ARTIGO – O que as mulheres querem mesmo.

                                                                                                                                              Marli Gonçalves  O que as mulheres querem mesmo é sossego, respeito e seriedade. As mulheres querem ter garantida a sua dignidade e igualdade de direitos. As mulheres querem que todas as mulheres possam usufruir das suas garantias de cidadãs. As mulheres têm voz própria e não querem governos usando seu nome nem metendo o bedelho em bobagens, com tantas coisas importantes a ser vistas e transformadas. Somos mulheres, de calcinha e sutiã, sim.

As mulheres querem mesmo é o fim da violência contra todas as mulheres. Aliás, contra todos os seres vivos. Não querem mais ouvir falar em mulheres espancadas e mortas por seus companheiros. Não querem mais saber de crianças, meninos e meninas, presas em celas, abusadas, vilipendiadas sob os olhares cúmplices de quem deveria guardá-las. As mulheres querem mesmo é poder dispor de seu próprio corpo, ter liberdade de escolha, e não serem obrigadas a submeterem-se a condições degradantes para poderem viver e criar seus filhos e filhas, fazendo-se muitas vezes de prostitutas, mas sem pagamento que não um mero prato de comida e um teto.

As mulheres têm muitas coisas para querer, para lutar, para transformar e melhorar. Mas nenhuma delas é contra calcinhas e sutiãs. Muito menos contra propagandas de tevê que vendem essas lindas peças de baixo, de que todas gostam e usam mesmo, inclusive para seduzir. Qual o problema? Vai encarar?

Pois essa semana teve gente falando em nosso santo nome com o propósito de censurar – censurar, sim, que esse é o nome da coisa – uma propaganda feita por uma marca de lingerie, no corpo de uma brasileira, um das mais belas, conhecida e consagrada mundialmente. Que vergonha que dá na gente!

Aí a gente descobre que entre os mais de 40 departamentos de governo tem uma tal SPM, Secretaria de Políticas para a Mulher, comandada por Iriny Lopes, com status de ministra e que é a cara, versão mal humorada, do cartunista Laerte quando este está travestido na melhor forma. Segundo a tal burocrata, houve meia dúzia de reclamações “de indignação” a respeito dos anúncios da marca que agora com tino comercial alerta aplaude com palminhas toda a polêmica e deve estar implorando para que o Conselho de Regulamentação Publicitária passe bastante tempo analisando o fato. Vai vender que nem água.

A argumentação? Do site oficial governamentoso: “A propaganda promove o reforço do esteriótipo (sic) equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grande (sic) avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas. Também apresenta conteúdo discriminatório contra a mulher, infringindo os arts. 1° e 5° da Constituição Federal”.

Podiam ao menos tentar falar linguagem de gente. Objeto sexual do marido? Os grande avanços? Desconstruir práticas e pensamentos sexistas? Conteúdo discriminatório?

Vamos por partes, Frankenstein!As peitudas loiras vendendo cerveja – pode? A própria Gisele Bündchen limpando o chão, de Amélia, na propaganda da Net – pode? As mulheres seminuas e prontas para tudo vendendo carros – pode? As coitadas que aparecem em propagandas de remédios e do próprio governo podem dizer que o mundo é lindo? E se essa mesma campanha fosse estrelada, por exemplo, por uma roliça? Tipo a Claudia Jimenez, fazendo uma caricata dona-de-casa?

Ora, cubram vocês suas vergonhas. Nem me venham com esquerdices-direitices de ocasião que andamos sem paciência para elas. Tenho quase certeza de que nem a presidente Dilma, que pode ser tudo, menos burra, concorda com a tal Iriny & Cia, nem quero imaginar as “malas” e pochetes que trabalham nesta tal secretaria.

Sou feminista, com muito orgulho, e sou uma das que não estão gostando nada de ver gente achando que essa bobagem – de pedir a retirada do comercial – é obra de feministas. Temos mais o que fazer. Não achincalhem a luta da mulher, que a gente ainda tem muito a conquistar, a mudar, a transformar. Desde adolescente milito pelas causas da mulher, pela informação correta, pela aplicação dos seus direitos. Sei o muito que perdi e o pouco que ganhei, mas mantive coerência, que começa pela absoluta defesa da liberdade de expressão. Sei bem o que é ofensa à mulher: vejo todos os dias, para todos os lados onde olho. Mas a turma da tal Secretaria da Dona Iriny parece que só assiste à tevê, sentadinha no sofá, e na hora da novela repetida que passa durante o horário de expediente.

Liberdade para as calcinhas e sutiãs! Liberdade para as mulheres usarem as mais bonitas, rendadas e bem sensuais, na hora de dizer umas verdades aos seus maridos, mesmo que elas sejam fatos como estourou o cartão de crédito, bateu o carro de novo e que a mãe delas vem chegando. Se assim o macho não reagir, se essa for a forma, tudo bem. Porque se ela for esperar essa gente de governo para defendê-la…

Essa gente tem muita garganta, mas pouca ação. Quando a gente precisa mesmo, sempre chegam atrasados, quando já estamos mortas ou espancadas.

País rico é país sem esse povo que acha que sabe o que é bom, e quer impor por decreto. Nós, Mulheres, somos como cavalos livres. E vamos corcovear muito antes de cair nesse laço.

São Paulo, São Paulo, calcinha preta, com lacinhos, 2011 (*) Marli Gonçalves é jornalista. Nesta semana, pelo menos, o bom senso do conselho de propaganda liberou os graciosos pôneis malditos da propaganda de carro. Acredita que tentaram tirá-los do ar porque poderiam interferir na fantasia das crianças? Censores malditos!

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trilha musical, de sacanagem:

Ministros: muitos. Mas alguns mais que outros. E por minutos.

Nota do jornalista Lauro Jardim na coluna radar, da Veja online http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/

E nem mais um segundo

A reunião ministerial de amanhã, a primeira comandada por Dilma Rousseff, deixará patente a existência de duas classes de ministros – a dos ministros de quinze minutos e  a dos ministros dos cinco minutos.

Explica-se: Dilma Rousseff deu quinze minutos para que alguns ministros exponham os problemas e desafios de suas pastas – entre eles, Guido Mantega e Antonio Palocci.

Outros, como Ideli Salvatti e Pedro Novais, terão que falar tudo isso em cinco minutos. E nem mais um segundo.

Por Lauro Jardim

Seção “Perguntas que não calam”. Onde andará Emir Sader? Ah ! e a lista de intelectuais?

ESSA PERGUNTINHA BÁSICA É DA COLUNA DO LAURO JARDIM

Onde está Emir Sader?

Emir Sader sumiu. Desde que foi cotado para o Ministério da Cultura, parou de dar declarações. Na semana passada, sequer apareceu no Teatro Municipal (RJ) para ser diplomado como segundo suplente de Lindberg Farias.

A propósito, Emir Sader até hoje não divulgou o nome dos 10 000 artistas que supostamente declararam apoio a Dilma Rousseff durante a campanha.

Por Lauro Jardim

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/

O rodapé ataca de doutor.

Lição de casa

Embora tenha defendido tese de doutorado sexta-feira, não há registro da produção acadêmica de Aloizio Mercadante na Plataforma Lattes, referência no meio universitário. O futuro ministro da Ciência e Tecnologia prometeu providenciar um currículo hoje.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po2012201001.htm