ARTIGO – A moral alheia e os salvadores cheios de culpas. Por Marli Gonçalves

Tem tanta gente preocupada com a moral dos outros que acabamos tendo de nos preocupar com o que fazem para ter tanto tempo para isso. Será que agora estão desligando a tevê para não ouvirem as detalhadas descrições das denúncias das mulheres contra o médium João de Deus? Ou esse povo vive, se obriga e quer obrigar a outros a viver, em outro mundo, onde não há sexualidade, prazer, liberdade de escolha? Onde se acobertam desmandos?

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É mão nisso, mão naquilo, vira aqui, ejaculação, levantou a blusa, abraçou por trás, “me levou para a salinha”, “foi no colchão no corredor”. Há uma que contou em detalhes até que ele chegou a lhe falar que ficasse tranquila: a ejaculação era santa, o líquido que saia do seu pênis era fluido espiritual, ectoplasma. Em uma semana centenas de mulheres de todo o país – e que previsivelmente aumentará quando começarem a chegar as estrangeiras – já procuraram os investigadores para denunciar o médium João de Deus por estupro e assédio sexual. No noticiário, todos os dias, mostrando o rosto, ou envoltas em sombras, brotam mulheres firmes, com depoimentos lancinantes, detalhados. Espero que os hipócritas assistam a tudo, estarrecidos. Horário nobre.

Muitas choram porque estão tendo de relembrar fatos que viveram há algumas dezenas de anos, muitas quando ainda eram meninas, adolescentes. Porque não falaram antes? – ousam perguntar os que ainda duvidam da culpa do homem João Teixeira de Faria, agora com 76 anos, o John of God, mais um que montou um império baseado na fé na pequena vila de Abadiânia, Goiás, onde atende desde 1976. Adivinhe por causa do que calaram; ou se falaram, porque não foram ouvidas. Santidades vivem acima dos mortais.

Calcula só o número de mulheres que literalmente passaram por suas mãos. Onze filhos reconhecidos, cada um de uma mãe. Outros tantos podem estar por aí – há denúncia, inclusive de uma delas que diz que foi obrigada a abortar; teria tomado um remédio que ele lhe deu dizendo que faria bem quando ela o procurou, grávida, “barriguda”, como descreveu. Para o povo ali é sempre receitada – e vendida – uma fusão de ervas, “passiflora”. Nada mais do que, pasmem, trepadeiras, como a flor do maracujá.

As grandes, muito grandes, personalidades que acabaram por ajudar a fazer sua fama estão em um silêncio cortante. A apresentadora Oprah Winfrey, a mais famosa do mundo, veio até aqui para vê-lo e dele fez e deu mais fama. João de Deus era “assim, ó”, unha e carne com o ex-presidente Lula. Viriam daí inclusive misteriosas negociações de terras, minérios, fazendas, que agora deverão novamente ser vasculhadas. A imprensa sempre lhe deu capas e capas, teceu loas, fotografou-o com as estrelas, filmou suas incisões e cirurgias espirituais. Xuxa, Dilma, Bill Clinton! Hugo Chávez, Shirley McLaine…

Ao mesmo tempo, aliás, a bem da verdade, posso até não ter acompanhado, mas honestamente admito que não lembro de ter sabido de alguém questionando o tratamento espiritual que recebeu do médium incorporado, ou que tenha piorado após consultar-se com ele. Conheço pessoas sérias que vêm ressaltando isso, embora abismadas com as revelações.

O problema é sempre o homem, o real. Assim acontece em outras crenças, devoções, lideranças religiosas de todos os credos. Excelentes comunicadores, hábeis negociantes, constroem impérios com tijolos da crença, que mantêm com financiamentos a pleno vapor. Tudo em nome de Deus, da criação, da Bíblia, das juras, imposição de pecados e culpas, de uma moral para os outros.mulherzinho paia noel

Tudo isso dito para questionar essa movimentação para cima da moral. Capaz de reclamar e blasfemar contra um programa de tevê, de variedades, como o Amor & Sexo, como se ele fosse a encarnação do demônio entrando nos lares e impedindo que as tevês sejam desligadas por quem não quer ver, e que esconde os controles remotos dos lares cristãos. Fernanda Lima, a bela apresentadora, personificando a bruxa má que ensina o óbvio: que existe sexo, nudez, diversas formas de prazer, várias formas de famílias e felicidade.

Enquanto esperamos uma ministra como a pastora Damares Alves, indicada para o Ministério dos Enjeitados (mulheres, minorias, índios, e muitos etcs que acabarão jogados para ela), que garante ter visto Jesus no pé-de-goiaba. Que quer mulheres estupradas obrigadas a ter os filhos ali originados, pretende tratar “os meninos como príncipes e as meninas como princesas”. Ela é contra tudo, sem entender de nada, despreparada na argumentação: contra o aborto, porque diz que a criança na barriga não pertence à mãe; contra educação sexual, porque erotizaria a criança; contra a ciência da reprodução humana porque congela os embriões, contra hábitos da cultura indígena, contra descriminalização das drogas…

Acho que vamos ter mesmo é que pedir a Deus para iluminar essa gente hipócrita, sem ter de esperar tantos anos para que revelem suas verdadeiras faces. Para que possamos logo lhes dar alguns tapas. Dos dois lados. E nos traseiros.

Marli Gonçalves, jornalistaVamos ter de retomar uma certa e antiga palavra de ordem: Pela Liberdade Geral e Irrestrita. Governem o país; não os nossos corpos.

Brasil, fim de ano, vem 2019!

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#ADEHOJE, #ADODIA – LULA FRITO, COM MOLHO DE DILMA E OUTRAS MORDIDAS

#ADEHOJE, #ADODIA – LULA FRITO, COM MOLHO DE DILMA E OUTRAS MORDIDAS

Estranho: procurei nas chamadas de todos os principais portais e…o Lula sumiu? Todo dia uma nova denúncia, um novo inquérito torna mais difícil a vida do ex-presidente Lula. Agora é com o envolvimento internacional, em cima daqueles, sim daqueles casos de negócios com a África. E a Dilma vai ser molho, porque está assando. Pelo que se diz, novos trechos da delação de Antonio Palloci vêm justamente contar coisas “interessantes” do governo dela, desses descaminhos que nos levaram à situação atual, chula, que nos encontramos. E a Hamburgueria lá de Salto, SP, que teve a ousadia de fazer trocadilho com a Maria da Penha, nomeando um hambúrguer porque este é feito com repOLHO ROXO. É muita cara de pau, ousadia, em um país que a cada dia tantas mulheres morem vítimas de feminicídio. É o fim da picada. E o fim do mundo, que toda hora temos algum, não? Ainda tem muito mundo para se acabar.

ARTIGO – Procura-se. Por Marli Gonçalves

 

Prepare-se. Há uma missão a ser cumprida pessoalmente nas ruas. Não dá para botar anúncio. As cidades ficariam entulhadas de cartazes se pudéssemos neles expressar tudo o que andamos perdendo ou só procurando; aliás, precisando desesperadamente procurar. E achar, mais urgente ainda. Sem recompensa.

Procura-se. Um presidente. Não é para agora, já, assim tipo tão imediatamente. Ainda temos alguns meses, mas são poucos – calcula – dá pouco mais de 500 dias. E vamos precisar procurar em tudo quanto é buraco para ver se surge alguém que preste, novo, um quadro político sério que surja depois desse expurgo geral a que assistiremos esquentar a brasa nos próximos dias com a revelação do conteúdo das delações.

Surgirão detalhes, cenas dantescas, certamente degustaremos algumas muito saborosas quando envolverem nossos desafetos, aqueles que a gente sempre achou que tinham culpa no cartório porque já enxergamos escrito Culpado na testa deles, como uma estranha tatuagem invisível que aparece só quando se joga a luz.

Ouviremos falar de valores inimagináveis até para quem habitualmente os tem, mas que não saberiam usá-los de forma tão irresponsável e imatura quanto alguns dos corruptos, esbanjando, se melecando vergonhosamente. Saberemos detalhes de suas compras, suas viagens, e especialmente saberemos para o que foram pagos, o que foi que venderam, o que fizeram para nos prejudicar para ganhar tanto. Qual foi o preço todo.

Não vai sobrar pedra sobre pedra. Só temo que seja tanta e tão volumosa a informação que virá que pode se perder despedaçada por domesticados e vorazes lobos da informação. Já vi acontecer. Pior é que também não dá mais tempo dessa saga ser lançada em capítulos, porque não temos mais esse tempo mantendo a cabeça fora da água para respirar com ondas tão agitadas.

Assim, voltando ao megafone: procura-se! Povo perplexo procura. País saqueado procura. Gatos escaldados procuram.

Procura-se também, aliás, um povo mais atento em quem elege. Daí o apelo para ligarmos todos os radares em busca de novos quadros que ainda possam vir a ser burilados nesses poucos dias que nos restam até as próximas eleições de 2018. Não podemos deixar que só vivaldinos, figuras execráveis como essas se apresentem com seus discursos de ilusões, vingança, grosseria, lero-lero. Eles já estão pondo as manguinhas de fora, mesmo ainda com a roupa cheia de lama respingada. Não queremos mais olhos esbugalhados, moralistas, reacionários, militaristas, bocudos, aventureiros, moscas mortas, sem vergonhas.

Temos de ter alguma chance de encontrar alguém. Pelo menos um rumo.

Aí você me pergunta por que eu não disse primeiramente “fora homi”. Porque creio que isso não vai acontecer; se acontecesse já iria ser a substituição do ruim que ficou no lugar da péssima, sendo trocado pelo pior ainda, dada essa atual linha de sucessão que se impõe no momento.

Para o tratamento de emergência, no entanto, depois de colecionar as sandices ditas ultimamente pelo atual e empertigado presidente, sobre todos os assuntos importantes e fatos que necessitariam de sua atuação e compreensão, culminando nessa da mulher no supermercado e no lar, proponho uma solução. Esparadrapo. Ampla distribuição e orientação para que preguem em suas bocas, em X.

Em boca fechada não entra mosquito. É melhor prevenir do que remediar. Ladrão de tostão, ladrão de milhão. Sucintos e sábios ditos populares.prcura se

20170227_154333Marli Gonçalves, jornalista – Por onde começamos?

São Paulo, 2017

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@MarliGo

Vergonha desse país. Por Marli Gonçalves

princeA gente fica meio assim, encabulado, tímido, introspectivo. Às vezes nem comenta, porque já está até chato, mas fica ali matutando, com o assunto na cabeça. Tem sido assim nesse nosso país já faz mais de ano, parece que entramos numa espiral

Qual vai ser a próxima? Qual será a frase que nossa presidente dirá e que passaremos a semana inteira ironizando e sacaneando? Será que ela vai citar de novo a volátil mosquita?

Quem vai aparecer da tumba, para não morrer deitado, e virá com mais revelações picantes de caráter pessoal? A famosa Rose, do Lula? Daria tudo para conseguir essa entrevista, nesse momento o poço dourado dos jornalistas que cobrem política. Se pudesse estaria no rastro dela – instinto de repórter na veia.

Mesmo se eu não a encontrasse, tenho certeza que boas pistas no caminho não falhariam. Guerra é guerra e está visível que nesse momento está deflagrada uma fantástica batalha de ódio e comunicação, uma interessante maratona para ver quem consegue levar o Barba à linha de chegada, aliás, para bem além dela. Ou encontrar quem consegue anular a prova.

Será que essa semana, além do constrangimento de ver o senador Delcídio do Amaral, o preso-solto-morto-vivo, adentrar o Senado, vamos ter o Japonês da Federal lá dentro para buscar algum outro? Ou será que o Japonês da Federal vai ter o ego subindo pra cabeça e vai voltar lá só para fazer selfies, inclusive posando pimpão com os investigados?

Pode ser que na nossa tevê apareça algum comercial novo, vindo da lama, como se a lama envenenada já não falasse mais alto a cada dia que passa; comercial variado e com outros funcionários sorridentes, bonitinhos, assumindo a culpa e a desculpa. Não tem jeito: você também ainda vai ter de ouvir a propaganda de um vampiro de tez bem branca falar que não devemos aceitar propaganda enganosa dos partidos, e que o dele é que é legal. (!)

Por falar nisso, quantas criancinhas não estão comendo nem o lanche que atrai para a educação, porque alguém está abrindo a lancheira no caminho para surrupiar o leitinho, morder a maçã, quebrar o biscoito? Quantos olhinhos cabisbaixos eles mostrarão jurando que não, que merenda escolar é sagrada e aliás eles nem sabiam que existia, como é que iriam roubá-la? O que mais não vamos poder saber enquanto não se passarem 50 anos? Inovador: governo inventa Cápsula do Tempo. Um buraco, as informações dentro de uma caixa, e que só daqui a 50 anos será aberta. Imaginando, né? – a grande importância que coisas deste governo medíocre terão daqui a 50 anos. Ou mesmo hoje.

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Nós nos rebaixaremos tanto que mostraremos os fundilhos ao mundo que nos observa, num misto de pasmo com curiosidade? Quanto mais se abaixa, diz o provérbio português, mais o fundilho se lhe vê. Aliás, não é exatamente fundilho a palavra que usam. Nem mesmo muitos brasileiros temos ainda capazes de encantar. Jogadores também nos envergonham, e era uma de nossas artes.

Que números mostraremos às mães? Quantas serão as crianças doentes? Que acontece que somente agora viram o que a mosquita carregava em seus voos, sem ser incomodada por nada, nem fumaças, nem autoridades sanitárias, ou outra autoridade qualquer, e a lista aumenta, ameaçando severamente a nós todos? Qual bobagem dirá o ministro, se é que ele não vai precisar ir até ali por algumas horas participar de alguma votação importante – para ele?

Vergonha. Se não chove, não tem água. Se chove, acaba a luz. O lixo entope os bueiros, água sobe, as árvores caem, as pessoas se desesperam e nada acontece e assim por diante já sabemos o que vai acontecer assim que o céu ruge.

Que faremos? Se de um lado nos divertimos com os Trapalhões, de outro temos de ver como substituir esse espetáculo dantesco, e o que se vê diante de nós é tosco demais, filme-B, Z.

 São Paulo, 2016, sonhos de uma noite de verãoshame

Marli Gonçalves, jornalista Só cantando, com o grande Nélson Cavaquinho, porque tem coisas que a gente não pode falar. (…) “É o juízo final. A história do bem e do mal. Quero ter olhos pra ver. A maldade desaparecer” (…)

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Morre em São Paulo o senador Romeu Tuma

O CONHECI PESSOALMENTE e , de alguma forma, trabalhei com ele, em 1990, durante a primeira campanha de Robson Tuma à CÂMARA FEDERAL.

Lembro de seus gestos decididos e da liderança que, graças!, mantinha de seus filhos, pelo menos há 20 anos.

Há muito o que dizer e muito o que não dizer. Morreu um pedaço forte da história do Brasil, meio negro, meio embaçado…

Vamos ver o que será revelado.

DO G1 – extra – www.g1.com.br

Morre em São Paulo o senador Romeu Tuma

Do G1, em São Paulo

O senador Romeu Tuma (PTB), 79 anos, morreu na tarde nesta terça (26) em São Paulo. A informação foi confirmada por um dos filhos dele, o médico Rogério Tuma.

Tuma estava internado desde setembro no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Neste mês, o senador passou por uma cirurgia para implantação de um coração artificial, devido a uma grave insuficiência cardíaca.

Romeu Tuma exerceu dois mandatos como senador por São Paulo. Na eleição deste ano, não conseguiu se reeleger.

Nascido na capital paulista em 4 de outubro de 1931, Tuma era bacharel em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Era casado com a professora Zilda Dirane Tuma. Deixou quatro filhos e nove netos.

Romeu Tuma ingressou na carreira policial aos 20 anos. Durante o regime militar, tornou-se investigador e delegado de polícia em 1967, quando ingressou no Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops). Exerceu o cargo de diretor de polícia especializada entre 1977 e 1983, quando assumiu a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Em 1983, assumiu a Superintendência da Polícia Federal de São Paulo e logo depois o cargo de diretor-geral da PF, função em que permaneceu até 1992. Ainda nesse posto, acumulou os cargos de Secretário da Receita Federal e Secretário da Polícia Federal. Em 1991, também passou a ocupar uma vice-presidência da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).

Permaneceu como Diretor Geral da PF até 1992, quando acumulou o cargo de Secretário da Receita Federal, no governo do presidente Fernando Collor. De 1992 a 1994, foi assessor especial do governador de São Paulo, com status de Secretário de Estado.

Entre os seus trabalhos policiais de maior repercussão, está a descoberta da ossada de um dos mais procurados criminosos de guerra nazistas, Joseph Mengele, e a captura do mafioso italiano Thommaso Buscheta.

Em 1994, disputou pela primeira vez uma eleição e foi eleito senador com mais de 5,5 milhões de votos. Em 2000, foi candidato à Prefeitura de São Paulo, mas terminou em quarto lugar. Nas eleições de outubro de 2002, recebeu 7.278.185 votos e obteve novo mandato de senador, com vigência até 2011.

Foi o primeiro corregedor parlamentar do Senado Federal. Pertencia ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa.

Dois de seus filhos seguiram a carreira política. Romeu Tuma Júnior, que foi deputado estadual em São Paulo, e Robson Tuma, deputado federal até 2006.