#ADEHOJE -ARMAS COM PERNINHAS, BRASÍLIA COM BOLHINHAS DE SABÃO

#ADEHOJE -ARMAS COM PERNINHAS, BRASÍLIA COM BOLHINHAS DE SABÃO

SÓ UM MINUTO – O Tenente-coronel Alexandre de Almeida está preso no Rio de Janeiro. Ele era o responsável total pela guarda de armas do Exército que saíram andando e estão sendo encontradas em outros lugares e clubes de tiro.

Três meses do horror de Brumadinho e o lengalenga continua com relação às indenizações. Ainda há 35 desaparecidos.

O Horário de verão foi finalmente revogado. E enquanto isso, a turma da fofoca continua atacando em Brasília. Um fala do outro, depois diz que não falou, uma coisa horrorosa. Amigos de lá dão conta que Brasília está um deserto de ideias, trabalho, e todo o mais. Lá é termômetro, E a coisa só não está feia para quem arruma um cantinho com deputados ou senadores, aliás, como o tal Léo Índio, primo dos Bolsonarinhos.

ARTIGO – Aconteceu. Virou manchete. Você tem de saber. Por Marli Gonçalves

De repente, apareceu um público que quer viver em um mundo sem saber, sem ser informado, ou pior, se informando apenas pelo ralo da história. Brigam com os fatos. Em mais de 40 anos de jornalista, não lembro de ter assistido a tantas dificuldades e ataques à profissão, alguns muito violentos, e a grande maioria apenas de uma ignorância que traz ainda mais preocupação, inclusive com a segurança física.

Coitado do mensageiro. Está sobrando sopapos para ele, o que traz as notícias que o mundo fabrica e que, especialmente aqui no Brasil, têm sido mesmo lamentáveis. Nós, jornalistas, sentimos muito. Adoraríamos, de verdade, diariamente informar que está tudo bem, só dar boas novas, falar sobre o crescimento econômico, equidade social, as vitórias e conquistas nacionais, sobre decisões governamentais ponderadas vindas de todas as esferas, reproduzir frases e pensamentos positivos dos governantes. Mas não são essas as notícias do momento, e não adianta fechar os olhos agora.

Algumas informações que transmitimos, até conseguimos compreender, parecem mesmo inacreditáveis. Sim, estamos falando de política, essa coisa sempre muito pesada e cheia de meandros que quem acompanha desde sempre nem mais se surpreende, porque sabe que nela tudo é possível. Mas que a política está exagerando na produção desse possível, está. Em embates infantis, na pequenez dos pensamentos, no amadorismo dos atos, na produção de capítulos vergonhosos que estamos tendo de escrever e descrever, e que se diga a verdade, com destaque nos últimos anos e meses.

Só que agora apareceu uma categoria de pessoas – vejam bem que apenas reparo nesse aparecimento, isso sim é novidade – que não querem saber. Negam. Ficam bravos. Pra que contar que o miliciano era vizinho do presidente?  Porque era. Para que escrever isso? Por que comentar aquilo?

Querem selecionar ao bel prazer as notícias, o que em linguagem usual chama-se censura. Querem explicar que não foi bem assim o que ele disse, sendo que tudo está gravado. A verdade e só o que acham, e acham sem qualquer liame com a realidade, como se vivessem em outro mundo. Os caras fazem as bobagens e a imprensa é que é culpada, xingada, martelada.  Se procriaram nas últimas eleições, alimentados pelas Fake News, pelo whatsapp, pelo rancor, por um sectarismo muito louco que abriu espaço dentro da democracia.

Argumentação? Nenhuma. Pior, muitos, não dá para revidar porque é gente “amiga”. Outro dia, por exemplo, para se contrapor aos protestos contra a ordem de comemorar o golpe de 64, uma escreveu que “não dissemos nada contra quando foi comemorada a Revolução Russa…”

Oi?

Há outras versões engraçadas. Começam com as frases “Ninguém está falando…” (e na verdade, não se fala em outra coisa, e pela grande imprensa, que dizem que não leem, que é lixo), “Isso é perseguição…” (sendo que o “perseguido” foi quem produziu o fato da notícia), “Querem que em três meses…” (sim, porque nos três meses ocorreram só trapalhadas, públicas). Nessa toada não deixarão nunca a alma de Celso Daniel descansar, e ficam só batendo nas teclas P e T, e usando palavras que parecem espantalhos – esquerdalha, petralha, entre outras impublicáveis. Uma cruzada que inventaram para si. O que é deles; o resto seria do tal PT, coitado, que a cada dia aparece mais apagado e combalido, sem capacidade de reação, até porque não tem mesmo, aos atos praticados.  Denunciados, inclusive, por quem? Pela imprensa! Vivemos para ver até o Estadão ser chamado de …comunista!

Não é por menos que há uma crise sem precedentes em toda a imprensa, que se esfacela a olhos vistos, sem compreender o que ocorre no país onde ter opinião é crime.  Colunistas são trocados como roupas nos varais em prol de obterem uma diversidade que seja aceita, o que é praticamente impossível. E cada vez mais os portais privilegiam o que lhes dá milhares de cliques, contando quem se separou, quem está transando com quem, quem cortou o cabelo, emagreceu, engordou, usa biquini branco ou tem estrias.

Pior: fofocas que, antes, a imprensa até tinha de ir atrás para saber, fotografar. Agora não. As notícias chegam andando sozinhas, entram nas redações, gratuitas, diretamente dos noticiados. Isso dá Ibope. E nesse Ibope todos acreditam.

JORNALISTAS

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Marli Gonçalves – jornalista – Defende a informação ampla, geral e irrestrita.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

Brasil, abril

 

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#ADEHOJE – BRIGUINHAS. NÃO TEMOS MAIS NADA PARA FAZER?

#ADEHOJE – BRIGUINHAS. NÃO TEMOS MAIS NADA PARA FAZER?

SÓ UM MINUTO – Sabem aquelas famílias cheias de fofoqueiros? Aquelas vilas onde todo mundo toma conta de todo mundo e fica fazendo intrigas? Aqueles lugares onde ninguém tem nada para fazer e ficam só fazendo futricas? Pois é. O Brasil, de repente virou exatamente isso. O país derretendo, tragédias terríveis, decisões importantes a serem tomadas, um clima de conservadorismo péssimo e eles se tratando como comadres, com os filhos do Capitão fazendo o que bem entendem. Aguardem: deverão vir pacotes e pacotes para cima de nossas cabeças para tentar fazer com que a gente esqueça dessa verdadeira novela sem fim. Lá vem o do Moro!

Ah, e o presidente da Vale e do Flamengo continuam soltos…

#ADEHOJE – OS FILHOS DO CAPITÃO FAZEM DO PAÍS UM GRUPO BADERNEIRO DE ZAPZAP

#ADEHOJE – OS FILHOS DO CAPITÃO FAZEM DO PAÍS UM GRUPO BADERNEIRO DE ZAPZAP

SÓ UM MINUTO – Tenho de continuar fazendo perguntas. Até quando os desengonçados Filhos do Capitão vão ficar dando pitacos, fofocando, incitando e criando problemas – mais ainda do que os que já temos – no Governo do pai Jair Bolsonaro? E até quando vamos suportar as declarações dos presidentes da Vale e do Flamengo? Ou melhor, as não declarações, as não explicações. Aliás, eles ainda estão em seus cargos? Brasil, o país dos trapalhões?

E AINDA POR CIMA, PERDEMOS BIBI FERREIRA, A NOSSA DIVA. COMO JÁ DISSE, NÃO HAVERÁ UM DIA QUE PASSEMOS SEM ELAS, AS MÁS NOTÍCIAS?

 

ARTIGO – Viramos voyeurs. Por Marli Gonçalves

Há um outro lado aparecendo nisso tudo. E é aquele nosso lado ruinzinho. Estamos tendo, sim, certo prazer em assistir ao espetáculo tenebroso – pílulas delatórias em vídeos de péssima qualidade tanto em som quanto imagem, mas que já aguardamos o próximo ansiosamente dia após dia, como em um seriado viciante. Não chega a ser um prazer exatamente sexual, mas sacia certo gosto de vingança e pela curiosidade. Queremos saber tudo, como se passaram as práticas íntimas destes relacionamentos tão envolventes

Abrimos a janela. Agora estamos espicaçados. Queremos ver mais, saber mais; já que começou que siga, se revele por completo, sem limites, se desnude à nossa frente – e se mostre exatamente assim, já quase sem pudor, escancarado. Queremos ver, ouvir os sussurros, quantos dólares, euros, joias, o luxo, os presentes e como se chamavam na intimidade de seus encontros entre quatro paredes de lugares nobres. As senhas que os excitavam, as cenas que criavam para as suas estripulias.

Sentados em nossas salas de estar prestamos atenção neles, os atores dos filmetes legendados; a sala, o ambiente, as roupas que usam, os gestos que fazem, os olhares, como se distraem os advogados que os acompanham nas entrevistas que lembram as do antigo programa Ensaios do saudoso Fernando Faro, a voz que falava ao ouvido do artista central orientando o roteiro. Nestes casos, os delatores têm bom português, falam bem, se expressam e seguem uma linha de raciocínio. E falam, falam. Vemos até que falaram mais até do que lhes foi perguntado, se soltaram, aliviados, até excitados, como se tudo aquilo estivesse guardado tanto tempo em suas gargantas que já machucava.

Nós, daqui, assistimos. Homens que ganharam muito, alguns já bem senhores, quase uma centena de empregados da grande empresa que dominava e dirigia o Brasil, cada um em uma área, um canto, com uma missão. Hábeis manipuladores dos fantoches políticos nesse imenso teatro da vida pública de eleitos e autoridades no cenário de grandes obras a céu aberto.

(Como estarão as suas famílias? O que suas abastadas senhoras estão explicando às amigas, como estarão lidando com os bens apreendidos? Com quanto sairão disso?)

Não podemos nos culpar de ter virado voyeurs. É um prazer que nos restou, já que Justiça-justiça mesmo é coisa que vai longe – se é que vai. Foi sacanagem o que fizeram, o que levou o país a uma derrapada brochante. Nada como apreciar os detalhes saborosos, os termos, os traídos, seus amorosos diálogos de sedução, a prostituição escancarada.

Ok, se acha que voyeur é forte demais. Viramos brecheiros, na popular linguagem do Nordeste e outras regiões brasileiras. Observamos pelo buraco da brecha, da greta ou da fechadura. Da tevê, do rádio, da internet. Bisbilhotamos o que disseram. Fofocamos sobre isso nas redes sociais. Ainda tiramos um sarrinho, para completar.

Eles não usaram preservativos em suas relações achando que jamais seriam descobertos ou vistos, e nem nós em nossos sonhos mais loucos imaginaríamos que poderíamos vir a assistir cenas tão fortes, tão quentes, tão ousadas.

E que tudo isso nos deixasse assim, com tanta vontade de… esganá-los. De prendê-los com algemas que não são bem as de pelúcia.

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marli n a gabiMarli Gonçalves, jornalistaVendo filmes sobre como previsões orçamentárias eram montadas. Como se patrocinou tanta libertinagem no escurinho do cinema.

Brasil, 2017, continua nos próximos capítulos.

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@MarliGo

Sessão fofoquinhas do pau para toda obra. Neymar e Anitta. Mudou sua vida, né?

zdragloveMexericos da Candinha
O jogador Neymar e a cantora Anitta estão – a se usar linguagem própria das colunas de futilidades – se
conhecendo melhor. No sábado, ele mandou seu avião buscá-la no Rio para uma festa organizada por ele
no Guarujá. Ela dormiu no casarão do craque.

 

fonte: COLUNA AZIZ AHMED – JORNAL DO POVO/RJ