ARTIGO – Vote em mim, porque sim! Por Marli Gonçalves

Não adianta nem tentar escapar, por céu, mar ou ar, ondas sonoras, televisivas ou internéticas. Aqueles sonzinhos chatos, as músicas chiclete, as caras de pau, pedra e tijolo, cada figura mais nonsense que outra, acabam de adentrar o gramado e todos os nossos buracos, inclusive de rua, causando indesejável torpor. Mas não desanime. Seus problemas acabaram. Eles vão resolver tudo agora mesmo, até aquela pia entupida, a roupa suja no tanque, seu caso de amor

Nunca fui muito de acreditar em promessas. O que me ajuda a sobreviver a um tantão assim de decepções, essas inevitáveis, que tive e tenho, diariamente, relacionadas à política nacional, partidos e pessoas, ideais e realizações. Dito isso, agora, juntos, podemos ver por outro ângulo o início da propaganda político-eleitoral, que teve a temporada de caça liberada esta semana. E adivinha quem é a presa? Olhe no espelho.

Enfim, admita que pode até ser muito divertido assistir ao desfile inacreditável de propostas absurdas e mentiras que são apresentadas, se mexendo na tevê. Vai, admita! É pelo menos melhor do que só ouvir aquelas vozes pela rádio ou dar topadas e esbarrar nos cavaletes que estão atravancando as ruas, e que eu bem queria mesmo saber de quem foi a ideia de jerico.

Nas eleições há ainda a vantagem de dar trabalho temporário para muita gente, porque esses obstáculos devem ser postos e retirados, e sempre sobra uma coisinha aqui e ali. Todos os dias, por exemplo, passo por uma esquina onde tem um comitê de um cara que nunca antes nesse país eu tinha ouvido falar. Pois olhe só: ele contratou três pessoas, três, só para carregar uma faixa que , a cada vez que o sinal fecha, é aberta na cara do coitado do motorista. Na faixa, uma foto dele, outra do Chalita e outra do Skaf, que nem candidato é! Três narizes. Fica até meio “típico”, digamos assim. As caras das fotos! Os perfis, os olhares enevoados de quem vislumbra a situação lá no horizonte, só não sei de onde.

O bagulho tá doido. Na tevê, aqui em São Paulo, o candidato arrumadinho do PT agora é um gigante que se sobrepõe à urbis, mas que também parece estar querendo pisar por cima da gente com aquele pezão petista; o tal que não é nada, mas eles dizem que foi o melhor, também aparece ora com cara de santo, ora de menino cordato levado pela mão do Pai Lula. O outro Menino Malufinho, Russomanno, pálido de dar até dó, já mostra até ultrassom da filha no útero da mulher, e apela para os sentimentos dos coitados que acham que personalidades de tevê são todas legais, enquanto o seu vice conta fábulas sem pé nem cabeça, sobre um passarinho na mão do garotinho com QI de batata. Serra não está gostando de ser o mais velho da disputa e já surgiu de bicicleta, e a música, na boa, tchutchajá,/i>, não tem nada a ver nem com ele, nem com a cidade. Soninha aparece super Soninha, viajandona, e fala baixo para parecer delicada e acaba quase inaudível, mas firme e forte tentando parecer uma Marina sem coque. Chalita repete que é bonzinho, escritor e professor e tenta pegar carona com quem passar ali, seja Dilma, Lula, Alckmin, Moisés, sabe-se Deus quem mais, sempre com as mãos devidamente ocupadas para não saírem batendo asas, e o que seria mais natural! Não posso esquecer de falar do Paulinho destruindo a língua e contando como já foi pobre. Melhor – hors concours – só o Lula dando aula de História na frente do Museu do Ipiranga.

E toma promessas! Dos candidatos a vereadores, que não têm noção do que é o cargo, já ouvi de um tudo em poucos dias. Desde que vão resolver o problema dos ônibus dos garçons até a situação dos desvalidos. Aliás, desvalidos, ou “povos em situação de rua” (urgh!), filmados e refilmados, com passagens em sépia e preto e branco, para aumentar a carga e dramaticidade, alguns inclusive com uma pobreza visivelmente produzida, como se fosse preciso apelar para fora da realidade.

Outra coisa que noto é que os vices, coitados, nem existem, fora o do João Paulo Cunha que ganhou um cartaz quase só para ele, porque pode vir a ser o estepe já já, dependendo do mensalão, mensalinho, pedalinho. Em geral, os nomes dos vices – muitas, inclusive, mulheres postas ali só para cumprir “cota de Cotinha”, aparecem em fonte pequenina, quase escorregando. E partido? Para que te quero? Estampam números que dependendo dos casos a gente associa rapidamente ao jogo do bicho.

Para completar o quadro, continuarei apelando para o humor que restar ao acompanhar a eleição pelas tais redes sociais que agora todo mundo trata com uma propriedade invejável, como se ali estivesse a redenção de todos os males. Contam seus “curtir” como catam flores no campo, invadem perfis. Há verdadeiros exércitos se confrontando, compartilhando, canalizando tudo o que der. O pior é que poucos sabem (acho que nem os candidatos) que muito daquilo tudo é robô. Robozinhos amestrados em outros países até, para não serem pegos.

Eleição é festa democrática. A gente realmente deveria dar tudo para participar, com alegria e pelo menos algum comprometimento, mas desse jeito fica difícil, porque a gente ainda corre o risco de perder amigos se for explicar como as coisas acontecem.

Eu sinto muito.

São Paulo, queremos soluções, não delírios de santinhos, 2012Marli Gonçalves é jornalistaPrometer é fácil. Cumprir, com que dinheiro, de quem depende e por que ainda não foi feito se parece tão simples, é que parece mais complicado.

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3 comentários sobre “ARTIGO – Vote em mim, porque sim! Por Marli Gonçalves

  1. ms697735 25 de agosto de 2012 / 13:24

    Campanha política, é tortura, não tem como escaparmos dela. Se colocamos na TV aberta, e infelizmente a líder de audiência nos obriga a isso, porque somos viciados em twelejornais e uma das 3 novelas, e toma inserção política nos intervalos! PelamôdeDeus! Programa gratuito do TRE dizem, gratuito para quem cara pálida? Só para os candidatos, porque o governo, o STE, os TREs pagam quantias nababescas, para as emissoras de rádio e TV. E sai de onde? Do nosso bolso, é claro! Na forma dos altíssimos impostos que pagamos. E, para fugir do que a maioria de ‘analfas’, assim tipo Lula dizem, fazendo os nossos ouvidos de penicos, a solução é colocar nos telejornais da TV por assinatura, (para que pode pagar é claro) ou desligar os aparelhos por meia hora. Mas, esses candidatos a vereador falam cada ‘batata’!, quanta ignorância, onde eles conseguem buscar tanto besteiros para falar, tanta promessa que sabem ser impossível de ser cumprida, caspite! E tem candidato a prefeito, que faz cada promessa impossível de ser cumprida, e eles sabem disso. Bilhete único mensal! Esse. é um dos dois “Meninos Malufinhos”, o outro, idem, idem, promete aumentar o efetivo da Guarda Civil Metropolitana e equipá-la melhor, inclusive com tablets. Propõe reduzir a tarifa de táxix e, na área da educação, enviar os boletins com as notas dos alunos aos pais. Só faltou imitar a fala de Maluf, seu ex-mestre: “Temos que por a Rrrrrrrrrrrota da rrrrrrua”! Eymael e Fidelix, são duas figurinhas p’rá lá de carimbadas. Concorrem a todas as eleições, e me dão nos nervos sempre com a mesma conversinha do aero trem, e da democracia cristã…Soninha é outra que aprendeu a prometer, prometer e prometer…São promessas mirabolantes que todos sabemos serem impossíveis de cumprir. Eu aprecio mais aquela moça que diz que não vem pedir votos, mas sim pedir que não votemos em ninguém, pois eles só querem chegar lá com o único intuito de roubar, roubar e roubar…Se não me engano ela representa o PCO. Enfim, é um festival de besteiras, de bobagens sem sentido, mal sabem articular as palavras, escorregam no português, é de um ridículo que não tem tamanho. Não vou generalizar, e dizer que todos são assim não, é mais os que nunca foram eleitos para nada, os estreantes como candidatos. Mas, os há, os veteranos que são campeões do besteirol. Há até um, que eu julgava já estar morto, (talvez ele esteja mas não saiba, assim como o Sarney) é o eterno vereador Toninho Paiva. É uma fauna muito variada, e eu fujo até dos programas da única TV aberta que dava para assistir alguma coisa, a ‘Venus Platinada’, pois alí também estão as inserções dos candidatos, e confesso não ter mais saco para aguentar isso. Assim, coloco na Globo news, Band News, Record News, e canais pagos que passam documentários que valem a pena serem vistos.

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    • Marinês Guimarães 25 de agosto de 2012 / 19:10

      TAMBÉM NÃO TENHO MAIS SACO, NEM PACIÊNCIA, NEM TOLERÂNCIA, NEM MAIS NADA…. PRA SUPORTAR ESSE POVO QUE NAO QUER LARGAR ESSA BOQUINHA DE CARGO POLÍTICO….. MARLI GONÇALVES SOU SUA FÃ ATÉ DEBAIXO D’AGUA…..

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