ARTIGO – Uma loteria macabra. Por Marli Gonçalves

Estranho quem ainda não acredita no poder letal do Covid-19 como se fosse – como se alguém pudesse ser – totalmente imune a ele neste momento entre os mais terríveis da história recente da humanidade. Aposto que apostam em ficarem ricos nas loterias onde realmente a chance de ganhar é uma entre muitos milhares, milhões. Nela acreditam; até pagam por isso. A maior desgraça mundial hoje, além do vírus, é a ignorância, e que aqui no Brasil há anos contamina nossos dias

The National Lottery Draws - BBC

Tenho tido terríveis crises de ansiedade, que culminam com palpitações, dores de cabeça, pensamentos desencontrados e preocupados, medos e angústias, além de uma revolta especial com ignorantes, que antes até conseguia suportar com alguma paciência, mas que hoje atingem também a minha saúde.  Começo com essa afirmação porque creio firmemente que o momento é de sermos sinceros uns com os outros, trocarmos ideias, sensações.  Que a gente ponha para fora o que sentimos, em prol até de ao menos mantermos um mínimo de sanidade mental.  Estamos – e agora a expressão parece fazer sentido – dentro de caixas, nossas casas, isolados. E mesmo que não totalmente sós me parece que nunca vivemos de tal forma bruta essas sensações todas e elas são totalmente individuais. Difíceis de serem descritas, mas que atingem e por mais que queiramos nos fazer de fortes.

Como você está? – pergunto. Embora não possa ajudar muito e a cada dia esteja mais claro que não temos a menor noção do que realmente ocorrerá nem na hora seguinte, nem no dia seguinte, nem quanto tempo levará. Os inimigos se multiplicam, além do contágio: os boletos chegando, empregos partindo, notícias de um mundo todo em looping contando diariamente mortos às centenas, e especialmente aqui no Brasil a ameaça constante de um governante absolutamente alucinado atrapalhando o serviço de quem está na linha de frente: seus próprios ministros, autoridades em saúde, profissionais, cientistas, imprensa.

Aqui não se trata mais – incrível – de aversão, que é total, de política, direita, esquerda, vitória, derrota, mas chamar a atenção para o caminho que as coisas rapidamente tomarão se mantida essa perigosa toada.  Um presidente que dissemina notícias falsas, que atiça confrontos, que alimenta um gabinete de ódio formado por seus filhos e aconselhadores do mal, próximos. Um homem incapaz de movimentos de união, mas capaz de provocar e comandar atos e pronunciamentos que, se mantidos,  certamente ou levarão a uma insurgência jamais vista ou a uma desumana catástrofe social. Capaz, como o fez agora, de conclamar o país para um jejum (!) religioso quando dele se esperam determinações, sim, mas para acabar com a fome que já faz roncar barrigas entre os humildes, miseráveis, as primeiras vítimas da desorganização nacional empurrada anos a fio.

Não é normal, gente. Algo precisa ser feito, não sei se é possível interdição, camisa-de-força, forçar renúncia ou impeachment. Ou pedir, em uníssono, com panelas, gritos ou o que quer que seja, que se cale. Que deixe em paz quem está no campo da guerra.

Dele não se ouviu até agora uma só palavra de alento, apenas ironias desrespeitando as centenas de famílias já em luto, algumas com várias perdas ligadas entre si.

Dele não se ouviu até agora uma palavra contra os aproveitadores que cinicamente aumentam barbaramente os preços, somem com insumos. Nenhuma de suas ordens veio para acabar com os abusos, ou para proteger quem precisa. Vive apenas de suas próprias alucinações, rompantes, daquela meia dúzia que diariamente vai saudá-lo no cercadinho improvisado do Palácio, criando fatos que alimentam robôs, que por sua vez alimentam a ira dos ignorantes.

Dele não se ouviu até agora nada que preste.

O inimigo é um vírus que se respira, invisível. Ainda indomável e desconhecido, mutante. Nos Estados Unidos já há mais mortes do que no 11 de setembro. Aqui já há mais mortes do que em quedas de Boeings, barragens rompidas, desabamentos, enchentes. É mais do que uma guerra, necessitando armas diferentes, e guerras não escolhem idades. Todos atingidos – inclusive o bem maior, a liberdade.

A situação ainda está em andamento, advertem os especialistas de todo o mundo que buscam correr para conter, evitar o pior quadro que se aproxima, mais crítico ainda em vários locais onde líderes ousaram desafiar a realidade e que agora apenas correm para não serem julgados pela História como genocidas.

Precisamos continuar no jogo.  E para isso marcarmos e seguirmos os passos corretamente, para que não saia ainda mais cara essa loteria em que estamos metidos. Vamos ganhar esse jogo. Todos nós. Dividiremos o prêmio da vida.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

 

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#ADEHOJE – GIRASSÓIS PELA VIDA. E OS AMANTES DA MORTE

#ADEHOJE – GIRASSÓIS PELA VIDA. E OS AMANTES DA MORTE

 

SÓ UM MINUTO188 é o número do CVV – Centro de Valorização da Vida, de apoio e combate ao suicídio, que vem apresentando números aterrorizantes, especialmente entre jovens e adolescentes. Estamos no setembro amarelo, mês de conscientização sobre esse problema. Precisamos falar muito sobre isso. Girassóis são o símbolo escolhido para a campanha.

Enquanto isso, os filhos de Bolsonaro (e o próprio) continuam dando graves sinais de incivilidade e autoritarismo. Eduardo, o que quer ser embaixador, Deus nos livre, foi visitar o pai, com uma arma na cintura que fez questão de mostrar na foto que publicaram. O outro, o Carlos, aquele que adora pegar carona no banco de trás do Rolls Royce nas solenidades, andou escrevendo, vejam só, “Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos…”

O que significaria uma grave ameaça de ruptura institucional.

Esse povo delira e é perigoso.

A propósito, os números sobre violência e violência contra a mulher são aterradores.

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#ADEHOJE – AGRESSÕES A TODOS NÓS, A TODAS NÓS

#ADEHOJE – AGRESSÕES A TODOS NÓS, A TODAS NÓS

SÓ UM MINUTO – Brasil registra uma agressão a mulher a cada 4 minutos, mostra levantamento. No ano passado, foram registrados mais de 145 mil casos de violência —física, sexual, psicológica e de outros tipos— contra mulheres e nas quais as vítimas conseguiram sobreviver. Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em 2017 houve 4.396 assassinatos de mulheres no país.

Mas enquanto isso eles estão preocupados em censurar histórias em quadrinhos, em falas absurdas e agressivas, arrumar encrenca com nossos maiores parceiros comerciais internacionais.

Feitiço contra o feiticeiro. Nunca houve uma Bienal tão boa, tão falada quanto esta do Rio de Janeiro. Principalmente depois do ato imbecil de Crivella de querer proibir uma história em quadrinhos da Marvel, de 2010! No final foram vendidos 4 milhões de livros- um crescimento de 60% ante a edição anterior, em 2017. Só o youtuber Felipe Neto comprou e distribuiu gratuitamente 14 mil livros sobre o tema LGBT. Ao menos 70 autores assinaram um manifesto contra a censura.

SETEMBRO COMEÇOU COM QUASE 5 MIL FOCOS DE QUEIMADAS NA AMAZÔNIA.

 

#ADEHOJE – O NOME DISSO É CENSURA, SIM!

#ADEHOJE – O NOME DISSO É CENSURA, SIM!

 

SÓ UM MINUTO – É censura o nome disso. É homofobia o nome disso. É preconceito o nome disso. É invasão de religião o nome disso. É abuso o nome disso. É perigo demais o nome disso. Qual é o problema desses caras? E a burrice? Porque agora que a imagem se espalhou, a revista esgotou em minutos…

Que história é essa de um prefeito mequetrefe mandar fiscais na Bienal do Livro do Rio de Janeiro para apreender uma MERA publicação de história em quadrinhos? A HQ “Vingadores – A Cruzada das Crianças”, da Marvel. Uma imagem de beijo entre homens? Onde estamos? Ora, saia na rua, vá ver a vida, a realidade, a atualidade.

Aproveitem e vão plantar batatas que farão melhor do que se meter na cultura nacional e internacional.

Aliás, que história é essa de agora, prefeitos, governadores e um presidente desse naipe quererem dizer o que leremos, o que assistiremos? O que as crianças vão aprender sobre sexo aprenderão na vida.

Cada dia está ficando mais terrível a situação. Por favor, conversem com quem puderem, alertem, expliquem. Isso não pode continuar.

Nós nos vingaremos, e todos de preto, amanhã, nas ruas.

 

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#ADEHOJE – ELE AVANÇA SOBRE NOSSAS CABEÇAS

#ADEHOJE – ELE AVANÇA SOBRE NOSSAS CABEÇAS

SÓ UM MINUTO – Bolsonaro está se especializando em parecer aquele Chucky, o brinquedinho. Todo dia quer apavorar um pouco, e com um linguajar quase intraduzível. Assim se distancia de Moro – quer porque quer trocar o superintendente da PF. Demitiu quem reclamou de ter sido chamado não republicanamente; ao contrário. Agora também quer proibir, eu disse proibir, a discussão de identidade de gênero. O Doria essa semana já mandou recolher uma cartilha que falava sobre o assunto para estudantes adolescentes. Eles acham que assim resolvem os preconceitos deles. Bolsonaro agora invocou com a Michele Bachelet, ex-presidente do Chile, agora no Alto comissariado da ONU. Ela criticou a violência no Brasil.

Enquanto isso, no escurinho, a Câmara retoma vários pontos de campanha, aumentam fundos partidários, Rosinha e Garotinho vão para casa com a malinha que já devem deixar pronta para ir para lá e para cá. A indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada de Washington é rejeitada por 70% , segundo pesquisa DataFolha.

Vista preto no sábado.

#ADEHOJE – -O XADREZ DE BOLSONARO. PEÇAS BRANCAS?

#ADEHOJE – -O XADREZ DE BOLSONARO. PEÇAS BRANCAS?

 

SÓ UM MINUTO – E o bispo? O presidente Bolsonaro deu agora para tentar sofisticar e dar exemplos como se fosse jogo de xadrez. Claro que ele diz que é o rei; a dama, o/a Procurador Geral da República, que, aliás, ele está para escolher e já diz que será homem. Surpresa! O governo mais masculino dos últimos tempos. Na analogia maluca, Sergio Moro seria a Torre e Paulo Guedes o cavalo.

Melhor seria se ele usasse o jogo da velha, e a gente iria fazendo riscos nos xis e nos zeros. Em jogo também a Lei de Abuso de Autoridade aprovada no Congresso. Anunciados que serão 20 os vetos, e a lei vai ficar toda cortada, Frankenstein.

Gente, e o clima? Continua nos dando sustos com todas as suas estranhezas e as queimadas continuam a mil.

#ADEHOJE – PRESIDENTE AJOELHADO. APROVAÇÃO DESPENCA MAIS

#ADEHOJE – PRESIDENTE AJOELHADO. APROVAÇÃO DESPENCA MAIS

 

SÓ UM MINUTO – Está caindo a ficha dos eleitores brasileiros. Caindo, não; despencando, fazendo blém blém… A reprovação do presidente subiu de 33% para 38% em relação ao levantamento anterior do instituto, feito no início de julho. A aprovação também caiu: 33% , em julho; 29%, agora.

Mas é por coisas vergonhosas como as falas de Bolsonaro e essa cena de ontem, de fazer corar qualquer pessoa com um mínimo de bom senso. Ver a cena patética do presidente ajoelhado diante de Edir Macedo, da Universal, no babilônico Templo de Salomão, recebendo uma “unção”, e sendo comparado a Deus, dá arrepios e muito mal estar. Isso – esse sentimento de repulsa – vem crescendo de forma anormal entre a população. Pergunta aí. Conversa um pouco. Não é questão de esquerda /direita – mas de ter um mínimo de bom senso.