Outros naufrágios. Por Marli Gonçalves

Não achei palavra melhor para definir como tenho me sentido, por uma série de motivos: jururu. Jururu da vidica. Por motivos pessoais que não vêm ao caso, mas também e muito por todo dia ver por aí o país andando para trás, ou ancorado, ou naufragando.

O meu jururu é estar acabrunhada. Não chego a considerar-me macambúzia, que seria uma espécie de 100% jururu (ei, isso dá camiseta, hein?). Só não estou entendendo como é que as coisas podem acontecer tão sorrateiramente que quando percebemos já nos empurram porta afora, nos impõem limites, censuram, combatem. Proíbem; e proíbem com todo o peso que esse verbo carrega, sempre parecendo estar armado para impor sua ordem, seu veto.

O avanço do ranço disfarçado de patriotismo, que se esgueira ligeiro, como piada por estradas serpentuosas, deve ser percebido e interceptado a tempo. Não é para rir ouvir o barulho de coturnos, falar em marchas, já não mais em caminhadas. Marchas são solenes – é preciso diferenciar uns passos de outros.

Não tem graça. Bolsonaro e os bolsonarinhos não têm graça nenhuma.

Ficar patrulhando se o Caetano segurou uma faixa com vírgula ou sem, ou se o Chico, sim, ele envelheceu, nós também – mas a arte não. Se os Tribalistas voltaram mais discursivos é porque acham que o recado agora deve ser assim, já que a sensibilidade não tem mesmo mais tempo para poesia.

A caretice grassa. E quando se tenta falar sobre um assunto mais humano, vem guerra com um monte de gente que nem ouve – quer bordoar. De outro, uma turma que pode até ter razão, mas fica batendo numa teclinha, chatinhos, repetindo termos insuportáveis e que acabam ainda mais distanciando e justificando uma luta insana de opiniões. Enquanto lados se debatem, tal qual na fábula, os fatos vão acontecendo na vida real: mulheres assassinadas por seus parceiros, milhares de abortos clandestinos, adolescentes grávidas, travestis, trans e homossexuais espancados e mortos, tráfico de gente apanhada na rede dos pescadores do mal.

Não é a novela que faz mal, que ensina ninguém a nada. É a falta de escola, a falta de saúde, de saneamento básico, de lógica nas decisões  prioritárias que ensina que parece que a população não vale nada.

Não bastasse assistir, também perplexa, diante do silêncio geral da Nação, a tantas aleivosias, tantos tiros, tantas mortes, tantos acidentes, tantos ataques à nossa inteligência e sentimentos. Só nessa semana duas dezenas de mortos em águas doces e salgadas jogados de embarcações inseguras. E empresários combinando – e nós ouvimos as gravações – como economizar em segurança, como roubar, além de dinheiro, as nossas vidas, quando percorremos as estradas em pandarecos.

São perturbadores cúmulos da caminhada retrógrada. Um evento aberto ao público, no tropical Rio de Janeiro, um concerto musical, traz escrito no convite um imbecil dress code: proibido usar saias dez centímetros acima dos joelhos, transparências, decotes, bermudas. Ah, por quê? Por que o evento será na Vila Militar.

– Estás boa, santa? – perguntaríamos anos atrás. Agora parece que estamos com medo. Parece, não. Estamos. Andam muito preocupados com o que vestimos, com quem transamos, quem beijamos. Se ocupam em impor regras pelas réguas deles. Mas não estão medindo o mal que fazem para o futuro que bloqueiam.

Não é normal.

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20170606_181508Marli Gonçalves, jornalista
Tomam muito de nosso tempo quando nos tomam como submissos.
XÔ, AGOSTO!

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fofoca

ARTIGO – Todo dia é dia do dia de ser dia de algo, por Marli Gonçalves

city-on-fire_black-bg_aniOs dias têm de tudo. É onde tudo pode acontecer, inclusive ser o dia das coisas mais estapafúrdias que você possa imaginar, se é que a nossa vã imaginação pode alcançar tantas datas criadas para alguém, de alguma forma, lucrar, nem que seja ganhando uma oração ou uma citação daquelas edificantes e bem chatas nas redes sociais. A esta altura você já perdeu algumas datas, mas só agora em outubro há previsão de 174 festejos, entre eles Dia do Nordestino, do Carteiro, do Poeta, da Economia e…da Poupança! Divirta-se no da Criança, e reze para Nossa Senhora proteger os professores

Tem dia oficial, dia extraoficial, dia nacional e internacional, dias das categorias profissionais e de incentivar que muita gente faça alguma coisa pró, tipo Dia Internacional pela Prevenção das Catástrofes Naturais (7) ou Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra (27). Ah, também há semanas comemorativas! Só aqui no Brasil, pelo que vi, são 11 a cada ano. O engraçado é que poucos assuntos têm a ver mesmo com a data em si. Sabia que isso tudo tem muito a ver com política? Na verdade com a inoperância e fisiologismo que existe especialmente nas câmaras municipais. Mas também existem as datas forjadas na indústria das assembleias estaduais e esferas federais.

grattacieliMais perto de nós estão – ou deveriam estar, já que a maior parte prefere se atarracar no saco do mandante prefeito da ocasião – os legisladores municipais, os vereadores. Confesso que até já passou pela minha cabeça a ideia de me candidatar a vereadora, uma vez que tenho especial apreço aqui por essa cidade de São Paulo, onde nasci e vivo. Vivo inclusive vendo um monte de coisas que deveriam ser consertadas.

Desisto cada vez que vejo o agrupamento dos eleitos, a grande maioria fisiológica e sem qualquer compromisso com a cidade ou com ética ou com qualquer coisa levemente parecida com isso. Acho que ser vereador deveria ser um dos cargos políticos mais importantes e funcionar em prol dos cidadãos. Mas nessa Casa do Povo as conversas sempre são mais embaixo.

arg-fish-storyLembrei deles porque é ali naquele plenário que, quando aparecem, votam: as tais datas, nomes de ruas e estapafurdices, como uma que expeliram essa semana, proibindo a venda de patês foie gras (fígado gordo de aves) na cidade de São Paulo. Tá bom:faço uma pausa para você aí que ficou boquiaberto e depois teve uma crise de riso – a minha reação, nervosa, porque dá vontade de fazer isso mesmo, e dizer umas poucas e boas palavras impublicáveis.

0003São esses mesmos os que passam o dia decidindo em seus gabinetes qual graça vão inventar, para aparecer, sumir, ou digamos, como diria o vesgulho Jânio, se locupletar. Tem um que inventou um projeto para dar dinheiro, 70 mil, para criação de algum veículo de imprensa “livre”, mas que será escolhido por uma comissão de representantes dos movimentos sociais. Libérrimo, livríssimo, probabilíssimo, singularíssimo e vaníssimo, para esgotar meus superlativos. Claro que o “gênio” do bilboquet é do PT, o partido que mais reúne essas ideias com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

Mas eles não param por aí. E agora, além de inventar essas sandices, pretendem aumentar ainda mais o que não entregam em serviços. O IPTU do pedaço pode subir até 30%.

ciudadantonioypabloFomos às ruas pelos malditos 20 centavos, o álibi que agora esses caras pálidas usam para justificar outros aumentos que, em escala, tornarão nossa vida cada dia mais difícil e árdua. Nada mais tem lógica? É uma estupidez atrás de outra. Dia após dia.

E aí, vai encarar? Vai calar? Porque a gente não cria logo um Dia do Protesto? Não é para fazer protestos todo dia, entenda bem, que esses que vêm ocorrendo já estão virando perigosa chacota.

Se todo dia é dia de reclamar de tanta coisa errada acontecendo, ainda piora porque aqui nesta cidade grande ainda tem mais essa: não dá mais para sair e voltar para casa sem se aborrecer. Todo dia é dia de rosnar com alguém ou alguma coisa.

Durma-se nuns feriados desses!

91-city2_4São Paulo, 2013 

 

Marli Gonçalves é jornalista Sonha, sim, com uma cidade ideal. Ninguém sonha com o que não ama, não? Pelo menos é o que acho quando alguém diz que sonhou comigo. E acordou feliz.

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Seção de bobagens dessas secretarias especiais do Governo. Olhe só

Bombril na berlinda

Campanha já está fora do ar

A propósito, a última reunião do Conar mostrou que a Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial está de olho no mercado publicitário.

O governo pediu a suspensão da campanha Mulheres que Brilham por considera-la racista. Na campanha, a imagem de uma mulher negra é usada – o que levou a secretaria a associar os produtos Bombril à cabelos crespos.

O Conar não aceitou a reclamação do governo, mas o Bombril já alterou a campanha para evitar maiores polêmicas.

FONTE: RADAR – VEJA – Por Lauro Jardim

ASSUNTO PROIBIDO? Para o Temer? Ou proibido pelo Temer?

Assunto proibido para Temer

Ficou no aperitivo

Peemedebistas que acompanharam os bastidores e até conversaram com Michel Temer sobre o assunto avaliam que a pressão familiar deve ter sido determinante para fazer com que Fernanda Tedeschi desistisse de posar nua na Playboy.
Assim que veio a público (Fernanda diz que assinou contrato sem falar com ninguém), o assunto causou constrangimento para Temer e a família da sua mulher, Marcela, irmã de Fernanda.
De qualquer forma, desde que a notícia do litígio foi revelada por VEJA, nem o mais chegado dos aliados teve coragem de tocar no assunto com Temer. Diz um cacique peemedebista:
– É um tema muito constrangedor, de ordem muito pessoal.

Por Lauro Jardim – COLUNA RADAR – VEJA

MAIS MARCELA e FERNANDA: AQUI

PROIBIDO. SE ISTO NÃO É CENSURA…O QUE TEM DE MAIS UM DESENHINHO? SÓ PODE PASSAR DEPOIS DAS NOVE DA NOITE…FAZ-ME RIR

fonte: da coluna do lauro jardim – http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/


Trident só no horário nobre
A campanha do chiclete Trident – Rio Nudista não poderá mais ser exibida antes das 21h. O comercial mostra uma animação de dois homens e uma mulher numa praia de nudismo. O Conar considerou que a propaganda abusa da sensualidade e determinou a mudança do horário da veiculação.

Por Lauro Jardim

ARTIGO – Os nossos véus

Marli Gonçalves

 Observemos como todos nós usamos véus e máscaras e estamos nos escondendo atrás de murinhos- celulares, fones de ouvido, cara fechada…

Basta olhar pelas ruas. É impressionante. Todo mundo com aquele celular achatado na orelha, o cotovelo levantado segurando, parecendo uma asinha quebrada. Tendo o personagem uma queda para o lado arco-íris, fica até jeitoso ver aquele desmunhecar todo ao telefone. Nas cidades grandes as pessoas precisam quase enfiar o telefone no ouvido para escutar, e mal. Nos carros daqui a pouco vão instalar piloto automático, para que os motoristas (!) possam falar ao celular sem segurar a direção, nem prestar atenção em nada, essas coisas tão chatas. Com a outra mão podem…, sei lá… fumar! Escrever um tratado no IPad. Futucar o GPS. Tirar pelo da sobrancelha.

Mas não é exatamente a tecnologia o nosso tema. São os véus. Os diáfanos véus. Ou os pesados e primitivos véus. Ou os dissimulados véus que inventamos para nos esconder uns dos outros. Cada vez mais. Vivemos numa época tão despropositada que um país como a França estabelece uma lei que proíbe as mulheres muçulmanas de portar seus véus. Está multando. Prendendo. Hipocrisia pouca é bobagem. Conseguem ver leis mais idiotas do que as que proíbem roupas? Você é do tempo em que isso acontecia aqui? Pois houve esse tempo, fique sabendo.

Vamos então proibir nossas freiras, nossas monjas. Proibir as mulheres-coluna, com aquelas saias compridas que certas denominações evangélicas exigem, junto com cabelos lá no pé. Vamos arrancar a cabeça das orixás dos terreiros, os turbantes das baianas. Proibir a Colombina dos salões. Aproveitamos e proibiremos também plásticas radicais, enchimentos “rugo-alisantes”, plantação de silicone nas montanhas, tintura de cabelo. Claro, perucas, nem pensar!

Não são de certa forma véus? Coberturas que podem tornar alguém irreconhecível? Penso que só pode ser esse o motivo francês. Medo que por debaixo daqueles panos todos esteja (e poderá estar) uma bombshell deslumbrante. Ou uma bomba na mulher. Se não for, se for só para encher o saco de quem tem o credo e o hábito, desculpe, mas é ridículo. Ou pensarão eles que estarão com suas leis e ordens decretadas libertando as mulheres islâmicas do jugo opressor dos véus?

Com que direito podemos achar que elas o fazem por obrigação? São vários tipos e modelos, todos com apresentações bem específicas: Hijab , Niqab, Burca, Khimar, Chador, Shayla, Al-Amira, Tudong, Paranja. Em todas, o mistério do revela-ali, não revela-aqui dos véus. Aqui no Brasil logo enrolaríamos os panos e faríamos biquínis, cangas, puxadinhos e amarradinhos, moda. Lá é o que fazem. À sua moda.

Precisamos respeitar. Porque todos usamos véus. Quando queremos ficar isolados, fazemos isso: usamos véus. Quando queremos montar uma história, dissimular, mentir fazemos isso: usamos máscaras. Como a do menino Neymar por isso punido, por festejar com a cara dele mesmo, mas em hora imprópria. Ouviu a piadinha? “Ué¸ se não pode usar máscara o que (INSIRA AQUI O NOME DO JOGADOR QUE VOCÊ ODEIA) está fazendo em campo?

Mulheres, por exemplo, são capazes de se mimetizar muito melhor do que os homens. Se escondem até em suas bolsas grandes. Ou numa jogada de cabelo, uma puxada para trás, num salto alto, nas lentes dos óculos escuros, como os das madames das primeiras filas dos desfiles de moda. Quer coisa mais mascarada?

Também não é por menos que nós, mulheres, dançamos a Dança dos Sete Véus, camadas retiradas em um ritual colorido e de purificação, simbolizando a entrada da sacerdotisa no mundo dos mortos, sem apego a bens materiais. Embora seja um tesão de ver, seu significado é espiritual: a nudez.

Daí o naturismo ser tão legal. Tão importante e natural. Como seria bom que despir-se pudesse ser mais bem compreendido e protegido, como é na Alemanha, ou na Grécia, tomadas como exemplos. Garanto e creio que ninguém vai ser obrigado a aderir total. Só quem quiser. Pense: ao conhecer uma pessoa nua, o que ela vai poder te esconder? Você não terá a marca dos sapatos ou de sua camiseta como referência e avaliação. Já estará vendo todas as suas cicatrizes. Suas gorduras e seus ossos. Para baixo e para cima do umbigo. Admita.

Todos estamos cobertos. Repare que ninguém mais se olha nos olhos, um horror. E quando o fazemos – e acaso encontramos um raro olhar vindo na outra direção – somos quase capazes de corar. Ou morrer, de susto ou prazer, gaguejando naquele instante onde tantas informações se cruzam, elétricas, teleféricas, evidentes. Assim nascem os amores à primeira vista.

Quando pensei nos murinhos, véus e máscaras atrás do qual nos escondemos lembrei dos mais modernos. Mas também há os livros atrás dos quais e dentro dos quais nos procuramos. Há a pompa atrás da qual se escondem, em geral, os medíocres.

Não proponho que abandonemos radicalmente nossos confortáveis véus, ou as máscaras dos personagens escolhidos por cada um.

Proponho apenas que deixemos os olhos de fora, para que possamos nos ver. Depois, gradativamente, libertemos as bocas, as mãos, os pés, as pernas, o tronco, até que fiquemos nus – ou pelo menos, mais desarmados. Até porque não vai ter lugar pra guardar.

São Paulo, quase Páscoa. E a gente querendo que o mundo se acabe em chocolate.(*) Marli Gonçalves é jornalista. Para não ficarem achando que sou muito boazinha, vou ensinar uma dica preciosa para quem anda de carro nas capitais onde cada esquina é um verdadeiro mercado persa de pessoas pedindo coisas, fazendo malabarismo, mostrando suas chagas. Fique com o celular por perto para fazer de conta que está falando na Hora H da abordagem. Gesticule para ficar mais real a cena. O véu. Uma maravilha como funciona! Os caras, educados, costumam respeitar e não perder mais tempo. Seguem adiante buscando por outro incauto.

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O Irã está surtando. Proibiu Paulo Coelho e o Dia dos Namorados!

Primeiro, o Estadão veio com a notícia que o Irã proibiu o Paulo Coelho.

Agora li que também proibiram as cmemorações do Valentine`s Day, dia 14 de fevereiro.

Estão jogando pedras neles mesmos!

do estadão:

Irã proíbe livros de Paulo Coelho

Autor foi avisado por editor no país persa; motivo da censura não foi especificado

10 de janeiro de 2011 | Estadão.com.br

 O escritor Paulo Coelho foi informado por seu editor no Irã, Arash Hejazi, que a publicação de seus livros foi proibida no país persa pelo Ministério da Cultura e das Diretrizes Islâmicas, segundo informações publicadas nos blog do autor.

Paulo Coelho disse contar com o governo brasileiro para resolver o caso, o que considerou como “um mal-entendido”. “Espero que o Itamaraty e a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, não se omitam em relação a essa medida arbitrária pois, caso contrário, estarão assinando embaixo”, disse o escritor ao Estado. “Não sei se a decisão passou pela cúpula do governo iraniano, ou seja, se foi apenas uma medida do Ministério da Cultura.”

A ministra lamentou a proibição da circulação da obra do escritor e disse que procuraria ainda nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, para pedir mais informações sobre o caso.

Coelho conta que jamais, em seus livros, fez alguma ofensa ao islamismo. “Minha obra é publicada no Irã desde 1998, já vendeu milhares de exemplares e, em 2000, eu estive naquele país, sendo esperado por aproximadamente 5 mil pessoas no aeroporto”, disse ele.

O escritor suspeita de um fator que pode ter sido a origem da censura. “Em 2009, eu ajudei Hejazi a deixar o Irã logo depois das eleições”, conta. “O mais surreal é que até as edições piratas estão vetadas. Não sei como vão controlar isso.”

O aviso do editor iraniano chegou por email ao autor. Na mensagem, Hejazi diz que foi “informado pelo Ministério que todos os livros foram proibidos, inclusive as versões não autorizadas publicadas por outras editoras” e que “todos os livros que têm o nome Paulo Coelho não estão mais autorizados a serem publicados no Irã”.

O escritor estima ter vendido mais de 6 milhões de livros na República Islâmica. O editor iraniano sugeriu a disponibilização da obra na internet para download, e o brasileiro aceitou.

Em 2005, o governo iraniano já havia banido o livro O Zahir. Os exemplares da obra de Coelho foram levados por agentes do governo da Feira do Livro de Teerã. Na época, Hejazi disse que “o Ministério da Cultura estava extremamente preocupado com o aumento da popularidade de Paulo Coelho”.

O Código Da Vinci, de Dan Brown, e Memória de Minhas Putas Tristes, de Gabriel García Márquez também estão na lista de livros proibidos pelo Ministério da Cultura iraniano.

Paulo Coelho faz sucesso no exterior e tem pelo menos 300 milhões de livros vendidos em mais de 150 países. Ele foi o primeiro escritor não muçulmano a visitar o Irã após a Revolução Islâmica de 1979, de acordo com o site da Academia Brasileira de Letras, onde ocupa a cadeira 21. (Colaborou Ubiratan Brasil)