Mais ataques à imprensa. Desta vez contra AzMina. Veja nota ABRAJI.

Jornalistas são alvos de ataques em redes sociais após publicação de reportagem sobre aborto

A redação da Revista AzMina sofre, desde a tarde da última quinta-feira (19.set.2019), uma onda de ataques em redes sociais por pessoas contrárias ao aborto. A revista publicou uma reportagem sobre os procedimentos para a realização de aborto legal no Brasil e no mundo, e reproduziu recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a prática de aborto seguro.

Após duas contas com grande alcance junto ao público de direita comentarem a publicação da revista digital no Twitter, acusando o veículo de “apologia ao crime” e “incentivo ao assassinato”, milhares de usuários passaram a fazer comentários agressivos, repetindo as acusações e direcionando ofensas às jornalistas de AzMina.

Marcada em uma dos dois comentários, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, qualificou o conteúdo como “apologia ao crime” e declarou: “Já demos encaminhamento à denúncia”. Segundo a assessoria de imprensa do ministério, Alves encaminhou o caso ao Ministério Público Federal para que o órgão apure se a reportagem incorre em algum crime.

Peças de desinformação sobre a reportagem e a revista ampliam o assédio digital contra a redação de AzMina. Meios de comunicação identificados com a direita repercutem o caso afirmando que a revista “ensina a abortar” – distorção amplificada por agentes públicos como o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) e o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP). Garcia declarou que fará “a representação criminal adequada” no Ministério Público contra a publicação por “apologia ao aborto” e “anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar aborto”.

Alguns perfis disseminam a imagem e o perfil da repórter que assina o texto, com comentários sobre sua vida privada e ofensas.

A Abraji nunca se manifesta sobre os critérios editoriais dos órgãos de imprensa. Em um ambiente democrático, todos devem ser livres para cobrir qualquer assunto, da forma como considerarem adequada. A crítica aos veículos e jornalistas também deve ser livre – é normal que sua atuação passe pelo escrutínio dos participantes da esfera pública. Mas a própria democracia passa a ser alvo quando críticas se transformam em ataques, ainda mais se estes são amplificados por ocupantes de cargos públicos e representantes eleitos.

A Abraji se solidariza com todas as jornalistas da AzMina e repudia o assédio digital de que são vítimas. A associação apela ainda aos Ministérios Públicos Federal e paulista que não deem seguimento a eventuais representações criminais contra as profissionais e a revista, em cumprimento a seu papel de salvaguardar a liberdade de expressão.

Diretoria da Abraji, 20 de setembro de 2019.

39072-134yjwnayobfowzfjm86brw

ARTIGO – Para não dizer que não falei…Por Marli Gonçalves

 

É tanta coisa para comentar, ler, discutir, mostrar, conversar, que seria preciso muito espaço, tempo, e algum cachê, claro, para viver só fazendo isso. Quando chega o fim do dia, esgotada, olho as coisas que continuam girando continuamente nessa Terra, que é redonda, garanto. Mas a gente tem de decidir sobre o quê versar. E ultimamente esse é o assunto que mais interessa: estaremos vivos para os outros temas? Sobreviveremos?

Então vamos falar um pouco dela, a Primavera, a estação mais bonita do ano, a que renova e traz em sai as cores, formas e aromas das flores e a sensação vital, sexual, sensorial de toda a diversidade da natureza. As estações têm datas definidas, mas na realidade agora tudo se mistura em seus efeitos. Uns dias, frio de lascar; em outros, calor sufocante, e os meteorologistas e moços e moças do tempo rebolando nos anunciando seguidos recordes, temperaturas médias de décadas sendo superadas.

Vamos falar então também da tal natureza que vem sendo castigada tão terrivelmente diante de nossos olhos. E que, castigada, se vinga no ar que respiramos, na falta dele muitas vezes, e nos efeitos letais que tudo isso causa em nosso organismo.  Parece areia nos olhos. O calor, a secura se estampam na pele que transpira ou racha.

Enquanto escrevo, milhões de pessoas em todo o mundo já foram, estão ou irão às ruas clamar por atenção à natureza, ao clima, à Terra, ao futuro. Chamam o evento de Greve Geral do Clima. Os manifestantes são diversificados e coloridos como as flores da primavera. Trazem cartazes, fazem performances, as imagens correm o mundo. Muito interessante: em sua maioria são bem jovens e, em grande maioria, mulheres.

Liderados por uma menina sueca de tranças compridas, 16 anos, já candidata ao Nobel da Paz, Greta Thunberg, a grande sensação mundial do momento. Era uma sexta-feira de agosto de 2018 quando começou. Não foi à aula. Escreveu um cartaz e foi às ruas, diante do parlamento de seu país. Agora está diante de todo o mundo, mas não mais sozinha; chega acompanhada de outros milhões e sonoros gritos de atenção, atenção, queremos o Futuro.

Malala, a jovem ativista paquistanesa parou o mundo porque queria ir à Escola e fez escola clamando por educação e direitos iguais para mulheres, homens, meninas. Um tiro traiçoeiro tentou calá-la, mas sobreviveu para dar vida à sua causa e ser a mais jovem Nobel da Paz, que recebeu em 2014.

Greta, ao contrário, não vai à escola especialmente nas sextas-feiras que dedica a mostrar seu cartaz nas ruas de algum lugar. Ultimamente, na verdade, não tem nem aparecido por lá, mas está na escola do mundo. Radical, cruzou o planeta, agora está em Nova York para onde foi de veleiro com zero emissões de carbono para reduzir o impacto ambiental. Greta não anda de avião e busca denunciar tudo o que polui. Danada essa menina que não cora nem se intimida diante de qualquer líder mundial.

Voltando à nossa primavera, principalmente política, que hoje nos parece tão distante, será essa semana o discurso do Presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia-geral da Organização das Nações Unidas, ONU.

Combinando com o momento de nosso país, ele já chegará lá queimado por tantas declarações absurdas que fez desde que tomou posse e pelo descaso que demonstra com as questões relacionadas ao meio ambiente, que mascara como luta pela soberania nacional e outras patriotadas.

O Brasil queima, não só a Amazônia. Nossa imagem está tosquiada, e também não é só pelo clima, mas por falas, atos, guinadas e pensamentos estranhos que só nos fazem torcer e lembrar com todas as forças que haverá uma Primavera. Se não for hoje, amanhã, essa semana, ela virá.

O que dirá Greta? O que ele, Bolsonaro dirá ao mundo e à menina de pele clara, olhos brilhantes e longos cabelos louros, que mais parece saída de uma história de contos de fadas?

Para não dizer que não falei das flores: … “Pelas ruas marchando indecisos cordões/ Ainda fazem da flor seu mais forte refrão/ E acreditam nas flores vencendo o canhão/Vem, vamos embora que esperar não é saber” …

________________________________________________

MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. Já à venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

______________________________________________

ME ENCONTRE

 (se republicar, por favor, se possível, mantenha esses links):

https://www.youtube.com/c/MarliGon%C3%A7alvesjornalista

(marligoncalvesjornalista – o ç deixa o link assim)

https://www.facebook.com/BlogMarliGoncalves/

https://www.instagram.com/marligo/

#ADEHOJE – CLIMA MOBILIZA O MUNDO

#ADEHOJE – CLIMA MOBILIZA O MUNDO

SÓ UM MINUTO – Milhões de pessoas em todo o mundo hoje estão mobilizadas pelo salvamento do planeta, no que chamam Greve Geral pelo Clima. São pessoas de todas as idades, mas especialmente mulheres e jovens, o que é muito interessante, especialmente.

Hoje os médicos liberaram Jair Bolsonaro par a a viagem a Nova York, onde abrirá – com discurso – a conferência geral das Nações Unidas, na ONU. Vocês estão aí rezando e torcendo para que não passemos mais vergonha, né? Pior é que será difícil que isso não ocorra, porque é o Ernesto Araújo, aquele que faz um monte de ranran quando fala, e só bobagens, assessorado pelo que há de pior da direita, quem está cuidando disso.

No Congresso, o resumo da ópera: os deputados estão querendo que a Casa da Mãe Joana volte às eleições. E que a gente pague todas as bobagens que eles fizerem durante a campanha. Esse é o resumo desse samba do vaivém do projeto que aguarda sanção do presidente, acuado. Se cortar, os políticos vão revidar. Se deixar, nós revidaremos.

#ADEHOJE – O SHOW DE DODGE

#ADEHOJE – O SHOW DE DODGE

Só um minuto – Toda de vermelho, sempre clássica, com voz suave, aquele jeito de falar próprio, Raquel Dodge deixou ontem a Procuradoria Geral da República. Acusada de ter andado, digamos, guardando algumas investigações, seu discurso foi bastante enfático com relação ao momento que o país está vivendo. Sobrou pro Governo Bolsonaro e seus constantes absurdos. Ela mostrou também – igual a nós – estar temerosa do caminho que o país toma. Reafirmou as suas convicções pelas liberdades democráticas. Pediu ainda que o STF revogue o decreto de armas, que pode levar a um país mais violento ainda e deixou claro que o inquérito sobre a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes foi manipulado para não chegar aos reais mandantes do crime ocorrido há um ano e meio.

Enquanto o Augusto Aras não é sabatinado e aprovado pelo Senado, Dodge está sendo substituída por seu vice, Alcides Martins, que já anunciou a volta dos procuradores da Lava Jato que haviam se3 rebelado recentemente por discordar de Raquel Dodge.

Pra gente ter medo: Carlos Bolsonaro diz que o pai está bem e já prepara discurso para a Conferência na Assembleia geral das Nações Unidas, semana que vem.

Todo mundo rezando para não passar mais vergonha do que já temos enfrentado, hein?!?

#ADEHOJE – ALTA E BAIXAS.

#ADEHOJE – ALTA E BAIXAS.

SÓ UM MINUTO – O presidente Jair Bolsonaro deve ter alta hoje e seguirá para Brasília. Os médicos o obrigam a mais dois dias de descanso e dieta de sopas e cremes pelo menos até sex-feira. Enquanto isso, a movimentação continua grande por espaços: de um lado, Augusto Aras, indicado para a Procuradoria Geral da República, PGR, faz peregrinação no Senado para ter seu nome aprovado em sabatina. E o filho do homem, o Eduardo, o que quer porque quer ser embaixador em Washington, também está pedindo bençãos por lá, pelo Senado. E nós, aqui fora, rezando para que caia um raio de luz sobre os políticos e eles impeçam essa insanidade. Lá ele nos trará muitos problemas, isso é certo.

O preço do combustível está em alta no mundo após os ataques de drones à maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita. Muito aguardada a posição da Petrobras nesse momento.

O PSL, partido do presidente, está fervendo igual caldeirão, com um montinho tentando atirar fora outro montinho, numa guerra pública de declarações. Pode implodir a qualquer momento – espirrando ou os Bolsonaros ou os que se opõe aos mandos e desmandos lá dentro… Mas tudo da mesma laia.

ARTIGO – O Senhor Óbvio. Por Marli Gonçalves

O esquecido Senhor Óbvio. Ele faz piruetas, dança, samba, se joga, se mata para mostrar as coisas, apontar para problemas que, não tem jeito, vão estourar. Ele vai, ele volta. Dá sinais objetivos, pequenos a princípio, mas reais. Em alguns casos, imagino até o Senhor Óbvio tocando uma corneta no ouvido das autoridades, que teimam em não lhe dar atenção e aí…

As tragédias acontecem. E o Senhor Óbvio, de sobrenome Ululante, não deve acreditar quando escuta no noticiário, por exemplo, que os barracos de madeira debaixo do viaduto pegaram fogo, deixando centenas de pessoas sem abrigo e algumas milhares de pessoas sendo prejudicadas de várias formas entre seu ir e vir, presos no trânsito, ou sem transporte coletivo. Assim é com a fiação elétrica que emite pequenos raios de seus fios descascados. Assim é com o cheiro de gás que antecede explosões.

O óbvio está sempre diante de nós. É evidente, não se esconde, não se camufla, não se disfarça para ser visto a nu por olhos, narizes, consciências. Não deixa dúvidas, salta” à vista”, embora às vezes seja também, digamos, filosófico. Elementar, meu caro Watson.

Mas o Senhor Óbvio é bastante irônico e há fatos e falas que ouve aqui no Brasil que o fazem só mexer os ombrinhos para cima e para baixo, de tão óbvios que são. Mas fatos e falas que viram notícia como se representassem verdadeiramente algo inédito, diferente, real, ou mesmo que não fossem apenas deslavadas mentiras.

Não me diga! – ele exclama, cada vez que se depara com um desses fatos, muitos que, inclusive, já viveu para ver que obviamente não serão cumpridos. Ou que o silêncio caberia melhor naquele momento, para que todos nós não fiquemos tão irritados em ouvir tais declarações.

Em geral, promessas. Por exemplo, a do indicado pelo presidente Bolsonaro para ocupar o importante e estratégico cargo de Procurador-Geral da República, Augusto Aras, e que estava fora da lista tríplice enviada pelos procuradores ao presidente, que a ignorou solenemente. Na sua campanha pela aprovação do Senado, de mãozinhas juntas, garantiu, primeiro que será independente do tal presidente que o indicou acima de tudo e todos. Se seria grato, se haveria moeda de troca? Respondeu: “Minha gratidão é com o país, não com as pessoas”. Antes já havia sido flagrado falando a um senador que o “presidente Bolsonaro não vai poder mandar e desmandar” na Procuradoria.

Quase leva o Senhor Óbvio Ululante às lágrimas.  Só não levou porque o nosso personagem estava às voltas com uma enorme pesquisa – para a qual inclusive pede ajuda de vocês – sobre quantas multas vultosas, milionárias, aplicadas com números lindos e divulgadas com toda aquela alegria pelos apresentadores, como punição, com rigor e etceteras, foram real e efetivamente pagas. Começou a pesquisa pelas tragédias provocadas pela Vale.

Tadinho. Tá lá procurando os recibos. Não tenho coragem de contar a ele que durante décadas esses valores serão contestados.

Outra coisa que o perturba é ainda mais comum. O cara, a cara, ou a empresa/empresário, corruptos ou assemelhados, são pegos pela polícia com a boca na botija. Qual é a mais nova moda de declaração sucinta? “Estamos colaborando com as investigações. Atenderemos aos chamados para esclarecermos tudo”.

– Não nos diga!

Pensamos, eu e o Senhor Óbvio Ululante, que os chamados seriam ignorados, que dariam uma banana (aquela, dada com o braço) aos policiais, investigadores, promotores…

A mesma banana que as autoridades dão aos alertas, aos perigos, e às vistorias que quando mandam fazer pegam os resultados rapidamente. E os mandam, sem dó nem dor de consciência, para a gaveta. Ou, como dizemos no jargão jornalístico, “para a cesta seção”. O lixo.

________________________________________

FOTO: Gal Oppido

MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

 

——————————————————————————————-

ME ENCONTRE
 (se republicar, por favor, se possível, mantenha esses links):
https://www.youtube.com/c/MarliGon%C3%A7alvesjornalista
(marligoncalvesjornalista – o ç deixa o link assim)
https://www.facebook.com/BlogMarliGoncalves/
https://www.instagram.com/marligo/

#ADEHOJE – FOGO. É FOGO. ESTÁ FOGO.

#ADEHOJE – FOGO. É FOGO. ESTÁ FOGO.

SÓ UM MINUTO – Em menos de 24 horas soubemos de dois incêndios horrorosos. Um , no Hospital Badin, no Rio de Janeiro, 10 mortos até agora, e cenas inesquecíveis de tentativas improvisadas de salvamento dos doentes internados, familiares e funcionários. O outro, dezenas de barracos de madeira destruídos pelo fogo sob o Viaduto Alcântara Machado, uma das principais ligações da cidade de São Paulo, liga a Zona Oeste, Centro, à super povoada Zona Leste. Fatos que atingem diretamente dezenas e centenas e milhares e milhões de pessoas.

Até quando o descaso, o descuido, a falta de ações, muitas vezes, como no caso do Viaduto, contra fatos absolutamente previsíveis. Desgraças que não precisam esperar nenhum dia 13, sexta-feira, para ocorrerem.

Registro mais uma vez que a Cidade de São Paulo está às traças. Zeladoria nenhuma. E os fatos – ah, os fatos! Ocorrem debaixo de fogo, debaixo de chuva, contra os ventos, e na terra que se abre.