ARTIGO – Limites terrivelmente irresponsáveis. Por Marli Gonçalves

 

Nossa paciência tem limites. O que podemos ou não fazer têm limites. Até a loucura tem limites. Nesse momento quem está dirigindo o país está brincando de testar os limites. E isso tem um limite. Não é política. É provocação.

Todo dia, toda hora, aqui, ali, em áreas técnicas, sociais, comportamentais: o presidente Jair Bolsonaro está abusando não só dos seus próprios limites, e ele têm muitos, limitado que é, como de nossa inteligência, paciência, honra e capacidade de suportar os ataques que desfere. Como se brincasse, parece. Como se não tivesse o que fazer e ficasse inventando. Como se estivesse se divertindo com nossa agonia. Não é agonia de ideologia, de direita, esquerda, de quem é a favor ou contra, esse insuportável debate no qual o país está mergulhado. Já são mais de seis meses que estouram em nós os limites do seu amadorismo, desconhecimento, pessoalidade.

Essas últimas dessa semana transbordaram. Primeiro, em encontro com pastores, a promessa verdadeiramente ameaçadora de indicação em breve de um ministro do Supremo Tribunal Federal, STF, “terrivelmente evangélico”. Como assim? Além de termos de buscar o máximo de laicidade nas instituições, o que isso significaria, especialmente na cabeça dele? Um ministro da Corte Máxima, seja o que for pessoalmente, homem, mulher, gay, católico, ateu, umbandista, evangélico, alto, baixo, magro, gordo, vegano, preto, branco, pardo, caboclo – o que for – deve seguir uma única luz: a Constituição Federal. O que é que Bolsonaro acha que alguém como ministro “terrivelmente evangélico” modificará? Descerá sobre nossas cabeças novas leis? Todas as imagens sacras serão execradas? Teremos de usar saias abaixo dos joelhos, como as mulheres-postes? Cortar cabelo nunca mais? Proibir unhas e batons vermelhos? O dízimo já pagamos.

Desculpem, mas respeito muito os evangélicos, e sei que entre eles há gente do bem, inclusive trabalhei com muitos que conseguiram que eu própria revisse meus preconceitos. Sei que até eles, em particular, não concordariam com muitos dos ideais e pensamentos bolsonarescos, porque sabem que estaria sendo celeremente criada mais uma terrível forma de discriminação contra eles próprios – aliás, já a caminho.

Para completar, o presidente resolveu dar um inesquecível presente de aniversário ao filho 03, Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL/SP. Sua indicação à embaixada brasileira nos Estados Unidos, em Washington, o mais importante cargo da diplomacia nacional, de estratégica importância política e econômica. As qualidades do moço? “ele fala inglês e espanhol”, “não é aventureiro” … entre outras que é melhor nem citar para não nos aborrecer ainda mais, a todos nós.

Mas o próprio Eduardo Bolsonaro foi ainda mais longe na sua própria apresentação, acrescentou que fez intercâmbio lá, e que fritou hambúrgueres. Disse acreditar que será melhor visto por ser filho do presidente, que não é nepotismo e acena com a aprovação logo de quem? Do doido chanceler sabujo de Olavo de Carvalho, Ernesto Araújo.

O prestigiado Instituto Rio Branco e o Palácio Itamaraty já devem ter começado a ter as paredes trincando, rachando, implodidas. Que o Senado nos livre de mais essa barbárie, recusando a indicação, furando bem furado mais esse balão de ensaio.

Não tem graça. Em seis meses está havendo um desmonte de toda uma organização, de todo um país, de conquistas fundamentais, qualquer coisa que se pergunte resulta em mostrar a total divisão do país, numa dialética maligna.

Mais: é cruel termos de dar atenção a assuntos de tanta ignorância em um momento do país em crise, com discussões envolvendo nossas vidas e nossos futuros, como a Previdência. Aliás, já fez os cálculos? Acha mesmo que será essa reforma que salvará a pátria? Só se a gente viver e sobreviver – e muito – para ver.

Isto não é política. É acinte. Passa terrivelmente de qualquer limite.

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Marli GonçalvesJornalista, Consultora de comunicação, Editora do Chumbo Gordo. Repara que a campanha presidencial já começou. E repara também que não é exatamente para a próxima eleição marcada para 2022. É para antes, bem antes.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

Brasil, quanto falta?

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#ADEHOJE – UM BOLSONARO DIPLOMATA?

#ADEHOJE – UM BOLSONARO DIPLOMATA?

SÓ UM MINUTO – Que vergonha! Não vai parar, né? O presidente Jair Bolsonaro na vai parar de nos atormentar com tosquices, creio. Agora essa. Dar de presente de aniversário ao filho Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL de São Paulo a embaixada mais importante, dos EUA, em Washington. Ah, mas ele fala inglês! Ah, mas ele fala espanhol! E essa? Amigo da família do Trump! Esse menino é um bronco, representante do que há de pior em ideias e atos. Evangélico, 35 anos, 1m85 de altura, olhar seco e armado até os dentes. Deus nos livre dos Filhos do Capitão.

Nepotismo, por incrível que pareça não é o mais sério nessa história. É o arrojo com que essas ideias são lançadas dentro de um país em crise e em um momento tão delicado. Já gastaram mais de um bilhão e meio em liberação de emendas para aprovar a tal reforma da Previdência. Tirando dinheiro de programas fundamentais, como saúde e educação.

Não é possível que tal metade da laranja que acha que tudo que Bolsonaro faz é lindo continue nessa toada.

Qual será a reação nacional? As pessoas estão dormentes?

#ADEHOJE – A SITUAÇÃO ESTÁ FICANDO MUITO SÉRIA

#ADEHOJE – A SITUAÇÃO ESTÁ FICANDO MUITO SÉRIA

 

SÓ UM MINUTO – A sucessão de ocorrências é avassaladora. Nem eu que pensei esse programinha porque sabia que todo dia teríamos acontecimentos, poderia prever que a coisa ficaria tão séria. E, sinceramente, muito pouco divertida para quem já viveu para ver que isso não vai dar certo. Como um presidente chama os estudantes – e professores , e todos que estiveram e estarão nas ruas hoje – de idiotas, massa de manobra, que não sabem multiplicar, e tudo o mais que ele falou? As pessoas estão nas ruas protestando contra cortes severos na Educação. Ele está pedindo para que 2013 se repita, e eu não duvido que o primeiro passo já está sendo dado hoje.

E alguém pode nos dizer o que foi aquilo, aquela fala de Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do Capitão, em evento do corpo diplomático, clamando por bombas? Por nuclear? O que foram aquelas falas? “ O Maduro teria medo de nós…”, “Ei, você aí do Paquistão…”

O que fazemos com esses senhores dessa família B?

 

#ADEHOJE – NOSSO MURO DAS LAMENTAÇÕES EM 1º DE ABRIL

#ADEHOJE – NOSSO MURO DAS LAMENTAÇÕES EM 1º DE ABRIL

SÓ UM MINUTO – Jair Bolsonaro esteve hoje rezando, pedindo, posando, sabe-se lá, no Muro das Lamentações, em Israel. Ao seu lado, Benjamin Netanyahu, o Primeiro Ministro, que está em plena campanha eleitoral e cheio de denúncias de corrupção. Mais uma viagem internacional e mais problemas internacionais também para o país. A bola da vez é a Palestina, que protesto contra a decisão do Brasil instalar um escritório em Jerusalém. Chamou o diplomata, o que já mostra desagrado. E estão em contato com outros países do Oriente Médio. Um tropeço depois do outro.
Ontem ocorreram manifestações contra o Golpe de 64 em várias cidades do país. Fui à do Ibirapuera, onde se calculou a presença de 8 mil pessoas. O Golpe que a turma de Bolsonaro nega levou familiares, gente idosa, triste, que carregava as fotos de seus filhos, mortos e desaparecidos.
Viva Primeiro de Abril, e tudo o que estamos passando, infelizmente, é verdade.

#ADEHOJE, #ADODIA – OS VÁRIOS GOVERNOS BOLSONARO

#ADEHOJE, #ADODIA – OS VÁRIOS GOVERNOS BOLSONARO

 

 

REPARA SÓ. JÁ DÁ PRA VER QUE O Governo Jair Bolsonaro não é um só. São pelos menos três, sem contar as rebarbas. Dá para torcer para que pelo menos algumas dessas partes se encaixem e melhorem o país. Que sejam as melhores. Daqui a gente já vê a área econômica do tal super ministro Paulo Guedes, que já fez até a Bolsa subir, porque o mercado gostou do que disse. Tem a área de segurança pública e Justiça do Sergio Moro, que chegou também cheia de promessas sobre problemas que nos angustiam, como crime organizado e corrupção, especialmente. E tem uma arrepiante área que engloba o social, o comportamento e que pode nos trazer as piores notícias. Osmar Terra, Damares Alves, o da Educação, Saúde, e o mais novo esquisito do pedaço, o chanceler Ernesto Araújo, aquele que falou grego e tupi-guarani na posse, e que, traduzindo, também, não adiantaria porque não tinha muito sentido. Tem mais fatias que vamos descobrindo com o passar dos dias.

ARTIGO – A Era do Bate-boca. Por Marli Gonçalves

  Creio que, a partir de janeiro, com a posse do novo Governo, a Era do Bate-boca se torne realidade histórica. Já vem num formidável crescendo, pega pra capar, durante o processo eleitoral. Tudo acaba em bate-boca, por mais que se evite. Na vida, na política, no futebol, nos amores. Mas no maior dessa semana deu orgulho a altivez (e até certa paciência) com a qual a juíza Gabriela Hardt enfrentou o ex-presidente Lula

Com quem você pensa que está falando? Lembra do tempo em que tínhamos de abaixar a cabeça diante de poderosos? Acabou. E não volta mais, não há de voltar. Pois eu lembro bem e faço de tudo para esquecer, hoje batendo é palmas para esse novo momento de não levar desaforo e desrespeito para casa, especialmente as mulheres, que de igual para igual vêm participando em todos os debates. O Lula revoltado que apareceu essa semana dando depoimento no caso do Sítio de Atibaia pareceu claramente achar que a juíza Gabriela Hardt, que substituiu Sergio Moro, baixaria a cabeça diante de sua ex-autoridade. Acho até que ela foi paciente demais.

É o evidente velho hábito – desculpem aí, hein, esquerda, direita, centro! – de achar que mulher é menos, mais facilmente amedrontável. Vimos um Lula destemperado (ok, isso não é tão anormal assim) ao lado de seu pálido advogado silente, enfrentando a Justiça como se ela não fosse para todos, e ali personificada por “aquela mocinha”, como tenho certeza de que ele pensou antes de estar ali cara a cara com ela. Sobrou até para o promotor, várias vezes chamado de você, e para quem ousou até insinuar o que é que ele e ela deviam estar perguntando. E aproveitando para desmerecer com evidente ódio e insinuações o ex-juiz Sergio Moro, que o colocou ali naquele banco. A juíza brincou de Stop; de Wanderléa ao contrário: senhor ex-presidente, pare, agora!

O doloroso processo político que o país vem enfrentando, o momento eleitoral que parece interminável, a sensação de poder das redes sociais e a intransigência colocaram o bate-boca na ordem do dia. Mas há o bom bate-boca, o que poderá nos defender dos desatinos e ignorâncias. Vamos e devemos bater muita boca ainda, principalmente se decisões do novo governo (dos novos governos, se contarmos outros seres reacionários que dirigirão os Estados e alguns de seus parlamentares lambisgoias) nos afrontarem – e algumas já estão vindo recheadas de desaforos.

Debates: saempre bons, para a democraciaA discussão burra que eles chamam de “Escola sem partido”, que sabe-se lá Deus de onde apareceu essa besteira que só atrapalha o foco e a verdadeira busca por uma Educação eficiente; as tentativas de encabrestar os indivíduos e seus corpos numa moral religiosa excludente; as tentativas de criminalizar atos civis e individuais de uma liberdade pela qual tanto lutamos; e, entre outros tantos atos que já podemos prever, o de buscar jogar a sociedade contra a imprensa, a guardiã, trocando-a por falas únicas em caracteres de Twitter, copiando outros topetes do poder mundial.

Motivo para bate-boca não vai faltar. Inclusive de outros países com o nosso, se o diplomata escolhido para Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, resolver levar seus patéticos pensamentos de cabeceira para a política externa. Serão bate-bocas memoráveis.

Por conta disso vamos bater cabelo e bater barba contra os bate-orelhas; bater chinela e os pés pelos nossos direitos. Zunir e chamar atenção até resolver, como as pequenas abelhas bate-chapéu. Que bater panelas virou démodé e bater coxas é coisa íntima.

Não nos intimidarão como fazem os bate-bolas que saem nas ruas à época de Carnaval, personificando o bicho-papão. Quem fará barulho, porque não somos palhaços, seremos nós. Afinal, já estamos acostumados.

Embora claramente prefiramos um bom e velho bate-papo para resolver as diferenças.

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  – Marli Gonçalves, jornalista – Tudo para não entrar se não for preciso…, mas mamãe sempre ensinou a não trazer desaforos para casa e que ninguém é melhor do que ninguém. Também sempre respeitei a hierarquia, desde que ela não tente a submissão pela força.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

Brasil, à espera da posse de 2019

 


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