ARTIGO – Aconteceu. Virou manchete. Você tem de saber. Por Marli Gonçalves

De repente, apareceu um público que quer viver em um mundo sem saber, sem ser informado, ou pior, se informando apenas pelo ralo da história. Brigam com os fatos. Em mais de 40 anos de jornalista, não lembro de ter assistido a tantas dificuldades e ataques à profissão, alguns muito violentos, e a grande maioria apenas de uma ignorância que traz ainda mais preocupação, inclusive com a segurança física.

Coitado do mensageiro. Está sobrando sopapos para ele, o que traz as notícias que o mundo fabrica e que, especialmente aqui no Brasil, têm sido mesmo lamentáveis. Nós, jornalistas, sentimos muito. Adoraríamos, de verdade, diariamente informar que está tudo bem, só dar boas novas, falar sobre o crescimento econômico, equidade social, as vitórias e conquistas nacionais, sobre decisões governamentais ponderadas vindas de todas as esferas, reproduzir frases e pensamentos positivos dos governantes. Mas não são essas as notícias do momento, e não adianta fechar os olhos agora.

Algumas informações que transmitimos, até conseguimos compreender, parecem mesmo inacreditáveis. Sim, estamos falando de política, essa coisa sempre muito pesada e cheia de meandros que quem acompanha desde sempre nem mais se surpreende, porque sabe que nela tudo é possível. Mas que a política está exagerando na produção desse possível, está. Em embates infantis, na pequenez dos pensamentos, no amadorismo dos atos, na produção de capítulos vergonhosos que estamos tendo de escrever e descrever, e que se diga a verdade, com destaque nos últimos anos e meses.

Só que agora apareceu uma categoria de pessoas – vejam bem que apenas reparo nesse aparecimento, isso sim é novidade – que não querem saber. Negam. Ficam bravos. Pra que contar que o miliciano era vizinho do presidente?  Porque era. Para que escrever isso? Por que comentar aquilo?

Querem selecionar ao bel prazer as notícias, o que em linguagem usual chama-se censura. Querem explicar que não foi bem assim o que ele disse, sendo que tudo está gravado. A verdade e só o que acham, e acham sem qualquer liame com a realidade, como se vivessem em outro mundo. Os caras fazem as bobagens e a imprensa é que é culpada, xingada, martelada.  Se procriaram nas últimas eleições, alimentados pelas Fake News, pelo whatsapp, pelo rancor, por um sectarismo muito louco que abriu espaço dentro da democracia.

Argumentação? Nenhuma. Pior, muitos, não dá para revidar porque é gente “amiga”. Outro dia, por exemplo, para se contrapor aos protestos contra a ordem de comemorar o golpe de 64, uma escreveu que “não dissemos nada contra quando foi comemorada a Revolução Russa…”

Oi?

Há outras versões engraçadas. Começam com as frases “Ninguém está falando…” (e na verdade, não se fala em outra coisa, e pela grande imprensa, que dizem que não leem, que é lixo), “Isso é perseguição…” (sendo que o “perseguido” foi quem produziu o fato da notícia), “Querem que em três meses…” (sim, porque nos três meses ocorreram só trapalhadas, públicas). Nessa toada não deixarão nunca a alma de Celso Daniel descansar, e ficam só batendo nas teclas P e T, e usando palavras que parecem espantalhos – esquerdalha, petralha, entre outras impublicáveis. Uma cruzada que inventaram para si. O que é deles; o resto seria do tal PT, coitado, que a cada dia aparece mais apagado e combalido, sem capacidade de reação, até porque não tem mesmo, aos atos praticados.  Denunciados, inclusive, por quem? Pela imprensa! Vivemos para ver até o Estadão ser chamado de …comunista!

Não é por menos que há uma crise sem precedentes em toda a imprensa, que se esfacela a olhos vistos, sem compreender o que ocorre no país onde ter opinião é crime.  Colunistas são trocados como roupas nos varais em prol de obterem uma diversidade que seja aceita, o que é praticamente impossível. E cada vez mais os portais privilegiam o que lhes dá milhares de cliques, contando quem se separou, quem está transando com quem, quem cortou o cabelo, emagreceu, engordou, usa biquini branco ou tem estrias.

Pior: fofocas que, antes, a imprensa até tinha de ir atrás para saber, fotografar. Agora não. As notícias chegam andando sozinhas, entram nas redações, gratuitas, diretamente dos noticiados. Isso dá Ibope. E nesse Ibope todos acreditam.

JORNALISTAS

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Marli Gonçalves – jornalista – Defende a informação ampla, geral e irrestrita.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

Brasil, abril

 

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#ADEHOJE, #ADODIA – DESEJOS. FELIZ ANO NOVO!

#ADEHOJE, #ADODIA – DESEJOS. FELIZ ANO NOVO!

Hoje passo aqui para desejar paz a todos. Saúde, alegria, amores, prazeres, paixões. Começamos agora em 2019 um novo tempo para o Brasil. Vamos enfrentar com otimismo, resistência correta e torcendo para que haja responsabilidade da parte de todos os envolvidos.

Agradeço a todos pela audiência, peço mais uma vez que se inscrevam no Canal no YouTube e nas minhas redes sociais. Continuarei fazendo de um tudo para todos os dias estar aqui, só um minuto, mas com vocês. Já é 2019 em algum lugar do mundo, aliás, em muitos, e nós vamos que vamos.

FELIZ ANO NOVO!

Feliz Ano Novo!

 

#ADEHOJE, #ADODIA – FIM DE ANO É BEM LOUCO

#ADEHOJE, #ADODIA – FIM DE ANO É BEM LOUCO

Chega essa época, estamos cansados, loucos pra ver se vira e se vira algo bom. Hoje nossa conversa é sobre os desejos que as coisas melhorem, progridam e que possamos conversar mais sobre boas notícias. A cor é laranja, porque dela viria sabedoria – daí os monges usarem. Onde estiverem que estejam felizes.

 

#ADEHOJE, #ADODIA – COM HUMOR, MAS NÃO É BRINCADEIRA.

#ADEHOJE, #ADODIA – COM HUMOR, MAS NÃO É BRINCADEIRA.

 

Acho que é importante dar uma situada. Se faço esses vídeos usando humor, quero dizer que isso não é brincadeira, não. Tenho mais de 40 anos como jornalista, já vivi para ver que não se adoram ídolos de barro. Não é esquerda, não é direita; é a liberdade que temos e queremos de criticar, comentar, analisar os fatos que se passam em nossos dias. Juntos. Numa conversa, como se estivéssemos – e eu acredito que estamos – entre amigos. Uso o humor porque não há outro jeito de encarar nossas dificuldades, que não são poucas, inclusive para fazer esse trabalho, assim, de cara limpa, ao natural, da forma que dá. Falo de política, claro, mas especialmente falo de nossas vidas, de comportamento, da vontade que as coisas deem certo. O CONVITE É PARA QUE VOCÊ SE JUNTE A NÓS, CHAME MAIS AMIGOS, COMPARTILHE. TODO DIA, TE ESPERO AQUI.

23 anos sem o anjo que ainda me guia na vida: EDISON DEZEN

Hoje, 25 de agosto, como todos os anos, para mim é dia de boas lembranças, de vida, de viagens, de conhecimento, mas especialmente de amor. Dia de lembrar, também, e uma tristeza imensa me invade apenas porque se o mundo fosse povoado por gente como Edison foi,  como levou sua vida, nossa, como  como toda ela seria tão bela, boa, bonita, caridosa, de paz!

Edison Dezen foi a melhor pessoa que conheci em minha vida, não sendo superado nem 23 anos após sua morte.

Hoje, coincidentemente, achei uma de sua últimas mensagens para mim, sempre acompanhada dos anjos que já o representavam aqui na Terra. Do dia do meu aniversário, no ano anterior à sua morte.

Mas onde vejo anjos – e sou guardiã de vários que o acompanhavam- me sinto beijada por ele.

Não posso deixar de mostrar a todos, com o orgulho que sempre tive de ter sido sua parceira, meu lorde Dezen.

E um pedido: por favor, proteja-me. Proteja a nossos amigos. A aura de sua energia nos alimenta.

Anjos, olhai por nós

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ARTIGO – O Bilhão e seus nove zeros. Por Marli Gonçalves

zeroNove zeros, um atrás do outro. Bilhão é muita coisa. Mil milhões. Um milhão de “mils”. Muito dinheiro. Muita gente. Muito roubo. Muito estrago. Para se ter uma noção do que realmente se passa ao nosso redor muitas vezes temos de recorrer à matemática. Só que atropelados dia a dia pelos fatos não temos mais tempo nem de parar para pensar e perceber qual é a verdadeira dimensão desses números. Vou tentar dar uma ajudada.zero

O mundo é muito grande, não? Tem gente para tudo quanto é lado, não? Pois somos, ao todo, ao todo, oficialmente, 7,2 bilhões de pessoas. Se cada pessoa desse mundo, incluindo as milhares que estão nascendo nesse exato momento, fosse um real, um realzinho desses, moeda, ainda assim não seria alcançado, por exemplo, o prejuízo da Petrobras, o oficial, veja bem, que ultrapassa fácil os 8 bilhões de reaizinhos. Como mentem em tudo, a gente pode tranquilamente puxar ainda mais para cima esse número. O mundo todo ainda não conseguiria tapar esse buraco. Aqui não tem avalanche nem vulcão; tem rombo. Nem precisamos de foguetes perdidos ou cometas.

Com isso, com esse valor, da mesma forma que estão conseguindo destruir um país, com mãos grandes e decisões patéticas, poder-se-ia reconstruir outro, como o Nepal, devastado pelo terremoto, incluindo aí reerguer os templos maravilhosos, as casas, os prédios. E ainda certamente sobraria um troco, porque aquele povo é dos que trocam bens por espiritualidade.

Deu para ter uma ideia? Pois é. Pior é pensar que, assim como a população mundial não para de crescer, aqui também esses prejuízos se alargam, porque não param de roubar um minuto, nem param de tomar as tais decisões patéticas. Não há um medidor para nos mostrar online quão assustador são esses números – como neste momento alguém está batendo a sua carteira.

ZEROPensei nisso – e em como é bom que haja muitas coisas que podem ser acompanhadas no momento que ocorrem – ao ficar olhando pela internet o foguetinho Progress perdido dando voltas no mundo antes de se espatifar ao entrar na atmosfera, graças aos céus, caindo nos mares. Os peixes é que não devem ter gostado desses insossos pedaços russos de nave. Assim, achei um site – http://www.worldometers.info/br/ – bem dinâmico, que fica o tempo inteiro atualizando números mundiais, população, nascimentos, mortes, despesas governamentais, cigarros fumados e as mortes por eles causados, emissões e consumo de água, energia, petróleo, etc. Não contem para o prefeito de São Paulo, mas tem até o número de bicicletas fabricadas este ano, até esse momento que congelo para contar para vocês, 48.868.804, contra 23.705.470 carros produzidos.

Coisas de milhão. Voltando ao nosso bilhão, e relembrando que cada um bi tem mil milhões, repetimos: fomos tungados, e apenas no cálculo da Petrobras, em 8 bilhões de reais. Vocês aí querendo que ainda sobre dinheiro para a Saúde, Educação, infraestrutura? Só se tomássemos a Casa da Moeda.

Não temos ainda um bom contador desenvolvido, mas uma coisa é certa: está tudo grande. Os números não param. Juros, inflação, demissões, roubos, roubos, roubos, ministérios, secretarias, desinteligências. Tudo para mais de mil, milhão, bilhão. Sem essa de percentuais, tabelinhas, infográficos. Nada como uns bons zeros para se ter noção do que os zeros à esquerda no poder podem fazer de mal. E olha que não me refiro apenas à nossa Nação.number-zero5

Dezenas, centenas, milhares, bilhões, trilhões. Ultimamente temos ouvido muito os dois últimos. Agora também é tudo K. Fulanos conhecidos têm milhares de K de seguidores, tipo Lady Gaga, Rihanna, Neymar.

Nos fazem lembrar de outra série – segundos, minutos, dias, horas, meses, anos, décadas – que lutamos para tentar sobreviver e melhorar as coisas. Nosso tempo também tem zeros, e cada vez mais temos de usá-los nem que seja pensando como pular a fogueira. Sobra pouco – quase nenhum – tempo, para falar com quem se ama, de quem temos saudades, às vezes apenas para dar um oi. Ficamos falando com grupos, nas redes sociais.

Aliás, quer saber? Vou aproveitar e fazer isso aqui mesmo: Luiz, como está? Acabou a dor? E os cachorrinhos? Já nasceram dentes na Serena? Gabi amada, você está feliz, sucesso total? Carmen, como vão as coisas aí para os seus lados? Irmão, você vem almoçar com a gente no domingo? Pradinho, que bela viagem! Mauro, se recuperando? Sua mãe continua preocupada. João, dê um beijo na Tânia e diga que rezo por ela, por forças, todos os dias. Ulysses, quando vem para São Paulo? Maria Helena, já conseguiu receber aqueles direitos autorais?

São Paulo, maio de 2015MULHER NO TELEFONEMarli Gonçalves é jornalista – – A propósito, só hoje foram enviados mais de 146 trilhões de e-mails, fumados mais de 10 bilhões de cigarros, além de feitas quase 3 trilhões de buscas no Google.

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POR FAVOR, SE REPUBLICAR, NÃO ESQUEÇA A FONTE ORIGINAL E OS CONTATOS

Achei que vocês iam gostar de saber disso. Sobre Lula e Dilma, os dois, com andam as elações…

COLONIALSOLDIERWITHPRISONERBem informado

O chamado mercado captou a mensagem do banqueiro André Esteves, do BTG.

Bem informado, ele garantiu, há dias, numa palestra que as relações entre Dilma e Lula “não são mais as mesmas”.

NOTA DA COLUNA DE AZIZ AHMED/ O POVO-RJ

O Oitavo Selo, de Heloisa Seixas, um livro extraordinário lançado hoje em SP. Livraria Cultura. Ruy Castro está dentro, do livro, e da vida da autora, sua esposa, que conta das suas sete vidas numa narrativa envolvente e literária

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EU, RUY CASTRO E O CARLINHOS BRICKMANN
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HELOISA SEIXAS ABRAÇA UMA AMIGA: AUTORA DO OITAVO SELO – QUASE UM ROMANCE, A SUPER TALENTOSA E ESPOSA DO RUY CASTRO. CONHECÊ-LA VALEU A PENA
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DA ESQ PAR AA DIREITA, KRIGOR, CARLOS BRICKMANN, A ESPOSA DO KRIGOR E UM AMIGO. KRIGOR, PARA QUEM NÃO SABE, FOI, ALÉM DE DONO DA DUCAL, E ACHO QUE CONTINUA SENDO, O MEHOR AMIGO E MENTOR DE NADA MAIS NADA MENOS JOÃO GILBERTO. QUANDO FIZ – SIM – FUI UMA BOA PRODUTORA CULTURAL – OS SHOWS DE JOÃO EM SP, FICAMOS AMIGOS ( EU E JOÃO). UM DOS ORGULHINHOS QUE LEVO NESSA VIDICA. UM DIA CONTO MAIS DESSE PERÍODO. OS SHOWS FORAM PREMIO APCA DAQUELE ANO, 85
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EU E O IVSON, FOTOGRAFO DAS ANTIGAS , QUE ACOMPANHAVA O EVENTO

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ARTIGO – Quando o que a gente quer dizer não tem palavras. Por Marli Gonçalves

blue_bird_singsSimplesmente elas (ainda) não existem. Sempre penso nas palavras, no seu sentido, quando e como dizê-las, embora às vezes, admito, escapem sem querer. Penso no sentido que elas, uma ou outra, deveria ter também, mais variado, rico. Mas há horas que elas não existem, em nenhum idioma, para exprimir o amor e o sentimento que gostaríamos de deixar claro. Nem para o bem, principalmente. Já passou por isso?little_angel

Há horas em que elas não saem. Ficam na garganta. Você quer dizer e não sabe o que. A boca até seca. Queria tanto poder usar o poder das palavras, como nos filmes, nos contos, nas mágicas. Adoraria ter a força do pensamento e a capacidade de dar a elas uma espécie de vida e energia de tal forma que expressariam quase fisicamente o que quero dizer – sei lá, iria até lá e abraçaria mesmo a pessoa, daria mil beijos, sopraria a saudade que tenho, o amor de devoção, o querer bem, tudo o que se mantém calado na alma. Elas viajariam todas as distâncias, chegariam suaves aos ouvidos que seriam o meu alvo. Confortariam. Fariam rir ou ao menos sorrir. Aqueceriam o coração e fariam bem chegando ao corpo e à alma. Até não seriam palavras, mas um sopro trazido e levado pelo vento.

aadogsÀs vezes acho que é por isso que escrevo, os artigos e crônicas, fora do meu habitat e trabalho natural que é o jornalismo, onde as opiniões devem ao menos buscar ser imparciais. Aqui, não. Tento com as palavras, uma atrás da outra, dar vida às emoções e sentimentos que capto, meus, muitos; seus, outros tantos. Poderia fazê-lo oculta em um pseudônimo, que escolheria entre os muitos bem legais e divertidos que já usei. Mas não, mostro a cara. Apanho por isso, mas também ganho respeito e admiração.

Só que há horas em que o que a gente quer dizer não tem palavras, repito. Nem para falar, nem para escrever. Muito menos para telefonar, mandar e-mail, carta ou cartão postal, telefonar, mensagem direta ou indireta, gravação em secretária eletrônica, faixa de rua, panfleto ou pichação no muro. Nada. Não foram inventadas, ou não foram escritas, nem estão em dicionários. Não existem. Sairiam murmúrios tão ininteligíveis como os bebês fazem.babyaq

sm_bluefairyEstou com esse problema de forma muito especial nesse momento, e sem saber como lidar e trabalhar com isso, confusa. Me sentindo deste tamaninho diante de como o mundo pode ser tão cruel com pessoas boas e generosas, afetadas de repente por notícias e diagnósticos que as viram de ponta cabeça, assustadoras, da Natureza, sim, e tão fortes como tsunamis e terremotos. E que nos viram juntos, aflitos que ficamos quando há perspectiva delas se afastarem, nos largarem, nos deixando aqui, desamparados e incapazes de fazer qualquer coisa.angleldropshearts

Todos nós estamos sujeitos a passar por isso. A ficar mudos quando mais precisaríamos falar, influenciar, agir, transformar, protestar, responder. É daí que acredito ser importante falar do quanto é difícil para quem está por perto toda essa loucura que passa quando algo, de alguém, vira parte da gente também. Está dando para compreender?

É mais do que consolar, mais do que buscar ajudar no que pode, mesmo que isso seja o seu próprio respeitoso silêncio, orações de toda sorte, seu próprio sofrimento. Volto a dizer que é indizível.

Sempre ouvi falar que as palavras ditas são como flechas, que uma vez lançadas não têm mais volta porque criam vida e energia, passam a integrar o espaço. Há quem acredite que as acharemos em outras dimensões.

E quando elas são apenas pensamentos, terão esse mesmo poder?Tomara.

São Paulo, daqui, em silêncio, 2014 flutterMarli Gonçalves é jornalista Dedica esse texto a você que está aí, me lendo e chegou até aqui, bem do meu lado. Guerreando que eu sei, embora você não tenha essas palavras para nos dizer.

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E UMAS MÚSICAS QUE TAMBÉM FALAM:

Encontro Jornal da Tarde – 2013. Filmes, fotos, e mais, dos anos anteriores

mais FOTOS:http://marligoncalves.wordpress.com/2013/11/11/encontrojornaldatarde-2013/

 

Mais> =CLIQUE NESSES “AQUIs” aqui embaixo. Cada um,um pedacinho do JORNAL DA TARDE

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Hoje eu trago dois vídeos muito especiais. São o registro do Encontro dos jornalistas do Jornal da Tarde – de quem fez o jornal que será ( já é ) inesquecível. Divirtam-se. Vocês devem conhecer muitos desses personagens. Eu tô aí também…

Dica de uma comida gostosa, em um lugar muito agradável. Gente, calma… É dica de restaurante, em São Paulo

Uma delícia.

Chama Vila Cioé.

Fica na Rua Tupi ( paralela à Avenida Pacaembu), 564, tel. 3662-1121.

Claro que é de amigos,

e claro que é legal mesmo, inclusive nos preços. Comida boa, especial, a preços honestos.

Não vou contar que por lá anda o FHC. Não vou contar mais quem anda por lá. NÃO INSISTA.

Vai ver. Eu amei um prato de massa com molho de cogumelos e geléia de pimenta, o especial executivo de hoje.

O pão é bom. Feito com forno de lenha.

Tem uma sobremesa de pão de ló de comer rezando. Ah, e que se come com as mãos.

Tem costelinha de cordeiro, ragu de javali…

Vinhos? Todos especiais, que os donos da casa conhecem o assunto.

Inspiração geral: TOSCANA.

Tem uma árvore linda.

Tem gente simpática. Cada sala uma decoração.

Reencontro de jornalistas que fizeram o jornal mais lindo da cidade – o Jornal da Tarde. Dá uma olhada. Você vai reconhecer um monte de gente!

Tenho a honra de apresentar para vocês a minha mais nova obra cinematográfica de baixíssima previsão orçamentária,  feito praticamente a martelo, mas com um bom NOKIA N-8

DIVIRTAM-SE!

EMOCIONADA! Minha caixa postal está recheada de amigos!

quantos abraços!

quantos beijos!

quanta energia!

quantos bons votos!

quantas saudades de tantos!

Cheguei. Ou melhor, aterrisei aqui para iniciar o dia, que já está lindo, com fantasias que parecem sonhos. Que às vezes viram verdades.

Antes de mais nada, tudo. OBRIGADA a cada um de vocês. É o meu Feliz Aniversário.

O DIA ESTÁ ASSIM, ó!

CÉU DE SÃO PAULO - 8 DE JUNHO DE 2011 - DEVE SER PARA ME DEIXAR AINDA MAIS FELIZ!
E…
 
EU, MAIS FELIZ!
E EU....Mais velhinha...mais sábia...

Morreu nesta terça o homem que informava sobre as mortes e de como foram as vidas. Veja a dele, que emocionante. Com vocês, Toninho Boa Morte. Em dois grandes textos de amigos.

Este é do JOSÉ MARIA MAYRINK

José Maria Mayrink – O Estado de S.Paulo

Juan Guerra/AE - 15/12/08SÃO PAULO – Internado no Hospital Nove de Julho, onde acabava de se submeter a uma cirurgia, o jornalista Antônio Carvalho Mendes, o Toninho, comemorou o aniversário no quarto de recuperação, em 2009, com a equipe de médicos e enfermeiros que tratavam dele. Cantou Parabéns pra Você e distribuiu, de mão em mão, os pedaços do bolo de chocolate que lhe levaram de presente. 

“No próximo ano, vou voltar aqui para festejar meus 77 anos com vocês”, prometeu com um sorriso alegre no rosto, animado como se estivesse sarando de vez do câncer que o havia surpreendido algumas semanas antes.

Um ano depois, Toninho festejou o aniversário no Residencial Santa Catarina, onde passou a morar depois de receber alta no hospital. Queria ir ao Nove de Julho, conforme havia prometido, mas não conseguiu, porque um enfermeiro que o acompanharia estava doente. No apartamento, recebeu abraços de amigos e vários telefonemas de parabéns. O bolo com a velinha dos 77 anos foi presente dos novos amigos e amigas, seus companheiros no Residencial.

Homem extremamente solitário, que morava sozinho num sobrado da Rua Bartolomeu de Gusmão, herança da mãe na Vila Mariana, Toninho era cheio de mistérios e segredos, quando se tratava de sua vida particular. Até que falou sobre a família, quando caiu doente, mas sem dar detalhes. O filho, Antônio Victor, foi visitá-lo no hospital. Telefonava para a ex-mulher, Josefa, com quem costumava jantar e pedia notícias da neta, Mônica.

Nesses sete meses em que passou ainda mais isolado, primeiro no Nove de Julho, depois em duas residências para convalescentes de idosos, esse jornalista tão reservado que parecia ser um sujeito de poucos amigos surpreendeu-se com o grande número de colegas – e de suas famílias – que se preocupavam com ele.

“Obrigado por se interessar por mim”, agradecia emocionado àqueles que telefonavam ou que iam visitá-lo. “Eu não sabia que tinha tantos amigos”, confidenciou mais de uma vez, citando nomes de companheiros de redação que foram vê-lo. Emocionou-se sobretudo com as visitas de Ruy Mesquita Filho. E contava para todos, orgulhoso, que o jornalista Ruy Mesquita, diretor do Estado, lhe telefonava quase todos os dias.

Obituários. A vida de Antônio Carvalho Mendes Foi, durante 50 anos, a redação de O Estado de S. Paulo. Ele tinha trabalhado por algum tempo na antiga Real Transportes Aéreos, mas considerava-se só jornalista, pois não pensava em outra profissão desde o dia em que se empregou no 5.º andar da Rua Major Quedinho, antiga sede do jornal. Julio de Mesquita Filho, que para ele era “amigo, pai e mestre”, como costumava repetir, foi o modelo que sempre teve em mente. Esse respeito e amizade, de total fidelidade, estendeu-se a toda a família Mesquita.

Na vida profissional, Toninho era sinônimo de dedicação e seriedade. Chegava à redação por volta das 16 horas e era um dos últimos a sair. Responsável pela coluna de falecimentos, conferia e atualizava a relação de mortos até o fechamento da edição. Em caso de dúvidas, telefonava para o Serviço Funerário ou para parentes e amigos do morto. Se necessário, fazia entrevistas e ouvia opiniões que transformavam em reportagens as notas do obituário. Por causa do trabalho, ganhou o apelido de ‘Toninho Boa Morte’, mesmo que a contragosto.

Toninho assinou também uma coluna de Cinofilia e, de tanto escrever sobre os animais, acabou se tornando um especialista em cães e gatos. Gostava dos bichos, mas não tinha nenhum em casa. “Preciso ser imparcial”, justificava-se. Participava de júris de concursos de cães de raça, gastando dinheiro do bolso para viajar ao Rio e outras cidades quando integrava comissões de julgamento.

Censura. Durante o período militar, quando a censura prévia se instalou nas oficinas doEstado e do Jornal da Tarde, Toninho entrou em choque com os censores por causa do título “Pastor alemão vence exposição”, na coluna Cinofilia. Achavam que ele se referia ao presidente Ernesto Geisel, gaúcho luterano de ascendência alemã.

Foi de Antônio Carvalho Mendes a sugestão para que o Estado publicasse versos de Luís de Camões, para cobrir o espaço das matérias censuradas que a polícia não permitia deixar em branco. Deu a ideia ao redator-chefe Oliveiros S. Ferreira e o diretor do jornal, Julio de Mesquita Neto, aprovou. Toninho levava de casa um exemplar de Os Lusíadas para adiantar a composição do texto na gráfica.

Quando os problemas da doença começaram a se complicar, Toninho atribuiu a resistência às sucessivas cirurgias e às sessões de quimioterapia à prática de esportes na juventude,quando lutou esgrima, fez natação e correu a São Silvestre. Era torcedor do São Paulo, do qual falava sempre no plural, como se fosse membro da diretoria ou conselheiro do clube. “Nós temos de reforçar o meio de campo…”

Na política, era fanático por Carlos Lacerda e, na esteira dele, por todas as principais figuras da União Democrática Nacional (UDN), o partido que se opôs a Getúlio Vargas. Era um conservador. Católico e devoto de Nossa Senhora Aparecida, vibrou com a eleição do cardeal Ratzinger, quando ele se elegeu Bento XVI na sucessão de João Paulo II, outro ídolo seu.

“As coisas não andam bem”, dizia para começo de conversa, quando ia comentar a situação brasileira e as denúncias de corrupção no governo. Criticou o senador José Sarney até a última hora. Toninho exaltava-se ao falar dos adversários, mas, apesar das aparências, era um sujeito de bom humor que ria das próprias piadas.

Méritos. Uma de suas últimas alegrias foi ser eleito irmão remido da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, em cuja capela costumava assistir a missa nas manhãs de domingo.”Sou São Paulo em tudo – no Estado, no jornal, no clube e agora na Santa Casa”, brincou no dia da posse.

Toninho gostava de cozinhar. Como morava sozinho e não tinha geladeira em casa, comprava o essencial no supermercado ao sair da redação. “Não ter geladeira esta semana foi um conforto”, comentou ao ler a notícia de que muita gente havia tido prejuízo com o apagão em São Paulo.

Sem condições de retomar o trabalho, passou a morar num apartamento do Residencial Santa Catarina, onde fez novos amigos e onde recebia a visita de companheiros da redação do Estado. Estava sempre ligado ao noticiário, lia o jornal todos os dias e, sempre que necessário, voltava ao prédio da empresa, na Marginal do Rio Tietê.

Em dezembro de 2009, Toninho sofreu dois enfartes e teve uma parada cardíaca de cinco minutos. “O médico me ressuscitou”, comemorou com alegria, quando inexplicavelmente se recuperou da crise. Como gostava muito do Hospital Nove de Julho e da equipe de profissionais que cuidaram dele, considerava uma bênção ter de se internar ali para tratar de algum problema inesperado. Na primeira semana de janeiro, internou-se no quinto andar para combater uma anemia e acabou voltando à UTI.

Melhorou, passou dois meses no Residencial Santa Catarina, mas precisou retornar ao hospital, mais uma vez a UTI, onde morreu às 5h30 desta terça -feira.

Natural de São Paulo, onde nasceu em 20 de junho de 1933, Antônio Carvalho Mendes fez o ginásio e o colegial no Colégio Pasteur, antigo Liceu Franco-Brasileiro, no qual estudou 11 anos. Fez especialização em espanhol da Câmara de Comércio Argentina e na Casa de Cervantes, e estudou inglês na Cultura Inglesa.

Atualizado às 13h29

e este é do SERGIO VAZ:

Lembranças sobre Antonio Carvalho Mendes, o homem do obituário.

15/03/2011

Antônio Carvalho Mendes adorava o que fazia. Só essa característica já bastaria para torná-lo um jornalista diferente da imensa maioria: em geral, os jornalistas gostariam de estar fazendo outra coisa, cobrindo outro tipo de assunto, trabalhando em alguma outra função, numa outra empresa, num outro veículo de preferência com salário melhor que o seu, é claro – ou simplesmente prefeririam não estar trabalhando. No mínimo, no mínimo, nos raros casos dos que gostam do que fazem, reclamam sempre do patrão.

Antônio Carvalho Mendes adorava os patrões, e adorava trabalhar exatamente naquilo que fazia. Gostava tanto de trabalhar que não folgava nos fins de semana. Não folgava nunca. E nem gostava de tirar férias. De preferência, não tirava férias.

Durante mais de quatro décadas, todos os dias, sábados, domingos, feriados, Natal, véspera de ano novo, Antônio Carvalho Mendes cuidou da página de falecimentos do Estadão. Várias gerações de jornalistas que passaram pelas redações do Estado e do Jornal da Tarde o conheceram por diversos nomes: Seu Antônio. Toninho. Seu Toninho. Mas os principais, os mais usados, com aquela ironia fina como palha de aço que os jornalistas costumamos ter, eram Toninho Boa Morte, ou seu igual mais metido a refinado, Anthony Good Death.

Os mais antigos, os da minha geração e da que veio antes da minha, em geral não usávamos nome algum para designar Seu Antônio: batíamos três vezes na madeira – tóc, tóc, toc. Fazíamos isso também em relação a um velho fotógrafo e a um velho homem de texto, que tinham fama de dar tremendo azar a quem pronunciasse seus nomes. Não vou pronunciá-los. 

Me deu vontade de escrever alguma coisa sobre Seu Antônio – mesmo correndo o risco de virar motivo de chacota. A pior coisa que pode acontecer com um jornalista quando morre é não haver ninguém que escreva alguma coisa sobre ele. O ideal é que o obituário do jornalista seja escrito por um amigo, para que não fique um texto gelado, anódino. Não fui amigo do Seu Antônio – Seu Antônio praticamente não tinha amigos. Mas me deu vontade de escrever alguma coisa mesmo assim.

Uma idéia brilhante – mas quem sabia que era dele?

Seu Antônio morreu aos 77 anos, nesta terça-feira, 15 de março. O velório será no Cemitério do Araçá, e o sepultamento, na quarta-feira, em Santos.

Fui dar uma olhada no estadao.com.br, e vi que está lá um bom texto sobre Seu Antônio. Aliás, um texto muito bom: nada gelado, nada anódino. Ainda bem. Fico contente. Não era necessário o meu – mas agora já comecei.

E aí vão uma informação e uma confissão. A informação está no texto do portal do Estadão: “Foi de Antônio Carvalho Mendes a sugestão para que o Estado publicasse versos de Luís de Camões, para cobrir o espaço das matérias censuradas que a polícia não permitia deixar em branco. Deu a ideia ao redator-chefe Oliveiros S. Ferreira e o diretor do jornal, Julio de Mesquita Neto, aprovou. Toninho levava de casa um exemplar de Os Lusíadas para adiantar a composição do texto na gráfica.”

A confissão: nunca soube disso. Cheguei ao Jornal da Tarde em 1970, nem dois anos depois do início da censura prévia ao Estadão e ao JT; convivi com Seu Antônio no mesmo ambiente ao longo de 30 anos (tirando fora uns seis anos em que por duas ocasiões me aventurei fora da S.A. O Estado de S. Paulo), e jamais soube que tinha sido dele a idéia dos versos de Camões. O fato de o Estadão ter resistido à censura prévia pós-AI5 publicando versões de Camões (no JT, eram receitas culinárias) já foi cantado e decantado em prosa e verso – e no entanto a autoria da idéia nunca foi muito badalada.

É bem típico de Antônio Carvalho Mendes.

O homem mais solitário que já conheci; tremendo reaça – e ficamos do mesmo lado

Só umas poucas coisinhas.

Ele era o homem mais solitário que já conheci na vida. Pedro França Pinto era um homem solitário, mas Antônio Carvalho Mendes era ainda mais.

Era um tremendo de um reacionário. Udenista fanático, lacerdista fanático, entusiasta do golpe de 1964. Só ficou contra o golpe quando os milicos puseram censores dentro da redação da Major Quedinho. Porque, acima de tudo, acima de qualquer outra coisa, era fiel aos Mesquita. Era fanático com os Mesquita.

Era homem de paixões e ódios absolutamente figadais. Não escondia nada, nem as paixões, nem os ódios. O contínuo mais foca do jornal sabia quem ele odiava profunda, fidagalmente – entre outros, o diretor de redação do Estado a partir de 1988, e o autor do Manual de Redação. Falava mal deles para quem passasse pela sua frente.

E quase todo mundo no jornal gostava de falar mal dele, de fazer gozações com ele.

O tempo passa, as coisas mudam, e nos anos 2000 eis que muitos de nós passamos a partilhar com Seu Antônio, o tremendo do reacionário, sua aversão a Lula, ao lulo-petismo. “Chefe, a coisa tá feia”, ele dizia, sempre que passava por alguém que ainda reconhecia dos velhos tempos. Às vezes eu tentava fugir dele, nas andadas pelo corredor, nas idas ao fumódromo, mas ele era implacável: “Chefe, a coisa tá feia”.

O “chefe” era o jeito de ele tratar todo mundo. Estava para ele como o “bicho” estava para o Rei Roberto.

Um símbolo do passamento de toda uma época

Que não falassem em computador para Seu Antônio.

O Estadão entrou no mundo da informática em 1989, se não me falha a memória. E entrou pela porta errada, com um sistema absolutamente burro, idiota, um tal de Atex, uma coisa que já era velha, caquética, quando começou a ser implantada. Seu Antônio continuou firme na Olivetti.

Vários anos mais tarde, vieram os computadores de verdade – Seu Antônio continuou firme na Olivetti.

Uma vez, poucos anos atrás, precisei pedir a ele o favor de dar uma nota de falecimento na coluna dele. Perguntei, pelo telefone, se poderia passar um e-mail. Ele não mexia com isso: pediu que eu passasse por fax, que ele transcreveria na Olivetti. O fax já era algo obsoleto.

Todo mundo pedia favor a ele, na hora dura, na hora da morte de um amigo, um parente. Ao atender um telefonema desses, ele costumava ser seco – ao menos é essa a lembrança que eu tenho. Mesmo com as pessoas que o tratavam bem, como eu. Era seco, quase ríspido – profissional, frio. Mas sempre atendia aos pedidos.

Conta-se que alguns dos Mesquita pediam os favores mais absurdos a ele, do tipo levar uns tantos cachorros do Pacaembu para a fazenda em Louveira, ou vice-versa – Seu Antônio gostava de cachorros, teve durante anos uma coluna de cinofilia –, e outros favores ainda menos dignos. Ele atendia a todos com alegria e orgulho. Tinha imensa alegria e orgulho por se considerar amigo da família.

Aquela empresa ali foi uma família para muita gente.

A morte de Seu Antônio é um tanto emblemática: é um sinal forte do passamento de toda uma bela época, uma boa empresa, dois grandes jornais.

(Publicado no site 50 Anos de Textos)

Artigo escrito por Sérgio VazÉ jornalista com longa carreira nas redações dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde, revistas Afinal e Marie Claire, Agência Estado e Estadao.com.br.Criador dos sites 50 Anos de Filmes e 50 Anos de Textos.

Homenagem ao amigo das montanhas. Sábado, no Rio.

Amigos de montanhista Bernardo Collares farão homenagem na Urca

 

Montanhista sofre acidente em escalada na Argentina (Foto: Reprodução TV Globo)

“As montanhas são uma espécie de reino mágico, onde, por meio de algum encantamento, eu me sinto a pessoa mais feliz no mundo”.

Bernardo Collares, alpinista, 46 anos. Ficou, para sempre,  na montanha Fitz Roy, Patagônia argentina

Em homenagem ao montanhista Bernardo Collares, de 46 anos, que morreu quando escalava o monte Fitz Roy, na Patagônia argentina , companheiros do esporte farão uma “invasão na Urca” no próximo sábado. Os montanhistas irão escalar ao mesmo tempo o Pão de Açúcar, Morro da Urca e Babilônia. A homenagem ainda não tem hora marcada, mas segundo Leandro Collares, irmão de Bernardo, a escalada deve começar às 7h. No final, todos se encontrarão numa praça da Urca.

Eu indico:Luis Mir lança O paciente, sobre o caso Tancredo Neves, amanhã, em São Paulo. Aí você vai ficar sabendo tudo, e que ele não precisava ter sido operado, nem morrido. A morte que mudou o caminho do país.

Lembro-me, como se fosse hoje, dos angustiantes dias de março e abril de 1985,  na cobertura, em frente ao Incor. Contra tudo e contra todos. Estava no Jornal da Tarde.

LEIA ESSE RESUMO, FEITO PELO PRÓPRIO AUTOR

 Tancredo Neves poderia ter tomado posse. E por uma série de equívocos diagnósticos e cirúrgicos, todos primários, foi mal diagnosticado, mal operado, mal acompanhado. Tudo o que está publicado no livro está lastreado nos prontuários do Hospital de Base de Brasília e do Incor. 

O diagnóstico primário de uma apendicite aguda com abscesso e suspeita de peritonite feito no exame de ultrassom no Centro Radiológico Sul era totalmente equivocado. O que se via na ecografia era um tumor, com necrose, gás e líquido. Era um caso para uma cirurgia programada, eletiva. Não havia risco de vida, não havia urgência, deveriam ter  entrado a partir do dia 13 de março com uma antibioticoterapia para combater a bacterimia, identificar o foco infeccioso, e prepará-lo bem para a cirurgia.

 Operado no  início da madrugada do dia 15 de março, quando abriram o abdômen do Presidente o que encontraram foi um tumor intestinal – leiomiossarcoma – pediculado, pendurado, no íleo terminal. Não havia peritonite, não havia líquidos na cavidade abdominal, não havia hemorragia, não havia obstrução. E começa o desastre. Ao invés de ser retirado o tumor com uma ressecção segmentar, como já preconizava a literatura e a técnica mais adequada à epoca, o cirurgião opta por uma ressecção em cunha, em V. O que provocou que o paciente babasse (sangrasse gota a gota) na linha de sutura da anastomose desde o primeiro momento. Em uma área hipervascularizada como aquela onde estava o tumor, ele deveria ter feito uma enteroctomia ampliada, de grandes margens, ter removido todo o mesentério adjacente e amarrado os vasos na linha de sutura. O que determinou a morte do Presidente Tancredo Neves: enterorragia decorrente de um erro técnico na sutura da primeira cirurgia – não era um divertículo, era um leiomiossarcoma.

 Repito, não se poderia fazer a ressecção em cunha. É uma técnica de escolha completamente equivocada para esse caso. Ele sangrou desde o primeiro momento e isso explica porque o intestino não voltou a funcionar (por hipoperfusão tecidual). Determinou as complicações que o levariam à morte.

 Perdemos todos.

                                                                                                                                           Luís Mir

Artigo – Eu quero ter um milhão de amigos

Marli Gonçalves

Quero mais seguidores no Twitter; conexões no Plaxo. Seguir e ser seguida. Quero ser um contato do seu Outlook, dividir meu Skype e o MSN. Quero ver sua cara no Facebook, me inscrever no seu mural, compartilhar, ficar membro do mesmo grupo. Me aceita como amigo. Registra no seu i-phone, Blackberry, N qualquer coisa. Tecla e me prende na sua rede social. Atualize seu perfil, me mostra o Avatar. Manda um cartão virtual. Dia 20 é Dia do Amigo. Mas o que é ser amigo ultimamente?

    As palavras perderam a forma e agora uma coisa também quer dizer outra. Amigos, chego e peço um conselho de amigo: agora, no Dia do Amigo, o que faço? Cumprimento a minha dúzia particular ou cumprimento a todos, todos os meus amigos virtuais? Incluindo os leitores que não conheço, mas sei de suas histórias mais do que deles próprios devem saber alguns dos amigos? E os que eu nem sei quem são, nem eles têm a mínima ideia de quem sou, porque me encontram, só esporádicos? São meus amigos, acompanham meus pensamentos. E os que nem sabem que os tenho como amigos, apesar de tudo?

É tudo diferente, e ao mesmo tempo passamos batido na definição. Os amigos são fundamentais. A amizade é um sentimento deveras interessante, extremamente nobre, uma arte difícil – inclusive – de dominar. Há amigos que matam ou morrem por você, como estamos vendo, incrivelmente apavorados. Por dinheiro, admiração, fraqueza. Companheirismo e solidariedade. Todas as histórias desses tipos valem livros, romances, filmes, óperas e epopéias. Ou filmes de terror.

É o Macarrão, o Coxinha, o Bola do Bruno. É o Sancho do Dom Quixote. O Robin, do Batman, o Lothar do Mandrake. O Sebastian e o Linguado, da sereia Ariel. Até o último dos moicanos tinha um amigo.

Há o amigo vampiro que faz tanta sombra à sua volta que dá calafrios e você o segue, zumbi, forças chupadas. Nem você entende. E às vezes você não o vê no reflexo do espelho.

Há os amigos que não vemos mesmo, mas sentimos. Pelo cheiro, pelo gosto, pela alegria de uma recordação. Estão ali presentes em nossos atos, mesmo que estejam até mortos. Ou sempre longe. Por eles a gente faz mais, se dedica de coração, homenageia em silêncio com as vitórias.

Há os amigos eternos. E também há os ex-amigos, que merecem ter algum tipo de consideração da sua parte. Afinal, ora, vocês devem ter trocado duas ou três confidências. Mantenha-os à vista, se possível.

Há os amigos de infância. Sempre que deles lembramos, as imagens são boas. Puras e coloridas pela ingenuidade da época.

Há os amigos de adolescência. Costumam ser ou ter sido relações passionais, terríveis, difíceis, possessivas, mas fundamentais na formação do caráter, sexualidade, comportamento e direção. Nas safadezas da vida. Quando relações sobrevivem a esse período costumam também ser eternas. Pode levar para lá ou para cá, definir o futuro, nesse momento complicado e complexo. Antigamente arquivávamos esses amigos nos nossos diários, que pedíamos que preenchessem, com tolices românticas e frases feitas. Como será hoje? O que trocam?

Há os amigos da velhice. Aqueles que encontramos ou só encontraremos mais tarde, e que podem estar em qualquer lugar, ser de qualquer cor, posição social, idade ou sexo. São aqueles com os quais os solitários conversam nas ruas, o barbeiro, o jornaleiro, o dono da padaria, o chapeiro do seu hambúrguer. Os clubes da terceira idade de certa forma devem servir para que continuemos mesmo desejando querer ter amigos. Coleção que a certa altura da vida – essa é a verdade – a gente resolve encerrar, não quer mais achar peças, muito menos que sejam muito originais. Não tem curiosidade. Não tem mais saco de cultivar. Ficar amigo dá trabalho, quase igual às plantinhas e animais que tantos preferem. Pior: planta e bicho não traem.

Amigos podem ser casados, inclusive entre si. São as relações que mais costumam dar certo. E, se o amor acaba mas mantém-se a amizade, o caminho da felicidade, aconteça o que acontecer, será sempre mais leve. Esposas e maridos precisam entender a importância de amigos ou amigas nas relações, inclusive para ajudar a desvendá-las. Amigos costumam conhecer muito melhor os defeitos, por exemplo, assim como histórias pregressas. Amigos podem ajudar no equilíbrio, e até – você terá de acreditar – ser bons conselheiros. Não implique tanto. Não desafie: “ele ou eu”.

Amigos são amigos. Com o amigo, você faz xixi de porta aberta. Toma banho com ele sentado na privada, conversando. Toma água no mesmo gargalo. O que acontece com ele acontece com você também, como se fosse uma coisa só. Você sabe tudo dele, mesmo que de longe. E a mão é dupla. Um torce e pensa no outro a distância que houver. Tem amor na receita. Precisa ter muita compreensão, carinho, confiança e admiração. A amizade não tem cara, bonita ou feia, magra ou gorda; ela sobrepuja isso.

Eu quero ter um milhão de amigos. Porque amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração. Assim falava a canção, que na América ouvi. Amizade, amigo, emociona assim.

Certo, my friend?

São Paulo, seco, seco, inverno, 2010. A Terra é azul.

Marli Gonçalves é jornalista. Acha super legal essas promoções de dar coisas para atrair, para que as pessoas cheguem, e fiquem por perto nas teias virtuais. Mas só consegue pensar em bobagens para dar.

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 *Momento informativo:
Vem voar comigo, igual passarinho, pela internet, onde quiser, pelo Twitter, Facebook, blog, tudo feito com muito esforço para ficarmos juntos mais tempo: Vai lá ler coisas novas, que trago, especiais, imagens, ideias que separei para você. Conheça meu novo blog! Entre e fique à vontade. Sinta-se em casa. Divirta-se. Visite o meu blog

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O Dia do Amigo foi adotado em Buenos Aires, na Argentina, no Decreto nº 235/79, e gradualmente se espalhou como idéia pelo mundo. A data foi criada pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro, dentista, professor e músico. Inspirado na chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969, considerou que a conquista era não somente uma vitória científica, como também uma oportunidade de se fazer amigos em outras partes do universo.

Minis documentários mostram o querido maluco e maldito Claudio Tognolli. Figura, amigo e doido tudo na mais desmedida medida

Cláudio Julio Tognolli:
uma figura que você precisa conhecer. Aproveitei e puxei do You Tube para vocês,que talvez pensem que jornalistas são todos uns caretas.