorte e não ficam aleijados, apenas patéticos sendo enganados por promessas de milagres.

Antes era bem mais difícil fazer alguma transformação mais radical no corpo. Era preciso e indispensável procurar um bom cirurgião plástico e seu hábil bisturi, com custo em geral muito alto, e a clara necessidade de ficar em estaleiro por alguns dias. Não era coisa de você entrar por uma porta de um jeito e sair de outro como o que vêm sendo proposto ultimamente por todo tipo de malandros prontos a lucrar com a sandice alheia. Dr. Bumbum é grão de areia nesse zoológico sobrenatural.

A coisa vem num assustador crescendo: primeiro foram as lipoaspirações. Enfia um cano e puxa gordura daqui, dali. Pega dali, põe lá atrás. Muitas vítimas acabaram foi sem gordura nenhuma; literalmente, ossos. Enterrados, inclusive. Apareceram então as aplicações de botox e ácidos com nomes proparoxítonos. Rugas e expressões esticadas, paralisadas, bocas parecendo que acabaram de levar uma ferroada de vespa. Peles do rosto amarradas, meio que costuradas com fios de ouro – sempre tem algum elemento assim, nobre, sendo propagandeado – esticadas, atrás da orelha.

Agora até que anda um pouco mais suave e calmo, mas o comércio de próteses de silicone para os seios também causou um belo estrago na paisagem humana que habita a terra quando começaram a aparecer umas mulheres que dificilmente avistam seus próprios pés diante daquela dupla frontal anexada, de bolas que chegam a conter até 750 ml. Teve umas pondo mais de litro. A pessoa chega, mas o peito vem antes, abrindo portas. Coisas de moda. “Alguém” determina o padrão e lá vai o trenzinho seguindo. Os traseiros cresceram.

(E, vejam, tudo isso sem falar no criminoso avanço de venda de hormônios, anabolizantes e outras drogas para os que querem parecer saudáveis nas fotos feitas em academias. Daí saem aquelas mulheres com acentuadas vozes travestidas que eu ainda não sei o que virarão depois de alguns anos – talvez muxibas).

mulherzinha mostra a bunga-bungaO problema não é, claro, o importante avanço da medicina e das pesquisas na área de cosmética, aperfeiçoamento do corpo humano, retardamento da velhice, busca de auto estima e valorização estética. Isso é direito. Que fique claro.

O problema é a mentira, a proliferação indiscriminada de aproveitadores profissionais, alguns nem um pouco profissionais ou qualificados, prometendo mágicas. Tem dentista aplicando botox, descascando dentes para enfiar uma tal lente de porcelana sem exatamente informar consequências e quanto tempo aquele efeito lindeza vai durar. Tem salões de cabeleireiros, ops, esteticistas ou outros títulos super rebuscados, prontos a injetar, furar, puxar, pintar, tatuar as caras das pessoas, inclusive com sobrancelhas de fazer inveja aos melhores diabos e monstros da história da humanidade. Coisas permanentes. Ficou bom? Que bom. Puxa, deu errado, não gostou? Que pena. Não tem volta. Nem em dinheiro, nem em satisfação.

Esses dias o caso do Dr. Bumbum (!!!) e sua mãe trouxe à tona na imprensa alguns depoimentos assustadores de outras vítimas, muitas que estavam caladas, algumas até sem convívio social e envergonhadas depois da barbeiragem pela qual pagaram bem caro. Meninas, gente jovem, que se submeteram a esse açougueiro. Quase todas (inclusive a que morreu) queriam ficar bonitas para as fotos nas redes sociais.

Repara que agora tudo quanto é criancinha, adolescentes ainda imberbes, postam fotos com batonzinho e fazendo boca de pato.

Vamos falar sobre bullying estético? Seria necessário o quanto antes ressaltar para a geral que muitas destas celebridades e subcelebridades que vemos todas serelepes nas fotos passaram por verdadeiras transformações, mas não “no real”, sim no banho de loja, no dinheiro que entra na conta, no tratamento da imagem, em maquiagens ou photoshops? Que elas não são exatamente daquele jeito, quase impossível? Cinturas sem osso, peles translúcidas, barrigas negativas, dentes resplandecentes, cabelos de boneca.

Além das fake news, teremos de nos preocupar também com as fake pessoas, as fakensteins.

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– Marli Gonçalves, jornalista – Ah, se houvesse um passe de mágica! Mas até Cinderelas têm limite. Meia noite. E olhe lá.

 

FALA COMIGO: marli@brickmann.com.br e marligo@uol.com.br

SP, agosto vem aí

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ARTIGO – Os desmaios de maio. Por Marli Gonçalves

Lá vem ele. Já chegou. Daqui a pouco já foi. 31 dias nos quais continuaremos – porque virou uma praga – ouvindo muita gente viajando na maionese, achando-se os maiorais, e que só eles têm a maior moral.

mae faz aviao para bebeAdorei saber que há uma lenda urbana que conta que certa vez uma turma de cariocas foi “premiada” (ou presenteada, dependendo de qual lado você está vendo) com um lote de maionese contaminado com alucinógenos. Daí teria nascido a popular expressão viajar na maionese. Teriam ficado bem doidos, falando besteiras e fazendo coisas bem sideradas, rindo à toa, vendo belezas. Não, não sei onde compra um pote desses, e lembre-se de que comecei dizendo que era uma lenda urbana!

Pois bem, pelo que entendi, a verdade – veja só – é que parece que a expressão foi cunhada em cadeias, como código de comunicação entre os presos, quando algum deles pisava no tomate ou tinha alguma ideia mirabolante, ideias que devem brotar na cabeça de quem fica atrás de grades. Porque se tem uma coisa que ali não deve entrar, e se entrar não deve ser comida, é a tal maionese. Perigo até de viajar sim, para a cidade dos pés juntos, como se dizia antigamente. Babau.

Mas vamos falar de maio, que é a proposta. Especialmente este ano, especialmente este mês, estarei colada em datas e calendários porque vou virar a folhinha de uma fase daquelas que é igual virar o Cabo da Boa Esperança, se é que me entendem. Tenho ainda uns quarenta dias para me acostumar com a ideia. Ainda bem que em boa companhia, de estrelas como Madonna e Sharon Stone. Ou, se ainda estivessem vivos para comemorar, Michael Jackson e Prince. Tem muita coisa que nasceu nesse ano em que nasci, muita gente interessante, um marco na história política brasileira e de acontecimentos em outros países. Um ano bem simpático, eu diria. Podíamos até ganhar a Copa de novo, hein?

Talvez eu fale mais sobre isso, os dias passando, esse mês. Não que seja coisa que preocupe, mas por ser algo sobre o qual é necessário e obrigatório pensar, falar, discutir, especialmente sendo mulher. Aliás, as mulheres até nisso sofrem mais pressão a vida inteira. Puberdade, menstruação, menopausa, idosidade, palavra que não existe, mas tem sentido, ô se tem sentido. viajandona

Maio é mês bem feminino. Tem dia das mães. É mês das noivas. Mês de lembrar-se da Princesa Isabel e da abolição da escravatura. De Nossa Senhora de Fátima e sua aparição junto aos pastorinhos. Em maio ocorreram muitas revoluções (Revolução Cultural Chinesa), independências (Israel, por exemplo)..

Este aqui, maio agora, chega com dois feriados elásticos. É mês, pelo que vemos, de dar à luz novas ideias, movimentos, ações. Adoraria ter a bola de cristal, o dom da vidência, conhecer o caminho dos astros para poder prever mudanças aqui para a gente também. No mínimo adoraria dar a notícia de que estamos, enfim, andando para a frente.
Infelizmente ainda teremos que lidar com toda essa gente poderosa viajando na maionese. Mas uma maionese especial deles, com a qual devem estar lambuzando o pão.

Passando no cabelo, usando como hidratante, enchendo a cara. Essa fórmula, que vem em forma de malas, não de potes, provoca arroubos neles.

Nós continuaremos aqui tendo alucinações, sim, sonhando com o dia em que vão ser sérios e que parem de viajar na batatinha, que já está assando.

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MARLI

Marli Gonçalves, jornalista – Agora vou me ocupar de saber os direitos que ganharei. E já aviso: nada de maiô. Gosto de biquíni.

Brasil, de 1958 a 2018

 

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ARTIGO – Desbundar! Para marcar época. Por Marli Gonçalves

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Não sei você, ou se sou só eu que estou sentindo uma espécie de pressão no ar, como se algo fosse estourar. Não digo nem que bom ou do mal. Algo. Que diz que para o qual será necessário dar um primeiro passo. Aliás, já não é sem tempo voltarmos a, no mínimo, sermos criativos, mais férteis em ideias. Está na hora de marcarmos época. Dar uma desbundadinha, talvez.

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Sim, nada melhor do que falar nisso agora, começo de um novo ano que ainda nos encontra perplexos, abobados até, diante de tantos acontecimentos esquisitos, sinistros. É como se vivêssemos em uma região com vários mundos – bolhas – que não andam se comunicando nada bem entre si, mas cada uma querendo crescer mais para achatar a outra, impondo assim sua supremacia. E claro que a que vem ganhando mais espaço é justamente a mais terrível: a da intolerância, conservadorismo e caretice. A primeira a furarmos com agulha. Rápido.

Leio com alegria que no Rio de Janeiro já há um grupo de artistas se reunindo para começar a recolocar os pingos nos nossos is. Chamam de desbunde, no geral. Fico feliz. Só rogo que tentem se afastar ao máximo de ideologias políticas arcaicas, e pensem no que fazem de melhor, Arte, a maior propulsora das mudanças. Que o façam com cores, nudez, poesia, sons e imagens, humor. Que provoquem pensamentos, que sejam exemplos, que deem vontade de a gente seguir atrás apoiando e multiplicando seus feitos.hipgrl22

Está na hora de marcarmos época contra a chatice que teima em grudar igual carrapato e que detona cérebros e nos dá desgosto de ver o estrago que está fazendo principalmente nas pessoas, especialmente nos mais jovens. Precisamos conseguir sacudi-las, nos infiltrar nesse exército de abobalhados uniformes e homogêneos que repetem como autômatos o que o sistema e as “normas” os mandam balbuciar.

Os anos 10 de 2000 já estão pra lá de passados, mais da metade, e o tempo urge. O que está ficando de rastro deles? Do que podemos nos orgulhar como sua grande marca? Eles não estão sendo marcados por avanços. Ao contrário.

germanhula2O mundo não pode se contentar, dar-se simplesmente por satisfeito. Parar na revolução digital como se ela fosse a última fronteira. Considerar que as conquistas já ocorreram. Aceitar a ideia da violência gerada (e combatida) pela própria violência. Fundamentalmente não podemos deixar a massa desandar – as massas serem cooptadas por seres do mal, entre eles os aproveitadores da fé. Esses aí que passam os dias dizendo que tudo é pecado, não pode, Deus não gosta, vai arder no fogo do inferno. Eles plantam culpas para viver, e elas – as culpas – são como ervas daninhas destruidoras.

Proponho então apoio a uma nova palavra de ordem do movimento que os artistas estão começando: Desbundar. Nos anos 60 se dizia que quem abandonava a luta armada e a militância política, indo só pro Paz e amor, tinha desbundado. Desbunde também é algo fantástico, que maravilha, que extasia.

Vamos lá, vai! Pelo menos uma desbundadinha. Tenta. Vai ver o quanto é gostoso.

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20160813_143252Marli Gonçalves, jornalista Vou tentar dar mais umas, faz tempo que não exercito desbundadinha. Sério: acho que é o que estamos precisando. Afinal, desbundar é também romper, inovar, botar para quebrar, mostrar a que veio.

São Paulo, 2017

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MARLI@BRICKMANN.COM.BR
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ARTIGO – Desmonte e monte, desmonte

                   Desmonte e monte, desmonte

Por Marli Gonçalves

butterfly_17Fico olhando minha gatinha arrumando o lugar em que vai deitar. Ela apalpa, com uma pata e outra, alternando, como se macerasse uvas para produzir um bom vinho. Durante longos minutos fica ali, meio alheia, concentrada na sua atávica tarefa de arrumação, que não sei se é para esquentar ou esfriar o lugar, que nem sempre é o mesmo. Me faz pensar se nós também não vivemos por aí montando e desmontando nossas próprias camas, palavras e atos. Efeito borboleta butterflies

Ando pensativa. Acontece sempre, mas especialmente quando está para mudar de um ano para o outro, ou eu mesma mudar de ano, aumentar um número. E também na Lua cheia ou quando a vida me coloca diante de obstáculos ou decisões. Quando preciso desmontar alguma acomodação para logo montar algum caminho que chegue a outra acomodação. Igual ao solo, a terra que se amolda aos nossos pés, busco meu lugar, no espaço e tempo, para continuar crescendo. Sobrevivendo, agindo.

É uma atividade muito solitária e particular. Porque é como se entrássemos numa máquina do tempo e levados a revisitar determinados períodos, e aí aparecem alguns fatos, pessoas e decisões que moldaram o que é agora, formando um painel que você precisa primeiro estilhaçar, picotar, para formar o quebra-cabeça que quer remontar, criando um novo desenho.

Não é fácil desmontar. Nada. Principalmente nessa selva cheia de armadilhas e camas de gato da experiência humana, quando para se livrar de uma teia, cai em outra. Não é fácil desmontar a insídia que você nem ao menos conhece o teor total e criada por alguém para desconstruir e pulverizar sua imagem diante do que ama. Desmontar o ódio, o ciúme, a mentira e a ignorância que catequiza os distraídos.

Não é fácil desmontar os malfeitos e isso também, por óbvio, é pensamento que surge no delicado momento político que vivemos no país, diante dos olhos de quem quer ver, e inquietando a todos nesse prazo de dias em seis meses que passamos a percorrer. Em que tentamos sair do atoleiro e para isso temos de por correntes em rodas pouco confiáveis, mas as únicas que temos e que têm de girar, até porque não temos mais forças para sair atrás empurrando, preferindo esperar do outro lado da linha.

Os brinquedos de nossas tenras infâncias, muitos, eram de montar e desmontar. Se não eram, desmontávamos só para ver como é que tinham sido feitos, curiosos como cabe às crianças ser. O problema sempre era perder as peças, que espalhávamos, e aí não conseguir nunca mais fazer voltar ao que era, original. A solução fazer bico, olhando em busca de ajuda, ou deixar para lá, escondendo tudo, e logo nos encantando por outro brinquedo. Esse é o lado bom de ser criança. A responsabilidade relativa.

Mas não somos mais, infelizmente, petizes, e nem mais brinquedos são os fatos com os quais temos de lidar, agora sem tempo para troças.

De repente parece que ao redor não se deram conta disso, e baixou algum Erê (o espírito criança, que gosta de guaraná e bolo e se suja, se lambuza quando vem nesse plano) em pessoas que considerávamos mais sérias e maduras. Ou o que foi aquilo do prefeito de São Paulo de molecagem passando trotinho no opositor de quem não gosta, que dele fala mal? O que é que se pensa ordenando os meninos a irem para as ruas escracharem o que nem bem entendem, armados com sprays de tinta, contra armas, cassetetes e pimenta, pensando estar vivendo em cenas de HQ, ficção, algum Mad Max da Avenida Paulista? Brincando de brigar, de fazer fusquinha? Amigos atacando amigos, pessoas demonizando artistas, artistas demonizando cidadãos que, se são do bem não se sabe, mas como desinformados que certamente são acabam agindo e pensando de forma grotesca.

Como vamos desmontar esse foguete complexo?

Pergunto porque não sei respostas, nem as minhas, quanto mais as de nós todos, e muito menos as desse jogo político que lembra o rouba montes dos jogos de cartas. No momento tento só recuperar umas peças que andei perdendo, enquanto percorria outras fases dessa nossa longa história na qual os personagens principais envelhecem, mas ainda dão frutos que podem ser decisivos para começar de novo.

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Marli Gonçalves, jornalista A teoria do caos estabelece que uma pequena mudança ocorrida no início de um evento qualquer pode ter consequências desconhecidas no futuro. Eu só quero ser a borboleta e seu efeito.

São Paulo, 58+58.

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