DELÍCIA! Ruy Castro ganha homenagem de bloco do Leblon. Sai dia 30

( PASSEI NO MEU SOUNDCLOUD PARA VC OUVIR TAMBÉM)

 “Imaginô? Agora Amassa!” homenagem ao Ruy Castro – um dos principais responsáveis pela preservação da memória da cultura nacional e da cultura do Rio de Janeiro – no desfile de 2016.

dia 30, no Leblon, Rio de Janeiro

Ruy Castro – HOMENAGEM MERECIDA

 

Imaginô? Agora Amassa! – 2016 — Samba de Gustavo Albuquerque

Oh, Imaginô! Oh, Imaginô!

Tereza da praia não é de ninguém

Não vai ser sua e nem minha também

‘Chega de saudade, a realidade’

É que ainda se faz se samba de verdade

Toda a cidade declama em versos suas prosas geniais

Ela é carioca, pra mim ela é linda demais

Pelos olhos teus um beijo na boca esperando os sinais

‘Morrer de prazer’, viver pra contar

Há muito a dizer, um sonho embalar

‘Carnaval no fogo’, a cidade vai sorrir de novo (bis)

É bossa que o violão iluminou

Um samba embebido de amor

Pequena notável, um ‘quê’ de sacana

As moças do ‘anjo’ em Copacabana

Estrela que alumia irreverente!

À ginga, Mané!

Clareia lá vem bailando a lua cheia, o coração bate, incendeia, na ‘noite do meu bem’

E quando sentir que a quarta-feira está pra chegar

Vou me permitir navegar, vou deixar minha alma seguir

O barquinho que vem, a noitinha que cai

Ipanema chamando não vou aguentar

Ruy Castro, o Rio vem agradecer, cronista-amor desta cidade

Hoje a festa é pra você!
 

 

 

O Oitavo Selo, de Heloisa Seixas, um livro extraordinário lançado hoje em SP. Livraria Cultura. Ruy Castro está dentro, do livro, e da vida da autora, sua esposa, que conta das suas sete vidas numa narrativa envolvente e literária

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EU, RUY CASTRO E O CARLINHOS BRICKMANN
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HELOISA SEIXAS ABRAÇA UMA AMIGA: AUTORA DO OITAVO SELO – QUASE UM ROMANCE, A SUPER TALENTOSA E ESPOSA DO RUY CASTRO. CONHECÊ-LA VALEU A PENA
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DA ESQ PAR AA DIREITA, KRIGOR, CARLOS BRICKMANN, A ESPOSA DO KRIGOR E UM AMIGO. KRIGOR, PARA QUEM NÃO SABE, FOI, ALÉM DE DONO DA DUCAL, E ACHO QUE CONTINUA SENDO, O MEHOR AMIGO E MENTOR DE NADA MAIS NADA MENOS JOÃO GILBERTO. QUANDO FIZ – SIM – FUI UMA BOA PRODUTORA CULTURAL – OS SHOWS DE JOÃO EM SP, FICAMOS AMIGOS ( EU E JOÃO). UM DOS ORGULHINHOS QUE LEVO NESSA VIDICA. UM DIA CONTO MAIS DESSE PERÍODO. OS SHOWS FORAM PREMIO APCA DAQUELE ANO, 85
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EU E O IVSON, FOTOGRAFO DAS ANTIGAS , QUE ACOMPANHAVA O EVENTO

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ARTIGO – Vidas molhadas, por Marli Gonçalves

read_e0Quando não há um assunto para dividir o mundo em duas partes ranzinzas alguém inventa. Aí toca falar nele até torrar o saco. Falta irem para um duelo na porta do saloon, decidir a bala, no tapa, coisas que nem deviam estar na pauta, principalmente entre quem deveria estar aí defendendo a liberdade, dizendo não ao autoritarismo. A bola da vez é a discussão sobre uma malfadada autorização que os autores teriam de ter dos biografados ou suas famílias para escrever sobre suas vidas. Vê se pode! Censura, não! Quer ser famoso sem se molhar? 

Se você vier me perguntar eu nego. Eu? Não. Não fiz xixi na cama, não comi meleca, nunca roubei nada. Nunca fiz nada ilegal, nem nunca traí ninguém. Como a gente gosta de falar, brincando, desde Tim Maia, “Não bebo, não fumo e não cheiro. Só minto um pouco”.

Ora, direis, falar a verdade! O que será de verdade que está se passando na cabeça dessa turma que se reuniu ao Roberto Carlos para querer proibir – enfim, manter proibidas, já que é assim que, absurdamente, estão nesse momento – as biografias sem um “ok”? Estariam esses nossos ídolos com efeito retardado ou apenas querendo atrasar ainda mais esse nosso travado país? Estariam todos ficando velhos ranzinzas, um dos meus maiores temores? Depois a gente fala que é birra de tia velha e eles chiam, mandam seus jovens cães de guarda latirem.

Porque uma coisa é certa: eles próprios estão manchando a biografia que seria feita – de alguns, porque tem gente aí no meio só tirando casquinha já que não mereceria nunca mais do que poucos minutos de atenção.

jlwriting_table_e0Esse é um daqueles assuntos sobre os quais não se pode ter qualquer dúvida. Não existe um meio termo, só a cabecinha. Ou existe a liberdade de imprensa ou não. E essa segunda alternativa a gente já conhece qual é. Não sei se você aí está acompanhando esse bate boca, mas ouvi umas argumentações que estão piorando ainda mais a briga de insuportáveis, o burufum, entre elas a de que o biografado devia receber. É. Tipo royalties. Seria feito algum tipo de contrato maluco, tipo para cada podre que o autor quiser revelar “sem autorização” um pagamento, tipo indenização.anim0014-1_e0

Sobre o contrário, livros que estamos vendo ser publicados aos borbotões nesses duros tempos políticos, biografias chapa branca total, que inventam vidas lindas e heroicas que até viram filmes, também fartamente financiados, nenhuma palavra. Ninguém pensa em indenizar a gente por esse deserto cultural que estão implantando.

O grupelho (fico super chateada, porque realmente tem gente cuja arte muito respeito) tem também outro argumento que me dá nos nervos, usando a coitada da massacrada Constituição. Eles têm uma lábia para usar a combalida quando lhes convém. Para se esconder e posar de legalistas. Então dizem que querem a proibição para preservar os direitos individuais, intimidade, patati e patatá.

Bom, o que a gente pode esperar mesmo de um país que tem a Dona Marta como Ministra da Cultura, com toda aquela sua empáfia? O que se pode esperar de um país que tem um Zé Dirceu correndo para defender controles? De mídia, imprensa, biografias e, se possível fosse, da Justiça, do tempo no fim de semana, do que a gente pensa dele, do mensalão e tudo o mais. Só ele é que não controla nada. Nem a mãozinha, ou o ideário político imposto a qualquer custo.

Tadinho. Deve ter ficado aborrecido com o (ex?) amigo Paulo Coelho que mandou a lenha na organização, igual o nariz das donas, da feira de Frankfurt programada para homenagear o Brasil, mas que acabou só assistindo a um festival de troca de desaforos. Deve estar querendo apagar o charuto do (ex?) amigo Fernando Morais, um de nossos maiores biógrafos, que também já se posicionou a favor da liberdade. Deve ter jogado fora todos os livros de Nelson Motta, Ruy Castro, os discos de Alceu Valença e outros que ousam pensar diferente dele, do “rei” e dos tropicalistas que esqueceram de seus próprios atos, e mandam a gente esquecer o que escreveram e fizeram.

Tenho uma péssima notícia para dar a esse grupo. As biografias deles já estão escritas, e disponíveis na internet – basta gugar. Tudo bem que não são tão bem escritas como seriam se esses nossos grandes autores o fizessem, mas estão lá.

Mais: há roteiros prontos. E aí eu trouxe para ajudar a quem quiser começar a escrever uma biografia, mas que espero que escolha um personagem que mereça mais do que esseszinhos, e que seja democrático.

Elementos para elaboração de uma biografia: Nome da pessoa/ Nomes dos pais/ Data do nascimento/ Local do nascimento – cidade, Estado, País (se estrangeiro, quando veio para o Brasil?) onde se radicou? Casado(a)? Nome do cônjuge/ Quando casou-se? / Onde?/ Quantos filhos / Quem são eles?/ São casados?/ Com quem? A que se dedicam?/ Quantos netos? Cursou alguma escola?/ Onde?/ Quando? /Qual?/ Nomes das escolas/ Que atividades exerceu? / Pertenceu a entidades culturais, filosóficas, beneméritas, assistenciais?/ Quais?/ Quando?/ Exerceu algum cargo público?/ Eletivo ou de carreira?/ Qual? Em que época? / Pertenceu a algum partido político? Qual? Quando? / Citar particularidades ou fatos interessantes da vida do biografado/ Citar atividades ou fatos em que se destacou na comunidade/ Citar contribuições que ofereceu para a comunidade/ para o desenvolvimento. Faleceu?/Quando?/ Onde?/ Onde foi sepultado?

Como vimos, fácil fazer biografia de quem merece, e sem perguntar se pode. Quem está na chuva é para se molhar, não é não Caetano? Segura seu pierrô molhado, ou se perca de nós. Desapareça.

São Paulo, 2013

Marli Gonçalves é jornalista Nunca suportou a censura. Tantas coisas não pode nunca ler ou saber por causa dela!

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Tenho um blog, Marli Gonçalves, divertido e informante ao mesmo tempo, no https://marligo.wordpress.com. Estou no Facebook. E no Twitter @Marligo

Você não pode deixar de ler o Ruy Castro da Folha deste sábado. Perfeito. Preciso. De mestre que é.

Inventa-línguas

Ruy Castro

RIO DE JANEIRO – Amanhã, fechada a última urna, a Justiça Eleitoral não somará os votos -“procederá à totalização”. Quem quer que tenha imposto essa forma pedante e engomada de dizer algo tão simples conta agora com a adesão da televisão, que se encarrega de fixar na língua os modismos mais bobos.

É assim também que, no futebol, ninguém mais entra em campo, mas “vem pro jogo”, e ninguém mais joga bem, mas “faz um bom jogo” -expressões que ficamos a dever ao jargão pretensioso e oco de alguns treinadores. E onde foram parar os antigos estádios e ginásios, substituídos pelas “arenas”, embora seus pisos de grama ou cimento ainda não tenham sido substituídos pelos de terra, próprios das touradas?

A explicação para tudo isso deve ficar “por conta” -não mais por causa- de alguém que, um dia, resolveu falar difícil e havia um pascácio escutando. Ou que julgou estar dando sua contribuição à língua, como na recente campanha de uma cerveja, louvada nos anúncios por ter “praiabilidade” e “churrascabilidade” -por que não “futebolidade”?

Guimarães Rosa vivia inventando palavras, necessárias ao que ele queria dizer. Muitas poderiam ter tido uma sobrevida na língua, como “ensimesmudo”, “infinilhões” ou “sussurruído”. Mas nem ele conseguiu que elas respirassem fora dos seus livros. Hoje, qualquer um pode ser um inventa-línguas -basta afixar à fachada de seu negócio uma placa anunciando sua “brinquedaria”, “chicletaria” ou, credo, “olfataria”.

Está bem, a língua não é imexível, como disse o outro. Mas, antes de submetê-la a um vale-tudo de gratuidade e exibicionismo, por que não recuperar palavras já existentes e com pouco uso? Nesta semana, por exemplo, uma delas, que vivia quieta no seu canto e só era usada em textos jurídicos, saiu às ruas com grande pompa e circunstância: “dosimetria”.

Quer ler uma coisa gostosa? Ruy Castro, Folha de SP de hoje.

Ruy Castro, na Folha de S. Paulo, 31 de março de 2012

Aos pés de seu herói

RIO DE JANEIRO – Leio no jornal que certa beldade, cujo nome me escapa e cuja cor dos olhos desconheço, reluta em posar para a “Playboy” porque a revista não estaria valorizando a sua condição de recente estrela do “BBB”.

Trabalhei na “Playboy” em seus primórdios, na passagem dos anos 70 para os 80, e me lembro de como as exigências das moças que posavam para a revista podiam ser diferentes. Uma preocupação delas era com o texto que acompanhava as fotos. Não gostavam que fosse grosseiro, machista e realçasse apenas os seus atributos mais óbvios.

Uma dessas moças era uma famosa atriz do cinema nacional. Aceitara posar, mas exigira o direito de aprovar as fotos e o texto. A revista concordou. As fotos foram feitas no Rio e, semanas depois, a produtora Cecília Ribeiro foi receber a estrela em Congonhas e levá-la à Redação para conferir tudo. No caminho, a garota continuou a falar do baixo nível desses textos. Cecília tentou tranquilizá-la e assegurou-lhe que suas legendas seriam escritas por um dos nossos melhores redatores, o Fernando Pessoa.

Ao ouvir o nome, a moça pulou no banco traseiro: “Fernando Pessoa??? Mas é o meu poeta favorito! Sou louca por esse homem!! Não sabia que trabalhava na ‘Playboy’!!!”. Cecília, safa como só ela, não confirmou nem desmentiu e prometeu que a apresentaria ao poeta na Redação.

Assim que chegaram à “Playboy”, ela fez as apresentações e piscou para o também poeta, só que pernambucano, Fernando Pessoa Ferreira -que entendeu tudo e entrou rindo no jogo. Fernando passou a tarde recitando os clássicos mais manjados do seu xará português para a moça, que não percebeu a diferença de sotaque. Horas depois, a estrela assinou a autorização sem sequer ler o que Fernando escrevera sobre ela e tomou o avião, feliz da vida por ter conhecido seu herói.

Grande Ruy Castro, na Folha de SP de hoje

Ruy Castro

Mistério e absurdo

RIO DE JANEIRO – Cientistas da Universidade da Louisiana, nos EUA, divulgaram há dias o que consideram uma grande descoberta. Em 1961, pesticidas usados por fazendas perto da baía de Monterey, na Califórnia, teriam ido para o mar e produzido uma toxina que contaminou o plâncton ingerido por anchovas e lulas, abundantes na região. Estas, por sua vez, ao servirem de alimento a gaivotas e tartarugas, danificaram o cérebro das aves, deixando-as confusas e induzindo-as ao suicídio em massa.

Segundo eles, isso explicaria por que milhares de gaivotas se atiraram contra casas e carros, na costa noroeste da Califórnia, no verão daquele ano -o que, por sua vez, teria inspirado o clássico “Os Pássaros”, deHitchcock, em 1963. E, com isso, anunciaram, estaria desvendado o “mistério” dos pássaros de Hitchcock, cujo ataque aos humanos no filme nunca teve explicação.

Nelson Rodrigues chamaria esses cientistas de “idiotas da objetividade” -aqueles para quem tudo precisa ter uma razão lógica. Uma das belezas do filme de Hitchcock, fartamente observada na época, é que os pássaros não eram uma alegoria do apocalipse, da bomba atômica ou da Terceira Guerra, mas apenas pássaros. Parecia absurdo, não? Mas nosso tempo era absurdo.

Além disso, o instinto assassino que acomete as aves do filme não se limita às gaivotas -atinge também corvos, pardais, canários e há uma referência até a algumas galinhas.

O próprio diretor sempre desautorizou qualquer interpretação física ou “metafísica” dos “Pássaros”. Por que então se deixaria inspirar por causas tão rasteiras, como toxinas e pesticidas? Mas vamos supor que os idiotas da objetividade estejam certos. Nesse caso, Hitchcock perdeu a chance de fazer um filme ainda mais aterrorizante. Era só substituir as gaivotas pelas tartarugas.