#ADEHOJE – VENEZUELA, CARNAVAL, LOUCURA

#ADEHOJE – VENEZUELA, CARNAVAL, LOUCURA

 

SÓ UM MINUTO – Não sei se vocês estão se sentindo assim- divididos. Ao mesmo tempo, o que podemos fazer, a não ser torcer muito para que as coisas derem certo? A situação nas fronteiras da Venezuela estão bem tensas, não se sabe ainda como chegará a ajuda humanitária. Já houve confrontos ontem, que deixaram mortos e feridos, e hoje já há manifestações violentas. Bem, as ruas de São Paulo estão tomadas pelos blocos e vou sair para ver os que passarem pelo centro, que são mais diversificados. Como diria aquele ditado, um olho no peixe; outro no gato. Uma na Venezuela; outro no Carnaval. Não sabemos mais nem se podemos ficar alegres.

#ADEHOJE, #ADODIA – TRISTEZAS E INSEGURANÇAS

#ADEHOJE, #ADODIA – TRISTEZAS E INSEGURANÇAS

SÓ UM MINUTO – Que momento triste! Com a gente pode até opinar? Não há qualquer graça ou humor nos fatos que presenciamos. Apenas angústia, tristeza e a verificação de como o país está, infelizmente, em frangalhos e tão frágil. No momento em que gravo já passam de mais de 6 horas a cirurgia de Jair Bolsonaro para a retirada da bolsa de colostomia, no Hospital Albert Einstein. Os médicos haviam dito que em três horas, tudo ficaria bem. Estou bem cansada de tantas mentiras. Tomara que não haja intercorrências. Quanto a Brumadinho, parecemos caipiras esperando os gringos virem ajudar, como se fosse possível resgatar os mais de 300 desaparecidos atolados em 15, 20 metros de lama tóxica. Que os fantasmas puxem os pés deles, dos culpados. Eternamente.

#ADEHOJE – O PAI VIAJOU. FILHO ENROLADO FICA PULANDO MIUDINHO

#ADEHOJE – O PAI VIAJOU. FILHO ENROLADO FICA PULANDO MIUDINHO

 

SÓ UM MINUTO – O presidente Jair Bolsonaro já está na Suíça para o Fórum Econômico, em Davos, um dos mais importantes encontros internacionais, e que abre chance para o Brasil ser visto e reconhecido como player no cenário. Bolsonaro deverá fazer amanhã, terça, 22, um discurso que se espera positivo. Nós rezaremos para que assim seja. Ele falará em defesa da democracia e das reformas por aqui; dirá que o país está aberto a investimentos. Deverá citar a participação brasileira na ajuda à Venezuela, contra Maduro, considerado agora como presidente ilegítimo. Sergio Moro, o paladino da Justiça, e o Paulo Guedes, o super super ministro da Economia estão por lá para apoiar.

Enquanto isso o Filho do Capitão, Flávio Bolsonaro, fica por aqui pulando miudinho tentando explicar movimentações financeiras milionárias em suas contas bancárias e que cada dia parece mais enrolado.

IMAGEM ABERTURA; PRESIDENTE JAIR BOLSONARO COM O FILHO QUE LEVOU JUNTO, EDUARDO BOLSONARO, NA PORTA DO AVIÃO, INDO PRA DAVOS, SUIÇA


ARTIGO – Bola rolando solta. Por enquanto. Por Marli Gonçalves

 E a gente esperando gols. Pode até ser que em algum campo lá da Rússia ainda saiam alguns, mas aqui na terrinha, quanto mais o tempo passa, maior fica a aflição de como definir qual seleção entrará no campo político ano que vem.

 

 Toda hora lemos o resultado de alguma dessas pesquisas “geniais”, que viram pano para manga para as discussões estéreis. As mais cotadas são sempre as que falam dos candidatos que estariam na frente. O engraçado é que sempre aparece aquele,  o que já foi, mas não é, não poderá ser, e que anda preso. Seguido pelo outro, a ameaça, verdadeiro terrorismo, o contraponto, aquele sem noção que – sabe-se Deus, literalmente, em quais alianças se fia – está nessa disputa sem ter feito até agora nada que preste em seus, anote, sete mandatos na Câmara Federal, esquecendo o tempo em que “nasceu” como vereador no Triste Rio. Sete! Sete vezes quatro, igual a 28 anos. Nada. Só sandices.

Tenho a impressão que as pessoas estão mesmo muito doidas, querendo jogar tudo para cima, bem pro alto, que se exploda tudo, se é que me entendem, que não posso usar termos chulos. O que dá pesquisas que mostram que 62% dos jovens querem deixar o país. Se querer fosse poder, ah, também quero. Mais, eu mesma tenho exemplos de amigos que ultrapassaram os 60 e não só queriam como já estão lá, morando fora, o que exige uma coragem superior em muito à dos jovens.

O perigo é maior entre os que se dizem desinteressados, que escutam o galo cantar soluções bruscas em obviedades e nelas acreditam.  Violência? Bala neles. E aí vemos como normais as balas agora vindo até de cima, dos helicópteros, oficiais, sangrando e matando crianças a caminho da escola? Fora a hipócrita e mascarada reação moralista ao avanço da sociedade civil em questões da natureza humana que jamais serão brecadas; eles podem achar que sim, que há “cura”, que a moral deles é que é a boa. Não, queridos, essas partidas vocês perderam. Sinto muito. Olhem para os lados.

Mesmo entre pessoas de nível médio, cansadas do dia a dia de revelações sobre corrupção, roubos, e às voltas com uma difícil sobrevivência como estamos em tempos de crise, o desatino é grande. Como se pudessem se livrar das responsabilidades. Quem fala mais grosso, acham, pode nos ajudar, como se assim fosse, acima da lei, da organização social, da geopolítica. E, principalmente, acima do bom senso que parece estar proibido de entrar nessa partida. Nossa sociedade mal preparada, uma ampla maioria sem informação, sem estudos, sem compreensão dos fatos,  pode nos levar, sim, mas a um desastre ainda maior e de difícil conserto. Agora, as tais pesquisas apontam que o placar final poderá ser decidido por mulheres de baixa renda.

Às vezes também acho que essas verificações de opinião, dependendo do momento, podem produzir o paradoxo: fake news verdadeiras. Correm para onde o vento sopra, mas com um ventilador ligado. Fico impressionada com a falta de qualidade dos questionários – verifiquei isso todas as vezes em que fui “pega” para responder algum deles. Os de faculdade, então, em geral são totalmente embandeirados, e os pesquisadores jogam cumprindo tabela.

No meio do campo, a bagunça é geral. As divididas, então, nos deixam mais caídos que o Neymar. Porque se antes eram duas, agora as torcidas estão esfaceladas e pior: mais rachadas no campo dos gols possíveis, ao centro e à esquerda.

Quer saber? A bola está rolando mesmo muito solta por enquanto. O que preocupa, se não poderá ocorrer o pior. Uma vitória por W.O. – já que estamos tão preocupados com futebol.

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Marli Gonçalves, jornalista – Estou aqui fazendo aquele sinal que pede o tal árbitro de vídeo, o quadrado riscado no ar. Quero ver o que vai acontecer quando a campanha começar de verdade na tevê.

marli@brickmann.com.br  e   marligo@uol.com.br

Brasil, 2018

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ARTIGO – Um grito parado no ar. Por Marli Gonçalves

getoutUm, não. Vários, muitos, um monte, entalados alguns deles. A boca seca, olho arregalado, o coração inquieto, descompassado, certa aflição, aquela inquietude de nada estar bom, nem lugar algum ser exatamente confortável, vontade de ter o dom da previsão. Só parará quando gritarmos Gol! Só que outros gritos e gritas gerais e danadas também virão, especialmente se a bola não entrar na rede tanta vezes quanto necessário

Gritos qugritando na tribunae se somarão a todos os tipos e formas de protestos dos últimos tempos, tão variados, diários e constantes que parece algo, um pote. Destampado, uma vez iniciado o que expele, não acabará tão cedo o vazamento. Temo especialmente que seja feita, inclusive, qualquer tentativa de tampar esse pote, sufocar esses outros gritos. Que Deus não permita isso nem em leis, nem em golpes, nem em palmadas ou pancadarias.

Fico ouvindo o povo comentar que não vai torcer pelo Brasil, ou que vai torcer contra e acho engraçado como as pessoas mentem sem nem saber mentir direito. Claro que vai se esticar para ver – nem que seja o rabicho do olho, de esgueira. Ou vai sumir para alguma caverna, fazer uma viagem de submarino, meditar no Tibete, uma vez que a Copa é do mundo, e esse mundo todo é bem chegado ao futebol. O que faz tão difícil apenas concluir que o problema é a Copa, desta vez, ser aqui? E que a maioria de nós, infelizmente, só notou agora a burraldice de termos nos candidatado como misses nesse concurso. Acabamos ganhando a faixa, com nossas belezas e gingar. Acostumamos há décadas a torcer, sim, muito, mas com outros pagando a conta geral, e nós, apenas convidados.huge.2.10733

A conjunção astral, no entanto, não está para peixe, nem para tatu-bola, bolinha ou fuleco. A econômica, então, nem se fala. Só pode ser sentida e vocês sabem bem onde o sapato de cada um vem apertando o calo. Os nervos estão tão à flor da pele que até astrólogo, se prever algo de que “eles” não gostem, acaba massacrado pelo rolo compressor que está montado, especialmente na internet, com argumentos assustadores para tentar justificar o nó que aparece no bordado, o macaco caindo do galho.

Essa semana mesmo, depois de passar algumas horas sem saber de alguns protestos por perto, já ia reclamar. Não deu tempo. Soube do protesto dos PMs? Sim, dos PMS, dos policiais, quem diria. E greves? Só falta mesmo as mulheres promoverem a greve dos sexos. Tem só uma greve que tenho certeza que não ocorrerá, porque a categoria ganhou um trauma e tanto no fim da década de 70: jornalistas. Esses (nós) não param. Nem para protestar contra esses seus sindicatos e federações literalmente infestados, inCUTizados. A coisa está preta, e devia estar verde e amarela.

grito de torcidaNão sei explicar com palavras exatas, mas você aí sabe muito bem do que estou falando, mesmo que esteja do lado de lá, e eu tenho muitos amigos queridos e todos bem inteligentes para admitir, mesmo que intimamente, que as coisas vão mal. Aliás, de mal a pior. Não é preciso nomear ninguém, nem acusar, está geral, no ar, intestina, desconfortável, perigosamente chato, triste, e o que não combina com a gente. Piora com as notícias de desemprego, paralisação da economia e, agora, com o índice do IBGE que demonstra que mais de 40 % da população não trabalha mais. É o efeito bolsas. Fiquei pasma e vou repetir: Mais de 40% não trabalha, não quer. Mulheres agora ficam em casa cuidando de filhos porque é mais econômico. Vivi para ver. Depois de tanta luta pelo mercado, pelo respeito. É desanimador.

brazilW_animadogrito de torcidaNão adianta vir e tentar criar paraísos artificiais com propaganda. Viram o filme publicitário federal vendendo, ou melhor, tentando comprar a nossa alegria? Coisa mais falsa só peitos de silicone e promessas de candidatos. Quando a alegria, no país do futebol, precisa ser incentivada… Ah, foi aí que tive a certeza. Pensava que o fato de ver no máximo umas cinco bandeiras por dia em janelas ou carros, era apenas falta de tempo do pessoal. Aqui em São Paulo, a coisa está tão silenciosa que até churrasco estão oferecendo para premiar ruas que se enfeitarem. Oficial, coisa de Prefeitura. Como diz uma amiga, picanha pode? Não é crime eleitoral?

grito cavernaAndei pelas ruas e, claro, vendo vitrines e lojas, que é bom bater pernas e sou mulherzinha. É visível o encalhe, pelo menos até esse momento, dos itens Kit torcedor. Em compensação, há vários meses observo um crescente “chegar” de estrangeiros que não vieram para Copa, não, não senhor! Estão vivendo aqui, pagando em dólar, e temo informar ao mercado que muitos vêm com maior preparo, buscam colocação profissional e dependendo do setor parecem mais bonitos aos olhos dos empregadores. Em quarteirões é possível ouvir o inglês, o francês, o alemão, o chinês, o coreano, línguas africanas. Tenho ouvido conversas em árabe, assim como está extraordinariamente alto o número de muçulmanas com seus véus e puxando seus filhinhos. Uma nova onda de imigração.cheerleader_0035

Gianfrancesco Guarnieri, a quem homenageio com esse título, botou um grito parado no ar nos palcos exemplificando aqueles momentos duros, 40 anos atrás. Nós poderemos emitir esse grito este ano de diversas formas.

Uma delas gritando GOL! As outras formas, bem, você sabe. Mas é preciso se esforçar e gritar, para que a voz saia bem clara e a mais uníssona possível, pedindo união, paz, verdade, humildade e revisão de erros, crescimento e, fundamentalmente, um futuro campeão.

A bola já está quicando na área.

São Paulo, ainda cinza, 2014bocafalanteMarli Gonçalves é jornalista Deseja a todos muita alegria, muitos gritos contentes e ainda espera ver um monte de bandeiras sendo agitadas – aquelas cheias de estrelinhas onde está escrito Ordem e Progresso.

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