Façam suas apostas! Romance novo em Brasília. Quem será?

ESSA NOTA É DA COLUNA DO CLAUDIO HUMBERTO:

Paixão de primavera

 Com a entrada da nova estação na sexta (23), florescem os rumores em Brasília da recaída de ex-figurão da República por uma lenda da passarela.

 

ARTIGO – Nossa primavera particular

MARLI GONÇALVES Adoro. Fica tudo mais bonito, mais colorido e até mais romântico. Sempre tive a impressão de que a primavera era uma estação para, como diz um amigo, “acasalar muuuitoooo” (ele fala assim, quase como se uivasse).

Lá vem ela, cheia de graça, menina, a primavera. Traz consigo o trocadilho antigo do como vai sua prima. Traz um frio e calor e frio e calor, mais temperados. Traz o canto dos pássaros bem mais forte, mas insinuante e cheio de piadinhos aflitos dos filhotes nos ninhos. Traz invariavelmente o que todos os anos chamam tendência: os florais. Este ano, adianto, o quente da estação serão as estampas “Liberty”. Ah! O que é? Esse é o nome dos floridos dos tecidos, mas os que sejam mais delicados, com florzinhas, folhinhas, borboletinhas, toda sorte de inhas, miniaturas delicadas e que nos dêem ou tragam um ar pueril, campônio, de boa gente, natural. Não precisa morrer de rir, não vou tentar mudar seu estilo só porque a Primavera chegou. Você a recebe como bem entender.

Só que primavera é palavra usada o ano inteiro e nem sempre por causa só do ciclo da natureza e do tempo, embora não deixe de ser também. Primavera é sempre renovação. Seja por aqui, mas ultimamente tem sido muito também por lá, pelo Oriente, pelos exóticos mundos das Arábias, Mil e Uma Noites e ditadores cruéis. Se oriente, rapaz, nós já tivemos muitas primaveras revolucionárias e jamais esquecidas. Sempre é tempo de fazer mais uma, e vai ser boa se for para melhorar, para continuar vivendo, para continuar comemorando, contando e colhendo outras primaveras, igual aqueles bichinhos do Pac-Man, nhec, nhec, nhec, comendo pontinhos, desviando os caminhos dos labirintos para não ser engolido.

Sei lá se é muito tempo que estou sem Sol, nem na laje – sem viajar, sem parar. Fica difícil ser otimista e primaveril no meio de adversidades, principalmente para os que têm aguçado espírito crítico, mas não custa tentar. Outro dia, meio friozinho, alguns minutos livres, tirei as meias e pus os pés, só eles, expostos ao Sol que entrava pela janela. É pouco, sei, mas foi o que deu, e a vida é feita de coisas que dão, no bom sentido, se é que me entendem. O que acontece é que a gente nunca sabe dar valor na hora para essas mini “libertys”, iguais às estampinhas que estão na moda, e acaba perde os seus bons efeitos e pequenas oportunidades. No caso, como tenho expressivos dedos dos pés, foi como se eles me agradecessem essa graça, esses instantes de liberdade, fora das grades dos sapatos e meias. As meninas, como chamo os meus dedões, pareciam cantar e dançar, movimentando-se.

Ok, minha capacidade de imaginação aproveitou a viagem e aí eu pensei na praia deserta de meus sonhos, na areia branca e fina, naquela sensação que dá de descarrego, literalmente, quando pisamos descalços na areia, quando mergulhamos na água salgada do mar. Foram minutos importantes, e pensei também que poderíamos, em tese, todos, buscá-los, porque independem de poderes ou recursos. São “socializados”, mas só os seres do bem, valor imaterial, podem enfim obtê-los. Tais Como algumas mitologias onde – aos heróis, que têm um dom e uma meta positiva – os deuses propiciam sensações, vitórias e até o renascimento nos caminhos, nos designios. Será o tal prometido Reino dos Bons?

A primavera, por aqui, também nos lembra que mais um ano vai acabar, que aquele cara de vermelho e de barba vai fazer rôrôrô bem na nossa cara daqui a alguns dias, pedindo que o sigamos em compras e gastos e presentes, fazendo-nos acreditar que esse país está uma belezura. Não, não é o Lula esse cara, embora o próprio Papai Noel deva ter se inspirado no esbanjar de considerações de maravilhas que o ex-presidente agora teima em fazer pelo mundo. Sem renas; só com bons jatinhos, emprestados por pessoas boas, desinteressadas, e que ainda depositam recursos nos saquinhos da boa vontade.

Bem-te-vi, bem-te-vi! Se eu, que moro no meio de um animado centro urbano, consigo ouvir o apelativo som dos passarinhos que buscam atrair parceiras para a festa da primavera, imagino que há nesse mundo muitos que podem ouvir muito mais do que isso, fazer muito mais do que eu consigo. Imagino uma Revolução dos Bichos, mas bem-sucedida, ao contrário da descrita por George Orwell. Ali, as boas intenções acabaram virando o que a sociedade é mesmo. A realidade de um emaranhado de animais até mudando mandamentos ao seu bel prazer.

Parem de buzinar tanto, que quero ouvir a natureza! Se querem gritar, usem suas próprias vozes. Se querem fazer algo, façam, aproveitem a renovação. No silêncio dos sons da natureza, quem sabe, melhor do que primavera, fim de ano, você não vislumbre um carnaval? Acho que quando compôs O Carnaval dos Animais, em umas férias de 1886, Saint-Saëns fez exatamente isso.

E passou para a eternidade.

São Paulo, difícil se isolar, Primavera 2011, efeitos especiais (*) Marli Gonçalves é jornalista. Já gostava da Primavera, mas gosta mais ainda depois do dia em que fez as contas e descobriu que foi feita em uma dessas noites tão especiais da estação. Quando nascem as pimposas Amaryllis, que quase lembram meu nome.

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UMA TRILHA SONORA:

Artigo – Lá vem ela…

Marli Gonçalves

Era para a gente estar contente. Hora de mudança. Hora da primavera, o frisson de setembro, os acasalamentos, os encontros, as flores e cores. Mas o ar não está leve, muito menos cheiroso

Continuo achando esquisita como anda a aspereza do debate entre as partes de nosso país. Já vi esse filme. Um monte de cabeça-duras de um lado e outro montinho de outro. Só que naquela época nós estávamos junto com nossos amigos do mesmo lado, no mesmo montinho, voltados na mesma direção, que era à esquerda. Porque estávamos acuados na extrema direita, sob a sua égide e força. A guerra estava traçada; os adversários usavam a força; os combatentes, a inteligência, o caráter e a coragem. Mesmo quem não pulasse corda dava a mão e, às vezes, a cara para bater.

O perigo era comum. Hoje não. Não tem mais disso. Acredito que essa seja a primeira eleição assim, meio sem real ideologia teórica. Meio, ou melhor, completamente, sem eixo. Para a presidência, o embate principal oficial é entre duas mulheres e um homem, todos com idéias na mesma direção da estrada, e promessas cada vez mais inacreditáveis. Mas alguns usando métodos digamos “mais eficientes”: propaganda de massa, oferta de gabinetes, tráfico de influência, utilização de dados sigilosos, ameaças veladas.

Não pode haver quem – por mais dilmático que já esteja – que possa nem tentar negar que o presidente Lula e sua turma estão indo longe demais, atropelando toda a sorte de legalidade, vergonha, escrúpulo. Que a eleição está com cor e cheiro de vingancinha pessoal. E o que é pior: durante os últimos anos a oposição só fez se desfacelar. Toma Tiririca na coligação do PT! Com Maluf e outros dinossauros. Empresários subitamente socialistas e verdes crescendo mais do que agrião no rio. Ligações e coligações inimagináveis. Serra bonzinho, doce. Dilma, arrumadinha como compraz a uma boa senhora. Marina, salvadora, natural, com sua voz fina e muito lenta, principalmente em atitudes.

Se cobrir vira circo; se cercar vira hospício. Se gradear, vira prisão. Se plantar, floresta. Se secar, Saara. Se cavar, encontra. Se jogar para cima, lama.

Viramos espectadores de um circo, com ursos, leões e leoas, macacos e macacas – todos amestrados como passarinhos comendo alpiste na mão aberta do sistema. Os palhaços, trapezistas e equilibristas, mágicos e ilusionistas tecem o roteiro do espetáculo. Concorrem entre si na truculência dos que não podem debater com a razão. Batem o pé, teimosos, falando em maioria, como se sempre fosse essa maioria a beneficiada. Um altruísmo absolutamente oportunista e insensato.

Na lona. Onde exatamente ficaremos caso essa experiência maluca que nos estão impingindo se concretize e não dê certo, infelizmente, como importantes cabeças pensantes vêm nos mostrando antecipadamente todos os dias, sem resultados. Não é o combatente Lula, aquele metalúrgico que mal ou bem tanto cultivamos e até idolatramos, que está se candidatando, mas um toco que ele viu em uma miragem do tipo de poder concentrado. Não é o dândi Fernando Henrique que compete, o que é uma pena, inclusive.

A culpa é nossa, maxima culpa. E punto e basta. A schifosa é nossa cria, assim como o vampiro, a cabocla Jurema, as mulas, os chupins e outros filhotes que estamos acompanhando, criados para na primeira oportunidade que puderem morder quem lhes deu vida. Dessa máxima não conseguiremos nos livrar – é da natureza. O ar seco do inverno ainda nos embota os pensamentos, enquanto os novos dias não chegam.

Nossas primaveras já foram melhores. Mas, como descreveu Cecília Meirelles, em “Primavera”:“A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega”.

Se não há mais o bom senso, não há como remediar o mal que estará sendo decretado nos próximos dias. Para muitos parece que nem precisava fazer eleição – gostam dos experimentos in vitro. Não precisa mais transar, a não ser com a seringa. Até as flores e frutos, as folhagens das árvores, estão confusas, sem saber que tempo é esse.

E será o tempo da reorganização, da convocação de forças e idéias, de formarmos novamente nossos montinhos. Desde que não nos matemos uns aos outros agora.

Primavera, São Paulo, 2010.

(*) Marli Gonçalves é jornalista. Sempre ouviu falar no perigo dos redemoinhos, e dos sacos sem fundos.
 

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