Enquanto isso…Ministério da Justiça distribui chamado para a 71ª Caravana da Anistia, amanhã, desta vez em Ibiúna, onde em 68 uma série de trapalhadas fez com que todo mundo caísse. Inclusive comprar algumas centenas de pães na padaria…

 

Será nesta ocasião o coroamento de José Dirceu?

Esse Ministro da Justiça, metidão José Eduardo Cardozo,  é o Ò, mesmo…

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Material distribuído hoje, agora,  pela assessoria de imprensa do Ministério da Justiça.

graphics-photographer-67735871ª Caravana da Anistia – Ibiúna-SP

Em praça pública, Caravana da Anistia realiza reparação coletiva de perseguidos políticos de Ibiúna-SP

A Praça da Resistência, no centro de Ibiúna-SP, vai sediar a 71ª Caravana da Anistia. No próximo dia 15, sábado, serão realizados o ato de reparação coletiva e a homenagem aos setecentos estudantes presos durante o 30º Congresso da UNE, interrompido por forças policiais da ditadura militar em 1968. A Caravana também julgará os processos de anistia de Etelvino José Bechara e Gonzalo Pastor Barreda, que estiveram entre os estudantes detidos à época.

O evento compõe a programação do 11º Congresso da União Estadual de Estudantes/SP. Ainda no dia 14, sexta-feira, haverá exibição do documentário “A Batalha da Maria Antônia”, do cineasta Renato Tapajós, e a inauguração de um monumento em homenagem às lutas estudantis.

O presidente da Comissão de Anistia e secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão, ressalta que o Movimento Estudantil foi fundamental na resistência à ditadura militar. “Os jovens que se engajaram na luta política contra o regime fizeram a opção de deixar suas vidas pessoas em segundo plano no momento em que a país precisava deles para se libertar. Essa é uma escolha difícil que nos permite contextualizar quão valorosos foram estes jovens. Muitos deles viriam a ser barbaramente torturados e mortos, apenas por defender um Brasil mais livre e justo”, afirma.

Processos de anistia que serão julgados

Etelvino José Henriques Bechara

Foi preso e levado para o Presídio Tiradentes quando participava como representante do Curso de Química da Universidade de São Paulo no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna-S. Foi indiciado por um Inquérito Policial Militar. Na manhã do dia 19 de outubro de 1970, durante o trabalho como professor de Química Orgânica do Equipe Vestibulares, Bechara foi preso,retirado à força da sala de aula e levado para o 2º Exército no Ibirapuera. Foi monitorado até o ano 1984. Atualmente é Professor Titular do Instituto de Química da USP.

Gonzalo Pastor Castro Barreda

Militava na política estudantil da Universidade de São Paulo, participando de reuniões e manifestações. Colaborava com a edição, principalmente com fotografias, do jornal AURK – publicação dos estudantes residentes do Conjunto Residencial da USP (Crusp). Em 1968, auxiliou na organização do 30º Congresso da UNE, em Ibiúna-SP, ocasião em que foi detido e transferido para o Presídio Tiradentes. Ficou preso por um mês. No dia 12 de dezembro do mesmo ano, com a invasão do Crusp pela polícia, foi preso novamente. Ao ser libertado, foi compelido a abandonar o curso de engenharia da Escola Politécnica da USP.

Memória e reparação

Desde o início de seus trabalhos, a Comissão de Anistia já julgou cerca de 180 processos de estudantes presos durante o congresso de Ibiúna. As Caravanas da Anistia tem por objetivo resgatar a memória e a verdade sobre o autoritarismo, ampliar a transparência dos trabalhos da Comissão de Anistia e disseminar o tema da luta pelas liberdades democráticas. Em Ibiúna a atividade começa às 10h.

As Caravanas da Anistia são realizadas por meio de sessões públicas itinerantes de apreciação dos pedidos de reparação por perseguição política. Todas as caravanas começam com sessões de memória e homenagens públicas às pessoas que terão seus processos apreciados logo em seguida.

O tempo não para

Há 45 anos cerca de 700 estudantes foram presos pela forças policiais nas redondezas do sítio Munduru, município de Ibiúna-SP. Ao desmantelar o 30º Congresso da União dos Estudantes (UNE) no dia 12 de outubro de 1968, os Integrantes do Departamento Estadual de Ordem e Política Social (DOPS) e da Força Pública, leia-se militares, deram início ao período mais repressivo da ditadura militar.

Logo após o Congresso de Ibiúna, quem nem fora iniciado, o presidente Arthur da Costa e Silva editava o Ato Institucional nº 5. A ditadura militar fechava o cerco da democracia no país. O AI-5 implicava não só no recrudescimento da repressão aos movimentos estudantil e sindical, como também determinava o fechamento do Congresso Nacional, a suspensão de direitos políticos dos cidadãos e dos direitos de habeas corpus para crimes políticos.

A partir daquele evento a prisão indiscriminada de militantes políticos tornou-se uma das principais medidas do governo militar contra os opositores do regime. A realização da 71ª Caravana da Anistia dentro da programação do 11º Congresso da União Estadual dos Estudantes de São Paulo, em Ibiúna no próximo final de semana, simboliza a importância histórica de resistência e defesa da democracia.

informações: Ministério da Justiça/ Assessoria de Comunicação