Sobre petróleo, oceanos, e os ocultos do pré-sal

Hoje, uma das poucas pessoaa que ainda pensam neste país, Fernando Gabeira, escreve em seu blog sobre algo que o preocupa muito – e não é de hoje: nossos oceanos.

Durante sua permanência no Legislativo trouxe o assunto à baila inúmeras vezes. Assunto que agora nessa onda de petróleo, pré-sal, baleias encalhadas, tem tudo a ver.

Petróleo e a idade da inocência

Nesta fase final da campanha, o petróleo virou o grande tema. De um lado, anúncios ruidosos sobre o pré-sal, feitos na véspera da eleição, calculadamente. De outro lado, debates sobre privatizar ou estatizar, ou melhor, um falso debate, porque o que está em jogo é o sistema de exploração: partilha ou concessão. Em nenhum dos dois há privatização, embora o primeiro traga mais recursos para o governo central e, talvez, menos para os governos estaduais e municípios.

Creio que esse debate, que acompanhei em detalhes na Comissão Especial, segue seu curso normal. A grande lacuna é o oceano. De todas as partes do mundo surgem estudos mostrando não apenas a importância do oceano, mas também da situação delicada em que se encontra, com a redução de peixes, branqueamento de corais e outros problemas.

O oceano não tem apenas petróleo. Suas riquezas, apropriadas com a ajuda da pesquisa cientifica, são muito importantes para nosso futuro. Mas nenhum dos candidatos menciona isto abertamente. Todos os debates referem-se ao destino dos recursos; nenhuma menção ao monitoramento da exploração e suas dificuldades, nenhuma menção às pesquisas no mar.

Volto de Vitória com a sensação de que, no ano que vem, será preciso um trabalho articulado para divulgar os oceanos. Creio que também por minha falha, pois fui o relator do projeto do sistema de áreas de conservação. Nossas áreas marinhas protegidas não passam de 1,5 por cento do total: no Japão, informa Washington Novaes no seu artigo de hoje no Estadão, recomenda-se uma de 20 por cento do total, a ser protegida o oceano.

Falei muito sobre isso e, no final, os jornalistas fizeram a pergunta de sempre: é contra ou a favor da partilha, e como acha que os royalties devem ser distribuídos.

Com a propaganda do governo, criou-se um clima de descoberta do eldorado e a maioria quer saber apenas como se gastará o dinheiro. Infelizmente, com o tema guindado ao topo de agenda, só se discute isto. O petróleo funciona como um sonho de riqueza fácil e abundante. Se déssemos uma olhada no mundo e na história, veríamos como o oceano é importante e como o petróleo é apenas uma febre passageira.

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