#ADEHOJE – RECIPROCIDADE ZERO. O TERCEIRO MENINO

#ADEHOJE – RECIPROCIDADE ZERO. O TERCEIRO MENINO

 

Só um minuto – Achei mesmo loucura esse menor apreendido hoje em Suzano não ter sido detido antes. Agora se revela que, mais do que amigo, sabia de tudo, planejou, tem feito depoimentos reclamando de não ter participado do massacre na escola em Suzano, chateado. É preciso averiguar cuidadosamente todos desse grupo, porque dá uma terrível sensação de que outros atentados como esse possam estar sendo armados, bem nas nossas barbas.

Enquanto isso, e parecendo pouco se importar com a violência no nosso país – só ontem, mais duas mulheres vitimas de feminicídio em Santo André, mas outros casos escabrosos – Bolsonaro se submete aos EUA e à Trump de forma vergonhosa. Seus discursos, lamentáveis, trazem mais dúvidas. Fora ficarmos sem qualquer reciprocidade com relação aos países que foram liberados de vistos, EUA, Japão, Canadá, Austrália.

#ADEHOJE –VERGONHA, POR FAVOR, NÃO.

#ADEHOJE –VERGONHA, POR FAVOR, NÃO.

 

SÓ UM MINUTO – Já basta a subserviência. A visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, onde se encontra amanhã, terça, com Donald Trump, chega com todos os elementos para a gente torcer. Que algo dê certo. Mas especialmente que não passemos mais vergonha do que já estamos passando com a política exterior que vem sendo aplicada. Essa história de liberamos os vistos para os americanos virem para cá, sem a contrapartida – ou seja, os brasileiros terão de continuar pedindo de joelhos os carimbos no consulado… é de doer.

Fosse só isso...Na semana que já começou com atentado lá na Holanda, teremos tentativa de volta à normalidade lá na escola em Suzano. Vai continuar o bate-boca entre o Ministério Público e o STF. As manifestações ontem contra o STF também foram bem esquisitas. E que mané é essa? Regina Duarte pedindo extinção do STF!

O povo está ficando sem noção de tanto virar à direita. Tá dando bobeira

 

ARTIGO – Brasileiro cordial, onde está você? Por Marli Gonçalves

 

O pescoço e os ombros latejam, tal a tensão. Qualquer som mais forte, estampido, assusta. Pensamentos atormentados toda hora, por mais distante que esteja dos acontecimentos dos quais se têm notícia todo dia, toda hora. Quer se divertir, manter o humor, mas sente-se culpado. Não pode se isolar do mundo, nem deixar de inquietar-se em observar que a decepção se alastra, e com razão

A intuição apita, como se em constante alarme. Responde que está tudo bem, porque já é praxe, e porque se fosse contar que não, algum detalhe, talvez ficasse mesmo falando sozinho. Parece que ninguém mais ouve ninguém até o fim de uma frase; aliás, ninguém mais nem lê nada direito, até o fim, quer brigar de cara. Se houvesse um exame de interpretação de textos, uma grande parte seria reprovada. Aquela expressão “andar com pedras na mão” nunca foi tão visível pelo menos que possa lembrar. Tá cheio de gente andando com os braços carregados delas, para jogar na Geni, na Maria, no João…Em mim, em você.

Isso não vai dar certo. A crescente toada de uns contra os outros, e inclusive pelos motivos mais banais e bobos, com demonstrações cabais de ignorância e intolerância cada vez mais frequentes, transforma rapidamente o país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, em um território minado.

A gente percebe que está com a sensibilidade bem avariada quando as reações saem do controle, por mais que esforce em manter alguma frieza. Pode sofrer e começar a chorar até vendo propaganda, especialmente se for de banco, perguntando o que pode fazer por você hoje.  Ouve uma música e o coração aperta. Toca o telefone – e como ultimamente parece que ninguém liga mais para ninguém, só uatizapa, o som faz estremecer.

O inconsciente coletivo está perturbador. Doente e atingido por um bombardeio, no meio de acontecimentos trágicos. Aparece a dialética do bem e do mal, sem canais de vazão. Ou está comigo ou contra mim, sem variações, e assim ninguém poderá entrar em acordo.

Não é mais nem possível brincar que pode ser a água que bebemos; parece o ataque de um vírus, como aqueles dos filmes, e que observamos – sem poder fazer nada – avançando, contaminando amigos, familiares, autoridades, crianças, jovens. Vem se perdendo a noção do convívio, da temperança, do respeito, e a cultura da paz é capaz de estar se escondendo apenas nos portais dos templos que abrigam pessoas mais iluminadas, apavoradas e impotentes.

Depois de uma semana difícil como essa, marcada pelo sangue espalhado nos corredores de uma escola em uma pacata cidade do interior, não há como ficarmos alheios que se vem tirando cada vez mais  o valor da vida, e numa escalada mundial repetida agora aqui no país do brasileiro cordial, conceito desenvolvido por Sergio Buarque de Holanda,  e que vem sendo soterrado progressivamente.

Nos últimos anos, a política nacional, os transtornos, a corrupção, os embates entre os poderes, a perda de valores e a confusão ética, a pouco esclarecida globalização seguiram criando uma inequívoca reunião de grupos, rede de amigos que nunca se conheceram; patéticos, antes anônimos, tornadas celebridades influentes.  O inimigo ficou invisível e se esparramou. Os idiotas, unidos, tornam-se um enorme perigo, carregando a hipocrisia, o conservadorismo, desejando novamente tudo o que juramos que jamais de novo ocorreria, escorraçar os avanços obtidos com tantos esforços.

O Brasil hoje não está nem um pouco razoável. Está indefinido, inseguro, sem personalidade, parado, esperando o que vai dar no meio do abalo dessa já visível decepção – mas que alguns ainda violentamente teimam em não admitir, caminhando em meio aos tropeços vistos, ouvidos e executados. Mudanças esperadas que não vieram e estão com todo jeitão de que não virão, pelo menos não desse horizonte atual que foi desenhado com tanta compreensível esperança.

Os brasileiros cordiais precisam retomar seus postos.

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Marli Gonçalves, Jornalista – Intuição apitando.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

Brasil, e nem cem dias se passaram

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#ADEHOJE – UMA É BOA. O RESTO, POUTPOURRI DE NOTÍCIAS DE VIOLÊNCIA

#ADEHOJE – UMA É BOA. O RESTO, POUTPOURRI DE NOTÍCIAS DE VIOLÊNCIA

Só um minutoIGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO ELEITO PARA A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Poltrona 11. Orgulho do amigo e mestre.

Aí vem a sequência de loucuras nacionais e internacionais. Adolescente de 17 anos é suspeito de ter participado do massacre na escola em Suzano. Polícia investiga web profunda e ligação com o PCC. O ex-PM e miliciano Ronnie Lessa, acusado de ser quem atirou em Marielle Franco e Anderson Gomes recebeu 100 mi reais em sua conta meses depois do crime. Explode loja de armas em Ribeirão Preto. Na Nova Zelândia, um país que sempre se orgulhou da paz em seu território, um jovem australiano de 27 anos lidera ataque simultâneo a duas mesquitas que resultaram em 49 mortes e outros tantos feridos, alguns em estado grave. Se apresenta como fascista e anti imigrantes.

O fascismo e os pensamentos da direita e de dominação se expandem de forma alarmante em todo o mundo.

#ADEHOJE – UM MASSACRE. E DECLARAÇÕES SEM SENTIDO NOS ATACAM. A TODOS

#ADEHOJE – UM MASSACRE. E DECLARAÇÕES SEM SENTIDO NOS ATACAM. A TODOS

SÓ UM MINUTO – Já sei que vou receber aquelas mensagens super “elegantes”, que vão me xingar de um tudo, mas o papel da imprensa é alertar, denunciar, cutucar. Não bastasse a tristeza e perplexidade por um massacre dessa magnitude ter ocorrido, estamos sendo massacrados mais ainda por declarações disparatadas de quem deveria, no mínimo, zelar pelo bom senso. Mas eles estão indo ladeira abaixo. E não nos levarão. O tal senador Major Olímpio falou que os professores deveriam estar armados. O presidente diz que dorme com arma debaixo do travesseiro. Mas quase foi morto por uma faca, e no meio da rua. Os filhotes do Capitão continuam propondo que a população se arme. Um deles criticou o estatuto do desarmamento. De onde saíram essas bestas? Quem as educou? Ah, verdade! Já sei.

AH! UM ANO! MARIELLE AUSENTE. QUEM MANDOU MATAR?

#ADEHOJE – MASSACRE NA ESCOLA EM SUZANO. ONDE ANDA O BRASILEIRO GENTIL?

#ADEHOJE – MASSACRE NA ESCOLA EM SUZANO. ONDE ANDA O BRASILEIRO GENTIL?

SÓ UM MINUTO – O que está acontecendo? Onde está o brasileiro gentil, aquele país feliz, que cantava e dançava? Que violência é essa? Como é possível que dois adolescentes, dois jovens, possam passar dias e dias preparando um ataque como esse em uma cidade do interior de São Paulo? Machado, armas, arco e flecha, nenhuma explicação de motivos, se é que um dia isso poderia ser dito.

10 mortos até agora, muitos feridos. Desespero. É um reflexo dessa conflagração que assistimos a política, na vida, na crise. Por favor, vamos retomar a conversa, falar sobre Educação, conversar mais com nossos jovens, prepará-los para o futuro.