ARTIGO – Ajoelhar e rezar. Nossa Senhora, seja agora a nossa Padroeira. Por Marli Gonçalves

Nossa Senhora Aparecida, encarecidamente rogo para que faça valer suas consagrações e a energia que tantos milagres já fizeram. Mas desta vez o pedido é maior. É uma voz em uníssono, nem que seja apenas por meros instantes, de 207,7 milhões de brasileiros. Ah, pode somar aí mais uns milhões de outros que, mesmo não sendo brasileiros, gostam de nós, e creem na sua intervenção, a única intervenção que todos, de uma forma ou outra, acreditamos, a divina.

 nossa senhora aparecida, ROGAI POR NÓS!

É tamanha a angústia, que chega até a ser inexplicável, chega a doer no peito, uma enorme tristeza, ansiedade, apreensão. Como se sentisse que algumas portas de dimensões desconhecidas tivessem sido destrancadas, abertas, e delas estivesse emergindo o que de pior há no ser humano – sua inesgotável capacidade de ser cruel, egoísta e disseminar o mal.

Pois olha, tanto, tão forte, que eu pensei. Já pensaram em escrever uma carta para algum santo? Pois não é que não sei se por essa mistura toda de Dia da Criança e Dia da Padroeira, com Dia de eleições e outras datas, semanas de brigas, eu quis escrever um pedido, e logo para a Nossa Senhora Aparecida? Aqui em casa, muito por influência da minha mãe, todos fomos criados muito ligados à Nossa Senhora, ao seu manto azul, à sua imagem que parece refletir exatamente o nosso país. À sua bondade e abrigo a todos. E se ela lembra minha mãe, só posso reconhecer nela o que de melhor há.

Imagem encontrada, pescada do fundo de um rio, despedaçada, cabeça e corpo, vem sendo unida e adorada há três séculos. Novamente destruída em 1978 – ficou em cacos – pelo ataque de um maluco, mais um destes tantos que ouvem vozes apelando pela destruição – foi remontada. Agora, aprisionada em uma cabine de vidro blindada dali só sai uma vez por ano, escoltada.

Pequenina guerreira. Meio estropiada após tantos percalços, feita de barro terracota, 36 centímetros de altura, dois quilos e meio. Ganhou o maior Santuário do Mundo para ela, uma imagem, uma escultura preciosidade que tanta fé impulsiona. Ganhou bênçãos e o reconhecimento de Papas. Da Princesa Isabel ganhou o manto azul ricamente ornado, a coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis. Ganhou um Feriado Nacional. Milhares de pessoas chegam a ela todos os dias, com os pés em chagas, joelhos destroçados, caminhando pelas estradas. Fazem filas e sacrifícios apenas para passar diante dela, erguer os olhos e seguir adiante.

Ela é negra nessa imagem, mas há explicações: ou o tempo que ficou no fundo do rio; ou depois, as dezenas de anos que ficou na casa do pescador, sendo adorada pelo povo local, que à sua frente acendeu muitas velas que teriam escurecido sua tez.

A certeza é a de que Nossa Senhora Aparecida está acima de tudo isso – representa o Brasil de todas as raças, cores, credos, idades, times, inclusive. Sim, até teve evangélico que a chutou, mas isso foi um episódio superado. Ela une todos, motiva respeito. Vou dizer mais uma que que acabo de descobrir e que talvez tenha sido a gota d` água para eu pensar em apelar a Ela nesse momento. Nossa Senhora Aparecida, além de Rainha do Brasil, título conquistado em 1904, de ser a Padroeira do Brasil, desde 1931, é também desde 1967 a Generalíssima do Exército Brasileiro. A única.

No instante em que vivemos, nervos à flor da pele, a volta dos tons verdes, insígnias e fardas, em que famílias estão desunidas e que tudo parece ser assim tão só dialético, o Bem e o Mal, o Sim e o Não, me vejo acreditando mais ainda e orando para que se faça luz, que essa luz mostre o prisma tão diversificado.

Que irradie um calor que se espalhe amorosamente e nós, que apenas desejamos caminhar em paz para um futuro, consigamos seguir em frente sem tantos receios por nós mesmos e por todos que amamos ou consideramos. Haja o que houver, que nós todos sejamos respeitados e tenhamos a nossa liberdade individual garantida.

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Marli Gonçalves, jornalista. É a graça que peço. Rogai por nós, Nossa Senhora da Conceição Aparecida! Te chamo pelo seu nome.

marligo@uol.com.br e marli@brickmann.com.br

Brasil, 2018

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Copa do Brasil: esse estilhaço do Carlos Brickmann define todos os times

bola_pulando_9Corinthians, campeão brasileiro.

Santos, campeão paulista.

Palmeiras, campeão da Copa do Brasil.

São Paulo com trânsito congestionado.

FONTE: ESTILHAÇOS – CHUMBO GORDOBOLAS DE PAPEL FLAMEJANTES

ARTIGO – Aiaiai, se eu soubesse antes, aiaiai. Por Marli Gonçalves

tumblr_minkfdvKDO1s3rws8o1_1280Pela internet, como de costume, acompanhava o noticiário geral e, meio de esgueira, via pelo tablet o depoimento, a oitiva, como gostam de falar para ficar mais importante, da contadora do doleiro lá no Congresso Nacional. Reparava até o quanto a moça era articulada, segura e bem menos feia do que apareceu na capa da revista que a lançou ao estrelato político. De repente o avião que duas horas antes tinha caído em Santos pousou na fala de um congressista, lá em Brasília. Parece que era o jatinho que servia ao candidato Eduardo Campos…t_019191aa1eb0446b91c9848a64d2db7b

Foi o suficiente para que os pelos do meu braço se eriçassem de uma forma que conheço bem, quando bate alguma intuição meio esquisita, e essa tinha sido quase óbvia. Os minutos seguintes foram de confusão absoluta na imprensa e na cabeça até a confirmação fatal. Claro que se ele não estivesse ali já teria aparecido para dar um tchauzinho, não?

Foi também o marco de uma situação bem esquisita, que sei que muita gente tem pensado mas poucos a expressam. Que candidato maravilhoso perdemos! Não é que de repente todo mundo ia votar nele? As pesquisas anteriores deviam estar erradas porque – nossa! – como é que eu não soube antes o quanto ele era fantástico, líder, popular, cheio de ideias, seguidores, eleitores, simpático, além de impecável chefe de família, etcs, muitos etceteras?

Santa hipocrisia. Porque não falavam todas essas coisas maravilhosas sobre ele quando estava por aí piscando seus olhos de cristal, pedindo votos, sendo obrigado até a viajar mais do que os demais candidatos. Não dá para contar quantos textos tenho lido, e escritos por jornalistas, que o colocaram imediatamente no sétimo céu, depositário de nossas esperanças, redentor de Pernambuco, com ideias que mudariam o nosso modo de ver a política nacional, essa massa disforme na qual essa política se transformou nos últimos doze anos, três reinados petistas. Se fossem textos de familiares, amigos, correligionários seriam sim, naturais, depois de uma grande perda. Mas não: tentativas de tirar a casquinha, ter a sua lasquinha do muro de Berlim.

Especialistas apareceram de todos os cantos. Hipóteses e suposições pulularam igual aos peixes na piracema. Notas oficiais despencavam por minuto na nossa caixa postal. Tudo quanto é poste, associação de qualquer coisa lamentou, sentiu muito, sendo que a maioria não tinha nem a menor ligação, nem com a política quanto mais com o candidato. A imprensa toda pirou a ponto de ter posto no ar coisas que até agora aparecem inacreditáveis, como a história do socorrista que declarou ter ido lá nos escombros, visto o corpo, aberto os olhos e constatado que eram os “olhos azuis do meu candidato”, como exprimiu aos prantos diante das câmeras.

Para tudo! Li, ouvi e ainda ouço, aiaiai, de um lado, tudo quanto é tipo de explicação, de teoria conspiratória, de acusações, e pior, lamentos com listas de “quem é que deveria estar lá no avião aquele dia e não morreu, fica por aí “. Até em abdução falaram, sim, Eduardo teria sido levado por ETs. E a história do helicóptero contra o qual o avião teria se chocado? Helicóptero esse que, claro, virou pó, se desmaterializou, junto com seu piloto, se é que havia um, porque também correu a história do drone assassino, perdido ali entre as nuvens de chuva.

De outro lado, pipocaram imediatas desconstruções da possível nova adversária, Marina Silva, O horror. A completa falta de noção, mas ao mesmo tempo uma amostra viva, muito viva, do que, e no que se transformou o Brasil, a ignorância, a falta mínima de raciocínio, os bonecos animados pagos para inflamar uns contra os outros, formando uma corrente muito desagradável de informação, contrainformação e invasão nas redes sociais.

Lembrei-me de Chico Buarque, não pela razão que sempre tentaram associá-lo a Eduardo Campos, mas por uma música, “Se eu Soubesse”, do trabalho Bastidores, de 2011. Procure ouvir. Lembrei-me de Maísa cantando sofrida a bela e “Castigo”, de Dolores Duran (“Se eu soubesse/Naquele dia o que sei agora/Eu não seria esta mulher que chora/Eu não teria perdido você”). Lembrei até do Michel Teló, “Ai se eu te pego”, mas esse porque tive vontade de esganar uns e outros nesse dia que embora seja para ser esquecido nunca o será.

Escrevo antes dos funerais. Imagino bem o quanto mais se irá falar, escrever, especular sobre o acidente, sobre as vítimas, sobre avião e caixas pretas, e especialmente sobre o candidato – aquele que era tão bom, tão maravilhoso, tão especial que todo mundo ia votar nele, embora as pesquisas o mostrassem patinando; se virando em mil para defender a própria mãe na entrevista, tendo que explicar muito bem por que demorou tanto para pular do barco governista. Fora explicar Marina, acalmar Marina, e carregar Marina para baixo e para cima, o que agora será precioso.

martinAchei duas frases perfeitas para a ocasião. A primeira, dada como um provérbio português – “O se eu soubesse é santo que nunca valeu para ninguém” – e a segunda, quase premonitória, creditada a Martin Luther King: “Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços, eu ainda plantaria a minha macieira” .

Pelo que vejo, Eduardo chegou a semear, e se Deus quiser, muitas maçãs brotarão e esperamos que seja logo, agora.

São Paulo, 2014, no sempre horrível agosto que traz sempre algum desgostoMarli Gonçalves é jornalista – Prometo que, sempre que achar alguém bem legal, conto logo para vocês. Como já disse, não gosto nada dessa história de ter de morrer para viver sempre. E só assim ser tão bom que não devia ter morrido…

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SANTOS, SP: o programa desta quinta, 5, é ver fotos lindas de Santos, por Araquém Alcantara. Patrocínio Marimex

 

Tudo de bom

O livro é de Araquem Alcântara, um dos mais importantes fotógrafos de hoje; a grande personagem do livro é uma das mais importantes cidades do país, Santos, sede do maior porto brasileiro, decisiva na política, na cultura e na economia, decisiva na nossa História; o patrocínio é da Marimex Inteligência Portuária, avaliada pela revista Transporte Moderno como Melhor Operador Logístico e de Armazenagem do Brasil.

O livro é belíssimo; e o local do lançamento é também belíssimo, um prédio histórico revestido de antigos azulejos, a Casa da Frontaria Azulejada, na rua do Comércio, 96, no centro tradicional de Santos.

Vale pela importância cultural e histórica, vale pela beleza. Dia 5, às 19h30.

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CONVITE

( nota da Coluna Circo da Notícia/ Observatório da Imprensa)

RIP Adão Palmeiro, um grande Mestre de minha vida e de muitas outras pessoas. Uma luz a menos do nosso caminho

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Troféu Zumbi dos Palmares, Adão Palmeiro

2012-09-01-755eu, com Pai Adão e Dona Elvira

2012-09-01-753Carlucho com pai Adão no aniversario de 80 anos

DAQUI DO MEU CANTO, SÓ DIGO QUE ESTOU MUITO TRISTE, MAS SEI QUE SEMPRE O TEREI ME PROTEGENDO