#ADEHOJE – UMA É BOA. O RESTO, POUTPOURRI DE NOTÍCIAS DE VIOLÊNCIA

#ADEHOJE – UMA É BOA. O RESTO, POUTPOURRI DE NOTÍCIAS DE VIOLÊNCIA

Só um minutoIGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO ELEITO PARA A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Poltrona 11. Orgulho do amigo e mestre.

Aí vem a sequência de loucuras nacionais e internacionais. Adolescente de 17 anos é suspeito de ter participado do massacre na escola em Suzano. Polícia investiga web profunda e ligação com o PCC. O ex-PM e miliciano Ronnie Lessa, acusado de ser quem atirou em Marielle Franco e Anderson Gomes recebeu 100 mi reais em sua conta meses depois do crime. Explode loja de armas em Ribeirão Preto. Na Nova Zelândia, um país que sempre se orgulhou da paz em seu território, um jovem australiano de 27 anos lidera ataque simultâneo a duas mesquitas que resultaram em 49 mortes e outros tantos feridos, alguns em estado grave. Se apresenta como fascista e anti imigrantes.

O fascismo e os pensamentos da direita e de dominação se expandem de forma alarmante em todo o mundo.

#ADEHOJE – SÓ UM MINUTO – CEARÁ EM CHAMAS E O MEDO NAS RUAS E NAS CASAS

#ADEHOJE – SÓ UM MINUTO – CEARÁ EM CHAMAS E O MEDO NAS RUAS E NAS CASAS

Quem passou por aqui ou estava em São Paulo em maio de 2006, quando os ataques do PCC fizeram mais de cem vítimas sabe o que o Ceará está passando nesses últimos dias. É um terror indescritível. Você não sabe o que pode acontecer a cada passo. Se vai conseguir chegar ou sair, trabalhar, buscar filhos, viver. Hoje, lá, com a chegada da Força Nacional, os ataques estão ocorrendo no interior do Estado. Aqui em São Paulo, o bate-cabeça da segurança pública continua. Ontem, plena tarde de domingo, uma perseguição policial de mais de 12 quilômetros acabou com um bandido morto, mas dois pedestres que estavam passando em frente a um shopping foram baleados. Houve ainda mais um caso na Zona Leste, e uma grávida acabou atingida. Mas também dentro de casa as mulheres que deveriam estar sob leis de proteção continuam sendo mortas.

CAIU! UFA! CAIU O SECRETÁRIO DE SEGURANÇA DE SÃO PAULO. DO G1

 

Secretário da Segurança Pública de São Paulo deixa o cargo

Antonio Ferreira Pinto deixa a função em meio à onda de violência.
Nesta madrugada, sete pessoas morreram na Grande São Paulo.

Do G1 São Paulo

O Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, pediu exoneração do cargo nesta quarta-feira (21), segundo a TV Globo. A mudança no gabinete de Segurança acontece no momento em que o estado passa por uma onda de violência. Ainda segundo a TV Globo, o ex-procurador geral de Justiça Fernando Grella Vieira assumirá o cargo.

A assessoria do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, ainda não comentou o fato.

Entre a noite desta terça (20) e a madrugada desta quarta-feira (21), sete pessoas morreram na capital paulista e em Itaquaquecetuba, Guarulhos e Osasco, na Grande São Paulo. Quatro dessas vítimas foram mortas em ataques feitos por criminosos em motos. Um ônibus foi incendiado na Zona Leste – ninguém ficou ferido.

O número de mortes nesta madrugada é superior à média diária de assassinatos no mesmo mês do ano passado, que foi de 6,6 vítimas (veja tabela).

Em Guarulhos, uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas após homens em motos atirarem contra elas. Segundo a Polícia Militar, o caso aconteceu às 21h49 na Rua Domingos Araújo de Almeida, local conhecido como ponto de venda de drogas.

Em Itaquaquecetuba, três pessoas morreram em um crime semelhante. Segundo a PM, elas estavam conversando por volta da 0h30 quando foram atingidas por um atirador de moto. Uma quarta vítima foi levada ao Hospital Santa Marcelina e, até a madrugada desta quarta, seu estado de saúde era considerado grave, segundo a PM.

ARTIGO – Desgovernados, por Marli Gonçalves

Se contar ninguém acredita. Não tem dia que você tem vontade de esfregar muito o olho para acreditar no que vê? Ou pensa em enfiar bem forte um cotonete no ouvido para ter certeza que não está entupido, e que você não está louco, não? E me diga se essa semana não bateu recorde, e se o número de sandices ditas pelas autoridades não ultrapassou os limites. Mais do que isso já poderemos decretar calamidade pública! Enchente de saco! Salvem-nos desses governantes!

Eu gosto. Gostaria de poder escrever com mais frequência sobre coisas leves e divertidas, ligadas a comportamento, costumes, mas quem disse que dá? Não dá para escrever sobre flores. Sobre crianças, só se for para recomendar que tampem seus ouvidinhos e não aprendam nada com esses tipos que declaram as coisas nas nossas caras e a gente tem de enguli-las. Tipo fala que eu engulo.

Por onde eu começo? Pelo governador atarantado ou pelo ministro desmedido com cara de sério?

Você, claro, ouviu, viu, leu – foi notícia internacional, para nossa vergonha – que o ministro da Justiça do país chamado Brasil declarou, em alto e bom som, tipo declaração bombástica, que preferiria morrer a ficar preso em uma de nossas cadeias? Pois foi! Ele fez isso. Sendo que, primeiro, as cadeias – realmente péssimas, entupidas, horrorosas – estão sob sua alçada há pelo menos dois anos, e, depois, há dez anos estão nas mãos da sua turma, e ele esse tempo todo ali, firme, sem dar um pio sobre o assunto, que a cada dia só se agrava. Inclusive gerando a onda de violência a que estamos assistindo, e que agora se espalha de São Paulo para outros Estados e até acontecendo em pequenas cidades. O horror dos horrores, tocado por um poder paralelo. E de dentro dos presídios.

Portanto, se eu fosse ele, o ministro, o próprio, com tudo que ele já botou de dedo na cara de outras pessoas, tipo justiceiro padrão, destratou interrogados em CPIs, e pelo conjunto da obra, também não ia querer ir para o presídio, não. Os caras iam realizar a parte que diz que ele preferiria morrer.

Há muitos anos vem se formando nas barbas do governo federal – e há quem acuse até de um certo conluio partidário, mas isso eu não acredito – uma ideologia de justiça paralela, com uma constituição própria, leis duras e que se fazem ser cumpridas a ferro e fogo, organograma de trabalho e agilidade em comunicação. Os caras têm até um vocabulário próprio, com personalidade e sangue tão naturais que gera sem parar palavras e expressões que estão nos raps, nos hips e nos hops da música que já invade nossas casas. Ou alardeada por alto-falantes potentes dentro de carros que apavoram nas ruas das cidades, fazendo até tremer a janela. Uma das palavras mais temidas é o “Salve”. E o “Salve geral”.

“Salve” é a ordem. De todos os tipos. Inclusive para matar, como confessou um integrante essa semana. Simples assim: ele devia 10 mil reais. Trocou a dívida pelo cumprimento de um assassinato de policial. Ainda declarou que ligou antes para saber se servia se ele matasse um policial civil que achou, ou se tinha que ser militar. Salve geral é ordem para todos os comandados, e não dá para sobreviver dentro do presídio se não o for. Vira uma legião de anencéfalos, zumbis, sem o que ganhar. Sem o que perder mais.

Isso não lembra a vocês certos partidos e movimentos da Europa no século passado, que acabaram por dizimar muitos milhares? Não lembra certo bigodinho? Na imprensa já se fala abertamente no Exército do crime, embora ainda se refiram ao PCC, como aquela “organização criminosa que controla os presídios”. Para não fazer marketing.

Aí, como íamos dizendo, com tudo isso, o ministro vai e dá o caldo da canja, tentando sensibilizar o povo em favor dos amigos coitadinhos, aqueles do Mensalão, que já deu o que tinha que dar.

Ah, se fôssemos um país organizado e com vergonha na cara! Ouvi por aí que caberia agora legalmente um monte de ações possíveis, começando uma por improbidade administrativa. Até os criminosos poderiam tentar alguma coisa alegando falta de direitos humanos – já que os mandam para lugares tão infernais assim, como reafirma e admite o ministro.

Mas até agora não ouvi nem vi nada, a não ser tiros, e aqui na esquina de casa. A oposição está dormindo profundamente no seu bercinho cheiroso e seguro. Mamãe só olha e faz cara feia.

Haha! Pensaram que eu esqueci do governador tucano e atarantado de São Paulo que em dois dias poderia vencer o prêmio “Sem Noção” do ano, ou dividi-lo com o ministro? Não! Esse merece o Oscar do desconsolo e falta do que dizer para justificar que o secretário da Segurança ainda esteja lá sentado na cadeira falando em es-tra-té-gi-as, como se a situação não estivesse pegando fogo agora, periclitante! Fora isso, para o governador, o número de mortes, de chacinados e policiais, está dentro do padrão porque somos, segundo ele, em São Paulo, maiores que a Argentina. (?). Os telefones celulares pelos quais são dadas as ordens de dentro das cadeias não podem ser bloqueados – não conseguem. (?). E, inclusive – juro que ele falou isso, pode procurar -, esses celulares são importantes porque servem às investigações, quando são grampeados. (?).

Quer dizer: eles até sabem os números, a quem pertencem, e solicitam – não é chique? – que sejam grampeados, para ouvirem a conversa. Cortar a conversa, a comunicação, o que seria correto, dizem que não dá. Vou contar: sabem que chega a 20 mil reais o preço de um celular que entra no pedaço, dependendo do “lugar” e “prestígio” dos meliantes? Quem será que leva? Por que será que não dá para bloquear?

Hein?Hein? Governo, para que governo? Se hay Gobierno, soy contra! Mas busquei umas frases definitivas. Olha só:

– “Para mim, governo ético não é não roubar e não deixar roubar, isso é obrigação, é ridículo. Para mim, governo ético é eficiente.” (Geraldo Alckmin)

– “Se o governo vai bem, todos vão bem. Se vai mal, afundamos juntos.” (Luiz Inácio Lula da Silva)

– “O governo da demagogia não passa disso: o governo do medo.” (Ruy Barbosa)

São Paulo, cidade tensa, 2012

Marli Gonçalves é jornalista Fora as bobagens do pessoal da economia do governo. Eles deviam ir fazer umas compras no mercado.

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NÃO FALEI? RECORD NÃO SABE “BEM” QUEM É O PM ASSASSINO QUE BOTOU NO AR. LEMBRA O CASO DO GUGU. VEJA NOTA DA SECRETARIA: ELES ESTÃO P…DA VIDA COM A EMISSORA

FONTE: ASSESSORIA DE IMPRENSA SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO

NOTÍCIA ANTERIOR, AQUI

Record admite não ter identidade de suposto PM assassino

Numa reportagem exibida na noite desta quarta-feira (14 de novembro) pelo Jornal da Record, a Rede Record de Televisão cometeu um grave erro de jornalismo ao expor a entrevista de um suposto policial militar que afirma ter matado cinco ou seis pessoas num também suposto esquema de vingança contra as mortes de PMs ocorridas neste ano.

O pecado jornalístico a que nos referimos é o fato de a emissora ter admitido, em ofício de seu departamento jurídico e também na reportagem, sequer ter a identificação da suposta fonte de informações. Ou seja, um repórter da Record foi escalado para entrevistar uma pessoa que confessa o crime, mas esta entrevista é veiculada sem que o Departamento de Jornalismo da emissora cheque a veracidade da identidade da “fonte”.

Assim que a emissora exibiu trecho da entrevista na manhã desta quarta-feira, a Corregedoria da Polícia Militar instaurou inquérito policial militar e solicitou formalmente à emissora a identificação do suposto PM, para que este fosse preso e investigado.

O Departamento Jurídico da Record recusou-se a fornecer a informação, alegando que só o faria mediante decisão judicial. No final da tarde de quarta-feira, o juiz Luiz Alberto Moro Cavalcante, Corregedor Permanente da Justiça Militar do Estado de São Paulo, determinou que a emissora fornecesse à PM cópia da matéria que seria exibida e a identidade do suposto PM.

Apesar da ordem, o Departamento Jurídico da Record limitou-se, somente, a divulgar a cópia da reportagem. E alegou, para omitir o nome do suposto policial, que os “jornalistas da emissora responsáveis pela matéria (…) não possuem tais informações”.

Qualquer manual de redação reza que informações, e principalmente denúncias, devem ter a origem e a veracidade checadas antes de serem publicadas ou veiculadas.

São conhecidos dos jornalistas e telespectadores brasileiros episódios em que entrevistas com criminosos foram forjadas para fazer frente à guerra de audiência.

Nesse caso da Record, não se pode fazer tal ilação, uma vez que a empresa sequer conhece o entrevistado que utilizou para embasar uma grave acusação.

Frente a este procedimento que fere o bom senso, a Polícia Militar e a Secretaria de Estado da Segurança Pública avaliam quais serão as providências jurídicas e policiais para: esclarecer os supostos crimes noticiados pela “fonte desconhecida” e buscar eventual responsabilização pelas informações divulgadas.

ARTIGO – Vem quente que eu estou fervendo, por Marli Gonçalves

Quanto mais quente, melhor? Nem sempre. Alguma coisa parece estar fora da ordem e o calor não é mais aquele, só gostoso, de vontade de pegar uma praia, tomar cerveja, se lambuzar de sorvete. É estafante, diminui qualquer vontade e arrasa qualquer lógica; faz acreditar e delirar até que só a gente está tendo aquela sensação horrorosa, certa paranóia. E os acontecimentos não param de chegar: más notícias mundiais, medos e ameaças, previsões catastróficas e a maldita realidade esquentando nossas orelhas, até com caçadas humanas

Parece que estamos derretendo e o verão ainda nem chegou. O ar rarefeito e seco embota os pensamentos, e é muito difícil trabalhar pensando, com alguma atividade intelectual, necessitando de ideias e criatividade nesses dias em que a coisa pega pesado, que o tempo esquenta tanto que a gente acha que vai fritar que nem bolinho. E se nem pensar dá, imagine quem tem de fazer esforços físicos, braçais. Nesse tempo quente, tudo esquenta, a cabeça esquenta, e certamente sobe o índice de agressões e desentendimentos e desinteligências que ocorrem por aí porque ficamos muito mais irritados quando as roupas grudam no corpo e você sua, pinga, e ainda vem alguém lhe pagar um sapo, ou tentando lhe dar uma volta.

O calor que faz é quase selvagem. Não é civilizado, diz um amigo.

Penso imediatamente – no caso, pela nudez permitida – nos índios que, inclusive, também estão na ordem do dia, principalmente uma tribo guarani-caiowaa que conseguiu passar uma angústia enorme para a elite brasileira ao prometer lutar até o fim pela permanência em terras onde chegaram e se instalaram, vizinhos de uma usina que não faz qualquer questão desses vizinhos. Logo, pela internet, lutar até o fim acabou virando rapidamente ameaça de suicídio coletivo e aí foi o Deus-dará.

Do dia quente para a noite quente também, muita gente virou índio, trocou de nome na internet; os índios viraram a bola da vez de um certo delírio social e solidário coletivo, comoção nacional, razão pelo que se condoer, junto com furacões e super tempestades para assistir na tevê, pensando que, puxa, olha só, lá eles também têm desgraças. A água também traz enchentes. Árvores também caem. Mas repara só como muito menos pessoas morrem na desgraça. Porque há previsão, comunicação a tempo, serviços que funcionam, ordens que são cumpridas por todos. Há solidariedade. Um certo governo. Consciência de coletivo.

Depois de refrescar o pensamento com a nudez indígena, penso novamente no calor. E vem à mente os uniformes e fardas que, inclusive, mais do que quentes, tornaram-se roupas muito perigosas ao serem usadas nas ruas de São Paulo e arredores, onde parecem estar virando mira de tiro ao alvo. Todos os dias vários policiais são mortos ou emboscados. No seguinte, o revide, e mais mortes, para o outro lado. Bang-bang mesmo. Boatos e toques de recolher se espalham pela cidade, tornando-a uma verdadeira fogueira. Brasa viva, porque não se sabe para onde ir ou não ir. Zona de guerra urbana.

Só que essa guerra, sabe-se por que, de onde vem, como foi iniciada a sua formação e a organização do comando, ano após ano de negativas de autoridades do que ocorria em suas barbas. E essa organização de três letras que esquenta e sopra as orelhas do Estado e toda sua força policial não é mequetrefe. Rica e bem engendrada, suas raízes devem estar incrustadas crescendo de alguma forma invisível, para surgir quebrando a calçada e derrubando muros, tal como as seringueiras. Invisíveis e podres poderes. Porque o que vemos são apenas os seus soldadinhos bem rasos, esquálidos e bem jovens, sendo carregados mortos em rabecões ou vivos em camburões, onde são jogados invariavelmente com uma camiseta suja, uma bermudinha velha e sandália de dedo. São bucha de canhão, carne de segunda.

Essa coisa é muito maior e mais malévola do que se possa crer. Não é mesmo igual às organizações que nasceram e se criaram no Rio de Janeiro, mas ainda por cima parece evidente que parte dos enxotados de lá vieram para cá e entregaram seus curriculuns criminosos e de comportamento antissocial para serem aceitos e aqui protegidos. Tipo troca de passe.

É um novo cangaço que surge. O calor se espalha. E ainda há bateboca e dizquedizque de política com secretário boca mole, ministro metido, governador insípido e presidente gostando de beija-mão, adulação, para poder fazer cara de brava. Enquanto isso os índices sobem, inclusive os de custo de vida, e os de números de caçadas e mortes estúpidas.

O couro comendo aqui fora. O verão ainda vai chegar. Calor demais. Melhor desamarrar o nó da gravata.

São Paulo, frenesi de sirenes ligadas, 2012

Marli Gonçalves é jornalista Leque virou acessório indispensável para viver no barril de pólvora com fósforo por perto.

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ARTIGO – Não é refresco essa pimenta.

Por Marli Gonçalves

Incrível como qualquer mudança de ângulo é capaz de mudar uma história. São os contrapontos de nosso cotidiano. Vou começar de forma radical, do jeito que o diabo gosta, mas deixando claro que isso não quer dizer nenhuma tomada de posição ou de lado. Apenas só mais uma irreal e insana tentativa de entender a realidade.

O terrível magrelo traficante Nem e muitos daqueles seus horrorosos comparsas foram presos. A polícia ocupou a Rocinha. Mas eu vi, ouvi e li vários relatos da população local questionando, preocupada, quem os ajudaria agora. O poder do tráfico é mantido em geral pelas benesses e concessões de favores aos moradores das regiões que ocupam. O pagamento do aluguel atrasado de um, a compra de remédio para outro, a proteção contra um inimigo, o carro para levar um idoso ao hospital.

E como anda bem difícil achar quem ainda acredite em governos e instituições, tanto aqui como na Conchochonha ou Conchichina …Mais fácil acreditar no malaco que se vê todo dia no bar, ou no baile. Isso não é bom.

É um novo populismo, rígido e centralizador, o que se instala, no sentido mais tradicional de assistencialismo e paternalismo, dá-lá-toma-cá, esse tipo de coisa se alimentando sorrateiramente nos morros, favelas, igrejas e prisões, apenas para citar algumas estruturas. Um novo escambo comportamental movido a interesses pessoais; legítimos, mas pessoais.

Hoje eles são mais raros, mais ainda existem no imaginário popular: os agiotas. Porque muitas vezes as pessoas preferem procurá-los do que aos bancos? Provavelmente pela possibilidade de diálogo direto, mesmo que isso possa ser ameaçador e arriscado. É um negócio entre pessoas. Pessoas que não vão pesquisar a vida SPC. Emprestam. Se o cara não pagar, vai se haver feio, na “mano”, muitas vezes até sob violência; mas não com papéis e processos. Uma escolha. Juros por juros, escorchantes, excessivos, parece mais fácil que os bancos. Espero que não me linchem, mas ficha limpa por ficha limpa, alva, quantos são os que têm? Quem não tem uma pendenguinha pendurada aqui ou ali, mesmo que involuntariamente?

Há vidas e possibilidades paralelas ao longo de todo o nosso percurso. A ideia dos espelhos, igual à da abertura da novela. Nossos pequenos crimes, talvez?

Não sou muito chegada a hipocrisias, embora até às vezes as reconheça como necessárias. Lá vem um outro exemplo da tese de como o é realmente difícil que algo seja bom para gregos (quase ruços, agora na crise braba) e troianos: as cadeias e a tal “facção criminosa que domina os presídios”, como dizem as tevês que agora não ousam mais falar o nome PCC. Antes havia várias; agora, o PCC domina todas as prisões, com alguns sócios no Rio de Janeiro. E digo dominar mesmo, inclusive a moral vigente no interior delas. Percebeu como diminuiu o número de rebeliões? (E percebeu que aumentaram os grandes assaltos, de equipes, até com turnos de ação?)

Igrejas. Igrejinhas. Igrejões. Seitas, seitinhas. Associações, ONGs, agremiações. Todas as denominações possíveis de agrupamentos que, movido por líderes, ou espertos, ou ambos, viram um lar, uma entidade social de apoio, um telhado. Entende por que eles, grupos em torno de uma crença, – todas as religiões – crescem para os lados e para cima com seguidores? Antes eram assim os pequenos e aconchegantes centros espíritas e terreiros de umbanda, mas impossíveis para os bilhões que hoje viramos. Era o “painho”, a “mainha”; hoje é o Padre Marcelo Rossi. Os bispos e pastores das evangélicas que se diferenciam porque estão sempre com as portas abertas, láááá. Sabe ? É uma quebrada que você nem imagina, onde-você-nunca-foi-nem-irá, obrigado, mas onde as pessoas vivem e morrem.

Elas precisam de tudo e de apoio. E essas organizações cada vez maiores e mais poderosas, atuando volumosamente no paralelo, estão sempre por perto, como um “paragoverno”.

Não dá para substituir algumas coisas. Assim como não será a prisão do Nem e seus metralhas que acabará com o crime e o tráfico, fazendo nascer um jardim florido, muito menos naquela favela comunidade castelo da Rocinha. Tão grande que daqui a pouco proclamará independência, solicitando suas credenciais de município fluminense.

Logo, mesmo com a ocupação militar, surgirá um novo líder; não é preciso ser vidente. Só precisamos é rogar para que seja bem mais próximo do Bem do que do Nem.

São Paulo, atenção, em 2011, eles estão vindo para cá, e se instalando onde quase ninguém nunca vai.(*) Marli Gonçalves é jornalista.De vez em quando mira o mundo, atrás das respostas sobre algumas coisas. Coisas de repórter.

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