#ADEHOJE – VIVEMOS MOMENTOS SÉRIOS. ATENTE, O PAÍS PARADO

#ADEHOJE – VIVEMOS MOMENTOS SÉRIOS. ATENTE, O PAÍS PARADO

 

SÓ UM MINUTO – Ontem, uma senhora – já com seus mais de 70 anos – empacotava as coisas do comércio que mantinha há mais de 30 anos na região. Uma tristeza ver. Seu comentário: “enquanto o nosso presidente continua preocupado com Venezuela, Argentina, fofocas e nossas vidas, o país está paralisado”. O despreparo, inclusive emocional, de Jair Bolsonaro, fica cada vez mais evidente, enquanto o clima de desarrumação corre solto. Ele pensa que é Trump, mas não é; nem nós somos os Estados Unidos. Aliás, somos os estados desunidos.

São tapas diários, da ignorância de seres abjetos como Olavo de Carvalho e os filhos do presidente e alguns ministros, às decisões de outras esferas: STF liberado pra comprar lagostas, vinhos, iguarias, gastar mais de um milhão de reais nisso. A Câmara acaba de liberar passaporte diplomático para 404 filhos e cônjuges dos deputados.

Precisaremos falar muito sobre tudo isso.

#ADEHOJE – CULTURA, ATENÇÃO.

#ADEHOJE – CULTURA, ATENÇÃO.

 

SÓ UM MINUTO – ALIÁS, ATENÇÃO, EDUCAÇÃO E CULTURA, NA VIDA E NAS INSTITUIÇÕES, NO BRASIL. A Rouanet vai perder o nome, virando só Lei de Incentivo à Cultura, se é que isso ainda pode ser considerado um incentivo. O Valor máximo por projeto cairá de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão; lote de ingressos gratuitos aumentará e preço do ‘ingresso social’ será menor. Fora isso, esses dias o presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine) Christian de Castro recomendou a suspensão de repasses de verbas para séries e filmes, inclusive aqueles já em produção, o que interfere diretamente todo o setor de audiovisual nacional.

Os parlamentares, aliás, estão preparando uma CPI de Crimes Cibernéticos, entrando junto com o STF na defesa das instituições que vêm sendo esculachadas especialmente nas redes sociais, além das ameaças – para eles haveria no Brasil um ataque planejado e sistemático às instituições, que precisaria ser investigado e contido.

#ADEHOJE – SIGAM BEM, CAMINHONEIROS? E NÓS, NAS TREVAS.

#ADEHOJE – SIGAM BEM, CAMINHONEIROS? E NÓS, NAS TREVAS.

 

SÓ UM MINUTO – Precisamos nos organizar enquanto é tempo!!! Se os caminhoneiros estão conseguindo tudo o que querem, precisamos tentar também. E antes que legalizem que tomem o rebite, aquela fusão de drogas que usam para manterem-se acordados. Vejam: falam em tirar radares, o que pode causar ainda maior aumento de mortes nas estradas. Parar os aumentos do diesel, ideia que já causou perda de 32 bilhões de reais. Agora abriram linhas de crédito pelo BNDES. O que mais? Também queremos!

E essa censura à imprensa, que vem sendo imposta pelo STF para que não se critique mais os juízes? Não, não e não. Dr. Alexandre, Dr. Toffoli, amigo do amigo do pai dele, isso não pode. Nunca.

STF X O ANTAGONISTA X REVISTA CRUSOÉ: CENSURA! Nota oficial Abraji

Inquérito do STF contra fake news vitima liberdade de imprensa

[Íntegra]

O inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a disseminação de “fake news” contra os ministros do próprio tribunal atingiu hoje seu primeiro alvo: a liberdade de imprensa.

O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou, nesta segunda-feira (15.abr.2019), que o site O Antagonista e a revista Crusoé retirem do ar conteúdo relacionado à reportagem “O amigo do amigo de meu pai” (capa da mais recente edição da Crusoé), que trata de supostas relações entre o presidente do Supremo, Antonio Dias Toffoli, e a empreiteira Odebrecht. Na mesma decisão, Moraes determinou que a Polícia Federal intime “os responsáveis” pelo site e pela Revista “para que prestem depoimentos no prazo de 72 horas”. Caso os veículos não retirem os conteúdos do ar, receberão multa diária de R$ 100 mil.

39072-134yjwnayobfowzfjm86brwA decisão faz parte do Inquérito 4781, que foi aberto por Toffoli em 14.mar.2019, tramita em sigilo no STF e é relatado por Moraes. Segundo o relator, o inquérito trata da “existência de notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares, extrapolando a liberdade de expressão”.

A reportagem da Crusoé apontou a existência de um documento no qual o empreiteiro Marcelo Odebrecht, em resposta a questionamentos da Polícia Federal no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, revela que o codinome “o amigo do amigo de meu pai” se refere a Toffoli. O codinome havia sido usado em emails trocados entre Marcelo Odebrecht e executivos da empreiteira.

Após a publicação da reportagem, Toffoli solicitou a Moraes “a devida apuração das mentiras recém divulgadas por pessoas e sites ignóbeis que querem atingir as instituições brasileiras”.

Moraes, ao determinar que a reportagem fosse retirada do ar, considerou que “há claro abuso no conteúdo da matéria veiculada”  –  sem explicar em que consiste tal abuso.

O ministro afirmou ainda que se trata de “típico exemplo de fake news”  – sem esclarecer como o tribunal conceitua “fake news”, já que não há consenso sobre o tema nem entre especialistas em desinformação.

O único elemento que Moraes cita para qualificar a reportagem como falsa é uma nota na qual a Procuradoria Geral da República afirma não ter recebido informação sobre os esclarecimentos de Marcelo Odebrecht. A Crusoé, em seu texto, diz que “cópia do material”  foi remetida para a PGR. Embora esse seja um aspecto secundário da reportagem, Moraes afirma que “obviamente o esclarecimento feito pela Procuradoria Geral da República torna falsas as afirmações veiculadas na matéria”. O documento citado pela Crusoé não apenas existe como está disponível na internet. A íntegra foi também publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo.

É grave acusar quem faz jornalismo com base em fontes oficiais e documentos de difundir “fake news”, independentemente de o conteúdo estar correto ou não. Mais grave ainda é se utilizar deste conceito vago, que algumas autoridades usam para desqualificar tudo o que as desagrada, para determinar supressão de conteúdo jornalístico da internet. O precedente que se abre com essa medida é uma ameaça grave à liberdade de expressão, princípio constitucional que o STF afirma defender. 

Também causa alarme o fato de o STF adotar essa medida restritiva à liberdade de imprensa justamente em um caso que se refere ao presidente do tribunal. 

A Abraji apela ao Supremo Tribunal Federal para que reconsidere a decisão do ministro Alexandre de Moraes e restabeleça aos veículos atingidos o direito de publicar as informações que consideram de interesse público.

Diretoria da Abraji, 15 de abril de 2019.

CARANGUEJO DA CENSURA

#ADEHOJE – BRIGA DE PODERES. PERIGO À VISTA

#ADEHOJE – BRIGA DE PODERES. PERIGO À VISTA

Só um minuto – Tá pior que reforma de obra! Que tempos! Não há dia que acabe sem que fiquemos sabendo de futricas e desavenças no meio político/ jurídico/ institucional. Em geral, a fonte das crises tem vindo dos filhos do presidente Bolsonaro, Os Filhos do Capitão, 01,02,03.

Mas não tem mais graça, estão atrasando o país. Ando muito impressionada com a subida de tom e de maturidade e força de Rodrigo Maia, que tem sido bastante caro em suas colocações. Num dia, disse que os militares ao tentarem se poupar de entrar na reforma da Previdência, estavam chegando atrasados, no fim da festa. No outro disse ao Moro que ele copiou e colou projeto do Ministro do STF Alexandre Moraes, e que é “empregado” do presidente. Até um deputado do próprio PSL disse que não adianta Bolsonaro mandar à Câmara um abacaxi para ser descascado e não mandar a faca.

#ADEHOJE – DIA BOMBÁSTICO NA POLÍTICA

#ADEHOJE – DIA BOMBÁSTICO NA POLÍTICA

 

SÓ UM MINUTO – O dia amanheceu quente hoje, e não só por causa das prisões de Michel Temer e Moreira Franco, pedidos expedidos pelo juiz Marcelo Bretas do Rio de janeiro, e para onde Temer foi levado. Logo cedo a PF estava nas ruas, em São Paulo e Alagoas cumprindo mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, contra acusados de emitir fake News e ameaças aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Fora isso ainda há gente que parece que está cego e surdo – não conversa com o povo nas ruas – e ainda insiste em acusar a pesquisa Ibope divulgada ontem de mentirosa. Sim, gente, a aprovação ao governo e forma de Bolsonaro governar está despencando. Ele precisará colocar a economia para andar, se quiser deter essa sangria, mas até agora permanece no Twitter. E a equipe a nos fazer passar vergonha.

#ADEHOJE –VERGONHA, POR FAVOR, NÃO.

#ADEHOJE –VERGONHA, POR FAVOR, NÃO.

 

SÓ UM MINUTO – Já basta a subserviência. A visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, onde se encontra amanhã, terça, com Donald Trump, chega com todos os elementos para a gente torcer. Que algo dê certo. Mas especialmente que não passemos mais vergonha do que já estamos passando com a política exterior que vem sendo aplicada. Essa história de liberamos os vistos para os americanos virem para cá, sem a contrapartida – ou seja, os brasileiros terão de continuar pedindo de joelhos os carimbos no consulado… é de doer.

Fosse só isso...Na semana que já começou com atentado lá na Holanda, teremos tentativa de volta à normalidade lá na escola em Suzano. Vai continuar o bate-boca entre o Ministério Público e o STF. As manifestações ontem contra o STF também foram bem esquisitas. E que mané é essa? Regina Duarte pedindo extinção do STF!

O povo está ficando sem noção de tanto virar à direita. Tá dando bobeira

 

#ADEHOJE – 1º DE FEVEREIRO: TUDO NOVO? QUEM DERA!

brava

#ADEHOJE – 1º DE FEVEREIRO: TUDO NOVO? QUEM DERA!

SÓ UM MINUTO – O disco continua aparecendo arranhado. A legislatura que começa nesta sexta-feira tem o maior percentual de novatos e de mulheres em mais de 30 anos. O número de partidos com assento na Casa também é recorde: são 30 diferentes legendas representadas na Câmara a partir de agora. No senado, dos 54 eleitos que tomam posse, apenas 8 foram reeleitos. Mulheres representarão 14,8% da nova configuração: serão 12 senadoras. Marco Aurélio Mello, do STF, nega recurso de Flávio Bolsonaro que apelava por foro privilegiado. E as vaias de hoje vão para a Vale. O presidente da empresa ontem teve a cara dura de afirmar que as sirenes em Brumadinho não tocaram para alertar, porque…foram engolfadas pela lama. Socorro! Cada dia imagens – e notícias – aparecem, cada vez mais terríveis do acidente do rompimento da barragem.

#ADEHOJE – LULA NÃO VAI LÁ. E O DESENROLAR DA TRAGÉDIA

#ADEHOJE – LULA NÃO VAI LÁ. E O DESENROLAR DA TRAGÉDIA

SÓ UM MINUTO – Hoje o Ministro Dias Toffoli, presidente do STF autorizou o ex-presidente Lula a viajar para encontrar parentes e homenagear, Vavá, que faleceu ontem. Não deu para ir ao velório e ao enterro, tantas idas e vindas. Foi uma peregrinação até conseguir, o que aconteceu só na instância máxima. Mas Lula embirrou e disse agora no começo da tarde que não virá mais. Lula viajaria com a Polícia Federal para São Bernardo do Campo e poderia encontrar sua família, mas numa instalação militar da região. Vamos ver como será isso. Na tragédia de Brumadinho começam a parecer os rostos e histórias das centenas de vítimas. O porta voz dos Bombeiros, bárbaro, Pedro Uihara, que está fazendo um trabalho excepcional merece os nossos aplausos de hoje. A Vale agora resolveu divulgar um saco de bondades e decisões que já devia ter tomado faz muiiiitttooo tempo.

#ADEHOJE – TRAQUINAGENS DOS FILHOS DO CAPITÃO E PODERES CONFUSOS

#ADEHOJE – TRAQUINAGENS DOS FILHOS DO CAPITÃO E PODERES CONFUSOS

 

SÓ UM MINUTO – Desde que Jair Bolsonaro foi eleito venho dizendo que ele não é o pior de tudo. Só o centro. Cercou-se – assim como o PT também fez muitas vezes isso de errado e deu no que deu – de pessoas que ficaram maravilhadas, embasbacadas com o poder. Vai piorar, acredite. Entre eles, Bolsonaro traz seus próprios filhos, os Filhos do Capitão, para o centro das discórdias. A última foi a de Flavio Bolsonaro pedir ao STF – e conseguir com o Luiz Fux! – a suspensão das investigações contra o seu assessor, o já famoso Queiróz. É casca de banana, pano para manga para muitos escorregões e críticas. No mundo, o terror que atacou a Colômbia repercute sonoramente. E ainda não está claro como é que o Brasil vai ajudar a derrubar o Maduro, na Venezuela. Que seja sem violência.

#ADEHOJE, #ADODIA – FRIGIDEIRA NO FOGO. INGREDIENTES VARIADOS. NÓS SOMOS TEMPERO

#ADEHOJE, #ADODIA – FRIGIDEIRA NO FOGO. INGREDIENTES VARIADOS. NÓS SOMOS TEMPERO

Não é para menos que o calor está tão forte e que até raios assustadores agora surjam saindo do solo em direção ao céu. Raios ao contrário. Dizem que são as forças negativas. Vejam só o tamanho dessa panela, que agora tem o futuro ex-presidente que ficará sem foro, denunciado ontem, o Ministro Marco Aurélio de Mello que arrumou uma pendenga forte com os outros 10 por conta de uma decisão que tentou tomar, e que o Toffoli cortou as asas. Mais: João de Deus, investigações sobre um assassinato bem esquisito do secretário de transportes de Osasco, sobrou até para a mãe do ex-senador Aécio Neves. Continua sumido o assessor que tinha de explicar o dinheiro que foi e voltou, o motorista, assessor e faz-tudo do Bolsonarinho Flávio. Tem a posse dia 1º e tudo o mais que virá junto, como decisões que poderão nos afetar e muito. Algumas até para melhor; mas há outras que ameaçam ser apavorantes e darão pano para manga e sapatos para protestos nas ruas.

 

Nota do site jurídico Migalhas: nome de quem é a culpa pela barafunda no STF. WOW

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A quem de direito

Essas trapalhadas todas envolvendo o Supremo, e quem vêm tisnando a imagem da Corte, tem nome. Aliás, dois nomes: Cármen e Lúcia. É a condução pusilânime dos trabalhos que cria essa barafunda.

ARTIGO – Semanas de rock, bebê! Por Marli Gonçalves

 

Todo dia era Dia de Índio. Agora todo dia é dia de rock, de ser chacoalhado, de assistir aos embates escalafobéticos entre aqueles que acham isso e os outros que acham aquilo; e todos os que agora estão ainda mais confusos do que estavam, uma vez que tudo se misturou igual a uma pasta disforme. A grande massa ignara ignora e só dança. Aumenta o som, que aí vem doideira pesada. Só os sons dos metais, pratos e panelas, continuam guardados por enquanto.

Pensa: por quem badalar os sinos? Para qual causa ensaiar a coreografia das bandeiras, o som das palavras de ordem, das palmas, do sapatear nas avenidas?

Outro dia um mágico amigo munido apenas de um baralho entreteve e encantou um grupo, incluindo crianças, durante um longo tempo. Fez mágicas, claro, incríveis, que é profissional dos bons, internacional. Mas a maestria com a qual manuseava e manipulava as cartas ao embaralhá-las foi show à parte, chamava a atenção. Perguntei a ele e fiquei sabendo, então, como numa aula, de histórias antigas sobre os trapaceiros, ilusionistas, como foram importantes em reinados e momentos históricos. Ele me contou (e mostrou) ainda sobre as diversas formas de embaralhar, a simples, a francesa, a cascata, a portuguesa, a hindu. São muitas.  Como se criavam sequências que deram poder aos trapaceiros. As representações dos naipes, o povo, o poder, as finanças, as guerras.

Tenho pensado sobre isso cada vez mais com o preocupante desenvolvimento do desmonte político a que temos assistido diariamente boquiabertos e aturdidos. Tal como as cartas do baralho que se fundem e se misturam ao ser embaralhadas, estão sendo descartados reis, rainhas, valetes. Os ases somem. De todos os naipes. Procuramos um coringa.

É carteado cheio de trucos. Dissimulados que sem querer querendo dão declarações bombásticas em entrevistas, como quem faz bolhas de sabão. Jornalistas e suas fontes das sombras que carregam mensagens de um lado a outro, sobre um lado e do outro, entre afirmações hipotéticas e hipóteses estapafúrdias que se desmentem em seguida. Deitam falação, como se possível fosse entender as entranhas desse jogo que há anos nos empurra para o buraco. Eles roubam montes, formam duplas, descartam o lixo, pedem mais cartas, formam canastras, somem com cartas entre as mangas e colarinhos brancos. Jogam sozinhos.

Entre os meus leitores há vários tipos que se manifestam comigo: os que gostam de política, falar disso; e os que gostam quando me refiro ao comportamento humano em outras dimensões (sim, elas existem! – mas cada dia é mais difícil nos concentrarmos nelas, nas nossas questões pessoais de viver bem, de emoções, de avanços civis). Tudo muito civilizado, agradeço muito.

Agradeço porque vejo audiências gigantescas indo, aplaudindo, para os que escrevem chutando, xingando, agredindo, belicosos, até desejando o mal para os outros, que sejam presos, morram, tenham seus direitos suprimidos. Suas áreas de comentários são como esgotos.  Independentes, se proclamam. Que vivem de ar, tanto quanto eu acredito em duendes puxando o dedão no pé da cama. Se papel já aceitava tudo, na internet, no descompromisso, no anonimato, isso virou fato.  Nas redes sociais, formas de polemizar, bater abaixo da linha da cintura, escarnecer bílis. Nas tevês são tantos analistas que devem se bater pelos corredores, fazer fila nos banheiros: reparem o quanto fazem como os locutores esportivos que podem estar esculhambando um time na narração, mas se esse time faz um gol… imediatamente a opinião vira outra.

Brincadeiras à parte, a melhor previsão que podemos fazer do futuro já abarca o passado: vamos trocar de presidente como se troca de roupa. Precisamos provar todas para ver como elas ficam em nosso corpo.

E eu que, vejam só, queria só falar sobre o Dia do Rock, agora, 13 de julho! Mas quem é mesmo que pode mudar de assunto? Tem de embaralhar.

20170708_143356Marli Gonçalves, jornalista –Aproveita que dia 20 de julho é Dia do Amigo. Faz as pazes com aquele com o qual brigou em bate boca nessa partida viciada.

Brasil, batendo cabeça

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ARTIGO – Temer, por favor, sai daí! Por Marli Gonçalves

Sai daííí! Estamos muito arranhados. A verdade é que só uma coisa é certa: o país não resistirá a percorrer mais um processo de impeachment. Por favor, presidente, já que disse que não tem apego, deixa a gente seguir em frente enquanto o senhor se defende. Por favor, por você, por nós todos.

Se pudesse pedir algo ao papai do céu, ao anjo da guarda, a Todos os Santos, fazer mandinga, seria para que algo iluminasse a sua cabeça, presidente Temer, para que decida pela forma menos traumática, e por conta própria: renuncie. Não, calma, não estou fazendo juízo de valor, nem o condenando antecipadamente, embora seja bem difícil inocentar – acho que deve se defender com unhas e dentes já que garante que pode, e está – garanto – com um dos melhores advogados do país, Dr. Mariz, que pessoalmente tenho na maior conta, respeito e admiração.

Mas não governando; não pode obstruir a estrada como a terra de um muro desbarrancado pelo tremor, pela avalanche. Se não sair nada mais andará para frente; ao contrário, vai ter marcha-a-ré.

Como vê, em poucos dias já foram buscar e estão começando a passar com trator em cima do senhor. Várias vezes. Vai piorar, vão passar com uma locomotiva carregada, que – veja – apita e aparece logo ali depois da curva. Avalie: como vai continuar governando sem paz? Sem base? Com um monte de flechas apontadas, com manifestações dia sim, dia sim? Se já estava difícil sem tudo isso, imagine agora.

Sei que nesse caso o foro privilegiado que dispõe é de suma importância e o senhor se sentiria mais protegido. Mas, ao mesmo tempo, pense. Os foguetes atingiram sua tenda, furaram o teto, e até o STF já pediu sua investigação enumerando motivos horrorosos. Como ser presidente com esse fardo?

O senhor caiu no centro de uma teia maquiavélica, uma cama-de-gato, uma arapuca engendrada de forma orquestrada, premeditada. Admita. Se tentar se debater dentro dela, se enroscará mais e mais, e talvez não tenha chance de sair dessa com um mínimo de dignidade, que tenho certeza, gostaria de resguardar. Caiu o senhor, caíram até aqueles que já estavam caídos, e quanto mais todos se mexem mais o país para. Esse caso une a verdade aparecendo, sim, mas contada por manipuladores, regados a inveja, disputas internas, frutos de disputas insanas entre poderes. Vamos combinar: dessa vez com uma jogada záz-tráz, mortal.

Por favor. Considere isso. Seria uma decisão nobre, mesmo no meio de toda essa lama. Não espere que o tirem aos pontapés, como vai acontecer, seja no TSE, seja no tal impeachment, palavra que me dá até alergia em imaginar tudo de novo. Não dê chance a mais esta acusação – de ter falido um país. A História registra. O jornalismo é o dia a dia.

Mais uma vez, presidente, acredite, dou graças por não ter filhos – não saberia como explicar a eles esse momento que vivemos. Ficaria muito mais perturbada ainda se os visse assistir às cenas que todos estamos vendo. A começar pelos diálogos dos poderosos empresários delatores. Agora piorou, presidente! Os açougueiros foram mais longe ainda. Para se salvarem, aos seus luxos, se prestaram a papéis que não dá nem para dimensionar o nível de canalhice. Agora estão lá fora rindo muito de nossa cara, falando em português primário, enquanto o senhor ainda busca e usa rebuscadas palavras para se defender.

É com essa gente que está lidando agora. Não é mais só com os políticos submissos às suas ordens, os chucros. Não é só com os petistas e afins. Sinta como do dia para a noite foi sendo abandonado. Veja como o bombardeio foi muito bem sucedido, tramado.

Salve sua história, pelo menos a até aqui. Leu o jornalista Jorge Moreno? Mais ou menos: “Prof. Michel Temer chame à razão o presidente Michel Temer”. Acrescento: vamos nos agarrar ao livrinho da Constituição.

Se quer noticias aqui de fora, conto que está todo mundo muito, mas muito mesmo, muito p…, chateado, cansado, e isso é muito, mas muito mesmo, ruim. Ainda tem alguns resignados e à sua volta deve estar cheio de falsos amigos mais preocupados em se manter a salvo do que com o apoio que precisa. Aquelas deprimentes e tímidas palmas que recebeu durante seu primeiro pronunciamento dizem tudo sobre a solidão que enfrentará dentro dos gigantescos palácios.

Por favor, Temer, sai daí. Deixe que nos apeguemos ao pouco que ainda temos, permita que as coisas não piorem, gerando ainda mais miseráveis. Não nos use como escudo, vingue-se depois, mas deixe-nos passar por outros caminhos.

A pinguela ruiu. Salve a República!

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please3Marli Gonçalves, jornalista – Abismada. Preocupada. Impressionada. Envergonhada. Enojada.

Brasil, mostra a tua cara!

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ARTIGO – Banhos de água fria. Por Marli Gonçalves

Para a saúde, beleza, circulação – até para sexo! Se todo mundo soubesse quanta coisa a água fria faz de bem até pararia de usar essa expressão para falar de decepção, desilusão, ou de quando alguém estraga tudo o que nos empolgava. Tô boba. Mas na verdade vocês bem imaginam porque pensei nisso. Nesse nosso enorme banho coletivo de água fria, de chuveirada. Precisamos botar água na chaleira para ferver

A primeira vez que tive consciência do que era um banho de água fria foi na vida profissional, no Jornal da Tarde, idos dos 80. À época houve uma chacina, e sete jovens foram achados mortos à beira de uma represa. Um deles era um temido menor, de que alguns ainda devem se lembrar, Wilsinho Galileia, que vinha de uma estirpe de bandidos, Os Galileia, eram conhecidos e atuavam na região de Diadema, São Paulo. Entre os mortos, todos menores, a namorada dele, grávida, da qual infelizmente hoje não me recordo mais o nome; pouco mais do que 15 anos.

No Jornal da Tarde, histórias, gente, fatos, imagens, detalhes da vida, calor dos fatos, eram os ingredientes que o tornavam uma delícia diária de ver, ler, em textos escritos pelos que ainda hoje considero – e o são – mestres da palavra.

Mas, enfim, foi trabalho árduo de um dia inteiro conseguir detalhes importantes, alguns dramáticos, outros muito emocionantes sobre a vida da menina, a quem me coube construir o perfil. Seria uma grande matéria: abri a mala que ela havia deixado no abrigo, o que equivalia ali a conhecer todos os seus bens. O colega Fausto Macedo, por outro lado, levantava o perfil do mirrado e violento Galileia.

Já passava das dez da noite quando regressamos para a redação. Já batucava entusiasmada a máquina de escrever quando veio uma ordem de cima: a matéria não seria publicada. “Aqui não queremos o mundo cão” – era o recado seco que – lembro como se fosse hoje – me encharcou e nos deixou, eu e Fausto, arrasados.

As histórias nunca foram publicadas. Eu nunca perdi esse sentimento do banho de água fria. Com ele preparei-me para todos os outros tantos que viriam ao longo dessa vida, garanto que já não foram poucos de todas as águas doces e salgadas.

Tudo isso conto porque não achei maneira melhor de descrever o sentimento nacional que percebi essa semana com a tomada de algumas decisões do Poder Judiciário. A libertação de alguns presos por corrupção bateu muito pesado, impressionante notar. Estavam ali… rolando o desenrolar de um romance onde… os corruptos seriam todos presos, punidos e que o país num final feliz se reencontraria limpo e lépido… Mas explodiu o gerador. Acabou a luz. Caíram da escada. E veio o banho de água fria.

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Temos tomado muitos banhos bem frios na cabeça. Quando a gente acha que uma coisa vai, ela nem vem, quanto mais reformada. Agora deu outra moda, a dos mesmos de sempre mudarem – certamente por vergonha, os nomes de seus partidos, jurando que fazem isso pelo nosso bem com um blábláblá de fazer bicho preguiça querer correr. Notou? Livres, Mudamos, Avante, Podemos. Se fizer DNA vai dar consanguinidade.

Como uma de minhas missões é sempre tentar ajudar, finalizo listando algumas das qualidades que encontrei e alardeiam sobre o tal banho de água fria na real, vejam só. Melhora a irrigação sanguínea. Alivia as tensões dos músculos. Aumenta o brilho do cabelo. Previne a calvície e elimina a caspa. Serve para combater a depressão e ativa as funções cerebrais. Ajuda a despertar e por o organismo em alerta. Ameniza varizes. É afrodisíaco; em homens aumentaria a testosterona. Finalmente, e a minha preferida: eleva a autoestima, com benefícios mentais e emocionais. Por quê? O sentimento de vitória por ter conseguido tomar o tal banho de água gelada.

Fica a dica, porque as coisas ainda vão esquentar muito, e a energia, literalmente, pode acabar. Nós temos de ser vitoriosos.

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marli n a gabiMarli Gonçalves, jornalista – Na vida, a última ducha de água fria que tomei até agora me faz pensar se eu não devia ter devolvido. Me veio à cabeça mamãe falando: “Tá com frio? Bate o traseiro no rio!”

SP, 2017

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banho de água fria

 

 

 

 

É polícia? Não pode. Eles não podem fazer greve, decide STF

 – FONTE: JOTA INFO

 STF proíbe greve de carreiras policiais

Decisão vale para Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, bombeiros, policiais
Márcio Falcão

O Supremo Tribunal Federal declarou nesta quarta-feira (4/5) que é inconstitucional o direito de greve para as carreiras policiais. Com isso, o tribunal veta a prática de paralisações pela Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, corpo de bombeiro militares, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Ferroviária federal.
Por 7 votos a 3, os ministros entenderam que essas carreiras são essenciais para garantir a ordem pública e a segurança e que, portanto, nenhuma força policial tem direito a aderir ao movimento grevista. Diante disso, a maioria do Supremo entendeu que direito fundamental da sociedade deve prevalecer ao direito individual do servidor.

Votaram para impedir o direito de greve pelas carreiras policias os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e a presidente do Supremo, Cármen Lúcia.

Os ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio Mello defenderam o direito de greve aos policiais civis, com limites impostos pela Justiça.

O STF discutiu um recurso da Procuradoria do Estado de Goiás questionando decisão do Tribunal de Justiça de Goiás que declarou legítimo o exercício do direito de greve por parte dos policiais civis do Estado. O Estado de Goiás argumentou que exercício do direito de greve ilimitado por policiais civis tem reflexos sociais, econômicos, jurídicos e políticos que ultrapassam os interesses subjetivos da causa.

No julgamento, os ministros estabeleceram a seguinte tese para repercussão geral, ou seja, orientação para instâncias inferiores.

Item 1. O exercício do direito de greve sobre qualquer forma ou modalidade é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública.

Item 2. É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública nos termos do artigo 165 do CPC para vocalização dos interesses da categoria

A tese para derrubar a greve por forças policiais foi levantada pelo ministro Alexandre de Moraes. O ministro sustentou que as carreiras têm um regime especial e não pode ser equiparada a outros servidores públicos, possuindo até um regime previdenciário e carga horária próprios.

Outra preocupação colocada foi com o fato de os policiais andarem armados e terem autorização para porte 24 horas. “Não existe a possibilidade de o policial entregar arma e distintivo para participar manifestação”, afirmou Moraes.

“Não existe humilhação maior [entregar arma e distintivo] ao policial, isso ocorre quando é suspenso ou expulso”. Não é possível que braço armado, que tem função de segurança queira fazer greve. Ninguém é obrigado a exercer carreira policial”, completou o ministro citando que hierarquia e disciplina são princípios básicos de toda carreira policial.

Para Moraes, as policias são o braço armado do Estado. “E o Estado não faz greve. O Estado em greve é um Estado anárquico. A Constituição não permite.”

Gilmar Mendes reforçou o discurso: “greve de sujeito armado não é greve”. O ministro ainda fez duras crítica a juízes que concedem liminar para evitar o corte de ponto de grevistas e disse que mesmo onde a greve é legítima tem que se ter limites para evitar abusos e que o movimento se confunda com férias. “Tem juiz que tem coragem de dar liminar para que sujeito receba. É mais uma jabuticaba que inventamos”, afirmou.

Ex-secretário de segurança pública de São Paulo e ex-ministro da Justiça, Moraes citou o caso de uma greve de policiais civis na capital paulista, sendo que os manifestantes tentaram se aproximar do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado, sendo impedidos pela Polícia Militar. “Num determinado momento houve troca de tiros e um tiro de fuzil pegou a dois dedos do subcomandante da PM. Se esse tiro acerta e o comandante da tropa morre, teríamos uma guerra armada”.

Luís Roberto Barroso defendeu a necessidade de valorização das carreiras policiais, mas citou dificuldades para a liberação da greve para policiais.

“Não há como prevalecer com um caráter absoluto esse direito de greve para os policiais. Nós testemunhamos os fatos ocorridos no Espírito Santo, em que, em última análise, para forçar uma negociação com o governador, se produziu um quadro hobesiano, estado da natureza, com homicídios, saques. O homem lobo do homem. Vida breve, curta e violenta para quem estava passando pelo caminho. Eu preciso dizer que não dá para interpretar essa situação, sem ter em linha de conta, os episódios recentes.”
Luiz Fux afirmou que o direito não pode estar apartado da realidade. “Há outro dado que acho muito importante: quem paga a greve do serviço público é o contribuinte. Isso para mim é algo que define todas essas questões. Quando a criança de colégio público não tem aula, quem está pagando é a criança. Greve no hospital público é o contribuinte que está morrendo na maca fria ao desabrigo, de sorte que sou absolutamente contrário a essa flexibilização que o legislador propôs. Estou concluindo que o exercício de direito greve de policial civil é inconstitucional”, disse.

Segundo Ricardo Lewandowski, “permitir que agentes estatais armados façam greve isso significaria, com o devido respeito, colocar em risco não apenas a ordem pública, mas a própria existência do Estado.”
“Não vivemos na Suíça, na Suécia na Dinamarca ou até mesmo no Japão, onde consta que os policiais nem usam armas. Lá os policiais usam luvas brancas até para ajudar as pessoas a entrarem no metrô. Nossa realidade é totalmente outra”, disse Lewandowski.
Pelo direito

Relator do caso, o ministro Edson Fachin apresentou seu voto defendendo o “limitado” direito de greve por policiais civis. O ministro entende que este é um direito fundamental e propôs que o movimento fosse autorizado previamente e regulamentado pelo Judiciário. Os agentes ficariam proibidos do uso de armas, distintivos, uniformes e emblemas da corporação quando do exercício desse limitado direito de greve.
Seriam liberadas apenas manifestações pacificas.

“Tendo em vista a essencialidade do serviço desempenhado pelos policiais civis, a greve deve ser submetida à apreciação prévia do Poder Judiciário. Compete ao Judiciário definir quais atividades desempenhadas pelos policiais não poderão sofrer paralisação, qual percentual mínimo de servidores que deverá ser mantido em suas funções”.

Fachin foi seguido por Rosa Weber e Marco Aurélio Mello. “Embora já haja maioria negando a servidores civis e não militares o direito de greve, distanciando o tribunal da Constituição cidadã de 88, acompanho o relator”, disse Marco Aurélio.

Márcio Falcão – De Brasília (jota info)

ARTIGO – Roletas russas da vida. Por Marli Gonçalves

 

MAO NA MAOUma decisão, um passo, um segundo, um minuto, uma virada errada, uma distração, um tropeção, uma bala, uma chuva, uma rua, uma carona, uma queda. Qualquer coisa. A vida é frágil. A terra é frágil. O ser humano vive em uma corda bem bamba e muito fina desde que nasce até que morre. Tudo pode acontecer. Inclusive nada. Essa é a verdadeira loucura da existência

MAO FACA

Como é que pode? Como é que pode? Todo mundo batendo cabeça e se perguntando das ironias da vida quando fatos horríveis assim acontecem. Os inesperados. Ouvi e li de um tudo, e são dezenas as fantásticas teses conspiratórias que garantiam- já minuto seguinte ao acidente que matou o ministro do STF Teori Zavascki – que foi um atentado. Um assassinato. Claro, investigue-se, detalhe por detalhe, peça por peça, minuciosamente, o que ocorreu. Não deixem essa virar mais uma lenda urbana que viva no imaginário popular assombrando o país.

Mas eu não quero ser considerada burra nem ingênua ao ter certeza de que foi acidente.

Acidentes com aviões particulares têm enorme chance de matar personalidades. Gente conhecida. Gente importante. Gente famosa. Quem é que anda para lá e para cá em aviões particulares? Em helicópteros? Eu? Você? Até já andei muito, mas sempre de carona, de estepe, por algum motivo profissional, acompanhando algum cliente, como jornalista, nem sabia se meu nome contava na lista de passageiros. Como as duas mulheres que, além do piloto, do dono da aeronave – pessoa entre as mais bem relacionadas do país – e do ministro, estavam lá e tentavam chegar à bela Paraty em um chuvoso e cinzento dia de verão. Que tipo de sabotagem seria essa que só ocorreria na ponta da pista? Quem teria contratado São Pedro para soprar nuvens? Sofisticada essa ideia de fazer cair no mar, para afundar e ninguém achar os destroços.

Ah, mas era o ministro que cuidava da Lava Jato! Sim. Podia ser outro ou outra da mais alta Corte. Podia ser Moro, algum membro (ou todos) da força tarefa do Ministério Público. Algum artista – eles se deslocam muito em aviões. Para “pegar” o ministro não haveria outra forma? – veneno, urticária, espiã, manga com leite, jogar um piano da janela quando ele estivesse passando, cortar o cabo do elevador, infiltrar uma cobra venenosa no gabinete dele? (se bem que essa opção não pode ainda ser descartada…)

São pessoas – não há redoma que possa protegê-las delas mesmo. Andam de carro, de moto, de avião, de bicicleta. Podem escorregar no tapete do banheiro depois do banho. Depende do que fazem, como vivem, onde andam, e até do que comem – são protegidos, mas seguranças não são infalíveis e nem conselhos de cuidado com isso ou cuidado com aquilo e que em geral são ignorados. Igual à gente quando foi criança, a mãe disse não vá, e birrentos demos com a cara na parede – alguns têm cicatrizes que lembram esse dia a vida toda. Claro, quando não foi mortal de vez, e valeu a vida.

A verdade é que ninguém nunca espera que vá acontecer o que pode acontecer. Ninguém acredita que poderá ser retirado desse mundo de forma tão abrupta que não tenha nem tempo de respirar, dizer tchau. Creio que nem quem pratica esportes e outros passatempos radicais pensa nisso. No xeque-mate.

E não adianta ter medo. O medo não salva. É o famoso quando tem de acontecer acontece. Deus resolveu – para quem nele acredita. Fatalidade. A hora da morte.

Há riscos e perigos. Risco é a probabilidade. Perigo é uma ou mais condições que têm o perfil de causar ou contribuir para que o Risco aconteça. Não se mede e não há como eliminar o Risco. Já os perigos até poderiam ser prevenidos, analisados, mensurados e corrigidos.

São perigos que nos rondam como a bala do tambor do revólver de uma roleta russa. Ou como se andássemos sempre com pés enormes em campos minados.

Podia ser um terremoto, um maremoto, uma enchente, uma avalanche, um ataque de coração. Podia até ser um atentado.

Mas foi um avião e um passeio interrompido. Que esperamos não interrompa as esperanças do povo brasileiro na Justiça e no desfecho da mais rumorosa tentativa de faxina e descoberta de quem nos bateu a carteira.

ROLETA

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20160813_143252Marli Gonçalves, jornalista – Não adianta não fazer, não ir, não tentar. Só morre quem está vivo. Ou que pelo menos estava assim até que…

2017, acreditam?

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ARTIGO – Mucunaímas, vambora Vambora. Por Marli Gonçalves

Sabe aqueles filmes antigos tipo O Gordo e O Magro, ou os do Chaplin, em alguma cena em que alguém aparece e põe eles para correr de algum lugar, chuchando os seus traseiros? A típica cena de uma dupla de palhaços se apresentando no circo, em que invariavelmente um ameaça chutar o outro com aqueles sapatos enormes e pontudos? O que mais a gente pode fazer para eles se mexerem e o país voltar a andar? Já ouviu falar em pó-de-mico? Os Mucunaímas seriam os novos heróis.

Todo dia eles fazem tudo igual, discutem, dão entrevistas, denunciam, são denunciados, escolhem uma gravata e que terno azul marinho ou cinza vão usar para sentar-se à frente das câmeras de tevê que registram seus sonolentos discursos, apartes, cantilenas e escamoteios. São os políticos. Os juízes da Corte Máxima fazem quebra de braço, ora entre si, ora entre os Poderes. O Executivo não executa mais há algum bom tempo – o Dilma 2.0 não chegou nem a começar porque o carro lotado de mentiras já chegou na pista bem avariado e vem sendo trazido aos soluços até aqui, empurrado arrastado, mais de um ano e oito meses depois.

Parece que estamos vivendo uma ficção, mas o problema é que é bem real. Não é Macondo, mesmo com tantas cenas surrealistas se repetindo diante de nossos olhos, entre elas esses dias ver a criação de um governo fictício para ser como o macaco quando fura o pneu do carro. Muito louco. Saem os supostos suspeitos. Entram os supostos governantes no pretérito do Futuro, num pretérito perfeito. Não tem poesia. O que se vê é muita gente criando novelas, acreditando em suas próprias mentiras, e se enrolando e tentando enrolar mais gente. São vistos por aí falando a palavra golpe, o que os torna fáceis de serem identificados, muitos do bem, que não gostam muito de mudanças bruscas e querem sempre ficar do lado mais combativo, onde ficam fazendo “aspas” no ar com os dedos; tudo é golpe; golpe daqui – golpe dali.

Esses aí são combatidos, de outro lado, por outros que parecem saídos de contos do terror, zumbis também. Passam dia e noite falando que tudo é comunismo, esquerdopatia, petralhice e divulgando textos raivosos com informações questionáveis.

Virou guerra boba, de criança. Com bonequinhos infláveis e balões e patinhos. Um cospe no outro. O outro e a outra vão para o meio da avenida cuspir e fazer xixi e cocô na fotografia. Juntam dez para fazer fumaça e parar estradas, ameaçam rebolar e pôr para quebrar. Assim, inflamam mais ainda os que acham que vacina de HPV incentiva as meninas ao sexo, são capazes de acreditar que homossexualismo pode ser ensinado nas escolas, embutido nas cabeças, transportado em cartilhas, e desenterram o que de mais torpe esse país já teve, uma ditadura, tortura, mortes e seus agentes. Saíram da cozinha onde estavam a pueril coxinha e a popular mortadela. Agora estão todos no banheiro.

Tudo isso é o que dá mais combustível para os extremos. De um lado e de outro.

E nós? Os que seguram essas pontas? Os que estão tentando andar num país parado, vender algo no país que não tem dinheiro, comprar comida ao menos? Os que não tem nada a ver com isso e que, engolfados, são os maiores prejudicados? Os já onze milhões de desempregados, milhares de doentes sem remédios nem eira, nem beira, nem maca, as crianças microcefálicas atingidas por mosquitos e toda uma série que forma a que será, seja para quem for, como for, a herança maldita.

Tenho repetido o que me parece muito claro. O atual governo está sendo derrubado.

Não caiu ainda; está caindo. Tanto não é golpe que tem essa demora toda, porque está todo mundo – ou pelo menos a maioria que quer o seu fim- pisando em ovos, buscando fazer tudo certinho, ler até as letras pequenininhas. No momento se julgam as tais pedaladas, os fatos específicos que para a grande população pouco importam, se é isso ou se é por causa do cabelo dela. Não somos um país com tradição e conhecimento político, e teremos essa certeza quando o voto não for obrigatório. O que digo é que a maioria já está ficando de saco cheio da demora, de ouvir a mesma coisa, de todo dia conhecer um bandido novo e a situação ficar sempre mais alarmante. Querem, como disse no começo, dar um chute em alguns traseiros, jogar pó-de-mico onde esses caras passam para ver eles se coçarem.

Querem que se cocem, no sentido figurado, ou seja, que saiam andando do poder o mais rápido, enquanto ainda podemos agir e voltar para um bom caminho.

Momento informação: o pó de mico vem de uma planta chamada Mucuna ou mucunã com pelos que soltam uma enzima urticante chamada, vejam só, mucunaíma, e que dizem também ser excelente contra vermes.

Seríamos então um novo vetor popular nacional: seríamos todos temidos Mucunaímas.

Marli Gonçalves, jornalista Precisaram tantos anos de vida para só agora entender porque tantas pessoas se apegam tanto a Deus, seja ele brasileiro ou não. Só Ele mesmo talvez possa nos ajudar. É pelo menos o único em quem podemos confiar.

SP, MAIO 2016

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STF pode analisar direito ao aborto em casos de microcefalia. Mulher precisa ter o direito de decidir.

gravida andaUFA!

QUE O ASSUNTO FINALMENTE ESTÁ SENDO DISCUTIDO!

(NÃO, NÃO SERÁ OBRIGATÓRIO. MAS A MULHER TEM DE TER O DIREITO DE DECIDIR)

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FONTE: AGÊNCIA PATRICIA GALVÃO

Grupo prepara ação no STF por aborto em casos de microcefalia
(BBC Brasil, 28/01/2016)

gravidona

Debora Diniz afirma que interrupção de gestações seria parte de uma ação maior focada ‘na garantia de direitos das mulheres’

O grupo de advogados, acadêmicos e ativistas que articulou a discussão sobre aborto de fetos anencéfalos no Supremo Tribunal Federal, acatada em 2012, prepara uma ação similar para pedir à Suprema Corte o direito ao aborto em gestações de bebês com microcefalia.

À frente da ação, que deve ser entregue aos ministros em até dois meses, está a antropóloga Debora Diniz, do instituto de bioética Anis, que recebeu a BBC Brasil em seu escritório em Brasília. “Somos uma organização que já fez isso antes. E conseguiu. Estamos plenamente inspiradas para repetir, sabendo que vamos enfrentar todas as dificuldades judiciais e burocráticas que enfrentamos da primeira vez.”

Ela se refere à lentidão do processo – o pedido de avaliação dos abortos para fetos anencéfalos foi feito pela Anis em 2004 e aceito pelos ministros, por 8 votos a 2, em 2012. Mas também às barreiras morais e religiosas levantadas por grupos organizados, igrejas e parte da população.

“Em 2004 não havia uma epidemia nem havia um vetor (como o mosquito Aedes aegypti). Agora ambos existem e isso torna a necessidade de providências mais urgente”, diz.
“Por outro lado, na anencefalia os bebês não nascem vivos e assim escapávamos de um debate moral. Hoje, sabemos que a microcefalia típica é um mal incurável, irreversível, mas o bebê sobrevive (na maioria dos casos)”, afirma. “Portanto trata-se do aborto propriamente dito e isso enfrenta resistência.”

Em entrevista exclusiva à BBC Brasil e ao programa Newsnight, da BBC, Diniz diz que a interrupção de gestações é só um dos pontos de uma ação maior, focada na “garantia de direitos das mulheres, principalmente na saúde”.

Na argumentação que apresentará ao STF, o Estado é apresentado como “responsável pela epidemia de zika”, por não ter erradicado o mosquito. Nesse caso, constitucionalmente, as mulheres não poderiam ser “penalizadas pelas consequências de políticas públicas falhas”, entre elas a microcefalia. Portanto, “deveriam ter direito à escolha do aborto legal”, entre outras iniciativas.

Atualmente, a legislação brasileira só permite o aborto em casos de estupro, risco de vida da mulher e quando o feto é anencéfalo. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em dezembro do ano passado, 67% dos brasileiros são favoráveis à manutenção da lei. Outros 16% acreditam que o aborto deve ser permitido em outros casos e 11% acreditam que a prática deveria deixar de ser crime em qualquer ocasião.

Argumentos

Os principais eixos do documento que está sendo preparado, segundo a BBC Brasil apurou, cobram ações de vigilância sanitária para erradicar definitivamente o mosquito, políticas públicas de direitos sexuais e reprodutivos para mulheres (contraceptivos, pré-natal frequente e aborto) e ações que garantam a inclusão social de crianças com deficiência ou má-formação por conta da doença.

A microcefalia impede o crescimento normal do crânio durante a gravidez e há 3.448 casos suspeitos sob investigação pelo Ministério da Saúde no Brasil. A doença vem sendo associada ao zika vírus, que já se espalha por mais de 20 países nas Américas.

“Nós vivemos uma situação de epidemia e não podemos ter um ministro que diz ‘nós perdemos a guerra contra o mosquito’ (em referência a declaração do ministro da Saúde, Marcelo Castro). Não, a guerra tem que ser ganha. Essa responsabilidade não é da mulher. Isso é negligência do Estado e gera uma responsabilidade do Estado”, afirma Diniz, também professora na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília.

O documento que está sendo preparado deve argumentar que a ilegalidade do aborto e a falta de políticas de erradicação do Aedes ferem a Constituição Federal em dois pontos: direito à saúde e direito à seguridade social.

A argumentação deve ainda destacar a vulnerabilidade específica de mulheres pobres – já que a epidemia ainda se concentra em áreas carentes do país, especialmente no Nordeste.
“É preciso garantir a todas as mulheres, e não só às que têm acesso a serviços de saúde ou podem pagar um aborto ilegal”, diz Debora. “Autorizar o aborto não é levar as mulheres a fazê-lo. Quem tem dinheiro e quer já faz. Justamente quem tem mais necessidade não pode ser privado do direito de escolher sobre a própria vida”, afirma.

Anencefalia
Em 2004, o grupo de Diniz ingressou no STF como uma arguição de descumprimento de preceito fundamental para discutir no Supremo o que via como violações à Constituição pela não autorização do aborto em caso de fetos anencéfalos.

Oito anos depois, a corte determinou que nem mulheres, nem profissionais que realizam abortos nessa condição podem ser punidos. Essa foi a primeira vez na história em que o STF tomou decisão sobre saúde e direitos reprodutivos.

gravidinha

Ricardo Senra
Enviado especial da BBC Brasil a Brasília

 

Observação interessante. Da Coluna Radar, Veja online. Sobre o aborto e a opinião que pode mostrar a realidade

Como o aborto pode se tornar legal

Lady Justice

Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) não esconde dos colegas que se lhe cair nas mãos um processo qualquer  contra uma mulher acusada do crime de aborto, ele vai se recusar a a puni-la, mesmo que não se trate de caso terapêutico ou resultante de estupro.

Uma decisão dessas, tomada por um ministro do STF, tem força para abrir uma discussão definitiva na corte constitucional, que pode vir redundar na legalização do aborto.

O ministro não acredita que, em caso de legalização, os pronto-socorros do SUS vão ficar mais sobrecarregados do que já estão. Diz ele: “As complicações médicas advindas do aborto ilegal levam muitas mulheres a procurar o SUS, mas isso não aparece nas estatísticas”.

Da redação

Uma cadeira: agora entendi a absurda vontade de Fachin de ir para o STF, a ponto de – ao meu ver – perder um pouco até de dignidade no caminho. Para ela poder ficar vazia uns dias do ano

Chair4Cadeiras vazias

Mello: críticas às cadeiras vazias

Marco Aurélio Mello analisou outro dia numa conversa a razão por trás das sucessivas faltas e atrasos de seus colegas ao colegiado do STF, resultando até em cancelamentos de sessões (leia mais aqui).

Disse Mello:

– As cadeiras vagas são uma constante. É falta de envergadura à cadeira. É falta de senso de compenetração.

Mello tem se incomodado especialmente com as viagens internacionais de Dias Toffoli pelo TSE.

FONTE – COLUNA RADAR – Por Lauro Jardimarg-cat-on-chair-128x128-url

Sobre o Ministro indicado para o STF. Olhe aí que beleza, como ele gosta da presidente. Pediu voto por ela, por ele e por amigos. Assiste só.

judge6Com vocês, Luiz Edson Fachin, o indicado para a vaga de Joaquim Barbosa no STF – Supremo Tribunal Federal