#ADEHOJE, #ADODIA – O HOTDOG E O PRESIDENTE

#ADEHOJE, #ADODIA – O HOTDOG E O PRESIDENTE

 

ACHO O MÁXIMO VER COMO O PRESIDENTE ELEITO ESTÁ DEMONSTRANDO ESTAR FELIZ COM A ELEIÇÃO E COM A VIDA. ONTEM, VIBRANDO COM O PALMEIRAS, QUE ACOMPANHOU GANHAR O DECA TÍTULO DE CAMPEÃO BRASILEIRO FOI VISÍVEL. NÃO TEVE CANSAÇO. ABRAÇO, BEIJOU, DEU TCHAUZINHO. E COMEU HOTDOG. TODA HORA APARECE COMENDO COM GOSTO HOTDOGS – UMA COMIDA TRASH PARA QUEM ESTÁ COMO ELE, COM O INTESTINO SOB ALARME. MAS TUDO BEM. A ALEGRIA É SEMPRE BOA. SÓ ESPERO QUE ELE A MANTENHA APÓS O DIA 1º DE JANEIRO QUANDO TOMAR POSSE DE VERDADE. E VER O TAMANHO DAS BOMBAS ARMADAS PARA O SEU COLO – E NÃO SERÃO AS DE MILITARES. APENAS A REALIDADE DE UM PAÍS QUE PRECISA SER RECONSTRUÍDO. APROVEITO PARA FALAR SOBRE A EMOCIONANTE CENA DO CACHORRO, SULLY, DO EX-PRESIDENTE DOS EUA, GEORGE BUSH, AO LADO DO CAIXÃO DE SEU DONO, TRISTE. DE CORTAR O CORAÇÃO.

 

#ADEHOJE, #ADODIA – CAFÉ DA MANHÃ COM OS EUA. O POPULAR POPULISMO

#ADEHOJE, #ADODIA – CAFÉ DA MANHÃ COM OS EUA. O POPULAR POPULISMO

VI MUITA GENTE ATÉ BOA ACHANDO SUPER BONITINHO, POPULAR, ATÉ ACHANDO QUE ERA CONCEITO(!) O CAFÉ DA MANHÃ COM O QUAL O PRESIDENTE ELEITO JAIR BOLSONARO RECEBEU JOHN BOLTON. CONSELHEIRO DE SEGURANÇA DOS EUA E UM DOS HOMENS MAIS PRÓXIMOS DO PRESIDENTE TRUMP. SEM TOALHA NA MESA, SUCO DE CAIXINHA, LEITE LONGA VIDA, NA CAIXINHA, CLARO, CANECOS, BOLO DE FUBÁ CORTADO EMPILHADO. TUDO BEM, MAS É PRECISO ATENÇÃO PARA DIFERENCIAR O POPULAR E O POPULISMO; O NATURAL E O ARMADO PARA SER LEGAL; A LITURGIA DO CARGO, A ELEGÂNCIA. O POPULISMO MERECE ATENÇÃO – POIS ELE PODE ENGANAR MUITO E TORNAR DIFÍCEIS AS COISAS – E É PRECISO REPARAR OS CAMINHOS QUE OS NOVOS TEMPOS LEVAM…ENQUANTO SERÁ TEMPO… O POVO GOSTA DE SER ENGANADO

ARTIGO – Uma indigesta sopa de letrinhas. Por Marli Gonçalves

Começo de ano já é bravo por si só: é IPVA, IPTU, IR e outros famigerados. Mas esse mês de fevereiro impressiona ainda mais. De um lado a corda puxa, para tentar puxar o saco da rapaziada, e começa a sacudir o F, o G, o T, o S – liberando coisa de ativo, inativo, passivo – como se isso fosse a redenção nacional em um saco de bondades que de vez em quando abre a boca e solta pérolas; de outro a turma da mão que vive embalando o berço bate igual à água mole em pedra dura com o L, o U, o L novamente e o A. Cada passinho para frente eles aparecem chamando molusco de meu loiro

frog-x-letterNão estou acreditando que a gente ainda esteja nessa. Que ainda haja gente brigando por causa deles. Custa muito admitir que a decepção é total, ampla e irrestrita ou é mais legal ficar pendendo de um lado ou outro nessa gangorra infernal, um tampando o olho do outro? Sempre um dos lados se estatela pelo chão, não brincaram já disso na tenra infância?

Ler o noticiário – eu obviamente faço isso não só diariamente como quase o dia inteiro – parece roteiro de filme dos Trapalhões, do Zorra Total. Não digo Praça da Alegria porque aqui não estou vendo nenhuma. No máximo posso citar o Pânico!

Quando a gente acha que a coisa vai mudar, vem mais do mesmo, muito mais, um fardo. E uma incapacidade de comunicação que dá gosto. Por outro lado, os que não querem admitir que sim, ele sabia, ou que sim, vocês todos foram enganados nessa de a turma acabar com a desigualdade social, governo popular, e apenas ter sido um tal de cada um para si e tudo para quem é da corriola, lambendo os beiços dos empreiteiros.

O bombardeio usa letras de todos os tipos e tamanhos. Desde as letrinhas dos institutos de pesquisa que andam por aí perguntando preferências impressas prontas a serem chutadas com respostas reumáticas dois ( imprevisíveis ) anos antes. E toma Lula na cabeça, Bolsonaro (!) correndo na raia, Joaquim Barbosa ressuscitando de sua caverna. Aí entram STF e STJ e fica todo mundo dando ordem. Dizendo, desdizendo, jogando peteca. Alguns comemorando o nada, só gás tóxico.

Poupe-nos, Senhor, deste Calvário!

Letrinhas escondem nomes cruelmente bestas e extensos em siglas. CNT, Confederação Nacional do Transporte (Transporte? Pesquisa? Um grita e o outro não escuta); FGTS, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (já e coisa sua, de lei). São como quando formam siglas de órgãos públicos – usadas para que esqueçamos a inoperância contida em seus extensos nomes.

Esquecem ainda umas das regras principais do marketing político: quem antes aparece fica mais tempo à frente da linha de tiro; se o Lula já era alvo, agora está em um paredão com uma artilharia apontada. Ele sabe disso e está incentivando porque, já condenado, quer fazer um último pedido para deixar a galera em brasa. Uma estratégia deveras perigosa.

Vêm aí grandes emoções. Estava pensando em propor um novo quadro para a tevê. Uma nova moça do tempo, mas suas previsões diárias seriam desse nosso tempo político, passível de trovoadas, prisões, delações, reviravoltas, cataclismos, com abalos sísmicos e desmoronamentos. Fora as ventanias, redemoinhos e formação de nuvens.

Já vi, vivi, e imagino onde tudo isso vai parar. Lembrei até de que nos anos 80 foram algumas poucas fotos que abalaram durante um bom tempo o tal líder popular, quando o mostraram numa casa noturna da alta sociedade, charutão e boa bebida, companhias importantes como agora muito mais ainda sabemos o quanto ele gostou de conviver. Sempre gostou. Corre e busca o povo quando vê a coisa feia para seu lado. Chama as duas letras de seu partido e as muitas outras dos agregados movimentos para fazer barulho enquanto ele dança miudinho.

Todo mundo no samba.

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IMG_20170211_020937Marli Gonçalves é jornalista – O problema é que estamos sem alternativas para preencher os vazios. O Ó.

Brasil carnavalesco, pausa, 2017

marligo@uol.com.br

marli@brickmann.com.br

@MarliGo