#ADEHOJE – SEMANA DE TUDO. PARADO. TENSO. CONFUSO

#ADEHOJE – SEMANA DE TUDO. PARADO. TENSO. CONFUSO

 

SÓ UM MINUTO – Semana será curta em dias, mas longa em possíveis emoções. No Congresso, as decisões referentes à discussão da Reforma da Previdência que estão empacadas e parece que empacadas permanecerão. Depois da canelada de Bolsonaro em cima da Petrobras – e é bom lembrar que deu prejuízo de 32 bilhões à marca em apenas um dia os técnicos vão tentar abrir aquela cabeça para que entenda que os preços dos combustíveis são baseados nos preços internacionais, que vivemos hoje em um mundo totalmente globalizado. Enfim, que a presidência não é a Casa da Mãe Joana com seus três filhos. Agora está se metendo com o Ibama, e acaba defendendo madeireiros da extração ilegal!

Já são 11 mortos e 14 desaparecidos na queda dos dois prédios no Rio de Janeiro. Quando nos entregarão a cabeça dos chefes das milícias responsáveis pelos desastres e por muito mais?

#ADEHOJE – O BRASIL DESABA? NO MÍNIMO, EXPLOSÕES DIÁRIAS

#ADEHOJE – O BRASIL DESABA? NO MÍNIMO, EXPLOSÕES DIÁRIAS

 

SÓ UM MINUTO – Dois prédios desabam no Rio de Janeiro, e até o momento duas mortes e vários feridos. Os prédios, construídos irregularmente em áreas ambientais, são de quem? Da milícia, que parece que é o que governa o Estado e tenta se implantar no país, com violência, truculência e aparato paramilitar. Todo dia temos noticiários alarmantes sobre as condições que se encontram vários equipamentos públicos. O de hoje é o hospital do Servidor Público Municipal, e as imagens de baratas correndo pelas paredes da cozinha, além do prédio caindo aos pedaços em cima dos pacientes, também caindo aos pedaços, nos corredores.

Enquanto isso, percebeu a intervenção direta do presidente em cima da Petrobras? Proibindo, com medo da greve dos caminhoneiros, a alta do preço do diesel? Já vimos esse filme no Governo Dilma e sabemos o final da história.

imagem: hospital do servidor público municipal - São Paulo - condições

 

#ADEHOJE, #ADODIA – OLHA A BANDEIRA AÍ, MAS CUIDADO COM NACIONALISMO EXAGERADO

#ADEHOJE, #ADODIA – OLHA A BANDEIRA AÍ, MAS CUIDADO COM NACIONALISMO EXAGERADO

 

HOJE É DIA DA BANDEIRA DO PAÍS QUE ANDA CHEIO DE GENTE QUE AMA TANTO O BRASIL QUE É CAPAZ ATÉ DE PENSAR LOUCURAS ESTRANHAS POR ACHAR QUE ESTÁ FAZENDO BEM. NACIONALISMO DEMAIS DEIXA BURRO. É PRECISO SABER USAR COM MODERAÇÃO. HOJE FOI INDICADO QUEM SERÁ O PRESIDENTE DA PETROBRAS NO NOVO GOVERNO, CASTELLO BRANCO, E O NOME FOI BEM ACEITO NO MERCADO. VAMOS INDO, AOS TRANCOS E BARRANCOS. AQUI EM SP O VIADUTO QUE CEDEU NA MARGINAL CONTINUA MEIO DESPENCADO E TUDO PARADO. AH, E CLARO, NINGUÉM SABE O QUE VAI FAZER PARA CONSERTAR TAL ESTRAGO. AMANHÃ FALAMOS MAIS. HOJE, PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DA MINHA GATA LOVE, QUE NEM SE MEXE PARA NÃO DAR BANDEIRA. ELA, AFINAL, NÃO TEM NADA A VER COM TUDO ISSO. BRASIL!

 

ARTIGO – Sobre os pequenos e os grandes poderes. Por Marli Gonçalves

Sobre os pequenos e os grandes poderes

Por Marli Gonçalves

poderTerremoto! A terra política – molhada, lama grossa – se dissolve sob os nossos pés. Entreolhamo-nos inquietos perguntando o que vai ser, quem é que pode saber, sabe ou saberá de alguma coisa, uma luz que seja. Os pequenos poderes se mantêm; os grandes se dissolvem. Temo os médios, do que serão capazes

Nesse momento estou às voltas com os tais pequenos poderes, com os “bozós”, com normas e o fantástico Sistema que impõe regras inacreditáveis seguidas cegamente por esse povo invisível – transparentes só até que precisemos circular entre eles. Em um hospital, por exemplo, acreditem, estão presentes em todos os cantos – até mais que médicos e enfermeiras. Estão em todos os lugares, uniformizados, terceirizados, servidores públicos e privados, alguns até armados.

Já os grandes poderes carregando seus egos enormes e que protagonizaram as cenas dessa semana não fazem outra coisa senão justamente aparecer fulgurantes dia e noite arrastando suas plumas e movendo mundos e fundos para puxar a sardinha cada um para o seu lado. Ou escapar das ondas do tsunami que se avizinha.

Os pequenos poderes, por sua vez, são subalternos, cumprem ordens e comandos – que citam como razão argumento e repetem como autômatos. Eles não sabem o que é lógica. O perigo é justamente de onde vêm essas orientações. Porque é só com elas em punho que eles, esses pequeninos, crescem, se acham importantes, implacáveis, legalistas. Atacam.

Por outro lado os Poderes com maiúscula – Legislativo, Executivo, Judiciário –têm se estranhado como nunca, fazendo borbulhas, um tentando afogar o outro, empurrando a cabeça para dentro d`água. Tudo executam sorrindo, fazendo mesuras.

Nessa terra molhada com o nosso suor, chão inseguro, movediço, estranhamento, o que vemos é que a cada movimento brusco afundam todos. Nos levando junto. Protagonistas e figurantes.

Fosse um filme faroeste seriam balas e flechas zunindo para tudo quanto é lado no Planalto Central. Fosse um filme de guerra daria gosto de ver os aviões abrindo suas escotilhas e atirando bombas de delações premiadas, lançadas e chovendo também sobre todas as cabeças premiadas, só não se sabe até quando com a coroa.

Todo mundo manda. Ninguém obedece. Ou obedeceria quem tivesse juízo, diz o dito popular. O mais engraçado está em um tentando mandar no outro, os grandes, e de onde estão saindo as faíscas maiores e mais perigosas no momento em que tanto combustível está jogado no chão.

Repito: temo os exércitos invisíveis dos pequenos poderes e do que serão capazes os seus comandantes ainda tão toscos e primitivos nesse país que não consegue se desenvolver sem tropeçar. Temo os grandes poderes que embaralham as cartas e não sabemos quais escondem nas suas mangas, sejam togas ou ternos.

Nos lembra muito uma canção, de Chico Buarque: O que será, que será? Que todos os avisos não vão evitar/ Por que todos os risos vão desafiar… O que será, que será? Que andam suspirando pelas alcovas/Que andam sussurrando em versos e trovas/Que andam combinando no breu das tocas/Que anda nas cabeças, anda nas bocas?… O que não tem governo nem nunca terá/ O que não tem vergonha nem nunca terá?…

_____________geniOS DO PODER_______

20160813_143252Marli Gonçalves, jornalistaImprensa, uma profissão que até já foi um Poder. Agora só registra o estouro dos fatos que deixou passar debaixo de suas barbas por tanto tempo, durante tão longos anos.

São Paulo, 2016, o ano que estica suas sombras

Comprazer-nos-emos até quando? Por Marli Gonçalves

tumblr_n99zm3zxz61qmzkw1o1_400Eu tenho-me comprazido. Tu tens-te comprazido. Ele tem-se comprazido. Nós temo-nos comprazido. Vós tendes-vos comprazido. Eles têm-se comprazido. Comprazer, em pretérito perfeito. Comprazer, em todas as suas conjugações: exercitamos esse verbo essa semana inteira. Que está acontecendo? Estamos descontando neles nossos piores instintos?

Estamos. Estamos sim, e como estamos! Troçando com a nossa própria desgraça. Não deixa de ter explicação de alguma forma orientarmos nossa raiva para esses caras porque nos parece que se estamos nessa pindaíba é muito por conta desse tanto que o país foi roubado, saqueado. A gente já sabia ou desconfiava de vários deles. Mas agora eles estão sendo presos e expostos em praça pública como troféus de caça. Conheço gente que adoraria ter a cabeça deles empalhada pendurada na parede.

Está havendo exagero – não se pode ficar remoendo, incitando mais ódio do que eles até já merecem espontaneamente; não dá para ficar feliz com o que está acontecendo. Não tem sentido. Não faz bem para saúde. É cruel. Uma energia ruim. Embota os pensamentos, nos torna rudes, e já vem levando a atitudes fundamentalistas, reacionárias, intransigentes. Não resolve exatamente a questão.

Por exemplo, o Lula. Ele já está preso, não percebem? Imagina ele flanando lindo e maravilhoso fora dos domínios dos seus seguidores, que, aliás, estão cada vez mais escassos ou porque vêm se tocando ou porque já estão até presos mesmo? Não. Todos os amigos estão no círculo de fogo; de fora sobrou só o advogado, o seu compadre. Ele não pode ir mais a lugar algum sem que os fantasmas e as perguntas não respondidas o sigam bem de perto. Todos os dias lá pelas seis da manhã temer que a Polícia Federal faça toc toc em sua porta? – Acho estranha essa praxe da PF, meio maldade. Deve ser porque os pegam de calça curta, chinelão, remelinha, barriga vazia. Esposas sem maquiagem.

(Fico boba de ver que a Dilma é tão desimportante que vem dando sopa lá pelo Rio de Janeiro, e nem atenção chama mais; nem para ser acusada serve. O que lembra que sempre me incomodou muito a impressão que tínhamos dois, uma presidente eleita e um presidente operador, que ela expressamente cumpria ordens do tal grupo político agora desmantelado).

aplausMas, voltando ao nosso verbo, não te comprazas, não se compraza, não nos comprazamos, não vos comprazais, não se comprazam em ver as pessoas sendo esculachadas. Tá bom, exemplo: Sérgio Cabral preso, provas contundentes, tão cedo visivelmente ele não sai das grades, preso por dois (!) juízes, levantamentos completos de malfeitos. Ok.

Precisava ter sido divulgada pela polícia aquela foto dele com cabelo raspado, uniforme de presidiário? Que ele comeu pão com manteiga? Arroz com feijão? Eu penso que não. Se tivesse sido “descoberta” pela imprensa, tudo bem que reportagem é sagrada, mas aquela foto foi divulgada, dada, pela polícia! Ouvi uma jornalista dizendo que ele ”acessou” carne na hora do almoço.

Por favor, façam atenção. Isso não está certo. Não é sério. O próprio juiz Sergio Moro tem sido muito mais condescendente e quando assina suas ordens judiciais sempre ordena discrição e que o preso tenha os seus direitos garantidos.

Aquelas cenas do Garotinho se debatendo não fazem parte desse pito: são jornalísticas. Ele (e sua familinha esperta) nos deu de propósito, que aquilo não dá ponto sem nó. Valeu ver aquela teatral apresentação à beira da ambulância, perceber que ele mentiu obviamente com a ajuda de muitos para não chegar lá em Bangu, e o que, vejam só, acabou conseguindo – isso precisa ainda ser bem analisado. Que tentou subornar juiz, e que ainda vamos ver e saber muito de suas artimanhas. Com essas cenas, nós comprazemo-nos.

Comprazamo-nos, sim, mas quando vierem as soluções. Por enquanto o desmonte está só no começo. O que está ruim pode piorar porque estamos ligados também numa tomada global e aquele poste loiro que plantaram no país mais poderoso do mundo pode sim, infelizmente, nos trazer ainda muitas surpresas.

Pensando bem: esse lá é um cara que parece comprazer-se em ser desagradável.

aplausos

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Marli Gonçalves, jornalista – Que nós nos comprazamos, mas no bom sentido da palavra.

SP, 2016, redemoinhos políticos

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ARTIGO – Babel brasileira. Por Marli Gonçalves

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As palavras, ah, as palavras, as palavras. Elas vêm e vão igual à moda e às ondas do mar. Algumas vivem só por estações ou temporadas, depois ficam esquecidas num canto até que alguém lembre de ir buscá-las para convencer um outro alguém de seus significados

Espero que a palavra gestão, por exemplo, se salve desse destino triste após as eleições. Nunca tinha sido tão usada, e é na verdade tão necessária em seu sentido pleno. Vou torcer para que – depois de ser entendida – encontre outras, como organização, e em causa própria citarei mais uma que anda toda ralada por aí, se prostituindo por pouco: comunicação. A imprensa nacional em crise de identidade, cambaleante, bebendo muito, e em fontes estranhas, perdida atrás de seus leitores e telespectadores.

Penso se as redes sociais não são essa enorme centrífuga de pensamento que domina neste momento, tinhoso, ranheta e rabugento, mas que deu voz a todos, e como em Babel, vozes que não se entendem entre si.

a3vp5O problema é que elas já ecoam na Torre completamente embaralhadas, porque nunca vi tanta incompetência em gerir a comunicação como a que está demonstrando esse governo. Eles, primeiramente, fora…, como já de brincadeira se diz e a coisa pegou, nem combinam nada entre si, e saem por aí atirando medidas fortes para o alto, e logo elas caem e se despedaçam sem qualquer sentido.

12 horas de trabalho /dia. Desobrigação de aulas de Educação Física e Artes no ensino médio, e obrigatoriedade apenas de Inglês (!), Português e Matemática. Cortes em programas sociais. Tesouradas agressivas na Previdência, na aposentadoria. Mordidas nos orçamentos de Saúde e Educação. Cada dia um solavanco e uma correria para explicar o inexplicável, negar, dizer que não é bem assim, que tudo ainda está em estudos. E a melhor: que a sociedade ainda vai ser consultada a respeito desses vários temas.

Acho linda essa parte. Quando falam na “sociedade civil”, então, até me arrepio e eriçam-se os pelinhos. Lembra imediatamente a outra horripilante palavra, empoderamento. Há novas rodando alta quilometragem, como coletivo, situação de… (rua, etc.), vai lembrando de outras e me manda – vou começar uma coleção.

Mas voltando à vaca fria, o governo, um diz uma coisa, o outro faz outra. Um explica de um lado, o outro confunde de outro. E, como tudo que é assim, nada acontece, fica parado. E se anda, dançam melhor o bate-cabeça do que muitos metaleiros, os do rock pesado.

Escrevam: nessa toada não vai dar certo. Continuamos em suspensão mesmo depois de meses desse doloroso processo de impedimento e troca de comando. Como se uma espada pairasse todos os dias sobre a cabeça dos escolhidos, alguns muito mal escolhidos, aliás, observe-se, os amigos de num sei quem que vêm sendo apresentados ou se apresentam como salvadores da pátria com planos mirabolantes. Inclusive a promessa de agora, a de resolver a babel brasileira.

Essa espada é que ainda tem muita gente por aí dando com a língua nos dentes.

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oculos fendiMarli Gonçalves, jornalista – O jornalismo precisa se salvar. Merecemos não entrar em extinção, tanto quanto o mico leão dourado e as ararinhas azuis.

São Paulo, 2016, entre a gestão e a caldeirinha

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ARTIGO – A carta de Dilma. Por Marli Gonçalves

writing_love_letterFaz uns três meses que uma tal carta começou a ser escrita e nunca se viu tantas idas e vindas, tantos rascunhos, tantos garranchos, tanto tira e põe, tanta gente se metendo, palpitando, igual ao governo que não fez. Essa carta podia mesmo ser só um ponto final.ARROBINHBA

Cabeçalho: Brasília, (__) de agosto de 2016. Destinatário: Ao Povo Brasileiro. “Desculpem qualquer coisa. Sei que estou sendo afastada pelo conjunto da obra e de minha teimosia, que acabaram desenhando os acontecimentos que vivemos. Grata pela compreensão, e um pedido: não gostaria que se associasse isso tudo ao fato de eu ser mulher. Não tem nada a ver. Apenas me uni a um projeto de poder político que se mostrou patético e falido”. Assinado, Dilma.

Pronto, estava dito.

Mas não. Quer porque quer causar. Sair batendo o pé. Agora a coisa está piorando e a tal missiva ameaça até ser uma espécie de carta-testamento, tipo a de Getúlio Vargas – sem o suicídio, esperamos, claro, que ninguém quer sangue. Dá para acreditar? Mais, a ameaça continua: poderá não ser só uma carta, mas duas! Mais ainda: ameaça listar as lutas da esquerda brasileira que acredita encarnar contra os contrários ao Deus Supremo Lula. Coisa mais antiga, démodé. Fico preocupada se ela não vai acabar fazendo logo um livro capa tão dura quanto sua cintura. Novela a história toda já virou. Toques venezuelanos emocionantes.

Mártir de si mesma, a presidente afastada sugere que não viu que foi quem montou o jogo que perdeu, o mundo se desmoronando à sua frente em erosão constante, promessas e mentiras desmascaradas. Que não ouviu os primeiros berros à sua porta em junho de 2013. Não admite que a cada passo que se revela da mangueira de sucção instalada na Petrobras vem à tona sua cegueira, incompetência de gestão. Ou, o que tem hora que até eu acredito, que foi feita de otária – e o que deve ser duro para a valenta admitir – as coisas correram ali nas suas barbas. Barbas, não, melenas caprichosamente cultivadas na sua visível transformação nos últimos anos.

cartero-echando-cartaO mesmo com relação ao partido, o PT e seus radicais livres, muitos que inclusive agora não mais o são, e estão ou foram presos, com o quais ela nunca pareceu ter afinidade mesmo, mas fazer o quê? Vivem ranhetando entre si. Mas poste não tem vez, nem voz. O problema maior é que caiu a lâmpada que iluminava o poste e o fazia imprescindível.

Igual soluço, a palavra golpe está até cansada de tanto senta e levanta, de tanto que entrou e saiu dessa tal carta que já marcou várias datas para nascer de cesariana, e deu para trás até agora em todas. Parto difícil, alto risco.

Outro dia dessa semana, pelo que se deu a entender, Lula foi até Brasília para conhecer a tal pecinha. Vocês conhecem o Lula? Conseguem imaginar o que é que ele realmente pensa dessa ideia de escrever cartinha, como deve se referir com desdém, o que será que acha? Do papelzinho? O intuitivo Lula deve achar uma papagaiada, entre outros termos menos airosos.

Fora que pelo que se ouve por aí, na tal epístola ela quer – e se voltar, garante que o fará – chamar o povo – esse arrepiante coletivo – para opinar em plebiscito. Um eufemismo para admitir sua própria derrota.

Não quero ser chata, tinha até pensado em ajudar a escrever uma minuta completa para abreviar a angústia que essa carta, ao fim e ao cabo a nós endereçada, deve causar a Dilma. Será que ela levanta de madrugada pensando nela? Será que é ela mesma que a está escrevendo sentada em sua penteadeira, com caneta bico de pena (imagem romântica)? Qual a cor da tinta? Ou escreverá a lápis, apagando detalhes com borracha cheirosa? Usará branquinho?

Spike_writing_in_the_friendship_journal_S4E23Se perde pensativa, desenha casinhas no papel? Escreve os palavrões que pensa? Ou teclará catando milho palavra por palavra? Tira cópias? Parece a carta mais vazada e aberta do mundo, mais que obra de Umberto Eco. Imprime para ler? Destrói no triturador as partes que despreza? Deixa guardada em um pendrive que mantém junto a si, amarrado em uma corda no pescoço?

Escreveu não leu, o pau comeu.

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Marli Gonçalves, jornalista – A melhor de todas é a carta branca, que nos deixa decidir o que queremos. Mas que não damos a governo algum em nosso nome.

Brasil, 2016, Código 55. O CEP não sei. Registrada.
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