#ADEHOJE – MUITO AMOR PARA O GUGU. E AS SANDICES DESSA GENTE

#ADEHOJE – MUITO AMOR PARA O GUGU. E AS SANDICES DESSA GENTE

SÓ UM MINUTO – Um espetáculo popular de amor está sendo visto no velório de Gugu Liberato na Assembleia Legislativa de São Paulo. Parece que o mundo acordou para tudo o que ele fez para as pessoas – grande parte quietinho – durante o tempo que esteve entre nós. Repito: gostava muito dele, tive o prazer de com ele e para ele trabalhar. Palmas para ele. E antes que venham com comparações absurdas, vamos lá: palmas para o Rabino Henry Sobel, que também nos deixou a semana passada.

A lista de sandices governamentais diárias já não cabe mais aqui em nosso minuto. Mas destaco: o cara, Sergio de Camargo, que assumiu a Fundação Palmares vomitou bolsonarices racistas. Uma pena: é filho de um grande e admirado jornalista amigo nosso, companheiro do Jornal da Tarde, e que teria muita vergonha do filho que deixou no mundo. Ele não merecia isso.

Por outro lado, Lula teve a pena pelo caso do Sitio do Atibaia não só confirmada, como aumentada para 17 anos, pelo TRF-4.

Que tempos, que tempos! E ainda temos que aguentar o tranco da tal Black Friday.

ARTIGO – Gravando! Por Marli Gonçalves

Sorria. Ele está sendo filmado. Se há um lado bom nisso tudo que vem acontecendo  é que agora a gente está vendo e ouvindo no original.  Ninguém precisa contar. Se quiser ver tudo ou ouvir tudo é só ter tempo e procurar. Pá, tã, tã, como disse o cara que pensou em fazer strike com o Brasil, nos encaçapar.  Talvez seja isso que esteja nos deixando abestalhados: é igual a olhar pela janela os vizinhos, melhor do que usar copo para ouvir na parede

Como jornalista, repórter, sempre gostei e tentei descrever detalhes especiais da cena que registrava. As cores, as roupas, as expressões, os fatos e dramas paralelos. O tempo no grande ex- Jornal da Tarde esmerou isso ainda mais, aprendendo com os grandes mestres. Não tinha nada disso que temos hoje, e dos jornais dependia toda a informação. Hoje os textos dos jornais estão mais duros. É isso, aconteceu isso, o cara acusou; o outro lado. Difícil ler detalhes mais suaves, a não ser em algumas notas esparsas em colunas. De vez em quando uma foto genial também aparece para quebrar esses tempos duros que vivemos. Isso dá uma diferenciada.

Mas agora você não precisa mais de ninguém. Tá lá. Você escuta as frases, sofre com a língua portuguesa sendo estraçalhada na língua de boiboys, bêbados, sim, mas da própria luxúria e poder. Conhece a realidade pura, como se estivesse sentado ao lado deles na mesa do restaurante e quase nem quisesse comer, tão interessante a conversa alheia. Na hora do jantar, assistindo ao Jornal Nacional nos últimos dias, é capaz de você ter ficado com o garfo no ar e a boca aberta várias vezes.

Com aquelas malas e caixas recheadas de dinheiro que moravam sozinhas num belo apartamento em Salvador.

Com o depoimento de Antonio Palocci botando fogo, para não dizer outra coisa, no chefe, na chefa, no pessoal do PT, e admitindo o modelo espúrio do projeto de poder deles, construído a partir de 2002. Projeto que da boca pra fora vinha das bases; a verdade é que sempre veio é das bases empresariais e de poder e dominação econômica. Um rio que correu tão sujo quanto o Tietê.

Você – se jantava assistindo ao noticiário – deve até ter mastigado mais a comida enquanto via passar uma a uma as fotos de mais uma série de denunciados, desta vez os 7 do PMDB. “O País dos Sete Ladrões” – daria título e filme para conquistar o Oscar. Por recorde de corrupção já devem estar concorrendo. No começo da semana outra lista dessas – aí em cima do PT – também era melhor que lista de supermercado: dois ex-presidentes, não sei quantos senadores, um quilo de deputados. Surreal. Foi flecha pra tudo quanto é lado.

Mas, enfim, como dizíamos, vendo e ouvindo tudo no original, dá para ver as caras deles, os modelinhos, as barriguinhas, os sorrisos irônicos, as lágrimas de crocodilo, o linguajar chulo com relação às mulheres, sentir a entonação e a ironia de como falam. Como se defendem, como acusam, como mentem.

Pior é que a indigestão, surpresa, preocupação e temor não estão limitados ao noticiário local. É bomba de hidrogênio voando sobre o Japão. É a natureza mostrando as manguinhas e rodopiando na passarela com Harvey, Irma, José e Kátia e arrasando áreas inteiras na sua passagem. Levantando plateias para fugir e a maré. Me digam se em apenas uma semana três furacões, um terremoto  e o tempo seco que atrapalha até a respiração pode ser normal.

Tenho meditado muito sobre velocidade das mudanças nos últimos anos, e especialmente sobre as super populações. Quem as comandará? Como se alimentarão? Quanto tempo viverão? Ou sobreviverão?

Será que tem alguém gravando?

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Marli Gonçalves, jornalista É melhor mastigar bem tudo isso, para ver se conseguimos digerir

SP, 2017

 

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ARTIGO – Aquela musiquinha sinistra. Por Marli Gonçalves

Pã, papam, pã-pãm, papapapaaaam. Aconteceu comigo. Foi agora por esses dias. Mais precisamente já na madrugada do domingo, 21 de maio, o que piorou ainda mais. Madrugada. Meu coração quase saiu pela boca. Estava despreparada para qualquer notícia ruim naquele momento, tão ruim que não podia nem esperar? Estava relaxada, por algumas horas tinha esquecido esse tormento que virou o dia a dia nacional. Esse novo tormento.

Mas quando vi aquilo, aqueles microfones apontados como mísseis vindos em minha direção, como que saindo, pulando, da tela da tevê no meu colo, deu palpitação e naqueles segundos, vocês não acreditariam, tantos pensamentos passaram velozmente até surgir a apresentadora. Várias hipóteses que poderiam até ser concretas. Cada uma mais louca que a outra. Todas essas, as minhas, até valeriam um plantão àquela altura.

Mas não. Naquele, uma trêmula apresentadora que estava certamente de plantão na redação surgiu para dar um outro plantão- e que até ela me pareceu não estar convencida da importância. Ela apareceu ali para anunciar que uma reunião da Ordem dos Advogados do Brasil havia decidido pedir o impeachment do presidente Michel Temer. Ohhhh. Oi? Vê se isso é notícia para dar em plantão de madrugada num sábado? É? Mudou sua vida? Resolveu nossos problemas? Vale alguma coisa nesse país que desrespeitou e diminuiu nos últimos tempos as entidades da sociedade civil a pó de poeira? Responda rápido: qual o nome do atual presidente da OAB?

Vou ser sincera para vocês. Xinguei muito. Falando sozinha, mas xinguei, ô se xinguei. Eu tinha acabado de chegar em casa, do teatro; fui ver Roque Santeiro durante a Virada Cultural. Com fome tinha preparado um lanche maravilhoso (… tá, tá bom: um hambúrguer X-Salada-Tudo e mais um pouco) para comer na sala vendo tevê. Tinha dado a primeira mordida, sabe aquela quando a maionese se espalha e o queijo derretido cria uma união teimosa entre sua boca e o sanduíche?? Aí veio a musiquinha maldita, sinistra. Pã, papam, pã-pam, papapapaaaam

Não foi legal. Não me fez bem. Se eu, que acompanho essa trapalhada toda por dever até de profissão não gostei, imagino como foi nesse Brasilzão de Deus, nas tevês de beira de estrada, nos cafundós. Uma tal de OAB fez num-sei-o-quê.

Já estamos tomando muitos sustos. Quer cena mais para assustar criancinha do que aquele vídeo do Aécio com cara de medo, olhar de medo, e sem nenhuma “convincência”, na frente de uma parede lisa de cor horrível, dizendo-se enganado, ingênuo, desfalcado de recursos? Patético. A expressão do Rodrigo Maia girando o pescoço na quarta-feira do terror em Brasília, e que saiu pedindo reforço da segurança, que acabou chegando o Exército para acudir?

E as duas vezes que apareceu rede oficial no púlpito, para a fala do presidente que toda hora é fotografado engolindo bocejo – não repararam? Ele engole o bocejo de uma forma bem engraçada. Põe para dentro, fica bochechudo. Não deve estar dormindo nada bem. Nas duas vezes falou, falou e não resolveu nada, quase não disse coisa com coisa, como diria meu pai. E a entrevista exclusiva que ele resolveu dar? E que não tinha um assessor que preste para corrigi-lo quando citou a operação Carne Fraca que só aconteceria dez dias depois e que ele usava como argumento para explicar ter recebido no porão de casa o malaco da carne na calada da noite?

Está confuso demais. É mala monitorada que não estava monitorada em nada e justamente ela some, reaparece com uma mordida enorme de bufunfa; é gravação que brota de tudo quanto é canto, até as que não têm nada a ver com o peixe, mas expôs um jornalista que andou arranjando inimigos até debaixo da água.

Por favor, mais comedimento em usar a música maldita e sinistra que nunca traz boas notícias, e que nos ameaça com aqueles microfones na piracema.

Essa musiquinha de agora, mais invocada, tem pouco mais que 14 anos. Mas o plantão se iniciou em 1982, anunciando a eclosão da Guerra das Malvinas. De lá para cá, 35 anos, não foram muito mais de quinhentas vezes a sua utilização. Mas esta, a primeira, já chegou me apavorando e afetando muito. Naqueles dias, sob o comando do admirável Fernando Portela, completávamos, no Jornal da Tarde, uma das maiores reportagens de todos os tempos – de fôlego, três meses de batalha. Chamava-se Viver em Prédios e reportava todos os fatos ligados a isso, de todos os ângulos. Principalmente o do difícil convívio entre os seres, carros, portas, goteiras e vazamentos, portarias e garagens.

A matéria acabou decepada para dar espaço ao noticiário da guerra aqui de nossos vizinhos argentinos, que não cumprimentam ninguém no elevador. A propósito, está de novo uma barulhada e tanto nesse Edifício América Latina.

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20170521_001811Marli Gonçalves, jornalistaPã, papam, pã-pam, papapapaaaam. Só usem de novo, por favor, quando for para noticiar que encontraram a solução para que a gente volte à vida normal. E que outros só surjam para informar avanços da ciência, a descoberta de curas para os males do mundo.

Brasil, isso é certeza. É aqui. Só pode. 2017

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ARTIGO – Banhos de água fria. Por Marli Gonçalves

Para a saúde, beleza, circulação – até para sexo! Se todo mundo soubesse quanta coisa a água fria faz de bem até pararia de usar essa expressão para falar de decepção, desilusão, ou de quando alguém estraga tudo o que nos empolgava. Tô boba. Mas na verdade vocês bem imaginam porque pensei nisso. Nesse nosso enorme banho coletivo de água fria, de chuveirada. Precisamos botar água na chaleira para ferver

A primeira vez que tive consciência do que era um banho de água fria foi na vida profissional, no Jornal da Tarde, idos dos 80. À época houve uma chacina, e sete jovens foram achados mortos à beira de uma represa. Um deles era um temido menor, de que alguns ainda devem se lembrar, Wilsinho Galileia, que vinha de uma estirpe de bandidos, Os Galileia, eram conhecidos e atuavam na região de Diadema, São Paulo. Entre os mortos, todos menores, a namorada dele, grávida, da qual infelizmente hoje não me recordo mais o nome; pouco mais do que 15 anos.

No Jornal da Tarde, histórias, gente, fatos, imagens, detalhes da vida, calor dos fatos, eram os ingredientes que o tornavam uma delícia diária de ver, ler, em textos escritos pelos que ainda hoje considero – e o são – mestres da palavra.

Mas, enfim, foi trabalho árduo de um dia inteiro conseguir detalhes importantes, alguns dramáticos, outros muito emocionantes sobre a vida da menina, a quem me coube construir o perfil. Seria uma grande matéria: abri a mala que ela havia deixado no abrigo, o que equivalia ali a conhecer todos os seus bens. O colega Fausto Macedo, por outro lado, levantava o perfil do mirrado e violento Galileia.

Já passava das dez da noite quando regressamos para a redação. Já batucava entusiasmada a máquina de escrever quando veio uma ordem de cima: a matéria não seria publicada. “Aqui não queremos o mundo cão” – era o recado seco que – lembro como se fosse hoje – me encharcou e nos deixou, eu e Fausto, arrasados.

As histórias nunca foram publicadas. Eu nunca perdi esse sentimento do banho de água fria. Com ele preparei-me para todos os outros tantos que viriam ao longo dessa vida, garanto que já não foram poucos de todas as águas doces e salgadas.

Tudo isso conto porque não achei maneira melhor de descrever o sentimento nacional que percebi essa semana com a tomada de algumas decisões do Poder Judiciário. A libertação de alguns presos por corrupção bateu muito pesado, impressionante notar. Estavam ali… rolando o desenrolar de um romance onde… os corruptos seriam todos presos, punidos e que o país num final feliz se reencontraria limpo e lépido… Mas explodiu o gerador. Acabou a luz. Caíram da escada. E veio o banho de água fria.

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Temos tomado muitos banhos bem frios na cabeça. Quando a gente acha que uma coisa vai, ela nem vem, quanto mais reformada. Agora deu outra moda, a dos mesmos de sempre mudarem – certamente por vergonha, os nomes de seus partidos, jurando que fazem isso pelo nosso bem com um blábláblá de fazer bicho preguiça querer correr. Notou? Livres, Mudamos, Avante, Podemos. Se fizer DNA vai dar consanguinidade.

Como uma de minhas missões é sempre tentar ajudar, finalizo listando algumas das qualidades que encontrei e alardeiam sobre o tal banho de água fria na real, vejam só. Melhora a irrigação sanguínea. Alivia as tensões dos músculos. Aumenta o brilho do cabelo. Previne a calvície e elimina a caspa. Serve para combater a depressão e ativa as funções cerebrais. Ajuda a despertar e por o organismo em alerta. Ameniza varizes. É afrodisíaco; em homens aumentaria a testosterona. Finalmente, e a minha preferida: eleva a autoestima, com benefícios mentais e emocionais. Por quê? O sentimento de vitória por ter conseguido tomar o tal banho de água gelada.

Fica a dica, porque as coisas ainda vão esquentar muito, e a energia, literalmente, pode acabar. Nós temos de ser vitoriosos.

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marli n a gabiMarli Gonçalves, jornalista – Na vida, a última ducha de água fria que tomei até agora me faz pensar se eu não devia ter devolvido. Me veio à cabeça mamãe falando: “Tá com frio? Bate o traseiro no rio!”

SP, 2017

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banho de água fria

 

 

 

 

História jornalística tambem é cultura. Fotos do amigo Rolando de Freitas, companheiro de JT, que nos enviou. Lembrar, sempre, do horror, quando soldados eram condecorados quando massacravam. Governo Jânio Quadros

Obrigada, amigo Rolando de Freitas! Por nos enviar essas relíquias.

Rolando, leitores aqui do blog, é um dos maiores fotógrafos de imprensa deste país. Tive a honra de trabalhar com ele no Jornal da Tarde.

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Fotos do grande fotógrafo Rolando de Freitas. Ele flagrou nossa cultura indo pro lixo. Dá até desgosto

COMO ALGUÉM PODE TER CORAGEM DE FAZER UMA COISA DESSAS?

AO INVÉS DE DOAR PARA QUEM PRECISA – E SÃO TANTAS AS PESSOAS QUE PRECISAM – PREFEREM JOGAR FORA COLEÇÕES INTEIRAS DE SABER.

O GRANDE FOTÓGRAFO ROLANDO DE FREITAS, EX-COMPANHEIRO DE JORNAL DA TARDE, ENTRE OS MAIS PREMIADOS  REPÓRTERES FOTÓGRAFICOS BRASILEIROS,  FLAGROU A CENADSC06172 DSC06174 DSC06173

RIP Telmo Martino. Algumas fotos da última vez que o vi em São Paulo, lançando um livro de suas colunas antológicas, no Baretto

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TELMO MARTINO: aqui você vai vê-lo brincando, rindo, feliz, entre amigos fiéis, como Sheila Lobato, Valéria Wally,  Washington Olivetto, Carlos Brickmann, Palmério Dória, Matinas Suzuki…  E eu, fotografando…

(2004)

Morreu meu amigo Telmo Martino, um dos homens mais inteligentes que conheci ( e conheci muitos ). Já não aguento mais tantas perdas

MORREU HOJE MAIS UM PEDAÇÃO DO JORNALISMO BRASILEIRO.

AGORA NÃO DÁ – VOU FICAR AQUI NA MINHA TRISTEZA – MAS UM DIA ESCREVO AS ALEGRIAS DAS PERIPÉCIAS QUE VIVEMOS JUNTOS.

A SERPENTE MAIS MARAVILHOSA DA IMPRENSA

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Jornalista Telmo Martino morre aos 82 anos no Rio

FONTE : FOLHA SP

DO RIO

O jornalista Telmo Martino morreu na madrugada desta terça-feira (3/9), aos 82 anos, no Hospital Samoc, no centro do Rio, de complicações decorrentes de uma pneumonia.

Martino estava internado no hospital desde o dia 22 de agosto.

O jornalista nasceu no Rio, no bairro de Botafogo, no dia 10 de janeiro de 1931.

Estudou no Colégio Santo Inácio, onde foi colega de Paulo Francis, três meses mais velho. Formou-se em Direito, mas nunca exerceu.

Em 1953, juntou-se como ator a um grupo amador de teatro, o Studio 53, de Carlos Alberto (irmão de Rosamaria) Murtinho, que, durante uma temporada, apresentou três peças de um ato, sempre às segundas-feiras, no Teatro de Bolso de Silveira Sampaio, na praça General Osório, em Ipanema.

TELMO, FRANCIS E LESSA

Ali reencontrou Paulo Francis, que cuidava da bilheteria, e conheceu Ivan Lessa. Os três se tornaram grandes amigos. No futuro, seriam sempre citados juntos como modelos de um jornalismo crítico, culto e sofisticado.

Rosane Marinho – 14.mar.98/Folhapress
O jornalista carioca Telmo Martino, morto na madrugada desta terça no Rio
O jornalista carioca Telmo Martino, morto na madrugada desta terça no Rio

De 1955 a 1967, Telmo trabalhou como redator nos serviços de transmissão radiofônica para o Brasil da BBC, em Londres; depois, da Voz da América, em Washington; e, de novo, da BBC.

Em 1958, quando foi lançada a revista “Senhor”, dirigida por Francis e a convite deste, colaborou esporadicamente com uma “Carta de Londres”, em que resenhava o movimento cultural britânico.

Em 1967, de volta ao Rio, foi chamado por Francis a integrar a equipe da nova revista “Diners”, de que faziam parte jovens como Ruy Castro, Alfredo Grieco e Flavio Macedo Soares.

Com o fim da “Diners”, em 1969, Telmo foi para a “Ultima Hora” e, depois, para o “Correio da Manhã”, onde escrevia uma página de notas cáusticas e hilariantes, assinada por Daniel Más.
Por causa dessas notas, que sacudiam a cidade, foi convidado em 1971 por Murilo Felisberto a transferir-se para o “Jornal da Tarde”, em São Paulo, e escrever uma coluna com seu próprio nome.

CELEBRIDADE PAULISTANA

Pelos 15 anos seguintes (com um breve intervalo no também breve “Jornal da República”), Telmo foi uma marca do “Jornal da Tarde”. Tornou-se uma celebridade paulistana, principalmente na área dos Jardins –e sua palavra de aprovação (ou não) passou a ser indispensável para a maioria dos atores, cantores, escritores e artistas plásticos de São Paulo. Contra ou a favor, era preciso ser citado por ele.

Washington Olivetto, Fausto Silva, Rita Lee, Glorinha Kalil, Costanza Pascolatto, Beatriz Segall e Osmar Santos eram dos poucos que ele elogiava constantemente.

Muitos recebiam apelidos e definições que eram repetidos nos restaurantes e saraus. Os artistas, grã-finos ou apenas ricos o disputavam para festas e reuniões, mas Telmo foi também fisicamente agredido por pessoas que se julgavam ridicularizadas por ele no jornal.

Em fins dos anos 80, sofreu um AVC (acidente vascular-cerebral), que o abateu por algum tempo. Por coincidência ou não –os tempos e a imprensa eram outros–, sua coluna deixou de produzir o interesse que a tornara de leitura indispensável.

Telmo alternou temporadas em São Paulo com voltas ao Rio e trabalhou em diversos veículos nas duas cidades. Manteve uma coluna semanal de televisão na Folha entre 1998 e 2000.

Seu último emprego foi no site “Babado” do portal Ig, onde escreveu uma coluna que não primou pela regularidade.

DEPRESSÃO

Fixando-se de vez no Rio a partir de 2000, Telmo afastou-se dos amigos, refugiou-se nos vários apartamentos em que morou (sempre de aluguel e no bairro do Flamengo) e deixou que a depressão se instalasse.

Podia passar meses sem sair de casa, dormindo de dia e vendo TV de madrugada. Nos últimos tempos, tinha dificuldade de locomoção.

Os poucos que ainda o procuravam notaram que sua memória já não era a mesma. A saúde declinou ainda mais e Telmo morreu na madrugada desta terça-feira.

Nunca se casou e não deixou filhos.

Hoje eu trago dois vídeos muito especiais. São o registro do Encontro dos jornalistas do Jornal da Tarde – de quem fez o jornal que será ( já é ) inesquecível. Divirtam-se. Vocês devem conhecer muitos desses personagens. Eu tô aí também…

Para saber mais sobre o Jornal da Tarde, assista hoje o Jornal da Band. Um monte de feras deu entrevista.

PROGRAMA.

A Band mostra hoje matéria especial sobre o Jornal da Tarde.

O repórter Fábio Panunzio entrevistou Mário Marinho,  Luiz Carlos Secco, Marco Antônio de Rezende, Ivan Ângelo, Carmo Chagas e Sandro Vaia.

Vai ao ar no Jornal da Band que começa às 19,20 horas deste sábado, 03.

JT: o jornal que me levou ao jornalismo está morrendo. Carlinhos Brickmann escreve sobre isso no Observatório da Imprensa. Vale a pena ler. E dá vontade de chorar. Veja algumas capas históricas

Jornal da Tarde

crônica de uma morte anunciada

POR CARLOS BRICKMANN

 

Éramos todos jovens, muitos de nós brilhantes, a maioria absoluta de indiscutível competência. Errávamos muito, também; mas errávamos por excesso de ambição, por buscar objetivos muitas vezes inatingíveis, raramente por ignorância. Dali surgiram as sementes de várias equipes de altíssima qualidade: Realidade, Veja, Rede Globo, Rede Bandeirantes, Repórter Esso (na fase TV Record), Visão, Playboy.

Mino Carta era o diretor, Murilo Felisberto o coração e a alma. Ruy Mesquita, o patrão, sentava-se à mesa de pauta para discutir o jornal do dia (e foi lá na Redação que treinou seus filhos nas artes da comunicação). Ewaldo Dantas Ferreira, um dos maiores repórteres do país, trazia matérias exclusivas, da maior importância. Em cada área da redação, buscava-se o melhor – e o jornal conseguiu a façanha de ganhar o Prêmio Esso com a manchete de sua primeira edição, Pelé casa no Carnaval.

Era a cara do nosso Jornal da Tarde, a maior revolução da imprensa brasileira desde a reforma do Jornal do Brasil: um grande furo de reportagem, um texto magnífico, a notável diagramação, e um erro na foto – em vez de Rose, a noiva de Pelé, quem estava com o Crioulo na foto era a cunhada, a irmã de Rose. Não fazia mal: o jornal era tão bom que esses erros passavam batidos.

Os salários eram ótimos, pagos em dia, com antecipação de aumento (em vez de dezembro, outubro). Os jovens mais promissores ascendiam rapidamente: João Vitor Strauss, de extrema competência e capacidade impressionante de trabalho, teve seis aumentos num só ano, sempre por iniciativa da chefia. O JT ganhou o Prêmio Esso vários anos seguidos, com o casamento de Pelé, a tragédia de Caraguatatuba (com o excesso de chuvas, a Serra do Mar desabou sobre a cidade), o primeiro transplante de coração no Brasil. Houve até uma joint-venture que o Ewaldo Dantas articulou para viabilizar o transplante: o jornal não hesitou em pagar a viagem de um médico à África do Sul, onde trabalhava o Dr. Christiaan Barnard, pioneiro dos transplantes cardíacos, para buscar o know-how que nos faltava. Afinal de contas, a empresa que viabilizou a criação da Universidade de São Paulo, empresa pertencente à família que fundou a Faculdade de Medicina da USP, tinha tudo a ver com o progresso do país na área das ciências.

A resposta do público sempre foi positiva. O JT começou a circular, em 4 de janeiro de 1966, com doze mil exemplares; virou o ano com 40 mil.

Um jornal jovem, chique, moderno, antenado. Fez a primeira reportagem com Roberto Carlos, quando a imprensa ignorava a música da juventude; mostrou as tendências da moda, da alimentação, da cidade. Não era como o New York Times, “todas as notícias que devem ser publicadas”; esse era o papel do irmão mais velho, o Estadão. Éramos o oposto: “todas as notícias que temos vontade de publicar”. E que, não por acaso, já que a equipe estava sintonizadíssima com os leitores, eram as notícias que o público do jornal queria encontrar no seu JT.

Notícias e muito mais: certa vez, este colunista, editor de Internacional, encontrou uma pequena informação a respeito de um petroleiro a vela que o Japão estava projetando. O navio tinha velas controladas por computador, controle de rumo por um antepassado do GPS (não havia satélite, ele se guiava eletronicamente pelas estrelas) e, sempre que o vento era insuficiente para manter a velocidade, seus motores entravam automaticamente em funcionamento. A propósito, nunca mais consegui encontrar qualquer informação sobre o projeto – deve ter sido abandonado.

Enfim, a matéria era a cara do JT. Buscamos no arquivo a imagem de um dos mais belos veleiros de todos os tempos, o Cutty Sark, contamos a história dos veleiros, demos as poucas informações de que dispúnhamos sobre o veleiro-petroleiro. Por volta das três da manhã, Murilo Felisberto viu a matéria e se apaixonou por ela. Decidiu rediagramá-la: usou a página na horizontal, encheu-a com a imagem do Cutty Sark, e cada linha da matéria passou a ter um tamanho diferente, entrando pelas escotilhas, margeando as velas, envolvendo a gávea. Detalhe: não valia hifenizar as palavras. O Murilo só gostava de frases com palavras inteiras.

A nova redação da matéria, cada linha com seu tamanho, durou umas boas cinco horas. Devidamente entregue, fiz a reclamação: “Murilinho, ficou linda, mas ninguém vai ler”. Ele concordou e completou: “Mas todo mundo vai comentar que este jornal tem um acabamento impecável”. Tinha razão: daquela página, todos que a viram se lembram. E quem está tão interessado assim em informações sobre veleiros e transporte de chá da China para a Inglaterra?

Pois é, acabamento impecável. O que significa fotos maravilhosas. Oswaldo Maricato, um intuitivo fantástico, Milton Ferraz, também fantástico e de técnica impecável, Rolando de Freitas, Zé Pinto, Geraldo Guimarães, Solano José, Francisco Lucrécio – muitos, muitos, onde é que encontraram tanta gente boa? – que pegavam a garotada ainda inexperiente do reportariado e comandavam a reportagem. Não, não eram só fotógrafos: eram magníficos repórteres que também fotografavam. E como fotografavam! A imagem da derrota do Brasil no estádio de Sarriá, na Copa de 82, é uma foto de Reginaldo Manente: o garoto chorando que ocupou a primeira página do JT. As fotos eram ótimas, os fotógrafos eram ótimos, e ótimo era o uso das imagens por um jornal que fazia questão de ter sempre o melhor acabamento.

Nomes? Estavam por lá Miguel Jorge, que alguns anos mais tarde chegaria ao Ministério, no Governo Lula; Guilherme Miranda, o lendário Bill Duncan, que até morrer de câncer comandou com Ruy Portilho, também do JT, o Prêmio Esso; Ricardo Setti, hoje um dos melhores analistas políticos do país; Rolf Kuntz, mestre do jornalismo econômico; Telmo Martino, língua de cobra das mais temidas; o foquinha César Giobbi, que lá cresceu profissionalmente até se transformar no grande cronista da sociedade; Ivan Ângelo, Fernando Portela, Hamílton de Almeida, Vital Battaglia, Regina Echeverría, Mario Marinho, Regina Helena Teixeira, que transformava transportes e serviços públicos em matérias charmosas tipo JT; José Roberto Guzzo, Roberto Pompeu de Toledo, Maria Ignez França, Sérgio Pompeu, Renato Pompeu, Marcos Faerman, Marli Gonçalves, Humberto Werneck, Valéria Wally, Leão Lobo, Édson Paes de Mello, Antônio Toinho Portela – o sacana que, ao traduzir uma história em quadrinhos, deu ao elefante, por algum motivo desconhecido, o nome deste colunista – Fernando Mitre, Teresa Montero, o Jovem Gui, o excelente jornalista e notável figura humana José Eduardo Castor, Waldo Paoliello, Luiz Fernando Mercadante, Antônio Carlos Fon, Inajar de Souza, Tão Gomes Pinto, Luís Nassif, Moisés Rabinovici – que agora, num jornal que já foi antiquado, faz uma beleza de imprensa contemporânea, o que há hoje de mais próximo do Jornal da Tarde.

Tínhamos Luís Carlos Secco, que como ninguém dominava automóveis e automobilismo, e seu “filho adotivo” Paquinha – ou melhor, se você não quiser irritá-lo, “Luís Fernando Silva Pinto”, hoje correspondente da Globo nos EUA.

Como antigamente no futebol brasileiro, grandes jornalistas surgiam em safras, tornando difícil, quase impossível, dizer quem era o melhor do grupo.

Talvez o correto fosse dizer que os melhores eram todos.

Houve brigas internas, crises financeiras, concorrência de outros grupos jornalísticos na caça aos talentos. Laerte Fernandes e Ulysses Alves de Souza saíram, Niles Simone morreu – e eram eles que organizavam a bagunça das noticias que jorravam na redação e permitiam que fossem bem aproveitadas.

Em certo momento, houve uma opção desastrosa: o moderníssimo jornal da metrópole contemporânea, o irmão mais leve e solto do poderoso O Estado de S.Paulo, foi transformado numa versão popular, baratinha, do jornal mais antigo. O lindo logotipo foi trocado por outro, supostamente mais popular (e com muito menos significado). O Jornal da Tarde, famoso por surpreender seus leitores, passou a ser mais previsível e chato que debate de candidato.

Percival de Souza, símbolo do JT, renovador da reportagem policial, ficou encostado – e os grandes furos que ainda trouxe, como a localização do Cabo Anselmo e a entrevista com ele, ainda um dos mais misteriosos participantes dos acontecimentos de 1964, foram ignorados.

As belas imagens ficaram no passado. O acabamento, descuidado, deixou de ser preocupação. E a cidade moderna, movimentada, alegre, sintonizada com o que havia de novo no mundo, perdeu seu jornal de referência.

Um jornal morre vinte anos antes de fechar as portas. O Jornal da Tarde, anunciam os departamentos comerciais, os jornaleiros, as boas fontes (e negam os diretores da empresa), que já está morto faz tempo, deve fechar até o fim do ano. E, comenta-se, no Dia de Finados.

Um toque de mau-gosto que explica por que o bom gosto do JT perdeu a batalha.

 

FONTE: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA – COLUNA CIRCO DA NOTÍCIA

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Ainda da série Encontros e reencontros de gerações de jornalistas…Do Jornal da Tarde. Sempre. Aquele. Não esse. Aquele.

Esse filme tem o detalhe especial de ter o fado de Carlos do Carmo de fundo musical.

As fotos são de Milai, a que atravessou o oceano para nos ver. E acho que valeu a pena.

 

 

Mais um vídeo do encontro de gerações que criaram o Jornal da Tarde. Não esse que está aí. Aquele, de outrora.

Esse vídeo é uma homenagem à Milai, a portuguesa que atravessou o oceano para vir encontrar com a turma. Engraçado, para mim, é ver como as coisas mudam ano após ano.Na época tinhamos um difícil e estranho relacionamento. Era a época que jornalistas tinham que ser sisudos ( ainda hoje é um pouco assim) para serem “sérios” e aceitos. E quando mulheres ainda causavam furor se expusessem suas características mais libertárias.

Como já disse: sempre fui séria. Mas nunca fui sisuda.

Estive com essa turma entre os anos 81 e 85, e com eles aprendi muito. Antes, durante e depois.

Essa é a forma de manifestar meu carinho

Reencontro de jornalistas que fizeram o jornal mais lindo da cidade – o Jornal da Tarde. Dá uma olhada. Você vai reconhecer um monte de gente!

Tenho a honra de apresentar para vocês a minha mais nova obra cinematográfica de baixíssima previsão orçamentária,  feito praticamente a martelo, mas com um bom NOKIA N-8

DIVIRTAM-SE!

Exclusivo: Reencontro 2010 – Gerações – Jornal da Tarde, Sempre. Documentário com baixíssima previsão orçamentária. Pela minha ótica.

27 de novembro de 2010 – Almoço reencontro de várias gerações de jornalistas que fizeram um dos melhores jornais de todos os tempos – Jornal da Tarde, de O ESTADO DE S. PAULO…que sobreviveu bem até há alguns anos. Hoje, só existe.

Esse videozinho foi feito na base do amor, via celulares Nokia. Não pretende ser nenhum Oscar, embora fale de uma Tropa de Elite que mereça.
Beijos para todos, Marli Gonçalves

Aqui, as lembranças de uma longa noite. Da cobertura jornalística do Jornal Da Tarde, de uma capa histórica…De jornalismo puro. Era a Diretas-Já. Aqui, pela ótica do grande Valdir Sanches

AMIGOS, hoje vou começar a postagem especialmente emocionada.

Recebi por e-mail  aviso do meu querido jornalista amigo Sérgio Vaz que havia postado em seu site um texto sobre a Diretas-Já e o Jornal da Tarde.

Nossa, não digo que chorei quando li, para não parecer saudosista. Mas chorei, sim, por uma série  de motivos. Um texto primoroso de Valdir Sanches, na lembrança do Servaz ( por causa de quem sou Marli Gô), todos os amigos que participaram daquela cobertura, a frustração daquele dia…tudo! Amigos que se foram, outros que se perderam…. Enfim, leia, por favor!

E olha que semana que vem a gente tem um encontro de Turma do JT!

Ao final, posto o comentário que fiz, com mais detalhes.

FONTE: Blog 50 anos de textos

http://50anosdetextos.com.br/2010/a-noite-em-que-o-jt-ficou-de-luto-pelo-pais/comment-page-1/#comment-1906

A noite em que o JT ficou de luto pelo país

·         :: Repórter é repórter: Valdir Sanches foi anotando o que acontecia na redação durante a votação das Diretas-Já

Prosaicamente, informo que são vinte para as dez da noite deste 25 de janeiro de 1984. É isso o que marca o relógio, com seu mostrador redondo e grande, no fundo (antes, no começo) da redação. No Congresso, em Brasília, está sendo encaminhada, neste momento, a votação da emenda das Diretas-Já, que estabelece eleições diretas para presidente da República.

Há pouco a censura afrouxou alguma coisa e permitiu às emissoras de rádio e televisão que transmitam comedidos boletins com notícias de Brasília. O segundo deles, vindo pelo radinho portátil aqui do meu lado, ligado na Rádio Eldorado, dizia que o cacique-deputado Juruna estava falando da tribuna.

A redação não está muito agitada, apesar da importância deste momento, porque o grosso dos acontecimentos passa-se em Brasília. Mas o fechamento da edição que irá às bancas amanhã – e que a censura às rádios e tevês tornou mais atraentes – promoveu boas mudanças de pessoal.

Um mesão foi montado junto à mesa da Editoria de Política. Nele sentaram-se os editores recrutados em outras editorias: o Sandro Vaia, da Economia; Anélio Barreto, da Internacional; Sérgio Vaz, sub-editor da Geral; e o próprio editor-chefe Fernando Mitre.

O mesão, na verdade, não acomoda mais do que quatro pessoas. São as mesmas quatro mesas que, como módulos, formam grupos de mesas pela redação. O conceito de mesão deve-se ao fato de reunir vários editores. Mas, como não cabem todos, ainda há o Ari Schneider, na Geral, e, numa outra mesa, junto à Editoria de Política, o Kleber de Almeida.

 O Mitre é quem vai decidir e desenhar a primeira página. Nestes últimos dias, ele tem feito primeiras páginas notáveis. Uma delas uniu a primeira e a última páginas, numa imensa foto do muito mais de um milhão de pessoas que lotou o Vale do Anhangabaú, em manifestações pelas Diretas, depois da passeata iniciada na Praça da Sé. Essa página ganhou um prêmio. Por isso, para amanhã, espera-se uma grande primeira página.

Estou sozinho aqui no conjunto de mesas que forma um semicírculo, e onde sentam-se o pauteiro e chefe de Reportagem da Geral, Elói Gertel, e, à noite, o Ari e o Sérgio Vaz (Servaz) e algum copy-desk. Na verdade, agora há um copy novo, que não conheço, trabalhando lá na ponta da ferradura. Os outros copies da Geral ocupam o conjunto de mesas em frente a estas, como sempre. Estão fechando a única página que hoje nos coube, a nós da Geral, a página Dois. Nesta página são colocadas notícias menores, em importância e tamanho.

Estou aqui, agora, porque sou o pauteiro e chefe de reportagem interino da Geral. Deixo a reportagem e assumo sempre que o Elói folga, sai de férias – ou quando ele próprio vai apoiar outra editoria, como aconteceu com a de Esportes, na última Copa do Mundo.

Para o trabalho de hoje dividimos os turnos. O Elói ficou de manhã, terminou a pauta que ambos começáramos a definir ontem (com a ajuda do Randáu Marques, nosso especialista em ecologia), pôs os repórteres na rua e comandou.

Eu cheguei pelo meio da tarde, fui pegando a coisa e quando o Elói saiu, no começo da noite (a caminho do estádio, para ver o jogo do Corinthians), fiquei no comando. Enquanto escrevo isso, chegou da rua a Vera Magyar, emprestada pela editoria de Variedades, que estava cobrindo uma passeata de alunos da PUC, da USP e e até do Mackenzie em direção à Praça da Sé.

O fotógrafo Geraldo Guimarães telefonou dizendo que despachou três filmes pelo motorista do jornal. O Fausto Macedo, que cobre polícia, ligou atendendo ao meu chamado pelo bip. Ele cobriu a intimidação a jornaleiros, por parte de um grupo não identificado, para que recolhessem as edições do JT e do Estado. Fausto explicou o que mandaria.

Também chegou o Antonio Silvio Tozzi (Tonhão), que cobria a Praça da Sé, onde muita gente se concentra à frente de um “placar pelas Diretas”. Atrás dele veio um foca, Cláudio, que está estagiando. Tonhão foi ao mesão e pediu espaço para 80 linhas. Deram-lhe para apenas 50, porque ele é um dos nove repórteres pautados para cobrir a praça das nove da manhã de hoje até às oito da manhã de amanhã.

A Rádio Eldorado, em vista da censura, montou equipamento numa mesa da redação, entre nós da Geral, a Internacional e a Variedades. O Adhemar Altieri, editor-chefe, fala ali e eu ouço aqui, no radinho em que faço uma escuta. Agora, vinte e cinco para as onze, ele diz ter chegado a informação de que a votação da emenda começou.

O nosso esquema, aqui na cidade, é o seguinte: a votação deve terminar perto da meia-noite e ninguém pode afirmar com que resultado. O mais provável é que o PDS, apesar de seu grupo pró-Diretas, vote maciçamente contra. E, assim, a emenda não seja aprovada. O que acontecerá a partir de agora (justamente a hora em que reforçamos a cobertura, na Sé)? Se a emenda for aprovada, as milhares de pessoas que estão na praça, e, mais dispersas, em outros pontos da cidade – do centro e dos bairros – acordarão a cidade num alegre carnaval. Mas, o pior: e se não for aprovada?

As pessoas começarão por quebrar logo o imenso placar das Diretas e sairá um quebra-quebra pela cidade? Irão embora simplesmente tristes? Vão acabar a noite num bar? É por isso que a Rosa Bastos e o Sérgio Poroger (Poró) estão agora, onze e cinco, na praça. E o Randáu e a Marli Gonçalves (Marli Go), bem aqui à minha frente, preparando-se para sair.

Resolvi o seguinte: como a votação já começou (havia uma forte possibilidade de que isso só se desse madrugada adentro), a Rosa e o Poró cobrem até o fim. A reação, os aplausos e vaias do povo a cada nome de congressista, e seu voto, anunciado pelos alto-falantes.

A censura produziu também isso: políticos, falando por telefone com Brasília, transmitem a votação. Portanto, os dois cobrem até o fim. E voltam à redação, para começar a escrever. Randáu e Marli cobrem o que acontecer depois.

Nestes momentos, há um grupo muito numeroso de colegas em volta do Adhemar e da aparelhagem da Eldorado. Um advogado da rádio está tentando obter do Dentel autorização para noticiar mais flashes diretos. Mas isso parece muito difícil. E, enquanto nada se resolve, o radinho sobre a mesa, aqui ao meu lado, continua transmitindo música. Agora é um suave piano, contrapondo seus acordes ao metralhar das máquinas de escrever.

Notícia, nada. A esforçada Rita di Biaggio, nossa repórter, vai estar na Praça da Sé, com fotógrafo, às quatro da manhã. Para o caso de haver reações ao resultado da votação da emenda. Às sete estará aqui o Marcus Vinicius Gasques, às oito a Marinês Campos.

Eles já vão encontrar o Elói aqui. Hoje os dois trabalharam cedo, para bater matéria logo, ir para casa. E terem condições de enfrentar o diabo, se for necessário, amanhã logo cedo. Durante o dia, de acordo com o que for acontecendo, todos nós teremos nossa cota.

Os repórteres serão chamados em casa, se preciso, ou vão pegando suas pautas, à medida que chegarem. Foi o que fez, esta tarde, a Regina Helena Teixeira. Ela e o Pira, emprestado da Economia, correram atrás de informações sobre grandes movimentações em bairros distantes, que afinal não aconteceram. O centro de tudo, mesmo – e pelo menos por hoje –, é Brasília.

A Eldorado não conseguiu liberar seu noticiário. As informações estão chegando à mesa do Adhemar, praticamente da mesma maneira que na Sé (e na Candelária, no Rio, e outras praças onde há placares, pelo País): um repórter ao telefone em Brasília, o Adhemar deste lado da linha. Às onze e meia a contagem era: 45 sim, 19 não, 29 ausentes.

O Adhemar vai falando o nome do deputado que votou, e o Saul Galvão, nosso crítico de restaurantes e vinhos (ex-copy da Internacional e pauteiro da Política), vai anotando numa última página do JT que saiu hoje. Criada pelo Mitre, ela é também um painel: contém o nome de todos os deputados e senadores, para o leitor poder coloca sim e não à frente de cada um. Tal como o Saul está fazendo.

A Lúcia Carneiro, mulher do Anélio, que é copy na Economia, está com uma flor amarela no cabelo. Há muita gente de blusa, ou com laços, fitas, adereços da “cor das Diretas”. Um grupo menor do que aquele em redor do Adhemar está à frente de um televisor, bem no meio da redação. Mas as notícias contam apenas como estão a Sé e outras praças, as vigílias cívicas em Câmaras e Assembléias estaduais (em São Paulo, com muito pouco movimento).

E, naturalmente, mostram-se trechos do jogo do Corinthians, que afinal enfrentou o Atlético do Paraná, venceu por dois a zero e classificou-se para disputas num torneio nacional. O Elói telefonou há pouco, sublimado. Pensei por um momento, mas achei bobagem, que apesar de tudo ele achou a vitória do Corinthians mais importante do que o destino das Diretas.

Telefona a Rita. Como mora longe, está no apartamento da Marli, na região da Rua Augusta. Quer saber novidades, passo-lhe o resultado parcial, das cinco para meia-noite: 78 a favor, 24 contra, 49 ausentes. Rita diz que provavelmente não vai conseguir dormir. Está muito excitada. Pondero que ela deve tentar dormir, senão vai se cansar muito no trabalho, logo mais. Ela diz que sim, mas insiste: não vai conseguir dormir.

Lima, contínuo, encosta na mesinha onde há duas garrafas térmicas, grandes, de café: uma, amarela, sem açúcar; outra, laranja, adoçado. Lima serve-se da garrafa amarela. Mauro Marcelo, copy da Geral, é chamado a todo tempo pelo pessoal do mesão, para tocar matéria. Ele ora está esperando alguma coisa na tevê, ora junto ao equipamento do Adhemar.

Com o Adhemar há muita gente, também, porque junto dele estão o Miguel Jorge, editor-chefe do Estadão, e um grupo de repórteres do chamado co-irmão, acompanhando os números da votação. O Laerte Fernandes, editor-chefe do Jornal da Tarde para pauta, que chegou cedo, também ainda não foi embora. Circula pela redação, bate um papo ou outro.

Durval Braga do Amaral, copy da Geral e sub-editor interino, toca a página dois: pouco sai de sua cadeira. Ali vai o Ivan Ângelo, secretário de redação. Veio da mesa do Adhemar, parou no mesão, onde Mitre fuma seu cachimbo, ao lado do Ruyzito Mesquita.

Rodrigo Mesquita, que tinha emprestado o radinho, acabou levando-o. É que eu tinha dado uma longa circulada pela redação, o radinho ficara só. E não seria nada difícil que alguém o guardasse como souvenir, já que era um radinho com o nome Eldorado.

Agora o relógio da redação marca meia-noite e vinte. Chega Percival de Souza, repórter-policial, para bater matéria sobre como foi o dia de Michel Temer, secretário da Segurança. “O que é isso aí?”, espanta-se. “É o equipamento da Eldorado”, explico. “Ah”, ele faz e vai dar uma espiada. Depois encosta no café. Pega o da garrafa cor de laranja.

Marcos Faerman (Marcão) está há muito tempo sentado, creio que fazendo copy para a Política. Sentado à mesa do Ruyzito. Agora, lê um jornal. Rodrigo está com cara de sono, mãos entrelaçadas sobre a cabeça, numa cadeira encostada ao mesão.

Marcão aproxima-se de Percival, que bate à máquina. Marcão tem uma maçã na mão e diz a Perci: “Quer dividir comigo esta rubra maçã?”. Perci deve estar com fome, porque aceita “só um pedacinho”. “Espere, devo ter aí uma banana também”, informa Marcão. Afasta-se, e logo depois vejo Percival passar à minha frente comendo uma banana.

Verinha Cecília Dantas, repórter da Política, comenta comigo o trabalho que fez, à tarde, na Assembléia. O que havia de boatos! São Paulo estava sob intervenção, ou sob estado de emergência…

Ari está aqui, conversando com os copies e comigo. “Tudo fechado lá?”, pergunta o copy novo, sobre o fechamento da edição feito pelo mesão. “É, agora só falta aquilo que ainda não aconteceu”, responde Ari. Uma hora.

O cansaço, o rumo que a votação está tomando, agora parece claro que as Diretas não passam; a excitação e a trabalheira dos últimos dias, das últimas semanas, das coberturas e fechamentos de grandes acontecimentos, como os comícios, dão ao pessoal um certo ar de desânimo.

Na mesa da Eldorado, um grande bolo de gente, firme – mas com esse ar de desânimo. Um rádio está sempre ligado, transmitindo a programação da emissora e servindo de retorno para o Adhemar. Agora há pouco, um piano clássico era um fundo imperceptível, enquanto Adhemar cantava cada voto do Congresso, e Saul, agora também ajudado pelo Fernão Mesquita, anotava na última página do JT. Vou tomar um cafezinho, da garrafa amarela.

Elói telefona, são uma e quinze, para dizer que encontrou Rosa e Poró e disse para ficarem até o fim da primeira votação. E contou uma coisa surpreendente: o povo (muitos jovens, estudantes) ainda não tinha percebido que a emenda Dante de Oliveira estava derrotada. “Eles ainda estão entusiasmados, torcendo muito”, disse o Elói. Contou que foi uma grande vaia, gritaria, urro, quando citaram o nome do ex-governador e agora deputado Paulo Salim Maluf, com seu não.

 Servaz (Sérgio Vaz) vem até a mesa em que estou. Pergunto se já se tem a obra de arte do Mitre. Servaz rabisca rapidamente numa lauda como será: o logotipo do jornal, a página toda negra, e, embaixo, uma pequena legenda explicando, entre parênteses, algo assim: “Votaram contra você”.

Mas noto, na mesa do Anélio, todo o pessoal do mesão. Mitre e os editores, mais os rapazes Mesquita. Jeito de apreensivos. Vem a informação: Ruy Mesquita, o diretor, não está querendo aprovar a primeira página do Mitre. Acha que ela poderá transmitir uma imagem demasiadamente negativa. Ao telefone, Mitre, depois Rodrigo, tentam convencer Ruy.

Ari vem me informar que mandou bipar alguém lá da Sé. Se a página do Mitre não sair mesmo, vão precisar de uma foto muito boa, de uma pessoa desolada, chorando, ou amargurada – uma foto que exprima o sentimento do povo pelo mau destino da emenda das Diretas-Já. De repente, e são uma e trinta e cinco, Mitre e os outros exclamam, alegres, batem palmas. Ruy Mesquita aprovou a página.

Telefona o Randáu, da praça. “Bipou?”. Sim. Explico a foto encomendada pelo Ari, ainda ouço foguetes espocando, descubro que ali o povo ainda não percebeu o que aconteceu. Mantenho as instruções sobre a foto, apesar de já desnecessária para a primeira página. É que (me dissera Ari) ela pode ir muito bem dentro do jornal.

Randáu diz que o Luiz Gevaerd, fotógrafo, está ali no palanque. Vai avisá-lo. Tentará também achar o Geraldo Guimarães, que estava por ali com o Elói (e eu dissera ao Elói que devia ir embora, para agüentar a barra logo mais). Randáu está com terríveis presságios: vai haver quebra-quebra, o povo vai sair da praça quebrando, os metalúrgicos… Se isso acontecer (ele sabe) estamos preparados (afinal, Randáu é uma peça importante no esquema). Mas o Randáu sempre achou, nessas ocasiões, que o pau ia quebrar…

Servaz come um sanduíche. Ivan fuma seu cachimbo. Fotos e mais fotos sobre o mesão. Agora que o pessoal do Esporte, que também estava fechando tarde por causa do jogo, se foi (ou acabou de trabalhar e está circulando), só fica mesmo, em seus lugares, a equipe de fechamento das Diretas. E continua o bolo em torno da mesa do Adhemar, que, já há muito tempo está transmitindo resultados parciais chegados à Eldorado.

Quantos motoristas posso dispensar?, quer saber o Jorge, do Tráfego. Têm cinco aqui no jornal, três na Sé. Quebra o pau ou não, avalio. Bem, melhor deixar pelo menos um aqui e os da Sé. O copy novo vem me dizer, às duas e dois: “Acabou. Faltaram apenas 22 votos para que a emenda fosse aprovada”. A rodinha em torno do Adhemar se desfaz. Rostos verdadeiramente desolados – demonstrando ainda mais cansaço. Vinte e dois, repete o copy novo. Ele se chama Júlio.

Duas e cinco. A prova da página do Mitre chega, trazida pelo Guido, da secretaria gráfica. Gente em volta. Mitre mede junto a uma primeira página do jornal de hoje, para que o corte em cima e em baixo saia como ele quer. Rabiscam-se margens, alto e baixo.

Caras de decepção, uma de raiva, andam pela redação. Alguém diz “cachaça”, talvez referindo-se ao apelido de uma pessoa. Ivan Ângelo pega a palavra no ar: “É, cachaça já é uma boa palavra de ordem”. E apanha um meio garrafão de pinga, que está sobre o carpete, ao lado de uma das mesas da política. Toma uma dose, num dos copinhos de plástico do café.

Adhemar, de muletas, com um pé engessado, dá um breve passeio pela redação, veste um suéter e se vai. Sobre a mesa que ocupava não há mais nada. O equipamento foi retirado. A Eldorado já saiu do ar.

Mudei para o mesão, porque agora meu telefone já quase não toca e o centro da redação é o mesão. Isto é, fiquei por ali, explicando ao Servaz que as matérias da Rosa e do Poró eram quentes – e as anteriores, da Sé, se fosse preciso seriam reduzidas.

Vi a prova da primeira página. Achei que a legenda (negociada com Ruy Mesquita em troca da liberação da página) era muito amena: “O País inteiro está decepcionado. Mas há um caminho: a negociação”. Entrei com uma sugestão: darmos apenas a última parte da legenda, “Mas há um caminho: a negociação”. A imensa tarja preta que era a primeira página já explicava por si a primeira parte da legenda.

Mas o Mitre explicou que “na França essa seria uma excelente idéia”, mas aqui a primeira parte da legenda era necessária, para funcionar “como uma transição” para a segunda parte. Outros colegas deram mais alguns palpites, mas a página estava pronta e decidida.

Logo depois, sentado à mesa do Ivan, Mitre (que deixara o paletó em sua própria mesa, onde não estivera o tempo todo) bateu o título para a última página com o placar: “Os que votaram contra você”, letras brancas sob fundo preto. Uma linha sob o título: “Ou se abstiveram, ou não compareceram. (É a mesma coisa.)”

Na mesa do Laerte, que afinal se fora, Saul, César Camarinho, chefe da diagramação, e Guido, sob o olhar do contínuo Almir “Tostão”, prepararam o placar (quem votou sim, quem não), coisa trabalhosa e que exigiu muito empenho.

Mas Rosa e Poró chegam, são duas e meia passadas. Vêm logo contando que, na praça, o povo estava chorando abraçado, queimava bandeiras e faixas, numa decepção, frustração e revolta gerais. Quantas linhas? Contas feitas, entre Anélio e Ari: 60 linhas. Rosa e Poró estão a dois metros de mim, batendo “a quatro mãos”. Rosa é quem bate o texto criado por ambos.

A redação tem agora pouca gente. Algumas rodinhas, como a dos copies da Economia, emprestados, discutem os fatos. Marcão pagou guaraná e sanduíches para uma mesa de copies da Política, buscados na lanchonete no sétimo andar – um acima da redação.

Randáu telefonou para o Ari: parece que está tudo calmo, mas ele não acha nada difícil que haja qualquer coisa, vai dar um tempo. Então, dispensei o motorista reserva que estava dormitando à uma das mesas da Geral.

A historinha por trás do texto ( por Servaz)

Valdir Sanches me conta em mensagem que, procurando uns escritos, em casa, deu com um texto do qual se esquecera inteiramente: “É um relato que fui fazendo do que acontecia na redação do JT na noite de 25 de janeiro de 1984” – dez laudas batidas à máquina, nas costas.

Cheio de cuidados, disse que seria possível fazer cortes e ajustes. Ficou preocupado com a menção à cachaça. Talvez seja bom explicar que havia cachaça na redação porque, às sextas-feiras, depois do fechamento, fazíamos o que chamávamos de Calçadão – bebia-se, comiam-se salgadinhos, conversava-se, ria-se muito. O Jornal da Tarde não circulava aos domingos – aos sábados havia apenas um plantão.

Nada de cortes ou ajustes – é uma beleza de texto, como tudo o que Valdir faz, um maravilhoso relato.

Sérgio Vaz, novembro de 2010

 

Comentários – o primeiro é do SUPER MELCHIADES

  1. melchíades cunha jr

    Postado em 17/11/2010 às 12:18 pm | PermalinkValdir, nem Gay Talese faria melhor. Parabéns, meu caro amigo

 

COMENTÁRIO QUE POSTEI NO BLOG DO SERVAZ HÁ POUCO

Marli Gonçalves

Postado em 17/11/2010 às 1:30 pm | Permalink

Nossa! Que delícia! Servaz, vou levar pro meu blog também. Só tem um detalhezinho, pelo menos no que me concerne, que nosso Waldir talvez não tenha anotado à época. Eu estava na Praça da Sé. Como estávamos proibidos de levar a votação ao ar, pela Eldorado, pra quem eu também fazia a cobertura, lembro-me bem de ter me instalado em um orelhão da praça. Não lembro as abóboras que transmiti, falando sobre outro assunto, mas dando chance para que nossos ouvintes pudessem acompanhar a votação que era transmitida voto a voto. Assim pudemos acompanhar os instantes finais, até que nos descobrissem e tirassem do ar, acho que minutos antes da ducha de água fria que tomamos, ao ver rejeitada a emenda das Diretas-Já! Que orgulho tenho de ter trabalhado nessa equipe! Viva! Claro que vamos nos ver agora dia 27, em nosso almoço anual, não? Chama todo mundo que puder encontrar! Cadê a Rita? E a Rosa? Waldir vai, nÉ? Você também vai, né? VAMOS MATAR AS SAUDADES DESSE TEMPO DO BOM JORNALISMO, e que era feito com tanto carinho por todos nós. Beijão da Marli Gonçalves