ARTIGO – Como é o seu candidato ideal? Por Marli Gonçalves

Como é a pessoa em quem você votaria de olhos fechados, sairia feliz para votar até debaixo de chuva e frio, como se diz, ou até debaixo de facas, não temeria a pandemia e voltaria para casa orgulhoso por ter praticado a cidadania em sua melhor forma? Ela existe?

candidato

Mulher? Homem? Alguma causa social a ser defendida? Você se importa com o partido ao qual pertencem? É que temos tantos (33) que é até bem confuso, porque pouco eles se diferenciam entre si, sejam de centro, esquerda, direita, direções que cada vez mais apontá-las se torna indiferente nessa nova sociologia que enfrentamos. Existem tantos porque tem uma torneirinha que vaza nosso dinheiro para cada um deles.

Essa semana pensei muito nisso. Passamos por seis horas de imersão no tema eleições e marketing político, em curso online do jornalista e um dos experts no assunto, Carlos Brickmann. Foram seis horas, duas horas em três dias. Interessante pensar nos variados aspectos eleitorais pelo menos um pouco antes, e, especialmente, neste ano tão cheio de surpresas, mudanças, medo. Além da premente e visível necessidade de renovação e mudança. Tempo muito curto. Piscou, e vai chegar o dia, um domingo, 15 de novembro, primeiro turno; e onde houver segundo turno será 29 de novembro, apenas 14 dias depois.

Como será a presença? Terá forte abstenção? Vacina, até lá, desistam. A eleição atual será de âmbito municipal, prefeitos e vereadores, tudo o que é mais perto da gente, de onde moramos, vivemos, transitamos. A “outra”, nacional, federal e  estadual, tão esperada por grande parte da população que não sabe nem como é que chegaremos lá, tão destroçados que já estamos, só em 2022. Você seria a favor de que todas as eleições fossem unificadas? Gostaria que esta tivesse sido adiada? Você vai votar?

O tempo curto: a campanha começa oficialmente só no próximo dia 27 de setembro. Imagino que já deve ter recebido aceno de algum amigo ou conhecido que será candidato, com quem você há anos não falava e já esteja percebendo a candura e “saquinhos de bondades” de alguns prefeitos que adorariam se reeleger. Acredito ainda que já perceba de repente até algumas máquinas na pista e homens trabalhando em locais onde eram esperados já há algum tempo.

Nas nossas conversas sobre o assunto, na qual participaram pessoas de todas as regiões do país, percebemos a chegada de vários candidatos bem intencionados, que vão tentar serem eleitos para buscar contribuir com seus conhecimentos. Embora pelas Câmaras passem todos os assuntos, seria muito bom se nelas houvesse conhecimento mais preciso sobre temas como Saúde, Educação, Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano, Segurança Pública. Mas também é fundamental, muito especialmente, que a Câmara seja composta de forma diversificada e que atente também a temas comportamentais, como as questões de gênero, raça, entre outras que nos são tão caras e sempre tão esquecidas ou deixadas de lado.  Pense bem nisso quando for votar.

Na questão feminina, pela qual tenho especial apreço, pensa na importância de termos mais mulheres nos parlamentos. Não só pela luta pela igualdade, mas pelos aspectos que tanto nos afligem, e só a nós, que precisam ser consertados ou resgatados, inclusive em relação ao respeito aos direitos conquistados e nos tantos que ainda faltam. Cuidado com essa questão de cotas, onde muitas são postas apenas como números. Procure as que realmente fazem a diferença. É a hora das lideranças comunitárias, daquelas que há muito tempo guerreiam, sejam de qual idade forem. O mesmo para as questões LGBTs.

No curso, interessante, se concluiu que o povo vota por emoção, mas não gosta de quem ataca os adversários, especialmente se esse ataque for abaixo da linha da cintura. Agora não é hora de acirrar ainda mais essa divisão nacional, bolsonaristas, lulistas, etc… – mas, sim, hora – e oportunidade – de dissipá-las, em prol de uma união nacional. Vote em quem fala a verdade, aliás, quem sempre falou, porque nessa hora o que tem de gente esquecendo o que disse, o que escreveu, o que já prometeu e não cumpriu, não é brincadeira.

Se eu pudesse pedir voto, apenas diria: vote contra a ignorância que precisamos conter, com tanta força. Fique atento às notícias, promessas e informações falsas, a arma dos incompetentes. Muitas coisas talvez não dê para falar pessoalmente, nesse ano o contato será muito “digital”, com máscaras. Não se deixe enganar por quem é capaz de levantar, sem perceber, um anão, pensando ser uma criança. Esqueça a política antiga e, já que essa chegará em grande parte por redes sociais, utilize esse mesmo campo com consciência, seja para apoiar, seja para incrementar com os temas que farão a diferença nesse futuro ainda tão incerto que vivemos.

Ah, me conta, por favor, se puder, como é o seu candidato/candidata ideal? Não é de hoje que me dedico a tentar entender este país.

______________________________________________

MARLI GONÇALVES Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

_______________________________________________________________

 (se republicar, por favor, se possível, mantenha esses links):
Instagram: https://www.instagram.com/marligo/
Blog Marli Gonçalves: www.marligo.wordpress.com
No Facebook: https://www.facebook.com/marli.goncalves
No Twitter: https://twitter.com/MarliGo

ARTIGO – Carta às 77.649.568 eleitoras brasileiras. Por Marli Gonçalves

Mais precisamente às 77 milhões, 649 mil, 569 eleitoras, contando comigo, que estou e estarei bastante atenta às questões relacionadas às mulheres e a outras que poderemos influenciar muito com o nosso voto, agora em 2020, e em todas as eleições para as quais as brasileiras forem chamadas a opinar; e somos maioria. O voto é uma arma, pacífica. Precisamos usá-la. Por nós, mulheres, pelas nossas famílias, por todos os brasileiros, por um futuro mais digno.

ELEITORAS

Prezadas,

Vejam que estamos em 2020 e ainda não somos respeitadas e nem representadas na medida em que somos a maioria da população brasileira. Nem nos cargos legislativos, nem em outros, incluindo Executivo, Judiciário e, ainda, nem na sociedade, nem dentro de empresas, ou no comando, nem no respeito. A população brasileira é composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres. (Dados IBGE/ PNAD Contínua/2019). Em termos eleitorais, somos 52,49% do total; os homens, 47,48% do total. (TSE/2020). Podemos ser a decisão, pela melhoria para todos.

Acredita? Por aqui, por exemplo, as mulheres compõem apenas 10,5% do conjunto de deputados federais. E de um total de 192 países, o Brasil ocupa a 152ª posição no ranking de representatividade feminina na Câmara dos Deputados, ficando até atrás de países como o Senegal, Etiópia e Equador.

A eleição deste ano, para prefeitos e vereadores, é aquela que está mais perto de nós, de nossa ação. É a que cuida de nossa região, onde vivemos e onde passamos nossas vidas, onde está a nossa casa, as mesmas casas onde um número absurdo de mulheres continuam sendo assassinadas por seus companheiros e ex-companheiros, e onde a proteção policial e as promessas de proteção ou garantias não têm passado em geral de apenas promessas. Você está vendo isso, não? Sentindo na própria pele, talvez?

São Paulo, por exemplo, registrou 87 mortes por feminicídio apenas no primeiro semestre de 2020. O maior número de casos desde a criação, em 2015, da lei que especifica o crime – é o homicídio praticado contra a mulher em decorrência única e exclusiva do fato da vítima ser mulher (misoginia e menosprezo pela condição feminina ou discriminação de gênero, fatos que também podem envolver violência sexual), ou em decorrência de violência doméstica. No Brasil todo dados preliminares mostram aumento de mais de 22% nesse crime, em relação ao ano passado, que já era absurdo, e apenas contando os primeiros meses do ano. Uma situação ainda claramente mais agravada pela pandemia, quarentena e necessidade de isolamento social, crise econômica, etc.

Esta é apenas uma questão, mais específica. Temos todo um país a resolver, atrasado com relação a tudo, Educação, Saúde, Saneamento, aprimoramento da cidadania. Não é só uma questão de cotas – temos 30% de cotas nas candidaturas, mas sempre manipuladas, usadas para obtenção do Fundo Partidário, com nomes que muitas vezes, usadas como laranjas, nem as próprias mulheres sabem que as colocaram para votação nas chapas partidárias. Anime-se inclusive a se candidatar, vamos!

Junte-se a todas as mulheres do mundo!

Meu apelo é para a consciência; não é reserva de mercado, nem obrigação de votar apenas em mulheres, mas que o façam, participem, votem, e em pessoas sérias, que estejam comprometidas verdadeiramente com a sociedade em geral, sejam de que gênero ou raça forem, idade ou classe social. Será esse comportamento que levará à melhoria das condições, não só na política. Nos fazer ouvidas.

De qualquer forma são as mulheres que sempre têm a maior noção do que todos enfrentamos, fatos tão agravados este ano e que terão ainda ampla repercussão pelos próximos tempos: desemprego, falta de assistência, necessidades especiais e de direito reprodutivo, segurança – as mulheres são sempre as primeiras vítimas. E é cada vez maior o número de nós chefes de família, como principais responsáveis pelo sustento.

Chega de nos contentarmos com migalhas, segundo plano, pequenas conquistas que chegam de forma tão lenta, e que nos são devidas há décadas.

Animated%20Gif%20Women%20(63)Peço encarecidamente que se informem, não acreditem em notícias falsas, pensem com suas próprias cabeças, sejam independentes, respeitem-se entre si, estendam a mão a outras mulheres ampliando nossa ação, explicando como se dá a igualdade de direitos, e quais são esses direitos, que as mulheres, merecidamente, tem até em maior número por conta de sua fisiologia. Estenda a mão e atenda os gritos de socorro ao seu redor.

Vamos parar de achar normal o que não é – e nesse momento nada está normal; estamos vivendo num país perigosamente flertando com o retrocesso em vários campos, e onde até nossas acanhadas conquistas estão em risco, desmerecidas diariamente que vêm sendo.

Chamo você para o nosso encontro mais importante este ano: domingo, 15 de novembro, primeiro turno; e domingo, 29 de novembro, segundo turno, onde houver. Se arrume toda, chama a família, aproveite para arejar as ideias. Pensa bem em quem vai acreditar. Ah, e use máscara, que até lá ainda estaremos em perigo.

Todas nós contamos especialmente com todas nós.

____________________________________

MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

________________________________________________________________________________

ME ENCONTRE, ME SIGA, JUNTOS SOMOS MAIS
 (se republicar, por favor, se possível, mantenha esses links):
Instagram: https://www.instagram.com/marligo/
Blog Marli Gonçalves: www.marligo.wordpress.com
No Facebook: https://www.facebook.com/marli.goncalves
No Twitter: https://twitter.com/MarliGo

ARTIGO – Os normais dias seguintes. Por Marli Gonçalves

 

 À esta altura você já deve ter se dado conta – assim como eu – de como é dura a realidade dos fatos, e que ano após ano a gente acredita que eles vão mudar como mágica à meia noite de um Ano Novo. E assim levamos a vida, dia após dia.

Teve mais uma vez quem pulou sete ondinhas, vestiu branco, saiu carregando uma mala em volta do quarteirão para chamar viagens, comeu lentilhas, chupou caroço de romã. Fora a calcinha, que essa é de praxe. A minha deste ano foi amarela. E a sua? Ah, você usa cuecas? Coloridas? Acredita que já tentei praticamente de todas as cores nessa longa vida? Testei até não usar. Nunca veio, nem o amor da vermelha, nem o dinheiro da amarela, nem…  Esse ano para o ano que vem, andei pensando, vou tentar a verde, da esperança. Qualquer coisa direi que estava lutando pelo meio ambiente, contra o aquecimento global, pela legalização, coisas assim…

 Tem também a de acender velas, tomar passes, oferecer oferendas, de não comer nada que cisca pra trás, e o que mais? Banho de ervas? Roupa nova? Estourou uma champagne, viu a rolha voar, com aquele estampido bom, abraçou e beijou quem estava por perto, e assim foi a tal noite feliz – sempre acho que é essa a Noite Feliz, não a de Natal, sempre mais envolta em tristezas.

Espero que não tenha acreditado na possibilidade de fogos de artifício não terem barulho. Balela! Só o dia que forem apenas virtuais, projetados, e acredite, a gente vai odiar. Nada como vê-los como são, sempre foram, explodindo em cores, formatos – aquele momento, aqueles poucos minutos especiais em que viramos crianças de novo.

Fez lista de decisões? Escreveu ou ficou só na cabeça, na intenção? Aliás, já pensou ou olhou para ela nesses poucos, mas longos dias, que já correram e ocorreram de forma assustadora? Devo perguntar ainda se já desistiu de algum item e sacou que tinha exagerado, exigindo muito de você mesmo. Acontece. A gente se promete cada coisa!

Ano após ano parece que tudo se acelera, e que os efeitos de Ano Novo estão cada vez mais efêmeros. Antes, aliás, costumava-se dizer por aqui que o ano só começava depois do Carnaval, mas já faz algum tempo que isso mudou, creio que desde que a globalização se instalou de vez entre nós, fazendo o país acelerar para não ficar mais trás ainda do que já está. Fica aí esperando, sem fazer nada, trabalha não, pra ver se as coisas caem do céu.

Bem, você também já ter conferido: que eu saiba, não ganhou a tal Mega da Virada. Esse ano, joguei – e eu nunca jogo na loteria, mas a mulher do horóscopo falou que podia ser, que havia propensão, probabilidades. Não custava nada acreditar. Um ponto, e olhe lá, em cada aposta.

Enfim, as rédeas do destino a gente até segura, mas o cavalo empina sempre em mais direções do que a vã consciência pode explicar. Passou a meia-noite, e já na outra meia-noite estávamos preocupados com o luto da guerra, com o que os dirigentes mundiais se divertem, com os botões que apertam, as ordens que gritam, com as bobagens que proferem aos borbotões, isso sim. Descobrimos ou lembramos que não somos os únicos agentes de nossos caminhos, onde inclusive andamos deparando com tantos seres do mal que dá vontade de nem sair de casa e passar o ano é gritando socorro.

Aguenta firme aí, temos mais 50 semanas. E pelo que já vimos, assunto não vai faltar.

________________________________________________

MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

______________________________________

ME ENCONTRE, ME SIGA, JUNTOS SOMOS MAIS
 (se republicar, por favor, se possível, mantenha esses links):
YouTube: https://www.youtube.com/c/MarliGon%C3%A7alvesjornalista
(marligoncalvesjornalista – o ç deixa o link assim)
Instagram: https://www.instagram.com/marligo/
Blog Marli Gonçalves: www.marligo.wordpress.com
Chumbo Gordo (site): www.chumbogordo.com.br
No Facebook: https://www.facebook.com/marli.goncalves
No Twitter: https://twitter.com/MarliGo

#ADEHOJE – Bem pior que uma decepção

#ADEHOJE – Bem pior que uma decepção

SÓ UM MINUTO – Bem pior que uma decepção. Vou usar o título do editorial do Estadão de hoje, porque ele é perfeito ao se tratar do governo que nos governa. Mas o editorial trata só das questões econômicas, as que não entendo bem. Mas entendo de comportamento, educação, saúde, segurança pública, e tenho posição firme com relação a esses temas. Não é coisa de direita ou esquerda. É coisa de respeito com a população. Destruir (mais ainda) a Educação, cortando verbas e fazendo trapalhadas, liberar armas, inclusive para crianças e adolescentes, cancelar radares nas nossas estradas perigosas para agradar caminhoneiros, deixar que esse debate imbecil entre ele, os filhos, os militares prossiga, as falas preconceituosas, decretos autoritários, vaivéns… Muita coisa. Enfim, eu não tinha dúvidas, mas sei que quem nele votou depositava esperanças, e eu estou vendo muitas dessas pessoas inclusive até sendo atingidas pelos raios desencontrados que saem daquela cabeça

#ADEHOJE, #ADODIA – FIM DE ANO É BEM LOUCO

#ADEHOJE, #ADODIA – FIM DE ANO É BEM LOUCO

Chega essa época, estamos cansados, loucos pra ver se vira e se vira algo bom. Hoje nossa conversa é sobre os desejos que as coisas melhorem, progridam e que possamos conversar mais sobre boas notícias. A cor é laranja, porque dela viria sabedoria – daí os monges usarem. Onde estiverem que estejam felizes.

 

ARTIGO – Mergulhe. E volte sempre à tona. Por Marli Gonçalves

 

Talvez chova, talvez faça Sol. As previsões para 2019 são, um pouco como todas as previsões, poços de esperança para a gente mergulhar. O que encontraremos só saberemos vivendo, tentando manter a cabeça fora d`água para respirar. O ruim é que quase sempre tomamos um caldo no caminho

Lembro de pequena – na época era assim, na marra, a tal educação – minha mãe me levar para perder o medo do mar. Praia de José Menino, Santos, São Paulo. Até hoje penso no medo, e o que é pior, na forma com que ela, assim agindo, conseguiu foi me dar mais medo ainda. Num instante, me deu o tal caldo, mergulhou minha cabeça, certamente contra minha vontade. Foi horrível. Aquela água salgada que engoli, mas voltando à tona e reagindo. Levei anos, muitos, para me livrar desse medo, finalmente aprender a nadar, e mesmo assim não costumo me aventurar muito para longe do solo mais seguro, a areia.

Mas fiquei esperta para a vida, as marés, as águas salgadas, os mergulhos, tantos que ao longo da vida todos nós encontramos, e de onde temos de fazer tudo para sair da melhor maneira possível, mesmo que com alguns arranhões. Há um paralelo entre esse fato e tudo o que enfrentamos ano após ano, e que acaba sendo aprendizado de sobrevivência.

SEREIA NADANDOTemos de enfrentar, ir, mergulhar, percorrer, senão como saber? “Se não fui acho que deveria ter ido”; depois pode ser tarde. A vida é imprevisível tanto quanto pode ser. Penso se não é essa angústia que aparece nessa época, de final de ano, entrada de outro.

A gente pensa se vai de roupa nova, qual cor, a cor da calcinha, faz listas de metas e decisões, e revisa o que fez exatamente da mesma forma no final do ano anterior. Se alegra com o que obteve, repete na lista atual o que faltou, acrescenta desafios. Meia noite, uma hora da manhã por aqui nesse horário de verão que muda o tempo, depois de saber que o resto do mundo já chegou no Ano Novo. Corre! Depois de poucos dias, engolidos pela realidade, algumas metas passam a ser de tempos menores, um mês, uma semana, 24 horas. Nadando para alcançar alguma margem segura.

Lá vamos nós. Será um ano de novidades, especialmente pela chegada de um novo governo com muitas pessoas diferentes das habituais, e das quais temos poucas referências, e algumas que temos são bem preocupantes para quem já tomou um caldo. Já teve a cabeça mergulhada. Resta apenas que a gente espere. Mas agora, com mais segurança, com a sabedoria de quem já viveu para ver e até pouco se surpreender com o quanto tudo ainda pode ser possível. Pro bem e pro mal. Mais: com esperança e olhos abertos. Otimismo e olhos abertos. O de sempre e olhos abertos.

Outro dia me toquei que logo entraremos nos Anos 20 deste século, quando há pouco falávamos apenas sobre a história dos Anos 20, 30 do século anterior, sobre aquelas conquistas, os comportamentos, as guerras, a arte. Como passa rápido a existência!

Vamos a ela.

Que os próximos trezentos e tantos dias sejam de Paz, boas notícias, que não percamos nunca a força de enfrentar a maré e voltar à tona. Inclusive fazendo ondas, inventando modas e nos reinventando.

ANIMERMERMAID

_____________________

Marli Gonçalves, jornalista – Um beijo em cada um, e a certeza de que estaremos juntos acompanhando o horizonte.

São Paulo, do futuro, e do passado e do presente, 19

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

ME ENCONTRE (se republicar, por favor, mantenha esses links):
https://www.youtube.com/c/MarliGon%C3%A7alvesjornalista
(marligoncalvesjornalista – o ç deixa o link assim)
https://www.facebook.com/BlogMarliGoncalves/
https://www.instagram.com/marligo/?hl=pt-br
www.chumbogordo.com.br
https://marligo.wordpress.com

#ADEHOJE, #ADODIA – DIREITOS HUMANOS: O GRANDE MOTE E PREOCUPAÇÃO EM 2019

#ADEHOJE, #ADODIA – DIREITOS HUMANOS: O GRANDE MOTE E PREOCUPAÇÃO EM 2019

MULHERES: ABUSOS DE JOÃO DE DEUS, MORTES VIOLENTAS, DESRESPEITO… A gente tem de cuidar de tanta coisa nessa sociedade que vivemos! Homofobia, misoginia, preconceito racial, social, abusos de toda sorte. A preocupação com os Direitos Humanos será um grande mote em 2019. Terminamos mal o ano, com mulheres mortas a machadadas, atiradas de sacadas, perseguidas, aprisionadas, vivendo e convivendo com o medo. Por outro lado, um novo governo que arrepia quando comenta esses fatos, que demonstra pouco apreço às conquistas nessa área e que, ao que parece, será combatido com muita força nesse campo, por quem é do bem. Para quem lê as mensagens deles: presta atenção em cada palavra. São ameaçadoras à liberdade individual. Para eles, família é só o que conseguem tradicionalmente ver.

_______________________

#ADEHOJE, #ADODIA – FELIZ NATAL, COM SAÚDE, AMOR E ALEGRIA

#ADEHOJE, #ADODIA – FELIZ NATAL, COM SAÚDE, AMOR E ALEGRIA

 

 

Não tenho gorro de Papai Noel, mas trouxe meus dois amigos para me ajudar a desejar a todos um Natal de luz, alegria, paz, e os melhores desejos de que resolvamos todas as pendengas que nos atazanam. Espero que possamos continuar juntos e que as notícias nos tragam esperanças de um Brasil melhor e solidário. Não se perca de mim.

ARTIGO – Comunicação do além, para além de nós. Por Marli Gonçalves

Entre as coisas que vêm mudando com rapidez assustadora está a comunicação. Total. Entre as pessoas, entre elas, para elas, e até com os astrais superiores. As autoridades também andam inovando, mas pensa: eliminam intermediários muito mais apenas para não serem contrariados.

Começou com aquela tal vela automática, eletrônica, nas igrejas, aquela da luzinha que acende quando você põe a moeda na máquina. Sempre achei esquisito. Ainda não descobri como andam pagando promessas nas igrejas, aquelas promessas que usavam velas do tamanho das pessoas a serem protegidas. Mas também tem – e aí nem precisa sair de casa ou do celular – dezenas de apps, aplicativos, de promessas, de palavras confortantes, todas as religiões entrando na era digital. Você também pode acender velas pelos sites, fazer pedidos e até rezar o terço. Imagina a capacidade instalada do servidor de Deus! Será que Ele também sofre com a lentidão, com downloads, muito tempo diante da tela? Que equipamentos usará? Será que visualiza as nossas mensagens? Bloqueia, responde correntes? Certeza é que não atende aquelas ordens de “REPASSE SEM DÓ”, geralmente mentiras cabeludas que toda hora querem que a gente passe para a frente, e também deve odiar receber vídeos e áudios sem noção.

Mas não parou aí essa mudança. Logo viveremos só com as nossas telas. O mundo digital causa uma revolução no nosso dia a dia, atinge o relacionamento humano interpessoal. A eleição demonstrou de forma cabal coisas que há pouco nem imaginaríamos ser possíveis.

marvel-s-hawkeye-doing-crazy-superheroine-poses-in-comics-82aba282-b953-4c87-88a5-1f33fafaeb2c

Por exemplo, brigamos com “amigos” que nem conhecemos, nem chegaremos nunca a ser na vida real. Ou nos juntamos a grupos enormes que pensavam como nós, acreditando piamente que fazíamos a diferença, como em um protesto monumental. Concordamos, seguimos, conversamos ou batemos boca com robôs. Aliás, não há como esquecer que agora compramos roupas e várias outras coisas de vendedores virtuais; podem até ter nome, mas não existem. Isso porque não faz muitos anos a gente só reclamava de “não ter gente” que nos atendesse quando telefonávamos para reclamar de alguma empresa. Disque 1 para isso, 2 para aquilo, 440 para nos xingar, e … 9! – Se quiser falar com algum de nossos atendentes, que poderão, claro, deixar a linha cair e você precisar fazer tudo de novo, essa sim uma verdadeira via crucis.

Não por menos agora a moda seja a comunicação de tudo, vai, me diz se não é verdade, de tudo, sendo feita via redes sociais. O Twitter é o predileto dos políticos que anunciam o que bem querem, o que pensam e muitas vezes nem pensam para escrever, o que fazem muitas vezes em alterados estados na madruga…e depois do rolo, correm para apagar. Outra coisa que também é digna de nota: escreveu, não leu, o pau comeu, ou seja, não dá mais para apagar. Em algum canto do planeta alguém copiou, printou, fotografou, guardou, salvou, arquivou e vai esfregar na cara de quem disse que não disse, na primeira hora que for possível. Por enquanto a única saída é alegar que foi hackeado, que teve o computador invadido e as contas usadas.

O novo governo já é especialista nisso, começando pelo presidente eleito e seus replicantes. Jair Bolsonaro anunciou os componentes do governo, debateu, critica quem quer, opina até sobre o que não perguntaram. Ainda. Manipula a informação. Ele é quem pauta, e só, claro, o que lhe interessa. Qualquer hora publicará uma foto pondo a língua para fora ou dando “uma banana” aos jornalistas, a quem vem sobrando apenas correr atrás dos caracteres já publicados, das migalhas. Tudo muito igual o Trump, nos Estados Unidos, que parece mesmo ser o ídolo máximo do nosso novo governante.

Incentivamos com nossa curiosidade. Porque por isso ganham a cada linha, cada foto, cada #hashtag publicada, por livre e espontânea vontade acompanhamos tudo de celebridades e subcelebridades. Sabrina Sato nos fez sentir até a dor do parto de sua primeira filha, Zoe. Novidade mesmo foi essa do João de Deus que, para satisfazer seus desejos e, obviamente, seus problemas de ejaculação precoce, alegava que seu pênis era uma espécie de antena com o além. Só se concentrava, sem precisar de equipamento.

_____________________________________

Marli Gonçalves, jornalista – Desejando tudo de bom a todos e que o ano que vem essa nossa comunicação virtual alcance todos os sinais e que continuemos unidos, na realidade, pelo que melhor e mais nos faça feliz.

Brasil, quase… 2019.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

ME ENCONTRE (se republicar, por favor, mantenha esses links):
https://www.youtube.com/c/MarliGon%C3%A7alvesjornalista
(marligoncalvesjornalista – o ç deixa o link assim)
https://www.facebook.com/BlogMarliGoncalves/
https://www.instagram.com/marligo/?hl=pt-br
www.chumbogordo.com.br
https://marligo.wordpress.com

 

noel

 

ARTIGO – Uma hora dessas. Por Marli Gonçalves

Vapt, você nem percebeu, tão anestesiados que já andamos, mas acabaram de roubar uma hora sua. Dizem que vão devolver lá pelo ano que vem, parece que em fevereiro, depois de o Carnaval passar, mas já não será a mesma hora, acredite.

Puxa, eu sei e consigo entender que tem um monte de gente que adora o tal horário de verão vindo de cima por decreto. Até eu – depois de pelo menos uns três meses – acabo me acostumando e começo a gostar. Mas aí é tarde e logo volta tudo como era antes. Meu reloginho biológico que já não é o mais certinho fica insano.

O dia fica mais longo e se aproveita a claridade – o argumento mais comum para a defesa do roubo que, pior ainda, nós mesmos nos roubamos ajustando os relógios. Justamente por isso, aliás, existe o tal horário de verão, pra não ter de ligar a luz.

Não entendo, contudo, não valer para todo o país, o que dá uma confusão horrorosa de horários e fusos que creio que quem viaja bastante fique bem tonto. Vale para dez Estados e o Distrito Federal. Tá lembrado que para o Amazonas e Acre ficamos, aqui no Sudeste, com 3 horas de diferença? Três horas. A outros, como Roraima e Rondônia, nos adiantamos duas horas. Enquanto eles acordam, pensamos em almoço. Enquanto estamos na happy hour eles estarão ralando. Sacanagem. A Bahia – lembro vagamente, já fez um levante contra a mudança e pelo que vimos conseguiu se livrar, assim como outros do Nordeste.

Brincadeira. Oficialmente, o Brasil se orienta pela Hora de Brasília. Quer saber qual é a hora agora, tem site pra isso. O www.horariodebrasilia.org.br e o www.horadebrasilia.com.

Esse último tem até mais informações. Por exemplo, olha só, o que é que quer dizer quando você olha no relógio e os números das horas e dos minutos coincidem, um prato cheio para os supersticiosos. Exemplos: 00:00 – O pedido que você fizer nessa hora se realizará. 16:16Alguém deseja te beijar. 23:23A pessoa que te ama nunca te trairá. E as horas invertidas: 10:01Quem você ama está com outra pessoa. 23:32Alguém está zombando de você.

Melhor não olhar no relógio para não ficar cabreiro.

Já estamos vivendo uma hora dessas que, quando a gente lembra já dá vontade de arrancar todos os cabelos. De raiva. Fico até encabulada de pensar em tratar de um assunto mais leve do que os que todo dia vêm nos atormentando. Mas pensa o perigo de hora dessas, se eles começam a se sentir muito poderosos, passarem a nos dar ordens assim obrigatórias de seguir! Se mudam o tempo…Vaiqui.

Você sabia que houve um calendário revolucionário francês, criado em 1792, na Revolução Francesa? Era bem louco, anticlerical, e baseava-se no ciclo da natureza. O ano começava em 22 de setembro. Doze meses de 30 dias, três semanas de dez. E os anos tinham nomes bem, digamos, pops. Vindemiário, Brumário, Frimário, Nivoso, Pluvioso, Ventoso, Germinal, Floreal, Prairial, Messidor, Termidor, Frutidor. Isso figurou por lá 13 anos, até que o Napoleão botasse a mãozinha na barriga e voltasse ao calendário gregoriano.

Já pensaram os nossos caras inventando calendários? O dos petistas se basearia no 13 e correria em volta do próprio rabo e do Lula, que consideram o Sol iluminador. O de Temer não teria dia, só noite, para ele se encontrar com quem quiser e não parecer estranho ou vampiro. As horas do Doria seriam mais cronometradas e controladas. As dos outros tucanos ainda serão decididas em alguma reunião de muitas horas que uma hora dessas eles convocarão. Para decidir apenas quando se reunirão.

Hora dessas o que vai acontecer também é que todos eles vão acertar seus reloginhos uns com os outros e nos deixar esperando ansiosamente dia após dia o 10 de novembro de 2018 quando teremos a possibilidade de varrê-los com nossos votos.

_____________

Marli Gonçalves, jornalista – Se esse tempo não chegar, hora dessas jogamos a toalha. Enquanto isso tentarei olhar toda hora o relógio ver se consigo coincidir com 04:04Alguém que está longe pensa em você. Mas vai servir se for 15:51Você vai reencontrar um velho amigo ou 20:02Você encontrará um coisa que pensa que perdeu.

SP, Vindemiário, 2017

____________________________
marligo@uol.com.br
marli@brickmann.com.br
www.brickmann.com.br
www.chumbogordo.com.br
____________________________

ARTIGO – Quero sentar na janelinha. Por Marli Gonçalves

fallwindowAdoro janelas, janelas abertas, vidros por onde se possa ver as coisas e pessoas passarem, a luz do sol, o vento entrar para renovar o ar. Antes de tudo estar atenta, vigilante. O mês de outubro me lembra disso; mas antes de mais nada nos faz desejar que dela, da janelinha, possamos mesmo é avistar mudanças que já não aguentamos mais esperar tanto. Iguais aos apaixonados como quedam esperando seus amores, que disso entendo bem stormwindow

De onde vivo tenho poucos horizontes para esticar os olhos, sobram só umas nesguinhas abertas entre um prédio e outro de São Paulo em sua área central. Mas eu me estico como posso, já que não tem dado para sair volitando por aí, tendo os prazeres de olhar mares infinitos. O binóculo, contudo, fica guardado, desnecessário, já que tudo aparece muito perto, que vem vindo, visível a olho nu, mas tal qual o país, continua inalcançável. Muita coisa a gente vê se aproximando, parece que há uma luz, mas esta nunca chega. Preciso providenciar uma luneta, para pontos mais longínquos; e mais paciência.

Assim está o nosso dia a dia. Literalmente dia após dia, semana após semana, mês após mês vivendo e sobrevivendo nessa reatividade, na dependência de que outros façam movimentos que destravem os nossos próprios passos. É horrível depender. Vendem as almas deles e as nossas nas bacias, desavergonhadamente.

Todos, sempre viajandoO nervoso e a ansiedade que isso dá levam à janelinha. Vontade de avistar perspectivas. Normalmente símbolo de poder – quem senta nela pode mais, e é mais importante – mas até essa premissa já era. Agora na verdade temos é de ficar esperando de camarote, pro bem e pro mal, que os senhores do Poder, dos Poderes, se entendam pelo menos um pouco, em prol de um projeto comum. Depois, que se engalfinhem de novo!

Não é um balde de água fria, mas lembro que muitas vezes costumamos falar quando alguém acha que a solução vai cair do céu: “Puxa a cadeira aí e senta pra não se cansar”. Pelo menos é melhor fazer isso da janelinha, observando os movimentos que diariamente descrevemos em nossos textos, artigos, colunas e crônicas. Com o calor desregulado do planeta talvez ajude, fique mais fresquinho.

Mais uma vez queria poder estar vendo, falando e escrevendo sobre comportamento, sobre as questões femininas, sobre a liberdade que no meio de tudo isso vem sendo gatunada em decisões desses parlamentares de quinta categoria que infelizmente foram parar lá por conta do voto. Mas conhecemos como esse voto foi obtido. Com a mentira. Com a promessa do osso para roer.

arg-flying-by-windows-med-urlÉ muito difícil saber das coisas, ter vivido para ver, ter até condição de prever o que acontecerá sem nem ser vidente. A gente sofre, porque também muitas vezes precisa se calar quando a turba toda corre numa mesma direção. Não poder, da porta para fora, falar o que se pensa mesmo, tudo, de verdade, dá uma gastura e tanto, mas é preciso e estamos num momento assim. Brigar no meio da multidão que está se voltando ou de joelhos para alguma Meca é tragédia anunciada, e nós podemos ser pisoteados.

Por enquanto, meus olhos grandes e atentos vão se distraindo, olhando para o céu, contando passarinhos – qualquer hora um deles pode pousar na minha janela com boas novas.

Se souber de algo antes, aviso vocês.

janela0São Paulo, e agora só faltarão três meses para o Baile do ano fiscal de 2015
  • Marli Gonçalves, jornalista – Voyeur de seu tempo 

Aguarde! Prepare-se. Chumbo Gordo vem aí.

********************************************************************

E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS

Amizade? Estou no Facebook.
Siga-me: @MarliGo

ARTIGO – Já que chegamos até aqui. Por Marli Gonçalves

ani-bb_newyearJá que chegamos até aqui vamos lá! Vamos atravessar a ponte que liga um ano a outro. Pergunto: daria para destruir esse acesso assim que acabarmos de atravessá-lo? Senão, tudo bem, que ele pode até ter sido bom para muita gente. Mas de uma coisa tenho certeza: você já está aí do outro lado se fazendo um monte de promessas, revirando o baú, apelando para todos os santos, pensando em quais rituais, simpatias e antipatias vai produzir para a passagem do ano.

Quem foi que disse que as coisas mudam assim, num passe de mágica, num estalar de dedos, assim que vira o ano, que muda o número? Mas é bom acreditar; faz bem ao espírito tentar se renovar para começar de novo ou terminar o que já vinha sendo feito, inventar alguma pirueta, propor algo para você próprio. Prometer coisas – para si ou para alguém – já não acho muito legal, porque já vem carregado da óbvia culpa do não-cumprir, essazinha mesma que bate agora no fim de ano e dá uma certa ressaca. A auto-cobrança da época é a parte chata. O mais engraçado é que a gente passa a vida nessa, se desafiando até. Nessas horas, agora, nesse vácuo de tempo entre Natal e Ano Novo, nesse último mês do ano, nos voltamos mais para nós mesmos, para esse mundo que carregamos junto, onde vivem os nossos mais livres pensamentos e desejos. Só o espelho nos conhece (ou pensa que nos conhece).homerflexinginmirror

 O legal de escrever é que você encontra com as pessoas – eu e você aí – nas horas mais diferentes, situações especiais e até íntimas. Principalmente pelo meio digital, onde pode ter ativado seu smartphone ou tablet de quase qualquer lugar. Posso estar aí agora. Onde quer que esteja, seja praia, campo, montanhas, pegando ondas bravas ou só fazendo chapchap em alguma piscina. Talvez passeando em alguma metrópole desenvolvida, ou alguma cidade histórica; em um safári ou em algum imenso parque de diversões. Aqui por perto ou muito longe. Pelado ou cheio de roupa para se aquecer de alguma neve que foi cavar. Escrevo para dar um oi. Ver se nos encorajamos juntos nesse 2015.graphics-happy-new-year-295780

 Espero te encontrar com mais saúde, se você acaso está lendo agora, meio mal ou numa beira ou numa cama de hospital. Que recupere as forças, não sofra nem sinta dores, estas pontadas que nos paralisam.
Como eu dizia, já que chegamos até aqui, vambora. Primeiro, aquele “ufa” coletivo, porque a coisa não tá fácil, anda pior que corrida de obstáculos. É violência, má notícia, catástrofe, péssima administração, descalabro político, atentado social, corrupa, corrupinha, corrupona por todo o caminho por onde a gente passa pulando. Estamos vivos.

Então, o que precisamos fazer é melhorar. O que exatamente eu não sei, mas você sabe.

 Tenho aqui minha listinha básica. No geral, listo coisas que, se feitas, e se souberem, vocês se orgulharão de mim – acho que até tenho me saído bem nesse sentido. Mas também tenho desejos de não ser o que sou.
Queria ser camaleão para poder me metamorfosear em determinados momentos, me protegendo de ataques, já que os inimigos não me localizarão e espero que nem em pensamento.

Queria ser vagalume para trazendo a luz em mim atrair a luz de bons olhares. E podem vir esses olhares, que espero gostosos, amorosos e até apaixonados.

Queria ser borboleta para fazer voleios ao seu redor. Ou uma joaninha para alegrar seu olhar e fazer você perder alguns segundos me fazendo passear entre seus dedos, até voar, toda prosa.

 Com tudo isso, só quero mesmo é que não me esqueça se tiver algo legal a dizer. Agradeço sua atenção.

São Paulo, amanhã será outro ano.

joaninhagil3Marli Gonçalves é jornalista – Tentando olhar sempre à frente

********************************************************************

E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS

ARTIGO – Corações partidos. Por Marli Gonçalves

Coeur_qui_batSempre achei superbonito aqueles casais que, para consagrar seus amores, mostram-se amarrados, carregam coisas complementares em pedaços e que, quando juntas, retomam a unidade, completando-se de forma romântica. Feitas de material nobre, as peças podem ser moedas, anéis, chaves,/cadeado, e o coração, este cortado em duas partes com ziguezague que se encaixam perfeitamente. Infelizmente, nesse nosso amor por uma sociedade justa e moderna agora estamos divididos e tão cedo ou dificilmente essas nossas partes se juntarão, nessa ciranda cirandinha. kjvhearti_e0

O anel que tu me deste era vidro e se quebrou… Despedaçou. Quebrados. Cacos. Olha só os mil pedacinhos. Honra, amizade, ética, coerência, inteligência, educação, bom senso, preocupação com o melhor para todos, com o que é relevante, com a liberdade de pensar diferente, com a lógica. Não. O legal é brigar, né? Parecemos aqueles casais que já não se suportam, mas vivem sob o mesmo teto, esquecendo que amanhã a casa – e o teto – será a mesmo, mas por rabugice provocam-se ao limite. Não se falam no café da manhã. Mas de noite fazem as pazes, fazem amor e dizem que assim é muito melhor, que fica mais gostoso e selvagem.

imagesQMSV01QYVamos fazer uma DR? Discutir o relacionamento? Não consigo vislumbrar os próximos dias com exatidão, embora creia que se o casal não se separa de vez acaba convivendo de combinação, se acomodando, que assim fica melhor. Neste teatro, nós somos os filhos, pelos quais em geral os pais garantem que se sacrificam, até descobrirem que isso pouca importância teve para os próprios. Mas como irmãos não conseguiremos assim tão rápido bater palmas, dar as mãos, mandar beijinhos, dançar em roda, todos juntos. A violência e virulência dessa campanha eleitoral, aliás, desse ano todo, desses tempos, de tanta coisa, copa, petrobras, aviões, aeroportos, deixará marcas indeléveis, senão entre pessoas, entre lugares, entre regiões, entre Estados. A mim lembrou tristemente – passa como um filme – as tantas artimanhas que usamos e que passamos para chegar aqui ao regime democrático, afrontado agora com tantos tapas e poucos beijos e o que é pior, por tão poucas diferenças.

Agora quem combatíamos está lá formando o barro, junto com seus velhos amigos. Os mesmos que querem nos convencer que a verdade é una, querendo que fiquemos na mesma cama de casal, que emprestemos nossas escovas para certos bigodes, que a gente sente junto no sofá para ver a novela, de mãos dadas. É quase neurótica a política brasileira, tarja preta, de remédio e de censura. Tirem as crianças da sala. Não é por menos que 35 milhões de brasileiros se abstiveram, ignoraram, se recusaram, simplesmente se recusaram. Acho fato mais grave de todos.

imagesUUNVYQ3STudo parecia dialético, ou um ou outro, sem escalas, como se fossemos laranjas cortadas, mas nem é bom falar muito de laranjas nesse momento,

Batemos bumbo para maluco dançar. Palhaços com maquiagem borrada, nos descabelando por nada. Nos desunimos igualzinho a aqueles casais que brigam porque um deles escutou a maledicência de outras pessoas, estas sim, interessadas em nos separar. Certamente cada um de nós sabe o que é ou passou por isso em sua vida particular, de alguma forma, e isso só trouxe a desgraça, a tristeza, o ódio, o ciúme. O monstro da destruição. Quero ver agora é dissipar a mentira lançada, a insídia infiltrada em quem necessita do apoio social como a própria vida.

Gostaria que tudo fosse verdade. Nesses dias todos nós, bois Garantido ou Caprichoso, convivemos com outros bois, de outras cores, dentro de nossos currais. Ou como marinheiros bêbados, pendendo para a direita demais ou para a esquerda demais, para o radicalismo de lá, de cá. Tudo junto e misturado. Muito esquisito.imagesNBNQGGOL

À frente, teremos revelações, dias duros, mar instável, rios secos. Nada diferente do que tivemos até hoje, mas com gravidade espetacular. Quem falou, tem de provar. Se provar, quem se defende vai ter de sapatear e até ficar rouco para saltar dessa embarcação.

Um novo Brasil será descoberto. E acreditem que vamos ter muita gente nova aportando na praia, tentando nos catequizar. Quem sabe poderemos unir, sei lá, os arcos e as flechas?

São Paulo, 2014heartMarli Gonçalves é jornalista – Oposição tem de ser normal. Procura-se adeptos para ela. Candidatos precisam ser sérios, variados, homens e mulheres, e pretenderem lutar (mesmo) pelo bem comum.

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

 

Para entender melhor as pesquisas, margens, indefinições e a história dos votos válidos, Cesar Maia, que estuda isso

VOTING.BOOTH.ANIMATIONDIVULGAR OS VOTOS VÁLIDOS NO SEGUNDO TURNO É UMA ENORME BOBAGEM! SÓ CONFUNDE!

1. O TSE contabiliza os votos válidos no primeiro turno por duas razões. Primeiro porque a maioria absoluta ou não dos votos válidos conseguida pelos candidatos a presidente e a governadores é que determina se haverá segundo turno ou não. Segundo porque nas eleições para deputados –federais e estaduais- é a divisão dos votos válidos pelo número de vagas que determina o cociente eleitoral e quantos deputados serão eleitos pelos partidos e pelas coligações.

2. Mas, no segundo turno, divulgar votos válidos é uma dupla besteira. A primeira porque é inócuo, já que vence a eleição de presidente e governadores quem tiver mais votos, independente da porcentagem de votos que tenha. Mas a segunda razão é de extrema gravidade para orientação dos eleitores, da campanha, dos analistas e da própria imprensa, pois confunde e ilude.

3. É fácil entender. Sempre que a proporção dos que marcaram brancos, nulos, não sabem e não responderam é significativamente maior que a diferença das intenções de voto entre os dois candidatos, a eleição está completamente indefinida. Exemplo. No Ibope e Datafolha Aécio tem 45% e Dilma 43% dos votos totais. Uma diferença de 2 pontos.

4. Mas há 12% dos eleitores que não marcaram nenhum nome. Isso representa 6 vezes a diferença entre eles. Mais ainda: essa diferença de 12 pontos cresceu 2 pontos desde as pesquisas da semana passada. Ou seja, uma eleição completamente indefinida. Na intenção de voto espontânea há um empate de 42% a 42%, ratificando a indefinição.

5. Sempre que a porcentagem daqueles que não marcaram nenhum candidato se aproxima ou ultrapassa o dobro da diferença entre eles, a eleição pode se considerar indefinida. Sendo assim, o fundamental no segundo turno é esquecer os votos válidos e informar apenas os votos totais e os que não escolheriam nenhum deles. Com isso, os eleitores, os analistas e a imprensa poderão avaliar a taxa de indefinição da eleição.

6. Outro exemplo: Rio Grande do Sul, Datafolha. Sartori tem 52% e Tarso Genro 35%. Marcaram brancos, nulos, não sabem, não responderam: 13%. A diferença entre os dois, de 17%, é 30% maior que a porcentagem dos que não marcaram nenhum dos dois. Essa é uma eleição definida mesmo faltando 11 dias, desde a pesquisa, para a eleição.

7. A divulgação das pesquisas deveria ser sobre votos totais: X tem XX%, Y tem YY%, Nenhum deles ZZ%. Diferença entre eles é RR% e é tantas vezes maior ou menor que os que marcaram brancos, nulos, não sabem não responderam. Assim, a informação permitiria uma análise adequada das probabilidades até a eleição.

FONTE: EX-BLOG CESAR MAIA

Feliz Ano Novo. Que a gente tenha um 2013 cheio de boas notícias. Quero para mim, quero para você.

ani-bb_newyearE, por favor, continue nos prestigiando aqui neste espaço despretencioso, mas que mantenho como uma janela para o mundo.

Debruçe-se nela.

beijão a todos,

e obrigada, leitoras, leitores, colaboradores, comentaristas, admiradores, seguidores, visitantes casuais, diários, semanais.

obrigada a todos os colunistas que nós dividimos com as suas fontes aqui.

obrigada a todos os que linkam esse nosso site.

obrigada a todos que dão boas gargalhadas.

Precisamos manter as borbulhas da vida! Tintin!champagne06

STF DECIDE: PODE MARCHAR, SIM. LEIA POST DO GABEIRA SOBRE ISSO TUDO, E MUITO MAIS

Maconha, uma decisão previsível

por Fernando Gabeira(16.junho.2011 09:22:54)

  • A decisão do Supremo Tribunal Federal de liberar a realização da manifestações pela legalização da maconha não me surpreendeu. O fato de ter sido unânime acentua a facilidade da previsão.

Todas as leis devem ser cumpridas. Mas nenhuma delas vem com uma blindagem contra a discussão.Por meios legais, é possível discordar de uma lei e modificá-la.

Num artigo que escrevi para o Estado de São Paulo, na véspera da marcha da maconha, defendia a tese de que isso era um problema relativamente simples para a democracia brasileira.
Bastava, disse nas últimas linhas, combinar com a polícia, isto é acertar itinerário e hora para não prejudicar o complexo trânsito metropolitano.

A tese da liberdade de expressão deve ser estendida nas manifestações às pessoas que exaltam a maconha? Talvez, a partir de agora, isso não seja fator de punição.

A liberdade, se assim for interpretada, traz alguns perigos políticos. É inteligente exaltar a maconha numa demonstração pela legalidade do consumo? Se isso se torna o tom dominante numa manifestação, milhares de pessoas que não fumam, não gostam, mas ainda assim são pela legalização ficarão marginalizadas. Podem achar que o tema é de exclusividade dos usuários e, por suas razões, não querem ser confundidas.

As pessoas que vêem na legalização uma possível saída para um complexo problema social querem mais do que tiveram até agora. Querem saber como seria o processo, quais os modelos internacionais que foram estudados e até que ponto podem ser aplicados aqui. Isto é: que condições são necessárias reunir para dar um passo novo na política de drogas?

O Supremo rejeitou o cultivo doméstico. Também não é permitido no Brasil, como é na Califórnia e alguns outros estados americanos, o uso para fins medicinais.

Quando escrevi o artigo para o Estadão, tudo parecia tão simples que não imaginava uma sessão do Supremo para avaliar o tema. Mas como o Parlamento evita os temas perigosos, atualmente todas as expectativas se concentram no outro lado da Praça dos Três Poderes

DO BLOG DO GABEIRA, NO ESTADÃO: http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/