ARTIGO – Estação muda. Por Marli Gonçalves

Normalmente a chegada da primavera é saudada com alegria, como um tempo de renascimento, procriação, vida, florescimento. Normalmente. Mas não nesse ano de 2020; não nesse momento em que o nosso chão tanto queima, nosso céu se esfumaça, nossa energia se esvai. E continuamos mudos. Ou talvez não, o que ocorre é que alguns ouvidos ainda estão moucos.

MUDA

Vai mudar a estação, sim. Será primavera. Às 10h31 da próxima terça-feira, 22, será primavera no Brasil, o equinócio, e a luz do Sol incidirá igual sobre os dois hemisférios, 12 horas dia, 12 horas noite. Mas temo que a nossa noite aqui vai nos parecer maior, estendida que está com suas sombras sobre nós nos últimos tempos.

Você reparou nas nossas estações mudas, mudando? Saímos do verão aflitos com o que viria, no dia 20 de março, já com a anunciada pandemia, já em isolamento social. Assim passamos o outono inteiro e o inverno que chega ao fim nas próximas horas. E está tudo tão louco que o dia mais quente do ano se deu agora, no inverno. Como será, como estaremos no próximo ciclo? Como será o nosso próximo verão, a partir de 21 de dezembro, dias antes do Natal, da virada do ano?

Continuaremos mudos? Que continuaremos com nossos narizes e bocas cobertos com máscaras parece inevitável. Que os nossos sorrisos continuarão invisíveis, talvez até porque ultimamente pouco sorrimos, sem motivos para tal, com sequências de notícias desagradáveis e momentos de angústia, é quase certo.

Mas nossos olhos, mesmo que irritados como os nossos corações e mentes, precisarão manter-se abertos para prestarmos atenção e continuarmos a caminhada sem cair ou tropeçar em tantos buracos, verdadeiras fendas abertas nesses últimos meses e que durarão anos com suas consequências, sejam na natureza, no comportamento, no nível de vida, na economia, na saúde e educação. Seja na cicatrização desse rompimento entre as pessoas, entre a ciência e a razão, impostos pela política.

A uma parte dessas pessoas, ainda não parece suficiente que mais de 135 mil brasileiros tenham sido vencidos pela Covid-19; mais de 4 milhões e meio atingidos. Não são capazes de se enternecer por mais nada, com seus arroubos de ignorância, covardes que se dizem corajosos, como se coragem fosse assim. Fosse isso.

Uma oposição desunida; e um rebanho atrás de espaço que conquistam, violentos, tacando fogo, sem entender que a carne que queimará não será a do churrasco que fazem nas aglomerações com que insistem a desafiar a realidade, mas a dos milhares de animais acuados e aprisionados pelas chamas, e nos campos e plantações que já chegam ardendo em nossos bolsos com os preços altos, falta de produtos.

O ciclo da primavera está em risco. Estações mudam, estações mudas. Mas não podemos continuar mudos.

Temos compensações e precisamos de mudanças, e mudanças, transformação, trocas, só são feitas iniciando plantios. E plantios se fazem com mudas. Sementes, vida pra brotar, renascimento.

Pessoas continuando mudas assistindo a tudo pegar fogo não ajudam nada nisso.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – A farsa dos 99,9% e seu 0,01%. Por Marli Gonçalves

Você acredita, realmente acredita, em produtos que proclamam ter 99,9% de eficácia contra qualquer coisa? Esses 0,1% restantes podem virar álibi imediatamente e o uso desse marketing ostensivo em momentos como esse que vivemos, de pandemia, a mim parece até criminoso

Veja bem, não é 96,5%, 96,6% – é 99,9% o que vendem. Já surgem alguns muitos produtos – para chão, banho, cabelos, mãos, e até tecidos -que perderam a vergonha de vez: chegam até a falar em 100% de eficácia, sem eira nem beira, e destacam ainda sempre em letras assinaladas, que matam “inclusive o vírus da Covid-19”. Estamos mesmo às traças, com as instituições ligadas às áreas de saúde, vigilância sanitária – aliás, qualquer vigilância, pensando bem – destroçadas. Campo aberto para que nos tentem vender todos os embustes possíveis e imagináveis. Até presidentes, governadores e etcs, como bem temos visto.

Inclusive, Bolsonaro andou reivindicando 0,1% de poder de veto na economia, nas decisões do ainda, por enquanto, ministro Paulo Guedes. Embora essa semana tenha ficado mesmo é com os 99,9% de concentração de poder e mandado o Projeto Renda Brasil que seria anunciado, digamos, para a “cesta seção”, como nós da imprensa chamamos a lata de lixo.

Quer evitar infecção? Fique na clássica mistura de sabão comum e água. No álcool 70%. Essa é a recomendação literal da FDA, que regula remédios e alimentos nos Estados Unidos, e que lá funciona, ao contrário de nossa Anvisa. Desde 2016 a agência baniu 19 químicos que seriam usados na maioria dos sabonetes que dizem eliminar “até 99,9% das bactérias”. Não sei se conseguiram, como queriam, que esses produtos, inclusive, saíssem do mercado. Duvidaram não só da eficácia, como da segurança de seu uso, até porque muitos dos componentes químicos que estavam sendo usados poderiam ampliar a resistência dos bichinhos malditos, vírus e bactérias, criando, inclusive, super bichinhos, e que não há antibióticos ou remédios desenvolvidos que possam curar.

Antes, solicitaram às empresas que enviassem estudos e dados que comprovassem que seus produtos matavam mais micróbios que o sabão neutro comum. Grande parte das marcas não chegou nem a mandar documento algum; alegaram que estudos clínicos com seres humanos são caros e longos. Vejam só.

Assim, o FDA baniu 19 componentes químicos, os mais comuns, Triclocarban e Triclosan. Não conseguiram precisar o tempo que permanecem no organismo, e descobriram que, mesmo enxaguados, alguns deles foram absorvidos pela pele, foram parar na urina, e o que consequentemente os leva aos esgotos e… bem, se espalham pelas águas. Estudos mostram que o Triclocarban pode causar alterações nos hormônios da tireoide e na ação da testosterona. Testes com ratos na puberdade mostraram riscos até para o desenvolvimento sexual.

Foram muitos estudos, sobre todos os mecanismos. Um deles mostrou, por exemplo, que a Salmonela se torna mais resistente a vários medicamentos depois da exposição prolongada a sabonetes desinfetantes. Daí continuarem com a recomendação de uso do sabão simples, e do álcool 70 graus, também em álcool gel, como estamos usando.

Peguei umas dessas marcas que aparecem por aqui prometendo tudo em seus anúncios e tentei ver qual era a sua formulação. Me deparei com “informações” assim, em seus rótulos: Princípio ativo, tensoativo não-iônico (álcool graxo etoxilado), agentes de controle de PH , fragrância e água. PRINCIPIO ATIVO: cloreto de benzalcônio, 03%.

Tinhosa, fui atrás de saber do tal cloreto. Tudo bem, muito usado em descongestionantes nasais, tratamento de feridas, limpeza de hospitais.  Na pesquisa, acabei chegando em alguns desses produtos 99,9%. Um deles inclusive, três conhecidas letrinhas do mercado, deixa claro em seus asteriscos: *Teste conduzido em laboratório por 15 minutos com os microrganismos salmonella choleraesuis, staphylococcus aureus, pseudomonas aeruginosa, enterococcus hirae, escherichia coli e trichophyton mentagrophytes. **fragrância com ação prolongada.

Ou seja, o perfume fica. A tal ação – e contra esses seres – só garantiriam por 15 minutos.

Considere que comentando tudo isso estou querendo ajudar, inclusive, na sua economia; sei que em momentos paranoicos como esse a gente busca qualquer coisa para se defender e à nossa família. Eles sabem disso e cobram exorbitâncias pelo marketing que inventam, que vendem até que alguém os obrigue a provar o que dizem.

Se cuide, mantenha o isolamento social, use máscara e lave sempre as mãos. Estou bem cansada de tanta enganação em nossos caminhos. Grande parte delas costuma usar percentuais mágicos que a gente pouco sabe baseados em quais 100% tratam. E esse cuidado que precisamos ter é aplicável em todos os assuntos que precisamos atentar para não virarmos nós mesmos os percentuais. De vítimas.

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ARTIGO – Como é o seu candidato ideal? Por Marli Gonçalves

Como é a pessoa em quem você votaria de olhos fechados, sairia feliz para votar até debaixo de chuva e frio, como se diz, ou até debaixo de facas, não temeria a pandemia e voltaria para casa orgulhoso por ter praticado a cidadania em sua melhor forma? Ela existe?

candidato

Mulher? Homem? Alguma causa social a ser defendida? Você se importa com o partido ao qual pertencem? É que temos tantos (33) que é até bem confuso, porque pouco eles se diferenciam entre si, sejam de centro, esquerda, direita, direções que cada vez mais apontá-las se torna indiferente nessa nova sociologia que enfrentamos. Existem tantos porque tem uma torneirinha que vaza nosso dinheiro para cada um deles.

Essa semana pensei muito nisso. Passamos por seis horas de imersão no tema eleições e marketing político, em curso online do jornalista e um dos experts no assunto, Carlos Brickmann. Foram seis horas, duas horas em três dias. Interessante pensar nos variados aspectos eleitorais pelo menos um pouco antes, e, especialmente, neste ano tão cheio de surpresas, mudanças, medo. Além da premente e visível necessidade de renovação e mudança. Tempo muito curto. Piscou, e vai chegar o dia, um domingo, 15 de novembro, primeiro turno; e onde houver segundo turno será 29 de novembro, apenas 14 dias depois.

Como será a presença? Terá forte abstenção? Vacina, até lá, desistam. A eleição atual será de âmbito municipal, prefeitos e vereadores, tudo o que é mais perto da gente, de onde moramos, vivemos, transitamos. A “outra”, nacional, federal e  estadual, tão esperada por grande parte da população que não sabe nem como é que chegaremos lá, tão destroçados que já estamos, só em 2022. Você seria a favor de que todas as eleições fossem unificadas? Gostaria que esta tivesse sido adiada? Você vai votar?

O tempo curto: a campanha começa oficialmente só no próximo dia 27 de setembro. Imagino que já deve ter recebido aceno de algum amigo ou conhecido que será candidato, com quem você há anos não falava e já esteja percebendo a candura e “saquinhos de bondades” de alguns prefeitos que adorariam se reeleger. Acredito ainda que já perceba de repente até algumas máquinas na pista e homens trabalhando em locais onde eram esperados já há algum tempo.

Nas nossas conversas sobre o assunto, na qual participaram pessoas de todas as regiões do país, percebemos a chegada de vários candidatos bem intencionados, que vão tentar serem eleitos para buscar contribuir com seus conhecimentos. Embora pelas Câmaras passem todos os assuntos, seria muito bom se nelas houvesse conhecimento mais preciso sobre temas como Saúde, Educação, Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano, Segurança Pública. Mas também é fundamental, muito especialmente, que a Câmara seja composta de forma diversificada e que atente também a temas comportamentais, como as questões de gênero, raça, entre outras que nos são tão caras e sempre tão esquecidas ou deixadas de lado.  Pense bem nisso quando for votar.

Na questão feminina, pela qual tenho especial apreço, pensa na importância de termos mais mulheres nos parlamentos. Não só pela luta pela igualdade, mas pelos aspectos que tanto nos afligem, e só a nós, que precisam ser consertados ou resgatados, inclusive em relação ao respeito aos direitos conquistados e nos tantos que ainda faltam. Cuidado com essa questão de cotas, onde muitas são postas apenas como números. Procure as que realmente fazem a diferença. É a hora das lideranças comunitárias, daquelas que há muito tempo guerreiam, sejam de qual idade forem. O mesmo para as questões LGBTs.

No curso, interessante, se concluiu que o povo vota por emoção, mas não gosta de quem ataca os adversários, especialmente se esse ataque for abaixo da linha da cintura. Agora não é hora de acirrar ainda mais essa divisão nacional, bolsonaristas, lulistas, etc… – mas, sim, hora – e oportunidade – de dissipá-las, em prol de uma união nacional. Vote em quem fala a verdade, aliás, quem sempre falou, porque nessa hora o que tem de gente esquecendo o que disse, o que escreveu, o que já prometeu e não cumpriu, não é brincadeira.

Se eu pudesse pedir voto, apenas diria: vote contra a ignorância que precisamos conter, com tanta força. Fique atento às notícias, promessas e informações falsas, a arma dos incompetentes. Muitas coisas talvez não dê para falar pessoalmente, nesse ano o contato será muito “digital”, com máscaras. Não se deixe enganar por quem é capaz de levantar, sem perceber, um anão, pensando ser uma criança. Esqueça a política antiga e, já que essa chegará em grande parte por redes sociais, utilize esse mesmo campo com consciência, seja para apoiar, seja para incrementar com os temas que farão a diferença nesse futuro ainda tão incerto que vivemos.

Ah, me conta, por favor, se puder, como é o seu candidato/candidata ideal? Não é de hoje que me dedico a tentar entender este país.

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MARLI GONÇALVES Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Este país está uma piada. Por Marli Gonçalves

Uma piada de mau gosto, daquelas que a gente ri meio de lado, sem graça, com aquele sorriso amarelo; no fundo, no fundo, está é um desconsolo só, e na verdade só rimos para não chorar muito, porque cada vez mais sério. Já acorda certo de que vai ter a surpresa do dia, e o que é pior quando esta mostra o verdadeiro perfil de parte dos brasileiros, que só quer comida no prato, não importa quem a cozinhe, e nem quer saber dessa tal democracia.

Não é mais o país da piada pronta, mas o daquelas bem batidas, velhacas, que parecem contadas todos os dias em suas versões diferentes. O impasse é total. É pandemia, medo, recessão, paradeira mundial, milhões de infectados, milhares de mortos. Difícil até de acompanhar, e a gente então desiste, desiludido com a raça humana como muitos falam. Passa à etapa do ligar o foderaizer, uma alavanca mental, e querer apenas se salvar, tentando nadar e chegar à margem que ninguém tem ideia em qual distância está; aliás, onde está? Está?

Só isso pode explicar e é até fácil de entender as pesquisas que vêm mostrando neste momento a subida na aprovação do presidente.  Não é coisa para morrer de se preocupar, que ainda tem tempo e essa piada ainda vai longe. É fotografia de registro de momento: aquele dinheirinho do auxílio emergencial está mesmo fazendo a diferença: é como se fosse o oxigênio das máquinas de respiração para os que estão nas UTIs,  só que para quem está fora delas e conseguiu (incluindo os que não deviam nem ter pedido, mas conseguiram). Consciência política? –  Não é hora de ela ser chamada. Pode gritar que ela não vem. Não vai atender nem a porta.

Apontamos em direção deles, acusando: populistas!  Quem trabalha com marketing político sabe que essa palavra tem entendimento bem diferente – um é o que os intelectuais falam, e como entendem; outra é o que o povo mesmo ouve, e entende como coisa boa, positiva, popular. Então, não será por aí o embate.

Vamos ter de continuar rindo da caspa no paletó do ministro da Economia mais perdido que visitantes que entram errado em “comunidades” e saem alvejados. Como quem não tivesse onde atirar, esse senhor baixinho e prepotente se equilibra na corda bamba e quer agora taxar, vejam só, os livros, a cultura, essa que já está muito mais para lá do que para cá, tantas bordoadas tem levado nos últimos tempos. Fortunas, aviõezinhos, mercado de luxo? Não. Pensa ele, talvez: para que os livros, sem educação, sem escolas? – Algo que veremos os efeitos funestos mais adiante.

Aí explode o horror no Líbano. O que fazemos? Um voo da alegria para ajudar. Repararam, viram aquela feliz masculina comitiva embarcando? 13 pessoas. O que é que foram fazer lá? Os libaneses precisam de ajuda, mudanças na política, remédios, comida, decididamente, não precisavam da visita, entre outros, de Michel Temer, Paulo Skaf, amigos, ou do senador Nelson Trad, por exemplo, que tinha tanta coisa para ver aqui, como o tal dossiê que não pode ser aceito sob hipótese alguma. O que ele fez? Trancou o documento no armário e foi viajar, como se não houvesse ontem, hoje ou amanhã.

Aiai, que estou vendo você aí também até já confundindo Bolsonaros, os Filhos do Capitão, Carlos, Flávio, Eduardo. Podiam ser Huguinho, Zezinho, Luizinho. Porque cada um deles, todos, tem uma ficha corrida para explicar, a gente nem sabe mais qual é qual – todos com alguma capivara, como se fala no jargão policial. Chato, chato, assunto chato, só vai melhorar se o tal Queiroz e sua esposa, agora mandados de volta para a cadeia, resolverem, digamos, cantar. Duvido um pouco, porque a pele deles deve arder muito no fogo das milícias que os originam.

Enquanto tudo isso ocorre diante de nós, lá no Espírito Santo uma menininha de dez anos está grávida. Estuprada pelo seu tio desde os seis anos de idade, ela ainda está tendo de se sujeitar que discutam – sim, ainda estão discutindo – seu direito de abortar. Que compaixão é essa?  Onde está a humanidade? Que religião esse povo do poder acha que lhes dá esse direito? Dona Damares, por favor!. Essa criança não pode ser obrigada, nem condições tem, de ter essa outra criança. E, acredite, se algo lhe acontecer de mais mal ainda, porque ela pode não resistir, não serão poucas as pragas que rogaremos contra vocês.

Muito anos de luta para tentar fazer com que esse país fosse considerado e tentando que melhorássemos em pontos essenciais para agora estar assistindo a esse desmonte, esses desrespeitos, os ataques racistas, a continuidade da absurda desconsideração com as mulheres, essa marcha da insanidade contra tudo que nos é tão caro.

O país está uma piada que, quando nos contam, temos é muita vontade de chorar.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Carta às 77.649.568 eleitoras brasileiras. Por Marli Gonçalves

Mais precisamente às 77 milhões, 649 mil, 569 eleitoras, contando comigo, que estou e estarei bastante atenta às questões relacionadas às mulheres e a outras que poderemos influenciar muito com o nosso voto, agora em 2020, e em todas as eleições para as quais as brasileiras forem chamadas a opinar; e somos maioria. O voto é uma arma, pacífica. Precisamos usá-la. Por nós, mulheres, pelas nossas famílias, por todos os brasileiros, por um futuro mais digno.

ELEITORAS

Prezadas,

Vejam que estamos em 2020 e ainda não somos respeitadas e nem representadas na medida em que somos a maioria da população brasileira. Nem nos cargos legislativos, nem em outros, incluindo Executivo, Judiciário e, ainda, nem na sociedade, nem dentro de empresas, ou no comando, nem no respeito. A população brasileira é composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres. (Dados IBGE/ PNAD Contínua/2019). Em termos eleitorais, somos 52,49% do total; os homens, 47,48% do total. (TSE/2020). Podemos ser a decisão, pela melhoria para todos.

Acredita? Por aqui, por exemplo, as mulheres compõem apenas 10,5% do conjunto de deputados federais. E de um total de 192 países, o Brasil ocupa a 152ª posição no ranking de representatividade feminina na Câmara dos Deputados, ficando até atrás de países como o Senegal, Etiópia e Equador.

A eleição deste ano, para prefeitos e vereadores, é aquela que está mais perto de nós, de nossa ação. É a que cuida de nossa região, onde vivemos e onde passamos nossas vidas, onde está a nossa casa, as mesmas casas onde um número absurdo de mulheres continuam sendo assassinadas por seus companheiros e ex-companheiros, e onde a proteção policial e as promessas de proteção ou garantias não têm passado em geral de apenas promessas. Você está vendo isso, não? Sentindo na própria pele, talvez?

São Paulo, por exemplo, registrou 87 mortes por feminicídio apenas no primeiro semestre de 2020. O maior número de casos desde a criação, em 2015, da lei que especifica o crime – é o homicídio praticado contra a mulher em decorrência única e exclusiva do fato da vítima ser mulher (misoginia e menosprezo pela condição feminina ou discriminação de gênero, fatos que também podem envolver violência sexual), ou em decorrência de violência doméstica. No Brasil todo dados preliminares mostram aumento de mais de 22% nesse crime, em relação ao ano passado, que já era absurdo, e apenas contando os primeiros meses do ano. Uma situação ainda claramente mais agravada pela pandemia, quarentena e necessidade de isolamento social, crise econômica, etc.

Esta é apenas uma questão, mais específica. Temos todo um país a resolver, atrasado com relação a tudo, Educação, Saúde, Saneamento, aprimoramento da cidadania. Não é só uma questão de cotas – temos 30% de cotas nas candidaturas, mas sempre manipuladas, usadas para obtenção do Fundo Partidário, com nomes que muitas vezes, usadas como laranjas, nem as próprias mulheres sabem que as colocaram para votação nas chapas partidárias. Anime-se inclusive a se candidatar, vamos!

Junte-se a todas as mulheres do mundo!

Meu apelo é para a consciência; não é reserva de mercado, nem obrigação de votar apenas em mulheres, mas que o façam, participem, votem, e em pessoas sérias, que estejam comprometidas verdadeiramente com a sociedade em geral, sejam de que gênero ou raça forem, idade ou classe social. Será esse comportamento que levará à melhoria das condições, não só na política. Nos fazer ouvidas.

De qualquer forma são as mulheres que sempre têm a maior noção do que todos enfrentamos, fatos tão agravados este ano e que terão ainda ampla repercussão pelos próximos tempos: desemprego, falta de assistência, necessidades especiais e de direito reprodutivo, segurança – as mulheres são sempre as primeiras vítimas. E é cada vez maior o número de nós chefes de família, como principais responsáveis pelo sustento.

Chega de nos contentarmos com migalhas, segundo plano, pequenas conquistas que chegam de forma tão lenta, e que nos são devidas há décadas.

Animated%20Gif%20Women%20(63)Peço encarecidamente que se informem, não acreditem em notícias falsas, pensem com suas próprias cabeças, sejam independentes, respeitem-se entre si, estendam a mão a outras mulheres ampliando nossa ação, explicando como se dá a igualdade de direitos, e quais são esses direitos, que as mulheres, merecidamente, tem até em maior número por conta de sua fisiologia. Estenda a mão e atenda os gritos de socorro ao seu redor.

Vamos parar de achar normal o que não é – e nesse momento nada está normal; estamos vivendo num país perigosamente flertando com o retrocesso em vários campos, e onde até nossas acanhadas conquistas estão em risco, desmerecidas diariamente que vêm sendo.

Chamo você para o nosso encontro mais importante este ano: domingo, 15 de novembro, primeiro turno; e domingo, 29 de novembro, segundo turno, onde houver. Se arrume toda, chama a família, aproveite para arejar as ideias. Pensa bem em quem vai acreditar. Ah, e use máscara, que até lá ainda estaremos em perigo.

Todas nós contamos especialmente com todas nós.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Filme nacional, de todos os gêneros. Por Marli Gonçalves

Assistimos, só, não, somos em muitos deles os seus próprios protagonistas, mesmo contra vontade. Vivemos dentro deles. Outro dia um amigo comentava que se sente como se estivesse em um filme. Verdade absoluta, que me fez pensar nesse momento e daí descobrir ironicamente que estamos é vivendo intensamente dentro de todos os gêneros cinematográficos, inclusive os seriados

Ninguém sabe ao certo quando vai poder ir ao cinema, sentadinho no escurinho, com aquele balde de pipoca. Nem venham me falar em drive-in que não tem graça pagar uma grana preta para entrar em um estacionamento de carro e ficar ouvindo o som da tela pelo rádio, pedindo licença para ir ao banheiro, ou esperando um hambúrguer frio chegar pela janela. Aliás, sou do tempo de drive-in bem diferente, não sei se ainda sobrou algum, lembro de um enorme que havia aqui na Avenida Santo Amaro. De outra finalidade, era um box, com cortininha e tudo, valendo os embaçados vidros do carro, que de vez em quando balançava, se é que me entendem. Mais barato e acessível que motel, que não eram tão numerosos como hoje.

Está claro que vários filmes estão sendo produzidos diariamente diante de nossos olhos, e com conteúdo que dificilmente os melhores roteiristas do mundo seriam capazes de imaginar. Mas o melhor é observar a variada produção de filmes nacionais, brasileiros, que estão diariamente em cartaz. Ora chanchadas de péssimo gosto, ora comédias dramáticas. Temos até ficção científica no filme rodado por negacionistas e terraplanistas que inventaram um planeta diferente, todo achatado; agora acrescentaram ao enredo Ets esmagados que seriam usados em vacinas chinesas que nem existem, mas que já são contra, contra o coronavírus, uma gripezinha inventada para dominar o mundo segundo esses gênios criativos, que ainda adicionaram nessa fórmula sangue de fetos. Ficção de puro terror, para exorcista nenhum botar defeito.

Os diálogos desse filme ruim também são encontrados em filmes mais rigorosos, de cunho político, ou documentários desses tempos de pandemia. Neles, ou estamos integrados ou estamos como atingidos, as vítimas retratadas nessa tragédia para a qual a única trilha musical é macabra, e o letreiro inicial deve iniciar com in memoriam trazendo já quase cem mil nomes. Se for escolhido fazê-lo como letreiros finais certamente serão bem mais, dado o desenrolar desse enredo em câmera super rápida.

Interessante como os gêneros se misturam nesse cinematográfico Brasil. Faroeste/comédia: um presidente montado a cavalo correndo pelos campos do Nordeste empunhando em forma de arminha uma caixa de cloroquina; em outra cena, ele, cheio de empáfia, tira a máscara, corre atrás de emas nos campos do Palácio, que o bicam seguidamente. Manda o xerife que comanda facilitar que mais pessoas tenham armas, é aplaudido pelos filhos, pela claque da bala, pelos robôs do mundo digital. Nós só podemos prever que seja uma preparação para um próximo filme, uma continuidade, desta vez de guerra. Ou catástrofe.

Tem filme de espionagem, com dossiês sobre inimigos sendo preparados, fichas pessoais sendo levantadas por um bunker para o qual quem não está com eles é inimigo, de esquerda, comunista, gay, feminista, imprensa, categorias que pretendem exterminar porque lhes impediria de manipular a população como um Grande Irmão, personagem de um lugar aí que eles não sabem qual, quem que escreveu, do que se trata, mas ouviram falar; porque se tem um gênero de  filme que não sabem fazer é o Cult.

casal no cinemaOs últimos meses, fatos, acontecimentos, ações, decisões, diálogos, registros, surgimento e desaparecimento de personagens, que incluem até astronauta, além de generais e quetais, pastoras e jabuticabeiras, gurus de araque, milicianos, entre outras caracterizações que é melhor nem lembrar, englobam e criam roteiros e cenários  (queimadas, devastação da Amazônia, boiadas, reuniões ministeriais, lives, Brasília, cercadinhos, etc.) para todos os gêneros, sem exceção. Podem se misturar. Os figurinos, sempre todos péssimos, incluindo camisetas de time falsificadas. A trilha, em geral sertaneja (ou o hino nacional cantado de forma solene). Os objetos de cena: canetas Bic, caixas de cloroquina, fuzis, pães melados com leite condensado, carimbos com a cara da família estampada, cartazes antidemocráticos. Participações especiais do presidente Donald Trump e de trogloditas que estão saindo das cavernas de forma assustadora.

Drama ou comédia, infelizmente, É Tudo Verdade. Pelo menos por enquanto. Mas precisamos editar esses filmes enquanto ainda é tempo de tirá-los do cartaz. Do jeito que estão, no máximo ganharão a Framboesa de Ouro. O tapete da cerimônia, como eles dizem, jamais será vermelho, a não ser tingido pelo nosso sangue, e de forma cruel.

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ARTIGO – Vacina: vai funcionar contra raiva? Por Marli Gonçalves

Mais do que uma vacina contra o coronavírus precisaremos insistentemente apelar aos cientistas e pesquisadores de todo o mundo para que, por favor, também desenvolvam vacinas, fórmulas, indicação de ervas ou remédios eficazes contra a loucura humana nesse período alucinante que vivemos. E pra que não tenhamos raiva do que aconteceu, acontece e terá repercussão durante ainda longo tempo. Não está fácil, especialmente por aqui, acompanhar o andar dessa carruagem desgovernada.

Ilustração dos desenhos animados, louca beleza cabelos compridos ...

Todos os dias tentamos acompanhar e entender gráficos, tabelas, cálculos, dados móveis e imóveis, flechinhas coloridas apresentadas sobre as tais últimas 24 horas. Um leve ar alegre dos apresentadores tentando passar algum otimismo informa, enfim, termos alcançado um platô, o cume. Mas quando vamos ver com atenção é apavorante, o cume do terror – como tão bem definiu claramente um especialista, essas curvas e tendências nos mostram nada mais do que uma “assinatura do fracasso”.  Lá em cima. Mais de mil mortes dias seguidos, outros milhares de contaminados dia após dia.  Isso contando só números oficiais, que todo sabem bastante defasados.

Os dados mostram números ora estacionando, ora dando pequenas marcha-a-ré, ou engates de primeira, como se fosse algum teste de direção para tirar habilitação. Como não diria, ou diria, Michel Temer, “não tem de manter isso aí”. O tal platô está lá no alto, não tem o que comemorar, relaxar. Mas não é o que o parece ser entendido como informação para a população deste nosso país atrasado, com tal ignorância de consciência social e de coletivo, além da sua enorme população tão carente de recursos que exigir compreensão, “protocolos” e mais sacrifícios chega a ser surreal e malvado.

E daí? E daí que é como se alguém embaralhasse de tal forma as informações, que ninguém sabe direito ou tem segurança é de mais nada. Vêm sendo liberadas atividades aqui e ali, as pessoas já estão tomando as ruas, o trânsito, os problemas do velho normal agora somam-se aos do tal novo normal. Tudo parece meio chutado.  Uma coisa pode abrir cinco horas, outras oito. outras só de dia; ambulantes podem, e já invadem com suas máscaras penduradas no queixo as calçadas das grandes cidades. Tanto pode e não pode como se houvesse alguma fiscalização real sobre o cumprimento dos tais protocolos. Tenho vontade de rir quando ouço falar em multas, punições de estabelecimentos; coitados dos quatro ou cinco escolhidos como flagrados, para dizerem que estão agindo. A real é que a Casa da Mãe Joana está com as portas abertas, escancaradas. E a economia, pálida, sem energia.

Enquanto isso, dá para acreditar? Não sei se temiam a reação ou alguma revolução popular nacional se não acenassem logo com nova data, transferiram o Carnaval de 2021, que cairia de 12 a 16 de fevereiro, e remarcaram para maio do ano que vem. Ou junho, ou julho, ou agosto, sabe-se lá.  Então, combinado: em maio do ano que vem, junto com noivas e mães, arlequins, pierrôs, colombinas, unicórnios, e um pouco mais de dias, que se junte logo às festas juninas, com seus alegres caipiras e quadrilhas. Só não fizeram o papel ridículo total porque ainda, pelo menos ainda, apenas cancelaram as festas da passagem do ano, não tentaram mudá-las de data. Mas não duvidem. Agora não duvido é de mais nada. Depois de transferirem, deslocarem, o Carnaval, tudo pode acontecer.

Datas, todas, inclusive, que dependerão sempre, exclusivamente, da existência de uma vacina. Vacina que a ignorância da negação já ataca, de antemão, com os mais estapafúrdios argumentos.

Enquanto isso um presidente infectado com o vírus passa as tardes pensando como vai aparecer para nos aborrecer um pouco mais, tinhoso que é. Corre atrás de uma ema em seu jardim encantado. Empunha nas mãos uma caixa de cloroquina, da qual aliás não se desgruda mais, e um dia saberemos a verdade atrás dessa história – como um maluco, esperando tomar mais alguma bicada, ser confundido com um prego. Sem ter ao que parece nada o que fazer – nesse desesperador momento – vai passear de moto, parando para conversar bem de perto e sem máscara com os serviçais de seu palácio.  Vive em outro mundo, assim como alguns de seus ministros irreais. O da Saúde, general interino, disse, repito, disse, falou, eu ouvi, você também deve ter ouvido, que assintomáticos não transmitem os vírus para outros, fora ignorar todos os alertas que recebeu e tudo que a Ciência propõe. E ainda tem o ministro Imposto Ipiranga querendo mais…impostos! E queimadas, e o mundo perplexo, e o tempo passando.

Não bastasse já estarmos precisando conviver com a gente mesmo de uma forma que jamais imaginávamos, e que é tão difícil, não temos um dia de paz, nem um dia que não nos envergonhemos de alguma fala, ato, decisão, ou que não tenhamos de fazer de conta que tudo isso vai passar logo. Não tem nem um dia em que não passamos pelo sentimento que tanto mal pode fazer, principalmente por nos sentirmos imobilizados e impotentes: raiva. Ainda não estamos babando, mas falta pouco.

Precisamos poupar energia para pedir uma vacina também contra isso, contra eles. E essa fórmula não parece que será dada nas próximas eleições, que essas –  interessante – ninguém teve coragem de cancelar.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

 

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ARTIGO – Nossa história. Quem vai contar? Por Marli Gonçalves

Um baque atrás do outro, numa sequência trágica. Já não fosse o mais, digamos,  tradicional, idade avançada, acidentes, doenças terríveis, os fulminantes, agora a perda de pessoas com as quais tivemos períodos importantes ou toda uma vida em relacionamento parece não ter fim, se acelera de forma a quase não dar tempo para que possamos nos recuperar. Quem vai sobrar para contar nossa história?

Our History - Totally Local Company

Dependemos muito do testemunho de amigos para contar a nossa própria história, inclusive acrescendo detalhes, pequenos, grandes, engraçados, sórdidos, esquecidos, ou muitas vezes até nos ajudando a exagerá-los. Dependemos da memória das outras pessoas para relembrarmos muitos dos fatos que vivemos. E a cada dia, com tantas perdas, morremos um pouco junto.

De novo mais uma semana triste. Penso que isso está ocorrendo nessa pandemia com cada um, cada pessoa ligada a cada uma dessas quase 80 mil pessoas mortas até agora no país; 600 mil em todo o mundo. Mundo onde praticamente 14 milhões de atingidos nem sabem bem se, quando se salvam, terão sequelas ou quais serão. Cada dia é uma informação nova, não lembro de em meses algo estar sendo tão pesquisado, escarafunchado, e ao mesmo tempo confuso, como esse coronavírus. Nem no caso do HIV que, aliás, continua décadas depois sem cura efetiva, embora os remédios tenham avançado mesmo que muito lentamente.

Cada morte leva um pedaço da gente, e ainda nos surpreende. Como assim, morreu? Descobrimos aí que decididamente não somos imortais.

Mas aí que está: enquanto estamos vivos por aí, temos nossas histórias vistas, testemunhadas, podemos dar até referência, telefone, e-mail, formas de contatos para quem de nós acaso duvide. “Pergunte então ao fulano se não acredita!” – provocamos.

Quando morremos, os registros, a mim parece, são feitos sempre de forma muito mais pobre e reduzida. Isso levando em conta, claro, que tem muita gente que imediatamente vira herói ou anjo, mesmo tendo sido uma pessoa terrível,  má (quem pode ser tão sincero?); ou, por outro lado, se o coitado passou a vida na batalha pelo reconhecimento, esse se dá somente nessa hora, como legado moral a seus familiares. E ponto.

Tenho reparado nos obituários, especialmente nos de amigos importantes, personalidades que perdi nos últimos dias – Antonio Bivar, a fotógrafa Vania Toledo, além do radialista José Paulo de Andrade, este não tão próximo, mas tínhamos grande mútua admiração, muitas vezes ele leu meus artigos para seu público na rádio, no Pulo do Gato. Fiquei impressionada com o raso das informações publicadas, todas muito protocolares. Emoção mesmo só achei nas redes sociais, nos casos de convivência colhidos aqui e ali nessa imensa colcha de retalhos.

Não falo de biografia que isso é mais sério, coisa para livros, mas dos causos, das aventuras, das desventuras, até das brigas, porque não? De tudo aquilo que a gente imediatamente recorda ao sentir a morte de alguém com quem de alguma forma se relacionou. E quanto mais se vive, mais destas passagens temos lembranças, e ultimamente com mais facilidade, o registro de fotos.

Escrevo tudo isso porque tenho me sentido “esburacada” com esse momento que leva tantas pessoas com as quais convivi, alguns até muito mais de 40 anos. Estranho admitir que hoje praticamente já não tenho mais por perto quem possa recordar, por exemplo, de histórias de minha infância e adolescência – tenho de fazer isso por conta própria.

E creio que talvez seja importante alertar aos mais jovens sobre essas coisas que se tornam tão sensíveis e visíveis quando o tempo vai passando. Talvez, em tempos tão digitais, tão instantâneos, seja bom guardar com mais cuidado cada momento, até para poder contar mais adiante com orgulho. E, muito importante: dar em vida o reconhecimento, o amor e o carinho devidos.

Admitindo: a cada morte – esse assunto difícil – quem fica, fica mais pobre de suas próprias memórias.

duvidas

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ARTIGO – Perguntas que faço. Por Marli Gonçalves

Como você está? Nesses mais de cem dias, que parecem séculos, de quarentena e isolamento social, tanta coisa mudou, tantas coisas ficaram para trás, por imediatamente consideradas desimportantes ou por terem se tornado impossíveis até de se pensar sobre elas. Muitos sentimentos se misturam, e isso é muito pessoal, individual, chega a ser solitário

PERGUNTAS

Como você está? Tem ficado meio paranoico com limpeza? E os sonhos/ pesadelos estão bem loucos? Ouviu falar que isso está acontecendo com todo mundo? Tem conseguido tomar decisões? Pensar no futuro? Acha que o mundo vai mesmo mudar – para melhor ou pior – depois de tudo isso? Tem tido oscilações de humor, otimismo, que parecem montanha russa, e é obrigado a disfarçar, o que piora ainda tudo mais? Está tudo meio descontrolado? Horários, trabalho, disposição, pensamentos, desejos, inclusive sexuais? Do que sente falta?

Tem encontrado prazer em fazer coisas corriqueiras como cozinhar, jardinagem, séries de tevê, filmes B, comédias românticas que arrancam lágrimas, novelas velhas sendo repetidas? O meu cúmulo, confesso, se deu quando me peguei essa semana arrumando as roupas para secar no varal como se fosse arte para uma foto, tudo esticadinho, cor com cor, calcinhas de um lado, meias de outro, tudo equilibrado.

Enfim, o melhor e mais seguro lugar do mundo passou a ser sua casa e cada vez que tem de sair sofre? Incorporou a máscara? Fica muito exasperado quando encontra alguém ou sem ela, ou com ela no queixo, no braço, no pescoço, pendurada na orelha ou pendurada no retrovisor do carro? E as jogadas nas ruas? Fica perplexo e desiludido com a humanidade ao saber das aglomerações, festas, verdadeiros desafios e focos de contaminação?

Como você está? – pergunto novamente. Dizem que fazer testagem mais completa seria bom, mas já viram os preços? E as dificuldades impostas para consegui-los em postos de saúde ou com os convênios médicos? Os testes rápidos viraram febre, mas têm questionados sua eficácia real, a história do falso positivo, falso negativo.

Pelo que estou vendo, somos normais. Está acontecendo e é geral essa que pode ser chamada angústia, mas é até mais do que isso.

Lidamos com medos o tempo inteiro em nossas vidas, mas parece que desta vez esse sentimento mundial, a possibilidade de morte tão próxima de nós e de quem amamos, ou mesmo de quem apenas sabemos, uma morte besta, por um vírus microscópico, invisível, aéreo, feio e cheio de pontas, nos tornou mesmo outras pessoas. Para o bem e para o mal, que tem gente para caramba se dando bem, e aproveitando para abrir o saquinho de maldades, roubar, deixar passar a boiada em algum assunto.

Como você está? – insisto. 70 mil mortes no país, número oficial, e que pode ser ainda muito maior. Difícil não ter sido atingido de alguma forma, no mínimo por um terrível sentimento de impotência. Ou, pior, pela perda de alguém querido, um familiar, um alguém que lhe era importante. Essa semana perdi um grande e admirado amigo, mestre de décadas: o escritor, teatrólogo e pessoa boa Antonio Bivar. Ficaria horas falando sobre ele. E bem. Um garoto de 81 anos que flanava pela vida da forma mais simples que pode haver, caminhando nas ruas, sentindo o ar, ouvindo as pessoas, se enternecendo por suas histórias, acompanhando-as em suas pequenas vitórias.

 Me senti dividida entre sentimentos difíceis de serem descritos, além da tristeza. O alívio de quem não queria que ele sofresse mais numa cama da UTI. Raiva, muita, por esse vírus levar embora ele e tanta gente boa com ainda tanto a fazer, produzir, acrescentar.  Dúvidas, ouvindo números assustadores e a reabertura das porteiras, lojas, atividades, de uma forma um bocado confusa. Pavor, por encontrar nas ruas muitos que parecem ainda não se dar conta do quanto pode ser terrível essa doença e que ninguém, ninguém mesmo,  sabe se está entre estes que sucumbirão, ou ficarão com sequelas, ou se terão apenas sintomas leves, ou mesmo nem isso – apenas poderão transmitir; deixá-lo, traiçoeiro, onde tocarem, por exemplo.

Fora, enfim, estarmos governados por um presidente, agora infectado, como até parece ter sido, mas que ninguém põe a mão no fogo por conta de tantas mentiras já contadas, e que ainda insiste em propagandear um perigoso medicamento que mandou produzir aos milhões.

Eu teria muitas perguntas ainda a fazer sobre como estamos nos sentindo em vários aspectos, e certa de que estaria ouvindo você responder: “eu também”. Mas não temos outro jeito por enquanto a não ser enfrentar nossos medos, nossas tristezas e, especialmente, essa máquina louca de pensamentos só nossos e que às vezes nos pega tão sozinhos os combatendo, os afastando, mas eles teimam em voltar, voltar…

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ARTIGO – Brasil drogado, desarranjado, desmiolado. Por Marli Gonçalves

E o sanfoneiro ainda toca e canta desafinado. Inacreditável: é o cara responsável por vender o Brasil para o turismo, e ainda nos compara à Austrália no criativo idioma inglês que entoa. É muito, muito mais do que estar fora da ordem; é estar como se vivêssemos dia e noite um pesadelo tenebroso, uma série antiga, alucinações coletivas. Vocês estão acompanhando esses vaivéns, as declarações e decisões políticas, o comportamento irresponsável das populações em meio a uma pandemia tão séria que vem dizimando milhares sem dó?

Não temos cangurus, nem coalas, nem os dingos, nem crocodilos que saem do mar (pelo menos por enquanto). Mas os gafanhotos se aproximam. Tem ciclone-bomba. Uma Amazônia que queima, devastada. O mundo caindo e o presidente emitindo vídeos com o sanfoneiro lá atrás, a tradutora tentando descrever desatinos em libras, e puxa-sacos sorridentes de um lado; outros, aparecem ali, obrigados, apenas constrangidos. A primeira dama do principal Estado do país, Bia Doria, defende – com seus louros neurônios iguais aos de quem a entrevista, aquela tal de Val Marchiori, que “ninguém entregue comida e roupa para os sem-teto, porque as pessoas gostam de viver na rua”. Gostam?

Volto a perguntar: que água é essa que está correndo nos canos deste país? Que água é essa, que droga é essa, parece espalhada, e que, de um lado amortece, de outro enlouquece? Causa esse desarranjo, esse surto de burrice coletiva? Que nos faz temer a cada dia mais pela nossa própria sanidade?

Leis que não são cumpridas, um presidente e um equipe de governo que nega, negam e renegam os fatos mais singulares, e o fazem diante de um mundo todo também perplexo. Me digam se não é um desarranjo em seu sentido mais completo: que se conseguiu desarranjar; que está ou se encontra desalinhado; desarrumado ou desorganizado. Que não funciona perfeitamente; que está enguiçado, e na forma popular, com desarranjo no intestino; diarreia.

Remédios? Uma tal cloroquina, já rejeitada por ineficiente, em absurdos estoques militares; ivermectina, remédio para gado (se bem que…), propagandeada e receitada até por, entre outros “doutores do caos”, um ex-deputado como o Roberto Jefferson, que vocês bem sabem onde deveria estar morando, quietinho. Uma listinha que corre pelas redes e alguém (alguéns) deve (devem) estar ganhando muito dinheiro com isso. A perigosa automedicação vai trazer é mais problemas de saúde, e em um futuro bem próximo.

Estamos tão desarranjados que daqui a pouco será mesmo só o velho Imosec que nos trará algum alento. Testes? Virou um comércio sem controle, de esquina, com preços nas alturas, pouco acesso real, e muito mais ainda poucas explicações. No noticiário aparecem como se todos pudéssemos fazê-los e pronto. Leiam as entrelinhas, leiam as letras pequenas.

Tudo tem um porém, um “mas, todavia, contudo”. Governadores decretam estado de emergência – que os livra de compromissos com gastos e recursos – quase no mesmo momento em que liberam as atividades e todos são irresponsáveis, inclusive a população que temos visto lotando ruas, bares, jovens sem máscaras, como se não houvesse amanhã, e de repente desse jeito não vai ter mesmo. Quem fiscaliza, quem segura esses rojões?

O presidente assina decreto e derruba a obrigatoriedade do uso de máscaras em escolas, templos e comércio. Vai ser um massacre se for espalhada essa ideia da contaminação em massa – será forçar muito mais a barra que já pesa. Bem, não temos comando na área de Saúde, a Educação está ao Deus-dará, e militares ocupam postos para os quais decididamente não estão preparados. Fora os tais ideológicos de carteirinha.

Não é só que o Poder esteja tomado; está perdido, solto por aí, batendo cabeça.

O resultado está desgraçadamente nas ruas. Só pode ser a água. Ou todos esses remédios misturados fazendo efeito.

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IMAGEM ABERTURA: disarranged sunnyboy Painting by Peter Treu | Saatchi Art

ARTIGO – Segunda Etapa, e lá vamos nós! Por Marli Gonçalves

E salve-se quem puder. Semana que vem. Acredite. Chegou o segundo semestre de 2020 e, se está aí do outro lado, por favor, sorria. Você está vivo, e isso não é pouco visto o que passamos nesses últimos seis meses. E a força que precisaremos para vencer os próximos

Todo ano nessa época gosto de brincar de fazer o réveillon do segundo semestre, na passagem de junho para julho. Este ano, então, vamos fazer assim: nessa hora, à meia noite, uma prece forte pelos milhares de mortos e um agradecimento verdadeiro pelos que estão bem, pelos que se curaram. E por nós, que estamos contando a tal triste história.

Passou rápido. Perdemos muito da dimensão do tempo, esse sempre misterioso contar das horas. Aprendemos. Tivemos e temos medo. Coragem. Ir até ali já é um desafio. Como já vivi muito mais de meio século, dá para dizer: quanta coisa mudou, quantas coisas que jamais imaginaríamos estão acontecendo, aqui, especialmente, e no mundo todo. Quem algum dia pensou em viver uma época assim? Que não poderíamos nos tocar, abraçar, beijar, amar. Que afogaríamos e embebedaríamos nossos corpos (e coisas) no álcool? Em gel. Que temeríamos também o andar da política. Que tantas mentiras novamente nos atordoassem.

E há ainda esse vaivém que a todos nos deixa a cada dia mais confusos. Uma hora pode isso; na outra não pode mais. Autoridades batendo cabeça, cientistas fritando os miolos, as equipes de Saúde tentando controlar o que mais já está claro que é incontrolável, pelo menos por enquanto.

E o combate? Como lidar com os negacionistas, com a ignorância, com a ignomínia, essa palavra que diz tudo?

Como lidar com as pessoas nas ruas que nos pedem ajuda, olhos fundos, muitas esfregando a barriga no lamento para demonstrar que estão com fome, o desespero máximo que poderá se juntar ao frio que anuncia sua chegada pelas bandas de cá?

Não sei dizer realmente se estamos melhores ou piores do que outros países, que todos têm problemas a resolver, mas uma coisa é certa: nesses meses, mais do que em muitos outros locais, aqui estamos guerreando contra vários inimigos, muito além da pandemia, do vírus, das incertezas. Gafanhotos políticos que corroem a democracia, os princípios básicos da liberdade, tentam por abaixo os pilares básicos que construímos tão esforçadamente, picotam a cultura nacional, tentam impor e limitar costumes, e ainda aparecem gatunando onde podem, inclusive nos remédios e equipamentos de salvar vidas, ou na absurda remarcação de preços, na cobrança impiedosa de impostos que não vemos serem aplicados. Na pressão para que quem precisa sucumba ao rebaixamento geral imposto, muitas vezes para apenas quem tem, ter mais, acumularem mais e mais. Levantam poeiras e fumaças para que muitos não consigam avistar qualquer porta de saída. Suas declarações nos ofendem, por acreditar talvez que já estejamos mortos e sem reação. Eles nos cansam, atrapalham nossa concentração para prosseguir.

Depois, correm, doam alguma coisinha aqui e ali, pedem desculpas, clamam pelos céus, se dizem perseguidos e, como agora, buscam parecer até que querem entendimento. Se fosse uma relação pessoal devíamos denunciá-los como espancadores domésticos, do tipo que todo dia bate e depois promete que isso nunca mais vai acontecer. E é só esperar que sempre vem mais. Melhor se separar antes.

Nesse segundo semestre, enfim, será quando saberemos se realmente aprendemos algo, se a solidariedade cantada em verso e prosa será mantida, e se esses dois Brasis – contrapostos –  tão claramente delineados numa descrição perfeita feita pelo jurista José Paulo Cavalcanti em artigo – poderão se encontrar, nem que seja um pouco mais lá na frente para a reconstrução desse chão. Vamos a ele, que ainda tem muito 2020 por aí.

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ARTIGO -O novo (a) normal. Por Marli Gonçalves

Ora, não me venham falar nesse tal de novo normal, que as pessoas vão mudar, que aprenderam, que daqui pra frente tudo vai ser diferente, que isso só é letra de música. A realidade é que a natureza humana gosta de viver seus conflitos e que a luta pela sobrevivência ainda é um pisando no pescoço do outro

O que é "normal"?: duração e variação do ciclo menstrual

O estouro da boiada. Como não vivo no campo, aprendi essa semana, vendo como as pessoas estão se comportando logo aos primeiros sinais de relaxamento do isolamento social, e compreendi a expressão – foi o que me pareceu um estouro da boiada. Vendo as filas horrorosas, os apertos e ajuntamentos, as burlas das leis ordenadas, mas sem fiscalização em um país onde faz tempo se aprende a viver ilegalmente. Parece que ficaram os quase 90 dias em casa esperando o sinal tocar, como esperávamos o sinal do recreio na escola, e que passaram esses dias anotando o que comprariam com o pouco que ainda lhes restou, se é que ainda restou. Ou se apenas o que aconteceu é que ficou mais escancarada a possibilidade do fim do mundo, ou da instantaneidade da vida. Partiram para o tudo ou nada.

Nos noticiários vi gente impaciente esmurrando a porta da loja que se atrasou para abrir. Vi também alguns comerciantes reclamando do horário limitado e do número baixo de clientes, como se isso já não fosse de certa forma normal até bem antes da pandemia. Gente atabalhoada tentando tirar o atraso, e esse atraso correndo deles.

Diferente das filas criadas pelo confuso e desatinado governo para dar o auxílio emergencial e quando muitos correram para portas de bancos para tentar garantir aquele trocadinho, o que até valeria algum risco, desta vez se aglomeraram para comprar nas ruas e shoppings populares, bater pernas atrás de presentes para datas que já não marcam é mais nada. Houve também muitos que vieram com sacolinhas e sacolões para comprar o que venderiam em outras filas e aglomerações, em outros locais, nos paraguaizinhos de todo o território nacional.

Máscaras foram o hit da vez nas barracas dos camelôs, mas nem todos as usam no lugar, ou mesmo as usam. Estão faltando beber álcool em gel, como se esse pudesse ser servido em copinhos e, espirrados, fossem mágicos seus respingos. O resultado dessa loucura estará no futuro logo ali, nos números de novos  infectados e mortos, como se não bastasse já termos ultrapassado a terrível marca oficial de 40 mil brasileiros mortos e de quase um milhão de infectados, números ainda acanhados perto da realidade, subnotificados de todas as formas possíveis, inclusive oficialmente, na cara dura.

Repito: e vocês aí achando que uma nova sociedade surgiria dessa experiência que, inclusive, não tem qualquer data para acabar, sem vacina, sem remédios, só desatinos e improvisos. Como? Com um dirigente máximo insano?, que pouco está se lixando para a vida, e que agora – dá até vergonha de falar – incentiva seus seguidores chucros (que certamente poderão, com razão, serem chamadas de gado, se o fizerem) a entrarem nos hospitais para registrar e “denunciar” (!) camas vazias… Qual o próximo passo?

Esse presidente e sua equipe, sim, podem ser chamadas de anormais por não pararem um minuto de multiplicar a ignorância e o perigo. Obrigaram até a oposição a tentar  se organizar e chamar protestos nas ruas, antes ocupadas apenas por uns seres estranhos e feios vestidos de verde e amarelo abanando bandeiras antidemocráticas ou desconexas, montinhos perdidos que podiam ser encontrados tentando  se acasalar e se multiplicarem lá na frente do Palácio da Alvorada; aqui em São Paulo, na porta da Fiesp e em frente ao II Exército.

E os ladrões, espalhados, enchendo os bolsos com o super faturamento de equipamentos e insumos hospitalares? Aumentando preços como se realmente não houvesse amanhã? Bancos posando de bonzinhos nas propagandas e ignorando pedidos de socorro por créditos a juros mais baixos?  A lista é enorme e você aí já deve ter lembrado de mais algum fato entre esses que assistimos estupefatos.

Daqui de meu posto de observação estou é vendo muita gente brincando com a morte, como se ela já não estivesse bastante visível. E fico, acreditem, cada dia mais preocupada e temerosa com a forma dessa abertura precipitada, sem conscientização, como se o vírus tivesse tirado férias. Mas ele ainda está lá escalando a montanha em busca de asfixiar e tirar o oxigênio vital, todo feliz com os pratos oferecidos para sua alimentação, especialmente os pobres.

Para finalizar, não me venham falando em percentual de ocupação de leitos estar folgado. Ninguém quer vê-los cheios. Ninguém quer ficar doente. Não é possível que esse tal novo normal seja tão burro que não possa entender isso.

Normal. O que é normal?

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ARTIGO – O planeta das pessoas sem rosto. Por Marli Gonçalves

Nas ruas, grande parte das pessoas que vejo – seja de minha janela, ou nas pequenas e essenciais escapadas – não tem mais rosto, mas ainda consigo ver em seus olhos o medo, a insegurança, essa incerteza geral de todos nós do que é que, de forma geral, vai sair disso tudo. As máscaras encobrem os lábios que já não podem beijar, os narizes que temem respirar aquela bolinha cheia de coroas que nos inferniza, presas nas orelhas que escutam os acordes de mortes anunciadas, as falas e atos cheios de ignorâncias, mas apenas um pouco de protestos vindos desse povo cordato e resistente

Astronautas da Estação Espacial Internacional voltam à Terra em plena pandemia e encontram outro planeta… O planeta das pessoas sem rosto.

A ideia espalhada da produção doméstica das máscaras de pano, de retalhos, feitas artesanalmente, trouxe ao menos alguma alegria visual nesse momento tão sério. Estampadas, de bolinhas, com bichinhos, coloridas, trazem um pouco de cor a esse momento cinza chumbo. Com slogans, as “Fora Bolsonaro!” agora já tem até na versão de apps para que se aplique e use nas imagens digitais.

Ainda a grande maioria – e sinceramente não sei onde as compram – é daquela descartável, branca, impessoal; tem quem use a profissional, que aliás deveriam estar disponíveis abertamente aos profissionais da saúde que reclamam sua falta na luta que travam, assim como luvas, aventais e tudo mais, além de respiradores. Para que se decrete o uso obrigatório de máscaras, que tal fornecê-las? Quando são encontradas à venda é um verdadeiro assalto à mão armada, custavam centavos, vinham em caixas; agora custam, quando aparecem, cada uma, muitos reais. E atentem, dessas, simples, que deveriam ser usadas apenas duas horas.  Quem pode pagar? Claro que estão sendo usadas, as mesmas, por dias … As de pano, agora, pelo menos parecem bem mais democráticas.

Aliás, assaltos à mão armada tornaram-se bem comuns e é como vemos os preços subindo que nem malucos nos mercados, o valor abusivo dos frascos de álcool em gel que juram estar sendo vendidos a preços de custo;  nos exames de laboratórios em busca de saber se o vírus está presente, se esteve; nas taxas de entrega dos indispensáveis pedidos a domicílio; nos preços dos remédios que agora fizeram a “gentileza” de informar como congelados. Obrigada, Senhor, mas cadê fiscalização?

O poço das diferenças sociais está aberto e é muito fundo. Dentro dele está o resultado de décadas de descaso com a infraestrutura, com saneamento, com investimentos na saúde e equipamentos. A burocracia chega à tampa, como vemos no desespero das filas em busca da esmolenta ajuda emergencial, e onde a palavra emergencial parece apenas decorativa. Amanhã chega, depois, talvez, no fim do mês, contas digitais para quem, em um país ainda com grande índice de analfabetos, nem ao menos tem ou sabe lidar com esse mundo tecnológico e caro, muito caro. Computadores, celulares, internet? Se nem água há em muitas das localidades! Utopias que desfilam diante de nossos olhos, que logo serão cobertos por escudos.

Tudo isso só não nos têm livrado de estarmos todos num mesmo barco, e o rádio da embarcação nos informa que estamos à deriva, porque o capitão está alucinado. Jogou ao mar os marinheiros que conduziam o timão, e dá – sem parar – sinais desencontrados à uma população apavorada.

Temos de, acima de tudo, viver para ver qual planeta verdadeiro sairá disso tudo, desse tempo sombrio, e a cada dia, infelizmente, esmorecem as teses de que sairemos melhor como pessoas, como terráqueos que somos esperando que os astronautas tenham nos trazido alternativas lá de onde vieram, desse infinito Universo desconhecido.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Colapso da razão. Por Marli Gonçalves

Derrocada, desmoronamento, ruína – os melhores sentidos de colapso, a palavra que era ameaça, mas já chegou, se instalou e precisamos nos livrar dela. Assistimos à derrocada, desmoronamento, à verdadeira ruína da inteligência, do bom senso, da ética, em uma parte da população brasileira que apela para a ignorância por falta de argumentos, consciência, informações ou mesmo por má-fé – o colapso da razão

Collapse OS, o sistema operacional para sobreviver ao apocalipse ...

Escrevo sob forte impacto e tristeza, de quem acabou de saber que perdeu um amigo, um grande jornalista, que foi sempre um exemplo de cidadão: Randáu Marques. Morreu do coração, o coração que em seu corpo só emitiu amor e carinho com seus colegas. Randáu, além de ter sido uma pessoa simplesmente maravilhosa, do bem, foi o precursor da luta pelo meio ambiente, um dos primeiros que nos informaram e fizeram entender a ecologia e sua intima ligação com a raça humana e sua sobrevivência. Sabe Cubatão, que já foi o endereço da morte, com seus bebês nascendo sem cérebro? Sabe a Mata Atlântica? Muito antes de Partido Verde! Sabe tudo isso que ainda estamos ouvindo hoje da menina Greta? Pois é, Randáu nos alertava em pleno anos 80 do que poderia vir, do que viria, do que veio. Falava sobre a natureza como ninguém. Tive a honra de trabalhar com ele no Jornal da Tarde.

Escrevo também sob forte impacto dos números que todos os dias atravessam o limite da vida, dos mortos por um vírus muito real, muito visível, muito devastador, mas que ainda tem quem não acredite nele, não leve a sério a única forma  – difícil, sim, mas única – que temos de desacelerar seu caminho de destruição e morte, o isolamento social, a quarentena. E eu não quero ver, nem saber de mais pessoas tão importantes nesse mundo sendo levados por ele na sua barca maldita, que agora tem navegado lotada, e em todo o mundo. São perdas, todas, inestimáveis, e com elas, principalmente os idosos, se enterra conhecimento, vivência, lutas vencidas, histórias que mal tivemos tempo de honrar, em todos os campos do conhecimento.

Escrevo me sentindo muito revoltada – e perplexa – com o governante que  mais uma vez começou e terminou a semana nos ameaçando com suas grotescas palavras, atos, declarações e chamadas incessantes da população para a fila da morte, lá onde não há um metro de distância uns dos outros nas covas que se abrem continuamente guardando os corpos de pessoas de todas as classes sociais, e que não pararão de chegar nelas se não houver um basta enquanto for tempo.

Ao ver o número de pessoas aqui em São Paulo, o epicentro nacional, saltitantes pelas ruas, lotando-as bem coladinhos uns aos outros, respirando, espirrando, tossindo, cuspindo; abrindo clandestinamente seus comércios, largando os cuidados básicos para evitar a disseminação descontrolada do vírus, e sem precisão, sem serem obrigadas já que não trabalham em serviços essenciais, tristeza e medo se misturam. Estarão eles se achando deuses, eleitos como imortais, fortes e viris, desconhecendo o perigo e seguindo o tal irresponsável Messias e seus asseclas? Acreditam que assim a economia – como se vidas pudessem ser descartadas – não será afetada?

Acreditarão eles que o remédio propagandeado sabe-se lá por qual interesse, dia e noite por um ignorante, mau militar, mau líder, péssimo político, funcione mesmo?  E que gotas dele pingarão do céu sobre suas cabeças coroadas os isentando de serem infectados e que, se o forem, bastarão pílulas mágicas? No mundo, inclusive em lugares desenvolvidos, mais de um milhão de infectados, a morte de muitos milhares diariamente já não teria sido evitada se o remédio fosse tão mágico? Médicos, cientistas perdem o tempo precioso que poderiam estar dedicando às suas pesquisas para vir a público desmentir essa eficácia, alertar para os grandes riscos colaterais.

Estarão todos surdos? Incapazes de ver a progressão aqui em nosso solo? Acham talvez que os hospitais de campanha improvisados sendo construídos a toque de caixa são para enfeitar as cidades?

Os especialistas temem o colapso da Saúde e que virá caso um grande número de pessoas sejam infectadas ao mesmo tempo e necessitem de internação, respiradores, atenção médica, isso além de tudo o que diariamente leva pessoas aos hospitais, já tão deficitários muito antes disso tudo. Um outro grupo que busca se contrapor teme o colapso da Dona Economia, como se essa antes já não estivesse tão cambaleante e sem ações e respostas positivas, e que agora querem usar para justificar um governo até aqui de fracassos, escândalos, gafes, com poucos ministros bons entre um grupo que parece ter se evadido da escola ainda no jardim de infância. Irresponsáveis, serão julgados pela História.

Pois nós, eu e uma grande parcela da população, temos uma informação: já há um grande colapso: o da razão. E todos nós seremos vítimas disso, de uma forma ou outra, hoje ou no amanhã que há de chegar, mesmo que com seus passos duros, caminhando e aprofundando ainda mais as disparidades sociais desse país.

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ARTIGO – Uma loteria macabra. Por Marli Gonçalves

Estranho quem ainda não acredita no poder letal do Covid-19 como se fosse – como se alguém pudesse ser – totalmente imune a ele neste momento entre os mais terríveis da história recente da humanidade. Aposto que apostam em ficarem ricos nas loterias onde realmente a chance de ganhar é uma entre muitos milhares, milhões. Nela acreditam; até pagam por isso. A maior desgraça mundial hoje, além do vírus, é a ignorância, e que aqui no Brasil há anos contamina nossos dias

The National Lottery Draws - BBC

Tenho tido terríveis crises de ansiedade, que culminam com palpitações, dores de cabeça, pensamentos desencontrados e preocupados, medos e angústias, além de uma revolta especial com ignorantes, que antes até conseguia suportar com alguma paciência, mas que hoje atingem também a minha saúde.  Começo com essa afirmação porque creio firmemente que o momento é de sermos sinceros uns com os outros, trocarmos ideias, sensações.  Que a gente ponha para fora o que sentimos, em prol até de ao menos mantermos um mínimo de sanidade mental.  Estamos – e agora a expressão parece fazer sentido – dentro de caixas, nossas casas, isolados. E mesmo que não totalmente sós me parece que nunca vivemos de tal forma bruta essas sensações todas e elas são totalmente individuais. Difíceis de serem descritas, mas que atingem e por mais que queiramos nos fazer de fortes.

Como você está? – pergunto. Embora não possa ajudar muito e a cada dia esteja mais claro que não temos a menor noção do que realmente ocorrerá nem na hora seguinte, nem no dia seguinte, nem quanto tempo levará. Os inimigos se multiplicam, além do contágio: os boletos chegando, empregos partindo, notícias de um mundo todo em looping contando diariamente mortos às centenas, e especialmente aqui no Brasil a ameaça constante de um governante absolutamente alucinado atrapalhando o serviço de quem está na linha de frente: seus próprios ministros, autoridades em saúde, profissionais, cientistas, imprensa.

Aqui não se trata mais – incrível – de aversão, que é total, de política, direita, esquerda, vitória, derrota, mas chamar a atenção para o caminho que as coisas rapidamente tomarão se mantida essa perigosa toada.  Um presidente que dissemina notícias falsas, que atiça confrontos, que alimenta um gabinete de ódio formado por seus filhos e aconselhadores do mal, próximos. Um homem incapaz de movimentos de união, mas capaz de provocar e comandar atos e pronunciamentos que, se mantidos,  certamente ou levarão a uma insurgência jamais vista ou a uma desumana catástrofe social. Capaz, como o fez agora, de conclamar o país para um jejum (!) religioso quando dele se esperam determinações, sim, mas para acabar com a fome que já faz roncar barrigas entre os humildes, miseráveis, as primeiras vítimas da desorganização nacional empurrada anos a fio.

Não é normal, gente. Algo precisa ser feito, não sei se é possível interdição, camisa-de-força, forçar renúncia ou impeachment. Ou pedir, em uníssono, com panelas, gritos ou o que quer que seja, que se cale. Que deixe em paz quem está no campo da guerra.

Dele não se ouviu até agora uma só palavra de alento, apenas ironias desrespeitando as centenas de famílias já em luto, algumas com várias perdas ligadas entre si.

Dele não se ouviu até agora uma palavra contra os aproveitadores que cinicamente aumentam barbaramente os preços, somem com insumos. Nenhuma de suas ordens veio para acabar com os abusos, ou para proteger quem precisa. Vive apenas de suas próprias alucinações, rompantes, daquela meia dúzia que diariamente vai saudá-lo no cercadinho improvisado do Palácio, criando fatos que alimentam robôs, que por sua vez alimentam a ira dos ignorantes.

Dele não se ouviu até agora nada que preste.

O inimigo é um vírus que se respira, invisível. Ainda indomável e desconhecido, mutante. Nos Estados Unidos já há mais mortes do que no 11 de setembro. Aqui já há mais mortes do que em quedas de Boeings, barragens rompidas, desabamentos, enchentes. É mais do que uma guerra, necessitando armas diferentes, e guerras não escolhem idades. Todos atingidos – inclusive o bem maior, a liberdade.

A situação ainda está em andamento, advertem os especialistas de todo o mundo que buscam correr para conter, evitar o pior quadro que se aproxima, mais crítico ainda em vários locais onde líderes ousaram desafiar a realidade e que agora apenas correm para não serem julgados pela História como genocidas.

Precisamos continuar no jogo.  E para isso marcarmos e seguirmos os passos corretamente, para que não saia ainda mais cara essa loteria em que estamos metidos. Vamos ganhar esse jogo. Todos nós. Dividiremos o prêmio da vida.

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ARTIGO – O dia depois. Por Marli Gonçalves

O que sairá de tudo isso? Nunca vivemos coisa parecida, uma batalha mundial e contra um vírus, a pandemia do COVID-19, que já dizima milhares de pessoas. Tantas mudanças de hábito, tantas imposições.  Nos adaptamos aos poucos ao Presente, que – e que assim seja garantido! – estoura todos os dias nessa guerra que não deixa de ser muito particular, uma vez que cada um tem responsabilidade por si e muitas pelos outros. Mas já sonho com o dia depois, aquele, no Futuro, uma forma de renovar as esperanças e a saúde mental, que não tem como não estar afetada

Como é? Como vai ser?  Até quando? Perguntas e mais perguntas, e nem bem uma é respondida surgem outras e outras, em detalhes que precisam ser vistos, revistos e solucionados. Uma angústia imensurável, difícil de aplacar. Precisamos sobreviver – essa é a questão central – acima de metas, planos, governos, e esse, aqui no Brasil, nos leva a ainda mais e mais dúvidas sobre o desenrolar desse momento; e não vai perder por esperar. Já começamos a fazer barulho.

Cada um fechado em si como pode, poucos nas ruas, e todos esses em estranhos visuais e movimentos – nunca vi tantos esfregarem suas mãos em movimentos nervosos como os que fazemos nos virando com álcool em gel em cada lugar, cada coisa que tocamos, e desesperados tentamos nos livrar do maldito. Olhares ansiosos. Com máscaras, como se elas fossem escudos (e não são, se usadas de forma aleatória); alguns com luvas. Praticamente nos benzemos, nos damos passes, em busca de assepsia. O vírus invisível pode estar sendo carregado em todos, porque nem todos o desenvolvem. Crianças podem levar aos mais velhos. Os mais velhos entre si. Todos para todos, sem exceção. Os jovens ainda arrogantes talvez ainda duvidem que podem transmiti-lo como o vento. Não há testes que isentem enquanto isso não acabar.

A tecla idoso não para de ser batida, e quem tem mais de 60 anos apresentado literalmente como alvo de uma flecha que queremos que erre muito. Quando se passa dessa idade, talvez não tivéssemos ainda consciência, essa exata noção, que a cada dia nos tornamos mais frágeis. E se essa pandemia veio para calibrar a população mundial estamos na fila principal – junto com nosso conhecimento, maturidade, história, e o que não valerá nada diante da atual conjuntura. Alguns, já solitários, ficarão mais isolados. Outros, tidos como estorvos, para eles haverá torcida para que se adiantem na tal fila.

Não nos damos as mãos, não nos abraçamos, ficamos sem beijos, um é bom, vários, dois, três, quatro, dependendo se é carioca, paulista, três para casar. Agora só nos tocamos com a ponta dos cotovelos ou dos pés, numa dancinha inimaginável. Ou nos deleitamos em conversas virtuais. Todos viramos caras quadradas, enquadradas no visor.

Mas haverá um dia – o dia depois – e creio que é bom pensar nisso, projetar. Dá esperança para ultrapassar essa agonia, essa fase espinhosa, quase impossível de descrever.

As festas que faremos nas ruas, a alegria que será – e tudo o mais será melhor, mais importante, pelo menos por um tempo tudo terá mais valor, prazer – podermos nos libertar e andar livres, em nossas atividades normais. Vamos cantar, dançar, nos abraçar?

 A Humanidade toma um baque que já nos faz pensar o que sairá dessa experiência, como conseguiremos lidar com tantas incertezas e sobreviver à crise que se descortina mostrando suas garras para uma sociedade enfraquecida em tantos sentidos e por tantas outras formas.

Chegará o dia depois. Ele deverá chegar, embora agora não tenhamos a menor noção de quando será.

Será anunciado? Haverá uma data em que todos, no planeta inteiro, comemoraremos, que passará a ser universal?

Quero estar viva para viver esse dia. E que você também esteja para que possamos nos dar as mãos. Se cuida.

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ARTIGO – Elogio da Loucura. Por Marli Gonçalves

 A Deusa Loucura está entre nós, confortável e ironicamente instalada em todo o mundo, mas muito mais próxima de nós, rindo satisfeita de suas artes que obrigaram a quem fez muxoxo ficar bem esperto, que fizeram tremer as bolsas, as carteiras, as mochilas. Artes que, inclusive, nos mostram todos os dias o perigo da ignorância que ainda grassa

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O bom humor nacional, o jeitinho brasileiro, essa ginga toda, não tem limites, e às vezes penso que, se de um lado é bom, suaviza um pouco as coisas, de outro é também o que nos mantêm inertes quando tratamos de situações que requerem ações, responsabilidade, sabedoria e conhecimento.

Essa semana de tremores e terremotos, de angústia e preocupação valerá por muito tempo como reflexão dos caminhos e do comportamento nacional. Deve ser assinalada nos calendários da história, vista e revista como a dos dias que despertaram toda a sorte de incertezas, chamaram o medo para dentro das casas, onde tememos ficar isolados. E não sabemos se será assim, ou melhor, ou ainda pior, na semana seguinte, nos dias seguintes, ou, ainda, nos meses seguintes. Nem como será a sequela que deixará, além da cicatriz que for se fechando.

Os dias que não poderemos beijar, abraçar, dar as mãos, tocar, sem temor. Quando o tremor e o temor se juntam como em um anagrama do I-Ching. E o baile de máscaras não tem beleza, nem sedução, nem fantasia como ousou dizer o homem que nos governa, obrigado rapidamente a tirar a sua própria máscara da ignorância, e que agora deveria arrancar também de todos os que cegamente querem impor as suas tolas palavras e sua inversão de valores a toda a sociedade. Sentiu em sua própria nuca o bafo da realidade. Seu rosto foi obrigado a se desvendar, de forma a se desobrigar de responsabilidade com o ato que convocou, como um tapa na cara de todos os democratas.

Um grupo sem qualquer empatia, agressivo, autoritário, descontrolado dirige a nação em momento tão delicado; que já o era, mas agora soma à sua crise social, econômica, política e de poder  – de repente, estonteante, rapidamente – fatores inesperados como crise na área de petróleo, queda das bolsas, aumento sideral do dólar, e um novo vírus se espalhando, somando-se ao sarampo que voltou com mala e cuia, à dengue e à miséria. Como vai ser propor, se necessário, o isolamento do nosso povo?

Vem da iniciativa privada as decisões mais apropriadas e, agora sim, a palavra cancelar perdeu seu sentido frufru e passou a existir, canceladas atividades, reuniões, eventos, shows, partidas, etc., pelo menos até o fim deste mês. Alguém tinha de levar a sério esse assunto, sem meter os pés pelas mãos a não ser como o cumprimento inventado lá no Oriente de bater as pontas dos pés numa dança que logo ganhará nome e ritmos.

A insanidade do centro do poder nacional está tomando proporções que já não cabem mais apenas em comentários políticos feitos por jornalistas, sempre recebidos por xingamentos e bananas. Não cabem mais nos recados mal escritos que nos mandam através de redes sociais robotizadas para evitar que sejam questionados em suas informações e visões dantescas do mundo. Eles, salvo exceções – e nessas horas terríveis nossa visão fica mais aguçada – mostram-se de tal forma inadequados, inapropriados e desproporcionais que havemos de temer o desfecho local dessa terrível temporada.

Se a Deusa Loucura nasce rindo no secular ensaio de Erasmo de Roterdã que com fina ironia expõe a situação que visualizava, não desejaremos nós que a tristeza seja o fim, quando se teima em insistir no que nesse caso não é nada bom do ditado citado na obra, e que assistimos no poder atual: “Não tens quem te elogie? Elogia-te a ti mesmo”.

Um perigo.

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ARTIGO – É uma vez um verão muito esquisito. Por Marli Gonçalves

Cá estou eu, numa nublada e cinzenta São Paulo, e com um dedo imobilizado até o outono. Não era pescoço de cisne o problema que de repente me aconteceu. Chama dedo em martelo, me informou o especialista, mais comum, mas não menos chato e “atrapalhante”. Não apareceu ainda nenhuma moda divertida de verão, nem aqui, nem no Rio de Janeiro, nem em lugar nenhum, e até o Carnaval está mais enrolado que serpentina

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Nem estou podendo usar o dedo do meio da mão direita, o conhecido “dedo-do-palavrão”, pai-de-todos, dedo maior. À esta altura em praticamente todos os anos que vivi, e são muitos, logo em janeiro a gente já sabia qual era ou ia ser “a do verão”. Teve, para lembrar alguns,  o “da lata”, quando as latas do Solana Star vieram dar alegria às praias, o do “apito” que a moçada usava para alertar sobre a chegada da polícia, o do topless, no qual as garotas liberavam a torturante parte de cima dos biquínis.

Já estamos em pleno fevereiro, o Sol anda mesmo sumido aqui do Sudeste. As chuvas de verão, às quais até já estávamos acostumados, fortes, mas rápidas e refrescantes, só estão trazendo a parte das desgraças, das mortes em desabamentos, deslizamentos, acidentes, e o Estado de Minas Gerais anda premiado. A falta de saneamento básico, o descuido com algo tão importante, vem se mostrando a cada nuvem carregada que desaba.

Nas praias, nos livramos do óleo, ainda inexplicado. Mas no Rio de Janeiro hoje, que anda sem graça, e até sem moda, se perguntarmos qual é a do verão, a resposta será “o da água fedida, turva, contaminada”, o verão da “geosmina” bactéria produzida por algas. Um verão do baixo astral.

Não bastassem os inglórios problemas nacionais, chegou o temor com o novo coronavírus detectado na China, se espalhando e ligando o alerta mundial. A contaminação pessoa a pessoa apavora e se aproxima, inclusive de nosso Carnaval, justamente a época que se canta e dança para exorcizar os demônios anuais, com alegria; o tal ópio do povo.

Verão esquisito esse de 2020 … é o mínimo que se pode falar dele até agora, embora meu otimismo siga até 20 de março junto com as nossas esperanças que até lá melhore esse astral. O que incomoda é lembrar que, pensando bem, desde antes, certa eleição e posterior posse, já passamos por um outro verão, outono, inverno, primavera e todo dia um aborrecimento vindo de algum canto do Brasil nos agoniou.  Como um mal que se espalha, uma geosmina comportamental que turva tudo o que encontra. Incentivados por quem imaginam ser líder, os mais estapafúrdios pensamentos saem das cavernas, puxando nossos pés e ânimos, e enquanto estamos acordados. Estamos? Mesmo?

Só para efeito de demonstração das últimas 48 horas anteriores a esse momento em que escrevo. Secretário da Educação de Rondônia permite que se ouse fazer, imaginar, listar 42 obras literárias nacionais e internacionais para censurar, classificando-as como impróprias para crianças e adolescentes. A tempo não foi executado, mas a lista incluía clássicos como Macunaíma, Os Sertões, e sobrou até para Machado de Assis, entre outros bambas.

Quer outra? O novo coordenador da FUNAI no Mato Grosso do Sul, José Magalhães Filho, falou em entrevista sobre a ‘integração do índio à sociedade brasileira’. Disse como funcionaria essa política de “integração”: ‘Nós temos que preparar essa criança, esse indiozinho, essa indiazinha, para frequentar a escola urbana. E assim a namorar com um pretinho, um branquinho. E essa integração vem surgindo automaticamente. Desta forma é que nossa política será implantada’.

Socorro! Chega, né? Tá bom. Não vou nem lembrar da série de sandices disparadas esses dias pelo presidente da República, o general dessa banda desafinada, que tanto atravessa nosso samba na avenida, sacolejando nossa harmonia.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO -De repente…Por Marli Gonçalves

 

De repente, fevereiro. De repente a gente está aí, às voltas com um vírus internacional. De repente, tudo pode acontecer – de um segundo a outro, e isso é de pirar. De repente, olhei minha mão e meu dedo médio da mão direita estava com a ponta caída, muito esquisito, sem atender ao meu comando, o que eles, médicos, chamam de pescoço de cisne, uma parte do dedo chamada distal. Hospital, raio-X, tala por meses e mais um problema a resolver, que chega de repente, como todos os problemas, esses infiltrados em nossas vidas

Tenho horror a isso, isso do “de repente”. E não é que meu dedo ficou mesmo igual ao tal pescoço de cisne? Aliás, um formato bastante conhecido e de outras coisas também… (sem gracinhas, hein?). Não bati em nada, não quebrou nada…De repente, a ponta do dedo “caiu”. Não, não o enfiei em lugar nenhum. Nem o usei, embora seja exatamente aquele dedo médio que a gente usa para… bem, vocês sabem. E também sabem que temos sempre um monte de razões para mostrá-lo para um monte de gente que nos perturba. Mas não foi o caso.

Já senti que o problema é interno, coisa, creio, de ligamentos, artrose, que vou rezar muito para que não seja sério e que a tala que o imobiliza, o dedo, mas também a mão e o meu humor, resolva. Como precisei largar tudo que estava fazendo para ir ao pronto-socorro, agora que voltei o tema que desenvolvia para essa semana ganhou até mais sentido. Mais realidade. De repente, fevereiro! De repente, enfaixada. De repente, puxa se pudéssemos antever as coisas quanto poderíamos fazer? Poderíamos? Temos esse poder?  Pior é que creio que não mesmo. Só podemos evitar um pouco das coisas; nosso corpo é muito louco e com vontade própria.

Então, de repente é fevereiro, já. De repente estamos ligados no vírus internacional, no estado de emergência global, torcendo para que a China seja bem mais longe do que já é. De repente, as chuvas engrossam e fazem o estrago que já fizeram em Minas Gerais e Espírito Santo, com tantas mortes, destruição, desabamentos, afogamentos que ocorrem não em rios ou lagos ou mar, mas nas ruas que explodem com as ondas que as tomam completamente.

De repente, quem ia viajar não vai mais, porque não pode, porque tem medo, ou porque está proibido de ir ao lugar que planejaram por tanto tempo. Ninguém vai à China ou ao Oriente assim, de estalo. De repente quem estava lá não pode voltar – até porque o nosso governo não quer ajudar, prefere manter todo mundo lá. De repente, nossas preocupações com Trump, guerra, Oriente Médio, ficaram pequeninas. Voltamos a ficar mais atentos, sim, mas ao nosso céu, se as nuvens estão carregadas, aos macacos que voltam a aparecer mortos por febre amarela, e atentos a aqueles mosquitinhos bundudos que espetam, que causam a dengue que matou quase 700 brasileiros o ano passado. Quer que eu repita? 700. Oficialmente, 689 pessoas. Mortas. Fim.

Fevereiro vem com tudo, sambando na avenida. Com todo o seu calor, mais um carnaval de dúvidas, mês bissexto, diferente. Tudo bem que eu nem precisava ter avisado porque as contas que já chegaram aí para você, também já chegaram para mim. Aquele monte de “is”, Iptu, Ipva, mais os Iss e outros nada isentos que recebemos com grande tristeza até por não vermos nunca os valores que neles dispomos serem utilizados sem nosso bem-estar e em melhorias nas nossas regiões. Se prepara para o pior, aquele “i” do leão, o do IR, do Imposto de Renda.

Outro dia assistindo a um documentário na GloboNews, “Desacelera”, me auto percebi talvez estar acometida do que eles falavam, psicólogos, psiquiatras, pacientes, etc.: transtorno de ansiedade generalizada. Sintomas? Preocupações e medos excessivos, visão muitas vezes irreal de problemas, inquietação ou nervosismo, sem paciência com gente lenta, entre outros.

Mas dá, me digam, por favor, para não ficar chateado ou nervoso, por exemplo, com a lentidão das pessoas e ações que devem tomar, principalmente as que nos governam?

Não dá. Até porque a lentidão deles sempre vem acompanhada de trapalhadas de toda a sorte.

E a gente querendo um fevereiro de verão, de calor, de carnaval, de frevo, dançar com a sombrinha. E acabamos, de repente, só sambando na mão deles.

Com o dedo enfaixado como estou agora, de repente não posso nem mais mostrar para eles meu desencanto…mas ainda posso batucar aqui nas pretinhas.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Piro, espirro, respiro, Pirro. Por Marli Gonçalves

Milhões de pessoas totalmente isoladas em cidades na China, o chabu total do maior e mais movimentado e festejado feriado deles, o Ano Novo Lunar. Aeroportos que viraram termômetros gigantes, com a temperatura de todos sendo medida. Pessoas sem rostos, cobertos por máscaras como os véus a que mulheres são obrigadas em diversos locais. O mundo se apavora e se ajoelha diante de uma coroa, mas a de um vírus sobre o qual ainda pouco se sabe

  Saúde! Sabia que o hábito de responder com “Saúde!”, logo, para quem espirra, vem de que havia uma crença que o coração para quando a gente espirra?  (Calma, só dá uma diminuída no batimento; o ritmo desacelera). Uns acreditavam que quando a pessoa espirrava, a alma saia de seu corpo; então se gritava “saúde” (poderia ser outra coisa, falando alto, dita de forma positiva), para que quem espirrou não fosse tocado por algum espírito do mal.

O coração não para, mas as gotinhas podem voar bem longe, chegando até a inacreditáveis 150 km/hora, isso segundo alguns pesquisadores. E podem alcançar um raio de um metro e meio; mas já teve quem conseguisse olimpicamente espirrar e alcançar medidos nove metros de distância.

Eu não sabia – ou melhor, não tinha reparado – que não dá para espirrar de olhos abertos, vejam só. Daí o perigo de espirrar por exemplo quando se está guiando. Pior é que dá vontade de espirrar justamente quando a gente não pode, está fazendo alguma coisa que necessita precisão, ou, claro, no cinema, no teatro…

Espirrar seguidamente é normal. Conheço quem espirra exatamente sete vezes, e admito que sempre gostei de ficar contando, principalmente porque isso sempre acontece depois de um delicioso momento de prazer. Tem quem acenda um cigarro. Tem quem durma. Tem quem espirre sete vezes. E isso até seja um bom sinal.

Melhor não tentar conter o tal espirro, o atchim, que isso pode fazer, dependendo da força, estourar vasos sanguíneos – não, o olho não cai, não é tão fácil assim ele sair voando.

Brincadeiras e informações quase inúteis à parte, o assunto geral é sério, e de pirar saber o quanto estamos expostos ao que acontece na esquina e ao que acontece lá do outro lado do mundo. O coronavírus da vez é só mais um exemplo de como tudo hoje se propaga de forma veloz.  Queimam florestas na Amazônia e a cidade de São Paulo já se viu avermelhada como nos melhores filmes de ficção futurista.  A fumaça dos incêndios na Austrália chegou ao Sul do país. Alguém espirrou lá na China e…

Inventam uma mentira e ela se espalha como verdade, mesmo que nem tenha sido dita mil vezes, mas compartilhada por dedinhos nervosos e que não se consegue rastrear a digital inicial. Não é mais boca a boca. É o respirar. E se o ser humano pode sobreviver no máximo, máximo, sete minutos, sem respirar, há seres que não resistem a segundos para mandar para a frente informações que levam anos para serem curadas.

E o que é o Pirro tem a ver com isso? Rimas e coincidências. Estamos vivendo um momento muito tenso, provocado inclusive por informações oficiais dadas de dia, e desfeitas de noite, ou mesmo poucas horas depois. Eles jogam, colhem os louros da vitória, até entenderem que na verdade foi uma derrota e tanto, que só admitem quando o mal já está feito, e o vírus da discórdia já circula, lépido, alimentando o medo e a divisão que reina sobre nós, atônitos. Igual ao coronavírus, de contágio pessoa a pessoa.

Virou forma de governo, e testando nossos nervos. Nos deixando isolados.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Parabéns, SP. Parabéns? Por Marli Gonçalves

 

#spcidadeàstraças. Perdi a conta das vezes em que já usei esta hashtag, vezes em que fotografo, registro e denuncio as condições da região por onde passo ou onde vivo, as árvores tratadas como lixeiras, os abusos, os buracos. As tentativas de contato com o 156, com a Administração Regional…A sensação é a de falar ao vento, ao poluído ar que nela respiramos, conversar com as tais traças

São Paulo, a cidade que tanto amo, está às traças. Esteja onde estiver, se vive ou passou por aqui nos últimos anos sabe muito bem do que estou falando. Aliás está, agora mesmo, nessa estação de chuvas de verão, presenciando todos os dias os carros de bubuia nas enchentes, o lixo, os cadáveres das árvores tombadas sobre as vias, carros, pessoas, o desespero dos moradores retirando com baldes as águas de suas casas e sonhos destruídos.

Estranho como o tempo passa e parece que tudo continua igual, mesmo em meio à tanta modernidade, arquitetura sofisticada, balelas em cima de balelas, contos de carochinha de como São Paulo é cosmopolita, pareceria com Nova York, etc… Há quase 40 anos, cobrindo cidades pelo nosso querido e tristemente hoje extinto Jornal da Tarde, presenciei as mesmas situações, angústias, desabamentos e desmoronamentos, essa população, principalmente da periferia, sofrendo, da mesma forma que hoje ainda vejo, até pior, de forma mais alastrada e cruel.

No feminismo, registro isso em meu livro, aconteceu a mesma coisa: comecei com 16 e, hoje, aos 61, continuamos, nós, mulheres, quase que com as mesmas reivindicações, buscas, situações. Estranho demais ver a vida passar e a gente tendo que repisar os assuntos e dramas, mas na lama, como se uvas fossem, e o bom vinho nunca aparece.

466 anos de vida. Toda cortada, com cicatrizes e buracos terríveis em sua face, a cidade caminha rapidamente para se tornar impraticável enquanto não houver um mínimo de amor verdadeiro por ela, cuidados, zeladoria, mais ação; menos política, mais atuação. Não tem o que tergiversar sobre o básico de suas necessidades. A população cresceu, e os problemas não só se alastraram: se aprofundaram. Saúde, Educação, Transportes, saneamento básico, segurança, meio ambiente. Aponte uma situação, que verificaremos porque não há muito o que festejar em mais este aniversário.

Outro dia, até parei, sozinha, para dar risada, com os meus botões: passando à noite pela Câmara Municipal de São Paulo, vi que eles fizeram daquele prédio carente de beleza e de vergonha, um imenso painel outdoor, propaganda mesmo, que fica ali falando, na projeção digital espantosa, na fachada do prédio, de como eles, vereadores, são legais, preocupados com  a população, disponíveis, trabalhadores. É uma coisa horrorosa, gente! Alguém poderia me informar quem autorizou isso, inclusive um desrespeito à uma das poucas leis que foram boas para a cidade, a Lei Cidade Limpa, que proibiu anúncios e aquelas placas horríveis?

(Ok, eu também vejo os postes emporcalhados com anúncios de métodos e trabalhos milagrosos para buscar e manter aos seus pés a pessoa amada, lavar sofá, comprar peixes, reformar cortinas, o escambau. Mas o pessoal da prefeitura não vê não, ah, não vê não!)

Soube que no próximo dia 25, dia do aniversário, haverá, saindo no centro da cidade, com seis horas de duração, o que chamam de um “Grande Cortejo Modernista”, seja lá o que isso signifique, que eles adoram inventar nomes bonitos. Estão investindo pesado em shows variados pela cidade, com palcos, trios elétricos, apresentações nas sacadas de prédios históricos. De modernismo, dois ou três pingos…

Tudo bem. Mas, sinceramente, São Paulo, com suas milhares de pessoas vagando pelas ruas, dormindo em viadutos e pontes, largadas como sacos de lixo, cobertas por papelão, com a violência em todas as esquinas, com sua gente sem identidade, diariamente pendurada como nacos de carne em vagões, nas filas de emprego, dos postos de saúde, lembra-me uma palavra: antropofagia. E não é exatamente a da poética literária e cultural de Oswald de Andrade e da turma de 22.

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ARTIGO – Os normais dias seguintes. Por Marli Gonçalves

 

 À esta altura você já deve ter se dado conta – assim como eu – de como é dura a realidade dos fatos, e que ano após ano a gente acredita que eles vão mudar como mágica à meia noite de um Ano Novo. E assim levamos a vida, dia após dia.

Teve mais uma vez quem pulou sete ondinhas, vestiu branco, saiu carregando uma mala em volta do quarteirão para chamar viagens, comeu lentilhas, chupou caroço de romã. Fora a calcinha, que essa é de praxe. A minha deste ano foi amarela. E a sua? Ah, você usa cuecas? Coloridas? Acredita que já tentei praticamente de todas as cores nessa longa vida? Testei até não usar. Nunca veio, nem o amor da vermelha, nem o dinheiro da amarela, nem…  Esse ano para o ano que vem, andei pensando, vou tentar a verde, da esperança. Qualquer coisa direi que estava lutando pelo meio ambiente, contra o aquecimento global, pela legalização, coisas assim…

 Tem também a de acender velas, tomar passes, oferecer oferendas, de não comer nada que cisca pra trás, e o que mais? Banho de ervas? Roupa nova? Estourou uma champagne, viu a rolha voar, com aquele estampido bom, abraçou e beijou quem estava por perto, e assim foi a tal noite feliz – sempre acho que é essa a Noite Feliz, não a de Natal, sempre mais envolta em tristezas.

Espero que não tenha acreditado na possibilidade de fogos de artifício não terem barulho. Balela! Só o dia que forem apenas virtuais, projetados, e acredite, a gente vai odiar. Nada como vê-los como são, sempre foram, explodindo em cores, formatos – aquele momento, aqueles poucos minutos especiais em que viramos crianças de novo.

Fez lista de decisões? Escreveu ou ficou só na cabeça, na intenção? Aliás, já pensou ou olhou para ela nesses poucos, mas longos dias, que já correram e ocorreram de forma assustadora? Devo perguntar ainda se já desistiu de algum item e sacou que tinha exagerado, exigindo muito de você mesmo. Acontece. A gente se promete cada coisa!

Ano após ano parece que tudo se acelera, e que os efeitos de Ano Novo estão cada vez mais efêmeros. Antes, aliás, costumava-se dizer por aqui que o ano só começava depois do Carnaval, mas já faz algum tempo que isso mudou, creio que desde que a globalização se instalou de vez entre nós, fazendo o país acelerar para não ficar mais trás ainda do que já está. Fica aí esperando, sem fazer nada, trabalha não, pra ver se as coisas caem do céu.

Bem, você também já ter conferido: que eu saiba, não ganhou a tal Mega da Virada. Esse ano, joguei – e eu nunca jogo na loteria, mas a mulher do horóscopo falou que podia ser, que havia propensão, probabilidades. Não custava nada acreditar. Um ponto, e olhe lá, em cada aposta.

Enfim, as rédeas do destino a gente até segura, mas o cavalo empina sempre em mais direções do que a vã consciência pode explicar. Passou a meia-noite, e já na outra meia-noite estávamos preocupados com o luto da guerra, com o que os dirigentes mundiais se divertem, com os botões que apertam, as ordens que gritam, com as bobagens que proferem aos borbotões, isso sim. Descobrimos ou lembramos que não somos os únicos agentes de nossos caminhos, onde inclusive andamos deparando com tantos seres do mal que dá vontade de nem sair de casa e passar o ano é gritando socorro.

Aguenta firme aí, temos mais 50 semanas. E pelo que já vimos, assunto não vai faltar.

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#ADEHOJE – 2020! FELIZ TUDO E QUE ESTEJAMOS JUNTOS COM AS NOTÍCIAS

#ADEHOJE – 2020. FELIZ TUDO E QUE ESTEJAMOS JUNTOS COM AS NOTÍCIAS

 

SÓ UM MINUTO – 2020! Depois de uma pausa merecida, cá estamos nós, juntos, para enfrentar mais um ano de notícias de todos os lados e muitas para a gente comentar aqui. Vamos estar juntos, conversar. Me ajuda a divulgar, ente seus amigos, sua família, compartilhe. É hora – é hora – de estarmos todos em uma boa sintonia.

ARTIGO – Os Implicantes. Por Marli Gonçalves

Virou o ano e agora temos este, 2020, número lindo, espelhado, bom de escrever, desenhar, bissexto, pelo menos enquanto não vier alguém implicar com ele até por isso, pois se implicam com tudo. E se até o Papa se dá o direito de dar uma bifas por aí…

Com o que você implica? Todos nós andamos implicantes com alguma coisa ultimamente, repara só. Claro que nem preciso dizer, para começar, que implicar com o atual governo, desgoverno, sua equipe, as bobagens que proferem ou ameaçam, o próprio e seus filhotes, o pacotão todo, é quase que obrigatório, cidadania, vigilância, alarme ligado. Se até quem o botou lá agora está implicando. E se até o Papa…

Mas tem muita gente por aí implicando com coisas que absolutamente não lhes dizem respeito, nem de perto, e que não fazem parte nem diferença para as suas vidinhas normais. É até engraçado em alguns casos como os carolas nos lembram as “Senhoras de Santana” – lembram? Elas adoravam uma censura.

Mas isso pode ser perigosíssimo em tempos estranhos.

Antes que impliquem comigo, repito, admita: todos somos um pouco implicantes. Com mau humor a coisa piora, dobra, a gente até procura com o quê ou com quem implicar. Eu, por exemplo, ultimamente, assumo e vou dar um exemplo, ando completamente implicante – vejam só que bobagem – com homens que usam bermudas e meias ¾ puxadas, bem esticadas, até em cima, arrumadinhas. Tenho gana de pular na perna deles e baixar a meia. O que eu tenho a ver com isso? Nada. Eu bem sei. Mas dei de implicar com isso.  Nunca ataquei nenhuma perna, não se preocupem, que ainda não cheguei nesse nível. (ainda). Não ofereço riscos. Mas prometo tentar parar logo com essa implicância, que tenho muito mais o que fazer.

Justamente sobre isso que falava.  Sobre implicâncias também poderem desencadear violências, intolerâncias. Uma coisa é você implicar dentro da sua cabeça; outra, tentar com que outras pessoas impliquem também com a mesma coisa. Isso muito facilitado pela loucura das redes sociais. É o que está acontecendo no caso do filme do pessoal do Porta dos Fundos para a Netflix, que até onde sei não está obrigando ninguém a assistir – se estiver, me avisem correndo que não tenho ainda assinatura e vou aproveitar para maratonar as séries legais deles. Nessas primeiras horas do ano, já implicaram com o Sabonete Phebo porque custaria três reais; um pouco mais com a Greta Thunberg que adorariam ver ferver na Austrália e, pior, o Trump implicou de tal forma com o Irã que está nos pondo a todos à beira de uma Grande Guerra, fora o petróleo já custando barris de dólares.

Tem gente que ouviu cantar o galo num sei onde e fica piando igual sabiá no outro canto. Daí para a frente é um pulo: pedem censura, implicam com quem os artistas transam ou deixam de transar, quem com quem, implicam com os espetáculos que fazem e sobre o qual não têm a menor noção. Com o que comem ou deixam de comer, se engordam ou se estão magros. Não tô vendo gente implicando, quase mesmo que excomungando o próprio Papa? Ouvi até citarem a Lei Maria da Penha (!) porque ele teria dado as palmadas nas mãos de um mulher – e olha que ele já pediu desculpas – fez um mea-culpa – quase se atirou lá da sacada do Vaticano.

Agora também estou vendo uma novidade na área de implicância – a feita contra quem morreu, e que não poderá mesmo se defender a não ser puxando o pé quando os implicantes estiverem dormindo. Assombrando.

Cada dia mais temos tantas coisas sérias para nos preocupar e essas, sim, implicarão em tudo o que viveremos nesse 2020 em diante. Vamos tentar todos implicar menos com o que não nos diz respeito. Viver e deixar viver. Bem, claro, até que impliquem com a gente, que se defender é questão de honra.

2020! Feliz Dia de Reis!

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ARTIGO – É desejar muito? Por Marli Gonçalves

Me respondam: é pedir muito? Não pode ser pedir muito quando apenas o que se quer é viver em paz, podendo prosperar com alguma organização e sem que essa seja limitadora, sem tanta violência, com mais amor e cuidados com a redonda Terra toda em que vivemos todos nós. Não é desejar muito querer que as pessoas sejam felizes. E só se é feliz sendo amado, e com saúde e alimentos na mesa para si e quem amamos.

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 Sei que não é pouco conseguir essa graça, a de ser e estar feliz. Resumo assim meu desejo para todos, para ser incluído no rol geral.  Sei que cada um de nós tem sempre mais um detalhe aqui e ali para pedir, aquele algo só seu; e eu também tenho, um monte. Aquelas coisinhas que não contamos para ninguém, algumas vezes tão pequeninas que podem até achar que somos otários, mas para nós elas têm grande importância e nos darão gás quando obtidas ou vividas, nos farão sorrir e festejar nem que seja por instantes.

Já vi briga para provar que não se pode falar em década encerrada, segundo cálculos que contam a partir do 1 (hum), e que pretendem que a terceira década do século só comece em 2021. Por favor, não! Deixe-a começar já. Vamos aproveitar, renovar, imaginar um pulo maior, esse, de década, aproveitando a boniteza do número que repetiremos durante 365 dias: 2020.

Viva e deixe viver. Faça o que puder para ser uma pessoa melhor. Tenha compaixão. Tente entender os motivos do outro, até para continuar não concordando, mas entendendo. Busque espalhar conhecimento, sabedoria, razão e boas informações especial e justamente para quem não as tem – vamos parar um pouco de apenas falar ao espelho, senão não alcançaremos a maioria, não conseguiremos mais reforços para o nosso campo da batalha, que precisa se organizar, agir com inteligência, proteger o que nos é mais caro: a liberdade.

É desejar muito que tenhamos mais consideração, respeito, que nossos ouvidos não ouçam tantas bobagens e provocações, cada uma que até parece duas? Esse desejo é geral, antes que eu esqueça de frisar, porque esse será ano eleitoral e vai ter muita gente querendo meter os pés pelas mãos. A política não pode se distanciar das pessoas e é a municipal, a que nos cerca mais de perto, que deverá ser escolhida agora. Sua cidade, seu bairro, sua rua, sua casa.

Se olharmos para trás veremos que perdemos muita energia nos últimos anos, tentando sair de crises, vendo a política ferver, corruptos pisando miudinho, milionários torrando dinheiro como se fumassem notas, e as oportunidades minguando. A discórdia e o sectarismo.

 Não quero mais também ver tanta gente jogada nas ruas dormindo um sono como se tivessem sido desligadas de repente. E ali caíssem, como sacos de lixo, em sarjetas, calçadas, debaixo de árvores, pontes e viadutos, ou vagando nas ruas com suas mochilas rotas onde levam o muito pouco que têm.

Ah, tanta coisa a desejar! Que cessem os ataques às mulheres, os feminicídios, o ciúme e a sofreguidão maluca da vingança de morte quando o amor se encerra.

Que os adolescentes que lideram batalhas em todo o mundo sejam respeitados e compreendidos como puderam em tão poucos anos de vida entender o que nós em décadas tentamos ainda ignorar. Eles estão se movimentando, são o motor do Futuro.

Para terminar, trago informações sobre 2020 para vocês aí, os que são mais esotéricos, ligados em coisas que – não adianta não conseguiremos explicar a quem as nega, melhor nem tentar. Deixe achar que somos malucos. O próximo ano terá como regente o Sol (positividade e confiança). O número é o 4, que simboliza lei e ordem, vejam só. No Horóscopo Chinês, será Ano do Rato (prosperidade). O orixá que regerá o ano será Xangô, Deus da Justiça Divina e Senhor das Pedreiras.

Que ele, com seu martelo, brandindo, nos ajude a passar ao largo das pedreiras da vida.

Até 2020, até a próxima década!

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ARTIGO – O jogo continua. Por Marli Gonçalves

 

A escalada de absurdos parece que ainda não foi suficiente para que todos pudéssemos garantir uma final legal da partida de 2019 e um Ano Novo com esperanças renovadas neste bonito número 2020. Só não digo que os dias passam iguais, porque a cada momento eles parecem ainda mais surreais, esquisitos e contraditórios, e quando esperávamos avançar, lá estamos nós às voltas com o passado.

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Chegou no final do ano e ainda está lá. E muitos dos que me leem entenderão a surpresa porque, inclusive, nem achávamos que seria tão ruim assim; só que foi ainda pior do que as previsões, coisa de louco esse time todo, e que se mantém com apenas uma pequena parte de jogadores em forma. Os outros só deformam, chutando bola plana, pisando no tomate e arremessando abobrinhas.

Mas a torcida anda adormecida, maioria acha que o técnico da Seleção faz coisas erradas, e fica só comentando, fazendo chistes, memes, tretando lá nas redes sociais, como se brincadeira engraçada apenas fosse; não tenta invadir nem protestar à beira do campo. O medo estampa mais camisas do que o verde e amarelo. Tudo bem que – admitamos, entretanto – nosso banco de reservas nunca esteve tão desfalcado: só gente rodada, contundida, fichada, processada, desprezada, malpassada ou queimada de vez.

Há outra parte da torcida que é igual que nem. Diminuiu também, não é mais nem tão expressiva numericamente, mas está aí e não pode ser desprezada porque é insistente e está sempre querendo fechar o tempo e ser torcida única no jogo. Por eles não haveria nem time adversário.

Olho o horizonte: intuo que as coisas vão se acelerar na próxima rodada porque há muita gente atenta em campos das redondezas e adversários bastante perigosos dispostos inclusive a mudar de time rapidamente a um leve aceno do juiz, ops, ex-juiz, ele próprio índio sem apito.

Os movimentos já são visíveis. Um dos principais também se dá na área de economia, um outro planeta, que entra no jogo com chuteiras completamente diferentes – aparentam ser de outra galáxia, e que seus ouvidos não ouvem as barbaridades do chefe. Participam de um campeonato particular que se for analisado prova que o tal técnico é, ele sim, amador. Amador, malcriado e sempre metido em confusões, grosserias, manchetes, polêmicas, caneladas, sempre procurando e conseguindo fazer gol contra.

Esses são diferentões que parecem acreditar serem independentes e que se sustentarão por mais tempo, o necessário para fazerem seus nomes conhecidos para jogarem-se em novas aventuras eleitorais, como se Fernandos Henriques fossem. Perigosos com suas medidas, andam aos pulinhos, com milésimos e décimos de percentuais que operam pra cima e para baixo como grandes e confusas vitórias.

O Brasileirão 2020 terá partidas e partidos interessantes, inclusive em campos externos da política internacional onde estamos de mal a pior, em penalizado descrédito. As tevês transmitirão tudo, ao vivo mais uma vez, com direitos aos replays nos noticiários e comentários que tentarão nos explicar se foi ou não falta, quem passou a perna em quem, puxou camisa, fez jogada perigosa, bateu com a mão em forma de arminha, pediu cartão vermelho, que ainda tem essa.

No país do futebol, esse jogo continua. Adivinhem quem sempre ficará de escanteio. Torcendo para que a partida não seja prorrogada por mais um arrastado ano.

Ah, já ia esquecendo, as partidas continuarão apenas com a seleção masculina; a feminina ainda não tem apoio nem patrocínio dessa Federação.

Feliz Natal!

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ARTIGO – Amigo não é para ser oculto. Por Marli Gonçalves

O que é amizade nesses tempos atuais? Nas redes sociais, temos e chamamos de amigos pessoas que nem conhecemos, pior, muitas que jamais conheceremos. Fazemos e desfazemos esses laços apenas com um clique, sem dor. Agora é hora do tal amigo secreto, quando pessoas que se odeiam se sorteiam e pensam seriamente em dar presentes mortais

Fico imaginando umas caixas maravilhosas embaladas com laços e contendo aranhas e serpentes peçonhentas, venenos, mágoas, respostas não dadas durante todo o ano. Ou presentes escolhidos entre os piores, coisas sem uso, presentes ganhos e guardados para serem repassados para a frente na primeira oportunidade. Imaginem esse ano, com a crise de grana e com a cisão política que se estabeleceu entre nós e que deve estar sendo usada justamente para romper relações distanciadas e já estremecidas por outros motivos. Como chamar de amigos? Como deverá estar sendo o tal amigo secreto deste ano, nas firmas e famílias? Desde criança considero o Natal como uma das datas do ano onde as pessoas mais falseiam umas com as outras.

Como considero amizade de verdade algo raro e sagrado, estranho o nome dado à essa tradição que para mim tem a melhor definição de nascimento não na Grécia, ou num sei aonde, mas realmente no mundo, durante a Depressão de 1929. Ninguém tinha dinheiro ou condições para presentear todos – melhor sortear, dividir essa lista – para mim, veio mesmo daí. Não que seja má ideia, mas que é momento saia justa, ah, isso é. Amigo secreto, oculto, invisível.

Adoro também o “tabelamento” de preços de presente adotado. A quantas anda esse ano? 50 reais? 100 reais? Precisa de nota fiscal para quem quiser trocar o bagulho? “Achei que era sua cara…” – uma das maiores ofensas.

Com as mudanças econômicas ocorridas, desemprego absurdo, home office, trabalho esporádico, empreendedorismo individual devem estar sendo bem poucas pessoas que ainda manterão a tal tradição de, rezando, sortear o nome de alguém, e, rezando, esperar que alguém de bom gosto e posses sorteie o seu. Vivemos cada vez mais isolados.

Sou pessoa de muitos amigos. Sou pessoa de pouquíssimos amigos.

 Ambas as afirmações são absolutamente verdadeiras. Mas a segunda trata mais da vida real e considero amigo coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, no cérebro, na vida. Estejam eles perto ou longe, em outro continente, como é o caso de uma família de amigos que se mudou para Madri, e porque esse país não dá lugar a gente boa.

Amigos. Sempre. Vivos ou mortos, sempre inesquecíveis. Dos quais os melhores presentes serão sempre as lembranças de momentos vividos juntos. Ou objetos que significam algo que só os dois lados compreenderão, porque é amigo com amigo, cada um com outro, exclusivo; grupos de amigos é outra coisa, há de convir.

ariel com o linguado amigoPensei nisso de forma especial porque lembrei do que considero uma grande coincidência. Tive um “Melhor Amigo”, que perdi em 1993. Dele, de quem lembro diariamente, guardo os anjos que tanto adorava e o hábito de jamais deixar de ter flores em casa, assim como a sua generosidade e caráter. Ele era nascido a 12 de dezembro, Sagitário, por acaso, signo complementar ao meu, Gêmeos. Hoje, tenho como um grande amigo uma outra pessoa de outro lugar, outras histórias e uma compreensão mútua absurda, só possível numa relação sincera e verdadeira. Nascido em 12 de dezembro, também. Significa? Coincidência? Pode ser.

Com esse texto pensei em ser presente de aniversário para ele, que mora longe, uma boa lembrança, e o que posso dar no momento. Acabei pensando que amigo mesmo, para assim ser chamado mesmo, não pode ser oculto, secreto, tem de ser declarado.

Aliás, quantos amores garantiríamos que seriam, depois do fim, nossos amigos eternos quando passadas as relações e que hoje, eles sim, viraram apenas pó, invisíveis, ocultos e esquecidos; em muitos casos, inclusive, inimigos?

Amigos,amigos. Viva o dia do Amigo

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

 

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ARTIGO – Para não dizer que não falei…Por Marli Gonçalves

 

É tanta coisa para comentar, ler, discutir, mostrar, conversar, que seria preciso muito espaço, tempo, e algum cachê, claro, para viver só fazendo isso. Quando chega o fim do dia, esgotada, olho as coisas que continuam girando continuamente nessa Terra, que é redonda, garanto. Mas a gente tem de decidir sobre o quê versar. E ultimamente esse é o assunto que mais interessa: estaremos vivos para os outros temas? Sobreviveremos?

Então vamos falar um pouco dela, a Primavera, a estação mais bonita do ano, a que renova e traz em sai as cores, formas e aromas das flores e a sensação vital, sexual, sensorial de toda a diversidade da natureza. As estações têm datas definidas, mas na realidade agora tudo se mistura em seus efeitos. Uns dias, frio de lascar; em outros, calor sufocante, e os meteorologistas e moços e moças do tempo rebolando nos anunciando seguidos recordes, temperaturas médias de décadas sendo superadas.

Vamos falar então também da tal natureza que vem sendo castigada tão terrivelmente diante de nossos olhos. E que, castigada, se vinga no ar que respiramos, na falta dele muitas vezes, e nos efeitos letais que tudo isso causa em nosso organismo.  Parece areia nos olhos. O calor, a secura se estampam na pele que transpira ou racha.

Enquanto escrevo, milhões de pessoas em todo o mundo já foram, estão ou irão às ruas clamar por atenção à natureza, ao clima, à Terra, ao futuro. Chamam o evento de Greve Geral do Clima. Os manifestantes são diversificados e coloridos como as flores da primavera. Trazem cartazes, fazem performances, as imagens correm o mundo. Muito interessante: em sua maioria são bem jovens e, em grande maioria, mulheres.

Liderados por uma menina sueca de tranças compridas, 16 anos, já candidata ao Nobel da Paz, Greta Thunberg, a grande sensação mundial do momento. Era uma sexta-feira de agosto de 2018 quando começou. Não foi à aula. Escreveu um cartaz e foi às ruas, diante do parlamento de seu país. Agora está diante de todo o mundo, mas não mais sozinha; chega acompanhada de outros milhões e sonoros gritos de atenção, atenção, queremos o Futuro.

Malala, a jovem ativista paquistanesa parou o mundo porque queria ir à Escola e fez escola clamando por educação e direitos iguais para mulheres, homens, meninas. Um tiro traiçoeiro tentou calá-la, mas sobreviveu para dar vida à sua causa e ser a mais jovem Nobel da Paz, que recebeu em 2014.

Greta, ao contrário, não vai à escola especialmente nas sextas-feiras que dedica a mostrar seu cartaz nas ruas de algum lugar. Ultimamente, na verdade, não tem nem aparecido por lá, mas está na escola do mundo. Radical, cruzou o planeta, agora está em Nova York para onde foi de veleiro com zero emissões de carbono para reduzir o impacto ambiental. Greta não anda de avião e busca denunciar tudo o que polui. Danada essa menina que não cora nem se intimida diante de qualquer líder mundial.

Voltando à nossa primavera, principalmente política, que hoje nos parece tão distante, será essa semana o discurso do Presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia-geral da Organização das Nações Unidas, ONU.

Combinando com o momento de nosso país, ele já chegará lá queimado por tantas declarações absurdas que fez desde que tomou posse e pelo descaso que demonstra com as questões relacionadas ao meio ambiente, que mascara como luta pela soberania nacional e outras patriotadas.

O Brasil queima, não só a Amazônia. Nossa imagem está tosquiada, e também não é só pelo clima, mas por falas, atos, guinadas e pensamentos estranhos que só nos fazem torcer e lembrar com todas as forças que haverá uma Primavera. Se não for hoje, amanhã, essa semana, ela virá.

O que dirá Greta? O que ele, Bolsonaro dirá ao mundo e à menina de pele clara, olhos brilhantes e longos cabelos louros, que mais parece saída de uma história de contos de fadas?

Para não dizer que não falei das flores: … “Pelas ruas marchando indecisos cordões/ Ainda fazem da flor seu mais forte refrão/ E acreditam nas flores vencendo o canhão/Vem, vamos embora que esperar não é saber” …

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. Já à venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Sombras sobre nós. Por Marli Gonçalves

É uma névoa densa, cinza, triste, que vai se encorpando, tampando a luz, puxando rapidamente mais uma noite e a escuridão de ideias, criatividade, avanços. Ela não vem só da queimada de nossas florestas e campos, mas de uma tentativa de, mais uma vez, buscarem regrar e direcionar atos, visões, fatos, para apenas um ângulo onde o mundo é dominado, atrasado, censurado, muito triste…

Afasta de nós tudo isso, por favor. A quem apelar a não ser à uma mínima consciência de que a realidade é muito mais forte? Que mesmo os que ainda resistem a entender o que se passa, e que não é proibindo que se resolvem as coisas, sejam mais rápidos e percebam que isso não vai dar certo se continuarem nessa toada, porque também serão eles os prejudicados.

Já escrevi sobre os pequenos poderes, mas agora, vendo a cara e a alegria do tal coronel Wolney Dias à frente de um grupo de comandados de avental entrando na Bienal do Livro do Rio de Janeiro para recolher histórias em quadrinhos e livros a mando do prefeito Marcelo Crivella me assustei mais ainda. E logo vieram à tona imagens de tempos tenebrosos, peruas Veraneio misteriosas, com agentes de óculos escuros e ternos xadrezes, que nos espionavam nas esquinas a mando de alguém de cima.

É uma escadinha que só desce. Um presidente falastrão e com problemas sexuais abre a fila e quer proibir cartilhas e que sejam dadas educação e explicações sobre sexo para crianças e adolescentes. Logo seguido por um governador que se diz todo moderno e que manda recolher cartilhas que citavam a questão de gênero. Logo atrás um prefeito, religioso, sabe-se lá como eleito em uma cidade como o Rio de janeiro – nem me peçam detalhes que vocês já sabem o que gostaria de lembrar a todos – que invoca com um cartaz de um desenho de história em quadrinhos, repito, um desenho! Nele, no desenho, dois homens, adolescentes, de uma história de super-heróis da clássica e conceituada Marvel, se beijam. Em seguida, chega o tal coronel… e daqui a pouco o guarda da esquina vai querer recolher seu guarda-chuva cor de rosa porque crê que não é cor de homem.

Não é possível que uma parcela da sociedade ainda teime em não perceber que o que é importante mesmo – inclusive se haverá um guarda lá na esquina se você realmente precisar – está sendo deixado de lado. Não entenda que não é por causa de uma história em quadrinhos que uma criança ou adolescente “vira” gay. E que, ao contrário, é fundamental, justamente para evitar abusos, que as crianças tenham informações gerais sobre sexo, especialmente e porque é sabido que os pais têm grande dificuldade de lidar com isso, falar sobre isso. Vai lá verificar se estão preocupados com o número de estupros e abusos de crianças, com a gravidez de adolescentes, com a prostituição infantil nas áreas de turismo, com tantas coisas que são realidade e não desenhos de histórias em quadrinhos.

Santa Hipocrisia! –  Diria o Batman atual, e que completa agora 80 anos sofrendo bullying por conta de sua parceria com Robin. Até precisaram, tempos atrás, inventar uma Mulher Gato para ver se ele desencantava, mas…penso que também ele não era o gênero preferido daquela libertária, esperta e sensual heroína.

Enfim, não é só a censura que está trazendo essa densa névoa sobre nós. É cada ataque às instituições civis, o palavreado descontrolado para cima de importantes parceiros internacionais, a falta de respeito com as mulheres, as decisões de cortes em bolsas de estudo e pesquisas, o aparelhamento militar sobre a cultura, as ameaças feitas, com raiva e com olhar ejetado, para cima da Constituição.

A lista é enorme, e o que vemos se despedaçar cada vez mais rápido diante de nós é a esperança que no fundo foi quem o elegeu e a todos os outros dessa estranha cadeia de poder.

Pior é que, justamente sentindo isso, que os olhos de mais e mais pessoas começam a se abrir, que eles puxam mais forte a tal cortina de fumaça, a neblina, as sombras.

Faça-se a luz. Deixem o Sol da liberdade, em raios fúlgidos brilhar no céu da Pátria nesse instante, de um povo heroico, o brado retumbante.
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(FOTO GAL OPPIDO)

MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. Já à venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – A urgência do tempo. Marli Gonçalves

 

 Baques. Baques terríveis essa semana. Duas mortes. Duas mulheres à frente do seu tempo, e que farão muita falta. Para mim, para o mundo, e especialmente no momento em que vivemos. Duas revolucionárias, destemidas, realizadoras. A escritora, realizadora, roteirista, atriz e muito mais que tudo isso Fernanda Young, primeiro, e dias depois, Sonia Abreu, a pioneira, a primeira DJ do Brasil. Isso nos faz pensar na urgência das coisas. No tempo…

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…Pensar na vida, às vezes é bom, em outras dá uma certa amargura. É o caso desses dias nos quais essas perdas foram tão sentidas. Especialmente a de Fernanda Young: parece que de repente do nada abriu um buraco no chão e ela se foi, vítima de asma. Fico imaginando seus minutos finais. Toda aquela energia vibrante sem conseguir respirar, procurando ajuda médica em uma região distante onde estava, a propósito descansando no seu sítio. Aos 49 anos. De repente estava inesperadamente morta.

A morte de Sonia Abreu, por outro lado, pode até ter sido um alívio para essa notável mulher. Sofrendo de ELA, Esclerose Lateral Amiotrófica, que vai causando a perda das funções, as atrofias, a paralisia do corpo, ela já estava com graves dificuldades. Uma mulher que viveu para a música, dançando, para a alegria, fazendo o bem a todos, que botava para dançar. 68 anos. Após sofrer uma fadiga respiratória, Sonia não resistiu.

As duas grandes mulheres, enfim, morreram igual, coincidentemente por de alguma forma não conseguirem mais respirar esse ar que nos mantêm. Fiquei – ainda estou- muito impactada com essas e mais tantas outras mortes recentes ou não e que sempre sacodem a gente para a finitude da vida. E para a total imprevisibilidade dessa finitude.

Surge o tempo e sua urgência. Surge – e não adianta tentar afastar, que volta – o pensamento do que é que deixaremos de legado, o que a menção de nosso nome significará, e o tanto que há ainda a fazer para considerá-lo importante, para que fique bem frisada a nossa passagem por aqui, a influência que poderemos ter no dia seguinte, no futuro, e em novas gerações que serão a real forma de renascimento, independente de nossas crenças religiosas. As palavras que dissemos, escrevemos, os atos que ensinamos, os momentos que criamos, cada vez mais registrados, se não por nós mesmos, pelos que estão à nossa volta, ou ainda nas ruas, com os vigilantes big brothers que nos acompanham onde quer que passemos.

A urgência não é emergência, e vice-versa. Que coisa: na emergência a vida está em risco, e a nossa urgência, não, essa pode esperar, embora sempre urgências necessitem de ação imediata, a mais rápida possível. Precisam ser resolvidas. Daí estarmos sempre correndo atrás do tempo. E cada vez mais, principalmente nas zonas mais urbanas. Para não vivermos emergências. Dá para entender?

Acabamos filosofando muito mais a partir disso e de uma só pergunta: “Vale a pena?”

Por que corremos tanto, e porque ao mesmo tempo perdemos tanto tempo com assuntos imbecis e esperando, apelando, por amor de quem talvez só vá sentir nossa falta só bem depois de lágrimas de crocodilo caírem dos seus olhos?

E o tal tempo correndo de nossos pés. Respondo que, como as amigas que saíram de cena fizeram, corremos, perdemos tempo correndo atrás do próprio tempo porque a vida é uma só, e ela é propriedade particular única e que jamais será recriada por outra pessoa nem nos mais longínquos sonhos de ficção. Há de ser exemplar, que sigamos corajosamente buscando a transformação, o avanço, a solidariedade, o bem de todos e o conhecimento.

Principalmente busquemos que o ar que respiramos para viver, mesmo que apenas em sentido figurado, seja o mais limpo e puro possível.

No momento está tudo muito denso, quase irrespirável. E o tique-taque de nosso coração, o tumtumtum de suas batidas, precisa continuar.

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