#ADEHOJE – NOVEMBRO … E OS HORRÍVEIS ATACAM MAIS

#ADEHOJE – NOVEMBRO … E OS HORRÍVEIS ATACAM MAIS

 

SÓ UM MINUTO – COM BOLSONAROS FALANDO, QUEM PRECISA DE HALLOWEEN? Agora, o – desculpem, mas normal não é – escalafobético – Eduardo Bolsonaro, vem falando em AI-5. Como ameaça…Não basta o pai destemperado, os Filhos do Capitão estão cada dia pondo mais a manguinha de fora e se não nos unirmos teremos mais problemas. Vergonha de chamar de senador um desqualificado como ele, que ousou, entre outras, se comparar ao filho do presidente da Argentina, que é trans, drag, e aparecer numa foto cercado de armas. Estamos vivendo tempos surreais e muito preocupantes, de verdade, por mais otimistas que pretendamos ser.

O desvario é total. Liberam pesca na área contaminada das praias do Nordeste e ninguém nos fala na óbvia contaminação da água liberada pelo óleo que invadiu o litoral. Olha o benzeno aí, gente! Um ministro vai lá molhar a pontinha dos dedos das mãos e dos pés e diz que a água está limpa. O outro, Zé bonitinho, some. O da Saúde? Quem é mesmo? Só mesmo apelando a todos os Santos.

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ARTIGO – Dias estranhos e os cotidianos perrengues. Por Marli Gonçalves

 

É muito difícil todas as semanas decidir sobre o que escrever, para nós, colunistas, da imprensa, sites, jornais, etc. Parece que estamos sempre batucando nas mesmas pretinhas, as teclas, e a sensação de que chovemos no molhado com nossas opiniões é impressionante. Daí às vezes também querermos mudar de assunto, não falar do Brasil, que não muda, só piora, e então optar por falarmos sobre aspectos pessoais – nossas vidas, mas como sempre tudo isso tem uma total relação com onde vivemos

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Vai chegando o dia de escrever e o pânico se estabelece. Mais uma vez relembrar os fatos gerados pelo Governo Bolsonaro, o próprio, seus ministros, suas manobras e absurdos, declarações, algumas que chegam a ser inacreditáveis em plenos tempos modernos? Criticar os termos chulos usados, ofendendo a nossa inteligência, ou os índios, as mulheres, todos, e agora até as árvores?

A impressão que muitos leitores podem ter é que passamos o tempo procurando essa pulga, mas não é verdade. Ela pula na nossa frente no noticiário, nos fatos que geram, na repercussão que causam especialmente atrasando e desviando de tantas coisas sérias e reais que precisam ser resolvidas e acabam relegadas.

Para mim essa foi uma semana muito difícil, estressante, que começou – vejam só – comigo sendo assaltada em pleno centro da cidade de São Paulo, plena avenida, pleno policiamento, e no meio de um evento musical nas ruas. Um sujeitinho franzino, podia até ser menor de idade, ar violento, aproveitou o trânsito parado na Rua Xavier de Toledo, e me abordou no carro, ameaçando com arma (que não vi, e ainda creio que era imaginária), pedindo meu celular.

Como já ando atenta, o celular não estava à vista, mas bem guardado, e respondi que não tinha nenhum. Ele ainda meteu a mão pra procurar se estava entre as minhas pernas. Então exigiu a bolsa, que estava num cantinho, esquerdo, onde já também por prevenção costumo deixar. Na enfiada de mão, acho que bateu nela e puxou. Ainda tentei segurar, mas não deu, e ele saiu correndo – dentro, todos os meus documentos, um dinheirinho importantíssimo, contado e suado, que eu precisava, creio até que mais do que ele. Ainda tentei correr atrás, mas logo encontrei com quatro, quatro, guardas logo ali, e pasmem: com ar patético, apenas disseram que não viram ninguém correndo. Só eu vi, né? –  Logo sai correndo mais ainda foi dessas lerdezas inacreditáveis.

Nada. O menino sumiu. Era questão de me conformar. E prestar queixa o mais rápido possível. Aí, aqui na terra do João Doria, que bota no ar uma espetaculosa propaganda da polícia que você tem a impressão que está dentro de um filme de ação da própria Swat e vive no lugar mais seguro do mundo, começou a epopeia. A principal delegacia do centro da cidade foi a primeira aonde me dirigi. Na porta, a placa enorme – PLANTÃO 24 HORAS. Mas a imensa porta de vidro fechada. Toquei a campainha e um sonolento homem apareceu dizendo que ali não tinha delegado, que devia ir em outra “freguesia”.

Resolvi então ir à mais próxima de minha casa, por sinal, a tida como mais vip da cidade, por estar em uma área que ainda ousam chamar de “nobre”. Sem dar esperanças, ali os investigadores foram logo dizendo que havia dois flagrantes à frente e que minha queixa poderia levar toda a noite e madrugada. Bem, dali liguei pro banco, cancelei o cartão, e voei para fazer o salvador BO eletrônico. Assim como começar a agendar a feitura de segundas vias de tudo que podia pedir. A gente se sente muito violentada, desprotegida, sem reação.

No dia seguinte, final da tarde, uma alma boa me ligou, havia achado um cartão com as coisas. Passeando com o cachorro na Praça da República encontrou minha bolsa (que, aliás, era muito vagabunda) jogada, com alguns desses documentos e o principal para mim, meu óculos de leitura, lindo, único, caro, e sem o qual não enxergo um palmo. Deixou tudo em um posto da PM ali perto, onde busquei, agradecendo a todo os santos, rezas, erês, solidariedade dos amigos. Nada do cartão bancário, claro, e nem do cartão de idoso de transporte público. Mas como já havia bloqueado ambos, como diria, não me preocupei.  Até alguns dias depois, quando o banco bloqueou minha conta porque alguém tinha usado e tirado dinheiro, de uma maquininha. Me respondam como pode isso, sem senha, e de um cartão bloqueado!

Não tem como medir o stress e o mal que isso tudo – e tudo o mais na sequência – levou. A não ser contar que a semana de perrengues termina comigo de molho. Uma cirurgia na boca, usual, rotineira, acabou me derrubando.

A imunidade da gente vai a zero. Não há como não entender porque estamos num país com tantas pessoas doentes, pessoas enfrentando diariamente perrengues infinitamente piores, e totalmente largadas por aí, sem qualquer assistência, sem qualquer imunidade, só para lamentar, sem seguro, sem proteção.assaltantes, traficantes e quetais

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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#ADEHOJE – CLIMA MOBILIZA O MUNDO

#ADEHOJE – CLIMA MOBILIZA O MUNDO

SÓ UM MINUTO – Milhões de pessoas em todo o mundo hoje estão mobilizadas pelo salvamento do planeta, no que chamam Greve Geral pelo Clima. São pessoas de todas as idades, mas especialmente mulheres e jovens, o que é muito interessante, especialmente.

Hoje os médicos liberaram Jair Bolsonaro par a a viagem a Nova York, onde abrirá – com discurso – a conferência geral das Nações Unidas, na ONU. Vocês estão aí rezando e torcendo para que não passemos mais vergonha, né? Pior é que será difícil que isso não ocorra, porque é o Ernesto Araújo, aquele que faz um monte de ranran quando fala, e só bobagens, assessorado pelo que há de pior da direita, quem está cuidando disso.

No Congresso, o resumo da ópera: os deputados estão querendo que a Casa da Mãe Joana volte às eleições. E que a gente pague todas as bobagens que eles fizerem durante a campanha. Esse é o resumo desse samba do vaivém do projeto que aguarda sanção do presidente, acuado. Se cortar, os políticos vão revidar. Se deixar, nós revidaremos.

#ADEHOJE – IDEIAS DO QUE ELE PODERIA FAZER COM A CANETA. POR LÁ EM CANCÚN, POR EXEMPLO…

#ADEHOJE – IDEIAS DO QUE ELE PODERIA FAZER COM A CANETA. POR LÁ EM CANCÚN, POR EXEMPLO…

SÓ UM MINUTO – Bolsonaro disse que tem nas mãos a caneta que pode transformar a Estação Ecológica de Tamoios na “Cancún” brasileira. O lugar que ele quer destruir é um santuário, 29 ilhotas e rochedos, onde vivem animais sob ameaça de extinção como a garoupa, a tartaruga-verde e o cavalo-marinho-do-focinho-longo. Isso, e a Usina Nuclear. Não gosto de ser grossa, mas a situação geral ajuda: me digam o que ele pode fazer com essa tal caneta… Ideias não nos faltarão. Ah, coincidência… É neste local que Jair Bolsonaro foi multado em 2012 por praticar pesca ilegal.

Para completar esse governo do horror, o tal ministro Osmar Terra – pior, com a anuência de Moro – censura pesquisa da Fiocruz sobre a questão das drogas no Brasil. Toffoli tira da pauta a descriminalização. Eles querem manter o status quo dos chefes do tráfico.

Por tudo isso, já nem nos espanta a queda de 0,2% do PIB. O país anda pra trás em política, educação, saúde, economia e comportamento…

#ADEHOJE – Bem pior que uma decepção

#ADEHOJE – Bem pior que uma decepção

SÓ UM MINUTO – Bem pior que uma decepção. Vou usar o título do editorial do Estadão de hoje, porque ele é perfeito ao se tratar do governo que nos governa. Mas o editorial trata só das questões econômicas, as que não entendo bem. Mas entendo de comportamento, educação, saúde, segurança pública, e tenho posição firme com relação a esses temas. Não é coisa de direita ou esquerda. É coisa de respeito com a população. Destruir (mais ainda) a Educação, cortando verbas e fazendo trapalhadas, liberar armas, inclusive para crianças e adolescentes, cancelar radares nas nossas estradas perigosas para agradar caminhoneiros, deixar que esse debate imbecil entre ele, os filhos, os militares prossiga, as falas preconceituosas, decretos autoritários, vaivéns… Muita coisa. Enfim, eu não tinha dúvidas, mas sei que quem nele votou depositava esperanças, e eu estou vendo muitas dessas pessoas inclusive até sendo atingidas pelos raios desencontrados que saem daquela cabeça

#ADEHOJE – CAFÉ DA MANHÃ COM O PRESIDENTE

#ADEHOJE – CAFÉ DA MANHÃ COM O PRESIDENTE

 

SÓ UM MINUTO – Adoro ver como os jornalistas, especialmente de Brasília, ficam felizes, contentes igual pinto no lixo, nem disfarçam, quando são chamados para o tal encontro com o presidente no café-da-manhã. Hoje não foi diferente. A foto final então, é uma coisa! Entre expressões de que ele estava “leve”, “quase não comeu”, nos dão as informações importantes. Por exemplo, a de que ele finalmente está se dando conta do erro da indicação para ministro da Educação do tal Ricardo Vélez Rodrigues, que não sabe onde está parado e não cansa de produzir fatos vergonhosos.Com o vocabulário restrito de sempre, Bolsonaro diz que o anel de noivado com ele pode ir para a gaveta – sempre referências a “casamentos”… Vélez já diz que “não se entrega”.

De importante, também, a informação de que é praticamente certo que esse ano não haverá Horário de Verão. Ufa, uma economia pífia de energia e que traz prejuízos à saúde de todos porque desregula o relógio biológico totalmente. Vamos ver.

Fora isso, reforma da Previdência parece ser a única reforma que eles veem , entre tantas outras tão fundamentais e que talvez até pudessem diminuir o fardo que colocará sobre os ombros dos trabalhadores.

ARTIGO – Quer saber o que queremos? Por Marli Gonçalves

Respeito. Em primeiro lugar, respeito. Antes de tudo o mais que se possa estar pensando para comemorar o Dia da Mulher, nos presenteiem com respeito, que é isso que mais está faltando para entender a dimensão e a realidade da condição feminina. A lista do que queremos e precisamos é longa, não está em nenhuma loja, e começa por entender que não estamos brincando quando falamos em busca de, no mínimo, igualdade, que já não é sem tempo.

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Desarme-se. Pronto? Posso falar? Me deem um pouco de sua atenção, todos aí do outro lado desse texto? Senhores e senhoras, meninos e meninas.

As mulheres já fizeram grandes avanços, e a luta por igualdade e conquistas hoje alcança outro patamar, mais complexo, muito mais ligado ao comportamento e cultura. Os espaços cada vez mais ocupados. Isso, sem dúvida, certamente acarretou e traz confusão entre valores, envolvendo sexo e a questão de gênero. Mas é hora de seguir adiante, por todos nós.

Têm acompanhado o noticiário que todo dia fala sobre a morte violenta de uma ou mais mulheres por seus companheiros ou ex-companheiros? Pois esse número é muito maior do que as que viram “notícia”. Têm sabido das que ficarão aleijadas para sempre por conta de ataques? Aleijadas, inclusive moralmente, porque a violência deixa sequelas e não só na pessoa atingida, mas em todos à sua volta. Em todos nós, envergonhados.

Ah! Não gosta da palavra feminicídio? Acha que é invenção da imprensa? Não é: trata exclusivamente da violência, o ódio, que atinge mortalmente a mulher, e apenas pela sua condição de ser uma mulher. Definição importante, porque foi só a partir de muita luta que se conseguiu chamar a atenção para esse problema tão grave. Pelo menos agora estão medindo, pesquisando, dando atenção, inclusive, ano após ano, revelando que os índices estão, na verdade, piorando. É preciso fazer alguma coisa para mudar. Já somos o quinto país do mundo mais violento contra a mulher, e isso não é para se orgulhar, mas para corar. Não gosta da palavra feminicídio? Tá bom, use outra: assassinato de mulheres.

Outra: mulheres agredidas e que não prestaram queixa não é porque gostam de apanhar. Mas porque têm medo, muito medo. Por não confiar – e com certa razão – nas autoridades que deveriam protegê-las. Várias, desse rio de sangue e horror, estavam sob medidas protetivas, mas quem as cumpre? Essa polícia que muitas vezes não aceita nem que se registre um boletim de ocorrência, esses juízes que liberam os agressores em poucas horas, porque eles vão lá e se dizem arrependidos?

A realidade é que ainda se teima em não admitir que a mulher ainda é tratada de forma diferente, como se menor fosse, e não só dentro de sua própria casa, mas na rua, no trabalho, na política, na lei, na sociedade.

Chega a ser vergonhosa a mínima participação na política nacional, só com algumas eleitas, muitas delas apenas desajustadas, justamente por negarem sua condição para chegar até ali. Vemos ainda a criminosa utilização das cotas partidárias em candidaturas fantasmas de mulheres apenas para a obtenção de recursos, apenas mais um dos assuntos atuais e cavernosos do país que trata tão mal a parcela que é mais da metade de sua população.

Por que ainda tantos e tantas de vocês não admitem, parecem não ter noção do desgaste que é todo dia ter de se reafirmar, século após século, ano após ano, dia após dia, suportando retrocessos ideológicos, a ignorância e as pedras no caminho?

É preciso garantir a liberdade de denunciar, de exigir respeito e chamar a atenção para o que é tão urgente.

Respeito. Respeite. É essa a noção básica do feminismo. Precisamos todos também falar sobre isso: o feminismo é sério, amplo; não é coisa só de mulher. É movimento de toda a sociedade que não se desenvolverá sem que se tenha noção da importância da igualdade de condições, e que se manifeste e esteja presente em todos os grandes temas.

Percebo, sim, aqui do meu posto de observação, que a coisa está tão confusa que até uma luta política tão importante como essa esteja infelizmente virando clichê. Virando qualquer coisa, sendo ridicularizada. Tudo baseado apenas em palavras vazias, grosseiras e mentirosas que só parecem pretender manter as mulheres acuadas e caladas. Repito, desistam. Não adianta. Precisamos todos nos acertar.

Respeito. Nos dê – a todos – esse presente, bem simples, aproveitando o Dia da Mulher, que foi para isso que foi criado, para que se pense mais seriamente. É só o que queremos: respeito. A partir daí virá a consideração.

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Marli Gonçalves, jornalista – Obrigada desde já pela atenção.

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Brasil, Dia da Mulher, 2019

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