#ADEHOJE – BOLSONARO GELADO – E RASO – EM DAVOS. E O CARNAVAL DE SP EM RISCO

 

#ADEHOJE – BOLSONARO GELADO – E RASO – EM DAVOS. E O CARNAVAL DE SP EM RISCO

 

 

DOIS MINUTOS – Era para ser de 45 minutos e foi diminuindo. Jair Bolsonaro falou durante apenas oito minutos em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico. Fora frases curtas, telegráficas, dentro do esperado. Embora Bolsonaro aparentasse certa tensão, na sua primeira fala no exterior, terminou mais uma vez falando em Deus, no slogan da campanha. Na entrevista com o presidente do Fórum, buscou aparentar calma, embora visivelmente tenso. Repetiu a história do viés ideológico, que virou bordão. No discurso, citou Paulo Guedes, o super ministro da economia, e o chanceler Ernesto Araújo, Ministro das Relações Internacionais. Os temas gerais, os esperados: corrupção, economia, investimentos. Bolsonaro pareceu muito treinado a não se estender sobre os assuntos, e até tolhido. Bom que se livrou logo… Se posicionou como centro-direita. Esqueceu pra lá direitos humanos, minorias, imigrantes…

Por aqui em São Paulo, o Carnaval de rua está na berlinda. Não apareceu nenhuma empresa hoje querendo patrocinar, na abertura da concorrência. Estariam pressionando oo governador Joao Doria?

 

 

 

 

 

#ADEHOJE, #ADODIA – NOTÍCIAS DAQUI DA TERRA

#ADEHOJE, #ADODIA – NOTÍCIAS DAQUI DA TERRA

O ônibus aumentou para R$ 4,30 aqui em São Paulo. PT e o Psol resolveram boicotar a posse de Bolsonaro, como se isso servisse para alguma coisa, a não ser demonstrar que não sabem perder e não sabem se organizar como uma oposição de fato, sem bobeiras, séria. Sergio Moro já defende que em 100 dia seja divulgada um a medida oficial pra flexibilizar o porte de armas. João De Deus denunciado por crime sexual. Israel e Brasil engatam namoro rumoroso. No caso da morte do menino no Metrô em São Paulo, acredite, ninguém lembrou de acionar a alavanca de emergência para parar os vagões. Prefeito Rafael Greca, de Curitiba, passa por cirurgia de emergência no intestino; informações são de que tudo correu bem. 280 milhões vão sair na Mega da Virada para quem tiver um voltado para a Lua

 

 

#ADEHOJE, #ADODIA – CALOR DOS ACONTECIMENTOS. DOS “S”. DO QUE VEM POR AÍ

#ADEHOJE, #ADODIA – CALOR DOS ACONTECIMENTOS. DOS “S”. DO QUE VEM POR AÍ

Não param de acontecer coisas nesse final de ano movimentado, e com um calor nas principais capitais de fritar ovos e nossos miolos. São malas de dinheiro indo e vindo, denúncias, mitos caindo, operações da PF. O Super ministro Paulo Guedes ameaçando vir com faca para cima de conquistas, como o Simples, ou do Sistema S, uma das poucas coisas que ainda funcionam bem no país. Aí já na diplomação aqui par ao Governo do Estado já teve pega pra capar, com o Frotinha dando voadoras. Só se abanando muito. Não deixe de se inscrever no Canal do Youtube!

 

#ADODIA, #ADEHOJE – AS CIDADES CEDEM POR ONDE PASSAMOS

#ADODIA, #ADE HOJE – AS CIDADES CEDEM POR ONDE PASSAMOS

 

 

NOSSA CONVERSA DE HOJE É SOBRE A PÉSSIMA ZELADORIA DAS CIDADES, DOS GRANDES CENTROS URBANOS. EM SP, VIADUTO CEDE E OUTROS 40 ESTÃO EM SÉRIO RISCO. EM BH, TRÊS MORTES EM APENAS UMA NOITE NAS ENCHENTES. UMA MULHER FOI TRAGADA POR UM BUEIRO ABERTO QUANDO TENTAVA SE ABRIGAR. TUDO CEDE SOB NOSSOS PÉS. INCLUSIVE A POLÍTICA. MORO FINALMENTE PEDIU DEMISSÃO DO TRIBUNAL E FOI SER MINISTRO. ENQUANTO ISSO, O ERNESTO ARAUJO, INDICADO PARA O MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, CHAMOU A ATENÇÃO DE BOLSONARO JUSTAMENTE PELAS BOBAGENS QUE DISSE DURANTE TODA A CAMPANHA, MUITO PARECIDAS COM O PENSAMENTO DESSA NOVA TURMA. PRECISAMOS ESTAR ATENTOS PARA TUDO E UNIDOS PARA MELHORAR AS NOSSAS CONDIÇÕES

 

ARTIGO – Nossos minados campos urbanos. Por Marli Gonçalves

Veja bem por onde anda, por onde pisa, para onde olha, por onde passa, pelo o que cruza. Olhe para os lados e para cima, mas não se esqueça de olhar também para baixo. Abra bem os olhos, apure sua audição, veja se não há cheiro estranho, fique atento a todos os sinais. Sinta se está ficando muito quente ou muito frio. Quem pode relaxar nos grandes centros urbanos, ainda mais nos nossos relaxados campos minados nacionais?

 Tenho amigos que já quebraram pés, tornozelos, pernas, braços, o nariz. O que faziam? Esportes radicais? Bem, não deixa de ser já um esporte bem radical viver nos grandes centros urbanos, mas eles apenas andavam pelas ruas, por onde também eu já tropecei e me estatelei algumas vezes. Agora, além das calçadas esburacadas, ruas e avenidas sem sinalização ou iluminação, das árvores roídas por cupins, violência, balas perdidas, carros desgovernados, marquises despencando, malucos de toda sorte, acresce-se mais um grande perigo: prédios ruindo.

O incêndio e o pavoroso desmoronamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, icônico prédio do centro de São Paulo, era a famosa bola cantada, e que se não fosse ali seria – ou o que é pior ainda – poderá ainda ser – em muitos outros lugares da cidade. Sim, as ocupações que estão em toda a cidade onde houver uma porta aberta, um imóvel largado e alguma liderança que se diga social, são verdadeiros palitos de fósforo prontos a serem riscados. Do mapa, inclusive. Como ocorreu agora, onde só sobraram a poeira, escombros, cinzas e uma vergonhosa memória do descaso das autoridades em todas as esferas, inclusive com as suas propriedades. Essa era da União, se é que ainda dá para usar essa palavra.

Basta olhar com atenção. São prédios velhos, de todos os tamanhos, que abrigavam hotéis falidos, residências abandonadas, imóveis com questões judiciais. Estão pichados, com vidros quebrados, mas todos quase sempre decorados com bandeirinhas dos movimentos dos sem-alguma coisa, que agora podemos chamar de MSVNEMH – Movimento dos Sem Vergonha Nenhuma de Explorar a Miséria Humana. Ah, e um “Fora Temer” carimbado em algum lugar, assim como a bandeirinha da CUT. O que eles não têm são condições mínimas de segurança, salubridade ou dignidade.

Com essa tragédia vimos ainda bem mais claramente como é que se aglomeram as dezenas de famílias, criando um novo tipo de habitação: barracos construídos dentro dos prédios – uma meta habitação. Os elevadores viram enfeite, e os seus poços, depósitos de lixo. É assim o ambiente onde vivem milhares de pessoas, idosos, crianças, animais. Não tenho notícia se os chefes dos invasores vivem ali também – parece que não, apenas nomeiam um chefete local, uma espécie de bedel. Não é situação nova, apenas piora a cada ano, cada governo, cada crise dessas que vivemos toda hora.

Sem teto, sem casa, sem condições – obviamente que isso tudo não é privilégio nacional. Mas é sim, instados a viver no centro de uma metrópole como São Paulo, recheado de imóveis ocupados em condições alarmantes, alguns dirigidos por organizações criminosas que os utilizam como disfarce social de suas armas e fugitivos, e tão perto do outro grande problema que só se espalha, a Cracolândia. E as Cracolândiazinhas que já infestam os bairros e pequenas cidades. Só parecem nas desgraças.

Esse é o problema maior: a inação. A espera que as coisas se alastrem ou que se acomodem sozinhas porque consideram que essa parte da população não merece cuidados. Querem ver até onde vai, e no colo de quem a bomba vai cair. Depois apontam dedinhos uns para os outros.

Isso é terror urbano. Estamos cercados de campos como esses – campos minados, prontos a explodirem sob os nossos pés, como se fôssemos nós os inimigos em nosso próprio país. Os outros barris de pólvora, como as prisões e as favelas, estão apenas na fila de espera.

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Marli Gonçalves, jornalista – Cuidado onde pisa. Aguarde novas explosões. Fica difícil achar sobreviventes.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

Brasil, 2018

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ARTIGO – Pelo em ovo: procura-se. Para fugir do tema principal. Por Marli Gonçalves

marcha-feminista

São diálogos surdos, discussões estéreis. Beiram o ridículo porque não há argumentos, só contrapontos de ataques. Entendi. O que se quer é brigar. Não é resolver nada, nem conversar civilizadamente. Cada um puxa a sardinha para o que melhor lhe convém. Antigamente chamávamos isso de tirar uma sardinha…

Mais especificamente “tirar a sardinha com a mão do gato” – tentar obter vantagem com o esforço de outra pessoa. Juro, nunca vi tanta gente entendida em feminismo, assédio, violência contra a mulher, etc. etc. Quem dera fosse verdade e houvesse mesmo tantos homens e mulheres preocupados com o assunto, tão claramente exposto para quem quiser enxergar. Chega de abusos, chega de assédio. Exigimos respeito. #timesup. Acabou esse tempo. Faz tempo, embora pareça que isso aconteceu só por esses dias. A luta é antiga.

E assédio é assédio – “insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém”. Assédio não é paquera. Assédio não é sedução. Há uma enorme distância entre as coisas. Aqui, na França, nos EUA, na Cochinchina. Todo mundo sabe disso, sempre soube. Então porque essa chatice, esse desvio de debate? Sobrou até para o fiu-fiu dos operários nas construções, como se eles fossem grandes produtores e diretores de cinema, grandes empresários fazendo contratações; sobrou para todo mundo foi uma enorme confusão.

Que loucura. Com lances de guerra diplomática entre mulheres americanas e francesas, quando ambos os lados obviamente expõem o problema de forma absolutamente clara, complementar, mulheres importantes, vestidas de negro ou não, negras ou não, belas ou feias, estrelas ou não. Estão fazendo o que melhor podem e sabem fazer: dando publicidade a um assunto muito doloroso, do qual pouco se falava publicamente, e que muito mais do que a metade da população já sofreu. Ou vocês pensam que são só as mulheres que enfrentam assédio? Homens, não? Não sabem o que ocorre, por exemplo, no meio gay? Sabem sim, só não querem é tratar com seriedade.

Querem brigar. Opinar nas redes sociais, que ficam cada dia mais chatas por causa dessas coisas. Acham bonitinho ser do contra. Chamar de feminazi as mulheres que denunciam, que vêm a público, que abrem as cortinas sobre o que antes era apenas velado, apoiado como “normal”, “acontece no meio artístico”: o teste do sofá, as promessas, os convites, o aproveitamento de momentos frágeis, a imposição do silêncio. A concorrência entre as pessoas usando o sexo como arma.

Estou vendo mulheres que até considerava interessantes caindo nessa esparrela. Passei a vida até agora aguentando aquela frase bobagem – sou feminina, não feminista – dita com a boca cheia de um orgulho ignorante de ambas as coisas.

Agora chega. Quero ver o assunto ser, sim, discutido, mas seriamente.

E seriamente quer dizer com providências. Em cima da terrível realidade. Contra o absurdo e crescente assassinato de mulheres, violência dentro de casa, falta de proteção do Estado que cria leis, mas não as cumpre. Pela proteção e assistência real às vítimas de estupro, contra a prostituição infantil, por informação e conscientização que chegue às mulheres de todas as classes sociais, para que possam, inclusive, proteger as suas crianças.

Cartas na mesa. O mundo real está aí diante de nossos olhos. Não venham com absurdos como o daquele grupo teatral de Florença, na Itália, que teve a audácia de vangloriar mudar o final da consagrada ópera Carmen, de Georges Bizet. Na versão deles, para “não aplaudir a violência contra a mulher”, a cigana Carmen que nos fascina há mais de 140 anos não é morta pelo seu ciumento José. Mas será ela que irá matá-lo. Resolveram a questão?

Não pode ser séria essa gente. Isso é tirar sardinha. Teatral, hein? Mudar no papel, no roteiro, parece fácil. Queremos ver é mudar a realidade.

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Marli Gonçalves, jornalista – Feminista desde que se entende por gente. Feminina. Viva, para poder contar a história de quantas vezes conseguiu enfrentar essa realidade. Com a consciência cada vez maior de quantas vezes e o quanto isso tudo atrasou sua vida.

Brasil, 2018

marligo@uol.com.br
marli@brickmann.com.br