ARTIGO – Segunda Etapa, e lá vamos nós! Por Marli Gonçalves

E salve-se quem puder. Semana que vem. Acredite. Chegou o segundo semestre de 2020 e, se está aí do outro lado, por favor, sorria. Você está vivo, e isso não é pouco visto o que passamos nesses últimos seis meses. E a força que precisaremos para vencer os próximos

Todo ano nessa época gosto de brincar de fazer o réveillon do segundo semestre, na passagem de junho para julho. Este ano, então, vamos fazer assim: nessa hora, à meia noite, uma prece forte pelos milhares de mortos e um agradecimento verdadeiro pelos que estão bem, pelos que se curaram. E por nós, que estamos contando a tal triste história.

Passou rápido. Perdemos muito da dimensão do tempo, esse sempre misterioso contar das horas. Aprendemos. Tivemos e temos medo. Coragem. Ir até ali já é um desafio. Como já vivi muito mais de meio século, dá para dizer: quanta coisa mudou, quantas coisas que jamais imaginaríamos estão acontecendo, aqui, especialmente, e no mundo todo. Quem algum dia pensou em viver uma época assim? Que não poderíamos nos tocar, abraçar, beijar, amar. Que afogaríamos e embebedaríamos nossos corpos (e coisas) no álcool? Em gel. Que temeríamos também o andar da política. Que tantas mentiras novamente nos atordoassem.

E há ainda esse vaivém que a todos nos deixa a cada dia mais confusos. Uma hora pode isso; na outra não pode mais. Autoridades batendo cabeça, cientistas fritando os miolos, as equipes de Saúde tentando controlar o que mais já está claro que é incontrolável, pelo menos por enquanto.

E o combate? Como lidar com os negacionistas, com a ignorância, com a ignomínia, essa palavra que diz tudo?

Como lidar com as pessoas nas ruas que nos pedem ajuda, olhos fundos, muitas esfregando a barriga no lamento para demonstrar que estão com fome, o desespero máximo que poderá se juntar ao frio que anuncia sua chegada pelas bandas de cá?

Não sei dizer realmente se estamos melhores ou piores do que outros países, que todos têm problemas a resolver, mas uma coisa é certa: nesses meses, mais do que em muitos outros locais, aqui estamos guerreando contra vários inimigos, muito além da pandemia, do vírus, das incertezas. Gafanhotos políticos que corroem a democracia, os princípios básicos da liberdade, tentam por abaixo os pilares básicos que construímos tão esforçadamente, picotam a cultura nacional, tentam impor e limitar costumes, e ainda aparecem gatunando onde podem, inclusive nos remédios e equipamentos de salvar vidas, ou na absurda remarcação de preços, na cobrança impiedosa de impostos que não vemos serem aplicados. Na pressão para que quem precisa sucumba ao rebaixamento geral imposto, muitas vezes para apenas quem tem, ter mais, acumularem mais e mais. Levantam poeiras e fumaças para que muitos não consigam avistar qualquer porta de saída. Suas declarações nos ofendem, por acreditar talvez que já estejamos mortos e sem reação. Eles nos cansam, atrapalham nossa concentração para prosseguir.

Depois, correm, doam alguma coisinha aqui e ali, pedem desculpas, clamam pelos céus, se dizem perseguidos e, como agora, buscam parecer até que querem entendimento. Se fosse uma relação pessoal devíamos denunciá-los como espancadores domésticos, do tipo que todo dia bate e depois promete que isso nunca mais vai acontecer. E é só esperar que sempre vem mais. Melhor se separar antes.

Nesse segundo semestre, enfim, será quando saberemos se realmente aprendemos algo, se a solidariedade cantada em verso e prosa será mantida, e se esses dois Brasis – contrapostos –  tão claramente delineados numa descrição perfeita feita pelo jurista José Paulo Cavalcanti em artigo – poderão se encontrar, nem que seja um pouco mais lá na frente para a reconstrução desse chão. Vamos a ele, que ainda tem muito 2020 por aí.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – E daí, presidente? Veja bem as valas sem velas. Por Marli Gonçalves

E daí? Daí que já há alguns anos vínhamos cavando um fosso profundo de desentendimento em todo o país, e cavando fundo, cavoucando, com uma oposição perfumada, egoísta, e que alimentou e deixou crescer um monstro, nutrido pelo radicalismo e ignorância. O que não sabíamos é que teríamos de usar esse fosso para hoje sofrer e enterrar tanta gente, e que não temos mais como recolher o lixo que ficou desse embate; nem como reciclá-lo. Precisará ser destruído, e o quanto antes

Não faz alguns meses e falávamos apenas em um país dividido em dois, numa luta política como se houvesse espaço só para duas direções, o bolsonarismo, se é que isso, esse horror, pode ser chamado de corrente política, e o petismo, dos adoradores incondicionais de Lula. Caminhar fora dessa estrada ficava cada vez mais difícil, atacados por ambos, cobrados, perseguidos, não houve argumentação capaz de alertar e nos livrar do previsível desastre para onde fomos levados.

Amizades se desfizeram, famílias se desintegraram nesse trajeto, o bom senso foi esculhambado, as notícias falsas brotaram, ervas daninhas entre um povo desinformado, mas ávido e rápido para largar, infelizmente, sua própria tradição de cordialidade, boa convivência, alegria e gentileza.

O prejuízo disso tudo, e que ainda continua de forma maligna, agora nos apresenta uma conta tenebrosa e vemos na realidade estarrecedora um país estilhaçado, estraçalhado, esmigalhado, doente, ainda mais miserável, ainda mais dividido. Centenas de mortes anunciadas diariamente ao cair da tarde; milhares de infectados por aí, infectando outros milhares numa matemática cruel e em marcha insana pelas ruas, além de imprecisa por falta de testes, de contagem, de recursos.

No jogo, uma bomba-relógio programada é jogada de um lado a outro, com requintes, cheia de culpas e ganhando mais força. Uma esmolenta ajuda emergencial obrigando quem necessita se expor a cada dia mais em filas dobrando as esquinas na porta dos bancos oficiais. A crueldade de exigir de excluídos de tudo a tal inteligência artificial e digital, equipamentos, compreensão de quem nem ao menos muitas vezes sabe ler, reféns de boatos que rolam gravados em mensagens espalhadas nas redes sociais, e que refutam e agridem a lógica, a ciência, a razão e as informações sérias. Que punem os profissionais da Saúde, da imprensa e agora até do próprio governo, com a troca de ministros minimamente atuantes por blocos insensíveis de gelo, subserviência, ou uniformes cor de oliva.

E o que é pior: as tais duas direções, a princípio opostas, parecem já se juntar lá na frente para  se encontrarem como pontas descascadas e nos atazanar em momento tão delicado, se igualando em alguns assuntos, nadando desesperados em braçadas para alcançar uma margem eleitoral que nem sabemos mais se estará lá quando tudo for amenizado. Uma competição mortal, dramática, aliada à pandemia, à expansão do vírus que freou o mundo e que traz em sua coroa ampliada o emblema da guerra.

O fosso se transformou em dramáticas valas comuns, marcadas a ferro e fogo desde já em nossas memórias, espalhadas nas capitais, em corpos enterrados sem choro nem vela, às pressas. Pessoas desesperadas nas portas dos hospitais, sufocadas, buscando o ar, sem vagas nas UTIs lotadas onde poderia ser encontrado, com hospitais de campanha sendo usados, mas ainda mais nos embates políticos do que na realidade. Faltam profissionais, respiradores, equipamentos de proteção individual, vergonha na cara dos governantes locais e suas desencontradas declarações e medidas, capitaneadas pelo governante-mor que, se Justiça houver, um dia deverá ser severamente punido e responsabilizado. Porque essa negação não lhe daremos o direito de ter.

Nas ruas deste país chamado Brasil a bandeira foi usurpada em carreatas da morte ousadamente vestidas de verde e amarelo e clamando pelo horror.

Nos olhos de fora de máscaras – quando estas não estão penduradas em pescoços ou deslocadas – se lê a aflição, o medo, o temor,  a dúvida do que sairá disso tudo, que normal será esse, se é que um dia poderá ser chamado de normal esse breve e agitado futuro que nos aguarda.

E daí, presidente?

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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#ADEHOJE – A LUTA CONTRA O VÍRUS E OS VIRULENTOS

#ADEHOJE – A LUTA CONTRA O VÍRUS E OS VIRULENTOS

 

SÓ UM MINUTO – E continua a luta mundial contra o vírus … E a gente, aqui, contra os virulentos.

Já partiu do Brasil um dos aviões que foi buscar brasileiros que estão em Wuhan, na China. Eles voltaram, devem chegar sábado, e ficarão de quarentena na Base Aérea de Anápolis, Goiás. Todo mundo envolvido na operações de resgate ficará em quarentena por 18 dias, sob regras rígidas. Inclusive sem visitas. Tudo com documento assinado antes de entrar no avião, lá.

Bolsonaro continua como um provocador bastante irresponsável enquanto presidente. Além de desafiar governadores para zerarem o ICMs, essa história ridícula de colégios militares, entre outras, está batendo o pé segurando o chefe da Secretaria de Comunicação Fabio Wajngarten. A Polícia Federal entrou na investigação que apura uma série de irregularidades dele, misturando a empresa da qual faz parte, o governo, algumas tevês e agências. Bolsonaro, no entanto, diz que “ele está mais firme do que nunca” no cargo.

#ADEHOJE – A VOLTA DOS QUE ESTÃO LÁ E O MUNDO TREMENDO

#ADEHOJE – A VOLTA DOS QUE ESTÃO LÁ E O MUNDO TREMENDO

 

SÓ UM MINUTO – Precisou que os brasileiros que estão isolados na China gravassem um vídeo pedindo para serem resgatados para que Bolsonaro percebesse a situação de que o governo precisava mexer o traseiro para fazer algo. Agora estão discutindo se vai avião fretado, se vai avião da FAB e se as pessoas voltam em quarentena, como e para onde, se para alguma base militar, talvez. Falam também que será preciso uma legislação especial.

As bolsas hoje acordam em terremoto… 7% de baixa na abertura chinesa, 8% no fechamento, depois do fim do recesso dele lá. Em compensação, lá, construíram em 10 dias um hospital gigantesco, e mais um, que será entregue em alguns dias. Específico para tratar doentes atingidos pelo coronavírus.

Fronteiras de vários países estão se fechando aos chineses, que vêm sendo alvo de fortes discriminações em todo o mundo.

#ADEHOJE – BREXIT, VASECTOMIA DO JAIR. E MÁSCARAS ESGOTADAS

#ADEHOJE – BREXIT, VASECTOMIA DO JAIR. E MÁSCARAS ESGOTADAS

 

SÓ UM MINUTO – Não dá pra não fazer piada, de alguma forma. Ontem à noite o presidente Jair Bolsonaro submeteu-se à uma segunda vasectomia, rapidinho, no Hospital Militar em Brasília. Obviamente que a piada do dia era de que deveria ter feito isso beeeem antes, para nos livrar das trapalhadas de seus filhos 01,02, 03…Os outros ainda não começaram – ainda – a fazer das suas, inclusive a menina, que ele próprio chama de “fraquejada”, por isso teria nascido mulher.

Hoje o Reino Unido deixa a União Europeia, na consolidação do malfadado Brexit.

Vejam só: já estão começando a se esgotar as máscaras descartáveis no comércio aqui no Brasil. Porque tem muita gene comprando, inclusive para enviar para outros países, onde elas estão esgotando completamente.

Como continuamos – Graças! – a não ter confirmações de doentes aqui no Brasil, as recomendações sanitárias ainda não incluem seu uso (embora já esteja cheio de gente por aí usando)

#ADEHOJE – NAS RUAS DE SP, A MISÉRIA. ONYX, A CAMINHO DA RUA

#ADEHOJE – NAS RUAS DE SP, A MISÉRIA. ONYX, A CAMINHO DA RUA

SÓ UM MINUTO E MEIO – População de moradores de rua de São Paulo cresce 60% em quatro anos, de acordo com o censo feito agora, chegando a quase 25 mil pessoas. Garanto, parece mais ainda. Em todos os lugares. Em 2015 o último censo havia somado 15 mil pessoas.

No governo, o imbróglio total na Casa Civil. Bolsonaro chegou da Índia, demitiu Vicente Santini porque este pegou um avião da FAB que não devia. Pois não é que de tarde, o tal Santini foi recontratado por Fernando Moura, que ocupava o cargo do Onyx Lorenzoni? Esse, de férias está, e provavelmente ficará.

Bolsonaro ficou muito puto. Hoje, bateu na mesa. Demitiu o tal Santini e o Fernando Moura. Mais, tirou o PPI (Programa de Parceria de Investimentos) da Casa Civil, mudando para a Economia, gesto que esvazia e enfraquece ainda mais o Onyx. Onyx já virou enfeite do governo faz tempo. Essa confusão, claro, tem os dedinhos dos filhos do Capitão e do maluco lá dos Estados Unidos, Olavo de Carvalho.

E a Regina Duarte casou com o governo, assumiu a Secretaria de Cultura.

O coronavírus continua apavorando… 9 casos estão sob suspeita aqui no Brasil.

ALGUÉM MORA AQUI DEBAIXO

#ADEHOJE – CHUVAS DE ÁGUAS E DE BALAS

#ADEHOJE – CHUVAS DE ÁGUAS E DE BALAS

SÓ UM MINUTOAs imagens são apavorantes, ruas inteiras transformaram-se em crateras, casas se desmancharam, ruindo, carros nadando. Em cinco dias, 53 mortos, mas ainda há desaparecidos. O que fazer? Seria possível prever e se precaver? Como são utilizadas as verbas emergenciais, se é que o são? Não há como impedir, se adiantar a tantas desgraças?

Mas a chuva não é só em cima dos mineiros. Tem a chuva de balas perdidas em cima dos cariocas, que já feriu -só este ano – quatro crianças. Uma delas está lá agora lutando pela vida em estado grave, com uma bala alojada na cabeça. No ano passado, foram 168 casos de balas perdidas, em que 189 pessoas foram atingidas, das quais 53 morreram.

E, preocupados, continuamos acompanhando a evolução dos casos do coronavírus em todo o mundo. Aqui estamos em nível de alerta. Se houver qualquer caso confirmado, a coisa esquenta, e entramos em emergência.

EUA e Japão foram na China buscar seus cidadãos. Brasil não está autorizado a fazer isso. E pelo que entendi, também não pretende fazer isso. É torcer para que uma vacina surja.

#ADEHOJE – CAIU UM AVIÃO E 182 MULHERES MORRERAM. SE LIGA.

#ADEHOJE – CAIU UM AVIÃO E 182 MULHERES MORRERAM. SE LIGA.

 

SÓ UM MINUTO E MEIO!Se eu falar que caiu um avião no ano passado e que matou 182 mulheres só no Estado de São Paulo vocês vão ficar comovidos, pedir investigações, noticiar de dia, de tarde e de noite, buscar especialistas para perguntar o porquê desse desastre? Pois bem, não caiu o avião. Mas 182 mulheres foram vítimas de feminicídio apenas no ano passado, e contando apenas as ocorrências aqui no Estado de São Paulo. Em 2018, esse “avião” matou outras 136 mulheres. Agora em 2019, repito, foram 182. Isso, contando os casos declarados como feminicídio.

Foram 55 mil lesões, ou seja, mulheres que não foram assassinadas, mas machucadas, com lesões sérias. Também só em SP esse número. O que dá mais ou menos 150 casos por dia.

Está entendendo a gravidade do problema ou será preciso que mais um ano passe e mais muitos aviões destes matem? Vamos falar sério sobre esse assunto?

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#ADEHOJE – MINAS GERAIS ARRASADA. E VÍRUS, E BRONCAS…

#ADEHOJE – MINAS GERAIS ARRASADA. E VÍRUS, E BRONCAS…

 

SÓ UM MINUTO – Já são mais de 50 – cinquenta! -mortes pelas chuvas e inundações e deslizamentos ocorridos em Minas Gerais e no Espírito Santo. Ainda não vi ações reais para ajudar os milhares de desabrigados, só “quaisquaisquais”, como diria Adoniran.

Witzel, governador do Rio, expõe gravação de conversa com o General Mourão que está presidente e provoca a ira tanto de Bolsonaro como do próprio Mourão. Fico pensando se ele tivesse falado alguma coisa forte (ou sigilosa, ou censurável) na gravação…

Ana Maria Braga informa tratamento para um câncer de pulmão. Toda nossa força e solidariedade. Guerreira da Saúde.

O coronavírus continua em franca expansão aterrorizando o mundo.

Tristeza total pela morte de Kobe Bryant, o campeão e conhecido jogador de basquete americano, que morreu em desastre de helicóptero. Morreram nove pessoas, inclusive a filha do astro, Gianna, uma promissora atleta do esporte, que estava com 13 anos.

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#ADEHOJE – PALHAÇADAS E BALÕES DE ENSAIO

#ADEHOJE – PALHAÇADAS E BALÕES DE ENSAIO

 

SÓ UM MINUTO e meio… – Depois não querem que a gente critique a loucura e atual desvario generalizado do governo Bolsonaro. Veja só: passamos ontem o dia inteiro ouvindo gravações com ele falando, vimos o vídeo da reunião dele com secretários estaduais, prestamos atenção na reação, que não foi pequena. Sim, ele disse sim que iria desmembrar o ministério de Moro, tirando dele a área de Segurança Pública. Pelo que dá para perceber, Bolsonaro ficou enciumado da presença e destaque de Moro, tanto em entrevistas como em pesquisas.

Moro, por sua vez, deixou ele saber bem claramente que não gostou nada do fato, e que se mandará do governo se isso vier a acontecer.

Resultado: hoje, na Índia, onde está em viagem oficial, Bolsonaro praticamente disse que somos todos idiotas e que não tem nada disso. Faltou dizer que foi culpa da imprensa que inventou tudo.

Lá em Davos, na Suíça, o Ministro Paulo Guedes da Economia anunciou que pensava seriamente em impingir mais um imposto – o Imposto do Pecado – sobre coisas como cigarros, bebidas, alimentos com açúcar, e sabe-se lá mais o quê a mente perversa dele pensava em tributar.

Bolsonaro? De lá da Índia mandou o ministro tirar o cavalo da chuva.

Pra terminar, veja só: a Revista Veja diz que Regina Duarte deve R$ 319 mil por irregularidades com Lei Rouanet … Logo com a Rouanet…Isso fora ela já ter indicado uma pastora nada a ver para a Secretaria de Cultura. E nem assumiu ainda, hein?

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#ADEHOJE – O VÍRUS QUE NOS APAVORA. CELULAR ANDANTE, E MAIS

#ADEHOJE – O VÍRUS QUE NOS APAVORA. CELULAR ANDANTE, E MAIS

 

SÓ UM MINUTO – O vírus em forma de coroa – o coronavírus – já apavora nove países; 17 mortos, mais de 620 pessoas infectadas. Na China, de onde sai, há duas cidades isoladas totalmente. E as comemorações do Ano Novo Lunar, a maior movimentação de pessoas do mundo, foram canceladas. No Brasil, o Ministério da Saúde garante que estão descartadas as suspeitas que haviam, e que está com esquema acionado para o assunto. Temos também de nos preocupar com a febre hemorrágica, erradicada há 20 anos, e que volta matando pelo menos uma pessoa.

Bolsonaro vai viajar para a Índia. Por aqui, tenta enfraquecer o Ministro Sergio Moro, seu principal competidor, criando o Ministério da Segurança Pública. E continua essa história chata de noivado e casamento com Regina Duarte para a Cultura. E todas as outras histórias muito chatas, na Educação, Damares…

Outro fato que chega a ser engraçado é o celular do morto, e que viaja sozinho. O celular do pastor assassinado, aquele, que era marido da deputada Flor de Lis, que estão descobrindo que saiu andando até Brasília…

#ADEHOJE- O PEIXE ENSABOADO E UM OUTRO, DENUNCIADO

#ADEHOJE- O PEIXE ENSABOADO E UM OUTRO, DENUNCIADO

 

SÓ UM MINUTO E MEIO– A entrevista do atual Ministro da Justiça, ex- juiz, Sergio Moro, no Roda Viva desta segunda-feira propiciou um show de comentários em todas as redes sociais. Os a favor e contra de sempre, se matando para defender o indefensável, seja de que lado for. Mas o resumo da ópera é mais simples: Moro, candidatíssimo, é um peixe ensaboado, que não responde exatamente às perguntas, e quando responde deixa sempre aquele vácuo óbvio de quem entende o que não deve dizer par a não se comprometer, nos autos ou fora deles.

Outra novidade do dia é o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept, ter sido denunciado pelo MPF no caso da invasão dos celulares de autoridades e hackeamento de mensagens. Greenwald esperneou e esbravejou muito por não ter sido convidado a integrar o Roda Viva que entrevistou Moro. Pega para capar, inclusive entre outros jornalistas, que o acusaram de ser presunçoso. Agora vai precisar recompor sua rede de defesa.

De novidade, a notícia de que Lula quer ouvir melhor: está usando aparelhos auditivos nos ouvidos, há duas semanas.

Ah, acertei! Regina Duarte noivando e casando com o Governo Bolsonaro.

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#ADEHOJE – BURACO E FUGA ESPETACULAR, ARRASTÃO NA AVENIDA…

#ADEHOJE – BURACO E FUGA ESPETACULAR, ARRASTÃO NA AVENIDA…

SÓ UM MINUTO – O fim de semana foi bem bravo. 76 criminosos perigosos ligados ao PCC que estavam guardados no Paraguai, 40 deles brasileiros, fugiram este final de semana em mais uma ação espetacular do grupo criminoso. Um buraco. Aqui, Sergio Moro canta de galo e ameaça prender todos. Até agora, mais de 24 horas depois, parece que só um retardatário foi recapturado, e olhe lá. Ah, e mais 26, também do PCC , escaparam da prisão no Acre. Coincidência, né? Na Avenida Paulista, arrastão!!! Acreditam? Mais de 100 bandidos.
E AÍ? Posso quase apostar que Regina Duarte vai aceitar o cargo na Cultura…E se fritar a partir daí, lentamente. O que você acha? O pedido de namoro, ela disse que ia pensar, se encontram daqui a pouco …Na internet têm surgido muitos vídeos apavorantes; um deles sobre um tal grupo da Igreja Universal para “autoridades”, especialmente policiais e forças armadas. Já viu? APAVORANTE!

O HORROR:

#ADEHOJE – ALVIM: FOI CHUPAR E ACABOU CHUPADO. DEMITIDO.

ALVIM: FOI CHUPAR E ACABOU CHUPADO. DEMITIDO.

 

SÓ DOIS MINUTOS – Antes tarde, do que nunca. O então agora ex-secretário da Cultura Roberto Alvim, demitido hoje, enquanto esteve pelo desgoverno, espalhou sandices, grosserias, chegando até a insultar Fernanda Montenegro. Vocês acreditam que ontem mesmo, Jair Bolsonaro tinha feito uma live com ele, dizendo que “depois de décadas, agora temos sim um secretário de Cultura de verdade, que atende o interesse da maioria da população brasileira”. Socorro. O tal Alvim gravou um vídeo, ousou gravar, utilizando praticamente as mesmas palavras , na mesma ordem, do que as frases utilizadas pelo ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels.

Alvim: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada.”

Goebbels: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferramenta romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”,

Ah, escuta essa: Joice Hasselmann chama Bolsonaro de “botequeiro de 5ª categoria” e se diz arrependida. Ah, também admite – mas só agora – que Bolsonaro é machista e etcs

charge Laerte

#ADEHOJE – AS BRECHAS E BURACOS

#ADEHOJE – AS BRECHAS E BURACOS

SÓ UM MINUTO – A gente pode estar passando e de repente uma brecha – boom -nos retira da vida e do mundo. Aconteceu ontem na China: um ônibus caiu numa vala de 80 m² , explodiu, matou seis e feriu outras dezenas, inclusive pessoas que tentaram ajudar. A vida é uma vala? É o avião que explode no ar atingido pelo míssil errado. É o buraco coberto pela água das enxurradas. São os coitados moradores do prédio de Osasco que confiaram que a polícia ia cuidar do prédio de onde foram obrigados a sair por rachaduras, e que foi assaltado por um bando, que levou muito do pouco que tinham e foram obrigados a deixar.

É a cerveja mineira envenenada, provavelmente sabotada, que já matou um e tem mais 17 pessoas passando mal.

Mas tem o nosso Buraco Brasil. Eles ainda dão entrevistas! Bolsonaro pretende dar a benesse de aumentar de 1039 o salário mínimo, para 1045, Obrigada, Senhor, pelos 6 reais! E ainda ouvir a opinião dele sobre o doc. Nacional candidato ao Oscar 2020. E que, claro, não viu, mas opinou, abrindo aquela boca enorme: “Pra quem gosta do que o urubu come…”

#ADEHOJE – DE PRINCESAS E SAPOS QUE ENGOLIMOS

#ADEHOJE – DE PRINCESAS E SAPOS QUE ENGOLIMOS

SÓ UM MINUTO – A gente fica daqui encantado com a história de Megan e Harry causando na monarquia britânica. Nada como acompanhar história de príncipes e princesas. Aqui a gente só tem sapos para engolir. Hoje eu destaco a série de acidentes de carro assassinos, de assassinos que bebem, ou usam drogas, ou ambos e dirigem. Um encheu a caçamba de gente e capotou. O outro, um maluco cheio de lança-perfumes na fuça, invadiu um lugar onde havia uma festa, matou uma criança e ainda feriu um monte de gente. Teve mais. É hora de parar.

Outro sapo foi a declaração do infeliz oficial da PM-BA (Polícia Militar da Bahia) que afirmou que uma vítima de estupro de 19 anos, também assaltada. Ele disseque a menina “assumiu o risco” por estar sozinha andando na praia de Itapoã, um dos maiores pontos turísticos de Salvador.. Acreditam? #chegadeviolênciacontraamulher

Outro destacão de hoje foi a indicação do filme Democracia em Vertigem, dirigido pela jovem cineasta Petra Costa e distribuído pela Netflix, ao Oscar 2020 de melhor documentário. O filme cobre o impeachment de Dilma. A história começa a ser contada a partir do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e segue analisando a posterior crise política no Brasil que deu no que deu, no que vivemos hoje. Do sapo barbudo ao Bolsonaro dedos de pistola.

 

ARTIGO – Os normais dias seguintes. Por Marli Gonçalves

 

 À esta altura você já deve ter se dado conta – assim como eu – de como é dura a realidade dos fatos, e que ano após ano a gente acredita que eles vão mudar como mágica à meia noite de um Ano Novo. E assim levamos a vida, dia após dia.

Teve mais uma vez quem pulou sete ondinhas, vestiu branco, saiu carregando uma mala em volta do quarteirão para chamar viagens, comeu lentilhas, chupou caroço de romã. Fora a calcinha, que essa é de praxe. A minha deste ano foi amarela. E a sua? Ah, você usa cuecas? Coloridas? Acredita que já tentei praticamente de todas as cores nessa longa vida? Testei até não usar. Nunca veio, nem o amor da vermelha, nem o dinheiro da amarela, nem…  Esse ano para o ano que vem, andei pensando, vou tentar a verde, da esperança. Qualquer coisa direi que estava lutando pelo meio ambiente, contra o aquecimento global, pela legalização, coisas assim…

 Tem também a de acender velas, tomar passes, oferecer oferendas, de não comer nada que cisca pra trás, e o que mais? Banho de ervas? Roupa nova? Estourou uma champagne, viu a rolha voar, com aquele estampido bom, abraçou e beijou quem estava por perto, e assim foi a tal noite feliz – sempre acho que é essa a Noite Feliz, não a de Natal, sempre mais envolta em tristezas.

Espero que não tenha acreditado na possibilidade de fogos de artifício não terem barulho. Balela! Só o dia que forem apenas virtuais, projetados, e acredite, a gente vai odiar. Nada como vê-los como são, sempre foram, explodindo em cores, formatos – aquele momento, aqueles poucos minutos especiais em que viramos crianças de novo.

Fez lista de decisões? Escreveu ou ficou só na cabeça, na intenção? Aliás, já pensou ou olhou para ela nesses poucos, mas longos dias, que já correram e ocorreram de forma assustadora? Devo perguntar ainda se já desistiu de algum item e sacou que tinha exagerado, exigindo muito de você mesmo. Acontece. A gente se promete cada coisa!

Ano após ano parece que tudo se acelera, e que os efeitos de Ano Novo estão cada vez mais efêmeros. Antes, aliás, costumava-se dizer por aqui que o ano só começava depois do Carnaval, mas já faz algum tempo que isso mudou, creio que desde que a globalização se instalou de vez entre nós, fazendo o país acelerar para não ficar mais trás ainda do que já está. Fica aí esperando, sem fazer nada, trabalha não, pra ver se as coisas caem do céu.

Bem, você também já ter conferido: que eu saiba, não ganhou a tal Mega da Virada. Esse ano, joguei – e eu nunca jogo na loteria, mas a mulher do horóscopo falou que podia ser, que havia propensão, probabilidades. Não custava nada acreditar. Um ponto, e olhe lá, em cada aposta.

Enfim, as rédeas do destino a gente até segura, mas o cavalo empina sempre em mais direções do que a vã consciência pode explicar. Passou a meia-noite, e já na outra meia-noite estávamos preocupados com o luto da guerra, com o que os dirigentes mundiais se divertem, com os botões que apertam, as ordens que gritam, com as bobagens que proferem aos borbotões, isso sim. Descobrimos ou lembramos que não somos os únicos agentes de nossos caminhos, onde inclusive andamos deparando com tantos seres do mal que dá vontade de nem sair de casa e passar o ano é gritando socorro.

Aguenta firme aí, temos mais 50 semanas. E pelo que já vimos, assunto não vai faltar.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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#ADEHOJE – LUZ DE GRAÇA? VOCÊ PAGA OS VENDILHÕES DOS TEMPLOS

#ADEHOJE – LUZ DE GRAÇA? VOCÊ PAGA OS VENDILHÕES DOS TEMPLOS

SÓ UM MINUTO – Está saindo do controle – a forma agressiva de manter o poder do presidente e seu núcleo mais xiita – e é preciso que isso pare antes de resultados desastrosos. Os vendilhões dos templos, que abusam das crendices, da ignorância, das necessidades reais de um povo.

O que não dá para se conformar é como que ainda tem quem ataque os jornalistas que apontam as mazelas, contradições, projetos estapafúrdios deste governo. Lembrem que também apontamos e denunciamos as ideias e erros – e foram muitos – de Lula, Dilma, Temer et caterva. O problema é que esse governo atual está batendo recordes e se imiscuindo em questões pessoais, particulares, de comportamento. Tentando impor uma moral religiosa e indo contra tudo o que prometeu. Porque o que estão tentando fazer também se chama corrupção. Ela vem disfarçada de comportamento, de religião, com a cara lavada no país a cada dia com mais miseráveis nas ruas.

Escuta essa: o presidente Jair Bolsonaro quer conceder subsídio na conta de luz para templos religiosos de grande porte. Óbvio que para beneficiar especialmente os amigos evangélicos – na verdade, Edir Macedo, o alvo principal da medida graciosa. Tudo para conseguir apoio e coletar as quase 500 mil assinaturas necessárias para criar seu novo partido, o Aliança pelo Brasil.

Fiquem atentos. Nos ajudem também. BRASIL, PAÍS DE TODOS. Que ele reze, mas com seus próprios joelhos.

#ADEHOJE – ATÉ QUANDO? PERGUNTAS

#ADEHOJE – ATÉ QUANDO? PERGUNTAS QUE NÃO VÃO SER CALADAS

 

SÓ UM MINUTO –

  1. Por que o Ministro da Educação, o tal Abraham Weintraub, ignorante de carteirinha, ainda está Ministro?
  2. Até quando vamos aturar os arroubos de ignorância dos Filhos do Capitão e do tal Olavo de Carvalho?
  3. Como é que tem ainda quem defenda essa precariedade de inteligência grassando no nosso país?
  4. Até quando nossas cidades ficarão abandonadas? Não pode chover, não pode fazer Sol, estão caindo aos pedaços. Até quando?
  5. Como pode um ministro – se bem que até pode ter sido bom pra um míssil não ser enviado par anos – como o Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, tirar férias – e ficar nelas – em um momento mundial tão delicado como esse?
  6. Nenhum, de nenhum lado, por motivo algum. Qual o sentido da guerra?
  7. Por que o avião caiu?
  8. Como pode um juiz dar uma sentença de censura como a que suspendeu o vídeo do Porta dos Fundos sem corar?
  9. Até quando ficaremos quietos diante de tantos abusos?
  10. Como ajudar a diminuir os casos de feminicídio e violência contra as mulheres? Contra as crianças?
  11. A propósito, quem mandou matar Marielle Franco?

#ADEHOJE – TODOS EM ALERTA. TENSÃO 24 HORAS

#ADEHOJE – TODOS EM ALERTA. TENSÃO 24 HORAS

SÓ UM MINUTO – Tensão. É como um clima que se respira, vem pelo ar, uma tensão, o medo, parece que estamos todos vivendo sobressaltados o tempo inteiro. E não é só por causa de possibilidade de guerra no Oriente Médio, por causa dos Estados Unidos, de aiatolás, de nada, só, pelo menos, disso. É a violência, que nos faz andar olhando pra trás, tomar susto a cada passo, cada olhar esquisito. Vai tomar um UBER e fica pensando. Sai à noite, tem medo. Chove, e tudo pode encharcar. Um avião, coincidentemente, cai logo após decolar no Irã. Mata todo mundo, de várias nacionalidades. Eles dizem que foi acidente mesmo…

A gente nunca sabe de onde vem o “foguetinho”, a agressão. Na internet, vem de todos os lados, de gente que você nunca viu ou verá, que passou só para deixar veneno nas suas postagens, e que você nem sabe mesmo nem se existe.

Estranhos tempos.

#ORGULHODESERJORNALISTA

#ADEHOJE – 2020 ASSIM. E A GENTE REZOU TANTO POR PAZ

#ADEHOJE – 2020 ASSIM. E A GENTE REZOU TANTO POR PAZ

 

SÓ UM MINUTO – Calor é pouco nesse início de ano. Chegam os dados que resumem o ano passado. Mais de 150 mulheres vítimas de feminicídio somente no Estado de São Paulo, e a gente fica pensando como acabar com isso, o que está acontecendo. Aí se volta para o mundo, onde no féretro de Suleimani mais de 40 pessoas morreram e 213 estão feridas, algumas gravemente no tumulto. E no calor dos que pedem vingança contra os EUA. Na Venezuela, o parlamento virou pancadaria e tudo uma bagunça, que não se sabe mais quem governa quem.

E no Brasil o homem que nos desgoverna? Não vai parar, né? Ontem disse que jornalistas são raça em extinção, que deveríamos estar sendo cuidados pelo IBAMA. Isso não é brincadeira, nem engraçado, e há muito já passou dos limites. Medo de um país onde as pessoas estão tão apáticas e desorientadas, capazes de engolir desaforos. Desprotegidos de suas instituições.

#ORGULHODESERJORNALISTA

ARTIGO – Amigo não é para ser oculto. Por Marli Gonçalves

O que é amizade nesses tempos atuais? Nas redes sociais, temos e chamamos de amigos pessoas que nem conhecemos, pior, muitas que jamais conheceremos. Fazemos e desfazemos esses laços apenas com um clique, sem dor. Agora é hora do tal amigo secreto, quando pessoas que se odeiam se sorteiam e pensam seriamente em dar presentes mortais

Fico imaginando umas caixas maravilhosas embaladas com laços e contendo aranhas e serpentes peçonhentas, venenos, mágoas, respostas não dadas durante todo o ano. Ou presentes escolhidos entre os piores, coisas sem uso, presentes ganhos e guardados para serem repassados para a frente na primeira oportunidade. Imaginem esse ano, com a crise de grana e com a cisão política que se estabeleceu entre nós e que deve estar sendo usada justamente para romper relações distanciadas e já estremecidas por outros motivos. Como chamar de amigos? Como deverá estar sendo o tal amigo secreto deste ano, nas firmas e famílias? Desde criança considero o Natal como uma das datas do ano onde as pessoas mais falseiam umas com as outras.

Como considero amizade de verdade algo raro e sagrado, estranho o nome dado à essa tradição que para mim tem a melhor definição de nascimento não na Grécia, ou num sei aonde, mas realmente no mundo, durante a Depressão de 1929. Ninguém tinha dinheiro ou condições para presentear todos – melhor sortear, dividir essa lista – para mim, veio mesmo daí. Não que seja má ideia, mas que é momento saia justa, ah, isso é. Amigo secreto, oculto, invisível.

Adoro também o “tabelamento” de preços de presente adotado. A quantas anda esse ano? 50 reais? 100 reais? Precisa de nota fiscal para quem quiser trocar o bagulho? “Achei que era sua cara…” – uma das maiores ofensas.

Com as mudanças econômicas ocorridas, desemprego absurdo, home office, trabalho esporádico, empreendedorismo individual devem estar sendo bem poucas pessoas que ainda manterão a tal tradição de, rezando, sortear o nome de alguém, e, rezando, esperar que alguém de bom gosto e posses sorteie o seu. Vivemos cada vez mais isolados.

Sou pessoa de muitos amigos. Sou pessoa de pouquíssimos amigos.

 Ambas as afirmações são absolutamente verdadeiras. Mas a segunda trata mais da vida real e considero amigo coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, no cérebro, na vida. Estejam eles perto ou longe, em outro continente, como é o caso de uma família de amigos que se mudou para Madri, e porque esse país não dá lugar a gente boa.

Amigos. Sempre. Vivos ou mortos, sempre inesquecíveis. Dos quais os melhores presentes serão sempre as lembranças de momentos vividos juntos. Ou objetos que significam algo que só os dois lados compreenderão, porque é amigo com amigo, cada um com outro, exclusivo; grupos de amigos é outra coisa, há de convir.

ariel com o linguado amigoPensei nisso de forma especial porque lembrei do que considero uma grande coincidência. Tive um “Melhor Amigo”, que perdi em 1993. Dele, de quem lembro diariamente, guardo os anjos que tanto adorava e o hábito de jamais deixar de ter flores em casa, assim como a sua generosidade e caráter. Ele era nascido a 12 de dezembro, Sagitário, por acaso, signo complementar ao meu, Gêmeos. Hoje, tenho como um grande amigo uma outra pessoa de outro lugar, outras histórias e uma compreensão mútua absurda, só possível numa relação sincera e verdadeira. Nascido em 12 de dezembro, também. Significa? Coincidência? Pode ser.

Com esse texto pensei em ser presente de aniversário para ele, que mora longe, uma boa lembrança, e o que posso dar no momento. Acabei pensando que amigo mesmo, para assim ser chamado mesmo, não pode ser oculto, secreto, tem de ser declarado.

Aliás, quantos amores garantiríamos que seriam, depois do fim, nossos amigos eternos quando passadas as relações e que hoje, eles sim, viraram apenas pó, invisíveis, ocultos e esquecidos; em muitos casos, inclusive, inimigos?

Amigos,amigos. Viva o dia do Amigo

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

 

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ARTIGO – Desembrulha, dezembro! Por Marli Gonçalves

 

Confesso que fiquei tentada a escrever com “z”, “dezembrulha”,  para o trocadilho com dezembro, que já chega todo cheio de prosa, desejos, roupas brancas e douradas nas vitrines, luzinhas, ofertas fantásticas que, se aceitas, já deixarão o ano que vem cheio de contas e prestações a pagar, mais as que sobraram deste ano maluco que nem sei como estamos conseguindo chegar ao fim levando aos trancos e barrancos, com nossos corações e mentes aos saltos e sobressaltos

Imagem relacionada

Tudo está esquisito, e você, de qualquer forma, seja como pensa ou deixa de pensar o momento nacional, há de convir. Esquisito. Mais uma vez a esperança de muitos foi trocada por decepção. E estou falando com decepção pra tudo que é lado, inclusive com a nossa própria capacidade de reagir.

Não passa um dia sem que tenhamos tido notícias vindas de fronts de guerras que não são as nossas, mas tiram nossa paz. Uma marcha lenta na economia onde cada medida tomada e anunciada com pompa, ao ser analisada, tira de um, não dá ao outro, e prejudica todos. Quer dizer, quase todos. Sempre há uma minoria que ganha.

Chegamos em dezembro e falamos em árvores de Natal, cada vez mais plásticas, porque até os simples pinheirinhos ficaram caros demais, e agora aquele canto da casa está cheio de luzes chinesas, enfeites chineses, e até a ponta da estrela daqui a pouco vai ter um chinesinho pendurado. Tudo muito uniformizado, produzido e vendido aos borbotões fazendo a festa lá no outro lado do mundo. Olha só as etiquetas, tudo made in bandas de lá.

Que pacotes e caixas de presentes colocaremos ao pé de nossas árvores? Que desejos conteriam? Claro, primeiros, os mais próximos, pessoais, para nós, nossas famílias e amigos: saúde, prosperidade, paz, harmonia, liberdade, que nada falte na mesa. Desejar que já a partir de agora não tenhamos tantas tragédias como as que tivemos de lidar desde os primeiros dias, repletos de mortes, lama, água, fogo, desabamentos.

Gostaria de desembrulhar muitas coisas que não podemos comprar, mas lutar firmemente por elas. A começar por uma democracia que não seja ameaçada nem por um, nem por outros. No nosso caso o pacote deve conter um pouco mais de responsabilidade dos líderes e suas equipes, de todos os Poderes. Decerto você também adoraria passar o próximo ano sem escutar tantas sandices, ter certeza de que delas estaremos de certa forma protegidos, sem que as queiram praticá-las.

Devemos buscar de todas as formas por fim ao ciclo de violência que a todos envolve e atormenta, cidadãos, policiais, que cada um exerça sua parte. E que definitivamente tudo seja feito para que não repitamos novamente os terríveis índices de feminicídios e mortes de mulheres, nem os de crianças mortas feridas por balas perdidas. Que a segurança pública se reorganize para que possamos novamente abrir nossas janelas e portas para deixar entrar o ar, assim como a luz do Sol e que possamos também aproveitar a noite e as estrelas, sem nos preocuparmos com qualquer sombra que se aproxime.

Tudo isso caberia de alguma forma numa caixa só, onde encontraríamos a promessa principal: a de que o país parará de retroceder.

Um detalhe que já nos traria alegria. Sentimento que anda faltando no mercado.

PRESENTE

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Matemática da cilada. Por Marli Gonçalves

 Ô mania que grudou na imprensa! Você fica lá prestando a maior atenção e aparecem aquelas tabelas e tabelas torturando números, comparados a algum lugar do passado, para o bem ou para o mal.  São os percentuais, ou porcentuais, que dá na mesma, e você entendeu do que estou falando. Os coitados dos números, surrados, dizem qualquer coisa quando obrigados

É muito chato mesmo. Mas virou mania. Querem dar uma notícia, por exemplo, que tal situação melhorou. E lá se vai em busca do número usado em algum lugar do passado, e que provavelmente foi o último dado por alguém ou algum. Chegam as manchetes! Diminuiu em tantos porcentos o número de acidentes nas estradas. Se parar para prestar atenção mesmo, com caneta e papel ou calculadora, vai perceber que teve decréscimo de umas migalhinhas. Tipo eram 12, e esse ano 10. Condições do tempo, das estradas, dos veículos e dos etceteras? Eram as mesmas?

Não costumo assistir a jogos de futebol, mas quando assisto dá uma irritação danada ouvir os locutores falando, falando – e lá atrás na imagem você vê que está acontecendo uma jogada bem importante que fica sufocada – e derramando números sobre dribles, jogos do século passado, enfrentamentos da história recente. Isso tudo piorou muito na era dos computadores, que fazem cálculos e cálculos, como se todos fôssemos e pensássemos como tabelas de Excel.

Engraçado. Embora tenha tido boas notas na época nas aulas de Estatística, nunca gostei muito dessa matéria. Na faculdade, no Diretório Acadêmico, acabei como “representante dos alunos no Departamento de Métodos Quantitativos”. O que valeu foi uma enorme dor de cabeça e mais uma inscrição na ficha do Dops dos terríveis tempos da ditadura. Como os caras não sabiam do que se tratava, esse fato está lá na minha ficha de “subversiva”. Mal sabiam ou sabem eles que fui parar aí porque eu era a única boa aluna que conseguia tratar melhorzinho com o professor dessa matéria na faculdade, e que era um horror. Vai explicar! Bem que tentei, mas creio até hoje que acharam que eu era guerrilheira e estrategista de alguma célula especializada em manufatura de bombas, ou alguma outra coisa desse jaez.

Hoje mesmo tive a sensação de ter ouvido que diminuiu em num sei quantos porcentos o número de notificações de violência contra as mulheres. Só se for porque elas morreram antes de denunciar. Todo dia, toda hora, das formas mais grotescas e cruéis as mulheres estão morrendo, assassinadas por ciúmes, por causa da loucura humana e do destempero das relações.

Essa semana, repara – aliás, já estamos ouvindo essa ladainha há quase um mês – tem a tal da Black Friday, onde se quer aparentar uma maravilha, mágica, onde todos os produtos ficarão mais baratos do dia para a noite, os comerciantes resolveram dar uma força e se desapegar de seus lucros, uma coisa impressionante – para onde olhar vai ver números gigantescos de descontos, com o percentual do lado. Pega o óculos, a lente, o binóculo, a lupa. Perto dele, ali bem pequenininho, vai ter também uma palavrinha: “Até”. Esse “até” é a grande questão. Faz o teste. Procura o que é exatamente que vai ter desconto de “até” 80%, 90% na lista ofertada.

Propaganda já foi a alma do negócio. Vem sendo usada – de braços dados com o marketing, que é mais complexo – de forma indiscriminada e enganosa, sem que providências sejam tomadas contra isso.  E para não acharem que estou tentando me desviar da política, vou citar duas coisinhas dessa semana, que serviram apenas para cilada.

Uma, a do deputadozinho que me recuso terminantemente a dar o nome, que resolveu prestar homenagem para o ditador Augusto Pinochet na Assembleia de São Paulo. Queria apenas ficar conhecido, esse indigesto. Para ir contra, fomos obrigados a falar dele, saber se sua vil existência.

number_ball_tMais conhecido, talvez, entre esse grupo de – dizem, mas vamos esperar as próximas pesquisas – cerca de 30% (!!!) que parece que ainda apoiam a loucura que se estabeleceu no governo de nosso país. Esse do “38”, o número do partido que pretendem criar com suas balas e dedinhos em forma de arminha, borrando o verde e amarelo de nossa Nação com seus pensamentos de baixíssimo calibre.

Mais uma 100% cilada.

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ARTIGO – Quem não te conhece, que te compre! Por Marli Gonçalves

Tem hora que nada melhor do que um bom ditado popular para resumir a ópera toda. “Quem não te conhece, que te compre! “- é um provérbio português que já deveria até ter virado camiseta, pichação em muro, título de filme e que, especialmente, já é a opção de argumento irrefutável para quem não é nem Bolsonaro, nem Lula. Gente que, como eu, neste momento não está vendo é nada pra comprar na precoce Black Friday eleitoral

Conheço e acompanho os dois, Lula e Bolsonaro, desde os tempos do onça, para combinar com o provérbio que desencavei porque não aguento mais ver o mundo e o espectro político dividido como se só essas duas metades pudessem existir – tipo a Terra Plana, para alguns. Claro que o líder político mais à esquerda é muito mais interessante, deixa eu aqui logo me adiantar antes de ser incompreendida e bordoada. Lula tem uma história, vitórias, conquistas, admiradores importantes, mal ou bem foi presidente em um momento deveras interessante do país. Dá de dez; mas não é – não pode ser – a única opção que se consegue ver no horizonte.

Antes a gente dizia – quando ele concorreu, concorreu, concorreu sem ganhar – que Lula precisava se modernizar, estudar, saber mais, ser mais tratável, aprender a unir. Parece que ele acabou mesmo fazendo isso, e assim conseguiu – foi eleito, e reeleito. Mas aí se lambuzou de vez, e nos deixou uma sucessora, por incrível que pareça depois também reeleita, que acabou desandando na segunda fornada. Foi o momento ápice Lava Jato, empresas, devassas, e praticamente todas as malfeitorias tomavam o rumo do PT e dos aliados, percorreram essa estrada, ou foram feitas bem debaixo dos seus narizes e janelas.

homem vendo o bunga-bungaAgora Lula bem que poderia ser mais humilde, reconhecer os erros gerais de suas indicações, a sua responsabilidade no momento atual e na eleição de Jair Bolsonaro, essa pessoa que encarnou o antipetismo, o antipetista, o anti. E sem merecer em nada, sabe-se lá de onde apareceu pinçado das profundezas do baixo clero como nome para candidato, e que um dia saberemos direito a história como ela foi.

Mas Lula saiu da prisão, e até dá para entender, revoltado e perigosamente boquirroto, dando munição ao inimigo. Aí, de novo, a coisa que já estava até de certa forma melhorando, cindiu de vez. Me lembra aquela cena antológica da tabacaria da obra Carmen, de Bizet. Um lado compacto avança, batendo firme em seu sapateado flamenco, e o outro responde, ambos em recuos e avanços ritmados, como em brigas de rua, de torcidas, batendo palmas. Blocos contra blocos.

O Jair Bolsonaro ficou 28 anos no Congresso sem sequer uma ação ou projeto que prestasse, ao contrário, surgindo apenas com tolices, preconceitos, polêmicas bobas como as que ainda estamos assistindo e que causaram surpresa em seu eleitorado. Não viram antes? Não sabiam? Pois, então, lembrem: “quem não te conhece, que te compre”.

Pois quem, e eu me incluo nesse grupo, conhece e não compra nenhum desses dois, produtos que chegarão avariados quando entregues, está vivendo um momento difícil. Embora acredite que sejamos maioria, estamos sem ninho. Atacados como se fascistas fôssemos, de um lado; ameaçados como se terroristas fôssemos, pelo outro.  Não há luz que faça com que vejam que o prisma emite mais cores e que essas cores podem se combinar criando outras, muito mais completas. Difícil explicar sem ser ouvido esse espectro tão natural, onde cada um prepara o seu prato a gosto.

O provérbio, claro, serve para muito mais do que apenas para esses dois – apenas aproveitados como exemplos. Cuidado com a massiva Black Friday eleitoral da política nacional, não compre gato por lebre. Se informe bem sobre os produtos ofertados. Veja se essas ofertas não são só milagrosas ou propaganda enganosa. Aliás, antes de mais nada, veja se você está precisando decidir sobre esse produto agora.  Vêm muito mais ofertas por aí. Tem tempo. Devagar com o andor, que os santos são de barro. Ou forjados nas sombras.

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ARTIGO – Banhos. Por Marli Gonçalves

 

Mesmo que não exatamente de água tomamos banhos todos os dias, sejam de espirros de água fria em nossos desejos, jatos quentes das decisões que tomam por nós, ou que por nós precisam ser tomadas. Duchas geladas em muitas esperanças que acabam varridas. Mas também tem os bons banhos, e os que podemos preparar para esquecer tudo isso

Nada como um bom banho para esfriar a cabeça. Os últimos dias têm sido verdadeiramente horríveis de acompanhar e digo isso olhando para todo o planeta e para o microcosmo mais próximo; nosso país, nosso Estado, nossa cidade, meu bairro, minha vida, e isso não é slogan governamental da área de habitação. Tudo isso esquenta a cabeça, estressa, dá fios brancos nos cabelos, angústias. Pela profissão, no meu caso, não posso desligar os comandos, me abster de saber, acompanhar e, claro, me preocupar muito com a ignorância que avança de forma tão célere entre aqueles que apenas ouvem o galo cantar por aí e acreditam que já é amanhecer; e esse galo ou mente total, ou cacareja só pedaços das histórias que alardeia, seja de direita, esquerda, esteja no telhado ou em cima do muro. Temo sempre é a ameaça do anoitecer, se é que me compreendem.

E em um desses dias de apreensão tive necessidade de me esquecer mais um tempo debaixo do chuveiro, como se aquele ambiente isolado fosse o único que pudesse me resguardar de todo o resto. Nada que prendesse, nua, sem censura. Só o barulho da água, não querendo sair dali nunca mais, me peguei brincando de desenhar no embaçado do box, desejando apenas pensar que trocaria aquele momento por outro, mas que seria muito parecido. No caso, dentro de uma banheira, objeto de desejo sempre. Ai, meu sais! Olhos os potes e penso que não há como usá-los em chuveiros. Continuo desenhando no vidro do box, corações imaginários que ali abrem janelas para o mundo externo.

Banhos, quantas formas, sorte de quem tem um canto, um tempo, uma maneira para ele, seja uma vez ao dia, sejam os especiais. De balde, bacia, rio, lago, cachoeira, riacho, mar, piscina, frio, quente, morno. De gato.  Ainda tem o de assento…

banhando-seDe Lua, de Sol, ouro, Sete Ervas, rosas, lavanda, alfazema, de cheiro. Sal grosso do pescoço para baixo. Turco, vapor bem quente, seguido do choque gelado, ou o grego, com aromas de chocolate e café. O japonês, do ofurô, que acalenta sonhos.

Os banhos podem ter muitos sentidos, além de limpeza corporal. Individuais ou coletivos. Pode purificar, como nas religiões, algumas com batismo feito com o mergulho do batismo nos braços de um pastor, a criança batizada na pia da igreja, ou aquele bem louco, junto a outras milhares de pessoas como nos rios da Índia. Com roupa, sem roupa, pouca roupa. Mas sempre pode ser muito bom, por isso, inclusive, quem já ficou internado em hospitais sabe que dele ali não se foge pela manhã. Banho de leito, como chamam as enfermeiras que em geral atacam, sem dó, em duplas, logo após o café da manhã.

Tá bom. Cozinhei vocês em banho-maria até agora. Mas foi para suavizar.

Está tudo muito chato. É que é tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, que quando a gente acaba de formar opinião sobre uma, é atropelado por alguma outra informação, notícia, desastre, tragédia, ameaça. Desairosas, cabulosas, cheias de barbaridades, como as falas, ideias e ações propostas pelo presidente nesse governo sinuoso, destrambelhado, e ainda tem os que agem em nome do pai. Ou teimosas, como as de uma estranha oposição que, dirigindo-se apenas aos seus iguais não consegue conquistas, adesões, novos líderes. Vindas da Justiça que brinca com os homens em seus vaivéns.

Só abrindo a torneira. E deixando tudo fluir pelo ralo se, repito, me entendem. E a vontade de mandar um monte de gente ir tomar banho, uma delicada forma de sai-pra-lá, que eu vou passar?banho

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Destemperos e descalabros. Por Marli Gonçalves

 

Ai, ai, ai, ai, ai. Cinco doloridos ais contra o AI-5. Cinco minutos de sua atenção para entender porque a situação já há muito vem perdendo qualquer graça, e se tornando perigosamente um flerte com o que há de mais atrasado, como se um pote do passado, esse sim “conservado” fechado, estivesse sendo destampado

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Quando tudo começou, de verdade, consumado, e que tivemos de acreditar que não havia nada mais que pudesse ser feito – até porque o leite já estava derramado, não houve ninguém com capacidade para competir melhor para evitar o desastre – nos resignamos. Pensamos que, quem sabe? – o homem que assumiria a Presidência poderia se adequar, entender o que é Estado, Nação, o papel que lhe cabia. Que serenaria seus ímpetos de baixo clero, seus matutos, desinformados e inflamados discursos, em prol de governar para todos, pela pátria, e como ele próprio repetia, pelo Brasil acima de tudo.

Não se passaram muitos dias para que a nossa resignação virasse preocupação, susto após susto, quase que diariamente. O rol dos ministros escolhidos, as postagens nas redes sociais, as “lives” toscas, os comentários desairosos, a compra de briga com importantes setores da sociedade civil, as ameaças e ataques à imprensa, aos repórteres. A lista é já de início impressionante. Some-se censura a obras de arte, falta de compromisso com o meio ambiente e com todas as tragédias – de Brumadinho, queimadas, óleo nas praias, violência nas ruas, acidentes.

Como um carro sem freio acelerando numa ladeira íngreme, e tentando fazer uma curva à direita, os descalabros foram se avolumando. Ministro colombiano, astrólogo filósofo palpiteiro, teses escalafobéticas como a da Terra ser plana, meninas de rosa, meninos de azul, indicação de ministro “terrivelmente evangélico”, “golden shower”, erros crassos em portarias governamentais. Logo vieram as encrencas e grosserias nas relações internacionais, as trocas de ministros por outros piores ainda, os cortes de verbas nas áreas sociais, as dificuldades nas negociações políticas, o atraso em atender às promessas eleitorais, os ataques à oposição, mesmo estando essa engessada, múmia, como ainda parece estar.  Mais imóvel até do que o próprio e rebelado partido que caiu da cama onde dormitava, o partido do presidente.

Seguiram-se ainda revelações que associavam o sobrenome Bolsonaro à corrupção, às milícias, a um sem fim de tudo de ruim que parece ter sido juntado em um grupo só, para nos desanimar a todos ( todos, claro, sem contar os seus iguais que ainda batem pé, cantando hinos com a mão no coração): os da maioria que votou nele, os que não votaram, os que escolheram outros, os que se abstiveram, mas todos em busca apenas de um país que saísse da paradeira após o desastre já vivido nas últimas administrações, do PT, de Lula, Lava Jato, Dilma, do impeachment, de Temer.

Logo percebemos outro grande problema que se agravaria muito no decorrer do ano, desses até agora dez terríveis meses de 2019: os Filhos do Capitão, os 00s, 01,02,03, Huguinho, Zezinho e Luizinho, ops! – Carlos, Flávio e Eduardo. Todos com cargos parlamentares, pela ordem, vereador no Rio de Janeiro, senador, deputado federal, os dois últimos eleitos agora na esteira do pai.

Eles são motor de crises, que agora chegam ao auge com a desfaçatez de Eduardo Bolsonaro ameaçando com AI-5 quem pensar em “derrubar” o pai, como afirmou. O AI-5, o mais devastador ato da ditadura militar que cobriu esse país por 21 anos. Nesta mesma semana, estupefatos, vimos os meninos divulgando o vídeo do leão atacado por hienas etiquetadas como se fôssemos nós todos, ao fim e ao cabo. Ouvimos o próprio pai, em viagem ao Oriente, ousar dizer, na Arábia Saudita, onde se encontraria com um sanguinário filho de monarca, que todas as mulheres “adorariam passar a tarde com um príncipe”, referindo-se ao príncipe Mohamed bin Salman, entre outras acusado de mandar esquartejar e matar (nessa ordem, a que parece que foi executada) o jornalista Jamal Kashoggi.

Só se fossem loucas essas mulheres, que ali já são vítimas das maiores proibições, atrocidades e desrespeitos.

Chega. Não tem mais nenhuma graça. Não podemos mais achar normal, não tem mais quaquaraquaquá, memes, piadinhas ou qualquer outra insinuação que aplaque a agonia. E o que é pior: até os militares que o cercam já percebem que Bolsonaro está mais para o atrapalhado Sargento Tainha e seus recrutas Zeros, do que para Popeye.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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ARTIGO – Os olhos e o olhar. Por Marli Gonçalves

 

 Os olhos. Sempre foi muito importante para mim reparar nos olhos, não na beleza, na cor, no tamanho, mas na expressão, no olhar. No que eles transmitem das pessoas. E a cada dia impressiona mais reparar nos olhos do homem que nos governa – aquele olhar seco, assustado, às vezes arregalado, sem piscar, e que transmite ódio a quem o cerca com perguntas que precisaria responder, e que lhe são indesejáveis. O alarme está tocando; você também deve estar ouvindo…

Não bastassem os olhos, agora os ouvidos tampados, e a demonstração de total ignorância com relação aos fatos que se sucedem sem pausa. Estamos agora bem no fim de outubro, e coincidentemente em plenos dias de terror, das incertezas; mas as nossas assombrações diárias são realidade. Não são crianças fantasiadas pedindo doces, nem maquiagem divertida. São homens – sim, a imensa maioria bem masculina – que se propuseram a governar esse enorme país, e que nos assustam, apavoram, com sua inoperância, ignorância, e ainda ameaças. As mentiras que contam, como se acreditassem nelas; as mentiras que buscam e que, mesmo desmascaradas, não se desculpam, nem nada fazem para detê-las. Ao contrário.

Lembro-me bem da campanha para a Presidência de 1989. Dos muitos candidatos daquele momento, o que de longe mais apavorava era o Fernando Collor. Os olhos de Fernando Collor, se tivessem sido notados, mostrariam antecipadamente o que tivemos de depois suportar com sua eleição baseada na mentira, na imposição do medo, muito parecida com a que vivenciamos recentemente. Aqueles olhos… Não precisa ir longe para lembrar, se você ainda não era nascido ou não tinha idade para votar. Ele está aí, voltou, por incrível que pareça, e mantém aquele mesmo olhar (e os malfeitos). Depois de tudo o que fez e aconteceu, voltou e é um dos senadores de nossa combalida República. Repara.

Dizem que as mulheres são mais intuitivas, o que é certo. Mas é que também somos mais sensíveis, reparamos mais e melhor nos sinais corporais. Em alguns casos é como se um alarme tocasse. Não é caso de análise política, objetiva, nem estudo sociológico ou econômico. É outra coisa que paira no ar. O alarme está gritando. Eu o ouço em meio ao silêncio brutal das ruas. Em meio às filas quilométricas de emprego.  Nas portas arriadas do comércio. No medo da vida, da noite, da violência, cortado pelo barulho das motos dos entregadores que agora levam os restaurantes até as casas. Ouço na indignação das milhares de pessoas voluntárias que sujam as mãos e os pés de óleo nas praias nordestinas prevendo, mais que o dia de amanhã e o fim do mês, o verão que se aproxima e do qual dependem como as formigas.

Eu o ouço em meio ao barulho infernal dos protestos violentos aqui nos nossos vizinhos, praticamente todos países divididos em duas partes, como maçãs. Um a um entram em círculos de fogo, povo combatendo governo, povo combatendo povo, governo combatendo povo, batendo cabeça, e algumas vezes a temida continência, fardada, em pronunciamentos. São de esquerda, direita, todas as direções descontroladas em momentos significativos ou nos quais apenas uma fagulha de centavos seja o estopim.

Muitos de nós já viram e viveram momentos muito parecidos, e que jurávamos ter sido deixados para trás. Muitos de nós procriaram as gerações atuais, os mais jovens, que trazem em si esse mistério deste século tão transformador, de qual caminho escolherão, como se organizarão, qual o olhar que lançam sobre o futuro. Se irão para a frente de batalha com inteligência ou com máscaras. Se continuarão a pintar em suas peles, em tatuagens, sua visão, sua individualidade. Se recorrerão ao mundo digital sem perceberem que estamos todos sendo por eles monitorados o tempo inteiro, e por poucas e concentradas corporações.

O mundo está em movimento e há uma apreensão. Basta olhar e reparar no olhar deles todos, em todos os Poderes. E ouvir o alarme incessante.

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ARTIGO – Esculhambação nacional. Por Marli Gonçalves

 

Esculhambação, avacalhação nacional, bagunça total, descompasso geral. Vamos aproveitar tanto piche, mas para pichar os fatos que nos cercam e os caras que os criam. E nem venham dizer que a economia isso e aquilo porque a realidade das cidades desmente a olhos vistos, a olho nu.  O nível do debate político dança na boquinha da garrafa, enquanto tragédias se sucedem e nos encontram inertes, abobalhados. Inclusive mais uma – a de fazer parecer que só Lula salva. Não é hora. Com tudo isso, nosso outubro é prévia de horror

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As terríveis e enormes manchas negras e oleosas, grudentas, atacam, se deslocam para lá e para cá no oceano, tingindo e melecando nossas praias, a água, nossa areia, matando nossos bichos, minando ainda mais a nossa imagem no mundo inteiro e que já está, como é que se diz? Abaixo do piche uns bons metros! E aí? Ninguém sabe, ninguém viu, e as semanas se passam com o povo enxugando gelo com pás e rastelos. Os governos do Nordeste precisam chegar a processar a União para obter ajuda, mesmo a básica, a das boias de contenção, para que ao menos os rios de suas regiões também não sejam atingidos. Há um mês vemos esse filme de horror, com um ministro do Meio Ambiente limpinho, sobrevoando as áreas e as soluções calçado com seus sapatos engraxados e exibindo colete néon luminoso, que ele é homem de moda, capricha no visual.

No Governo Federal – nem me perguntem como é que chegamos a isso – conseguimos que acabassem reunidas um grande número de pessoas sem a menor condição de governar, desprovidas de bom senso, diplomacia, conhecimento, capacidade de negociação. Tem só uns dois ou três que se salvam e ficam tentando se esquivar para também não serem atingidos – no caso, por um lodaçal que mistura insultos, gravações, xingamentos, traições. Por conseguinte, se esses estão lá, acabaram puxando com os votos que obtiveram o que há de pior para o Congresso Nacional. Os poderes e as forças em conflito marcam o ano. O ano inteiro – dez meses que parecem uma eternidade, um pesadelo do qual não conseguimos acordar.

A oposição se aquieta, boiando em sua piscina limpa, até porque nem precisa se esforçar muito porque o próprio presidente Bolsonaro, sua família, sua turma, seus apoiadores reais e robôs dão cabo de se afundarem sozinhos. E, assim, nesse momento ganha tempo para de novo focar naquele que parece ser o Único, o Salvador da Pátria, a perfeição, o Grande Líder, que está preso, mas dando entrevistas tão incensadas que são publicadas em capítulos. Lula tem opiniões sobre tudo e todos, mas nunca usa esses espaços para sequer um segundo de autocrítica, de rever a participação nesse processo que nos levou a tudo isso, não estende a mão à enorme parcela, inclusive uma parte da esquerda, e que questiona o seu partido e as suas decisões.

Acontece que isso se espalha. As informações, por exemplo, de como um prédio pode ruir inteirinho de uma vez só, como se os seus moradores estivessem em um sono profundo e deixassem que as colunas de sustentação que já estavam péssimas fossem detonadas por pedreiros de alguma empresa inexperiente e barata, explica a apatia que se abate sobre nós. Explica muita coisa, Brumadinho, os meninos do Flamengo mortos no abrigo, as milícias, as mentiras, os feminicídios, os viadutos que viram abrigos e focos de incêndio, toda a série sem número de desgraças que acompanhamos como quem vê um seriado na tevê, esperando o próximo capítulo.

Essas pessoas, enfim, somos nós, brasileiros, que não acreditam nas informações sérias, sem educação suficiente que formem profissionais capacitados. Somos aqueles que não tomam providências quando elas devem ser tomadas, que adiamos as decisões, deixamos sempre tudo para a última hora, que não acreditamos em riscos, que vamos deixando as coisas seguirem até que elas enfim desabem sobre todos nós.

Que achamos bonita a esculhambação, porque, afinal, somos brasileiros, Deus deve ser também. Nem se repara mais que esse Brasil que canta e é feliz anda bem calado. E inerte.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Olha a faca! Por Marli Gonçalves

Nossa mais nova preocupação é pontuda, afiada, pode ser facilmente encontrada nos mais diversos tamanhos, e feita de materiais que ainda não são exatamente localizados, identificados, previstos ou apontados em inspeções, como cerâmica, madeira, acrílico, plástico. Está cada vez mais comum saber que foram elas as armas que zuniram em atentados, brigas, assaltos e feminicídios. Tenho verdadeiro pavor delas, que surgem do nada

Tudo bem que até um palito de dente pode ser usado como arma. Ou um dedo apontado, intimidando sob uma camisa. Mas enquanto nos preocupamos tanto com o porte de armas, com sua legalização, com o lobby horroroso pró-indústria bélica, assistimos apavorados diariamente a crimes cometidos com uma das mais simples, terríveis e acessíveis formas: as facas, que estão em todos os lugares, nas cozinhas, fininhas, pequenas, grandes, facões, peixeiras.  As armas brancas, que surgem no noticiário sempre tingidas de vermelho do sangue de suas vítimas.

Acostumamos a chamar de armas brancas quaisquer objetos, geralmente usados para trabalho, que possam ser utilizados de forma violenta, para defesa ou ataque. Tesouras, machados, martelos, canivetes… e facas. Entre muitas outras formas. São cortantes, perfurantes, perfurocortantes, contundentes, cortocontundentes, perfuro-contundentes e perfuro-cortocontundentes. Todas, formas pavorosas. Ou seja, furam, rasgam, picam e retalham o que alcançam. Terríveis, silenciosas, comuns, perigosas, traiçoeiras, aparecem mais rápido do que alguma reação de defesa, inclusive porque usadas já bem no corpo a corpo, num abraço de morte e traição, como em uma ópera de Bizet.

As armas brancas são utilizadas principalmente em conflitos interpessoais e de gênero (feminicídio), este último com alarmante crescimento nos últimos tempos. As facas têm sido também uma das principais armas em atentados malucos ou terroristas nas ruas de algumas das principais cidades do mundo. Aqui, quase levou a vida daquele que viria a ser – talvez até justamente por causa dessa facada – o presidente da República. Jair Bolsonaro foi atacado no meio de um comício nas ruas de Juiz de Fora.

Dizem que quando a gente tem horror ou medo de alguma coisa pode ser trauma de vidas passadas. Sei não, não sei, mas posso ter sido atingida por alguma lâmina em alguma dessas passagens porque tenho verdadeiro horror a elas, as armas brancas, e admito, as temo mais do que às armas de fogo.

A violência está disseminada de forma tão generalizada que até as leis têm dificuldade de acompanhar.  A legislação existe. Está na Lei de Contravenções Penais. Se uma pessoa estiver, por exemplo, com um canivete ou uma tesoura em um ambiente onde isso não é aceitável— um estádio, um cinema – pode ser autuada em flagrante por porte ilegal. Mas, claro, primeiro tem de ser vista. Mas…Pode-se proibir canudos de plástico, mas não as prosaicas e baratas facas de cozinha. Agora também na linda e chique versão das moldadas em cerâmica, de várias cores. Em algum lugar, li que o procurador que recentemente esfaqueou a juíza dentro do Tribunal usava uma dessas; por isso não teria sido detectada no raio-X.

Tudo, enfim, pode ser arma. Até os garfos e as colheres. Até a palavra, vejam só, pode ser mortal, se desferida contra alguém fraco. Pedras atiradas. Estilingues. Flechas. Drones sobrevoam jogando bombas e podem mudar a geopolítica mundial, como também recentemente vimos, atingindo as refinarias de petróleo na Arábia Saudita. Nas mãos de irresponsáveis carros matam diariamente.

Não damos murros em suas pontas. São as cruéis lâminas das facas que entram e saem dos corpos desferidas várias vezes o nosso temor, especialmente agora, para nós, mulheres. Nem sempre elas ficam guardadas nas botas, presas nos dentes, como no vocabulário popular. Nem sempre “Olha a faca!” é bordão de programa humorístico.

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FOTO: Gal Oppido

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