ARTIGO – Como é o seu candidato ideal? Por Marli Gonçalves

Como é a pessoa em quem você votaria de olhos fechados, sairia feliz para votar até debaixo de chuva e frio, como se diz, ou até debaixo de facas, não temeria a pandemia e voltaria para casa orgulhoso por ter praticado a cidadania em sua melhor forma? Ela existe?

candidato

Mulher? Homem? Alguma causa social a ser defendida? Você se importa com o partido ao qual pertencem? É que temos tantos (33) que é até bem confuso, porque pouco eles se diferenciam entre si, sejam de centro, esquerda, direita, direções que cada vez mais apontá-las se torna indiferente nessa nova sociologia que enfrentamos. Existem tantos porque tem uma torneirinha que vaza nosso dinheiro para cada um deles.

Essa semana pensei muito nisso. Passamos por seis horas de imersão no tema eleições e marketing político, em curso online do jornalista e um dos experts no assunto, Carlos Brickmann. Foram seis horas, duas horas em três dias. Interessante pensar nos variados aspectos eleitorais pelo menos um pouco antes, e, especialmente, neste ano tão cheio de surpresas, mudanças, medo. Além da premente e visível necessidade de renovação e mudança. Tempo muito curto. Piscou, e vai chegar o dia, um domingo, 15 de novembro, primeiro turno; e onde houver segundo turno será 29 de novembro, apenas 14 dias depois.

Como será a presença? Terá forte abstenção? Vacina, até lá, desistam. A eleição atual será de âmbito municipal, prefeitos e vereadores, tudo o que é mais perto da gente, de onde moramos, vivemos, transitamos. A “outra”, nacional, federal e  estadual, tão esperada por grande parte da população que não sabe nem como é que chegaremos lá, tão destroçados que já estamos, só em 2022. Você seria a favor de que todas as eleições fossem unificadas? Gostaria que esta tivesse sido adiada? Você vai votar?

O tempo curto: a campanha começa oficialmente só no próximo dia 27 de setembro. Imagino que já deve ter recebido aceno de algum amigo ou conhecido que será candidato, com quem você há anos não falava e já esteja percebendo a candura e “saquinhos de bondades” de alguns prefeitos que adorariam se reeleger. Acredito ainda que já perceba de repente até algumas máquinas na pista e homens trabalhando em locais onde eram esperados já há algum tempo.

Nas nossas conversas sobre o assunto, na qual participaram pessoas de todas as regiões do país, percebemos a chegada de vários candidatos bem intencionados, que vão tentar serem eleitos para buscar contribuir com seus conhecimentos. Embora pelas Câmaras passem todos os assuntos, seria muito bom se nelas houvesse conhecimento mais preciso sobre temas como Saúde, Educação, Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano, Segurança Pública. Mas também é fundamental, muito especialmente, que a Câmara seja composta de forma diversificada e que atente também a temas comportamentais, como as questões de gênero, raça, entre outras que nos são tão caras e sempre tão esquecidas ou deixadas de lado.  Pense bem nisso quando for votar.

Na questão feminina, pela qual tenho especial apreço, pensa na importância de termos mais mulheres nos parlamentos. Não só pela luta pela igualdade, mas pelos aspectos que tanto nos afligem, e só a nós, que precisam ser consertados ou resgatados, inclusive em relação ao respeito aos direitos conquistados e nos tantos que ainda faltam. Cuidado com essa questão de cotas, onde muitas são postas apenas como números. Procure as que realmente fazem a diferença. É a hora das lideranças comunitárias, daquelas que há muito tempo guerreiam, sejam de qual idade forem. O mesmo para as questões LGBTs.

No curso, interessante, se concluiu que o povo vota por emoção, mas não gosta de quem ataca os adversários, especialmente se esse ataque for abaixo da linha da cintura. Agora não é hora de acirrar ainda mais essa divisão nacional, bolsonaristas, lulistas, etc… – mas, sim, hora – e oportunidade – de dissipá-las, em prol de uma união nacional. Vote em quem fala a verdade, aliás, quem sempre falou, porque nessa hora o que tem de gente esquecendo o que disse, o que escreveu, o que já prometeu e não cumpriu, não é brincadeira.

Se eu pudesse pedir voto, apenas diria: vote contra a ignorância que precisamos conter, com tanta força. Fique atento às notícias, promessas e informações falsas, a arma dos incompetentes. Muitas coisas talvez não dê para falar pessoalmente, nesse ano o contato será muito “digital”, com máscaras. Não se deixe enganar por quem é capaz de levantar, sem perceber, um anão, pensando ser uma criança. Esqueça a política antiga e, já que essa chegará em grande parte por redes sociais, utilize esse mesmo campo com consciência, seja para apoiar, seja para incrementar com os temas que farão a diferença nesse futuro ainda tão incerto que vivemos.

Ah, me conta, por favor, se puder, como é o seu candidato/candidata ideal? Não é de hoje que me dedico a tentar entender este país.

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MARLI GONÇALVES Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Filme nacional, de todos os gêneros. Por Marli Gonçalves

Assistimos, só, não, somos em muitos deles os seus próprios protagonistas, mesmo contra vontade. Vivemos dentro deles. Outro dia um amigo comentava que se sente como se estivesse em um filme. Verdade absoluta, que me fez pensar nesse momento e daí descobrir ironicamente que estamos é vivendo intensamente dentro de todos os gêneros cinematográficos, inclusive os seriados

Ninguém sabe ao certo quando vai poder ir ao cinema, sentadinho no escurinho, com aquele balde de pipoca. Nem venham me falar em drive-in que não tem graça pagar uma grana preta para entrar em um estacionamento de carro e ficar ouvindo o som da tela pelo rádio, pedindo licença para ir ao banheiro, ou esperando um hambúrguer frio chegar pela janela. Aliás, sou do tempo de drive-in bem diferente, não sei se ainda sobrou algum, lembro de um enorme que havia aqui na Avenida Santo Amaro. De outra finalidade, era um box, com cortininha e tudo, valendo os embaçados vidros do carro, que de vez em quando balançava, se é que me entendem. Mais barato e acessível que motel, que não eram tão numerosos como hoje.

Está claro que vários filmes estão sendo produzidos diariamente diante de nossos olhos, e com conteúdo que dificilmente os melhores roteiristas do mundo seriam capazes de imaginar. Mas o melhor é observar a variada produção de filmes nacionais, brasileiros, que estão diariamente em cartaz. Ora chanchadas de péssimo gosto, ora comédias dramáticas. Temos até ficção científica no filme rodado por negacionistas e terraplanistas que inventaram um planeta diferente, todo achatado; agora acrescentaram ao enredo Ets esmagados que seriam usados em vacinas chinesas que nem existem, mas que já são contra, contra o coronavírus, uma gripezinha inventada para dominar o mundo segundo esses gênios criativos, que ainda adicionaram nessa fórmula sangue de fetos. Ficção de puro terror, para exorcista nenhum botar defeito.

Os diálogos desse filme ruim também são encontrados em filmes mais rigorosos, de cunho político, ou documentários desses tempos de pandemia. Neles, ou estamos integrados ou estamos como atingidos, as vítimas retratadas nessa tragédia para a qual a única trilha musical é macabra, e o letreiro inicial deve iniciar com in memoriam trazendo já quase cem mil nomes. Se for escolhido fazê-lo como letreiros finais certamente serão bem mais, dado o desenrolar desse enredo em câmera super rápida.

Interessante como os gêneros se misturam nesse cinematográfico Brasil. Faroeste/comédia: um presidente montado a cavalo correndo pelos campos do Nordeste empunhando em forma de arminha uma caixa de cloroquina; em outra cena, ele, cheio de empáfia, tira a máscara, corre atrás de emas nos campos do Palácio, que o bicam seguidamente. Manda o xerife que comanda facilitar que mais pessoas tenham armas, é aplaudido pelos filhos, pela claque da bala, pelos robôs do mundo digital. Nós só podemos prever que seja uma preparação para um próximo filme, uma continuidade, desta vez de guerra. Ou catástrofe.

Tem filme de espionagem, com dossiês sobre inimigos sendo preparados, fichas pessoais sendo levantadas por um bunker para o qual quem não está com eles é inimigo, de esquerda, comunista, gay, feminista, imprensa, categorias que pretendem exterminar porque lhes impediria de manipular a população como um Grande Irmão, personagem de um lugar aí que eles não sabem qual, quem que escreveu, do que se trata, mas ouviram falar; porque se tem um gênero de  filme que não sabem fazer é o Cult.

casal no cinemaOs últimos meses, fatos, acontecimentos, ações, decisões, diálogos, registros, surgimento e desaparecimento de personagens, que incluem até astronauta, além de generais e quetais, pastoras e jabuticabeiras, gurus de araque, milicianos, entre outras caracterizações que é melhor nem lembrar, englobam e criam roteiros e cenários  (queimadas, devastação da Amazônia, boiadas, reuniões ministeriais, lives, Brasília, cercadinhos, etc.) para todos os gêneros, sem exceção. Podem se misturar. Os figurinos, sempre todos péssimos, incluindo camisetas de time falsificadas. A trilha, em geral sertaneja (ou o hino nacional cantado de forma solene). Os objetos de cena: canetas Bic, caixas de cloroquina, fuzis, pães melados com leite condensado, carimbos com a cara da família estampada, cartazes antidemocráticos. Participações especiais do presidente Donald Trump e de trogloditas que estão saindo das cavernas de forma assustadora.

Drama ou comédia, infelizmente, É Tudo Verdade. Pelo menos por enquanto. Mas precisamos editar esses filmes enquanto ainda é tempo de tirá-los do cartaz. Do jeito que estão, no máximo ganharão a Framboesa de Ouro. O tapete da cerimônia, como eles dizem, jamais será vermelho, a não ser tingido pelo nosso sangue, e de forma cruel.

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ARTIGO – Vacina: vai funcionar contra raiva? Por Marli Gonçalves

Mais do que uma vacina contra o coronavírus precisaremos insistentemente apelar aos cientistas e pesquisadores de todo o mundo para que, por favor, também desenvolvam vacinas, fórmulas, indicação de ervas ou remédios eficazes contra a loucura humana nesse período alucinante que vivemos. E pra que não tenhamos raiva do que aconteceu, acontece e terá repercussão durante ainda longo tempo. Não está fácil, especialmente por aqui, acompanhar o andar dessa carruagem desgovernada.

Ilustração dos desenhos animados, louca beleza cabelos compridos ...

Todos os dias tentamos acompanhar e entender gráficos, tabelas, cálculos, dados móveis e imóveis, flechinhas coloridas apresentadas sobre as tais últimas 24 horas. Um leve ar alegre dos apresentadores tentando passar algum otimismo informa, enfim, termos alcançado um platô, o cume. Mas quando vamos ver com atenção é apavorante, o cume do terror – como tão bem definiu claramente um especialista, essas curvas e tendências nos mostram nada mais do que uma “assinatura do fracasso”.  Lá em cima. Mais de mil mortes dias seguidos, outros milhares de contaminados dia após dia.  Isso contando só números oficiais, que todo sabem bastante defasados.

Os dados mostram números ora estacionando, ora dando pequenas marcha-a-ré, ou engates de primeira, como se fosse algum teste de direção para tirar habilitação. Como não diria, ou diria, Michel Temer, “não tem de manter isso aí”. O tal platô está lá no alto, não tem o que comemorar, relaxar. Mas não é o que o parece ser entendido como informação para a população deste nosso país atrasado, com tal ignorância de consciência social e de coletivo, além da sua enorme população tão carente de recursos que exigir compreensão, “protocolos” e mais sacrifícios chega a ser surreal e malvado.

E daí? E daí que é como se alguém embaralhasse de tal forma as informações, que ninguém sabe direito ou tem segurança é de mais nada. Vêm sendo liberadas atividades aqui e ali, as pessoas já estão tomando as ruas, o trânsito, os problemas do velho normal agora somam-se aos do tal novo normal. Tudo parece meio chutado.  Uma coisa pode abrir cinco horas, outras oito. outras só de dia; ambulantes podem, e já invadem com suas máscaras penduradas no queixo as calçadas das grandes cidades. Tanto pode e não pode como se houvesse alguma fiscalização real sobre o cumprimento dos tais protocolos. Tenho vontade de rir quando ouço falar em multas, punições de estabelecimentos; coitados dos quatro ou cinco escolhidos como flagrados, para dizerem que estão agindo. A real é que a Casa da Mãe Joana está com as portas abertas, escancaradas. E a economia, pálida, sem energia.

Enquanto isso, dá para acreditar? Não sei se temiam a reação ou alguma revolução popular nacional se não acenassem logo com nova data, transferiram o Carnaval de 2021, que cairia de 12 a 16 de fevereiro, e remarcaram para maio do ano que vem. Ou junho, ou julho, ou agosto, sabe-se lá.  Então, combinado: em maio do ano que vem, junto com noivas e mães, arlequins, pierrôs, colombinas, unicórnios, e um pouco mais de dias, que se junte logo às festas juninas, com seus alegres caipiras e quadrilhas. Só não fizeram o papel ridículo total porque ainda, pelo menos ainda, apenas cancelaram as festas da passagem do ano, não tentaram mudá-las de data. Mas não duvidem. Agora não duvido é de mais nada. Depois de transferirem, deslocarem, o Carnaval, tudo pode acontecer.

Datas, todas, inclusive, que dependerão sempre, exclusivamente, da existência de uma vacina. Vacina que a ignorância da negação já ataca, de antemão, com os mais estapafúrdios argumentos.

Enquanto isso um presidente infectado com o vírus passa as tardes pensando como vai aparecer para nos aborrecer um pouco mais, tinhoso que é. Corre atrás de uma ema em seu jardim encantado. Empunha nas mãos uma caixa de cloroquina, da qual aliás não se desgruda mais, e um dia saberemos a verdade atrás dessa história – como um maluco, esperando tomar mais alguma bicada, ser confundido com um prego. Sem ter ao que parece nada o que fazer – nesse desesperador momento – vai passear de moto, parando para conversar bem de perto e sem máscara com os serviçais de seu palácio.  Vive em outro mundo, assim como alguns de seus ministros irreais. O da Saúde, general interino, disse, repito, disse, falou, eu ouvi, você também deve ter ouvido, que assintomáticos não transmitem os vírus para outros, fora ignorar todos os alertas que recebeu e tudo que a Ciência propõe. E ainda tem o ministro Imposto Ipiranga querendo mais…impostos! E queimadas, e o mundo perplexo, e o tempo passando.

Não bastasse já estarmos precisando conviver com a gente mesmo de uma forma que jamais imaginávamos, e que é tão difícil, não temos um dia de paz, nem um dia que não nos envergonhemos de alguma fala, ato, decisão, ou que não tenhamos de fazer de conta que tudo isso vai passar logo. Não tem nem um dia em que não passamos pelo sentimento que tanto mal pode fazer, principalmente por nos sentirmos imobilizados e impotentes: raiva. Ainda não estamos babando, mas falta pouco.

Precisamos poupar energia para pedir uma vacina também contra isso, contra eles. E essa fórmula não parece que será dada nas próximas eleições, que essas –  interessante – ninguém teve coragem de cancelar.

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ARTIGO – Nossa história. Quem vai contar? Por Marli Gonçalves

Um baque atrás do outro, numa sequência trágica. Já não fosse o mais, digamos,  tradicional, idade avançada, acidentes, doenças terríveis, os fulminantes, agora a perda de pessoas com as quais tivemos períodos importantes ou toda uma vida em relacionamento parece não ter fim, se acelera de forma a quase não dar tempo para que possamos nos recuperar. Quem vai sobrar para contar nossa história?

Our History - Totally Local Company

Dependemos muito do testemunho de amigos para contar a nossa própria história, inclusive acrescendo detalhes, pequenos, grandes, engraçados, sórdidos, esquecidos, ou muitas vezes até nos ajudando a exagerá-los. Dependemos da memória das outras pessoas para relembrarmos muitos dos fatos que vivemos. E a cada dia, com tantas perdas, morremos um pouco junto.

De novo mais uma semana triste. Penso que isso está ocorrendo nessa pandemia com cada um, cada pessoa ligada a cada uma dessas quase 80 mil pessoas mortas até agora no país; 600 mil em todo o mundo. Mundo onde praticamente 14 milhões de atingidos nem sabem bem se, quando se salvam, terão sequelas ou quais serão. Cada dia é uma informação nova, não lembro de em meses algo estar sendo tão pesquisado, escarafunchado, e ao mesmo tempo confuso, como esse coronavírus. Nem no caso do HIV que, aliás, continua décadas depois sem cura efetiva, embora os remédios tenham avançado mesmo que muito lentamente.

Cada morte leva um pedaço da gente, e ainda nos surpreende. Como assim, morreu? Descobrimos aí que decididamente não somos imortais.

Mas aí que está: enquanto estamos vivos por aí, temos nossas histórias vistas, testemunhadas, podemos dar até referência, telefone, e-mail, formas de contatos para quem de nós acaso duvide. “Pergunte então ao fulano se não acredita!” – provocamos.

Quando morremos, os registros, a mim parece, são feitos sempre de forma muito mais pobre e reduzida. Isso levando em conta, claro, que tem muita gente que imediatamente vira herói ou anjo, mesmo tendo sido uma pessoa terrível,  má (quem pode ser tão sincero?); ou, por outro lado, se o coitado passou a vida na batalha pelo reconhecimento, esse se dá somente nessa hora, como legado moral a seus familiares. E ponto.

Tenho reparado nos obituários, especialmente nos de amigos importantes, personalidades que perdi nos últimos dias – Antonio Bivar, a fotógrafa Vania Toledo, além do radialista José Paulo de Andrade, este não tão próximo, mas tínhamos grande mútua admiração, muitas vezes ele leu meus artigos para seu público na rádio, no Pulo do Gato. Fiquei impressionada com o raso das informações publicadas, todas muito protocolares. Emoção mesmo só achei nas redes sociais, nos casos de convivência colhidos aqui e ali nessa imensa colcha de retalhos.

Não falo de biografia que isso é mais sério, coisa para livros, mas dos causos, das aventuras, das desventuras, até das brigas, porque não? De tudo aquilo que a gente imediatamente recorda ao sentir a morte de alguém com quem de alguma forma se relacionou. E quanto mais se vive, mais destas passagens temos lembranças, e ultimamente com mais facilidade, o registro de fotos.

Escrevo tudo isso porque tenho me sentido “esburacada” com esse momento que leva tantas pessoas com as quais convivi, alguns até muito mais de 40 anos. Estranho admitir que hoje praticamente já não tenho mais por perto quem possa recordar, por exemplo, de histórias de minha infância e adolescência – tenho de fazer isso por conta própria.

E creio que talvez seja importante alertar aos mais jovens sobre essas coisas que se tornam tão sensíveis e visíveis quando o tempo vai passando. Talvez, em tempos tão digitais, tão instantâneos, seja bom guardar com mais cuidado cada momento, até para poder contar mais adiante com orgulho. E, muito importante: dar em vida o reconhecimento, o amor e o carinho devidos.

Admitindo: a cada morte – esse assunto difícil – quem fica, fica mais pobre de suas próprias memórias.

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ARTIGO -O novo (a) normal. Por Marli Gonçalves

Ora, não me venham falar nesse tal de novo normal, que as pessoas vão mudar, que aprenderam, que daqui pra frente tudo vai ser diferente, que isso só é letra de música. A realidade é que a natureza humana gosta de viver seus conflitos e que a luta pela sobrevivência ainda é um pisando no pescoço do outro

O que é "normal"?: duração e variação do ciclo menstrual

O estouro da boiada. Como não vivo no campo, aprendi essa semana, vendo como as pessoas estão se comportando logo aos primeiros sinais de relaxamento do isolamento social, e compreendi a expressão – foi o que me pareceu um estouro da boiada. Vendo as filas horrorosas, os apertos e ajuntamentos, as burlas das leis ordenadas, mas sem fiscalização em um país onde faz tempo se aprende a viver ilegalmente. Parece que ficaram os quase 90 dias em casa esperando o sinal tocar, como esperávamos o sinal do recreio na escola, e que passaram esses dias anotando o que comprariam com o pouco que ainda lhes restou, se é que ainda restou. Ou se apenas o que aconteceu é que ficou mais escancarada a possibilidade do fim do mundo, ou da instantaneidade da vida. Partiram para o tudo ou nada.

Nos noticiários vi gente impaciente esmurrando a porta da loja que se atrasou para abrir. Vi também alguns comerciantes reclamando do horário limitado e do número baixo de clientes, como se isso já não fosse de certa forma normal até bem antes da pandemia. Gente atabalhoada tentando tirar o atraso, e esse atraso correndo deles.

Diferente das filas criadas pelo confuso e desatinado governo para dar o auxílio emergencial e quando muitos correram para portas de bancos para tentar garantir aquele trocadinho, o que até valeria algum risco, desta vez se aglomeraram para comprar nas ruas e shoppings populares, bater pernas atrás de presentes para datas que já não marcam é mais nada. Houve também muitos que vieram com sacolinhas e sacolões para comprar o que venderiam em outras filas e aglomerações, em outros locais, nos paraguaizinhos de todo o território nacional.

Máscaras foram o hit da vez nas barracas dos camelôs, mas nem todos as usam no lugar, ou mesmo as usam. Estão faltando beber álcool em gel, como se esse pudesse ser servido em copinhos e, espirrados, fossem mágicos seus respingos. O resultado dessa loucura estará no futuro logo ali, nos números de novos  infectados e mortos, como se não bastasse já termos ultrapassado a terrível marca oficial de 40 mil brasileiros mortos e de quase um milhão de infectados, números ainda acanhados perto da realidade, subnotificados de todas as formas possíveis, inclusive oficialmente, na cara dura.

Repito: e vocês aí achando que uma nova sociedade surgiria dessa experiência que, inclusive, não tem qualquer data para acabar, sem vacina, sem remédios, só desatinos e improvisos. Como? Com um dirigente máximo insano?, que pouco está se lixando para a vida, e que agora – dá até vergonha de falar – incentiva seus seguidores chucros (que certamente poderão, com razão, serem chamadas de gado, se o fizerem) a entrarem nos hospitais para registrar e “denunciar” (!) camas vazias… Qual o próximo passo?

Esse presidente e sua equipe, sim, podem ser chamadas de anormais por não pararem um minuto de multiplicar a ignorância e o perigo. Obrigaram até a oposição a tentar  se organizar e chamar protestos nas ruas, antes ocupadas apenas por uns seres estranhos e feios vestidos de verde e amarelo abanando bandeiras antidemocráticas ou desconexas, montinhos perdidos que podiam ser encontrados tentando  se acasalar e se multiplicarem lá na frente do Palácio da Alvorada; aqui em São Paulo, na porta da Fiesp e em frente ao II Exército.

E os ladrões, espalhados, enchendo os bolsos com o super faturamento de equipamentos e insumos hospitalares? Aumentando preços como se realmente não houvesse amanhã? Bancos posando de bonzinhos nas propagandas e ignorando pedidos de socorro por créditos a juros mais baixos?  A lista é enorme e você aí já deve ter lembrado de mais algum fato entre esses que assistimos estupefatos.

Daqui de meu posto de observação estou é vendo muita gente brincando com a morte, como se ela já não estivesse bastante visível. E fico, acreditem, cada dia mais preocupada e temerosa com a forma dessa abertura precipitada, sem conscientização, como se o vírus tivesse tirado férias. Mas ele ainda está lá escalando a montanha em busca de asfixiar e tirar o oxigênio vital, todo feliz com os pratos oferecidos para sua alimentação, especialmente os pobres.

Para finalizar, não me venham falando em percentual de ocupação de leitos estar folgado. Ninguém quer vê-los cheios. Ninguém quer ficar doente. Não é possível que esse tal novo normal seja tão burro que não possa entender isso.

Normal. O que é normal?

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ARTIGO – É uma vez um verão muito esquisito. Por Marli Gonçalves

Cá estou eu, numa nublada e cinzenta São Paulo, e com um dedo imobilizado até o outono. Não era pescoço de cisne o problema que de repente me aconteceu. Chama dedo em martelo, me informou o especialista, mais comum, mas não menos chato e “atrapalhante”. Não apareceu ainda nenhuma moda divertida de verão, nem aqui, nem no Rio de Janeiro, nem em lugar nenhum, e até o Carnaval está mais enrolado que serpentina

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Nem estou podendo usar o dedo do meio da mão direita, o conhecido “dedo-do-palavrão”, pai-de-todos, dedo maior. À esta altura em praticamente todos os anos que vivi, e são muitos, logo em janeiro a gente já sabia qual era ou ia ser “a do verão”. Teve, para lembrar alguns,  o “da lata”, quando as latas do Solana Star vieram dar alegria às praias, o do “apito” que a moçada usava para alertar sobre a chegada da polícia, o do topless, no qual as garotas liberavam a torturante parte de cima dos biquínis.

Já estamos em pleno fevereiro, o Sol anda mesmo sumido aqui do Sudeste. As chuvas de verão, às quais até já estávamos acostumados, fortes, mas rápidas e refrescantes, só estão trazendo a parte das desgraças, das mortes em desabamentos, deslizamentos, acidentes, e o Estado de Minas Gerais anda premiado. A falta de saneamento básico, o descuido com algo tão importante, vem se mostrando a cada nuvem carregada que desaba.

Nas praias, nos livramos do óleo, ainda inexplicado. Mas no Rio de Janeiro hoje, que anda sem graça, e até sem moda, se perguntarmos qual é a do verão, a resposta será “o da água fedida, turva, contaminada”, o verão da “geosmina” bactéria produzida por algas. Um verão do baixo astral.

Não bastassem os inglórios problemas nacionais, chegou o temor com o novo coronavírus detectado na China, se espalhando e ligando o alerta mundial. A contaminação pessoa a pessoa apavora e se aproxima, inclusive de nosso Carnaval, justamente a época que se canta e dança para exorcizar os demônios anuais, com alegria; o tal ópio do povo.

Verão esquisito esse de 2020 … é o mínimo que se pode falar dele até agora, embora meu otimismo siga até 20 de março junto com as nossas esperanças que até lá melhore esse astral. O que incomoda é lembrar que, pensando bem, desde antes, certa eleição e posterior posse, já passamos por um outro verão, outono, inverno, primavera e todo dia um aborrecimento vindo de algum canto do Brasil nos agoniou.  Como um mal que se espalha, uma geosmina comportamental que turva tudo o que encontra. Incentivados por quem imaginam ser líder, os mais estapafúrdios pensamentos saem das cavernas, puxando nossos pés e ânimos, e enquanto estamos acordados. Estamos? Mesmo?

Só para efeito de demonstração das últimas 48 horas anteriores a esse momento em que escrevo. Secretário da Educação de Rondônia permite que se ouse fazer, imaginar, listar 42 obras literárias nacionais e internacionais para censurar, classificando-as como impróprias para crianças e adolescentes. A tempo não foi executado, mas a lista incluía clássicos como Macunaíma, Os Sertões, e sobrou até para Machado de Assis, entre outros bambas.

Quer outra? O novo coordenador da FUNAI no Mato Grosso do Sul, José Magalhães Filho, falou em entrevista sobre a ‘integração do índio à sociedade brasileira’. Disse como funcionaria essa política de “integração”: ‘Nós temos que preparar essa criança, esse indiozinho, essa indiazinha, para frequentar a escola urbana. E assim a namorar com um pretinho, um branquinho. E essa integração vem surgindo automaticamente. Desta forma é que nossa política será implantada’.

Socorro! Chega, né? Tá bom. Não vou nem lembrar da série de sandices disparadas esses dias pelo presidente da República, o general dessa banda desafinada, que tanto atravessa nosso samba na avenida, sacolejando nossa harmonia.

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ARTIGO – Os Implicantes. Por Marli Gonçalves

Virou o ano e agora temos este, 2020, número lindo, espelhado, bom de escrever, desenhar, bissexto, pelo menos enquanto não vier alguém implicar com ele até por isso, pois se implicam com tudo. E se até o Papa se dá o direito de dar uma bifas por aí…

Com o que você implica? Todos nós andamos implicantes com alguma coisa ultimamente, repara só. Claro que nem preciso dizer, para começar, que implicar com o atual governo, desgoverno, sua equipe, as bobagens que proferem ou ameaçam, o próprio e seus filhotes, o pacotão todo, é quase que obrigatório, cidadania, vigilância, alarme ligado. Se até quem o botou lá agora está implicando. E se até o Papa…

Mas tem muita gente por aí implicando com coisas que absolutamente não lhes dizem respeito, nem de perto, e que não fazem parte nem diferença para as suas vidinhas normais. É até engraçado em alguns casos como os carolas nos lembram as “Senhoras de Santana” – lembram? Elas adoravam uma censura.

Mas isso pode ser perigosíssimo em tempos estranhos.

Antes que impliquem comigo, repito, admita: todos somos um pouco implicantes. Com mau humor a coisa piora, dobra, a gente até procura com o quê ou com quem implicar. Eu, por exemplo, ultimamente, assumo e vou dar um exemplo, ando completamente implicante – vejam só que bobagem – com homens que usam bermudas e meias ¾ puxadas, bem esticadas, até em cima, arrumadinhas. Tenho gana de pular na perna deles e baixar a meia. O que eu tenho a ver com isso? Nada. Eu bem sei. Mas dei de implicar com isso.  Nunca ataquei nenhuma perna, não se preocupem, que ainda não cheguei nesse nível. (ainda). Não ofereço riscos. Mas prometo tentar parar logo com essa implicância, que tenho muito mais o que fazer.

Justamente sobre isso que falava.  Sobre implicâncias também poderem desencadear violências, intolerâncias. Uma coisa é você implicar dentro da sua cabeça; outra, tentar com que outras pessoas impliquem também com a mesma coisa. Isso muito facilitado pela loucura das redes sociais. É o que está acontecendo no caso do filme do pessoal do Porta dos Fundos para a Netflix, que até onde sei não está obrigando ninguém a assistir – se estiver, me avisem correndo que não tenho ainda assinatura e vou aproveitar para maratonar as séries legais deles. Nessas primeiras horas do ano, já implicaram com o Sabonete Phebo porque custaria três reais; um pouco mais com a Greta Thunberg que adorariam ver ferver na Austrália e, pior, o Trump implicou de tal forma com o Irã que está nos pondo a todos à beira de uma Grande Guerra, fora o petróleo já custando barris de dólares.

Tem gente que ouviu cantar o galo num sei onde e fica piando igual sabiá no outro canto. Daí para a frente é um pulo: pedem censura, implicam com quem os artistas transam ou deixam de transar, quem com quem, implicam com os espetáculos que fazem e sobre o qual não têm a menor noção. Com o que comem ou deixam de comer, se engordam ou se estão magros. Não tô vendo gente implicando, quase mesmo que excomungando o próprio Papa? Ouvi até citarem a Lei Maria da Penha (!) porque ele teria dado as palmadas nas mãos de um mulher – e olha que ele já pediu desculpas – fez um mea-culpa – quase se atirou lá da sacada do Vaticano.

Agora também estou vendo uma novidade na área de implicância – a feita contra quem morreu, e que não poderá mesmo se defender a não ser puxando o pé quando os implicantes estiverem dormindo. Assombrando.

Cada dia mais temos tantas coisas sérias para nos preocupar e essas, sim, implicarão em tudo o que viveremos nesse 2020 em diante. Vamos tentar todos implicar menos com o que não nos diz respeito. Viver e deixar viver. Bem, claro, até que impliquem com a gente, que se defender é questão de honra.

2020! Feliz Dia de Reis!

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

 

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#ADEHOJE -TIRAM $ DE ONDE MAIS PRECISA?ABSURDOS!

#ADEHOJE -TIRAM $ DE ONDE MAIS PRECISA?ABSURDOS!

SÓ UM MINUTO – Querem absurdo maior do que a aprovação, no Congresso, da verba de quase 4 bilhões de reais para o Fundo Partidário? Pior, que vão tirar esse suado dinheiro de áreas vitais como Educação e Saúde, e que já estão caindo pelas tabelas? Estamos vivendo tempos muito difíceis, com minorias dominando leis, ordens, comportamento, e parece que quanto mais gritamos, mais a situação fica alarmante. O silêncio predomina perigosamente até que os gritos estourem.

As informações falsas circulam livres e as verdadeiras são controladas. O nível de compreensão e leitura está evidentemente em declínio e a argumentação pobre. Com um radicalismo como há muito não se via, ampliado pelas redes sociais, chegamos a mais um fim de ano lamentável e lamentando um dia a dia de violência, mortes, desavenças.

Parecem mundos que não se conversam.

#ADEHOJE – MUDANÇAS MORAIS, ACIMA DE TUDO. E CPI QUENTE

#ADEHOJE – MUDANÇAS MORAIS, ACIMA DE TUDO. E CPI QUENTE

SÓ UM MINUTO – O senhor Jair Bolsonaro apavora, apavora, mas não pode impedir que a sociedade reaja em suas vidas, e que o comportamento avance. O IBGE divulgou hoje dados de 2018, em número muito interessante sobre casamento civil de pessoas do mesmo sexo: casamentos LGBTs crescem 61,7% em 2018. Os casamentos civis, só 1,6%. Outro dado, também de 2018, que significa muito, inclusive para luta das mulheres: o número de mulheres que só tem seus filhos entre 35 e 39 anos aumentou 56 %. Elas esperam um maior equilíbrio em suas vidas, inclusive do ponto de vista profissional.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) das Fake News, que investiga a divulgação de notícias falsas nas redes sociais e assédio virtual, ouve hoje a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Congresso. Ela brigou feio com os Filhos do Capitão, que puseram uma horda de robôs para atacá-la nas redes sociais. Joyce não tem tampa e podemos dizer que ela ficou muito…digamos, brava, com o fato de não ter sido reconhecida em tudo o que fez e apoiou o atual desastrado governo. Agora, se ligou na roubada que entrou. E vai abrir o bico para tentar se livrar dela.

VIVA YANSÃ EM SEU DIA!

 

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ARTIGO – Banhos. Por Marli Gonçalves

 

Mesmo que não exatamente de água tomamos banhos todos os dias, sejam de espirros de água fria em nossos desejos, jatos quentes das decisões que tomam por nós, ou que por nós precisam ser tomadas. Duchas geladas em muitas esperanças que acabam varridas. Mas também tem os bons banhos, e os que podemos preparar para esquecer tudo isso

Nada como um bom banho para esfriar a cabeça. Os últimos dias têm sido verdadeiramente horríveis de acompanhar e digo isso olhando para todo o planeta e para o microcosmo mais próximo; nosso país, nosso Estado, nossa cidade, meu bairro, minha vida, e isso não é slogan governamental da área de habitação. Tudo isso esquenta a cabeça, estressa, dá fios brancos nos cabelos, angústias. Pela profissão, no meu caso, não posso desligar os comandos, me abster de saber, acompanhar e, claro, me preocupar muito com a ignorância que avança de forma tão célere entre aqueles que apenas ouvem o galo cantar por aí e acreditam que já é amanhecer; e esse galo ou mente total, ou cacareja só pedaços das histórias que alardeia, seja de direita, esquerda, esteja no telhado ou em cima do muro. Temo sempre é a ameaça do anoitecer, se é que me compreendem.

E em um desses dias de apreensão tive necessidade de me esquecer mais um tempo debaixo do chuveiro, como se aquele ambiente isolado fosse o único que pudesse me resguardar de todo o resto. Nada que prendesse, nua, sem censura. Só o barulho da água, não querendo sair dali nunca mais, me peguei brincando de desenhar no embaçado do box, desejando apenas pensar que trocaria aquele momento por outro, mas que seria muito parecido. No caso, dentro de uma banheira, objeto de desejo sempre. Ai, meu sais! Olhos os potes e penso que não há como usá-los em chuveiros. Continuo desenhando no vidro do box, corações imaginários que ali abrem janelas para o mundo externo.

Banhos, quantas formas, sorte de quem tem um canto, um tempo, uma maneira para ele, seja uma vez ao dia, sejam os especiais. De balde, bacia, rio, lago, cachoeira, riacho, mar, piscina, frio, quente, morno. De gato.  Ainda tem o de assento…

banhando-seDe Lua, de Sol, ouro, Sete Ervas, rosas, lavanda, alfazema, de cheiro. Sal grosso do pescoço para baixo. Turco, vapor bem quente, seguido do choque gelado, ou o grego, com aromas de chocolate e café. O japonês, do ofurô, que acalenta sonhos.

Os banhos podem ter muitos sentidos, além de limpeza corporal. Individuais ou coletivos. Pode purificar, como nas religiões, algumas com batismo feito com o mergulho do batismo nos braços de um pastor, a criança batizada na pia da igreja, ou aquele bem louco, junto a outras milhares de pessoas como nos rios da Índia. Com roupa, sem roupa, pouca roupa. Mas sempre pode ser muito bom, por isso, inclusive, quem já ficou internado em hospitais sabe que dele ali não se foge pela manhã. Banho de leito, como chamam as enfermeiras que em geral atacam, sem dó, em duplas, logo após o café da manhã.

Tá bom. Cozinhei vocês em banho-maria até agora. Mas foi para suavizar.

Está tudo muito chato. É que é tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, que quando a gente acaba de formar opinião sobre uma, é atropelado por alguma outra informação, notícia, desastre, tragédia, ameaça. Desairosas, cabulosas, cheias de barbaridades, como as falas, ideias e ações propostas pelo presidente nesse governo sinuoso, destrambelhado, e ainda tem os que agem em nome do pai. Ou teimosas, como as de uma estranha oposição que, dirigindo-se apenas aos seus iguais não consegue conquistas, adesões, novos líderes. Vindas da Justiça que brinca com os homens em seus vaivéns.

Só abrindo a torneira. E deixando tudo fluir pelo ralo se, repito, me entendem. E a vontade de mandar um monte de gente ir tomar banho, uma delicada forma de sai-pra-lá, que eu vou passar?banho

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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#ADEHOJE – OS HERÓIS DELES NÃO SÃO OS NOSSOS

 

#ADEHOJE – OS HERÓIS DELES NÃO SÃO OS NOSSOS

 

SÓ UM MINUTO – Decididamente os heróis deles não são os nossos. Bolsonaro chama o canalha torturador assassino e sanguinário de “herói nacional!”, recebe a viúva dele com pompas, e cospe na nossa cara mais uma vez com sua ignorância política e histórica.

Moro garante que não mandou destruir os materiais obtidos nas investigações contra os hackers, que totalmente bandidos vão passar mais uma boa temporada na cadeia. Pelo conjunto da obra.

De quem foi essa ideia estúpida de tentar mandar o Lula par ao Presídio de Tremembé? Bom, claro que o STF negou. Não teria o menor sentido.

Está difícil o show público: Maia chora no programa do Gerson Camarotti, depois de assinar e entregar ao Alcolumbre, presidente do Senado, o texto da a reforma da previdência para votação no Senado. Ah, dizem que se a gente comer menos carne o mundo melhora…

 

 

 

 

 

 

 

#ADEHOJE – – 13 ANOS DA LEI MARIA DA PENHA

#ADEHOJE – – 13 ANOS DA LEI MARIA DA PENHA

SÓ UM MINUTO – É preciso que muitas atitudes sejam tomadas. Todo dia sabemos de mulheres mortas, espancadas, mutiladas. Hoje, 13 anos da Lei Maria da Penha. Ficamos sabendo que houve um aumento de 44% dos casos de feminicídio em São Paulo, que uma mulher é morta a cada duas horas no país que ocupa a quinta posição em violência contra a mulher no mundo. Casos de pedidos de medida protetiva disparam. Aqui tem o SOS Mulher, um tipo de botão de pânico. Procure ajuda se estiver nessa situação. Ou em qualquer outra situação de opressão, ameaça, chantagem.

Esse é um dos assuntos do meu livro – Feminismo no Cotidiano, já nas livrarias e que lanço aqui em São Paulo dia 20. Mas os outros temas todos em que toco também tratam da violência, da desigualdade que ainda ocorre. Entenda: feminismo é simples. Tem de ser praticado.

Ah, nossa Amazônia continua sendo depenada. 278%

#ADEHOJE – SEM MATO, E SEM EIRA NEM BEIRA

#ADEHOJE – SEM MATO, E SEM EIRA NEM BEIRA

 

SÓ UM MINUTO – Os olhos até se ejetam. Bolsonaro, além de tudo, se mostra um homem rancoroso com todos que não concordam com ele, e esse número vem aumentando de forma visível. O caso do INPE é exemplar. Ele não quer que se diga qual é o índice de desmatamento que assola nossa Amazônia, e que nos últimos meses se intensificou. Pois bem. Agora o Ministro astronauta Marcos Pontes, que devia reagir, baixou a cabeça e indicou mais um militar para o governo. Ricardo Galvão, o ex-diretor exonerado, cientista de grande nível, não se intimida e continua deixando claro que os cientistas estão unidos em torno da transparência de dados.

A briga com os governadores do Nordeste vi se acentuando, com críticas públicas e reações dos dois lados.

O cara que tentou fugir da prisão no Rio com máscara, vestido de mulher, foi encontrado morto. Ué, ele não foi para uma solitária? Informam que ele se enforcou com o lençol…hummm

PF hoje fez operações para desarticular a estrutura financeira do PCC em vários Estados. O medo é que eles perdem de um lado, estouram bancos de outro.

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#ADEHOJE – COISAS RUINS MATAM COISAS BOAS

#ADEHOJE – COISAS RUINS MATAM COISAS BOAS

 

 

SÓ UM MINUTO – Recebi hoje um e-mail do respeitado jurista amigo Dr, Ives Gandra Martins, no qual ele me lembra que também há coisas boas no Governo Bolsonaro. Cita: inflação abaixo de 4%, bela safra agrícola, saldo na balança comercial, entrada de capital estrangeiro em valores expressivos, projetos de infraestrutura sendo implementados, reforma previdenciária sendo encaminhada e, para ele, há ainda muitos outros pontos positivos. Respondi que muito bem, mas o presidente fabrica factoides – perdi a conta de quantos em seis meses – todos os dias e isso ofusca qualquer sucesso. Mas registro.

A pesquisa Datafolha de ontem mostra que a maioria da população é contra, por exemplo, as loucuras que o presidente diz pretender fazer no Código de Trânsito. Se feitas, serão ainda mais elevados os números de mortes no trânsito – mais de 40 mil por ano. Números que dobram se forem verificadas mortes ocorridas depois, em hospitais. Verbas da educação sendo direcionadas para outros cantos. Indicação de filho que fritou hamburguer para a embaixada nos EUA. Rumores de que querem criar mais um imposto tipo CPMF

Fica difícil ver coisas boas atrás de tanta fumaça

#ADEHOJE – ECLIPSE, MUITO ALÉM DO SOL

#ADEHOJE – ECLIPSE, MUITO ALÉM DO SOL

SÓ UM MINUTO – Hoje tem eclipse total do Sol, e tem muita gente lá no Chile que foi assistir, por ser um local mais adequado para acompanhar o fenômeno. Mas esse tipo de acontecimento muda muita coisa na geral, e nos faz pensar, e além até da astrologia. Há nesse momento – praticamente todos os dias – um eclipse da razão, da inteligência, da lógica, do relacionamento entre as pessoas.

Tenho lido, visto, ouvido, sabido, assistido a coisas que podem ser chamados do arco da velha, como diz a expressão popular. A internet, as redes sociais, a exposição absurda da vida privada e intima vem criando uma nova sociedade. Onde a intolerância acaba combatida com mais intolerância ainda, criando uma bola de neve perigosa, que pode se transformar em avalanche.

Bem, e hoje ainda tem também o jogo Brasil X Argentina, que nos conclama ao pior de uma torcida, sempre.

#ADEHOJE – SEMANA QUENTE NA POLÍTICA E NA JUSTIÇA INTERCEPTADAS

#ADEHOJE – SEMANA QUENTE NA POLÍTICA E NA JUSTIÇA INTERCEPTADAS

SÓ UM MINUTO – Terremoto ou tremor na Operação Lava Jato? O site Intercept começa a publicar material de vazamento de telefonemas e contatos de Sergio Moro com os procuradores da Operação Lava jato. Registram, inclusive, observações e orientais do hoje Ministro da Justiça em alguns casos. O mundo jurídico está fervendo mais do que fogueira de São João, porque o juiz sempre precisaria manter equidistância par a poder julgar e não contaminar as provas. Isso vai longe, muita água vai rolar. Um passeio pela internet já mostra mais uma vez a loucura da divisão nacional. Uma parte ataca; a outra defende a Lava Jato que, enfim, se mostra não tão puritana.

Claro que a Lava Jato tem e teve papel importante no combate à corrupção, mas a Justiça tem regras bastante precisas de como devem ser conduzidos os processos. Tudo poderá ser rejulgado, vejam bem, de acordo com novos flashes dessas conversas.

Fora isso, mais índices mostram a ladeira abaixo, crescimento, produção industrial…

Semana terminou com acidentes pavorosos, viu , Sr Bolsonaro? E violência!

#ADEHOJE – TODO DIA, NOSSOS SUSTOS. E A DIVISÃO SE ACENTUA.

#ADEHOJE – TODO DIA, NOSSOS SUSTOS. E A DIVISÃO SE ACENTUA.

 

SÓ UM MINUTO – Quando comecei esse programa há sete meses, logo após o resultado das eleições, mal ou bem, pela experiência, já sabia que todos os dias teríamos muitas coisas para comentar. Primeiro pensei em fazer com humor, mas com o tempo, infelizmente, as coisas foram se deteriorando tanto que até o humor fica prejudicado. Resta a ironia. São cinco meses de um governo confuso como biruta de aeroporto; que propõe retrocessos inaceitáveis e que cria casos em sequência.

Mas garanto que, por mais que soubesse que teríamos problemas, nunca poderia imaginar que seriam tantos! Ministros da Educação como esses dois, o de agora é mais perigoso que o colombiano! – a troca de cargos feitas à faca, relações externas feitas a navalha, ministra da Mulher que não vê os fatos, o da Justiça engolindo sapos seguidamente. O do Meio Ambiente mais um sem noção. E um presidente que, junto com os filhos e uma turma, parecem apenas querer uma divisão ainda maior do que a que vivemos tão apreensivos.

#ADEHOJE – IDEIAS DO QUE ELE PODERIA FAZER COM A CANETA. POR LÁ EM CANCÚN, POR EXEMPLO…

#ADEHOJE – IDEIAS DO QUE ELE PODERIA FAZER COM A CANETA. POR LÁ EM CANCÚN, POR EXEMPLO…

SÓ UM MINUTO – Bolsonaro disse que tem nas mãos a caneta que pode transformar a Estação Ecológica de Tamoios na “Cancún” brasileira. O lugar que ele quer destruir é um santuário, 29 ilhotas e rochedos, onde vivem animais sob ameaça de extinção como a garoupa, a tartaruga-verde e o cavalo-marinho-do-focinho-longo. Isso, e a Usina Nuclear. Não gosto de ser grossa, mas a situação geral ajuda: me digam o que ele pode fazer com essa tal caneta… Ideias não nos faltarão. Ah, coincidência… É neste local que Jair Bolsonaro foi multado em 2012 por praticar pesca ilegal.

Para completar esse governo do horror, o tal ministro Osmar Terra – pior, com a anuência de Moro – censura pesquisa da Fiocruz sobre a questão das drogas no Brasil. Toffoli tira da pauta a descriminalização. Eles querem manter o status quo dos chefes do tráfico.

Por tudo isso, já nem nos espanta a queda de 0,2% do PIB. O país anda pra trás em política, educação, saúde, economia e comportamento…

#ADEHOJE – MULHERES, POR FAVOR, REAJAM!

#ADEHOJE – MULHERES, POR FAVOR, REAJAM!

 

SÓ UM MINUTO – 37 MULHERES MORTAS APENAS POR SEREM MULHERES – APENAS POR SEREM MULHERES – NOS TRÊS PRIMEIROS MESES DESTE ANO EM SP. Pauladas, marteladas, facadas, estrangulamento, queimaduras… O feminicídio está crescendo muito, vamos reagir! Não sei se é por causa dessa violência de alguma forma maior ainda sendo credenciada e liberada pelas falas do novo governo, se a crise, se as pessoas estão enlouquecendo de vez. Aumentou 76% esse crime no Estado de S. Paulo, com relação ao ano passado. É visível. Por favor, mulheres, homens, se souberem de algum casso próximo a vocês, ajudem, denunciem. As vítimas precisam de todos nós, além das autoridades que parecem ainda não se dar conta da gravidade desse assunto.

A modelo Caroline Bittencourt está desaparecida no mar de Ilhabela depois de o barco onde estava com o marido virar, com as fortes chuvas de ontem

Cai mais ainda a aprovação ao Governo Bolsonaro

#ADEHOJE – 100 DIAS DE JAIR, BURACO NEGRO E VAMOS INDO

#ADEHOJE – 100 DIAS DE JAIR, BURACO NEGRO E VAMOS INDO

 

SÓ UM MINUTO – Hoje completam 100 dias do Governo de Jair Bolsonaro. O que isso quer dizer? Que talvez agora ele agora comece a governar, o que seria ótimo, ao invés de nos presentear com sandices suas, dos seus filhos e alguns ministros. Ocorreram coisas boas que ficaram soterradas, por exemplo, as privatizações na área de infraestrutura. De qualquer forma tudo é muito esquisito – como o tempo dele é gasto. Hoje tem encontro com o presidente da Fifa para tratar de liberação de bebida alcoólica par ao público na Copa América e para tratar, acreditem, do título de campeão mundial do Palmeiras em 51…De noite encontra embaixadores da Arábia Saudita, que a ministra da Agricultura está tentando salvar as exportações, depois daquelas falas em Israel.

Hoje tem foto do buraco negro. E ainda tem mais buraco negro: os 80 tiros do Exército que mataram o pai de família virou lamentável e triste incidente para os ministros da Justiça e para o da Segurança. Bolsonaro quieto – sobre isso, sobre as chuvas no Rio que mataram 10 pessoas, sobre…

ARTIGO – Papai faria 100 anos. Por Marli Gonçalves

Parece título de Gabriel Garcia Márquez, mas na verdade é porque andei lembrando que o meu pai completaria 100 anos nessa próxima semana. Chegou só aos 98, cansado da vida que viu.  Um Século, e a sensação que agora estamos voltando, mas a um tempo errado

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Que século foi esse! Visto 100 anos para trás poderia parecer que o mundo ali entraria apenas em desenvolvimento e progresso, com a arte imperando, invenções importantes, um ciclo de glórias, inovações. Em paz, depois da tristeza da Primeira Guerra Mundial que atingiu em cheio a Europa, e que buscava renascer de suas cinzas. Os “Loucos Anos 20” eram vividos com alegria, com importantes transformações de costumes, e a vida parecia ter adquirido novos sentidos. Os Estados Unidos tornara-se uma das maiores potências e era também centro de irradiação de novidades em todos os setores.

O cinema florescia, a música – o jazz e o blues envolviam a exuberante vida noturna, a moda libertava mais o corpo da mulher, que deixava de ser mera coadjuvante. Já votava, se fazia presente e atuante nos acontecimentos, na opinião, na literatura, na pintura. Espetáculos, movimentos como o Surrealismo, o Dadaísmo, na moda, Coco Chanel. Foi a era das inovações tecnológicas, da eletricidade, da modernização das fábricas, do rádio e do início do cinema falado, entre tantas outras descobertas e avanços.

No Brasil, os reflexos são simbolizados na Semana de Arte Moderna, embora sempre seja a política um fator de atraso, e aqui não foi diferente. Mas havia a reação, as pessoas estavam felizes e parecia que um mundo novo chegaria, com igualdade, deixando pra trás a crueldade.

Triste sina. Com a quebra da Bolsa de Nova York, a 24 de outubro de 1929, deu-se a Grande Depressão e uma nuvem carregada pairou, finalizando o período dos sonhos. De lá para cá, outros vieram, foram, vieram, insistiram.

Mas as promessas de que os horrores das guerras não se repetiriam, que o desenvolvimento acabaria com a fome e com a miséria, que a ciência triunfaria, que os homens e mulheres se respeitariam, tantas promessas… vêm ficando pelo caminho. Que cessariam as perseguições por etnias, credos, raças, gêneros, que direitos civis e humanos seriam respeitados, quantas promessas! Estamos no espaço, mas destruindo a Terra que habitamos.

Tudo isso e muito mais passa diante de meus olhos quando lembro de meu pai, com quem convivi bem de perto nos últimos anos de sua vida. Hoje vejo por que ele era tão cético – já tinha vivido quase um século para saber, ter certeza, que os “papagaios de botina”, só assim se referia aos políticos e líderes, não têm palavra e pouco pensam no bem-estar geral. Com sua pouca cultura, mas muita vivência, acompanhou as ondas do tempo que chegou aos nossos dias.

Tristeza de ver o país disputado por toscos, de esquerda, centro e direita, que nos deixaram completamente sem opções em todas as esferas. Angústia de assistir ao desfile de falsos e hipócritas buscando manipular a opinião pública com moralismos, como se ela própria não pudesse ver e sentir com clareza o ambiente em que vive, não tivesse discernimento nem carregasse de memória a enorme lista do que precisa realmente de atenção e de construção.

Estamos voltando, regredindo, e diretamente ao que de pior houve nesses últimos cem anos.

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 – Marli Gonçalves, jornalista – Como gostaria agora de ver os nossos Anos 20 com outro ângulo, para querer viver até os 100 e poder contar novas histórias de outras gerações.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

Brasil 2019, limiar

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#ADEHOJE – SÓ UM MINUTO – CENSURA, SAI PRA LÁ!

#ADEHOJE – SÓ UM MINUTO – CENSURA, SAI PRA LÁ!

SÓ UM MINUTO – Por favor, todos atentos. Quem resolve o que quer ou não quer ver somos nós! Por ordem do excelentíssimo senhor Governador Wilson Witzel, a exposição “Literatura Exposta” que estava na Casa França-Brasil , no Rio de Janeiro, foi encerrada um dia antes do previsto. Uma performance do coletivo de artistas És Uma Maluca, utilizaria a nudez feminina e referências à tortura durante a ditadura militar no Brasil, encerraria a mostra. Inventaram mil desculpas para dizer que não era censura. É censura, sim. A obra “A Voz do Ralo É a Voz de Deus”, também do coletivo És Uma Maluca, já havia sido vetada pelo diretor da Casa França-Brasil, Jesus Chediak. Jesus!

#ADEHOJE, #ADODIA – À PROCURA DO TOM PERFEITO

#ADEHOJE, #ADODIA – À PROCURA DO TOM PERFEITO

SÓ UM MINUTO – Esse Trabalho pode até parecer, mas não é brincadeira. O #ADEHOJE, #ADODIA nasceu para ser um registro diferente, dos fatos que vivemos, dos fatos que nos deixam atarantados. Um resumo do noticiário com comentários comuns, observações particulares sobre detalhes que muitas vezes passam desapercebidos. Estou sempre à procura do tom perfeito. Com humor, mas também com sobriedade, por mais que às vezes possa parecer o contrário. Preciso chamar a sua atenção no meio da avalanche. Faço na raça, sem edição, no meio do meu dia atribulado. Para acontecer, preciso da sua ajuda, divulgando, compartilhando. Da sua inscrição no Canal do YouTube, marligonçalvesjornalista. Eu repasso a todas as minhas redes sociais para que alcance cada vez mais pessoas. É rápido, um minuto, não dá para falar muito, porque ninguém tem mais paciência para escutar coisas mais longas, parar para refletir.

#ADEHOJE, #ADODIA – VIOLÊNCIA: O GRANDE PROBLEMA. BASTA!

#ADEHOJE, #ADODIA – VIOLÊNCIA: O GRANDE PROBLEMA. BASTA!

A cada dia tomamos conhecimento de crimes bárbaros, ataques em grandes e pequenas cidades, o descontrole geral na segurança pública. O ano de 2019 começou com um recorde terrível de feminicídios – machadadas, pauladas, tiros, facadas – e violências de toda sorte contra mulheres. É preciso repensar a sociedade, que está doente, agressiva, e isso pode ser comprovado nas redes sociais, onde não há argumentos, apenas xingamentos e provocações, além de ameaças à liberdade de expressão e pensamento.

 

#ADEHOJE, #ADODIA – MOSQUINHA VOANDO PARA SABER ONDE VAI

#ADEHOJE, #ADODIA – MOSQUINHA VOANDO PARA SABER ONDE VAI

 

TENHO ENCONTRADO PESSOAS QUE ME PERGUNTAM, CURIOSAS, SOBRE QUAL VAI SER A DO DIA, A DE HOJE. CONFESSO QUE É DIFÍCIL PORQUE TEM TANTAS COISAS PARA FALARMOS QUE UM MINUTO É POUCO. GOSTARIA MESMO DE SER UMA MOSQUINHA PARA SABER O QUE ESTÁ SENDO DECIDIDO NAS REUNIÕES, NOS GABINETES, O QUE FALAM E PENSAM DE VERDADE. HOJE FALAMOS DO PROGRAMA MAIS MÉDICOS QUE AGORA DERRETE O OTIMISMO DOS OUTROS DIAS, PORQUE AINDA ESTÁ FALTANDO MUITO PARA COMPLETAR O QUADRO DOS CUBANOS QUE SE MANDARAM DAQUI. FALAMOS TAMBÉM DO IMBROGLIO DA FUNAI QUE ESTÁ ABANDONADA E NINGUÉM SABE PARA ONDE VAI. E DO CLIMA, DECISÕES IMPORTANTES QUE PRECISAM SER TOMADAS E O BRASIL É UM PLAYER DESTACADO NESSE JOGO. NÃO PODE FICAR NO COLO DOS EUA. AS MOSQUINHAS ESTÃO ANSIOSAS.

 

#ADEHOJE, #ADODIA – AUAUAU, MAIS UM GENERAL. E OS FUGIDOS SE ENTREGANDO

#ADEHOJE, #ADODIA – AUAUAU, MAIS UM GENERAL. E OS FUGIDOS SE ENTREGANDO

 

 

HOJE MAIS UM GENERAL FOI ANUNCIADO EM CARGO NO NOVO GOVERNO. DESTA VEZ FOI SANTOS CRUZ, PARA A SECRETARIA DE GOVERNO, UM CARGO COMPLETAMENTE POLÍTICO DE TER DE LIDAR COM UNS E OUTROS, FALAR COM IMPRENSA…. FUI DAR UMA OLHADA E ELE TEM CARA DE MAU, AUAUAU, AQUELE SEMBLANTE CARREGADO QUE PREOCUPA A GENTE, SABE COMO É? MAS TUDO BEM. É QUE JÁ SÃO CINCO NO FRONT. TEM TAMBÉM DOIS FUGIDOS QUE SE ENTREGARAM: O ESPANCADOR DIPLOMATA, O TAL SERGIO THOMPSON FLORES, E NA BAHIA O CESAR MATA PIRES, DA OAS, QUE TÁ NA LAVA JATO. PERDEMOS BERNARDO BERTOLUCCI, UM DOS MAIORES DIRETORES DE CINEMA QUE JÁ EXISTIRAM, MAS QUE ACABOU CONHECIDO POR UMA CERTA MANTEIGA EM UM CERTO TANGO. O RIO DE JANEIRO DE BUBUIA, DEBAIXO DA ÁGUA. E COMO DISSE, A GENTE SEMPRE ESPERANDO PROVIDÊNCIAS DE ALGUÉM. NÃO DEIXE DE SE INSCREVER AQUI NO NOSSO CANAL DO YOUTUBE. PRECISO DE VOCÊ, DE SUA AJUDA.

#ADEHOJE, #ADODIA – COM HUMOR, MAS NÃO É BRINCADEIRA.

#ADEHOJE, #ADODIA – COM HUMOR, MAS NÃO É BRINCADEIRA.

 

Acho que é importante dar uma situada. Se faço esses vídeos usando humor, quero dizer que isso não é brincadeira, não. Tenho mais de 40 anos como jornalista, já vivi para ver que não se adoram ídolos de barro. Não é esquerda, não é direita; é a liberdade que temos e queremos de criticar, comentar, analisar os fatos que se passam em nossos dias. Juntos. Numa conversa, como se estivéssemos – e eu acredito que estamos – entre amigos. Uso o humor porque não há outro jeito de encarar nossas dificuldades, que não são poucas, inclusive para fazer esse trabalho, assim, de cara limpa, ao natural, da forma que dá. Falo de política, claro, mas especialmente falo de nossas vidas, de comportamento, da vontade que as coisas deem certo. O CONVITE É PARA QUE VOCÊ SE JUNTE A NÓS, CHAME MAIS AMIGOS, COMPARTILHE. TODO DIA, TE ESPERO AQUI.

#ADEHOJE, #ADODIA – TPF – TENSÃO PRÉ-FERIADO. VOCÊ TAMBÉM SOFRE?

#ADEHOJE, #ADODIA – TPF – TENSÃO PRÉ-FERIADO. VOCÊ TAMBÉM SOFRE?

 

Eu sofro de TPF, sempre. Talvez você esteja me assistindo de uma bela praia. Ou dentro do carro, no trânsito nas estradas? Na cama, com depressão porque também está durango? Aqui em SP parece que alguém gritou “olha o homem pelado”! Está uma azáfama, umas formiguinhas correndo para lá e pra cá. Mas eu penso sempre é como que as pessoas arrumam, nessa crise, dinheiro para sair assim. Tudo custa muito! Gasolina, comida, onde dormir, as crianças. Às vezes penso que dá mais stress…Vou ficando por aqui, mas desejo que todos se divirtam. Tô trabalhando. Espero te ver aqui esses dias, esteja onde estiver.

 

#ADEHOJE, #ADODIA – O NOSSO AO REDOR

#ADEHOJE, #ADODIA – O NOSSO AO REDOR

 

 

 

FICAMOS IMPLICANDO UNS COM OS OUTROS E ESQUECEMOS DE CUIDAR DO PRINCIPAL. NOSSO AO REDOR. TRAGÉDIAS COMO A DE NITERÓI E A ENCHENTE EM CARAGUATATUBA NOS FAZEM LEMBRAR DE OUTRAS. MAS PRECISAMOS ESTAR SEMPRE MUITO ATENTOS AO NOSSO REDOR, PORQUE A ZELADORIA DAS CIDADES ESTÁ PÉSSIMA. AQUI EM SÃO PAULO, CIDADE ÀS TRAÇAS. CONVIDO PARA ADERIREM À MINHA CAMPANHA #ARVORENAOÉLIXEIRA. JÁ SALVEI ALGUMAS. APROVEITA O DOMINGÃO E VÊ O QUE PODE AJUDAR A MELHORAR

 

#ADEHOJE, #ADODIA – SEXO! PAPAI & MAMÃE?

#ADEHOJE, #ADODIA – SEXO! PAPAI & MAMÃE?

 

 

O COMENTÁRIO E A CONVERSA DE HOJE É SOBRE O ESTARRECEDOR VÍDEO GRAVADO PELO FUTURO PRESIDENTE E DIVULGADO ONTEM. FRASES COMO SEXO QUEM ENSINA É PAPAI E MAMÃE, MORO VAI TE PEGAR, VOU VER A PROVA (ENEM) ANTES SÃO A MOSTRA PERFEITA DE QUE INFELIZMENTE JAIR BOLSONARO NÃO SE PREPAROU PARA ENTENDER O QUE É PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA E QUER SE METER ONDE JAMAIS SERÁ CHAMADO E CRIARÁ MUITOS PROBLEMAS.