#ADEHOJE, #ADODIA – CALOR DOS ACONTECIMENTOS. DOS “S”. DO QUE VEM POR AÍ

#ADEHOJE, #ADODIA – CALOR DOS ACONTECIMENTOS. DOS “S”. DO QUE VEM POR AÍ

Não param de acontecer coisas nesse final de ano movimentado, e com um calor nas principais capitais de fritar ovos e nossos miolos. São malas de dinheiro indo e vindo, denúncias, mitos caindo, operações da PF. O Super ministro Paulo Guedes ameaçando vir com faca para cima de conquistas, como o Simples, ou do Sistema S, uma das poucas coisas que ainda funcionam bem no país. Aí já na diplomação aqui par ao Governo do Estado já teve pega pra capar, com o Frotinha dando voadoras. Só se abanando muito. Não deixe de se inscrever no Canal do Youtube!

 

#ADEHOJE, #ADODIA – PLANTÃO: VOU TE CONTAR AS COISAS QUE TÊM PARA ACONTECER NESTE QUENTE VERÃO

#ADEHOJE, #ADODIA – PLANTÃO: VOU TE CONTAR AS COISAS QUE TÊM PARA ACONTECER NESTE QUENTE VERÃO

 

FIM DE ANO, SOL, VERÃO. ESTOU DAQUI VENDO VOCÊ FAZER PLANOS, ARRUMAR MALAS, CONFERIR PASSAGENS, TUDO PARA SAIR POR AÍ. NÃO ME ABANDONE. FICO AQUI DE PLANTÃO. AINDA MUITA ÁGUA VAI ROLAR NÃO SÓ NOS PRÓXIMOS QUINZE DIAS, COMO ESPECIALMENTE NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DO ANO QUE VEM. VEJAM SÓ: TEM JOÃO DE DEUS FORAGIDO, PARA SE ENTREGAR… SERÁ? COM 35 MILHÕES NO BOLSO. SEI NÃO SE ELE JÁ NÃO PODE ESTAR LONGE FAZENDO RETIRO EM ALGUM TEMPLO DO LUXO. TEM CESARE BATISTTI COM UM AVIÃO ESPECIAL PARADO ESPERANDO POR ELE PARA LEVÁ-LO DE VOLTA À ITÁLIA CONFORTAVELMENTE. E O QUEIRÓZ, O ASSESSOR DO BOLSONARINHO FLÁVIO QUE SUMIU? E LEVOU A FAMÍLIA, MAS MANTEVE A CONVERSA NO NOTICIÁRIO SÓ PIORANDO PRO LADO DOS QUE VÃO ASSUMIR A DIREÇÃO DO GIGANTE ADORMECIDO. E DEPOIS? O QUE ACONTECERÁ COM O TEMER E OS INQUÉRITOS QUE PAIRAM SOBRE ELE AMEAÇADORES. COMO SERÁ A POSSE, OS NOVOS GOVERNOS? O VERÃO VAI SER QUENTE MESMO.UM FORNO. VOU TE CONTANDO, VOU TE CONTAR.

ARTIGO – Ser mutável. Por Marli Gonçalves

Pablo Picasso. Femme Assise Accoudée. 1939

 

Chegou dezembro, com os seus ho-ho-ho, luzinhas piscantes coloridas, árvores enfeitadas e renas estilizadas despregadas de sótãos, porões e garagens onde se abrigaram empilhados durante todo os outros dias. Todo mundo se programa até para o que vai comer no fim do mês. Tempos complicados para os seres mutáveis que só querem a alegria de volta nos dias seguintes que chegarão ao ano que vem

Acho lindo e respeito quem tem condições de se organizar, planejar metodicamente todos os passos adiante, preparar até o pé-de-meia. Principalmente em um momento tão atribulado como o que passamos aqui na terrinha.

Nunca consegui. Fora isso, tenho horror, sempre tive, a compromissos agendados com muita antecedência. Nem aniversário, o meu, gosto de comemorar, marcar nada, porque no dia posso, e vai ser normal, eu não querer ir, e tem uma certeza que sempre tive: o dia é meu, faço o que quiser, embora quase sempre passe mesmo na mesma, trabalhando, que é o que tem para hoje e o que quase sempre ocorreu nos dias 8 de junho. Manter a cabeça fora d`água para continuar respirando. Exercitando a apneia quando tentam te dar um caldo, e você quer tentar emergir.

Ser mutável, pensa, não é fácil não. E Deus me fez mutável. Veja que isso também não quer dizer que seja ruim, ser mutável também é ser versátil, variado, e até volúvel. Adoro.  É, mais ainda, não ser uma coisa só, birrenta, que fica batendo pezinho muito tempo. Não deu, não deu, vambora, vambora.

vamos achar o Norte, o Nordeste... e mudar o IrãPor mim realmente os dias seriam sempre diferentes, cheios de novidades e aprendizados. Eu teria o luxo de poder usar inúmeras personalidades, exercitar todos os meus alteregos inclusive visualmente. Escrever como diferentes personagens, nomes e pseudônimos. Não desisto de conseguir essa liberdade verdadeira um dia.

Só que a realidade é dura. A gente não vive só com a gente, convive e depende de outras pessoas, dos acontecimentos, das compreensões, e estas teimam em podar os ímpetos, ou querendo impor tudo dentro da rotina, uma coisa engessada. Confortável para eles.

Até mudar de ideia anda complicado, com esse bando de gente de um ou do outro lado do rio, nas margens; e poucos navegando nas fluidas águas do futuro.

Dezembro chegou, e com ele todo o rol daquelas coisas que todo ano se repetem, novamente todo mundo contando para onde vai, perguntando para onde você vai, correndo para ser bonzinho, e também para mandar para cima de outro alguém tudo o que podia ter sido feito durante todo o ano. Começa o corre-corre. Os apelos, e com eles, a tristeza, a sensação de vazio e decepção. As revisões.

No Brasil desses dias, em que estamos em suspensão – não negue, porque ninguém tem condições de saber no que vai dar tudo isso, o novo Governo, o novo presidente e sua saúde, as pessoas que estão sendo instaladas nos locais, as decisões que dão dois passos para a frente e três para trás – seres mutáveis como eu sofrem muito.

Queremos pensar positivo, manter o otimismo, além, mas sempre surgem obstáculos, incertezas que nos amarram numa angustiante mesmice, dependências que tiram a paz de qualquer atitude criativa. Afinal, se não dá para pensar nem no dia seguinte, ficamos tolhidos, tentando acertar o passo, com medo de cair nos inúmeros fossos destampados, do qual não param de sair e surgir assombrações e ameaças.

Não dá para viajar. Nem em pensamento. Mas dá para se distrair um pouco. Por isso – só por isso – é bom ser mutável.

mudanças

_________________________________________

Marli Gonçalves, jornalista – As gravações do meu programinha de um minuto – #ADEHOJE, #ADODIA (acompanhe! Estrelando nas redes sociais e nos nossos sites) – pelo menos têm me ajudado a cada dia poder pensar diferente sobre os fatos.

marligo@uol.com.br ; marli@brickmann.com.br

Fim de ano, 2018


ONDE ME ENCONTRAR:

https://www.facebook.com/BlogMarliGoncalves/

https://www.instagram.com/marligo/?hl=pt-br

www.chumbogordo.com.br

https://marligo.wordpress.com

https://www.youtube.com/channel/UCC-sDrkeHk5KRijJ6eESqfQ/featured?view_as=subscriber

ARTIGO – Religiosamente… Por Marli Gonçalves

Estou aqui. Assim vão indo as semanas. A 51, boa ideia, Natal. Na 52, acabou. Chegamos agora à antepenúltima, à quinquagésima deste ano esquisito demais da conta. Não que os últimos também não tenham sido, e bastante, mas esse nos mostrou claramente o limbo e a enorme mediocridade que enfrentamos, e o que nos deixa rezando para todos os santos ou energias para que tudo consiga um bom termo

Não sou muito boa nesse negócio de religião. Dizem que você tem de ter uma, mas eu capto várias, seja para sobreviver e me resguardar, seja para entender os desígnios que nos são impostos diariamente ou ainda as linhas do destino, como se traçam. Como se embaraçam também.

Mas, religiosamente, semana após semana estou aqui escrevendo, pondo no papel meus sentimentos mais verdadeiros, me expondo até um pouco demais nesse mundo cheio de divisões em duas partes, e que na maioria das vezes não me encaixo em nenhuma delas.

Esse ano mais uma vez escrevi sobre tudo. Não foi por falta de querer, mas não pude escapar da política nacional, essa que nos envenena os poros, e que permeia tudo com suas consequências tão fortes em nossas vidas. Que afeta nossos bolsos, nossos planos, nossos sonhos.

Tentei, vocês sabem, sempre dar algum toque bem humorado, uma ironia aqui, outra ali que escorrega enquanto a gente batuca as teclinhas. Houve semanas em que isso foi muito difícil, como as quando acompanhei os últimos dias do meu pai em um hospital, e quando contei com a companhia e a solidariedade de meus leitores com os quais compartilhei emoções – e fiquei muito mais forte e muito menos sozinha por isso.

No ano, em cada uma de suas semanas, como faço desde 2008, religiosamente, repito, acompanhei cada fato que se podia destacar no momento, temas que me deram vontade de escrever, fatos que fizeram nossos dias do ano, muitos aos quais, provavelmente, teremos de voltar no ano que vem, como a violência geral, a violência contra as mulheres, a violência dos debates de poder.

No radar, também os meus temas preferidos: liberdade, jornalismo, contra a censura, feminismo, sexualidade, direitos, a observação de para onde se descaminha a humanidade e a luta pela vontade de ter um país melhor, sem tanta hipocrisia.

Toda hora acabamos, eu e os que assim como eu têm brio na cara, coragem e a honra de ter os seus pensamentos e opiniões seguidos publicamente, de nos insurgir contra quem quer acabar com nossos direitos individuais, com a liberdade, com a sexualidade, com o inabalável e expressivo crescimento da força da mulher, ou tentando impor a censura e implodir de vez com a imprensa.

Com os artigos publicados em todo o país, de Norte a Sul, um monte de cantinhos a que jamais antes imaginaria chegar, cada leitor me motiva a mesma coisa: viver. Mesmo sob tantos trancos e barrancos. Falo “meus leitores” com gosto, porque tenho alguns invejáveis, seja por seus poderes e importância, por sua inteligência, ou pela clareza com que debatem comigo, mesmo quando não concordam com algumas posições, digamos, mais libertárias.

Enfrento, claro, muitas fúrias e xingamentos. Mas recebo muito mais forças, elogios, opiniões solidárias e agradecidas, respostas e confidências às quais agradeço diariamente a confiança que me é depositada, e que tento honrar em resposta às dezenas de mensagens que recebo toda semana.

Assim, religiosamente, com fé, mãos juntas, chamando todas as forças do Universo, quero desejar a todos vocês um fim de ano verdadeiramente sensacional e cheio de amor e paz. Fico aqui de plantão, alerta, como uma soldadinha, se necessário for, para preservar esse seu direito inabalável de ser feliz.

 Marli Gonçalves, jornalista – Isso é que é presente. Estar presente.

SP, véspera, Natal, 2017

marligo@uol.com.br
marli@brickmann.com.br
www.brickmann.com.br
www.chumbogordo.com.br

____________________________

____________________________      

ARTIGO – Bleque Fraidei. Por Marli Gonçalves

 

Liquidação! Liquida tudo. Que negocinho chato e intrometido. O que era para ser um dia, na tal sexta fraidei, virou bleque semana, mês e já já teremos o Bleque 2018, que estará mais para Blague 2018, se for mantida essa atual lista de candidatos. Vão liquidar as nossas esperanças em parcelas com juros e juras de mudança.

A cada dia que abrimos a janela para o mundo das informações damos de cara com um espanto. Seja a aparição de um candidato novo – e todos os tipos mais estranhos essa hora aparecem, como o tal Dr. Rey, o melhor exemplo. Na plataforma que o indivíduo do bisturi apresenta vem a promessa de trazer de volta a nossa “sensualidade” e “levantar o Brasil da miséria”, o “free market society”, fazer o Hino Nacional ser tocado todas as manhãs com todos levantando e colocando a mão direita no lado esquerdo do peito.

Ninguém merece. Nós não merecemos. E ele vai ganhando o espaço para as suas bobagens e clínicas que espalha por aí.

No meio da enxurrada de ofertas estapafúrdias que vêm nos soterrando há dias por todos os meios, enchendo todas as caixas postais e nossa paciência, surgem ainda as pesquisas. Pesquisas para saber o que achamos ou não da tal sexta-feira que, essa sim, podia e devia cair em algum dia 13, porque é azar danado acreditar nos tais descontos miraculosos.

Tão miraculosos como são as promessas – algumas quase ameaças para quem tem o espírito livre e deseja um país – que jorram da mente dos que tem aparecido na frente em pesquisas siderais para a Blague 2018. Um carcomido e bravateiro líder ex-operário-trabalhador faz muito tempo e um ex-militar, político de quinta categoria, metido a ditador que quer endurecer tudo, sem ternura, e sem prazer. Dois primeiros de arrepiar, seguidos por outros rojões … Só falta inventarem algum bicho como os tais cavalinhos horrorosos e chatos do futebol, que ficarão correndo no programa de domingo na tevê com suas lamentáveis vozinhas. Sugestões?

Senhor! É como se brincássemos alegremente em um campo tão sério, a forma como vêm sendo levadas as coisas em torno das eleições daqui a menos de um ano. Ano que pode passar rápido ou continuar se arrastando na lama.

Com ofertas de nomes liquidados como na tal invenção importada para vender mais agora perto do Natal, são postos no mercado de apresentadores de tevê a políticos alguns que, se a gente perguntar rápido em qual partido estão, capaz deles errarem tanto que trocaram, tão “firmes” são em suas ideias; os de sempre a musas amazônicas que só saem da toca para pedir voto como aqueles seres da floresta que ninguém vê na hora que mais precisa; de boquirrotos literais cheios de frases feitas ditas com forte sotaque a desconhecidos do grande público e do pequeno também. As novidades até surgem, mas como gordura para ocupar os tracejados, prontos a se jogarem em qualquer panela velha que os convide quando chegar mais perto a hora da fervura.

Toma bleque fraidei pela frente, usado por quem pode.

Quem não pode se sacode. E ficará só aguardando as notícias sobre fraudes e descontos imaginários, entregas não realizadas, protestos, reclamações nos órgãos de defesa do consumidor.

Mas na Blague 2018, marcada para o dia 7 de outubro, com segunda chamada dia 28 de outubro todos, obrigatoriamente, terão de participar e comprar um pacote que incluirá presidente, governador, deputados.

Teremos para quem reclamar depois?

________________________________________

Marli Gonçalves, jornalista – Já estão chegando mensagens de Paz, Alegria, Fraternidade, tudo para o ano que vem. E eu já comprei muito gato por lebre.

Brasil, em transição, na bacia das almas.

_________________________

____________________________
marligo@uol.com.br
marli@brickmann.com.br
www.brickmann.com.br
www.chumbogordo.com.br
____________________________

ARTIGO – Buuuú! Nossos dias assombrados. Por Marli Gonçalves

Andamos escabreados normalmente. Se fôssemos crianças pediríamos até para dormir com uma luz acesa no quarto, com medo de tantas assombrações rondando nossa paz. Esta semana teremos como afugentar, pelo menos as assombrações, de formas mais divertidas, e aproveitar para lembrar tantos que amamos e que já se mandaram desse plano

Temos um presidente bem parecido fisicamente com um vampiro. O que já é assustador quando lembramos que sobrevivemos a todo tipo de outras assombrações, de açougueiros cruéis na ditadura ao bonequinho de palha vodu do saco roxo, entremeados com bigodes vassoura de bruxa, seguidos de topete arrepiado e das profundas olheiras do intelectual. Depois foram anos do personagem fantasiado de operário, seguido pela bruxa do vento ensacado.

Não bastou. Não basta. Estamos todos apavorados com os outros muitos seres estranhos que ainda podem surgir, levantando-se de catacumbas, saindo da tela da tevê, ressuscitando de temporadas nas masmorras de Curitiba não descritas na obra de Dalton Trevisan ou mesmo dos freezers de onde ainda pretendem se descongelar.

O que pode nos apavorar mais do que isso? Ah, tá. Rever a gravação da votação no Congresso. Ouvir os discursos de uma tal caravana trôpega que anda por aí. Sentir o cheiro do Alexandre Frota por perto, brincando de cirandinha com o japoronga do MBL e seus amiguinhos, estes sim, todos completamente censuráveis.

Não serão gatos pretos, abóboras iluminadas, criancinhas gritando e pedindo doces no Halloween que também virou acontecimento no país que gosta de importar hábitos. (Se bem que as coisas por aqui andam tão pretas, se é que me entendem, que estou vendo os comerciantes já pularem direto para o Natal para ver se conseguem desovar e vender bugigangas mais funcionais).

Ainda bem que poderemos apelar a Todos os Santos, dia 1º, livrai-nos do mal! É um dia concentrado, para santo nenhum ficar com inveja dos que têm mais seguidores ou likes.

No dia seguinte, 2, acender velas e pedir aos nossos mortos que a tudo devem assistir, lá de cima ou lá debaixo, que nos protejam desses assombrosos seres que dominam o país, mais do que vivos, vivaldinos. Vigaristas, mesmo, para usar expressão mais clara.

Conta a História que os índios astecas acreditavam que as portas do céu se abriam na noite de 31 de outubro para que os mortos se reunissem com as suas famílias durante dois dias. Daí a tradição de em alguns países fazerem festas, comidas especiais, usar roupas coloridas. Por aqui, não, a Igreja sempre recomendou constrição, pesar. Podemos imaginar até que ultimamente nossos mortos não farão a menor questão de voltar – se estão vendo “de lá” o país andar pra trás desse jeito. Tanta violência, falta de senso.

Quanto mais vivemos, mais nos parece perto a tal hora da partida, e maior é a lista de pessoas que de alguma forma amamos e que nos deixam apenas com as lembranças e, agora, também, muitos registros na internet que independem de anúncio necrológico.

É mesmo difícil se acostumar com isso. É difícil não temer a morte, a mais inevitável das verdades sem data marcada no calendário.

E como não tem jeito, o melhor é fazer como no México com suas caveirinhas multicoloridas. Chegam a fazer caveiras de açúcar onde escrevem os nomes os seus mortos. Todas as formas possíveis de lembrar com carinho de quem já foi e que talvez reencontremos algum dia, quando aqui na Terra, por sua vez, estarão festejando a nossa memória e o que fizemos.

 _________________________________________________________

Marli Gonçalves, jornalistaEsse ano perdeu um de seus bens mais preciosos, o pai. E lembra todos os dias tanto dele quanto da mãe que certamente está em algum céu junto com outros amigos, todos que já eram exemplos de vida com seus ensinamentos.

SP, fim de outubro, início de novembro, 2017

____________________________
marligo@uol.com.br
marli@brickmann.com.br
www.brickmann.com.br
www.chumbogordo.com.br
____________________________

ARTIGO – A espera é difícil. Por Marli Gonçalves

esperaJá percebeu? Passamos a vida a esperar. No final de ano, nessa época, fica ainda mais patente porque mostra que todo o tempo esperamos. Ainda mais e demais de tudo e de todos, de todas as coisas, dos dias que virão, e até de nós mesmos. E depositamos esperança, que nada mais é do que esperar o algo que mais desejamos. Contagens regressivas diárias que fazemos às vezes até meio distraídos; algumas esperas até impulsionam quando possível, aceleramos para tentar chegar ao seu fim o mais rápido possível, quando então se transformarão em realidade – e isso é sempre muito concretoespera-1

O compasso da espera – essa pausa que, em uma orquestra, se aguarda a vez de o instrumento entrar e participar da música entoada. O difícil é preencher esse vazio, atento, para não desafinar, entrar na hora errada, estragar tudo. A espera é prima-irmã da angústia. Mãe da ansiedade. A espera não contém certezas.

Continuo escrevendo para você sentada em uma cadeira azul, ao lado de uma cama de hospital de onde ainda não consegui arrancar meu pai. A cadeira é só um pouco mais confortável do que a anterior, já que agora ele foi transferido para outra enfermaria.

Em hospitais, por exemplo, a espera tem uma dimensão fantástica. Esperamos melhoras, a eficácia dos medicamentos, diagnósticos mais precisos, a passagem das longas horas dos compridos dias e noites, que as nossas orações alcancem os céus, a cura, que vençamos os embates e os jogos mortais. Todos aqui especialmente esperam. Talvez daí, pelo menos neste onde me encontro, tantas filas, uma das maiores e mais comuns expressões e formas de espera.

10, 9, 8,7,6,5,4,3,2,1…a contagem regressiva para o Natal. De novo, 10, 9, 8,7,6,5,4,3,2,1…e lá vai o ano acabar e chegar outro; dele se esperam soluções para nossos desencantos e a realização de nossos planos. Meia noite. Poucos lembram que, se essa mágica fosse mesmo eficaz, a passagem de um minuto a outro em alguns estados onde vigora o horário de verão a faríamos uma hora depois.

Pouco adianta dizer que na sequência continuaremos esperando tudo da vida. Esperaremos sentados ou em pé. O Sol e a chuva, o calor e o frio. As estações e as grandes datas; os feriados.

Esperaremos muito das pessoas; ou menos. Esperaremos as pessoas certas, e as ocasiões para cada uma delas. Os dois lados da moeda. Seu amor vir te ver.

Esperando uns governos melhores e um país, enfim, minimamente decente, terra da qual possamos nos orgulhar.

Continuaremos contando com a boa vontade, a solidariedade, a proteção divina, algo que teremos como certo ou provável, uma chegada ou partida. Esperando uma brecha, uma oportunidade, reconhecimento de algo que talvez seja como sempre esperamos.

Esperar é esperança. Essa virtude que almeja a vida eterna e o reino dos céus.

Os nossos atos que depositamos na mão de Deus, esperando que ele os julgue e decida o quanto precisaremos esperar para sentir Sua glória.

191899__unopt__safe_rainbow-dash_animated_sitting_clock_chair_waiting_artist-pwnypony-db

____________________

20160813_143252Marli Gonçalves, jornalista As mãos em oração, como a pequena esperança verde quase transparente que se esconde nas plantas, mexe suas antenas e parece sempre implorar misericórdia.

São Paulo, Feliz Natal a todos, e que 2017 seja ao menos um pouco do que esperamos

____________________________________________

E-MAILS:

MARLI@BRICKMANN.COM.BR
MARLIGO@UOL.COM.BR