Morreu nesta terça o homem que informava sobre as mortes e de como foram as vidas. Veja a dele, que emocionante. Com vocês, Toninho Boa Morte. Em dois grandes textos de amigos.

Este é do JOSÉ MARIA MAYRINK

José Maria Mayrink – O Estado de S.Paulo

Juan Guerra/AE - 15/12/08SÃO PAULO – Internado no Hospital Nove de Julho, onde acabava de se submeter a uma cirurgia, o jornalista Antônio Carvalho Mendes, o Toninho, comemorou o aniversário no quarto de recuperação, em 2009, com a equipe de médicos e enfermeiros que tratavam dele. Cantou Parabéns pra Você e distribuiu, de mão em mão, os pedaços do bolo de chocolate que lhe levaram de presente. 

“No próximo ano, vou voltar aqui para festejar meus 77 anos com vocês”, prometeu com um sorriso alegre no rosto, animado como se estivesse sarando de vez do câncer que o havia surpreendido algumas semanas antes.

Um ano depois, Toninho festejou o aniversário no Residencial Santa Catarina, onde passou a morar depois de receber alta no hospital. Queria ir ao Nove de Julho, conforme havia prometido, mas não conseguiu, porque um enfermeiro que o acompanharia estava doente. No apartamento, recebeu abraços de amigos e vários telefonemas de parabéns. O bolo com a velinha dos 77 anos foi presente dos novos amigos e amigas, seus companheiros no Residencial.

Homem extremamente solitário, que morava sozinho num sobrado da Rua Bartolomeu de Gusmão, herança da mãe na Vila Mariana, Toninho era cheio de mistérios e segredos, quando se tratava de sua vida particular. Até que falou sobre a família, quando caiu doente, mas sem dar detalhes. O filho, Antônio Victor, foi visitá-lo no hospital. Telefonava para a ex-mulher, Josefa, com quem costumava jantar e pedia notícias da neta, Mônica.

Nesses sete meses em que passou ainda mais isolado, primeiro no Nove de Julho, depois em duas residências para convalescentes de idosos, esse jornalista tão reservado que parecia ser um sujeito de poucos amigos surpreendeu-se com o grande número de colegas – e de suas famílias – que se preocupavam com ele.

“Obrigado por se interessar por mim”, agradecia emocionado àqueles que telefonavam ou que iam visitá-lo. “Eu não sabia que tinha tantos amigos”, confidenciou mais de uma vez, citando nomes de companheiros de redação que foram vê-lo. Emocionou-se sobretudo com as visitas de Ruy Mesquita Filho. E contava para todos, orgulhoso, que o jornalista Ruy Mesquita, diretor do Estado, lhe telefonava quase todos os dias.

Obituários. A vida de Antônio Carvalho Mendes Foi, durante 50 anos, a redação de O Estado de S. Paulo. Ele tinha trabalhado por algum tempo na antiga Real Transportes Aéreos, mas considerava-se só jornalista, pois não pensava em outra profissão desde o dia em que se empregou no 5.º andar da Rua Major Quedinho, antiga sede do jornal. Julio de Mesquita Filho, que para ele era “amigo, pai e mestre”, como costumava repetir, foi o modelo que sempre teve em mente. Esse respeito e amizade, de total fidelidade, estendeu-se a toda a família Mesquita.

Na vida profissional, Toninho era sinônimo de dedicação e seriedade. Chegava à redação por volta das 16 horas e era um dos últimos a sair. Responsável pela coluna de falecimentos, conferia e atualizava a relação de mortos até o fechamento da edição. Em caso de dúvidas, telefonava para o Serviço Funerário ou para parentes e amigos do morto. Se necessário, fazia entrevistas e ouvia opiniões que transformavam em reportagens as notas do obituário. Por causa do trabalho, ganhou o apelido de ‘Toninho Boa Morte’, mesmo que a contragosto.

Toninho assinou também uma coluna de Cinofilia e, de tanto escrever sobre os animais, acabou se tornando um especialista em cães e gatos. Gostava dos bichos, mas não tinha nenhum em casa. “Preciso ser imparcial”, justificava-se. Participava de júris de concursos de cães de raça, gastando dinheiro do bolso para viajar ao Rio e outras cidades quando integrava comissões de julgamento.

Censura. Durante o período militar, quando a censura prévia se instalou nas oficinas doEstado e do Jornal da Tarde, Toninho entrou em choque com os censores por causa do título “Pastor alemão vence exposição”, na coluna Cinofilia. Achavam que ele se referia ao presidente Ernesto Geisel, gaúcho luterano de ascendência alemã.

Foi de Antônio Carvalho Mendes a sugestão para que o Estado publicasse versos de Luís de Camões, para cobrir o espaço das matérias censuradas que a polícia não permitia deixar em branco. Deu a ideia ao redator-chefe Oliveiros S. Ferreira e o diretor do jornal, Julio de Mesquita Neto, aprovou. Toninho levava de casa um exemplar de Os Lusíadas para adiantar a composição do texto na gráfica.

Quando os problemas da doença começaram a se complicar, Toninho atribuiu a resistência às sucessivas cirurgias e às sessões de quimioterapia à prática de esportes na juventude,quando lutou esgrima, fez natação e correu a São Silvestre. Era torcedor do São Paulo, do qual falava sempre no plural, como se fosse membro da diretoria ou conselheiro do clube. “Nós temos de reforçar o meio de campo…”

Na política, era fanático por Carlos Lacerda e, na esteira dele, por todas as principais figuras da União Democrática Nacional (UDN), o partido que se opôs a Getúlio Vargas. Era um conservador. Católico e devoto de Nossa Senhora Aparecida, vibrou com a eleição do cardeal Ratzinger, quando ele se elegeu Bento XVI na sucessão de João Paulo II, outro ídolo seu.

“As coisas não andam bem”, dizia para começo de conversa, quando ia comentar a situação brasileira e as denúncias de corrupção no governo. Criticou o senador José Sarney até a última hora. Toninho exaltava-se ao falar dos adversários, mas, apesar das aparências, era um sujeito de bom humor que ria das próprias piadas.

Méritos. Uma de suas últimas alegrias foi ser eleito irmão remido da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, em cuja capela costumava assistir a missa nas manhãs de domingo.”Sou São Paulo em tudo – no Estado, no jornal, no clube e agora na Santa Casa”, brincou no dia da posse.

Toninho gostava de cozinhar. Como morava sozinho e não tinha geladeira em casa, comprava o essencial no supermercado ao sair da redação. “Não ter geladeira esta semana foi um conforto”, comentou ao ler a notícia de que muita gente havia tido prejuízo com o apagão em São Paulo.

Sem condições de retomar o trabalho, passou a morar num apartamento do Residencial Santa Catarina, onde fez novos amigos e onde recebia a visita de companheiros da redação do Estado. Estava sempre ligado ao noticiário, lia o jornal todos os dias e, sempre que necessário, voltava ao prédio da empresa, na Marginal do Rio Tietê.

Em dezembro de 2009, Toninho sofreu dois enfartes e teve uma parada cardíaca de cinco minutos. “O médico me ressuscitou”, comemorou com alegria, quando inexplicavelmente se recuperou da crise. Como gostava muito do Hospital Nove de Julho e da equipe de profissionais que cuidaram dele, considerava uma bênção ter de se internar ali para tratar de algum problema inesperado. Na primeira semana de janeiro, internou-se no quinto andar para combater uma anemia e acabou voltando à UTI.

Melhorou, passou dois meses no Residencial Santa Catarina, mas precisou retornar ao hospital, mais uma vez a UTI, onde morreu às 5h30 desta terça -feira.

Natural de São Paulo, onde nasceu em 20 de junho de 1933, Antônio Carvalho Mendes fez o ginásio e o colegial no Colégio Pasteur, antigo Liceu Franco-Brasileiro, no qual estudou 11 anos. Fez especialização em espanhol da Câmara de Comércio Argentina e na Casa de Cervantes, e estudou inglês na Cultura Inglesa.

Atualizado às 13h29

e este é do SERGIO VAZ:

Lembranças sobre Antonio Carvalho Mendes, o homem do obituário.

15/03/2011

Antônio Carvalho Mendes adorava o que fazia. Só essa característica já bastaria para torná-lo um jornalista diferente da imensa maioria: em geral, os jornalistas gostariam de estar fazendo outra coisa, cobrindo outro tipo de assunto, trabalhando em alguma outra função, numa outra empresa, num outro veículo de preferência com salário melhor que o seu, é claro – ou simplesmente prefeririam não estar trabalhando. No mínimo, no mínimo, nos raros casos dos que gostam do que fazem, reclamam sempre do patrão.

Antônio Carvalho Mendes adorava os patrões, e adorava trabalhar exatamente naquilo que fazia. Gostava tanto de trabalhar que não folgava nos fins de semana. Não folgava nunca. E nem gostava de tirar férias. De preferência, não tirava férias.

Durante mais de quatro décadas, todos os dias, sábados, domingos, feriados, Natal, véspera de ano novo, Antônio Carvalho Mendes cuidou da página de falecimentos do Estadão. Várias gerações de jornalistas que passaram pelas redações do Estado e do Jornal da Tarde o conheceram por diversos nomes: Seu Antônio. Toninho. Seu Toninho. Mas os principais, os mais usados, com aquela ironia fina como palha de aço que os jornalistas costumamos ter, eram Toninho Boa Morte, ou seu igual mais metido a refinado, Anthony Good Death.

Os mais antigos, os da minha geração e da que veio antes da minha, em geral não usávamos nome algum para designar Seu Antônio: batíamos três vezes na madeira – tóc, tóc, toc. Fazíamos isso também em relação a um velho fotógrafo e a um velho homem de texto, que tinham fama de dar tremendo azar a quem pronunciasse seus nomes. Não vou pronunciá-los. 

Me deu vontade de escrever alguma coisa sobre Seu Antônio – mesmo correndo o risco de virar motivo de chacota. A pior coisa que pode acontecer com um jornalista quando morre é não haver ninguém que escreva alguma coisa sobre ele. O ideal é que o obituário do jornalista seja escrito por um amigo, para que não fique um texto gelado, anódino. Não fui amigo do Seu Antônio – Seu Antônio praticamente não tinha amigos. Mas me deu vontade de escrever alguma coisa mesmo assim.

Uma idéia brilhante – mas quem sabia que era dele?

Seu Antônio morreu aos 77 anos, nesta terça-feira, 15 de março. O velório será no Cemitério do Araçá, e o sepultamento, na quarta-feira, em Santos.

Fui dar uma olhada no estadao.com.br, e vi que está lá um bom texto sobre Seu Antônio. Aliás, um texto muito bom: nada gelado, nada anódino. Ainda bem. Fico contente. Não era necessário o meu – mas agora já comecei.

E aí vão uma informação e uma confissão. A informação está no texto do portal do Estadão: “Foi de Antônio Carvalho Mendes a sugestão para que o Estado publicasse versos de Luís de Camões, para cobrir o espaço das matérias censuradas que a polícia não permitia deixar em branco. Deu a ideia ao redator-chefe Oliveiros S. Ferreira e o diretor do jornal, Julio de Mesquita Neto, aprovou. Toninho levava de casa um exemplar de Os Lusíadas para adiantar a composição do texto na gráfica.”

A confissão: nunca soube disso. Cheguei ao Jornal da Tarde em 1970, nem dois anos depois do início da censura prévia ao Estadão e ao JT; convivi com Seu Antônio no mesmo ambiente ao longo de 30 anos (tirando fora uns seis anos em que por duas ocasiões me aventurei fora da S.A. O Estado de S. Paulo), e jamais soube que tinha sido dele a idéia dos versos de Camões. O fato de o Estadão ter resistido à censura prévia pós-AI5 publicando versões de Camões (no JT, eram receitas culinárias) já foi cantado e decantado em prosa e verso – e no entanto a autoria da idéia nunca foi muito badalada.

É bem típico de Antônio Carvalho Mendes.

O homem mais solitário que já conheci; tremendo reaça – e ficamos do mesmo lado

Só umas poucas coisinhas.

Ele era o homem mais solitário que já conheci na vida. Pedro França Pinto era um homem solitário, mas Antônio Carvalho Mendes era ainda mais.

Era um tremendo de um reacionário. Udenista fanático, lacerdista fanático, entusiasta do golpe de 1964. Só ficou contra o golpe quando os milicos puseram censores dentro da redação da Major Quedinho. Porque, acima de tudo, acima de qualquer outra coisa, era fiel aos Mesquita. Era fanático com os Mesquita.

Era homem de paixões e ódios absolutamente figadais. Não escondia nada, nem as paixões, nem os ódios. O contínuo mais foca do jornal sabia quem ele odiava profunda, fidagalmente – entre outros, o diretor de redação do Estado a partir de 1988, e o autor do Manual de Redação. Falava mal deles para quem passasse pela sua frente.

E quase todo mundo no jornal gostava de falar mal dele, de fazer gozações com ele.

O tempo passa, as coisas mudam, e nos anos 2000 eis que muitos de nós passamos a partilhar com Seu Antônio, o tremendo do reacionário, sua aversão a Lula, ao lulo-petismo. “Chefe, a coisa tá feia”, ele dizia, sempre que passava por alguém que ainda reconhecia dos velhos tempos. Às vezes eu tentava fugir dele, nas andadas pelo corredor, nas idas ao fumódromo, mas ele era implacável: “Chefe, a coisa tá feia”.

O “chefe” era o jeito de ele tratar todo mundo. Estava para ele como o “bicho” estava para o Rei Roberto.

Um símbolo do passamento de toda uma época

Que não falassem em computador para Seu Antônio.

O Estadão entrou no mundo da informática em 1989, se não me falha a memória. E entrou pela porta errada, com um sistema absolutamente burro, idiota, um tal de Atex, uma coisa que já era velha, caquética, quando começou a ser implantada. Seu Antônio continuou firme na Olivetti.

Vários anos mais tarde, vieram os computadores de verdade – Seu Antônio continuou firme na Olivetti.

Uma vez, poucos anos atrás, precisei pedir a ele o favor de dar uma nota de falecimento na coluna dele. Perguntei, pelo telefone, se poderia passar um e-mail. Ele não mexia com isso: pediu que eu passasse por fax, que ele transcreveria na Olivetti. O fax já era algo obsoleto.

Todo mundo pedia favor a ele, na hora dura, na hora da morte de um amigo, um parente. Ao atender um telefonema desses, ele costumava ser seco – ao menos é essa a lembrança que eu tenho. Mesmo com as pessoas que o tratavam bem, como eu. Era seco, quase ríspido – profissional, frio. Mas sempre atendia aos pedidos.

Conta-se que alguns dos Mesquita pediam os favores mais absurdos a ele, do tipo levar uns tantos cachorros do Pacaembu para a fazenda em Louveira, ou vice-versa – Seu Antônio gostava de cachorros, teve durante anos uma coluna de cinofilia –, e outros favores ainda menos dignos. Ele atendia a todos com alegria e orgulho. Tinha imensa alegria e orgulho por se considerar amigo da família.

Aquela empresa ali foi uma família para muita gente.

A morte de Seu Antônio é um tanto emblemática: é um sinal forte do passamento de toda uma bela época, uma boa empresa, dois grandes jornais.

(Publicado no site 50 Anos de Textos)

Artigo escrito por Sérgio VazÉ jornalista com longa carreira nas redações dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, revistas Afinal e Marie Claire, Agência Estado e Estadao.com.br.Criador dos sites 50 Anos de Filmes e 50 Anos de Textos.

Aqui, as lembranças de uma longa noite. Da cobertura jornalística do Jornal Da Tarde, de uma capa histórica…De jornalismo puro. Era a Diretas-Já. Aqui, pela ótica do grande Valdir Sanches

AMIGOS, hoje vou começar a postagem especialmente emocionada.

Recebi por e-mail  aviso do meu querido jornalista amigo Sérgio Vaz que havia postado em seu site um texto sobre a Diretas-Já e o Jornal da Tarde.

Nossa, não digo que chorei quando li, para não parecer saudosista. Mas chorei, sim, por uma série  de motivos. Um texto primoroso de Valdir Sanches, na lembrança do Servaz ( por causa de quem sou Marli Gô), todos os amigos que participaram daquela cobertura, a frustração daquele dia…tudo! Amigos que se foram, outros que se perderam…. Enfim, leia, por favor!

E olha que semana que vem a gente tem um encontro de Turma do JT!

Ao final, posto o comentário que fiz, com mais detalhes.

FONTE: Blog 50 anos de textos

http://50anosdetextos.com.br/2010/a-noite-em-que-o-jt-ficou-de-luto-pelo-pais/comment-page-1/#comment-1906

A noite em que o JT ficou de luto pelo país

·         :: Repórter é repórter: Valdir Sanches foi anotando o que acontecia na redação durante a votação das Diretas-Já

Prosaicamente, informo que são vinte para as dez da noite deste 25 de janeiro de 1984. É isso o que marca o relógio, com seu mostrador redondo e grande, no fundo (antes, no começo) da redação. No Congresso, em Brasília, está sendo encaminhada, neste momento, a votação da emenda das Diretas-Já, que estabelece eleições diretas para presidente da República.

Há pouco a censura afrouxou alguma coisa e permitiu às emissoras de rádio e televisão que transmitam comedidos boletins com notícias de Brasília. O segundo deles, vindo pelo radinho portátil aqui do meu lado, ligado na Rádio Eldorado, dizia que o cacique-deputado Juruna estava falando da tribuna.

A redação não está muito agitada, apesar da importância deste momento, porque o grosso dos acontecimentos passa-se em Brasília. Mas o fechamento da edição que irá às bancas amanhã – e que a censura às rádios e tevês tornou mais atraentes – promoveu boas mudanças de pessoal.

Um mesão foi montado junto à mesa da Editoria de Política. Nele sentaram-se os editores recrutados em outras editorias: o Sandro Vaia, da Economia; Anélio Barreto, da Internacional; Sérgio Vaz, sub-editor da Geral; e o próprio editor-chefe Fernando Mitre.

O mesão, na verdade, não acomoda mais do que quatro pessoas. São as mesmas quatro mesas que, como módulos, formam grupos de mesas pela redação. O conceito de mesão deve-se ao fato de reunir vários editores. Mas, como não cabem todos, ainda há o Ari Schneider, na Geral, e, numa outra mesa, junto à Editoria de Política, o Kleber de Almeida.

 O Mitre é quem vai decidir e desenhar a primeira página. Nestes últimos dias, ele tem feito primeiras páginas notáveis. Uma delas uniu a primeira e a última páginas, numa imensa foto do muito mais de um milhão de pessoas que lotou o Vale do Anhangabaú, em manifestações pelas Diretas, depois da passeata iniciada na Praça da Sé. Essa página ganhou um prêmio. Por isso, para amanhã, espera-se uma grande primeira página.

Estou sozinho aqui no conjunto de mesas que forma um semicírculo, e onde sentam-se o pauteiro e chefe de Reportagem da Geral, Elói Gertel, e, à noite, o Ari e o Sérgio Vaz (Servaz) e algum copy-desk. Na verdade, agora há um copy novo, que não conheço, trabalhando lá na ponta da ferradura. Os outros copies da Geral ocupam o conjunto de mesas em frente a estas, como sempre. Estão fechando a única página que hoje nos coube, a nós da Geral, a página Dois. Nesta página são colocadas notícias menores, em importância e tamanho.

Estou aqui, agora, porque sou o pauteiro e chefe de reportagem interino da Geral. Deixo a reportagem e assumo sempre que o Elói folga, sai de férias – ou quando ele próprio vai apoiar outra editoria, como aconteceu com a de Esportes, na última Copa do Mundo.

Para o trabalho de hoje dividimos os turnos. O Elói ficou de manhã, terminou a pauta que ambos começáramos a definir ontem (com a ajuda do Randáu Marques, nosso especialista em ecologia), pôs os repórteres na rua e comandou.

Eu cheguei pelo meio da tarde, fui pegando a coisa e quando o Elói saiu, no começo da noite (a caminho do estádio, para ver o jogo do Corinthians), fiquei no comando. Enquanto escrevo isso, chegou da rua a Vera Magyar, emprestada pela editoria de Variedades, que estava cobrindo uma passeata de alunos da PUC, da USP e e até do Mackenzie em direção à Praça da Sé.

O fotógrafo Geraldo Guimarães telefonou dizendo que despachou três filmes pelo motorista do jornal. O Fausto Macedo, que cobre polícia, ligou atendendo ao meu chamado pelo bip. Ele cobriu a intimidação a jornaleiros, por parte de um grupo não identificado, para que recolhessem as edições do JT e do Estado. Fausto explicou o que mandaria.

Também chegou o Antonio Silvio Tozzi (Tonhão), que cobria a Praça da Sé, onde muita gente se concentra à frente de um “placar pelas Diretas”. Atrás dele veio um foca, Cláudio, que está estagiando. Tonhão foi ao mesão e pediu espaço para 80 linhas. Deram-lhe para apenas 50, porque ele é um dos nove repórteres pautados para cobrir a praça das nove da manhã de hoje até às oito da manhã de amanhã.

A Rádio Eldorado, em vista da censura, montou equipamento numa mesa da redação, entre nós da Geral, a Internacional e a Variedades. O Adhemar Altieri, editor-chefe, fala ali e eu ouço aqui, no radinho em que faço uma escuta. Agora, vinte e cinco para as onze, ele diz ter chegado a informação de que a votação da emenda começou.

O nosso esquema, aqui na cidade, é o seguinte: a votação deve terminar perto da meia-noite e ninguém pode afirmar com que resultado. O mais provável é que o PDS, apesar de seu grupo pró-Diretas, vote maciçamente contra. E, assim, a emenda não seja aprovada. O que acontecerá a partir de agora (justamente a hora em que reforçamos a cobertura, na Sé)? Se a emenda for aprovada, as milhares de pessoas que estão na praça, e, mais dispersas, em outros pontos da cidade – do centro e dos bairros – acordarão a cidade num alegre carnaval. Mas, o pior: e se não for aprovada?

As pessoas começarão por quebrar logo o imenso placar das Diretas e sairá um quebra-quebra pela cidade? Irão embora simplesmente tristes? Vão acabar a noite num bar? É por isso que a Rosa Bastos e o Sérgio Poroger (Poró) estão agora, onze e cinco, na praça. E o Randáu e a Marli Gonçalves (Marli Go), bem aqui à minha frente, preparando-se para sair.

Resolvi o seguinte: como a votação já começou (havia uma forte possibilidade de que isso só se desse madrugada adentro), a Rosa e o Poró cobrem até o fim. A reação, os aplausos e vaias do povo a cada nome de congressista, e seu voto, anunciado pelos alto-falantes.

A censura produziu também isso: políticos, falando por telefone com Brasília, transmitem a votação. Portanto, os dois cobrem até o fim. E voltam à redação, para começar a escrever. Randáu e Marli cobrem o que acontecer depois.

Nestes momentos, há um grupo muito numeroso de colegas em volta do Adhemar e da aparelhagem da Eldorado. Um advogado da rádio está tentando obter do Dentel autorização para noticiar mais flashes diretos. Mas isso parece muito difícil. E, enquanto nada se resolve, o radinho sobre a mesa, aqui ao meu lado, continua transmitindo música. Agora é um suave piano, contrapondo seus acordes ao metralhar das máquinas de escrever.

Notícia, nada. A esforçada Rita di Biaggio, nossa repórter, vai estar na Praça da Sé, com fotógrafo, às quatro da manhã. Para o caso de haver reações ao resultado da votação da emenda. Às sete estará aqui o Marcus Vinicius Gasques, às oito a Marinês Campos.

Eles já vão encontrar o Elói aqui. Hoje os dois trabalharam cedo, para bater matéria logo, ir para casa. E terem condições de enfrentar o diabo, se for necessário, amanhã logo cedo. Durante o dia, de acordo com o que for acontecendo, todos nós teremos nossa cota.

Os repórteres serão chamados em casa, se preciso, ou vão pegando suas pautas, à medida que chegarem. Foi o que fez, esta tarde, a Regina Helena Teixeira. Ela e o Pira, emprestado da Economia, correram atrás de informações sobre grandes movimentações em bairros distantes, que afinal não aconteceram. O centro de tudo, mesmo – e pelo menos por hoje –, é Brasília.

A Eldorado não conseguiu liberar seu noticiário. As informações estão chegando à mesa do Adhemar, praticamente da mesma maneira que na Sé (e na Candelária, no Rio, e outras praças onde há placares, pelo País): um repórter ao telefone em Brasília, o Adhemar deste lado da linha. Às onze e meia a contagem era: 45 sim, 19 não, 29 ausentes.

O Adhemar vai falando o nome do deputado que votou, e o Saul Galvão, nosso crítico de restaurantes e vinhos (ex-copy da Internacional e pauteiro da Política), vai anotando numa última página do JT que saiu hoje. Criada pelo Mitre, ela é também um painel: contém o nome de todos os deputados e senadores, para o leitor poder coloca sim e não à frente de cada um. Tal como o Saul está fazendo.

A Lúcia Carneiro, mulher do Anélio, que é copy na Economia, está com uma flor amarela no cabelo. Há muita gente de blusa, ou com laços, fitas, adereços da “cor das Diretas”. Um grupo menor do que aquele em redor do Adhemar está à frente de um televisor, bem no meio da redação. Mas as notícias contam apenas como estão a Sé e outras praças, as vigílias cívicas em Câmaras e Assembléias estaduais (em São Paulo, com muito pouco movimento).

E, naturalmente, mostram-se trechos do jogo do Corinthians, que afinal enfrentou o Atlético do Paraná, venceu por dois a zero e classificou-se para disputas num torneio nacional. O Elói telefonou há pouco, sublimado. Pensei por um momento, mas achei bobagem, que apesar de tudo ele achou a vitória do Corinthians mais importante do que o destino das Diretas.

Telefona a Rita. Como mora longe, está no apartamento da Marli, na região da Rua Augusta. Quer saber novidades, passo-lhe o resultado parcial, das cinco para meia-noite: 78 a favor, 24 contra, 49 ausentes. Rita diz que provavelmente não vai conseguir dormir. Está muito excitada. Pondero que ela deve tentar dormir, senão vai se cansar muito no trabalho, logo mais. Ela diz que sim, mas insiste: não vai conseguir dormir.

Lima, contínuo, encosta na mesinha onde há duas garrafas térmicas, grandes, de café: uma, amarela, sem açúcar; outra, laranja, adoçado. Lima serve-se da garrafa amarela. Mauro Marcelo, copy da Geral, é chamado a todo tempo pelo pessoal do mesão, para tocar matéria. Ele ora está esperando alguma coisa na tevê, ora junto ao equipamento do Adhemar.

Com o Adhemar há muita gente, também, porque junto dele estão o Miguel Jorge, editor-chefe do Estadão, e um grupo de repórteres do chamado co-irmão, acompanhando os números da votação. O Laerte Fernandes, editor-chefe do Jornal da Tarde para pauta, que chegou cedo, também ainda não foi embora. Circula pela redação, bate um papo ou outro.

Durval Braga do Amaral, copy da Geral e sub-editor interino, toca a página dois: pouco sai de sua cadeira. Ali vai o Ivan Ângelo, secretário de redação. Veio da mesa do Adhemar, parou no mesão, onde Mitre fuma seu cachimbo, ao lado do Ruyzito Mesquita.

Rodrigo Mesquita, que tinha emprestado o radinho, acabou levando-o. É que eu tinha dado uma longa circulada pela redação, o radinho ficara só. E não seria nada difícil que alguém o guardasse como souvenir, já que era um radinho com o nome Eldorado.

Agora o relógio da redação marca meia-noite e vinte. Chega Percival de Souza, repórter-policial, para bater matéria sobre como foi o dia de Michel Temer, secretário da Segurança. “O que é isso aí?”, espanta-se. “É o equipamento da Eldorado”, explico. “Ah”, ele faz e vai dar uma espiada. Depois encosta no café. Pega o da garrafa cor de laranja.

Marcos Faerman (Marcão) está há muito tempo sentado, creio que fazendo copy para a Política. Sentado à mesa do Ruyzito. Agora, lê um jornal. Rodrigo está com cara de sono, mãos entrelaçadas sobre a cabeça, numa cadeira encostada ao mesão.

Marcão aproxima-se de Percival, que bate à máquina. Marcão tem uma maçã na mão e diz a Perci: “Quer dividir comigo esta rubra maçã?”. Perci deve estar com fome, porque aceita “só um pedacinho”. “Espere, devo ter aí uma banana também”, informa Marcão. Afasta-se, e logo depois vejo Percival passar à minha frente comendo uma banana.

Verinha Cecília Dantas, repórter da Política, comenta comigo o trabalho que fez, à tarde, na Assembléia. O que havia de boatos! São Paulo estava sob intervenção, ou sob estado de emergência…

Ari está aqui, conversando com os copies e comigo. “Tudo fechado lá?”, pergunta o copy novo, sobre o fechamento da edição feito pelo mesão. “É, agora só falta aquilo que ainda não aconteceu”, responde Ari. Uma hora.

O cansaço, o rumo que a votação está tomando, agora parece claro que as Diretas não passam; a excitação e a trabalheira dos últimos dias, das últimas semanas, das coberturas e fechamentos de grandes acontecimentos, como os comícios, dão ao pessoal um certo ar de desânimo.

Na mesa da Eldorado, um grande bolo de gente, firme – mas com esse ar de desânimo. Um rádio está sempre ligado, transmitindo a programação da emissora e servindo de retorno para o Adhemar. Agora há pouco, um piano clássico era um fundo imperceptível, enquanto Adhemar cantava cada voto do Congresso, e Saul, agora também ajudado pelo Fernão Mesquita, anotava na última página do JT. Vou tomar um cafezinho, da garrafa amarela.

Elói telefona, são uma e quinze, para dizer que encontrou Rosa e Poró e disse para ficarem até o fim da primeira votação. E contou uma coisa surpreendente: o povo (muitos jovens, estudantes) ainda não tinha percebido que a emenda Dante de Oliveira estava derrotada. “Eles ainda estão entusiasmados, torcendo muito”, disse o Elói. Contou que foi uma grande vaia, gritaria, urro, quando citaram o nome do ex-governador e agora deputado Paulo Salim Maluf, com seu não.

 Servaz (Sérgio Vaz) vem até a mesa em que estou. Pergunto se já se tem a obra de arte do Mitre. Servaz rabisca rapidamente numa lauda como será: o logotipo do jornal, a página toda negra, e, embaixo, uma pequena legenda explicando, entre parênteses, algo assim: “Votaram contra você”.

Mas noto, na mesa do Anélio, todo o pessoal do mesão. Mitre e os editores, mais os rapazes Mesquita. Jeito de apreensivos. Vem a informação: Ruy Mesquita, o diretor, não está querendo aprovar a primeira página do Mitre. Acha que ela poderá transmitir uma imagem demasiadamente negativa. Ao telefone, Mitre, depois Rodrigo, tentam convencer Ruy.

Ari vem me informar que mandou bipar alguém lá da Sé. Se a página do Mitre não sair mesmo, vão precisar de uma foto muito boa, de uma pessoa desolada, chorando, ou amargurada – uma foto que exprima o sentimento do povo pelo mau destino da emenda das Diretas-Já. De repente, e são uma e trinta e cinco, Mitre e os outros exclamam, alegres, batem palmas. Ruy Mesquita aprovou a página.

Telefona o Randáu, da praça. “Bipou?”. Sim. Explico a foto encomendada pelo Ari, ainda ouço foguetes espocando, descubro que ali o povo ainda não percebeu o que aconteceu. Mantenho as instruções sobre a foto, apesar de já desnecessária para a primeira página. É que (me dissera Ari) ela pode ir muito bem dentro do jornal.

Randáu diz que o Luiz Gevaerd, fotógrafo, está ali no palanque. Vai avisá-lo. Tentará também achar o Geraldo Guimarães, que estava por ali com o Elói (e eu dissera ao Elói que devia ir embora, para agüentar a barra logo mais). Randáu está com terríveis presságios: vai haver quebra-quebra, o povo vai sair da praça quebrando, os metalúrgicos… Se isso acontecer (ele sabe) estamos preparados (afinal, Randáu é uma peça importante no esquema). Mas o Randáu sempre achou, nessas ocasiões, que o pau ia quebrar…

Servaz come um sanduíche. Ivan fuma seu cachimbo. Fotos e mais fotos sobre o mesão. Agora que o pessoal do Esporte, que também estava fechando tarde por causa do jogo, se foi (ou acabou de trabalhar e está circulando), só fica mesmo, em seus lugares, a equipe de fechamento das Diretas. E continua o bolo em torno da mesa do Adhemar, que, já há muito tempo está transmitindo resultados parciais chegados à Eldorado.

Quantos motoristas posso dispensar?, quer saber o Jorge, do Tráfego. Têm cinco aqui no jornal, três na Sé. Quebra o pau ou não, avalio. Bem, melhor deixar pelo menos um aqui e os da Sé. O copy novo vem me dizer, às duas e dois: “Acabou. Faltaram apenas 22 votos para que a emenda fosse aprovada”. A rodinha em torno do Adhemar se desfaz. Rostos verdadeiramente desolados – demonstrando ainda mais cansaço. Vinte e dois, repete o copy novo. Ele se chama Júlio.

Duas e cinco. A prova da página do Mitre chega, trazida pelo Guido, da secretaria gráfica. Gente em volta. Mitre mede junto a uma primeira página do jornal de hoje, para que o corte em cima e em baixo saia como ele quer. Rabiscam-se margens, alto e baixo.

Caras de decepção, uma de raiva, andam pela redação. Alguém diz “cachaça”, talvez referindo-se ao apelido de uma pessoa. Ivan Ângelo pega a palavra no ar: “É, cachaça já é uma boa palavra de ordem”. E apanha um meio garrafão de pinga, que está sobre o carpete, ao lado de uma das mesas da política. Toma uma dose, num dos copinhos de plástico do café.

Adhemar, de muletas, com um pé engessado, dá um breve passeio pela redação, veste um suéter e se vai. Sobre a mesa que ocupava não há mais nada. O equipamento foi retirado. A Eldorado já saiu do ar.

Mudei para o mesão, porque agora meu telefone já quase não toca e o centro da redação é o mesão. Isto é, fiquei por ali, explicando ao Servaz que as matérias da Rosa e do Poró eram quentes – e as anteriores, da Sé, se fosse preciso seriam reduzidas.

Vi a prova da primeira página. Achei que a legenda (negociada com Ruy Mesquita em troca da liberação da página) era muito amena: “O País inteiro está decepcionado. Mas há um caminho: a negociação”. Entrei com uma sugestão: darmos apenas a última parte da legenda, “Mas há um caminho: a negociação”. A imensa tarja preta que era a primeira página já explicava por si a primeira parte da legenda.

Mas o Mitre explicou que “na França essa seria uma excelente idéia”, mas aqui a primeira parte da legenda era necessária, para funcionar “como uma transição” para a segunda parte. Outros colegas deram mais alguns palpites, mas a página estava pronta e decidida.

Logo depois, sentado à mesa do Ivan, Mitre (que deixara o paletó em sua própria mesa, onde não estivera o tempo todo) bateu o título para a última página com o placar: “Os que votaram contra você”, letras brancas sob fundo preto. Uma linha sob o título: “Ou se abstiveram, ou não compareceram. (É a mesma coisa.)”

Na mesa do Laerte, que afinal se fora, Saul, César Camarinho, chefe da diagramação, e Guido, sob o olhar do contínuo Almir “Tostão”, prepararam o placar (quem votou sim, quem não), coisa trabalhosa e que exigiu muito empenho.

Mas Rosa e Poró chegam, são duas e meia passadas. Vêm logo contando que, na praça, o povo estava chorando abraçado, queimava bandeiras e faixas, numa decepção, frustração e revolta gerais. Quantas linhas? Contas feitas, entre Anélio e Ari: 60 linhas. Rosa e Poró estão a dois metros de mim, batendo “a quatro mãos”. Rosa é quem bate o texto criado por ambos.

A redação tem agora pouca gente. Algumas rodinhas, como a dos copies da Economia, emprestados, discutem os fatos. Marcão pagou guaraná e sanduíches para uma mesa de copies da Política, buscados na lanchonete no sétimo andar – um acima da redação.

Randáu telefonou para o Ari: parece que está tudo calmo, mas ele não acha nada difícil que haja qualquer coisa, vai dar um tempo. Então, dispensei o motorista reserva que estava dormitando à uma das mesas da Geral.

A historinha por trás do texto ( por Servaz)

Valdir Sanches me conta em mensagem que, procurando uns escritos, em casa, deu com um texto do qual se esquecera inteiramente: “É um relato que fui fazendo do que acontecia na redação do JT na noite de 25 de janeiro de 1984” – dez laudas batidas à máquina, nas costas.

Cheio de cuidados, disse que seria possível fazer cortes e ajustes. Ficou preocupado com a menção à cachaça. Talvez seja bom explicar que havia cachaça na redação porque, às sextas-feiras, depois do fechamento, fazíamos o que chamávamos de Calçadão – bebia-se, comiam-se salgadinhos, conversava-se, ria-se muito. O Jornal da Tarde não circulava aos domingos – aos sábados havia apenas um plantão.

Nada de cortes ou ajustes – é uma beleza de texto, como tudo o que Valdir faz, um maravilhoso relato.

Sérgio Vaz, novembro de 2010

 

Comentários – o primeiro é do SUPER MELCHIADES

  1. melchíades cunha jr

    Postado em 17/11/2010 às 12:18 pm | PermalinkValdir, nem Gay Talese faria melhor. Parabéns, meu caro amigo

 

COMENTÁRIO QUE POSTEI NO BLOG DO SERVAZ HÁ POUCO

Marli Gonçalves

Postado em 17/11/2010 às 1:30 pm | Permalink

Nossa! Que delícia! Servaz, vou levar pro meu blog também. Só tem um detalhezinho, pelo menos no que me concerne, que nosso Waldir talvez não tenha anotado à época. Eu estava na Praça da Sé. Como estávamos proibidos de levar a votação ao ar, pela Eldorado, pra quem eu também fazia a cobertura, lembro-me bem de ter me instalado em um orelhão da praça. Não lembro as abóboras que transmiti, falando sobre outro assunto, mas dando chance para que nossos ouvintes pudessem acompanhar a votação que era transmitida voto a voto. Assim pudemos acompanhar os instantes finais, até que nos descobrissem e tirassem do ar, acho que minutos antes da ducha de água fria que tomamos, ao ver rejeitada a emenda das Diretas-Já! Que orgulho tenho de ter trabalhado nessa equipe! Viva! Claro que vamos nos ver agora dia 27, em nosso almoço anual, não? Chama todo mundo que puder encontrar! Cadê a Rita? E a Rosa? Waldir vai, nÉ? Você também vai, né? VAMOS MATAR AS SAUDADES DESSE TEMPO DO BOM JORNALISMO, e que era feito com tanto carinho por todos nós. Beijão da Marli Gonçalves