Eu já disse que, para mim, “politicamente correto” demais é o refúgio dos imbecis. O super Tognolli também acha. Veja a estreáia dele como colunista no novo jornal BRASIL 247. Vale a pena!

seção “graças a deus ainda temos pensantes”

365 degraus

Um estudante tuitou que não gostava do ator Lázaro Ramos. A patrulha politicamente correta o obrigou a se ajoelhar

CLAUDIO TOGNOLLI

Um fantasma ronda as redes sociais: o politicamente correto. Um aluno viu-se em apuros, semana passada. Tuitou, veja você, que não gostava do ator Lázaro Ramos, desde a primeira chupeta. Tanto bastou. Esteve sujeito a ódios fulminantes e surtos idem de retuitadas brutais. Teve de pedir desculpas, em público. E, olhe, meu aluno, mulato, chorou até os olhos arderem como tocha olímpica. Milita em ONG. Reza de fazer beicinho. Mas teve de ficar de joelhos foi pro Twitter. Uma única tuitada, fatal, levou-o a uma “zona cinzenta”, como se diz muito no RJ agora, em que teve de fazer concessões ao politicamente correto. Refere que preferia ter descido os 365 degraus da Igreja da Penha, de bermuda Saint-Tropez, a ter tido de pedir as desculpas.

Em 1986 encontrei-me em São Paulo com Jim Davis, pai do Garfield. Referia um indisfarçado nojo pelo politicamente correto. “O humor nasce da diferença. Garfield zomba do Oddie porque são, antes de mais nada, diferentes. Se você é cinza e eu azul, nada mais natural que um zombe do outro”. A refusão do politicamente correto, agora, é um “ersatz” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ersatz,) uma meia-confecção, substitutiva de outras pragas dos anos 50 do século 21: o realismo socialista, na ex-URSS, e o Código Breen, em Hollywood –que proibia filmes com finais irreparáveis para o Departamento de Estado. O que o camarada Andrei Jdanov fazia a pedido de Stalin (proibir as artes que depusessem contra o realismo do homem perfeito socialista) era o escrito e escarrado que o Código Breen fazia nos EUA sob o marcartismo http://pt.wikipedia.org/wiki/Andrei_Jdanov Afinal o mundo bipolar não poderia permitir imperfeições no mais abismal mistério de suas criações: o cidadão perfeito.

Esse novo realismo socialista, esse novo Código Breen, tenciona, retilineamente, apagar a crítica, o sarro, o desbunde, sob algumas tecnicalidades do nacionalismo. Chegará o dia que lixeiros nos processarão se não os chamarmos de engenheiros sanitários. Lazanhas demandarão serem chamadas de “pratos em camadas”. Brancos desocupados, e racistas de fato, processarão os negros que os chamam de “White trash” (http://pt.wikipedia.org/wiki/White_trash)

Não é para menos que Einstein disparou há 80 anos “Se a minha teoria da relatividade estiver correta, a Alemanha dirá que sou alemão, e a França, que sou cidadão do mundo. Mas se eu estiver errado, a França sustentará que sou alemão, e a Alemanha garantirá que sou judeu”.

Biologismo e Vampiros

Junto do politicamente correto, veja você, duas novas febres, retrospectivas, pintam por aí: a crença cega nos sistemas matemáticos aplicados ao corpo humano e a febre por vampiros. As descobertas ligadas ao DNA têm gerado manchetes e manchetes, como uma do ano passado: “Descoberto o gene do xixi na cama”. Seres humanos, como a meteorologia, como a economia, são sistemas abertos. Portanto imprevisíveis pela base dos algoritmos. Dizer que você tem o gene do homicídio não te torna um homicida. “O preço da metáfora é a eterna vigilância”, nota Richard Lewontin, tardo-marxista e geneticista de Harvard. Muito cuidado, portanto, com a metáfora a dizer que nosso corpo é transparente e que nossos genes são chips. Segurar-se no biologismo, como resposta final, é a febre mais recorrente das classes médias economicamente incertas, notou Mikhail Bahktin, em “O Freudismo”, de 1927. Bom, se você quiser ler o meu doutorado sobre o tema, aqui você o encontra de graça:

http://books.google.com.br/books?id=ve4sxCAZWy4C&printsec=frontcover&dq=tognolli&hl=pt-BR&ei=GiV9TYnMHaaD0QHw2pjMAw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2&ved=0CC8Q6AEwAQ#v=onepage&q&f=false

Sábado passado o cantor Lobão me informou que o inventor e gênio futurista Raymond Kurzweil http://pt.wikipedia.org/wiki/Raymond_Kurzweil acredita que, se viver mais 15 anos, poderá acessar as panacéias que o levem a viver no mínimo 150 anos. Pobre Kurzweil: deve ser horrível viver tanto quanto vampiros e ainda ter de aturar próteses genéticas que nos vendem a idéia de que nosso corpo é um sistema fechado, que não interage com o meio.

Por falar nisso, veja você , leitor das sagas de vampiros, a origem de toda essa trama. Em 1886 Robert Louis Stevenson escreveu “O médico e o monstro”. Todos nós, em essência, sugere a obra, temos escondido no fundo da alma, como um sapo de macumba, um dr. Hyde, um assassino dormente. Onze anos depois, em 1897, nadando na mesma febre, Bram Stoker escreveu seu Drácula, o original. A face de Drácula foi baseada, referia, Stoker, no rosto do “homossexual e apedeuta” Oscar Wilde. Drácula, indica a obra, é um degenerado que vem da Europa Oriental. E não espanta que, na mesma década em que imigrantes dessa parte da Europa invadiam Paris e Londres, a primeira grande vítima de Drácula seja a noivinha londrina Lucy Westerna ( um trocadilho entre “lux”, luz, e “west”, ocidente). Ou seja : o conde imigrante e degenerado, com a cara do viadão Wilde, vinha sugar o sangue da luz do ocidente…

É óbvio que o populacho patrulheiro do politicamente correto não tem massa cinzenta suficiente para detectar que as novas ideologias, refinadíssimas, não são tão novas, e nem tão frontais – geralmente, comem pela borda, são ladinas, enviesadas, cantam a ladainha pela borda da orelha, pelo trompe d’oeil…Prepare-se, você também, para descer os 365 degraus da Igreja da Penha de bermuda Saint-Tropez.

http://www.brasil247.com.br/pt/247/midiatech/193/365-degraus.htm

EU FALEI SOBRE ISSO AQUI

O politica e chatamente correto agora invocou com os urubuzinhos do Nuno Ramos…É que não viram a Cloaca

bandeira branca, amor…

ESSE MUNDO ESTÁ FICANDO MUUUUUIIIITO CHATO! DEIXA OS URUBUZINHOS CURTIREM SÃO PAULO, UM MONTE DE GENTE LOUCA, BONITA, DIFERENTE…UMA TEMPORADA AQUI VAI FAZER BEM PARA ELES.

DO G1 – www.g1.com.br

Obra de arte que mantém urubus em cativeiro na Bienal irrita internautas

Abaixo-assinado que circula na internet pede proibição à obra de Nuno Ramos.
Artista garante que animais ‘estão acostumados’ e não sofrerão maus tratos

Diego Assis Do G1, em São Paulo

Urubus confinados na instalação 'Bandeira branca', de Nuno Ramos, montanda no prédio da Bienal de SPUrubus confinados na instalação ‘Bandeira branca’,
de Nuno Ramos, montanda no prédio da Bienal de
São Paulo (Foto: Daigo Oliva/G1)

Primeiro, o ataque aos presidentes. Depois, a propaganda para a candidata. Agora, o bem-estar dos urubus. Mal abriu suas portas ao público – o que só ocorre neste sábado (25) -, a 29ª Bienal de São Paulo já acumula polêmicas. A controvérsia da vez recai sobre uma obra que mantém três urubus vivos dentro de um viveiro no vão central do prédio da Bienal.

Idealizada pelo artista plástico paulistano Nuno Ramos, a instalação batizada de “Bandeira branca” é composta por três grandes esculturas em formas geométricas, que lembram grandes túmulos. As peças são cercadas por uma tela de proteção que acompanha, de alto a baixo, a rampa e as curvas do prédio projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. No alto de cada uma delas, há poleiros que se parecem com chaminés, de onde as aves raramente saem e onde devem permanecer até 12 de dezembro.

O confinamento em nome da arte vem irritando internautas e grupos de defensores dos animais que, desde a noite de terça-feira – quando a Bienal abriu pela primeira vez para convidados – lançaram um abaixo-assinado contra a presença da obra na exposição.

“Exijimos que o ‘expositor’ da Bienal do Ibirapuera, cujo ‘trabalho’ envolve maus tratos com aves vivas – urubus, mais especificamente, protegidas por leis brasileiras, – seja impedido de praticar crime ambiental dentro destas instalações e que as aves das quais ele se utiliza sejam encaminhadas a entidades de proteção animal, para recuperação”, diz um trecho do texto do abaixo-assinado, dirigido ao Ministério Público de São Paulo.

Até a conclusão desta reportagem, a carta de repúdio, que estava sendo divulgada em redes sociais como Twitter e Facebook, continha mais de 1.400 assinaturas.

“Isso é democracia, e a gente tem de lidar com todas as opiniões e visões. Mas a primeira coisa que se tem de fazer antes de criticar é ver a obra, não acreditar em boatos”, defendeu Nuno Ramos, em entrevista por telefone ao G1. “Antes de a obra estrear já havia uma quantidade de informação maluca na internet, fazendo confusões e sugerindo que eu ia matar os animais de inanição, como fez um outro artista latino-americano recentemente.”

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'Quando estava projetando a obra, pensei muito nesse vão, que é um dos momentos mais bonitos da nossa arquitetura. E, apesar de mimetizar as formas desse vão, minha obra também contrasta com ele, deixando mais explícita a volumetria daquele lugar. Não é só o meu trabalho, mas a relação dele com o prédio que conta', explica Ramos. Visão de cima da obra ‘Bandeira branca’, que mantém urubus confinados em um viveiro no vão central da Bienal. ‘Quando pensei na ocupação desse espaço vertical, pensei em aves. E os urubus têm essa carga intensa, essa relação entre morte e vida que tem a ver com o trabalho’, explica Ramos. Para o artista, sua obra valoriza o projeto de Niemeyer, que considera ‘um dos momentos mais bonitos da nossa arquitetura’. ‘Apesar de mimetizar as formas desse vão, minha obra também contrasta com ele, deixando mais explícita a volumetria daquele lugar. Não é só o meu trabalho, mas a relação dele com o prédio que conta’, explica. (Foto: Daigo Oliva/G1)

Segundo Ramos, tudo está sendo feito “dentro da legislação”. “É importante deixar claro que não tiramos os animais da natureza. Os urubus pertencem ao Parque dos Falcões [em Sergipe], onde vivem em cativeiro. Só tirei de uma gaiola e pus em outra 30 vezes maior”, defende o autor da obra. “Trouxe para São Paulo a mesma pessoa que trata deles lá [no Parque dos Falcões], e ele está aqui o tempo todo. O veterinário também veio com eles, ficou quatro dias para adaptação e foi embora. Mas ao menor sinal [de problema], a gente vai atuar.”

Bem à vontade
Quanto ao possível estresse que as aves possam sofrer por conta das luzes artificiais e do ruído vindo dos visitantes, da própria obra (que inclui alto-falantes que tocam trechos das canções “Bandeira branca”, “Carcará” e “Acalanto”) e de outros trabalhos sonoros instalados na Bienal, o artista diz que os urubus não se incomodarão. “Eles parecem até mais calmos que os visitantes”, ironiza. “A luz desliga às sete horas, e a exposição fica fechada 14 horas por dia.”

Ramos lembra ainda que as aves são as mesmas que expôs em 2008, em uma instalação semelhante montada no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília. “Elas estão acostumadas com o público. Já participaram de uma exposição minha em Brasília e, segundo um tratador que ficava lá, chegaram até a acasalar dentro da obra.”

Em nota divulgada à imprensa, os organizadores da 29ª Bienal confirmaram que “o autor da obra possui todas as licenças exigidas pelos órgãos de preservação ambiental para o uso desses animais” e ressaltaram “que a independência curatorial e a liberdade de criação, dentro dos contornos estabelecidos pela lei, são valores fundamentais da entidade”.