ARTIGO – Barata voa, zaralho. Por Marli Gonçalves

 

Animated%20Gif%20Children%20(19)Somos parte de joguinhos infantis, mas não entramos no playground porque estão cobrando muito caro e a gente está duro. Assistimos. Vemos as águas rolarem ou secarem, um querendo dar estilingada no outro, dando rasteira, pondo o pé pro outro cair, um dando o dedo mindinho pro outro naquele sinal de descruzar, rompendo amizade e virando a cara. Até ficaríamos nos divertindo com os patetas, mas somos atingidos pelas molecagens deles. A bola que toda hora chutam – e como chutam! – vai bater justamente nas nossas cabeças. Barata voa, zaralho.

Esse é o nosso cotidiano. Todo dia ela faz tudo sempre igual. Fica irritada, bate o pé. Se resolve falar, o que emite são frases entrecortadas e sem sentido, nunca um mínimo de direção. Faz uma cara que tenta ser de boa, “a calma”, “a democrática”, mas é indisfarçável aquele ódio todo fervendo por dentro. Ela odeia a gente. Diz que é vítima da sociedade cruel, incompreensiva.

children_sledA premissa que uma equipe deva ser e funcionar como uma orquestra decididamente não se aplica à política executada pela nossa presidente maestrina (aqui tem feminino específico como a senhora gosta) e seus tocadores de bumbo para louco bater, que dia após dia perdem mais um naco de suas capacidades e argumentações para defender o que nem mais eles sabem o quê. Não tem conjunto essa obra. Nem do ponto de vista social nem econômico, nem ético, nem de cidadania, muito menos de pessoalidade, afeição, consideração. Entendem? Parecem crianças de famílias diferentes jogadas no playground de uma creche para ficar juntas, obrigadas senão levam palmadas, realmente se divertindo só com joguinhos banais, sob o comando de uma bedel rabugenta. Passa-anel, telefone sem fio, batata quente, jogo da velha… Essas pestinhas ficam grudando chiclete no cabelo. Riscando parede e leis. Pondo prego na cadeira. Brincando de pique-pique e esconde-esconde.

Como poderiam se dar bem, pensar juntos, se mal se conhecem, quase nenhuma afinidade têm, a não ser alguma utopia de governo popular de uns e o adesismo descarado de outros? Como poderiam conviver bem, se todos querem beber o sangue dos pescoços, além do nosso, aqui do lado de fora? Criancinhas se borrando todas, como o próprio presidente do partido oficial declarou sobre o governo ser e estar o que há dentro de fraldas sujas.

Todo dia a gente de manhã abre a cortina e encontra ou é informado de uma novidade pior e mais cabeluda que a outra. Cineminha, com fotografias, vídeos reveladores, gravações, enredos elaborados, participação de atores mais do que especiais e suas famílias. Repare só quantas famílias estão embrulhadas nesses casos recentes. Pai e filho. Marido e Mulher. Filhas. Genros. Padrasto ou madrasta ainda não vi. Laranjas, limões e limonadas no café. Com bolachas. E leite mamado de alguma vaca disposta por grana, e nada de grama.

Esse é membro do governo

Barata-voa. Barata voa sim. Esse é o clima. Mas quem está gritando de nojo delas somos nós. Andei achando por aí um dicionário especial de gírias que define bem o sentido de barata-voa. Só que me apavorei porque ele é da linguagem militar. Para eles, barata-voa que dizer ação desordenada e desorganizada, bagunça, agitação, ou um zaralho, a palavra que parece a mais expressiva que encontrei, sonora e visualmente, que parece xingamento e não é, para o resumo do momento atual. Zaralho. Que é o mesmo que farândula. Que no fim também é Zorra Total.

Virou uma comédia. Mas nós não podemos mais rir. Muito menos de boca aberta para barata entrar. Ou cobras e lagartos saírem quando resolvermos abrir a boca para reagir de verdade.Adam-Eve-Snake-64548

São Paulo, chocando ovos de serpente, 2015coelho

Marli Gonçalves é jornalista – – Nessa semana vão falar da desgraçada gloriosa, vão brincar de bate-parede na vênus platinada, vão tentar se explicar. Também tentarão nos dissipar. Mas precisamos ser como nuvens, não de gafanhotos, mas de vagalumes, todos com lanternas acesas para iluminar a noite e um novo caminho.

******************************************************************** E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS
Amizade? Estou no Facebook.
Siga-me: @MarliGo

ARTIGO – Ô Véi, vamos falar dos véios? Por Marli Gonçalves

peo-_dancer_old_dudeÉ véi para lá. Véi pra cá. Fala aí, véio! No pobre linguajar que se instala na nossa população o vocativo “Véi” virou uma daquelas pragas – de gíria e de muleta oral e verbal – que ninguém sabe onde começou nem quando vai acabar. O problema é que a rapaziada não sabe nem que o tal Véi/ véio que eles chamam significa velho: dito com uma certa preguiça, sarcasmo e ironia característica da geração net, velho virou véi. Todo mundo é véi hoje, sem lembrar que vai mesmo ser véio um dia e precisar de alguém, de algoAntes era tia/tio. Vá lá, mas se usam para me chamar já levam pernada. Agora é Véio, isso, Véio, aquilo. Eles – os velhos, os idosos, os anciões – portanto, estão na boca do povo. Não dá para dar um passo sem ouvir o Véio em alguma boca por aí, até nas entrevistas. Mas, véio, seria legal que também estivessem nas suas cabeças, com mais gente pensando sobre isso, cuidando disso, falando sobre isso. O Brasil tem mais de 20,6 milhões e já outros muitos quebrados de idosos, 13% da população. Em 50 anos, quando creio que não estarei aqui para contar e ser mais um neste número ao qual logo logo pertencerei, serão mais de 58 milhões de idosos. Cada vez mais vivendo mais, causando, consumindo, querendo votar, podendo ser votado. (Aqui eu estou tentando valorizá-los nesse aspecto, mais junto aos políticos, para que se voltem ao assunto, já que gostam de dinheiro, poder e …de votos! para ter dinheiro e poder).old people

Os velhos são fontes de luz e conhecimento, e podem colaborar com a sociedade até o finzinho de suas vidas, desde que ajudados, mais preservados, respeitados. E pode ter certeza: é o que querem fazer; até tentam, mas ainda são desprezados. Vejo casos de arrepiar de destratos, abandono e desinteresses por mais velhos, violência contra eles (outro dia um babaca universitário de merda quase matou um de porrada porque reclamou do barulho). Não há políticas públicas, atendimento. A maioria dos analfabetos vive no Nordeste e é idosa. Grande parte sem uma moradia adequada, sem recursos básicos e infraestrutura sanitária decente. Muita gente querendo beliscar seus caraminguás.

É difícil envelhecer. Sem dinheiro, então, mais ainda. Sem apoio, quase impossível. E estou afirmando com isso que não é só para eles que não há atenção. Cada vez é mais difícil para as famílias cuidarem de seus idosos. Remédios pela hora da morte. Planos de saúde sádicos e caros, muito caros. Mais fácil escalar uma montanha no Nepal do que poder pagar por um. Sem investimentos em casas de repouso, clínica para os que sofrem de males incuráveis, cuidadores bons, raros, caros e disputados, inflacionados. Não têm calçadas seguras para caminhar, equipamentos disponíveis, políticas públicas, orientação social, proteção legal, não têm, não têm, não têm também. É preciso tudo, mas principalmente com agilidade. O tempo urge. Carimba URGENTE no assunto.

Vivemos, nós, familiares, filhos ou filhas – e estou falando de muitas pessoas da minha geração que estão passando por esse dilema, um momento particularmente difícil, o fim, já que ninguém fica para semente e não inventaram a tal poção da juventude e nem ninguém aí tem pai ou mãe vampiro, imortal. Para nós, cada dia é uma surpresa, uma aventura, um compasso, um passo à frente na madeira do trampolim. A gente assiste (e ouve) dores, reza, sopra aqui e ali, ama, protege, chega a pedir a Deus que pare as tais dores, ou até, que se possível fosse, as transfira todas para nós. Por que não se fala nisso? Por que não somos notados? Nem os véios de verdade, nem nós, os que estamos com eles. Parecemos invisíveis, e muitos de nós cuidamos de idosos que já não sabem nem mais quem somos, ou são mais frágeis que louça fina. Sempre há um que fique com a responsa, carregue mais, se sacrifique mais, tente segurar o relógio do tempo.

oldsEssa semana meu pai fez 97 anos. 97. Tem noção? 35 mil, 405 dias. 849 mil e 720 horas. Começo do século passado, uma guerra mundial, várias revoluções e rebeldias, proibições e liberações, ganhos e perdas. Não, ele não fala sobre isso, porque o que passou de dificuldades para sobreviver desde a infância, vindo de paragens até hoje esquecidas do Amazonas, pulando de cidade em cidade, não mais o interessa. Ou prefere esquecer, o que compreendo porque foi uma vida toda difícil. O pouco que sei são informações esporádicas -só gosta de lembrar que comia jacaré e tartaruga, essa inclusive fornecia o prato com o seu casco. Da família, dos muitos irmãos, nada sobrou, que eu saiba. Minha avó, índia com nome dado de pedra preciosa, Esmeralda, morreu dando à luz a mais um caboquinho, que seria um tio se o tivesse conhecido, num barquinho no meio do Rio Negro. Do avô, o português, nada sei.

Com algumas capenguices, lúcido, mas com dores em todo o corpo e o constante lamento delas que não há como contornar a não ser com analgésicos paliativos. Trabalhou até os 90 anos de idade, desde os 10 anos, mas recebe hoje – e com toda sorte de obstáculos e dificuldades impostas por INSS e bancos – um salário mínimo. O mesmo que as parideiras do Bolsa Família recebem e, em geral, só começando nove meses antes pela parte boa.

Vivo o que falo. Mantenho meu pai vivo, da melhor forma que posso, me renegando outros prazeres; assim tentei manter minha mãe até o fim. Sobre o assunto, fui olhar o que o governo está fazendo e encontrei um mundo cor de rosa, cheio de cargos com nomes quilométricos, tipo “Coordenadora do Sistema de Indicadores de Saúde e Acompanhamento de Políticas do Idoso”, fora burocratas declarando que estão fazendo algo. Tive um ataque de riso quando li um desses burrôs do aparelhamento festejando estarmos na 31ª posição no ranking dos países que oferecem melhor qualidade de vida e bem-estar a pessoas com mais de 60 anos, segundo o Global AgeWatch. E enjoei de vez quando li um outro falando no programa de atendimento domiciliar e cuidado hospitalar garantido. Em qual país? – por favor, me diga!

Deus tá vendo. Deus tá vendo. E, como logo gírias e expressões são rapidamente substituídas e essa semana, Véi!, apareceu mais uma, acho mesmo que no geral, ainda, quando pensam nos mais velhos, pensam mesmo só como aquela fala do comendador no último capítulo da novela, ao balear seu inimigo:

– “Morre fela da pota!”

São Paulo, 461 anos de idade, muitas dores e decrepitudes, 2015.miror veioMarli Gonçalves é jornalista – – Depender da caridade alheia é mortal. Da boa vontade e compreensão dos parceiros e parceiras, então, chega a ser cruel. Acreditem. Vamos falar disso agora, porque todos estaremos chegando lá, juntos. Ou “juntos, chegaremos lá!” como diz sempre um político que hoje está aí no ministério das 40 cabeças.

******************************************************************** E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS

ARTIGO – Desmanchando no ar, pisando em ovos. Por Marli Gonçalves

Chove lá fora. E aqui as coisas estão bem quentes. Se gritar, não sobra um, mermão. A sensação de que o que era doce se acabou, que ninguém a ama ninguém a quer está tomando conta do ar. Cada um quer ouvir uma música, só tem uma vitrola, e ela está arranhando o disco.

protestos!As estruturas se abalam. As certezas se desfazem. Se fosse ontem talvez ainda desse até para dizer que está tudo bem, que não é nada, que isso vai passar logo, que é só reflexo da eleição, reeleição, culpa do FHC ou da Costela de Adão, arrumar um ou dois dados sobre como diminuiu o número de miseráveis no Brasil. Mas hoje não dá mais. Não dá mais para brincar com o assunto, relevá-lo. O que já não era lá muito sólido se desmancha, e ninguém sabe como é que vai tapar esse buraco. Ninguém, temo dizer. As horas passam, avançam. Parece que há uma bomba-relógio programada, mas não aparece quem saiba desarmá-la, conheça a senha, quem saiba se corta o fio azul ou o vermelho. O tique-taque está cercado de curiosos querendo meter a mão. Perigo, perigo – diria o robozinho.

people-confusedmanA coisa toda efervescente agora vem de baciada, de montinhos, não é mais isolada, é todo dia, toda hora, uma facada, uma novidade dispensável, uma surpresa desagradável, uma revelação atordoante, uma delação premiada, combinada, preparada, apontada, fogo! – e o fato é que o inferno astral do Brasil se adianta célere. Se a gente pudesse fazer igual na novela e ficar escutando atrás das portas todos os murmurinhos que se formam, será que poderíamos fazer alguma coisa? Juntar algumas pontas desencapadas? Achar alguma tese com cabeça, corpo e membros?

Precisamos das mágicas no absurdo, como diria o Lobão. Mas até esse agora está ocupado agitando massas, pegou gosto pela coisa, só não consegue juntar todos os ingredientes. Até para fazer coxinhas é preciso descascar e amassar bastante batata.

“…Chove lá fora e pode ser a gota dágua para o pote até aqui de mágoa. De muito gorda a porca já não anda/ De muito usada a faca já não corta/ Como é difícil, pai, abrir a porta/ Essa palavra presa na garganta/Esse pileque homérico no mundo/De que adianta ter boa vontade/Mesmo calado o peito, resta a cuca”… O Chico está por aí disfarçando, talvez cantarolando em alguma rua europeia, em contato com o noticiário, já que agora todo dia somos manchete internacional. Parece que o mundo quer acompanhar bem de perto os rolos para dar bem risada na nossa cara, daquela empáfia de anos atrás, com seus cabelos de marolinha.

Como se ninguém tivesse responsabilidade pelos fatos, chegamos aqui na areia movediça, quase no fundo de um poço de onde pode sair um pré-sal, mas alguém tem de ir lá buscar; para isso precisa trabalhar, ser líder, e esse líder precisa nascer.

Sempre achei que essa história de ter dois presidentes, um oficial e outro volitando ao redor, não ia dar certo. Mas não imaginei que até aí o vidro fosse partir e tão rápido. Fogo amigo incendeia, é ainda mais inflamável quando se aproxima do aumento da gasolina, dos impostos, dos cortes, dos apertos, das greves, das promessas sociais esquecidas e metas descumpridas.

MULHER procuraHá uma imensa luta pelo poder sendo gestada de forma intestina já que não há útero que suporte tantos chutes como os que estão sendo dados aqui fora, tantos bebezões querendo mamar, encontrando apenas uma mãe ranheta, sempre irritada, brava, cheia de marra e birra, fazendo beiço, pisando duro.

Somos espectadores. Somos atores e roteiristas. As nuvens cada hora formam um desenho e a luz incide sobre algo criando novos ângulos e visões. Neste teatro, a peça é interativa, e estamos sendo chamados para subir ao palco, ou mesmo opinar de onde estivermos. Se quiser ser espontâneo, participar, falar da plateia, será bem-vindo. Levanta, não fica sentado, pede o microfone, chame as luzes dos holofotes para si. Faremos um jogral. Chama todo mundo.

Vamos tentar fazer uma apresentação inesquecível, impecável, orgulhosa e bem-humorada. No final seremos aplaudidos de pé.

São Paulo. 2015. Ninguém queria estar vendo isso.people

Marli Gonçalves é jornalista – Abram-se as cortinas. Brasil! Mostra tua cara. Quero ver quem paga. Pra gente ficar assim. Brasil! Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim.

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS

Tenho um blog, Marli Gonçalves https://marligo.wordpress.com. Estou no Facebook. E no Twitter @Marligo

ARTIGO – Quer tomar banho comigo? Por Marli Gonçalves

swimteamOlha só a atrevida! Pensou na água? Xuá Xuá. Já estou lá na frente, nas águas de março que espero que não nos afoguem, quando um monte de gente vai querer falar ao mesmo tempo nas ruas, as mulheres serão lambidas e homenageadas, e as contas reajustadas já terão passado pelo desvão de sua porta.sport-graphics-water-skiing-619865

Vamos aproveitar a Quaresma e nos purificar. Não pense mal de meu convite. Não sei se vai ter água na sua torneira ou chuveiro, mas resolvi molhar sua cabeça. É bom, refrescante. Tudo com muita economia porque fiz grandes descobertas para encher essa nossa banheira aqui de água boa. Descobri que tem muita água nesse mundo, até pedra, a água marinha, bela. Não por menos o talismã dos marinheiros e dos amantes, protegendo os primeiros, que recebiam as pedras dada por Netuno diretamente das mãos de ninfas que a eles chegavam, pelas águas, cavalgando cavalos marinhos, e servindo para reacender amor e fazer com que a gente se livre de tanta maldade existente nesse mundo. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Mas vamos mudar da água para o vinho, que águas passadas não movem moinhos.

Só percebemos o valor da água depois que a fonte seca, talvez por isso sempre disseram que não fôssemos com tanta sede ao pote. Seja qual for, podemos – sem querer- nos estabanar e deitar água na fervura, esfriar entusiasmos. Estamos fervendo com pouca água igual aos carros que lembro parados na subida da serra de Santos e que eu, pequena, achava que quando acabavam as curvas o resto da viagem até em casa já era bem garantido.

sport-graphics-water-skiing-342157Mas não pense que não há crocodilos só porque a agua está calma, diriam alguns sábios. No bicho, água é jacaré: grupo 15, dezena 60, centena 460, milhar 1460 que, se você joga, deve entender o que é isso. Para mim, lhufas, nunca joguei. Tem pra loteria também: Megasena: 08 – 15 – 16 – 31 – 37 – 39/ Lotofacil: 02 – 03 – 07 – 08 – 09 – 10 – 11 – 14 – 16 – 19 – 21 – 22 – 23 – 24 – 25/Timemania: 09 – 13 – 36 – 38 – 40 – 46 – 49 – 57 – 68 – 73/ Quina: 02 – 12 – 25 – 37 – 71. Melhor se prevenir e pensando na água de beber, camará, trouxe esses números que achei para você jogar quando sonhar com ela, coisa que já estamos fazendo. Ou melhor, tendo pesadelos com a água turva que os paus dágua deixaram para a gente, o abacaxi.

Se você ganhar, vamos meiar, hein? Toma água com açúcar. Nosso banho pode ser de águas termais, depois do banho de água com sal grosso. Depois a gente passa água de colônia, agua de cheiro, água de rosas, água de laranjeira. Podemos sonhar mais com água, com o banho na água do riacho, na cachoeira, no lago, na água do mar.

Cuidado só com a água viva e vivaldina. Você estava deixando eu delirar com o tal sonho de água, sombra e água fresca. Mas joga soro, água destilada, fria na minha cara! “Pau, pedra, fim do caminho/Resto de toco, pouco sozinho/Pau, pedra, fim do caminho/ Resto de toco, pouco sozinho/Pedra, caminho/Pouco sozinho/ Pedra, caminho/Pouco sozinho/Pedra, caminho/ É o toco…

Não se distraia. Água e vinho, não mistura. Água e óleo, não mistura. Água e esgotos se misturam, tem até departamento. Lava bem com a água sanitária, águas pluviais, fluviais, água de lavadeira, água de poço, quase água de lastro, a que leva e traz estranhos para os países, navegando águas territoriais, continentais. Pensa em como lavar a água para usar de novo. Potável. Informa aquela moça, que sabe o que é agua oxigenada, ah, isso deve saber. Cuidado que os imperialistas vão te botar água negra goela abaixo. É capaz de gostar, sabe como é. Passou o nome na água de calcinhas, na água de passar o café, na que tirou do joelho. Respire direito, para ela não ir aos pulmões, entrar no seu ouvido e em sua boca também.giphy

Põe mais água no feijão, para a gente comer com água de coco, ou fazer descer as bolinhas com água com gás; a água traz e leva, Iemanjá sempre disse, mas não sei se ela fala ou canta – apenas a sinto. Talvez passemos temporadas de água batendo nos joelhos, e começaremos a achar gostosa até a água da salsicha, a água do bacalhau. Depois correremos para nos borrifar com a água de toilette.

Para começar, o que precisamos que se faça o mais rápido possível, antes que vire gelo parado (ou vapor), é só um pouco de água de torneira para aliviar esse corado rubro de vergonha, ou beber um pouco da água de uma tal Melissa, que acalma estômagos e intestinos.

Para não chorar lágrimas cristalinas depois que a água tiver derramado. Nem se queimar com a água benta.

São Paulo, apavorada se ficar seca, e que queremos bem úmida, 2015

#Aninmated-corgi-Dont-drink-meMarli Gonçalves é jornalistaÁguas de Março é uma das mais belas e consideradas canções em todo o mundo. Mundo este que tem 70 % de sua superfície coberta por água. Nós mesmos temos 60 % de água no nosso organismo. Mulheres, pouco menos, até porque temos mais gordurinhas. Estamos rezando para as águas de São Pedro.

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS

ARTIGO – Para cantar quando o carnaval passar. Por Marli Gonçalves

casalzinho no sofá com musicaAgora a gente não se guarda mais para quando o carnaval chegar. Guarda e estoca coisas para quando o carnaval passar. Como as coisas mudam, não? Antes, falávamos em encher os canecos, e estávamos nos referindo ao chopp e à cerveja. As marchinhas hoje ganharam novos sentidos e vamos precisar por algum bloco na rua para que sejam ouvidas. Esse texto espera que você lembre as melodias para a gente passar na avenida

Mas não é só isso. Pensa só. Antes pensávamos em máscaras de carnaval, e elas eram lindas, luxuosas – “A mesma máscara negra/Que esconde o teu rosto/Eu quero matar a saudade/ Vou beijar-te agora/Não me leve a mal/Hoje é carnaval” …Agora a gente está vendo são máscaras com a fuça desses uns e outros feios desajeitados que escorregam no ouro negro, saqueado até antes de chegar a jorrar; ou tem de ver os meninos que já andam mascarados para fazer as arruaças que os divertem e deixam rastros de destruição. Podíamos até compor uma marchinha para os blackbobocas, os estraga-passeatas. “A estrela d’alva no céu desponta/ E a lua anda tonta com tamanho estupor”… ou “Seus panacas, seus panaquinhas, a polícia te pega, olha que a polícia te pega. Vem cá, seu bobo” …

hmem sambaNão quero deixar ninguém deprimido que sei que carnaval aqui no Brasil pra muita gente é igual à religião, só não sei se ainda dá pra cantar livremente “Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô, Mas que calor ô ô ô ô ô ô/Atravessamos o deserto do Saara/O sol estava quente/ Queimou a nossa cara/ Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô/Mas que calor ô ô ô ô ô ô” . Melhor perguntar antes, sem brincar com a burca de alguém.

Para não dizerem mesmo que quero estragar a festa, aderi e andei recolhendo uns trechinhos super legais e que você vai lembrar na hora. Tá, tá bom, fiz algumas modificaçõezinhas numas, mas certamente os autores me perdoariam, afinal, tudo é Carnaval. Nem vem também com a bobagem de dizer que São Paulo é o túmulo do samba. Aqui a gente não atravessa o samba. Atravessa ciclovias. Não pulamos carnaval. Pulamos buracos de rua e nosso cordão, se der bobeira, o pivete arranca.

“Ela critica o meu trabalho e até debocha, Eu sou pintor e ganho a vida com a brocha, Vivo pintando, o que não é nada demais. É à custa desta brocha, que ele faz o seu cartaz…” cantarola o prefeito (A Marcha do Pintor). “E o cordão dos puxa-sacos / Cada vez aumenta mais (bis)/Vossa Excelência / Vossa Eminência/ Quanta referência nos cordões eleitorais! / Mas se o “Doutor” cai do galho e vai pro chão/A turma logo evolui de opinião/E o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais…”

SAMBA!
SAMBA!

Tá bom, o Brasil é maior que isso. “Ei, você aí/Me dá um dinheiro aí/ Me dá um dinheiro aí! /Não vai dar? /Não vai dar não? Você vai ver a grande confusão”… E para o governo novo e acontecimentos que nos cercam, “Eu sou o pirata da perna de pau/Do olho de vidro, da cara de mau/ Eu sou o pirata da perna de pau/ Do olho de vidro, da cara de mau”…

Lembrou da Petrobras? Tenho sugestões de cantilenas. “Acorda, Maria Bonita/ Levanta, vai fazer o café/ Que o dia já vem raiando/E a polícia já está de pé” … Ou: “Ai, a bruxa vem aí/ E não vem sozinha/Vem na base do saci. Pula, pula, pula/Numa perna só/Vem largando brasa/No cachimbo da vovó”.

“Bandeira vermelha, amor/ Não posso mais pagar a luz” …

Acaso já recebeu sua conta de luz nova, agora com sinalização? Pois bem, a bandeira vermelha começa a sacolejar e a gente que fica que nem maluco pulando de um lado a outro apagando tudo, sassaricando. “Sas-sas-saricando/Todo mundo leva a vida no arame/ Sassassaricando pego o arame para fazer um gato…” “Eu mato, eu mato, Quem roubou minha cueca pra fazer pano de prato” …
Cai, cai, cai, cai/Eu não vou te levantar/ Cai, cai, cai, cai/ Quem mandou escorregar? Acende a vela Iaiá, Acende a vela, que a Light cortou a luz/No escuro eu não vejo aquela carinha que me seduz”.

Nada mais atual, ainda, do que essa aqui, que a gente nem precisa aperfeiçoar: “Tomara que chova/Três dias sem parar/Tomara que chova/ Três dias sem parar. A minha grande mágoa/ É lá em casa/ Não ter água/Eu preciso me lavar/De promessa eu ando cheio” .

vianoce060“Quando eu conto a minha vida/Ninguém quer acreditar/Trabalho não me cansa/O que cansa é pensar/ Que lá em casa não tem água/Nem pra cozinhar” . Jakson do Pandeiro continua: “Tá chuchu beleza, tá chuchu beleza/Como tem mulher neste arrasta-pé, Tá chuchu beleza!” “Lata d’água na cabeça/ Lá vai Maria, lá vai Maria/Sobe o morro e não se cansa/Pela mão leva a criança/ Lá vai Maria” …

Mas eu queria cantar mais uma com você: “Chegou a turma do jatão/ Todo mundo rouba, mas ninguém dorme no ponto/ Ai, ai ninguém dorme no ponto/ Nós é que nos ferramos e eles que ganham muito”

“Eu tô só vendo, sabendo, Sentindo, escutando e não posso falar…Tô me guardando pra quando o carnaval passar…”

São Paulo, fevereiro, 2015, inacreditável!animation-art-born-this-way-born-this-way-lady-gaga-gaga-Favim.com-298127_large

  • animation-art-born-this-way-born-this-way-lady-gaga-gaga-Favim.com-298127_largeMarli Gonçalves é jornalista — Andando pelo mundo das marchinhas, achei esta, e adaptei para meu nome – virou Marlicota e fico bem mais bonitinha. “É a Marlicota com a direita/é a Marlicota com a canhota/é a Maricota com a direita/é a Marlicota com a canhota. Embodocou a minha vara, Marlicota/Veja que tamanho que tá/ Embodocou a minha vara, Marlicota/Veja que tamanho que tá”.

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS

ARTIGO – Telefone de Deus vai dar ocupado. Por Marli Gonçalves

r6Deus me livre de imaginar que o povo está todo apelando para Deus porque está é jogando a toalha de tal forma que vai parecer muito aquele filme do piloto que sumiu, por isso que é preciso apertar o cinto e tal, pensa só. Apertar o cinto já estão mandando. Não olha agora, mas repara: o piloto sumiu. Agora, mandar e creditar ao Senhor a correção de tantos rumos desajustados? Sei não se vai dar certoDoveAnimated2

Respeitosamente, se Ele nos escuta deve estar mesmo é muito aborrecido, esgotado, perturbado. A linha não para de tocar e já pensa seriamente em instalar um call-center, um 0-800; contratar um dublê, talvez. Parece que já foi visto coçando a cabeça, andando para lá e para cá, meditando sobre como poderia atender alguns dos pedidos urgentes que vem recebendo, de fazer brotar água! De “dar” a luz! Que a companhia conserte os postes o mais rápido, que a árvore não caia na cabeça de ninguém. Que as pessoas parem de se matar em nome d’Ele. Ele achava que tudo isso que criou lá naquela semana, nos Sete Dias, já incluía a água, seu bom uso, toda a natureza, até a descoberta da eletricidade e assim por diante o progresso iria sendo feito. Na sua cabeça, os serviços públicos seriam religiosamente efetivados. A humanidade saberia que ele é uno em todos os seus nomes.rezar-orar-animated_daniel_praying_hg_clr

Bombardeio, sô. “Me deixem aqui em paz um pouco, entre minhas nuvens. Vocês estão me pedindo coisas impossíveis”. Deus esqueceu de combinar com os homens que habitariam sua criação, cada qual mais diferente do outro, que não era para detonar tudo. Mas só Deus sabe o que aconteceu. E o que virá.

Agora mesmo, o clamor vindo de um certo país da América do Sul, o de língua portuguesa, começa a se intensificar. Teve ministro que o chamou até pela tevê, na esperança de que, quem sabe, sua tevê lá no infinito estivesse ligada naquele canal do plim-plim, que ainda é a de maior audiência, entre outro montinho de canais que aluga horas e horas para se fazerem milagres em templos. “Nem um mês como ministro e está usando Meu santo nome”. Deus meneou a cabeça e deve ter dado uma xingada, porque o que caiu de raios esses dias…Ouviu-se dizer por aí que também Ele pedirá mudança de cidadania. Não quer mais ser brasileiro. Não vê mais vantagens, já que não sabemos nem mais dar um jeitinho e a afabilidade costumeira foi pro dedéu. “Até as mulheres que tinham uma beleza tão natural agora parecem todas iguais, balões de silicone para festas, infladas”. Resmunga Deus. Resmunga.

316_guess_whoSó Deus sabe o que Ele próprio passa, e esse ano vem sendo movimentado. Por Ele andam matando muito e todo esse sangue vertido já se incrusta na Terra, desce pelas suas veias, desperta ainda mais monstros. Fanáticos provocam a ira dos deuses, de todos os deuses, esquecem suas principais feições, o que é que lhe dá a superioridade e o que nos faz lembrar de Deus e olhar para o céu para por Ele apelar: a Onipotência, poder sobre todas as coisas, Onipresença, estar em todos os lugares, a Onisciência, o poder de tudo saber, e a Onibenevolência, a bondade sem fim. Mas não se pode deixar as coisas ao Deus dará.

Podemos então pedir a Deus para o mundo acabar em melado? Creio que não. Porque Deus ajuda a quem cedo madruga. Deus sabe o que faz. Deus quis assim.gifplaatjes.php

Não é saindo por aí cada um por si e Deus por todos, chamando Seu santo nome em vão, que as coisas vão se resolver. Se a voz do povo é a voz de Deus, é preciso ouvir o povo. O povo precisa fazer coro, uníssono. E o povo não está feliz, nem aqui, nem na China; nem lá, nem acolá, onde um diabo andou perdendo as botas e está armado até os dentes.

Enfim, sabe Deus quando agir. Deus dá o frio conforme o cobertor. O ventilador, de acordo com o calor. Mas a água e a energia e essas coisas todas, creio que Deus vai disfarçar e fazer igual quando a gente espirra. Deus te crie!

O homem propõe e Deus dispõe. Tenha fé em Deus. Deus tarda, mas não falha. O que pode falhar é a operadora, justamente na hora que a gente for ligar para Ele choramingando.7llh

Vamos dar adeus. Falar alô, nos explicar. Deus sabe o que faz. Escreve certo por linhas tortas.

São Paulo, 2015, Deus tá vendo.

mz_4279458_bodyshot_300x400-35.gif~c200Marli Gonçalves é jornalista Que Deus te acompanhe e guarde. Deus permita! Quanto às dívidas, que Deus lhe pague. Por Deus do Céu!

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS

ARTIGO – Petelecos em mãos que falam. Por Marli Gonçalves

hands8Não me venham dizer que estou com algum tipo de fixação em coisas que se pode fazer com as mãos, já que na semana passada falei em beliscões. Mas lembrem-se de que, como jornalista, passo bom tempo olhando as minhas, escrevendo e usando as mãos para batucar as pretinhas, as teclas, e talvez por isso elas bem mereçam ser fonte de inspiração. Com bom humor, o sinal de positivo, falar que algo é legal. O V da vitória de um festejo. Responder desaforos ou mandar alguém para alguns lugares, dependendo do dedo, e … dar petelecos! hands8

Funciona e não machuca. Assim, mãos à obra! Vamos sair por aí dando petelecos, nem que sejam imaginários. O que tem de coisa ruim e merecedora de ganhar um deles dá uma lista gigantesca e não sei se conseguirei ser completa aqui. Você prepara os dedinhos e pum! Isso na real. No imaginário, como tudo vale, se você quiser pode trocar, dependendo do que/quem for o que quiser mandar para longe: pode virar chute, tabefe, empurrão e safanão, sacudidela, tranco. Tudo vai depender de sua índole.

Eu, repito, gosto do peteleco. Hão de concordar que, primeiro, é uma palavra deliciosa, sonora, gordinha; segundo, um ato de mandar para longe, de dar um piparote muito interessante. Coisa de criança que já jogou botão. Dá até para ser elegante, delicado, mirando, como quem joga golfe mira os tais buracos. Só não pode deixar cair a peteca.

Não, não sei se peteleco vem de peteca, mas é que as duas são palavras que trazem em si duas consoantes que ultimamente andam nos dando muita dor de cabeça, e não é o “L” nem o “C”. Conheço muita gente que anda louca para dar um peteleco no PT, o partido. Parece que vem aumentando esse número, saindo às ruas, o que me leva a sugerir talvez a criação de um Movimento Peteleco e, no alvo, a obrigação de mandar para longe uma série de desmandos e erros, gente querendo andar para trás. Seria suprapartidário. Melhor ser Movimento, que Grupo Peteleco ficaria parecendo pagode.

Ponto! Já viria até com logotipo, a famosa mãozinha armada.

Pensem. O peteleco é inofensivo. Também serve para despertar alguém – quem sabe quantos estarão apenas anestesiados só precisando de um para acordar e agir?Animated_World in hands

Claro, há variações, mas aí são coisas que a gente faz por diversão, com quem a gente gosta. Dar um coquinho, aquele murrinho com a mão fechada, que parece querer despertar a cachola de quem leva; o puxão de orelhas, dado nos meninos traquinas e nos aniversariantes, quantos anos estiver completando. E tem mais uma: a consagrada! A ardida! A sardinha. A “sardinha” era aquela mania de, com o dedo indicador e o maior, dar um “tapa arrastado” na bunda do colega ou amigo, como se fosse tirar uma lasca, largando os dedos. Tem que ser na bunda, e meio para dar uma machucadinha, no mínimo arrancar um ai. Faz tempo que não solto os dedos e dou sardinha em alguém. Bem, faz tempo que minha lista de amigos íntimos (tem de ser, porque a operação oferece riscos!) também não aumenta. Na sardinha outra dica de segurança: não ache com tanta certeza e tanto ímpeto que sabe de quem é aquela bunda que vê e atrai a sua sardinha. Verifique se é mesmo da pessoa que conhece, espere que ela se vire. Senão a coisa pode acabar mal.

Mas, voltando ao reles peteleco, também lembrei deles nessa semana em que recebi a visita de pernilongos sem teto querendo ocupar minha cama, e é uma satisfação acertar um deles em pleno voo. Eu disse pernilongos.

Poderemos então petelecar os chikungunyas, os aedes, e juntos, petelecando, mandar para longe, bem longe, as más notícias, a seca, os desmandos, os medos, essa crise que quer, ela sim, pegar, mas nossos calcanhares.

handsSinceramente? Também pensei no peteleco quando estava querendo afastar uma tristeza que me agonia, uma sensação de falhar sempre no emocional e nas relações e que, ainda por cima, soma fatos, feitos e não feitos este ano que já estamos dando petelecos para que vá embora o mais rápido possível.

São Paulo, 2014

hands13Marli Gonçalves é jornalista – Ando pensando em estilingue também. E se acaso pudéssemos dar petelecos nas nuvens – será que choveria mais?

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS

ARTIGO – Me belisca. Por Marli Gonçalves

DontCryNão estou nem acreditando. Isso deve ser alguma pegadinha. Só pode ser. É verdade? Os fatos dessa fábula pipocam em nossas energúmenas cabeças e bolsos. Dona Sorrelfa já se faz desnecessária e teve de procurar outro emprego, lá com o Malvado Oposicionista. “Eu ganhei e agora vocês têm de dançar conforme meu samba”, é como se a ouvíssemos falar, ela, a Madame Coração Valente, antes de logo sair mandando, andando duro. Foram poucas as horas de paz depois que os votos foram contados. Subiu isso, aquilo, solta um, solta dois, solta três, eles todos fora do xadrez.PinchBum

Dona Sorrelfa ficou pasma quando soube que Madame Coração Valente não precisava mais dos seus serviços porque dali em diante, de novo, pouco importaria o que esse povo gosta ou deixa de gostar. Pouco importa se disse que não faria e agora faz. Não precisaria mais dela, Sorrelfa, para esconder os fatos, ia descarregá-los, puxar a corda. O calendário de certas pessoas ou personagens só funciona de quatro em quatro anos. E agora Madame Coração Valente estava abrindo a bolsa, a de maldades, de ordens e vinganças, de preparo dos ajustes – tipo vou apertar o seu cinto, amarrar forte o espartilho e você que vá reclamar. Para quem? Para quem?

Dona Sorrelfa saiu correndo atrás do Malvado Oposicionista assim que ele voltou de férias e, toda feliz, logo arrumou trabalho na CPI; aliás, no mesmo dia. Dona Sorrelfa é mesmo muito requisitada na política. Foi quem apareceu e costurou e bordou o tal acordo lá da CPI, CPMI. Tira o meu que eu tiro o seu, mandem outras buchas para os canhões. Alô, alô, marciano… Dona Sorrelfa é tão eficiente que o Malvado Oposicionista só soube de tudo do que foi feito depois que desceu do palco onde um anunciado discurso ficou mais para fala de palanquinho do que para virar registro histórico. Ó, como andam sumidas Dona Oratória, Dona Caça-estadistas! Não era para ser algo forte, que denunciasse tantas mentiras ditas pela Madame Coração Valente e seus súditos? Faltaram dizer que o Malvado Oposicionista não só acabaria com o Bolsa Família, como faria todo os beneficiados plantarem batata e criarem frangos para instituir a coxinha no lugar da feijoada às quartas e sábados. Sim, frango. Porque ovo, o ovalzinho, a turminha do Coração feito com a mãozinha chegou a indicar como substituto da carne. Mas cadê o gogó? É, nem tudo é genético, meu netinho.

twistheartOs juros subiram. Combustíveis mais caros, inflação faz ouvir seus cascos batendo cada vez mais perto, poucos negócios, Amazônia ainda mais desmatada, energia em risco junto com a água, já que estiagem não é coisa que dá só em campo de chuchus. Números que somem: Madame Coração Valente gosta de fazer malabarismos com eles. Quando aparecem, com o Senhor Realidade Brasileira, mostram um Brasil em branco e preto…

Enquanto isso, o Senhor Finamente Poderosos Presos teve um grande baque. Coitado. A gaiola se abriu e cada dia um canarinho saiu pela porta da frente. Agora até este senhor está pensando seriamente em ir passar umas férias com o Joaquim Barbosa lá em Miami. Isso dá matéria na coluna social? Parece que sim.

Houve reação. Um monte de gente gritando em letras maiúsculas na internet, até marcando uns encontros, uns rendez-vous. No primeiro, na passeata que era até para ser boa embora com uns pedidos esdrúxulos, houve uma infecção transmitida por bolsonarinhos armados e uns pingados segurando plaquinha querendo militares. Quero crer que perderam o endereço do hospício e estavam em passeata errada. Problemas de GPS.detour

Os canarinhos se soltaram. Assim como o Grande Passaralho, um monstro alado que se alimenta de jornalistas e assola as redações atingindo jornalistas de grande reputação. Pior: jornalistas importantes que foram demitidos. E não é que outro grupo de jornalistas completamente desimportantes tiveram e têm a ousadia de aplaudir? Está ou não está perdido esse mundo? No meio de tudo isso mais um jornal diário vai para o espaço, implodido da forma mais estranha que poderia acontecer até numa fábula de terror. Todos falam em contenção, e juram que é um remédio. Injeção na testa me parece bem melhor do que isso, mais gostoso. (Virá daí tanto botox?)

Se eu bebesse, ou sei lá usasse psicotrópicos fortes, ou se tivesse estado em outro planeta nas últimas semanas, o que também não foi o caso porque não desgrudo daqui, voltasse e alguém me contasse alguns desses e outros fatos, iria achar que a pessoa estaria tirando uma da minha cara. Passamos uma campanha política duríssima que acabou de arrasar as contas do país, que culminou com aqueles mesmos dois lados de sempre, e um, o que saiu vitorioso no raspão, jurava de pés juntos e dedinhos apontando que o Malvado Oposicionista iria fazer isso, aquilo, e mais. Mas quem acabou executando o hino foi a própria, a tal Coração Valente (e fala confusa).

Não existe mais brio ou vergonha na política nacional; não existe situação, oposição. Quase não acreditei na série de derrotas, na falta de capacidade de informar, juntar as peças. O Governo dos 40 ministérios e varais, do ministro demitido que escorrega, do ex que se mete em tudo, como sombra que ameaça, que não sabe de nada, que esqueceu de tudo, que sumiu com a Rose que sabia. O Governo do PAC empacado, das relações internacionais esquisitas, vai continuar. Ainda ousam dizer que Deus é brasileiro?

Vou recorrer a meu velho e sábio pai do alto de seu quase um século de vida, resmungando e sentenciando diariamente depois de assistir ao noticiário: bando de salafrários, papagaios, caras de pau que prometem prometem… Fora mais algumas expressões que não fica nem bem para uma moça fina como eu repetir. E esse texto pode cair na mão de algum menor de idade.

São Paulo, e o Natal tentando penetrar, 2014 WormMarli Gonçalves é jornalista – Imagina só o que Dona Sorrelfa não deve ainda estar aprontando nesse momento. Ela é danada de silenciosa. E esta foi uma fábula do país onde tudo está custando justamente isso, uma fábula.

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS

ARTIGO – Quer entrar na minha balsa? Por Marli Gonçalves

Noah__s_Ark___Animated_by_Mirz123Não quero fugir daqui não. Não. Tivesse eu, sei lá, alguns bons anos a menos, uma situação equilibrada, resolvida economicamente, menos problemas sociais, familiares e gente dependendo de mim, saúde melhor e disposição, além de uma boa dose de calma para enfrentar ignorâncias, enfim, se tivesse tudo isso, o que faria era cair na vida e liderar um movimento amplo, geral e irrestrito pelo paísNoahs-Ark

Sinto muito. Dei a ideia, mas não vou. Vou não. Vão precisar achar outro, e não sei se tem headhunter para isso; só sei que é urgente a necessidade de restabelecer alguma luz, formar lideranças e quadros, arejar as ideias e ideais. Não é nem por falta de querer. Mas prometo, daqui, continuar participando, batucando nas pretinhas. Tentando abrir olhos fechados, apontar injustiças.

Tá, mas se quiserem escrever algum manifesto, posso ajudar, claro. Sempre adorei escrever manifestos. Creio que tenho, vai ver, alma de revolucionária, ou talvez tenha sido uma em vida passada e tenha resquícios. Esse pensamento “Pasionaria” anda aflorando mas já afastei a chineladas. Se não estou aguentando nem comigo, como é que vou poder ajudar alguma coisa?storyboard-manage

Óbvio que tenho mil ideias de como poderia ser. E seria bonito, porque juntaria as torcidas no que elas têm de melhor, colaria esses mil pedaços que viramos, aproveitaria as boas ideias e intenções que vejo deslocadas em extremos bobos, em dialética atrasada. Não deixaria que o fígado se impusesse sobre o cérebro. Formaríamos um time só, como uma Seleção, capaz de por no mesmo campo tanto flamenguistas, quanto fluminenses, corintianos, palmeirenses, gremistas e atleticanos, todos jogando em seus campos de atuação. O Clube por um Brasil verdadeiramente melhor. Conheço muita gente que ia querer carteirinha.

Nosso movimento seria suprapartidário, alegre, propositivo. Simbolicamente teríamos muitos visuais. Também não escamotearíamos questões mais quentes, mais próximas de nós, umas que nos dizem respeito mais perto da pele, o que incluiria sexualidade, comportamento, drogas, terapias, cultura, educação e a já famosa sustentabilidade. Importante: inventaríamos logo novas formas de consulta, para evitar reuniões maçantes, ou mesmo muros, onde não é legal ficar se equilibrando.

communication-break-group-oIdealismo é bom e eu gosto. Sou tão a favor da diversidade real e absoluta, com ideias variadas, sem culpa e moralidades, que me tornei um ser diferente, esquisito, meio ET/OVNI, como sei que muita gente não fala – mas acha. Normalmente inofensiva, não ofereço perigo. Pelo menos não normalmente; e é melhor não atiçar.

Só que o sangue ferve nesses últimos dias, pasma de ver sábios virando ignorantes por causas políticas; e ignorantes virando sábios pelo mesmo motivo. Gente que não saiu dos cueiros falando em impeachment e velhos que deviam ter vergonha na cara defendendo essa tragédia tenebrosa que o grupo político do poder montou, e continuará montado em cima, galopando, como se estivessem acima de tudo e de todos, tentando eliminar quem não lhes quer bem a todo o custo.

Navegando nos meus sonhos, esse movimento que idealizo seria como uma balsa, uma arca como a de Noé, que recolheria do mar alguns dos seres de boa vontade que ainda vemos perdidos por aí tentando se salvar, mantendo a respiração com a cabeça do lado de fora, batendo o pé, agitados, para não afundar, não irem contra os seus princípios. Certos tipos ficariam de fora imediatamente. Os sem personalidade que usam a expressão coxinha. Os que ainda acham que essa coisa de direita e esquerda é legal e possa ser determinante, que propõem que a liberdade, seja de expressão ou qualquer outra, deva ter limites(!) Também de fora ficariam os preguiçosos mentais, maria-vai-com-as-outras, os ativistas arrivistas e bem pagos para atacar, inclusive seus próprios amigos. Se fosse eu a comandar essa expedição adoraria também chamar “pra dentro” um povo aí, também meio louquinho, excêntrico, exótico e colorido, para cerrar nossas fileiras. Nossa, como seria divertida nossa arca, nosso barco, nossa balsa!

GRUPOA coisa está chata. As incertezas empesteiam o ar, embaçando as mais delicadas bolas de cristal. Decisões confusas e mal ajambradas que ficam intocáveis porque são “moderninhas”, ou eles viram “lá fora”. Pouco importa se estão sendo feitas igual ao focinho. Nem sempre admito essa tese que diz que existir, mesmo que errado, mas começar, é melhor do que nada.

Não acho. Começo errado já é problema. Às vezes pode interromper o próprio Futuro, conformado, apequenado. Já vi esse filme, sei até as falas das cenas, tanto as dos vilões quanto as dos bonzinhos. Sonho em ainda ser a protagonista.

São Paulo, boa terra para esse time se jogar, 2014
vianoce060

Marli Gonçalves é jornalista – Um dia me perguntaram se eu não queria me candidatar, por exemplo, para vereadora. Não dá. Não consigo achar certo ficar prometendo antes, não fazendo depois. De qualquer forma, se eu topasse e ganhasse, minhas leis seriam legais. Acredite.

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS

ARTIGO – E se…?Por Marli Gonçalves

question-mark23Todo mundo se pergunta um monte de coisas, disso tenho certeza, mesmo que sejam inconfessas algumas dessas dúvidas, medos, anseios e angústias. Algumas dúvidas existenciais; outras, cotidianas. Outras, aterrorizantes; muitas, apenas pueris. Outras, engraçadas ou apenas curiosas, de curiosidade. Elas até podem ser divididas por temas. Ou não. Elas vão chegando, vão saindo, uma puxa a outra. Pior é que nenhuma tem uma resposta precisa. Tudo começou quando…question-mark-boy

Eu me perguntei: – E se a água acabar?

E se o ebola ficar descontrolado? E se aparecer outra epidemia, pior, mutante? E se a febre chikunguya não for controlada e se mostrar ainda pior do que a dengue já é? E se o plano não cobrir?

Aí o alarme disparou, de vez. Vocês podem chamar do que quiserem, nóia, envelhescência, insegurança, bad trip. Só que a cascatinha de perguntas é bem razoável. Pior, real. “Mais pior” ainda: possível. E você, nunca se perguntou nada?

QuestionMarkE se você amasse sem esperar nada? E se cada vez que alguém começa com a frase “falando a verdade” estivesse pronto a mentir? E se as pessoas acharem que não vale a pena? E se a língua portuguesa continuar a ser assassinada?

E se a gente perder? E se as pesquisas estiverem totalmente erradas? E se a pesquisa não for verdade? E se a gente descobrir que não há verdade absoluta, nem mal que nunca se acabe?

question-mark-fishing-16439E se as drogas forem legalizadas? E se esses radicais se multiplicarem? E se o PCC conseguir abrir filiais e tomar conta de tudo? E se eles derem um Salve Geral? E se a geração nem-nem ganhar poder?

E se nos dividirmos ainda mais? E se as redes sociais enjoarem? E se os jornais forem superados? E se as emissoras forem todas alugadas para as igrejas? E se a gente for obrigado a rezar?

E se acabar a nossa paciência? E se houver revolta? E se o dólar subir mais ainda? E se eles resolverem se vingar? E se proibirem tudo? E se os Felicianos e Levis da vida derem cria sem usar o aparelho excretor? E se eles continuarem mentindo? E se os de sempre não pararem de nos roubar? E se a Justiça continuar cega e meio surda? E se a censura piorar? E se resolverem proibir? E se ficar mais caro?

E se a gente for obrigado a andar de bicicleta? E se a gente precisar usar máscaras? E se o ar secar igual à água? E se a chuva for tóxica? E se o mar resolver crescer e inundar?

question-mark94E se acabarem todas as abelhas? E se as borboletas resolverem sumir também? E se derrubarem as florestas? E se lotearem o Pantanal?

E se continuarem chamando negros de macacos pelo mundo afora? E se continuarem fazendo das mulheres cidadãs de segunda classe? E se nossas crianças continuarem sofrendo o diabo na mão de malditos? E se for pior do que se imaginou?

E se a situação da China esquentar? E se as religiões produzirem legiões de fanáticos loucos por guerras e destruição? E se eles estiverem blefando? E se a internet acabar isolando as pessoas? Se todos os povos quiserem ocupar alguma praça? E se as polícias reagirem com bombas? E se o efeito moral for devastador?

E se virar moda delatar? E se deletar for mais fácil do que debater? E se a boca de sino voltar? E se a pochete mostrar que é prática? E se voltar a moda hippie? E se for liberado o topless? E se proibirem chinelos de dedo?

E se acabar a gasolina? E se continuarem a beber tanto álcool? E se proibirem os calmantes? E se tiver de ser assim?

E se empatar? E se perder? E se for pior do que se imaginou? E se tiverem ensinado errado? E se a gente se arrepender?0_Question-Mark-842

E se tiver trânsito? E se a gente atrasar? E se a greve for geral? E se não der para ir? E se o pneu furar? E se o ônibus não passar? E se outro avião cair? E se o relógio parar? E se estiver estragado? E se não entregarem o que prometeram?

E se você se perder dele? E se ele se perder de você? E se não tiver tempo?

E se quiserem acabar com a minha espontaneidade?

Bem, aí eu vou espernear. Já que, para muitas destas outras perguntas, só resta mesmo coçar a cabeça e dizer um bom e sonoro palavrão, conformado: – “Ih! F…”

São Paulo. E se fosse Rio de Janeiro? Brasília? 2014question-mark105-26241Marli Gonçalves é jornalista – Profissão boa para quem está sempre perguntando, querendo saber. E se fosse psicóloga, o que, acreditem, quase rolou?

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

ARTIGO – Brincando de Stop nos campos das cidades. Por Marli Gonçalves

two_wheeled_scooter_rOs temas estão na ordem do dia, sustentabilidade, mobilidade, acessibilidade, não sei mais o que “idade”. Temo que, tal qual o horroroso gerúndio, o sufixo esteja sendo usado mais para não fazer nada sobre o assunto, só fazê-lo parecer importante. Estamos mesmo insustentáveis, inacessíveis e imóveis. Pelo menos nos grandes centros urbanosbusinessman_walking_t

Para um pouquinho. Anda um pouquinho. Verde, amarelo, vermelho. Desvio. Homens trabalhando à frente, desvio. Proibido estacionar. Proibido parar e estacionar. Bi-bi-bi-bi. Os insanos acham que buzinar faz andar o trânsito, e não faz. Acelera! Para ganhar um a dois segundos e parar logo ali. Não reclama: ele parou no meio da rua, mas foi “só um pouquinho”, você não pode nem xingar que ele acha que está com a razão. Um por todos, salve-se quem puder.

Andei pensando na imobilidade urbana que essa semana chegou ao auge. Vias marginais da cidade de São Paulo pararam por causa de um avião. Sim! Um avião engastalhado entre postes, e que vocês devem ter visto pelos jornais que estava em cima de um caminhão que acredito alguém – alguém – “liberou” assim para que fosse passear de um extremo a outro da cidade, até uma feira de … Náutica! Alguém aí pode aparecer, mas para nos socorrer? Depois eu digo que estamos habitando a Casa da Mãe Joana e tem quem diga que sou contra o governo. Sou, mas não é isso que vem ao caso.

transport_24O que vem é que estamos parados, perdendo tempo. Mais, não é só no trânsito, fisicamente. Estamos parados no tempo, brincando de “Estátua!”, talvez? Pois eu brinquei e acho de bom tom voltar a brincar, até para passar o tempo, também, de Stop! Ensinem suas crianças. Ativa a memória. Espero que ainda lembrem como joga – cor, flor, fruta, cidade, país… A, B, C, D, E, F. Stop! Fúcsia, flamboyant, figo, Florianópolis, França.

dollz_busOcorre que estamos muito modernos, com ciclovias, ora bolas, numa cidade cheia de morros, deseducada e deselegante. Fizeram faixas de ônibus, onde andam também táxis, que em ano eleitoral tudo pode ser liberado desde que haja pressão de e com alguma categoria. Vans de transporte irregular pululam nas periferias, sem qualquer fiscalização, substituindo os furos do transporte coletivo, mas quem se importa, não é mesmo? Não querem acabar com os carros? Sim, aqueles carros que fizeram tudo para que fossem comprados aos borbotões para hoje saírem batendo no peito cacarejando como são bons para os pobres que viraram classe média. Tomem! Saiam de noite dependendo de coletivos! É, eles passam. Passam? De vez em quando vem um; ainda bem que botaram uns pontos todos de vidro, igual aos nossos telhados.

emoticon-transport-001Não, eu não uso, mas porque não preciso. A situação anda tal que nem se deslocar muito está sendo possível. Ando pouco de carro e gasto minha sola de sapato. E observo, muito, vocês já devem ter notado. Assim é que vejo de um tudo por aqui. Motos com três, cachorrinhos sendo levados em carrinhos de bebês, skates, patins, rolimãs, riquixás, tuc-tucs (ah, esse eu queria um!). Perto de onde moro é comum também ver pequenos caminhões e vans desafiando toda e qualquer lei da Física, como posso descrever? Lembram daquela cena da abertura de O Gordo e o Magro? Aquela que o carro deles passa num cruzamento se equilibrando, alto e fino? Aqui, os que recolhem lixo reciclável chegam a ter três metros de altura e sempre têm, ainda, um menino que fica lá em cima. Um outro, que fica embaixo, joga as caixas e ele pega. Tudo só no equilíbrio. Isso é que é sustentabilidade! (Fotografei um, VEJA MAIS ABAIXO  se não acredita!)as_alt_transport

Falta ver, andei pensando, gente brincando de pole dance no ferro dos ônibus, para passar o tempo que ficam parados. Metrô para poucos, e trabalhadores ainda ficam duas horas no trânsito para ir, e mais duas, três horas para voltar. Isso, se não tiver nenhuma manifestação, claro, porque agora elas andam espalhadas também nas periferias. Largaram um pouco da Avenida Paulista, pelo menos nos últimos tempos. Ah, isso também se não parecer ninguém querendo incendiar nada, o que também vem acontecendo com frequência.

bike_24A pé vamos indo, desviando dos buracos e crateras das ruas e calçadas, do cocô dos cachorros, dos chicletes que querem nos prender ou nos acompanhar grudados em nossas solas. Vamos indo, rezando para não cair nenhuma árvore em nossas cabeças, maltratadas que estão e sendo feitas de lixeiras. Rezando para que nenhum maldito fio desencapado nos torre, tantos que estão caídos e ali ficam dias. Esperando, esperando, esperando o sinal do pedestre abrir. Corre! Você tem só alguns segundos! Vai!

Os grandes centros urbanos estão ficando inviáveis, sem planejamento. Vamos arrastando nossas dores por aí, enfrentando atendimentos de mal a pior, desaforos, violência, descontrole de preços, cada um mais descabido que outro, tentando respirar, mas perto bem perto de ter de usar máscaras como aquelas que vemos nos filmes sobre Japão, China.

Anda tudo sem nexo. Não andamos exercendo muita cidadania. Baixamos a cabeça, imóveis. Parados, apopléticos. Esquecendo que atrás vem gente. Stop! Estátua!

1378706053-140.jpgSão Paulo, caos urbano, 2014 

Marli Gonçalves é jornalista – Paulistana, já disse. Se pudesse, investiria em estacionamentos, em poços artesianos, ou em laboratórios que fabricam bons remédios tarja preta, bem calmantes. É de criar fortuna, na certa. Fica a dica.

CARRO DE COLETA DE MATERIAL DE RECICLAGEM - JARDINS, SP, SP. MELHOR DO QUE O CARRO DOG "O GORDO E O MAGRO"
CARRO DE COLETA DE MATERIAL DE RECICLAGEM – JARDINS, SP, SP. MELHOR DO QUE O CARRO DO “O GORDO E O MAGRO”

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

ARTIGO – Vamos xingar? Xingar? Por Marli Gonçalves

brazilB_animadoOK, mas se é para mostrar descontentamento vamos fazer direito.Não será por falta de motivos, mas não podemos nunca perder a razão. O que estamos vendo ocorrer contra a presidente é grosseria, não um xingamento que possa ser justificado, e nem ao menos explicado. Uma falta de educação absurda contra uma mulher, antes de tudo. O problema – admito e acho que não vai ter cura – é que já “pegou”, virou moda, mantra, e agora, onde ela for, vai ouvir o povo dando essa ideia de outro lugar para ela ir e o que deveria fazer lámulheer faz o jardim

Tivesse ela um pouco de humor e sem o peso da liturgia do cargo, responderia o que eu respondo quando alguém – em geral, no trânsito, ou em discussões banais – me destina esse mesmo xingamento: “Deus te ouça!”

Mas eu sou palhaça. Às vezes escuto essa mesma coisa até de um amigo ou amiga, numa conversa qualquer, boba. É usual. Quando alguém quer encerrar um assunto, tira da cartola o desejo, sim, o desejo, de que você vá ter a sensação de ir lá fazer aquilo. Acho até engraçado porque para um número cada vez maior dos que se assumem, se levada ao pé da letra a expressão…como disse.

A presidente, não. Não pode, coitada, revidar. Agora já está se fazendo de vítima, torturada, torcedora mesmo torturada, cara de beijinho no ombro. E os seus defensores, gente com memória fraca que, não adianta, quer fazer acreditar a muitos que foi só no dia da abertura da Copa que ela foi xingada assim, tentar nos convencer de que foiuma coisa armada e localizada (combinada entre 68 mil pessoas!), pela elite, aliás, elite, como dizem, branca, convidada ( esqueceram do endividada também), e que nem pagou o ingresso. Foi por isso que ela foi xingada, segundo eles – não teria sido o povo. Esqueceram o despencar nas pesquisas, outros jogos, shows, protestos, adesivos, etc…E os bons motivos.

O problema é que ao xingar dessa forma, perdemos muito da razão. Sei que o ato de xingar nunca vem acompanhado de flores, perfumes, hálito de menta. Mas há outras formas, ah, isso há. Graça Foster, que o diga. Alucinada, anta, fingida, dissimulada, besta, idiota, mentecapta, petista, dois de paus, dois neurônios, -muitas formas. Nós é que nos viremos e arrumemos as rimas.women4

Enfim, voltando ao ´cerne da questão, igual verruga. Não é assim, xingando palavras que inclusive, obrigatoriamente, não podem ser transmitidas pela tevê, porque de baixo calão, que vamos mudar o país. Mas, sim, apontando exaustivamente os erros, as falhas. Mostrando que não somos bobos para ficar quietos ouvindo a presidente falar o que quer, com cara de desentendida, listando respostas e bobagens no horário oficial, com discurso lido, totalmente escrito por outrem, cumprindo tabela.

e8mmdv3zAcredito que a estaremos xingando muito bem nas urnas, no dia da eleição. (Tá, eu sei que está duro olhar as opções, mas aí é um problema que a gente tem de analisar depois. É o que temos no momento.).

Também não é xingando nas redes sociais, inventando eventos e protestos “virtuais”, que isso é babaquice total. Vamos falar sério.

Temos de participar da vida política do país, escrever, denunciar desmandos, fotografar, filmar, divulgar, discutir. Mas com base na realidade, que ela por si só já basta – não é inventando que vai ter bolsa para prostituta, que a lei de ficha limpa ainda não foi aprovada ( recebo uns três por dia com essas bobagens), que o filho de não sei quem barbudo é dono de açougue, muito menos de frigorífico, nem repassando fotos de mansões de sheiks árabes dizendo que é de gente do governo atual.

Precisamos crescer e amadurecer.

women mudando de roupaFizemos um papelão na abertura da Copa com aquela apresentação de quinta categoria, vergonhosa, de fundo de quintal, de escolinha primária, com umas arvorezinhas, florzinhas rodando para lá e para cá, um monte de criancinhas (mas que deviam ser muito mais pelo menos para ocupar os espaços) com cara de miosótis e sempre-vivas, índios mal amanhados arrancados de tribos tão urbanas como os guaranis, para quem nunca ninguém dá bola, deixando-os morrer por aí, bêbados ou suicidas. A única coisa que salvava era a bola no meio do campo, mas só até se abrir e trazer aqueles três que até agora estou pasma, ali apenas para contentar seus patrocinadores. Gastaram, parece, 18 milhões naquilo. Não temos que xingar essa roubalheira? Temos profissionais maravilhosos que, por muito menos – até por já estarem acostumados a não ter recursos -, teriam feito melhor que esses dois gringos que nunca ninguém ouviu falar, inventados sabe-se lá por quem.Fora o papelão do exoesqueleto, das pombas, dos estádios inacabados. Da governante atrás da vidraça.

Precisávamos completar com o xingamento feio? È covarde isso. Era melhor que todos que estavam ali, vaiando anonimamente, se ligassem “na real” e, então, fossem para as ruas, engrossar protestos firmes. Assuntos para as plaquinhas que segurarão nas mãos não faltarão. Façam o gigante acordar, mas sem xingar com palavrões. Só com palavrinhas.

Sem xingão, mas com xingadelas.frank1-4

88womanSão Paulo, Brasil, Copa 2014, mundo voltado para nós aproveitarmos, 2014 Marli Gonçalves é jornalista Se levar a sério o xingamento que vem sendo dirigido em altos brados à presidente, restará uma pergunta: quem é o ativo e o passivo dessa história? Pensa.

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

Tenho um blog, Marli Gonçalves, divertido e informante ao mesmo tempo, no https://marligo.wordpress.com. Estou no Facebook. E no Twitter @Marligo

ARTIGO – Atenção: Frágil. Este lado para cima. Por Marli Gonçalves

Índice     Socorro, socorro, socorro. Nunca foi tão fácil, parece, ser literalmente subversivo, no sentido de subverter a tal ordem, seja ela qual for. Causar uma revolução, mas na vida dos outros. “Confusionar”, convulsionar. Nada mais tem cara, liderança, história. Surgem e somem. Somem e surgem. Se São Paulo pode parar como aconteceu essa semana, imagina… na Copa! Ops! Desculpe: imagine o Brasil todo

Quanto mais modernos ficamos, mais vulneráveis estaremos? Ou, o que adianta tanta modernidade se os sistemas de trabalho ainda são do tempo do onça? Que Mané especulação imobiliária, bolha imobiliária, se diariamente milhares marcham ou estacionam suas barracas, tranqueiras e filhos nos primeiros terrenos e prédios que encontram dando bobeira? É perturbador observar o quão fácil ou possível ou previsível está o mergulho em crises.

mousetraplightbulbPor um segundo, pense, se faltar água mesmo no Estado de São Paulo. Por dois segundos, pense, se por um lampejo os metroviários resolverem parar também, assim, de repente, como o fizeram os motoristas de ônibus essa semana, ligando o foderaizer para cima de todo mundo. No sistema de trens nem precisa pensar porque ele já para mesmo toda hora, e quebra-quebra é quase rotina – a rotina das sardinhas do transporte coletivo. Por outros cinco segundos – pense – se houver apagão, se o sistema combalido não suportar a pressão que vem por aí. Aproveita e pensa nas telecomunicações, onde tem canal passando em cima de outro canal, banda, estradinha; não é mais 3 ou 4 G, mas 3 ou 4 D. Agora, por pelo menos um minuto, pense o quanto estaremos fritos se as coisas ficarem ainda mais tensas em vários setores e a gente ainda estiver sendo liderado por frouxos como o prefeito que foi eleito para essa cansada cidade de São Paulo, ou por chuchus inodoros. É, isso pode acontecer – pior, um pouco já ocorre – do Oiapoque ao Chuí.taça quebrando

Já li gente falando que a população está com mau humor. Concordo. Mas não é uma nuvem precisa pairando sobre as cabeças. Não tem direção, não tem lado, posição política, muito menos informação real. Pergunta por aí. São interesses difusos, enevoados, ninguém sabe exatamente o que quer ou não quer, muito menos há parâmetros de lutas que consigam mover a classe média, especialmente a fatia mais esbordoada. Em junho passado escrevi várias vezes que não era verdade, que não tinha gigante nenhum acordando, só bocejando, que era apenas modinha ir até as ruas, marcar com amigos e depois postar nas redes sociais fotos segurando plaquinhas de papel. Uma coisa Rock in Rio. #eufui. Isso ficou claro quando li, naqueles dias, uma matéria regrando qual era a moda quente para ir aos protestos. Desde que me entendo por gente, tudo aqui no Brasil só se avacalha.

tUp71UJ_f4En1R_tumblr_lz64j1kmiR1qdu4dpo3_400Passo o dia lendo ou ouvindo cada bobagem que é melhor calar, e não só para não arrumar inimizades. É o jornal mal lido, a situação X generalizada descuidadamente, o assassinato de reputações sem dó, a facadas de agressividade. É um tal de não ver a política – “não voto mais”, “vou votar nulo”, etc. – só isoladamente, e para xingar. Depois, quando tem eleição, escolhe qualquer um na véspera. Não me admira que a gerente Dilma esteja caindo – esperavam dela, sociedade machista, que por ser mulher teria ordem na casa. Mas ela não é dona-de-casa, e não espanou o pó da sujeira, nem lavou a louça suja dos dois períodos anteriores, deixou tudo acumulado na pia. Também não se mostrou boa cozinheira, nem para contratar direito quem trabalhasse para ela, com ela. Os banheiros continuam sujos; o elevador parado no mesmo andar; isso, sem falar nas compras que deixou fazer.

woman_breaking_eggs_oNada mais tem fundamento. Quando que vocês imaginariam ver marchas vermelhas de sem-terra ciscando no terreiro do próprio PT, criador e criatura? O prefeito Zé Bonitinho todo santo dia recebe visitas, ora professorinhas, ora servidores da própria prefeitura, ora motoristas, cobradores, estudantes, blackblocs. Nesta semana, enquanto a cidade ardia entre muralhas de ônibus parados nas tais faixas que ele mandou pintar a mão, inacreditável a falta de senso, ficou quase uma hora dando entrevista para o Datena – e tomando um pau, de soltar o couro! Como bem observou um amigo, melhor, porque aí ele estava ocupado falando bobagem, sem fazer mais bobagens.

11650780-soccer-ball-and-a-crack-on-the-glass

Cresci temendo um tal botão vermelho que, apertado, buum!, explodiria o mundo. Temia o telefone vermelho do presidente dos EUA, ou uma tal pasta preta, a guerra fria. Mas tudo isso mudou e a surpresa do 11 de setembro deles foi o ápice do “não dá mais pra prever nada”. E se eles que são grandes não podem, imaginem nós que vivemos pequenos, subordinados a quaisquer zinhos que falem o que devemos ou não fazer até com as nossas bolas.

A verdade é que a humanidade, quando se afastou da sua própria condição humana legando a máquinas muitos dos seus controles, facilitou que crescesse uma fragilidade perigosa. Com muitos botões vermelhos e pastas pretas. Por aqui, inclusive, umas delas recheadas de dinheiro.

São Paulo, paralisada, paranoica, e que não pode parar, 2014.

0511-1001-0616-1628Marli Gonçalves é jornalista Neste jogo já está vendo bolinhas em todos os cantos, iguais às da obra da artista japonesa Yayoi Kusama, “Infinita Obsessão”, que chegou essa semana a São Paulo. Achei bem louco saber que, por espontânea vontade, ela vive desde 1977 recolhida numa clínica psiquiátrica. E se eu começar também a ver bolhinhas?

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

ARTIGO – Flexes ou flashes. Por Marli Gonçalves

beginnercollabentry-1É um cansaço mental tão profundo no fim do dia que às vezes até aquele efeito luminoso cheio de bolinhas aparece na visão. Vocês vão dizer que jornalista vive disso, de informações, mas elas estão violentamente rápidas. E violentamente mórbidas. E violentamente inacreditáveisOvertheWall

Perdi a hora umas duas vezes esta semana, porque na hora de acordar estava sonhando e os sonhos eram bons. Ou estranhos, mas bons. E sonhar na hora de acordar é como se você tivesse mais alguma coisa para fazer ali na caminha, aninhado, com os olhinhos fechados. Neles, nos sonhos, eu viajava, tinha dinheiro, tudo estava legal, aparecia gente bacana, amigos e amores. Mas é só acordar que a coisa começa, até porque tenho o hábito de ligar o rádio – para ouvir música, só que as notícias logo aparecem. Aí vou ler o jornal. Pronto, começou o dia. E acabou o dia.

Os helicópteros sobrevoam, dando barulhentas voltas, na região da Avenida Paulista. As sirenes dos carros de policia se intensificam. As manifestações agora começam mais cedo, o que faz pensar que é preciso ser muito ativista para já estar por ali gritando às nove horas da manhã. A cuidadora de papai informa que na distante região de onde vem, já viu quando saiu de madrugada de casa para se aventurar atrás de transporte coletivo, um ou dois ônibus queimados, ou carros estropiados de bêbados entortando os postes na madrugada. PCC dando ordens. Ela tem olheiras: bailes funk com tudo aquilo, na rua, e não adianta chamar a polícia. Não adianta chamar ninguém. Ficam ao Deus-dará.

Swordplay-5Mais de 200 meninas sequestradas na Nigéria, de dentro de uma escola, e que ninguém sabe onde estão, tipo avião da Malásia. Se hoje Caetano compusesse, perguntaria, para que tantos satélites, ao invés de quem lê tantas revistas. Tudo de baciada: 250 presos na Venezuela. Outras centenas perdidas em deslizamentos, guerras particulares, aqui, ali, acolá. Líderes mundiais e formadores de opinião só segurando cartazes bonitinhos, posando para fotos. E mais flashes espoucando.

Hora do banho e a água já está com vazão menor. Ensaboa, morena, ensaboa, enxagua, tô enxaguando. Abre e fecha torneiras. Mas não consigo deixar de pensar em quanta gente ainda vejo varrendo calçada com água, lavando carros, mandando beijinho no ombro.

Um boato. Um retrato falado. Um zumzumzum, a total falta de noção e uma mulher é espancada por dezenas de pessoas, arrastada como bicho, agredida até a morte em um das cidades mais chiques do litoral paulista, e não, não foi tão lá na periferia onde isso ocorreu, que eu vi no mapa. Foi onde uma vez há muito anos o prefeito da ocasião queria fazer uma “cortina verde” para que os turistas não vissem as casas subindo os morros na avenida paralela às principais praias. Achava que daria votos. Ninguém me contou. Foi para mim e meus ouvidinhos que ele fez essa sugestão, batendo no peito como se tivesse tido a grande ideia de sua carreira política, obviamente já fracassada. Até hoje enjoo só de pensar nesse dia.RagDoll-1

Crianças matando crianças. Meninas espancando meninas, caceteando com pauladas e pedradas, por causa de moleques, namorados, outros boatos e fofocas. Moças estupradas e assassinadas e ainda picotadas por maníacos que encontram desgraçadamente em seus caminhos de ida ou vinda. Corpos achados em rios. Mães desesperadas. Crianças sendo mortas por dinheiro, ira, ciúme, vingança. Mulher põe fogo na casa, com o marido dentro, mas antes quebra tudo, porque viu mensagem de outra no celular.Electrocution

OvertheWallNão, não estamos em filmes do Batman, nem do Charles Bronson. Os sons são reais, as armas atiram pumpumpum. Vingadores surgem de todos os cantos como justiceiros, acreditando que devem botar para quebrar. E quebram. Inclusive pela política, pelo teto, pela terra. O cheiro pestilento da morte, o ar seco, os ídolos morrendo. A arte ficando mais pobre.

A bola ainda não rola. Operário torrado em estádio. O mundo todo olhando, que vergonha. Imagino que nesse momento montes de malas estão sendo desarrumadas, e tudo o que se sonhou que viria, nem chegando.

Prisoner_2Nas prisões, detentos se matam para abrir algum espaço. Outros presos Vips desafiam a Justiça de seus camarotes gradeados. Na rua uma caminhonete último tipo me chama a atenção. Ela é verde e branca, está reluzente de nova, tem uma sirene no capô. Me adianto para ler e identificar quem são, carro e homens: “SAP – Secretaria da Administração Penitenciária – ESCOLTA“. Não, não escoltavam nada.

Porque que agora me lembro de ter lido, logo cedo, numa matéria de jornal, o relato de uma das jornalistas sorridentes que jantaram com a presidente no palácio, selfie para lá, selfie para cá, que a Dilma faz álbum de figurinhas com o neto, conhece a letra da Galinha Pintadinha, cantarola e tamborila com os dedos na mesa “Atirei o pau no Gato, totô, mas o gato-tô não morreu…”?Clown_prisoner

Ah, ainda tem as manchetes políticas, mas tenho de começar o dia, e já estou cansada de tanta notícia. Pior, vivo disto.

beginnercollabentry-1São Paulo, 2014, menos de um mês para a gente saber que bicho vai dar no Fuleco

 

Marli Gonçalves é jornalista Ouviu contar que descobriram uma barata de mais de 40 centímetros que disputa comida com os tubarões no fundo do mar? Pois é. Esta noite vou ter pesadelos.

********************************************************************Parkourstreet-1
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

Tenho um blog, Marli Gonçalves, divertido e informante ao mesmo tempo, no https://marligo.wordpress.com. Estou no Facebook. E no Twitter @Marligo

ARTIGO – Eu quero uma pra viver. Por Marli Gonçalves

paraquedas.gif3Andando por ai, tentando me livrar de uma tristezelda que rondava e queria pegar meu calcanhar, encontrei uma passeata. No meio do caminho tinha uma passeata, tinha uma passeata no meio do caminho. Isso agora é comum por aqui, e com as mais variadas reivindicações. A que vi era de jovens felizes pedindo de um tudo, cantando e dançando, sem tanta polícia, na santa paz. Me lembraram Cazuza.

Avenida Paulista. Era feriado e São Paulo entregue a uma tarde modorrenta, tipo sabe como? Tipo – esse tipo aqui é tipo assim imitando a linguagem desses meninos que estão sentindo a ave piar, mas não sabem onde – tudo corria bem normal, até na ciclovia improvisada destes dias. De repente eles apareceram à minha frente – um bloquinho de umas 400 pessoas meio que organizadas e divididas em quatro ou cinco colunas, alas, duas à frente do carro de som, outras seguindo atrás, onde ao fim traziam uma imensa bandeira, daquelas que precisa de um monte de gente pra carregar. Me lembraram o Brasil.mz_4699144_bodyshot_175x233

Parei para ver a banda passar já que estava à toa na vida. Todos muito jovens, muito cabeludos, as meninas e os meninos; de todos os jeitos, lembro de muito xadrez, muita tatuagem, muito jeans, muito vermelho, algum amarfanhado, inclusive nas bandeiras. Alguns cobriam o rosto, mas mais por charme do amarrado de um lenço de marca: “Levante Popular”. Havia bandeiras de todas as cores, verde e amarelas, lilázes, faixas pintadas. Coloriram rapidamente o asfalto, fechando a avenida. Me lembraram os Doces Bárbaros.

Animated_jesus_sermon_hg_whtTodos me pareceram do bem. Podiam até estar equivocados, mas eram do bem. Pediam liberdade, mas usavam camisetas do Che, carregavam fotos do Chávez e do Maduro da Venezuela. Falavam em Constituinte, em socialismo, em libertar a América do Sul, e me fizeram lembrar de Belchior. Entendi que para eles importava o mover, o Levante, levante popular, o nome do grupo, como me pareceu, sob o comando de um líder ao megafone. Importava o pedir, e eles usavam novas rimas. Paravam, dançavam, pulavam. Me lembraram as marchas evangélicas.

Inclusive, chamou minha atenção o número de bandeiras do Movimento dos Sem Terra e sem Teto, sem alguma coisa. Haverá uma lojinha onde se compram adereços de protesto? Porque os que as carregavam não o eram, não me pareceram nem sem teto, nem sem terra. Me lembraram da amargura de Gonzaguinha.

Sei que pediam de um tudo, porque os vi passar, cada qual também com sua palavra de ordem particular. Sob o som da bateria, me lembraram de uma escola, de samba, mas também da Educação, um dos seus temas.

Me emocionaram e, de verdade, umas teimosas correram pelo rosto. Também quero. Queria achar, mais do que uma turma para fechar a Avenida Paulista, uma ideologia para chamar de minha, porque as que eu tinha minguaram. Senti essa falta. Fui pra política, estive na fundação do PT, deu no que deu, pensei na guerrilha, deu no que deu, larguei, voltei-me para o rock, para o feminismo, para a libertação sexual. Deu no que deu. Depois, para a ecologia. Deu no que deu. Hoje milito num campo perigosamente minado, de jornalismo, mas minado porque preciso andar em ziguezague – ora rezo com a esquerda, outras, me alinho ao centro; e os opositores, pobres de espírito, acusam como direita.005381223_jesus_animated

Nada está completo para uma devoção, para uma entrega, para uma torcida. Nem de lá nem de cá. É solitário e desolador ver o nível de desentendimento das coisas, mesmo as mínimas, aquelas que deveriam juntar todos nós.

Quero uma ideologia particular, e acabarei qualquer hora criando uma, se já não estou há muito tempo tentando. Porque ideologia só cresce na argumentação, que arregimenta e fortalece até virar mais comum e aceita. Escrevo e te conto o que penso – quem sabe você também está por perto esperando uma passeata.

Mas ela, a ideologia, precisa, antes, nascer. Para que a gente possa por ela se apaixonar e criá-la para que fique forte. Já comprei binóculo, procuro lunetas e até agora ainda não as vi no horizonte. Com lupa, nas letras que leio, também não.

E eu quero uma para viver. Adoraria poder cantar e dançar por ela.

São Paulo, 2014gifjornaleiroMarli Gonçalves é jornalista Entrando no inferno astral, pensando em trocar de pele, tipo a de cobra pela do jacaré. Porque a gente vai precisar de ter a casca dura.

Filmei alguns minutos. Procura no YouTube. Meu canal chama jornalista.marligo.

ou AQUI

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

Tenho um blog, Marli Gonçalves, divertido e informante ao mesmo tempo, no https://marligo.wordpress.com. Estou no Facebook. E no Twitter
@Marligo

Recebi esse “SOS BIXIGA!”. De um cidadão que não aguenta mais o barulho e a inação da Prefeitura. Como sei o que é isso, atendo ao pedido de espalhar. Patrulhinha urbana em ação.

 

boxe06 SOS BIXIGA!

Adoniran, meu camaradinha, esse clima cordial nessa briga que você relata no “Samba no Bixiga” não existe mais! Veja como está seu bairro querido:

Desde dezembro de 2013, venho sendo enlouquecido diariamente por um arremedo de bar, localizado na Rua Santo Antonio nº 1005 (quando este para, seu   vizinho no nº 1009,, denominado ironicamente como “Bar dos Amigos”) recomeça.  Assim que acordam – 9 horas, 10 horas da manhã -, seus proprietários ligam o som no último volume, com aquele repertório que nem o capeta mais pecaminoso agüenta. E isso prossegue até a final da tarde, porque à noite eles tem quem assume o som: os bares da Rua 13 de Maio nºs 37, 57 e por aí vai, porque é um ao lado do outro até a Rua Manoel Dutra, cada um com um repertório e disputando o som mais alto.

É DE ENLOUQUECER QUALQUER JÓ!  Agora entendo e concordo quando alguém tem seu dia de fúria!

sample_gong

E o que é mais estranho é, apesar de ser tão explicito que eles não têm alvará para funcionar nem como porta aberta, e a Prefeitura não faz absolutamente nada! Quando reclamei isso nas reuniões da Conseg Bela Vista, da qual participo mensalmente, a justificativa do represente da administração municipal é que não há fiscais suficientes. NA MAIOR CIDADE DA AMÉRICA DO SUL! Mas no domingo passado, um estabelecimento comercial na Av. São Luis estava emparedado. Para isso há fiscal suficiente?! Provavelmente porque há maior visibilidade.

parler_beaucoupMoro desde 1970 na Av. Nove de Julho, mas meu apartamento, no fundos, dá de cara com o ângulo formado pela 13 de Maio com Santo Antonio, que eu chamo de Baixo Bixiga (da Rua Manoel Dutra para baixo, até Rua Santo Antonio). Quando digo baixo, não me refiro ao significado glamouroso que este termo deu à Rua Augusta. Mas é baixo pela falta de decência, pela sujeira, indigência, violência, que não havia até há pouco tempo atrás.

Numa recente edição da Vejinha, o cronista Ivan Ângelo comentou o prazer de passear pelo seu bairro, cumprimentar os vizinhos, apreciar o entorno. Meus Deus! Isso ficou completamente impossível nessa Bela Vista, onde a gente cumprimentava a nona na sua janela, que conversava animadamente com  aquele crioulo. funcionário de alguma cantina. Onde a origem italiana se mesclou harmoniosamente com o negro. Onde pontua a Vai-Vai, uma das mais tradicionais Escolas de Samba de São Paulo.

Mas o problema não é apenas a oferta infernal do sons disparando infernais decibéis de sub-música ininterruptamente. A sujeira assusta ao mais indigno submundo. Outro dia ouvi o ótimo âncora Haisem Abaki expor no excelente jornalismo radiofônico “Estadão no Ar” sua indignação com a sujeira que observou no trajeto de sua casa, de Mogi das Cruzes até a Marginal Pinheiros. Me desculpe, Haisem, mas não pude deixar de escapar um sorriso amargo. Pois essa sujeira faz parte desse meu habitat! Ah, se por acaso você enviar um jornalista para verificar, avise para ele se precaver, pois aqui as pessoas não levam seu lixo até a calçada, mas atiram do fundo de seus cortiços.

Meu SOS é porque que não sei mais a quem recorrer. Para se ter uma idéia, na R. Santo Antonio, em torno do nº 1000, havia uma ‘agência de viagens’  camuflada por um bar. Além de vender passagens, no final da tarde de sábado e na manhã de domingo, os ônibus atravancavam a via para estacionar e recolher passageiros. Em 2006, depois de reclamar para várias entidades, passei um e-mail para a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Quando me responderam que deveria solicitar ao ‘agente de viagens” seu RG e ICMS, perguntei se era uma pegadinha. A ‘agência de viagens’ não existe mais, mas os ônibus continuam conturbando o trânsito da Rua Santo Antonio, sob os olhos cegos da CET, que é tão vigilante para multar.

 ESPALHE ESSE SOS, POIS NÃO TENHO MAIS A QUEM RECORRER!

Zedu Lima

José Eduardo Pereira Lima

R.G. 2.974.927-2

Tel. (11) 9 96859854fatiguer

ARTIGO – Ondas altas. Por Marli Gonçalves

Temos que diariamente ter a mesma tranquilidade da jovem e destemida Maya Gabeira, nossa super hiper supercampeã de surf em ondas altas, altíssimas, e que esta semana nos deu um grande susto despencando de uma gigante de mais de 24 metros de altura, salva por um amigo já desacordada e apenas com um tornozelo quebrado. Poucas horas mais tarde ela própria dava a notícia que estava bem, “pronta para outra”. Todos os dias passamos por perigos muito grandes assim, mas sem querer.E não estamos tão preparados como ela para sobreviver

3192Puxou mesmo o pai essa determinada menina Maya e seu bonézinho. O pai, o jornalista e político que todo mundo conhece, intelectual de primeira, já se meteu em grandes ondas, só que, digamos, não tão próximas da natureza. Acabou baleado, preso e exilado do país durante anos. Continua hoje se reinventando a cada momento. Maya é persistente no caminho do surf. Como praticamente a vi nascer e lembro dela desde muito menina acompanho daqui, atenta, a sua trajetória. Se tem coisa que admiro numa pessoa é a coragem. Muito mais ainda numa mulher.

O susto do acidente da surfista em Portugal não foi o único, apenas o mais romântico, de mais uma semana cheia de notícias violentas demais da conta até para roteiristas de terror. Em plena manhã e em uma das mais movimentadas avenidas de São Paulo, onde tranquilamente eu ou alguém de minha família (ou da sua) poderia estar passando, seis tiros atingiram e mataram o filho de uma querida leitora. Sem explicação, sem roubos e sem assalto, e sem polícia. O sinal parou, o cara saiu do carro de trás, deu seis tiros e saiu andando e rebolando, sem que nada o detivesse.RollerCoasterClimbing

Logo depois o noticiário falava de uma policial do Rio de Janeiro, de uma UPP, recebendo num saco, em sua porta, a cabeça decapitada do seu marido.Quem foi, os motivos, serão esquecidos no vento. Assim como a vida da estudante baleada na cabeça, pega a caminho de sua faculdade e que, ingenuamente, caiu no velho golpe da batida atrás; saiu do seu carro, que era blindado, para ver. Até o momento em que escrevo ela está viva, estado gravíssimo, mas me digam se a vida dessa jovem poderá ser normal daqui em diante, se ela conseguir sair do hospital.

Aí, em um dia, um policial vai sair do carro e a sua arma (parece que várias armas da PM de São Paulo estão com defeito, mas ninguém ligou exatamente para esse fato) dispara e mata um jovem na periferia de São Paulo. Ao protesto justo de seus familiares e amigos junta-se sei lá mais que tipo de gente, ateiam fogo em tudo, quebram outro tanto, param uma estrada federal por mais de quatro horas, assaltam os motoristas. Tocam o terror. No dia seguinte, a poucos quilômetros dali outro jovem é morto em uma ação policial e tudo se repete. Isso na mesma semana em que correram o mundo as imagens de um coronel sendo espancado pelos excluídos do Baile de Máscaras. Só se for.

Animated-picture-of-love-rollercoasterHá meses venho tentando entender melhor,entre outras, a violência das manifestações e os black bobocas que sei lá de que livro surgiram. Para mim, apenas uns garotos que ouviram cantar o galo não sei aonde, pensando que estão num jogo virtual e apenas sendo operacionalizados por todo tipo de bandidos reais, bem reais, aqueles da tal organização de três letrinhas. E não é que a polícia começou só agora a admitir que desconfia da infiltração? Simples: no calor de um grupo, com um monte de palavras de ordem ao vento, basta um começar o quebra que outro bando de otários logo vai se juntar a ele.Só que só os otários estão sendo presos; os espertos se safam. O comportamento de massa é sempre igual ao de uma manada. O que torna até bem fácil esse tipo de manipulação.

Não estamos em campeonatos. Não podemos estar preparados para tanta violência e nem para a vida estar valendo tão pouco. Que está acontecendo? E eu dirijo essa pergunta tanto aos estadistas e dirigentes das grandes nações até aos pais e mães que estão “produzindo” essas gerações. Ok. Violência sempre houve. Mas não tão desmedida, tão simples, tão acessível, tão generalizada, tão banalizada.

Nunca fui a mais corajosa da turma, até porque não tive infância – nasci em plena área urbana. Passo longe de esportes radicais. Aprendi a nadar só aos 23, e acho até que já esqueci porque não me largo na água muito suavemente, apesar de amar as sereias, e talvez até por isso. Nunca subi – e não pretendo subir – em uma montanha russa. Juro que não lembro se já me amarraram numa roda gigante, ou numa xícara maluca. Meu máximo foi o bicho da seda. Melhor: o tobogã, aquele que você vinha, escorregava em um barquinho lá de cima dentro da água, me viu uma única vez. No tempo que o Playcenter era deste tamaninho, um parquezinho numa avenida perto do Ibirapuera, e apenas para não envergonhar minha mãe que me acompanhou toda feliz nessa aventura.afcarousel

Sei que tem quem dá a vida por adrenalina, em qualquer dose. A do medo, dos saltos de paraquedas, parapentes, para qualquer outra coisa, e ainda pagam por isso! Acho demais, mas a minha adrenalina – e a coragem – tiro de outros lugares, muito mais além das inúmeras vezes que me botei em risco na profissão de repórter, ou ainda em cima de uma motocicleta, a primeira aos 13 anos, aposentada como me declarei após uma queda violenta há mais de 20 anos. Escrevendo o que penso, cobrando o que posso de quem pode fazer mas não faz. Me safando das trairagens.

Não dá mais para relaxar, tralalá, tralálá. É se benzer para sair de casa e agradecer a Deus quanto volta quase ileso sem pelo menos uma aporrinhação. É ficar atento a quem a gente ama, contando cabeças igual um bicho deve conferir seus filhotes antes de se recolher. É violência em cima de violência. Pior é que tem sido bem geral: estamos levando tiros de decisões políticas também – inábeis – o que faz da simples sobrevivência uma bela aventura.

Pena que sem o belo cenário e o barulho das ondas do mar.

CoolClips_wb027548São Paulo, 2013

Marli Gonçalves é jornalista – Vendo só os altos e baixos do carrossel. E um monte de gente dando cavalo de pau ********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

Surfer_manquer ver o vídeo da  Maya? Clique AQUI

ARTIGO – Quem somos, para onde vamos, se é que vamos. Por Marli Gonçalves

nósSei lá mesmo, porque tem horas que parece que todas as estradas ou estão fechadas ou, sem sinalização, nos levam apenas a encruzilhadas. De lá, para ficar andando em círculos é um passo só. Ou uma volta.

Se eu – que sou a mais otimista das pessoas – estou assim, imagine como devem estar as coisas. Se eu – que detesto ficar pra baixo – estou abaixo do rabicó da cobra, imagine a alegria em que devem estar os pessimistas e tristes de plantão, com tanta coisa boa para eles sofrerem acontecendo. Sim, porque não é o caso e claro que você também sabe que existem profissionais da tristeza, da melancolia, da depressão, tipo hipocondríacos, com mania de doença, mas estes em geral tiveram algum problema que as levou a ter esse transtorno.

Olho para um lado, para outro, ando por aí. Ou estou atraindo, o que é possível, mas fico pasma e preocupada por perceber que, além de mim, e o que não ajuda nem um pouquinho a subir a moral, só estou vendo e ouvindo lamentos, inclusive de quem nunca passou, que eu soubesse, por problemas. Não digo só aqueles problemas que todo mundo tem; nasceu, tem. Tipo família, saúde, amores perdidos, desilusões, unha encravada, azia.

worker8Falo de outros, que não são manias, mas realidade. E uma realidade que vem sendo imposta , enfiada goela abaixo, coisas que atingem a todos, mas alguns – como estão se “dando bem” no momento – ainda não os percebem, ou se fazem de desentendidos. Se bobear, ainda zombam. Tem gente que só vê as coisas quando estas estão em suas próprias peles, e isso pode ser bem perigoso, porque vistos tarde demais. Com a água já no pescoço.

Muito disso tudo que passamos, quem não acompanha não tem ideia, tem a ver com a política. Fora ver cada tropeço maior do que outro, ilusão sendo vendida em gotas e bolsas para tudo que é corretinho e tentando nos fazer de antidemocratas de direita porque apontamos as insanidades, a presidente falando uma bobagem atrás de outra em seus embaralhados discursos, as medidas tomadas já nos atingem diretamente.broncas

Quer ver só alguns exemplos? Como é que alguém pode pagar o IPTU imaginado por esse prefeito que São Paulo arranjou, infelizmente eleito, e que veio junto, no pacote, com uns vereadores de quinta categoria e secretários municipais que não têm estofo nem para ir brincar lá no parque, quanto mais cuidar de uma cidade tão complexa? Quem aí teve 30% de aumento de ganhos? Fora isso, qual é a do Mané querer arrumar o cofrinho do porquinho às nossas custas? E os serviços, jacaré? Quando chegam? Se você está em São Paulo, não preciso descrever os buracos das ruas, bueiros abertos e entupidos, lixo para tudo quanto é lado, descaso por tudo quanto é canto, assassinato frio da lei da Cidade Limpa? Serviços? Tudo nojento, os ônibus que circulam nas impostas faixas “exclusivas” pintadas a mão com vidros que você não consegue nem ver do outro lado, imundos. Fiscalização correndo sempre com um “por fora”. Já precisou?cofre

Experimente. É de se arreganhar todo, sabe o quê, não?- como descreveria minha musa e filósofa Dercy Gonçalves com propriedade sem igual.

comprasAbrindo o leque: andou vendo o preço das coisas? O que aconteceu nos últimos dois anos para os aluguéis e preços de imóveis atingirem esse patamar? Desculpe a ignorância, mas quem é que está medindo a inflação? Qual supermercado frequenta, qual feira frequenta, qual açougue? A gente precisa saber para ir lá comprar também. E as leis e decretos? Viu o número de empregadas domésticas desempregadas depois que alguém tentou protegê-las jogando pacotes kamikazes dentro das casas? Está vendo como de tanto incentivarem carros e carros estamos morrendo por poluição ou paralisados perdendo tempo nos congestionamentos? Acho que esses caras fugiram da escola justamente nas aulas de física, matemática, biologia…Ah,claro, das aulas de português também!

Estou sabendo: grande parte do desconsolo vem da falta de recursos, só para aproveitar e “tucanar” a dureza total. Mas vejam que não estou falando de roupas, viagens, supérfluos, mas de moradia, alimentação, trabalho, locomoção.

Pior é que uma coisa leva a outra. Tenho, volto a dizer, andado por aí. O que estou ouvindo de relatos de decepções, traições, puxadas de tapete, falta disso e daquilo, acende a luz vermelha e não é a do lupanar (ainda). Já é resultado de cada um tentando se salvar, pisando na cabeça de outros, vendendo muito – mas muito barato – a mãe, as amizades, o respeito, a ética, solidariedade, todos os traços de respeitabilidade, além de outros produtos pessoais. Tudo na bacia das almas. Vendendo e não dando recibo. Outros, comprando isso tudo e não pagando.

Não sei mais mesmo quem somos, para onde vamos e, na verdade, se vamos; se é que vamos.

atençãoMas achei que não custava nada deixar registrado que nem todos são cegos para ver as coisas; nem surdos para fazer de conta que não ouvem as mentiras. Nem mudos, para calar-se diante de tantos descalabros. Em nome de pobres, em prol do que chamam de bem, eles só pensam no poder de hoje. E na eleição de amanhã.

Usando uma expressão PCC, precisamos dar um “alerta total”. Um “salve geral”

São Paulo, 2013Marli Gonçalves é jornalista Deixa eu aproveitar para anunciar aqui, aos interessados. Vendo discos raros, alguns autografados. Vendo livros, alguns autografados. Vendo roupas seminovas e algumas novas. Vendo sapatos tamanhos 36, 37 e 38. Alguns móveis e quadros. A coisa está preta. De cabelo duro.

chove dinheiro

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

ARTIGO – Todo dia é dia do dia de ser dia de algo, por Marli Gonçalves

city-on-fire_black-bg_aniOs dias têm de tudo. É onde tudo pode acontecer, inclusive ser o dia das coisas mais estapafúrdias que você possa imaginar, se é que a nossa vã imaginação pode alcançar tantas datas criadas para alguém, de alguma forma, lucrar, nem que seja ganhando uma oração ou uma citação daquelas edificantes e bem chatas nas redes sociais. A esta altura você já perdeu algumas datas, mas só agora em outubro há previsão de 174 festejos, entre eles Dia do Nordestino, do Carteiro, do Poeta, da Economia e…da Poupança! Divirta-se no da Criança, e reze para Nossa Senhora proteger os professores

Tem dia oficial, dia extraoficial, dia nacional e internacional, dias das categorias profissionais e de incentivar que muita gente faça alguma coisa pró, tipo Dia Internacional pela Prevenção das Catástrofes Naturais (7) ou Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra (27). Ah, também há semanas comemorativas! Só aqui no Brasil, pelo que vi, são 11 a cada ano. O engraçado é que poucos assuntos têm a ver mesmo com a data em si. Sabia que isso tudo tem muito a ver com política? Na verdade com a inoperância e fisiologismo que existe especialmente nas câmaras municipais. Mas também existem as datas forjadas na indústria das assembleias estaduais e esferas federais.

grattacieliMais perto de nós estão – ou deveriam estar, já que a maior parte prefere se atarracar no saco do mandante prefeito da ocasião – os legisladores municipais, os vereadores. Confesso que até já passou pela minha cabeça a ideia de me candidatar a vereadora, uma vez que tenho especial apreço aqui por essa cidade de São Paulo, onde nasci e vivo. Vivo inclusive vendo um monte de coisas que deveriam ser consertadas.

Desisto cada vez que vejo o agrupamento dos eleitos, a grande maioria fisiológica e sem qualquer compromisso com a cidade ou com ética ou com qualquer coisa levemente parecida com isso. Acho que ser vereador deveria ser um dos cargos políticos mais importantes e funcionar em prol dos cidadãos. Mas nessa Casa do Povo as conversas sempre são mais embaixo.

arg-fish-storyLembrei deles porque é ali naquele plenário que, quando aparecem, votam: as tais datas, nomes de ruas e estapafurdices, como uma que expeliram essa semana, proibindo a venda de patês foie gras (fígado gordo de aves) na cidade de São Paulo. Tá bom:faço uma pausa para você aí que ficou boquiaberto e depois teve uma crise de riso – a minha reação, nervosa, porque dá vontade de fazer isso mesmo, e dizer umas poucas e boas palavras impublicáveis.

0003São esses mesmos os que passam o dia decidindo em seus gabinetes qual graça vão inventar, para aparecer, sumir, ou digamos, como diria o vesgulho Jânio, se locupletar. Tem um que inventou um projeto para dar dinheiro, 70 mil, para criação de algum veículo de imprensa “livre”, mas que será escolhido por uma comissão de representantes dos movimentos sociais. Libérrimo, livríssimo, probabilíssimo, singularíssimo e vaníssimo, para esgotar meus superlativos. Claro que o “gênio” do bilboquet é do PT, o partido que mais reúne essas ideias com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

Mas eles não param por aí. E agora, além de inventar essas sandices, pretendem aumentar ainda mais o que não entregam em serviços. O IPTU do pedaço pode subir até 30%.

ciudadantonioypabloFomos às ruas pelos malditos 20 centavos, o álibi que agora esses caras pálidas usam para justificar outros aumentos que, em escala, tornarão nossa vida cada dia mais difícil e árdua. Nada mais tem lógica? É uma estupidez atrás de outra. Dia após dia.

E aí, vai encarar? Vai calar? Porque a gente não cria logo um Dia do Protesto? Não é para fazer protestos todo dia, entenda bem, que esses que vêm ocorrendo já estão virando perigosa chacota.

Se todo dia é dia de reclamar de tanta coisa errada acontecendo, ainda piora porque aqui nesta cidade grande ainda tem mais essa: não dá mais para sair e voltar para casa sem se aborrecer. Todo dia é dia de rosnar com alguém ou alguma coisa.

Durma-se nuns feriados desses!

91-city2_4São Paulo, 2013 

 

Marli Gonçalves é jornalista Sonha, sim, com uma cidade ideal. Ninguém sonha com o que não ama, não? Pelo menos é o que acho quando alguém diz que sonhou comigo. E acordou feliz.

*******************************************************************E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

ARTIGO – Substituídos, por Marli Gonçalves

   chevaux-63Vivemos vendo ser feito, toda hora. Também fazemos. E até nós próprios acabamos sendo substituídos, ou substituindo – coisas, atos e hábitos, pessoas. A cada vez a velocidade é mais alucinante. O que nos leva quase a ser descartáveis, recicláveis. Tem um lado bom. chevaux-04

Uma coisa trocada por outra. Uma pessoa trocada por outra. Nada mais é indispensável? “Ninguém é insubstituível” é uma das máximas mais cruéis que conheço. Tanto que tem até livro de autoajuda para quem se sentir largado não sofrer tanto, e pelo que vi vendeu igual água. Nele se encontram pérolas como “Se os seus projetos não saturarem a sua emoção, você não terá perseverança para executá-los”. Enfim, como cada um entende mesmo o que quer do que lê…

Na doidivana loucura do cotidiano esse assunto entrou na minha pauta, acreditem, quando passaram por mim dois PMs motorizados. Imediatamente lembrei-me da cavalaria e do garbo com que seus cavaleiros desfilavam, mesmo quando estavam correndo atrás da gente em passeatas contra a ditadura. Havia certa nobreza que adorávamos ver desfeita jogando bolas de gude para que escorregassem e se esborrachassem. Parávamos um pouco de correr deles só para dar uma boa risada de deboche; depois, sebo nas canelas!

Hoje há poucos montados. Montam em motos. E isso não só a polícia, como a população deste país e seus rincões. Cavalos trocados por bicicletas, depois por motos, carros, até chegar ao suprassumo dos enormes utilitários que inundam as ruas como símbolo de prosperidade. Os jegues, coitados, vêm sendo largados à sorte, nas estradas, famintos, um dos novos dramas particularmente lá no Nordeste. Outro dia, inclusive, vi um documentário que mostrava famílias inteiras amontoadas em cima de uma moto, até cinco pessoas e pessoinhas, sem qualquer proteção, causando congestionamento, mas de números de acidentados nos hospitais. Problemas que não há Mais Médicos que resolvam.family-dog-india-motorcycle-bike-1364575869c

chevaux-53A vida é uma sucessão de substituições. Esposas são trocadas por amantes que, esposas, acabam substituídas (ou substituindo). Tem muita gente trocando cachorro por gato, que dá menos trabalho. Por aí vai longe: conversas olho no olho são trocadas por celulares e outras traquitanas, algumas até com visor. Lembram quando pensávamos como seria quando pudéssemos ver a cara da pessoa do outro lado da linha? Parecia distante. Pois não é, foi?

Lembrei de quantas coisinhas mais do dia a dia foram substituídas sem que ninguém chorasse muito por elas: fusíveis, videocassete, LPs, CDs, fita cassete. Mudamos tudo, trocamos as coisas, às vezes até pensando em ajudar o planeta. O porco deve estar atento com seu focinho já que até as tomadas foram substituídas. Daqui a pouco vai ser tudo movido por digital, íris, força do pensamento. Toque por tique. Alhos por bugalhos.

olhinhosVAMPETAOs vidros já foram substituídos por plásticos. Os sabores e ingredientes reais por corantes e aromatizantes. Lá se foram velhos hábitos, até como o de ler jornais e revistas no banheiro, trocados por joguinhos infernalmente viciantes, ou momento para participação nas redes sociais – coisas permitidas pelo desenvolvimento do Wi-Fi que também acabou por libertar muitos das cadeiras e dos computadores fixos. Aliás, no banheiro houve muitas substituições: papel higiênico por mangueirinhas, sabonete em barra por espumas espumantes de limpeza, buchas por cremes esfoliantes.

É. Nada tem mesmo tem muita garantia de ser insubstituível. Nem ratinho de laboratório. Nem ator, atriz, tantos dublês prontos por aí. Técnicos são substituídos igual como se troca de cor de camisa – no futebol é uma loucura. Por aqui até médicos brasileiros vêm sendo substituídos, além de veteranos virando novatos, palavra em voga nos últimos tempos.

vovo lobo mauPor falar nisso, as palavras também foram substituídas. Nada mais é vendido; é comercializado. Fora o terrível “inicializando” dos sistemas de informática. Mas, se até – eu pelo menos não vejo faz tempo – muitos aposentaram as velhas palavras cruzadas!

Só que tem coisas que é bom ficar bem atento, e que estão galopantemente sendo substituídas.

Como os argumentos, trocados por ataques. Ou o caráter agora trocado pela competitividade desmedida para tentar ser o melhor entre os melhores aqui da terra, para debaixo da qual todos nós vamos (ou virando pozinhos, cremados, como quero ser). Momento quando seremos realmente substituídos. Mas talvez, dependendo do que fizermos, substituídos, sim, mas jamais esquecidos.

São Paulo, 2013

Marli Gonçalves é jornalista A crise faz que com várias substituições ocorram, às vezes até coisas trocadas por outras bem mais simplezinhas

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

2hrhekh

ARTIGO – “Encurralados”, por Marli Gonçalves

people-angryman2haddawayOlha para um lado, para outro. Aí vai atravessar e uóóóim, o trem tira uma fina. Estamos assim, paralisados, sem saber para onde ir, quem apoiar, o que apoiar, nem mesmo se é para apoiar alguma coisa. Em São Paulo o problema é pior: travou. Fisicamente, na prática a cidade já está inviável

Quer saber o que o prefeito Fernando Haddad, de São Paulo, anda fazendo? Bem, além de anunciar meio chorando desanúncios de tudo o que prometeu sorrindo em campanha, toma medidas para atrapalhar ainda mais, e com explicações que beiram o stand-up. Uma delas umas tais faixas exclusivas para ônibus. Ideia louvável, não? Claro, mas se existisse lugar onde colocá-las, não feitas “porque sim”. Lembram a máxima de que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço? Pois bem: foram lá com umas latas de tinta e pintaram as faixas, tá? Aqui tem de passar o ônibus. Parece aqueles programas de comédia, mudos, que os caras vêm, pintam uma porta, abrem e entram. O cartunista Juarez era um craque nisso, todo domingo, no velho Fantástico.

Saturação total. Mandaram todo mundo comprar carro, e nada de planejar o sistema de transporte coletivo e circulação; embaralharam tudo de vez. Todos os dias dá nó, entre 150 a 200 kms de lentidão na São Paulo que não pode parar. Parado. Não tem para onde escapar – conheço muitos atalhos, e não tem jeito. A gente fica preso. Ou melhor, encurralado. E os motoqueiros malucos, as ambulâncias, arrastão, resgate, os carros de polícia (além dos engraçadinhos que passam atrás), mais uma ou duas manifestações, nossa nova média diária, todo tipo de obstáculos urbanos, forçam a passagem e pronto! A tal Lei da Física, dos dois corpos…, revogada. Peguei duas roubadas dessa essa semana. No rádio só a infeliz Voz do Brasil, e me apavoro observando o entorno: cidade escura, suja, placas tortas, sujas, cidade feia, descaso de coisas quebradas.

UK_Roundabout_8_CarsMas peraí que esse texto não é contra o moço meio sonso, que fica aguardando ordens de cima e que ainda não tomou posse, esperando o tal Arco prometido, e que não é íris! É sobre nossa situação geral. Sobre o momento político, protestos, a economia em derrocada, sobre a paralisia. Não dá para, sei lá, pensar nem dois dias à frente, menos ainda programar investimentos – e, por conseguinte, qualquer ideia de consumo e/ou alegria. O entusiasmo dos protestos – teve gente que brigou comigo porque “como é que eu não via as maravilhosas medidas dos congressistas, da Dona Dilma”? – sendo trocado por decepção na medida em que a pessoa se informe direito. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Mal acostumado com a boa moda inicial, qualquer protesto que tenha só 50, 100 pessoas é completamente desprestigiado. A não ser que os meninos maus, vestidos de pretinho básico, à frente, quebrem tudo ou ameacem – para virar notícia. Eles entenderam isso muito bem e mandam ver.

A verdade – lá vou eu!- é que não vejo mais nenhuma liberdade muito grande nas manifestações. Elas, agora – repara – têm muito mais polícia do que manifestantes. São tantos os policiais com cara de bravo que sufocam as passeatas, emparelhando dos dois lados das caminhadas e à frente, e atrás. Por cima. Não dá mais nem para ler as faixas. Ah, parece que ainda tem de avisar com antecedência para que o trânsito seja desviado.

Enfim, não é mais protesto – é evento festivo na rua; a espontaneidade, que foi a parte melhor do levante, já era. Tudo bem que sou, claro, contra quebra-quebra, mas não venham me dizer que o que estamos presenciando é liberdade de reunião, especialmente me referindo a São Paulo. Não é só o povo do mal que está cercado, mas todos os manifestantes. E daí para murchar tudo é um passo só.

animated-kids-crowdPior ainda é que já nem sabemos mais o que pedimos. Nem porque pedimos. A qual comparecer, qual engrossar. Os meninos, novidade, têm combinado cada vez mais esses encontros para a noite, muitos varando a madrugada. Virou um programa legal, barato, animado, e ainda dá para zoar as “minas”. Fora que tem segurança e a possibilidade de um “barato” com gás de pimenta gratuitamente distribuído.

Em junho quando pensava no cartaz que levaria, fui fazê-lo e não coube no papel. Era contra tanta coisa que protestávamos que viramos todos momentaneamente anarquistas. Fora isso, Fora aquilo!

Mas, olha que péssimo: estou vendo a hora que vai aparecer uma manifestação, marcha, concentração ou assemelhado para pedir é que parem as manifestações. Tudo acontecendo porque um grupo político está pisando no calo do outro, para ver estrelas e pulos dos gatos dos balaios. Pisando nas asas, para que fechem o bico curvo e colorido. Agora o silêncio cairia bem para eles.

Encurralados, estamos. E encalacrados.

São Paulo, 2013Marli Gonçalves é jornalista Sete de Setembro se aproximando e uma grande dúvida aonde isso vai dar. Se vai dar. Ou se vai só bater no muro de uma rua sem saída.

********************************************************************carpoolE-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

ABÍLIO, VOLTA! OLHA A FRENTE DO PÃO DE AÇÚCAR. GENTE, OLHA A FRENTE DE NOSSOS OLHOS. LIXO E GENTE, GENTE E LIXO JOGADOS NAS RUAS DO BAIRRO MAIS CARO DE SÃO PAULO

20130530_172520
Pessoas jogadas na rua. Esquina da Rua Oscar Freire, com Alameda Casa Branca, ainda por cima com a placa pichada como Mariguella há mais um ano, sem qualquer atitude da Prefeitura.

 

20130530_171947
LIXO JOGADO NAS RUAS. ACREDITE. ESSA E A FOTO SEGUINTE FORAM TIRADAS ESTA TARDE. É A FRENTE DO SUPERMERCADO PÃO DE AÇÚCAR, ESQUINA DA OSCAR FREIRE. ACREDITE.

 

20130530_171938
LIXO JOGADO NAS RUAS. ACREDITE. FOTO TIRADA ESTA TARDE. É A FRENTE DO SUPERMERCADO PÃO DE AÇÚCAR, ESQUINA DA OSCAR FREIRE. ACREDITE.

 

450 mil acessos por aqui. OBRIGADA, TURMA!!!

450 MIL ACESSOS SE COMPLETAM HOJE AQUI NESSE BLOG QUE TEM A HONRA DE CONTAR COM LEITORES ESPECIALMENTE MARAVILHOSOS, FIÉIS, LINDOS, CARIDOSOS, RICOS, INTELIGENTES, SEXIES,  E ETC E TAL.neon

homSe você não tem noção isso é muita gente, é muito legal.

É quase meio milhão.

Não tem propaganda.

Não ganho nada com ele. Faço nos minutos vagos e com amor e carinho.

Publico tudo o que acho que é importante.

Agradeço também às várias colunas de amigos que fornecem notícias

t313773432_27555_5Agradeço os links por aí

Agradeço a quem me segue no Twitter @MarliGo

e no Facebook…e no Instagram

Agradeço até os que tentaram vir fazer cocô por aqui e que foram rejeitados, sorry, que aqui é lugar de gente de bem

Agradeço aos gifs animados que dão a exata ideia do que penso sobre os temas

Agradeço especialmente aos leitores fiéis que vêm acompanhando meus artigos, entre os quais fiz muitos amigos, além de ter muita gente de primeira, primeiríssima linha, de quem sou fã confessa, tiete, mesmo! E que passam por aqui também.

Agradeço o apoio às minhas campanhas cidadãs. Teve a da PERERECA FLAUTINHA, para 0147simbolo de São Paulo. Tem a PATRULHINHA URBANA.

TEM A #ÁRVORENÃOÉLIXEIRA

soubrette001O espaço livre daqui está escasseando. Já aproveito para começar a divulgar também  o outro espaço que já abri

marligoncalves.wordpress.com

( Impressões & Imprensa)menagere005

 

 

Aqui a gente lava, passa, seca, torce, pendura no varal, faz tudo, ao mesmo tempo agora…

 

 

Patrulhinha Urbana em Ação: SOS HIGIENÓPOLIS, EM TRÊS APELOS. DOIS PELAS ÁRVORES; UM, PELA RUA PARÁ, COM OBRA IRREGULAR

praça vilaboim – DESCASO LEVA RUÍNA PARA UMA TRADICIONAL ÁREA VERDE, COM ÁRVORES PRECISANDO SER REMOVIDAS

vilaboim_caiopimenta111. RECLAMAÇÃO DE MICAELA MARCOVICI

Já se passaram mais de dois anos que estou lutando pela manutenção da Praça Vilaboim. Todos os e-mails devidamente arquivados.

 Só tenho como respostas que vão providenciar ……

 Hoje ( SEXTA, 10 DE MAIO ) o Estado de São Paulo publicou na P. A32 que “Praça Vilaboim vai perder Figueiras”, comentando a remoção da arvore (centenária) central e provavelmente de mais três outras arvores.

Gostaria de ressaltar que não foi por falta de pedidos, de avisos, ou de contatos….NADA  FOI FEITO Senhores !!

Agora cortar torna-se tão mais simples não é ?. Estou profundamente entristecida…se fosse na frente de suas residências , provavelmente já teriam resolvido o problema !!

 —————————————————————————-

 vilaboim2 – blog do madia –

v\:*PRAÇA VILABOIM CARECA

Uma das mais tradicionais praças de São Paulo, a VILABOIM, que frequento desde que me mudei para a cidade há mais de 50 anos, perderá suas árvores, galhos e folhas. Ficará careca, pelada, para quem olha de cima. E para quem olha de baixo, irreconhecível. Outro dia um galho caiu e quase feriu um homem. São figueiras, plantadas no início do século passado, e totalmente fragilizadas e comidas pelos cupins e fundos de toda a espécie. Com elas, perde-se parcela importante do que de mais relevante aconteceu na querida praça nos ultimos 110 anos. Coisas da vida, da falta de planejamento, do descaso, de um mundo que migrou seus olhos, atenção e cuidados para outras plataformas. Como se não fosse gostoso navegar pela rede sob a sombra de frondosas árvores. Muito especialmente agora que 120 espaços públicos da cidade terão internet livre – Wi-Fi. Em verdade, a VILABOIM já tinha perdido muito de seu encanto anos atrás com o fechamento do CAFE E RISTORO ROMANO. Viver é se despedir permanentemente. Acho que é por ai.

http://www.blogdomadia.com.br/index.php/2013/05/11/praca-vilaboim-careca/

 ——————————————–

–OBRA IRREGULAR

higienopolis3. obra

Francisco Jose Sidoti, SOBRE A RUA PARÁ, 252

 

Tomo a liberdade de participá-lo do assunto a seguir: A impunidade no Brasil chega a extremos assustadores, na Rua Pará local onde outro dia um crime cruel e covarde aconteceu e o assassino já esta em casa, do outro lado da rua no 252, uma obra que teve seu processo indeferido pela Prefeitura, portanto clandestina, corre leve, livre e solta, de forma arrogante e pretensiosa pelo construtor, pasmem chegaram a proibir a entrada da Defesa Civil. Apesar das inúmeras denúncias efetuadas à Prefeitura pelos vizinhos nenhuma ação fiscalizatória foi feita. Até ao Ministério Público já se denunciou e nada acontece, será porque não tem a repercussão que o Jóquei tem ? Nossa sociedade é hipócrita, quando o pior acontece sai chorando como nas 240 vítimas de Santa Maria ! A verdade é que a impunidade no Brasil tem o benefício da certeza e nós contribuintes se quer temos o direito do benefício da dúvida sobre o exercício da lei. Uma sociedade conivente e envolvida com a impunidade é uma sociedade falida.

Mais detalhes rua para 252, recuo ZERO, taxa de ocupação de 3 vezes a área, obra clandestina, sem AVSB dos bombeiros, sem Contru, cozinha industrial no sub solo, um descalabro e ninguém faz nada. O Construtor debocha arrogantemente de todo mundo

ARTIGO – Salve-se quem puder!Por Marli Gonçalves

98x98_63fms_raio_190v8kDeseducação, deselegância, pouco caso, grosserias e mentiras ditas e repetidas como mantras, acompanhadas de imagens publicitárias, incentivos ao confronto como turbas enfurecidas. Será a água que bebemos, o ar que respiramos? Ou é apenas o chão que pisamos, território nacional?bateau003

Corre na internet uma velha piada, a de que as grávidas e os velhos devem dar sono porque basta que se aproximem para que todas as pessoas apareçam dormindo nos ônibus e transportes coletivos. Todos os dias surgem nas redes sociais postagens muito reais e verdadeiras, várias documentadas com fotos, com exemplos espantados de enfrentamentos ou de situações verdadeiramente primitivas, e totalmente deselegantes, como diria a Annenberg. Problema é que elas estão se avolumando de forma assustadora, em todos os níveis, e nós não podemos continuar considerando normal essa situação, porque já seria uma derrota geral.

Surgem imagens de carros parados em vagas exclusivas e seus donos jovens e fagueiros ou pomposas senhoras ligando os seus foderaizers particulares, dando de ombro, vários até bem ameaçadores. Surgem murmúrios, reclamações e constatações sobre pequenos encontros e esbarrões, e de tanto ouvi-los, chego à conclusão que infelizmente houve uma morte terrível e não anunciada: as desculpas, o pedido de desculpas. E sinto ainda informar que se encontram em estado grave as expressões “com licença”, “obrigado”, “por favor”.

dfjc24adComo ninguém – eu disse ninguém – pode me chamar de careta, reacionária ou outros adjetivinhos em voga na boca da turba louca, me divirto muito, porque escrevo mesmo: estamos andando para trás, estamos regredindo, perdendo o sentido do social, que não é só o que os tais últimos dez anos de poder político apregoam. Social é convivência, cidadania, solidariedade, e não é bem o que a gente vê sendo incentivado, muito menos naquele Brasil engraçado ( que desconheço, assim como várias pessoas que consultei) que mostraram na tevê no horário político do PT essa semana. Como tão bem descreveu um amigo, ao ver a imagem do mapa do Brasil subindo, em relevo, da Terra, saindo para a órbita celestial, decolando, conforme diz o narrador: “Decolou mesmo. Está indo para o espaço!”

trem fantasmaPensando no assunto, do ponto de vista social, não político, percebi que apareceu uma nova e devastadora cultura, à qual chamarei provisoriamente de cultura BBB, reality show. Aquele bando de brucutus e brucutuas sem cérebro, querendo vencer a qualquer custo e ganhar uns trocados e alguns segundos de fama, moralistas, muitos homofóbicos, fazendo fofocas e intrigas, estabelecendo padrões angustiantes, tanto estéticos como morais. Nem a nudez mais é pura como devia ser. Nos vestiários femininos e masculinos de academias assistimos às mais novas acrobacias, de dar inveja aos contorcionistas! Outro dia me contaram rindo muito uma cena de um cara que, de tanto medo de ser, digamos, “comido com os olhos”, se entortou todo para botar uma cueca mais rápido que a luz, depois de tirar aquela bermuda justinha que os lutadores usam nos treinos. E olha que estou falando de jovens, ok? Não há mais flor da pele, apenas nervos aparentes.

Falo de uma guerra urbana na qual vemos todos os dias nos noticiários os resultados e eles são a cada dia mais cruéis. Bicicletas esmagadas, bebês esmagados, mulheres esmagadas, animais esmagados. Não tem dia não tem noite não tem calmaria. Não tem lugar. Aumentam assassinatos, estupros, professores espancando alunos e vice-versa. Não tem idade, só brutalidade.

Tente sair com o espírito leve, solto, tralalá,tralálá. Só com sangue de barata conseguirá voltar para casa sem ter se irritado, sem ter sido maltratado, ou literalmente pisado pelos transeuntes que agora andam só de cabeça baixa teclando alucinados seus celulares e dando encontrões por aí.

Tente passar sozinho por um grupinho de celerados iguais, com seus risinhos irônicos e comentários entre dentes. Tente esperar que lhe deem passagem voluntariamente.

Pior, quando o caso requer, tente procurar autoridades para ajudar.

Viraremos todos mosqueteiros ao contrário. Ou empunhando espadas por aí.

São Paulo, SOS, 2013 MEDITATIONMarli Gonçalves é jornalista– Tem horas que busca a calma lá nos fundinhos. Da alma.

********************************************************************E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

Tenho um blog, Marli Gonçalves, divertido e informante ao mesmo tempo, no https://marligo.wordpress.com. Estou no Facebook. E no Twitter @Marligo

ARTIGO – DANCINHA DO TOMATE, POR MARLI GONÇALVES

0001Vou é inventar uma dancinha já já. Preciso ficar famosa. Aliás, precisamos. Mas o problema é que sempre é necessário fazer um vídeo, publicar no YouTube, cair na rede e rezar. Esperar “bombar”, uma coisa que ninguém sabe exatamente como ocorre, como é que algo se torna viral, e como se ganha algum com isso tudo – só o sucesso assim, seco, não vale. Vamos precisar marcar uma data, convocar um povo, irmos à praça pública, pensar no figurino, descolar uns brindes, umas gostosas… Quem topa? rocket group nd_070 nd_073

Sou brasileira, portanto… É. Não desisto nunca. Mas não é só isso. Temos ginga, não? Somos um povo simpático, receptivo, criativo, espirituoso, rebolativo, e que sempre dá um jeitinho de passar um dia após o outro, deixar para depois até que o depois nos atropele e não preste socorro. Mas tudo bem. Otimismo! Somos maravilhosos, umas pitanguinhas.

Assim, resolvi pensar numa coreografia especial e peço a ajuda de todos. Imaginei começar algo bem para “cima”. Mãos ao alto, para lembrar como é legal ninguém mais conseguir sair tranquilo nem até ali. Elas, as mãos, ficam um bom tempo no alto, porque a gente vai fazer igual na política, e dividir nossos grupos em dois: Nós e Eles – chamemos assim. As mãos só se abaixarão quando o outro grupo recuar. E assim por diante.

54yhPor sua vez, até que se afastem, os movimentos de mão desse grupo Eles serão bang-bang, simulando um bang-bang, com uma arminha de brinquedo, um explosivo, um rojão. É muito importante o uso das mãos nesse grupo que ataca. As mãos afanam, afagam, e tem uma líder que faz coraçãozinho toda hora com elas.

Os passos: o grupo Nós fica um bom tempo literalmente pisando no tomate – obrigatoriamente teremos de usar tomates cinematográficos porque o verdadeiro, vocês sabem, está pela hora da morte. Para entender esse passo, lembrem do Luis Vieira, do Luiz Gonzaga, daquele passinho miudinho, xaxado, atrás do tomate que foge, como se alguém o puxasse com uma cordinha, já que não dá para comprar nem ele. Sentiu o balanço? Mãos para o alto, mãos para trás.ShadowBallet

Detalhe: as mulheres desse grupo Nós terão de manter as pernas bem fechadas, enquanto o grupo Eles simulará chegar em uma van de vidros escuros. Mas aí tem de ter também alguma estrangeira, porque parece que só assim as brasileiras chamam a atenção – precisam cantar em outra língua. Só assim terão atenção, pacificadas.

O resultado final vai ficar uma coisa bem mistureba, tipo Village People, YCMA, lembram? Polícia, índio, operário, agricultor, etc. Mas a gente vai poder inovar mais – somos muito mais diversificados. Podemos ter, por exemplo, uma fila de pastores. Outra de estudantes gritando em vão. Empregadas libertadas do terrível jugo escravocrata. Políticos com olhos e ouvidos tapados. E pisa no tomate! Sem esquecer o batuque.

omar_scratching_md_whtPodemos também pensar em homenagear outras dancinhas famosas na nossa coreografia: a da banana, que parecemos ver todo dia, aqueles movimentos de braços. Aqui, ó! A dancinha Thriller, do Michael Jackson – as ruas já têm dezenas de mortos-vivos, precisaremos só chamá-los para engrossar nossa coreografia, o passo já conhecem. Bem, o movimento Harlem Shake já está embutido, porque mais do que estamos sendo sacudidos, difícil. Só não pode esquecer o sorriso no rosto. O Gangnam Style eu já acho que usaremos apenas um pouco só do nome do autor coreano. Faremos o Psiu! Calado! Não reclame. Há um monte de gente que saiu da linha da miséria, todo mundo pensa no seu conforto, está tudo a mil maravilhas. Daí diminuírem preços de um lado e aumentarem de outro, para dar um balanço especial. Como as ondas do mar.

Nós e Eles: vai ter uma hora que todos dançaremos juntos. Juntinhos, agarradinhos, para “sensualizar”. Pode haver inserção de takes, “A luz dessa cidade sou eu”, com Daniela Mercury e outras bandas. De um lado. De outro, sertanejos e Calypsos, Joelmas e Chimbinhos, Hudsons…stripy

Ainda não cheguei à conclusão sobre qual ritmo geral vai predominar, mas isso não terá tanta importância, se raps, hips ou hops. Talvez saia uma geleia igual no jazz.

Vocês estão aí rindo? Não estão me levando a sério? Pois saibam que, se fizermos tudo direitinho temos grandes chances de acabar com uma guerra anunciada. É. Ou vocês acham que o ditadorzinho da Coreia do Norte, o Kim Jong-un, não vai querer correr para cá, para pisar no tomate também?

Vamos lá! Até o chão, chão, chão. Ai se eu te pego!

São Paulo, delirante, 2013minisport01412kmMarli Gonçalves é jornalista– Andam me cobrando mais otimismo. Tá aí. Topa um ensaio geral? É devagar! É devagar! É devagar, é devagar, devagarinho… Devagarinho.

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

ATENÇÃO: Por favor, ao reproduzir esse texto, não deixe de citar os e-mails de contato, e os sites onde são publicados originalmente http://www.brickmann.com.br e no https://marligo.wordpress.com

ARTIGO – Será que sou só eu que moro aqui? Por Marli Gonçalves

DUASNão, não, não, não pode ser. Não, não sou só eu que moro aqui nesse quarteirão, bairro, vila, cidade, Estado, país. O pior é que tenho me feito essa pergunta cada vez mais frequentemente e por causa de várias situações. Não é possível que seja só eu que ouço barulho, vejo sujeiras, leio absurdos, quero um mundo melhor. Mas ando cansada de ser a que reclama, briga, se expõeringleader_yelling_thru_megaphone_md_clr

Há alguns anos havia uma expressão engraçada, de moda, para definir você parar, não se mexer, deixar passar: era “deitar o cabelo”. No meio gay era normal ouvir alguém deitando o cabelo, o que já vinha impregnado de movimentos e meneios. Mas era só para situações tipo “cansei”, “vou embora”. Hoje, me parece que todo mundo resolveu deitar o cabelo, e eu só não sei como conseguem lidar com os seus próprios travesseiros.

Aliás, literalmente. Terão todos os meus vizinhos vidros duplos, triplos, anti-ruídos e antibarulho de bêbados, ar-condicionado? Serão todos surdos? Ou terão todos acesso fácil a previdentes e efetivas bombas, em pílulas de dormir? Ou, ainda, potentes tampa-ouvidos (os normais não adiantam)? Talvez já estejam adormecidos na vida?

Juro que me pergunto isso em várias noites da semana, quando a falta de educação, o descaso, a sacanagem, a incivilidade, etc., me acordam; ou mesmo, nem me deixam dormir, só quando vencida pelo cansaço e mau humor. Já era ruim, mas a cada dia está pior o barulho de calçada de um certo “bar-clube-boate-restaurante-eventódromo” que fica do lado do prédio onde moro, na região central de São Paulo. Não vou dar o nome porque eles nem merecem – mereciam só um Número. Daqueles, igual aos Irmãos Metralha, na camiseta dos donos que ignoram qualquer apelo razoável. Em frente tem também um estacionamento de uma só entrada e que também é saída, uma coisa meio Boate Kiss – o que é bem proibido, mas está ali. Só pode ser porque os donos são generosos e colaboram vocês sabem com quem. Incrível. Como já reclamei para tudo quanto é canto, penso agora em agendar com o Papa.

meekins-megaphone(b)Um coitado ali de perto que não sei quem é, esse pirou de vez: arrumou um megafone e fica gritando contra o barulho durante horas ( gravei e até postei no YouTube, Aqui ). Ou seja, ele também faz barulho, mas eu até compreendo bem o seu desespero.

Estou falando de um quarteirão badalado, um lugar super habitado, cheio de prédios daqueles com apartamentos de babar e andar de bicicleta na varanda, onde vivem pessoas poderosas, muitas crianças e idosos. No máximo, e só agora mais recentemente, duas ou três iniciativas isoladas contra a balbúrdia. Se juntássemos mais gente essa coisa não iria tão longe. Há alguns anos por coisa bem parecida mais de uma centena tomou a rua, vestidos com pijamas, camisolinhas e arrastando seus travesseiros. O máximo. E resolveram.

th_MegaphoneEsse exemplo pessoal do meu ao redor vale também para os descalabros do país, arredores de todos nós. Há uma espécie de anestesia geral, bobeirite, que piorou com as tais das redes sociais – todo mundo reclama, xinga, mas no fundo não faz é nada. Convoca protesto, diz que vai e não aparece. Fica esperando que alguém faça, brigue, lute, enfrente, se machuque ou morra. Já vi isso. E não é bom; não dá em nada.people_jobs_e0

É um tal de jogar serviço no colo do outro! Como desde menina tenho tentado mudar o mundo, acham (mas não é verdade) que sou super corajosa, meio heroína, vocês não imaginam como há coisas que “só eu posso escrever”, como me apelam. Só esquecem que sou sozinha, não tenho costa larga, advogado na família, e muito menos um bom trombone.

Prestem atenção. Vocês ainda não entendem o que está acontecendo no momento, porque ainda está debaixo do pano, sufocado e até censurado: há uma caça a quem não pensa como eles (vocês sabem quem), não xinga a Justiça que os julgou culpados, não acha aquele ex lá, “Ele”, lindo, perfeito, gostoso, senhor de todas as coisas. Não vê como “Ela” é ma-ra-vi-lho-sa, está mudando o Brasil, fazendo chover e secar, distribuindo graças, acabando com a miséria – Deus tá vendo!shwassat_e0

Só cresce erva daninha, quem se vende para um lado. Não há mais parâmetro profissional. Há gente escalada para o trabalho sujo, e por dinheiro, muito dinheiro, que vem de apoios que caem do céu, em cascatas, mas só se você é bonzinho.

Não, não sou só eu que moro aqui. Somos centenas aqui, milhares ali, milhões lá.

Não queria eu fazer barulho para acordar a todos. O tempo passa e a gente fica meio descrente.

No momento, a revolucionária que vive dentro de mim também está querendo deitar o cabelo.

QQQ (69)São Paulo – junte-se!- 2013Marli Gonçalves é jornalista– Antes que perguntem, sim, já dei um show na porta desse lugar que perturba muita gente, até porque não sou de mandar recado. Até me diverti bem deixando os “chics” de cabelo em pé. Mas uma andorinha só não faz verão. E eu não sou ninguém, já que não sou só eu que moro aqui.

********************************************************************E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

Olha só:
Toda semana escrevo artigos, que também são crônicas, que também são nossos desabafos, e que vêm sendo publicados em todo o país, de Norte a Sul. Isso muito me envaidece, porque é uma atividade voluntária que exerço pelo prazer de escrever e, quem sabe, um dia, possa interessar alguém que a financie. No momento, não é o caso – não consigo viver disso sem vocês, leitores. Se você recebe por e-mail é porque está inscrito em nosso mailing, ou porque é jornalista e a gente já teve algum contato. Ou, ainda, está recebendo de outra pessoa – são milhares de repasses, que agradeço muito – que gostou e achou que você deveria ler também.
Tenho um blog, Marli Gonçalves, divertido e informante ao mesmo tempo, no https://marligo.wordpress.com. Estou no Facebook. E no Twitter @Marligo

ATENÇÃO: Por favor, ao reproduzir esse texto, não deixe de citar os e-mails de contato, e os sites onde são publicados originalmente http://www.brickmann.com.br e no https://marligo.wordpress.com