#ADEHOJE – DE PÉCS E PÓCS, REMENDOS E PRECONCEITOS

#ADEHOJE – DE PÉCS E PÓCS, REMENDOS E PRECONCEITOS

SÓ UM MINUTO – Não que eu fosse achar ele muito melhor, mas essa história do príncipe que deixou de ser candidato a vice-presidente porque Bolsonaro achou que ele era gay (!) e que gostava de orgias (!) é a cara do Brasil que vemos hoje. O Brasil que está amando as coisas que o Alexandre Frota está falando sobre seu ex-querido e apoiado, cada vez mais está a cara de programas, digamos, hot hot hot. Parece ainda que um deputado foi flagrado numa sala da CCJ … Ah, para! Que se for atrás tem cada história mais cabeluda do que a outra nesta que um amigo chama de República das Cuecas.

O país caindo aos pedaços, um ministro da Economia querendo retalhar uma Constituição, os países vizinhos se matando, tudo quanto é tipo de desgraça acontecendo, meio ambiente gritando, um presidente que agora quer criar um partido que já nasce zoado em seus anéis….

Essa é a República que comemoramos. Bananas e outras mumunhas

#ADEHOJE – AS FRONTEIRAS DA PACIÊNCIA

#ADEHOJE – AS FRONTEIRAS DA PACIÊNCIA

 

SÓ UM MINUTO – Estamos total bordelines. Quer dizer, está tudo pronto a transbordar, inclusive a minha paciência com gente que pensa que pode me provocar – e só me fazem cócegas e puxam meu sentimento de pena com suas ignorâncias. Sobre fronteiras, aliás, a da Bolívia com o Brasil que estava bloqueada foi aberta. Em Brasília, grupo pró-Gaidó invade a embaixada da Venezuela.

Mas o mais importante é o encontro do BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China, que se realiza sob forte segurança em Brasília. Bolsonaro percebeu a tempo que é bem bom paparicar a China e todos esses países. Ah, quanto à paciência perdida, mais uma criança morta por bala perdida na guerra de rua do Rio de Janeiro.

#ADEHOJE – UM DIA HAVERÁ DE TER LIMITES

#ADEHOJE – UM DIA HAVERÁ DE TER LIMITES

 

SÓ UM MINUTO – É preciso que haja limites para a loucura que está se instalando no país, e antes que seja tarde demais. Primeiro, para a ignorância. Estão fazendo, acredite, uma Convenção da Terra Plana: eles juram que acreditam que… a Terra é plana! Outra, forte, foi essa do presidente Jair Bolsonaro acabar com o DPVAT, que vem a ser o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestre e outros similares. Uma atitude que prejudica e prejudicará mais ainda as vítimas do trânsito. E por que ele fez isto? Porque é vingativo, mau. Seu desafeto do partido PSL, Luciano Bivar, administra parte desses seguros.

Já não bastasse a encrenca dos radares, dos afrouxamentos para a obtenção da CNH, tantas marmotices que vem sendo executadas. Você aí, vai continuar achando que ele é Mito? Vai se sujar com esse sangue? Não vai ter muitos remorsos com o que poderá acontecer? Pode ser você o atingido, ou alguém de sua família. Vai bater palmas para maluco governar?

#ADEHOJE – VEIAS PULSANTES E CORTANTES DA AMÉRICA LATINA

#ADEHOJE – VEIAS PULSANTES E CORTANTES DA AMÉRICA LATINA

 

SÓ UM MINUTO – Creio que, assim como eu, estamos todos muito preocupados com tudo o que acontece à nossa volta. Pior, estamos todos muito confusos sobre a constitucionalidade e legalidade das coisas. Digo isso, não só, claro, por causa da Bolívia, da renúncia de Evo Morales. Mas pelo somatório das coisas em toda a região. No Brasil, a libertação de Lula acirrou novamente ânimos que estavam, mal ou bem, sendo acalmados. Nas ruas, pessoas desinformadas pedem o fim do STF, protestam sem bem entender as coisas.

As falas de todos os lados não estão sendo para aplacar as diferenças, mas para acentuá-las. Qualquer posicionamento é visto sob o ângulo de direções que não explicam as coisas. A economia – que se abala com qualquer fato nacional e internacional – bambeia. Na área de comportamento, a violência grassa em estádios, na polícia, dentro das casas com os feminicídios em destaque.

Vivemos mesmo momentos difíceis, muito difíceis.

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ARTIGO – Ziquizira Brasilis. Por Marli Gonçalves

 Eles sempre existiram. Mas agora andam saindo das tocas inclusive de dia, atrás de comida para alimentar seus instintos torpes. E a comida deles – infelizmente – é a nossa liberdade, os princípios democráticos, a alegria. Não dá para calar porque a situação esquisita está numa crescente. Homens e mulheres cheios de ódio que parece estão gostando de nos irritar devem ser iluminados urgentemente. Não resistirão se formos firmes. Voltarão para as suas profundezas

Quer chamar atenção? Coloca uma melancia no pescoço! Capaz até de a gente achar engraçadinho porque pelo menos seria inofensivo. Mas não são nada inofensivas e nem brincadeiras as ações que temos presenciado espocar aqui e ali e que têm aumentado a frequência de uma forma preocupante. Do que vivem? Como conseguem dormir? Quem lhes deu tamanha ignorância e tanta ousadia? Onde estão os criadouros que os fermentam?

Tenho muito ouvido falar que é culpa da internet, das redes sociais que dá voz aos idiotas. Verdade. Dá mesmo. Mas encafifei que acabamos generalizando muito e o que é essencial nos escapa. O que temos de fazer é buscar os ninhos, os ovos de serpente chocados. Tipo localizar quem é a abelha rainha, a formiga mãe, o macho dominante. Quem é o enrustido problemático, o mentecapto cafajeste, o religioso doente, a mente do Mal. Nesses ninhos reside o mal que alimenta os boquirrotos, que comem as minhocas que lhe são servidas e as regurgitam nas redes. Esses são bem reais, orgulham-se de seus pensamentos e ações torpes, adoram dar entrevistas, aparecer na foto – e sempre com suas segundas intenções, acreditem.

Vergonha. Quantas vezes esses últimos dias li amigos meus falando que estavam com vergonha por conta de acontecimentos armados por essa gente nefasta. Vergonha! Vergonha do Brasil. De ser brasileiro, do papelão. Pior é realmente ruborizar e querer morrer diante das insanidades. A filósofa perseguida como bruxa, queimada como boneca, escorraçada no aeroporto. O cantor com cabelinhos de caracol, símbolo de uma era e da qualidade de nossas criações, achincalhado, tachado e #hashtagueado como pedófilo. Uns deputados obscuros e obscurantistas querendo levar à força um artista para depor lá no picadeiro deles – coitado, já pensaram você ser obrigado a ficar lá ouvindo e sendo agredido por aqueles “pelasaco”? Pelasacos são muito chatos. Os nossos, então, ainda por cima são muito burros.

Que dizer dos que, além de não nos deixarem andar para frente, com as mulheres decidindo o que fazer com seus corpos e úteros, quererem proibir o aborto das meninas e mulheres estupradas? Só pode ser gente muito ruim e sem sensibilidade para também querer ver nascer uma criança sem cérebro.

A coisa não pararia aí nos últimos dias. Houve o ápice. O absurdo da divulgação de um vídeo de um ano atrás no qual o mais do que conceituado jornalista William Waack aparece – fora do ar – resmungando e dizendo uma frase, sim, de cunho racista. Mas que é manjada até. E de maneira alguma isso querendo dizer que ele, William, seja racista, até por ser  impossível – uma vez que vem de uma família de ascendência de negros; mas nunca fez disso pilar. Pois bem. William Waack foi decepado, decapitado, dissecado e, pior, demitido, desconsiderado. E claro com um monte de gente (até uns bem admiráveis) aplaudindo seu linchamento público em prol de seus ideais supostos politicamente corretos – ah, como eles são corretos! Só eles são os bons, os puros. Pior ainda descobrir a origem, que isso foi arte de dois jovens cheios de dreads, blablabá, piriri pororó! Justiceiros… Dá até palpitação. Pavor.

Mas devemos ter pisado muito no pescoço do padre e estamos pagando por isso. Para finalizar o coreto apareceu o conhecido designer austríaco Hans Donner querendo, sim, falando sério, com gente aplaudindo, mudar a bandeira do Brasil. Legal, né? Querendo acrescer a palavra amor. Ficaria Amor, Ordem e Progresso na tira, no arco central que mudaria a posição para ascendente, ao contrário da forma atual. O verde seria degradê. O amarelo. Digamos que é uma coisa super simples de ser desenhada, reproduzida… Degradê. Degradê! Um veeeeerde… Amareeeelo. Não é genial? As estrelinhas ficariam ali mesmo onde estão.

Vocês também não gostariam de dar um golinho nessa bebida que ele sorve?

Que o Brasil está precisando de Amor, não há dúvida. Que as bandeiras brancas hasteadas que já deveríamos estar fazendo tremular nas ruas deveriam trazer amor estampado, não há dúvida.

As coisas estão tão esquisitas que só pode estar havendo uma epidemia de ziquizira. Ziquizira Brasilis, suco de nossas jabuticabas.

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Marli Gonçalves, jornalistaMais amor, por favor. Mas na real, para ser a bandeira de todos.

 Brasilzão, e ainda tem o Aécio querendo cantar de galo!

 

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ARTIGO – Fúrias, furiosas fúrias. Por Marli Gonçalves

Gifs%20Anim%E9s%20Feu%20%2850%29Muito impressionada com a capacidade humana para odiar, maldizer e amaldiçoar, pensar mal sobre quem não pensa igual. Muito triste também por estar vendo um país nervoso, dividido sem necessidade e perdendo a essência e alegria que é o nosso próprio rebolado

Depois de escrever o artigo da semana passada, sobre a minha visão, sobre como eu vi ou não vi passar esses 50 anos desde o Golpe de 1964, senti na pele e fiquei totalmente horrorizada com a incapacidade de diálogo que parece estar permeando esse nosso Brasil, até outro dia um simpático, amoroso, musical e cálido país da América do Sul. Fui chamada de tudo quanto é coisa – de petralha, comuna, esquerdinha, entre as mais “publicáveis”, nesse território qualquer coisa que é a internet e anonimato misturado com covardia. Virou mesmo o campo dos covardes, dos brutos, dos incitadores. Sites e jornais importantes publicaram o artigo, e pude ler centenas de comentários e ver grande repercussão, incluindo os muitos xingamentos, até porque é bom lembrar que quem quer xingar tem muito mais afinco do que quem quer falar bem. Faz questão de ir lá xingar, ofender, falar impropérios, vomitar sua bílis, ocultos atrás de computadores. Eles não querem só ter a razão, não admitem a outra parte. E nesse caso apareceu gente defendendo tortura , morte, ditadura. Apavorante.

Apareceram homens e mulheres que obviamente não conheço, e sinceramente nem pretendo. Duvidaram até da minha memória, como se crianças de seis anos fossem abobados sem relação com seu redor. E ai de quem tentou defender o mesmo ponto de vista que o meu! Tomou bordoadas uma em cima da outra. Não há chance de entendimento.

Resolvi não responder a nenhuma agressão, mesmo as que me dirigiram diretamente. Não há argumentação possível para quem acha certas coisas. Por outro lado, também recebi cartas até legais e absolutamente válidas de pessoas que fizeram questão, na boa, de me dizer como para elas não foi tão ruim esse período, que viveram felizes, livres, sem problemas. O que eu poderia dizer a elas? “Que bom que para você foi assim. Para mim não foi” – ia ser pouco. Sempre haverá quem estará bem enquanto outros não; é de lei.

Insistiram comigo que naquele momento não havia corrupção, nem roubalheiras, e que os militares e conspiradores estavam caindo do céu, para livrar o país do perigo vermelho – que devíamos agradecer esse tempo de horror.

LOVEAinda bem que é só virtual, pela internet onde agora todo mundo vira revolucionário, e só por ali – igual ficar rico em Banco Imobiliário. Tanta gente perigosamente pensando em fechamento que insistiram em tentar, botando as manguinhas de fora, sem qualquer base real, nem sentimento, nem emoção, muito menos organização, reeditar uma marcha de outrora, totalmente sem sentido para os dias de hoje, 50 anos depois. Meio século. O chabu foi histórico, gracias. Não é assim que se acaba com a praga, com os atuais carrapatos no poder.

cookiesA fúria dos ataques me fez lembrar até das mitológicas Fúrias, ou Erínias, as três pavorosas irmãs com asas de morcego e cabelos de serpentes famintas, nascidas de gotas de sangue – Tisífone (Vingança), Megera (Rancor) e Alecto (Cólera). Vingadoras, atacavam os mortais gritando, enlouquecendo-os, perseguindo-os, fazendo-os penar, castigados.

Vejam só onde chegamos. Como poderemos modificar as coisas agindo assim de forma tão funesta? Já não bastam os informes que nos chegam diariamente de Brasília dando conta de uma presidente sempre colérica, de difícil trato, sempre em fúria com todos que a cercam apavorados? Escrevi “Dilma irritada” no Google – em segundos, 3500 resultados se apresentaram. “Dilma furiosa”, 678 resultados apareceram em 0,38 segundos, junto com imagens destes momentos. Apavorantes. Muitos esgares presidenciais. Poucas soluções. Nenhuma temperança.frank1-7

Política é coisa séria. Mas estamos vendo virar enorme piada de mau gosto, atropelados todos os dias por revelações espantosas, vindas de todas as direções. Quem é honesto, batalha direito, mas patina enquanto outros lesam com facilidade. Penso que se realmente essa turma toda estivesse preocupada com valores morais estaria batalhando em muitas outras direções, ao invés de ficar batendo só nesta tecla, pobre tecla, os governantes.

Estamos com furiosos soltos na praça, Que dizem que é a mulher que provoca o estupro. Um povo de ascendência predominantemente negra que se junta e vai aos estádios promover o racismo, ou que se junta para espancar o torcedor do outro time. São bandos atrás de desgarrados. Médicos que atendem idosos no chão, ou que se recusam a ajudar uma grávida em trabalho de parto. Policiais que ferem e arrastam suas vítimas. Bandidos que atiram pelas costas. Bebês atirados no chão. Organizações criminosas no comando de instituições, oficial e extra-oficialmente. A barbárie de justiceiros amarrando pés-de-chinelo em postes e se comprazendo em praticamente chicoteá-los. Pedaços de corpo encontrados em bairro nobre da cidade dentro de sacos de lixo cuidadosamente espalhados. É ou não é a fúria que enfrentamos?

parler_beaucoupSome-se a estas, estas nossas fúrias, as outras, invencíveis, fúrias da Natureza, que devastam, secam, molham, inundam, avançam, queimam. Que nos tiram a água, a terra, o ar, a energia e a Paz.

Por onde começar para não terminar?

chuva de floresSão Paulo, perplexa, 2014
Marli Gonçalves é jornalista Com as melhores intenções.

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as três fúrias:

Leia esses detalhes sobre como já foram as provas do Itamaraty, e entenda a reclamação de Joaquim Barbosa, sobre racismo

277Sempre soube que era um exame difícil, especialmente no período da ditadura. Qualquer problema acabava com o candidato. Inclusive de voz – se não gostassem, fora!

Essa nota da coluna de Lauro Jardim, hoje, explica ainda melhor os detalhes

Prova oral

Barbosa: prova oral

Em entrevista a Miriam Leitão, em O Globo, no dia 28, Joaquim Barbosa acusou o Itamaraty de ser “uma das instituições mais discriminatórias do Brasil”. Disse que depois de passar nas provas escritas para a carreira diplomática, foi barrado por racismo nas provas orais.

Ficou a dúvida: afinal, que provas orais eram essas?

No exame psicotécnico, feito no dia 7 julho de 1980, a questão da cor de fato aparece. No relatório, o avaliador relata que Barbosa “tem uma auto-imagem negativa, que pode parcialmente ter origem na sua condição de colored”. Mais: diz que suas atitudes eram agudas demais para alguém da carreira diplomática.

Barbosa enfrentou ainda uma banca em que cinco diplomatas deram notas inclusive para a sua aparência — descrita como “regular”. Alguns desses diplomatas são hoje embaixadores.

A propósito, desde meados dos anos 80 as provas do Itamaraty são apenas escritas. As provas orais começaram a ser feitas no final dos anos 70.

Tinham como objetivo detectar “subversivos”  (o Brasil estava sob uma ditadura, enfatize-se) e a condição sexual dos candidatos.

Ou seja, se eram homossexuais. “Qual é o nome de sua namorada?”, chegava a perguntar um dos psicólogos incumbidos do psicotécnico para, em seguida, mostrar ao candidato a ilustração de uma vagina e lhe perguntar o que via, de acordo com o relato de um diplomata que fez o teste em 1981.

As entrevistas também serviam, claro, a  idiossincrasias dos avaliadores. O próprio item “aparência”, no qual Barbosa, obteve um “regular”, é uma prova disso.

Por Lauro Jardim – coluna Radar – veja online