ARTIGO – E se…?Por Marli Gonçalves

question-mark23Todo mundo se pergunta um monte de coisas, disso tenho certeza, mesmo que sejam inconfessas algumas dessas dúvidas, medos, anseios e angústias. Algumas dúvidas existenciais; outras, cotidianas. Outras, aterrorizantes; muitas, apenas pueris. Outras, engraçadas ou apenas curiosas, de curiosidade. Elas até podem ser divididas por temas. Ou não. Elas vão chegando, vão saindo, uma puxa a outra. Pior é que nenhuma tem uma resposta precisa. Tudo começou quando…question-mark-boy

Eu me perguntei: – E se a água acabar?

E se o ebola ficar descontrolado? E se aparecer outra epidemia, pior, mutante? E se a febre chikunguya não for controlada e se mostrar ainda pior do que a dengue já é? E se o plano não cobrir?

Aí o alarme disparou, de vez. Vocês podem chamar do que quiserem, nóia, envelhescência, insegurança, bad trip. Só que a cascatinha de perguntas é bem razoável. Pior, real. “Mais pior” ainda: possível. E você, nunca se perguntou nada?

QuestionMarkE se você amasse sem esperar nada? E se cada vez que alguém começa com a frase “falando a verdade” estivesse pronto a mentir? E se as pessoas acharem que não vale a pena? E se a língua portuguesa continuar a ser assassinada?

E se a gente perder? E se as pesquisas estiverem totalmente erradas? E se a pesquisa não for verdade? E se a gente descobrir que não há verdade absoluta, nem mal que nunca se acabe?

question-mark-fishing-16439E se as drogas forem legalizadas? E se esses radicais se multiplicarem? E se o PCC conseguir abrir filiais e tomar conta de tudo? E se eles derem um Salve Geral? E se a geração nem-nem ganhar poder?

E se nos dividirmos ainda mais? E se as redes sociais enjoarem? E se os jornais forem superados? E se as emissoras forem todas alugadas para as igrejas? E se a gente for obrigado a rezar?

E se acabar a nossa paciência? E se houver revolta? E se o dólar subir mais ainda? E se eles resolverem se vingar? E se proibirem tudo? E se os Felicianos e Levis da vida derem cria sem usar o aparelho excretor? E se eles continuarem mentindo? E se os de sempre não pararem de nos roubar? E se a Justiça continuar cega e meio surda? E se a censura piorar? E se resolverem proibir? E se ficar mais caro?

E se a gente for obrigado a andar de bicicleta? E se a gente precisar usar máscaras? E se o ar secar igual à água? E se a chuva for tóxica? E se o mar resolver crescer e inundar?

question-mark94E se acabarem todas as abelhas? E se as borboletas resolverem sumir também? E se derrubarem as florestas? E se lotearem o Pantanal?

E se continuarem chamando negros de macacos pelo mundo afora? E se continuarem fazendo das mulheres cidadãs de segunda classe? E se nossas crianças continuarem sofrendo o diabo na mão de malditos? E se for pior do que se imaginou?

E se a situação da China esquentar? E se as religiões produzirem legiões de fanáticos loucos por guerras e destruição? E se eles estiverem blefando? E se a internet acabar isolando as pessoas? Se todos os povos quiserem ocupar alguma praça? E se as polícias reagirem com bombas? E se o efeito moral for devastador?

E se virar moda delatar? E se deletar for mais fácil do que debater? E se a boca de sino voltar? E se a pochete mostrar que é prática? E se voltar a moda hippie? E se for liberado o topless? E se proibirem chinelos de dedo?

E se acabar a gasolina? E se continuarem a beber tanto álcool? E se proibirem os calmantes? E se tiver de ser assim?

E se empatar? E se perder? E se for pior do que se imaginou? E se tiverem ensinado errado? E se a gente se arrepender?0_Question-Mark-842

E se tiver trânsito? E se a gente atrasar? E se a greve for geral? E se não der para ir? E se o pneu furar? E se o ônibus não passar? E se outro avião cair? E se o relógio parar? E se estiver estragado? E se não entregarem o que prometeram?

E se você se perder dele? E se ele se perder de você? E se não tiver tempo?

E se quiserem acabar com a minha espontaneidade?

Bem, aí eu vou espernear. Já que, para muitas destas outras perguntas, só resta mesmo coçar a cabeça e dizer um bom e sonoro palavrão, conformado: – “Ih! F…”

São Paulo. E se fosse Rio de Janeiro? Brasília? 2014question-mark105-26241Marli Gonçalves é jornalista – Profissão boa para quem está sempre perguntando, querendo saber. E se fosse psicóloga, o que, acreditem, quase rolou?

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Músicas para este mês. Marina, Marina e Marina. Só para aborrecer quem não tem musiquinha. E fazer eles dançarem!

ARTIGO – No tapetão, não! Por Marli Gonçalves

3eme_age001Tapetão? Isso já é um carpetão. Cheio de pregas e tachas. Me pergunto só, todo dia, como é que gente de bem pode ainda estar e ficar calada, apática, impassível diante do que vem ocorrendo descaradamente nesta campanha, mais especificamente no último mês? Como é que podemos aturar que, para manter o fervor do apego ao poder e aos cargos, eles agora cheguem ao pé do ouvido das pessoas mais necessitadas, de quem tanto falam, bradam que protegem, que são pai e mãe, que são isso e aquilo, e vão lá para mentir para eles, incutir o medo e o terror?797798111_1925948

Falta de capacidade política para vencer com honra? Preferência de perder com desonra? Apelação. Essa eleição está mesmo cheia de ãos. Tapetão, sopetão, mensalão, petrolão, delação, corrupção, dinheirão. Se parar para pensar virão muitos outros ãos. Extorsão, por exemplo, caminhando juntinho com a trairagem.

Sem mentira, pensei que talvez houvesse ainda sobrado alguma compostura quando se tornou visível uma variação de pensamentos dentro do PT. Ou que o passado político de muitos deles, com muitos dos quais estivemos juntos em muitos fronts, lhe desse alguma vergonha na cara, ou ao menos discernimento.

Não. Inventaram um país. Tão maravilhoso, tão legal, tão com tudo certo que nem o mais criativo dos compositores poderia descrever esse paraíso tropical que nos é apresentado diariamente na campanha eleitoral; nem Jorge Ben nos melhores tempos. Será que estão bebendo muito alguma coisa diferente, tipo o que deram para a Alice no País das Maravilhas? Porque eles crescem para apavorar, e ficam pequenininhos para entrar sorrateiros em tudo quanto é cantinho, igual a ervinhas daninhas. Vivem mesmo num mundo de fantasia.

Mas nós não. Sabemos ler, procurar distintas fontes de informação, temos capacidade de reflexão. Estamos vendo o país parado, os negócios estancados, a inflação treinando o galope pocotópocotó. Parecemos mais samurais cortando tudo. Corta isso, corta aquilo, deixa disso, não paga lá, se estoura nos juros.

Enquanto isso, os caras faltam fazer amor gostosinho com os bancos durante anos, nunca banqueiros lucraram tanto, nunca entidades estatais distribuíram tantas benesses, se envolveram com tanta corrupção, e nunca, ainda, tantas benesses foram queimadas, inclusive com petróleo, por exemplo, no caso Eike Batista e seus xs. Já estou logo dando nomes aos bois porque há um exército dissimulado, vindo das profundezas desse paraíso artificial criado – para eles deve estar tudo bem – pronto para acusar quem não os ache lindos, xingando de nomes de várias aves, como tucanos e abutres. Eu sou só um passarinho fora da gaiola, chamado Saudade. Saudade de quando pensamos em um mundo melhor.sweep%20under%20rug

Mas também tem Alice no País dos Espelhos. Aí acredito seja onde reside a inspiração dos homens de marketing que capitaneiam o mal, distribuindo-o com a maior cara de pau e muito dinheiro. Buscam no espelho tudo de péssimo de seus próprios rostos para apontar o dedo em outras direções. Olham para a Marina e a acusam de ser ligada aos bancos quando, se você pensar bem, ela está é conseguindo salvar uma herdeira, a Neca Setubal, desse destino tão cruel de família. Nunca vi petistas serem tão agressivos, por exemplo, com os Moreira Salles e sua dinastia, o cineasta Walter, ou o cineasta João, esse último até autor de um filme sobre a campanha do Lula. Quando é com eles, tudo pode, tudo é certo. Tudo é democrático. Afinal, a cantilena é que tiraram não sei quantos milhões da miséria.

Adivinhe só. Estão destruindo um país da América Latina. Adivinhe qual. Ah, esse aí que você também pensou é uma resposta certa, sim. Porque para piorar ainda há a união do ruim com o pior e com o que há de mais atrasado, principalmente em relação ao comportamento, à modernidade, o que inclui, sinto muito, países até mais distantes, como a fechada China e a rancorosa Rússia.medalstereo

É agora a hora da união. Porque o tapetão vai fazer escorregar, tropeçar, e muita louça pode ser quebrada. Precisamos consolidar uma oposição, parar de nhenhenhem, mineirices para lá, Deus para cá. Se não surgirem estadistas agora, com interesses mais elevados que seus anseios ou seus umbigos, sei não…

Somos todos de um grupo só, lutamos contra 30 anos de uma violência brutal, formamos vários movimentos. Aconteceu que muitos se desgarraram de vez e, na gangorra política, estão aboletados no Planalto e em cima de postes plantados. Esses aí é que são o problema atual, nadando sim no petróleo.

Nós sabemos que o pré-sal é mesmo importante, mas ainda é um ovo em formação lá na galinha; que os programas sociais são fundamentais porque qualquer coisa é boa para quem precisa, como o ar para respirar, mas eles não podem paralisar, criar pessoas deitadas em redes esplêndidas.

imagesNós sabemos tudo isso. Precisamos retomar as mudanças de onde as paramos. Nada mais importa agora, a não ser a união, enquanto é tempo.

Senão, fechem as cortinas para não verem tanta sem-vergonhice e sacanagem com requintes de vingança que virá por aí. A nós restará só continuar a varrer a sujeira para debaixo do tapete. Do tapetão.

São Paulo, eleição Brasil, 2014

Marli Gonçalves é jornalista – Mas antes de tudo, cidadã. Leal a princípios, não a partidos.

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Como já disse, Cesar Maia é bom de marketing político. Veja o que ele diz sobre os ataques sórdidos da turma da desesperada

fonte: EX-BLOG CESAR MAIA

dalmataMARKETING POLÍTICO DE ATAQUE! NO BRASIL HÁ RISCOS DE PERDER A ELEIÇÃO!

1. Nos países anglo-saxões com milenar disputa do poder pela força e pela violência, o uso dos ataques em campanhas eleitorais é algo normal, que faz parte da cultura política. Os melhores exemplos estão nas campanhas eleitorais nos EUA. Os estudos realizados lá, em campanhas eleitorais através dos últimos 50 anos, mostram que os comerciais de 30 segundos negativos produzem mais memória que os positivos, que são conhecidos como defensivos.

2. Aqui no Brasil é diferente. Os comerciais e programas de ataque assustam o eleitor. Em geral se voltam como bumerangue, contra quem os usa nas campanhas eleitorais.

3. Sempre as campanhas eleitorais majoritárias (presidente, governador, prefeitos de grandes cidades, senador) começam suaves e propositivas: o que o candidato fez, o que pretende fazer, sempre com imagens suaves dos candidatos que sorriem levemente conforme orienta o diretor de gravação.

4. Mas as campanhas chegam à metade do percurso, os programas e comercias de TV e rádio entram e criam expectativas. Mas os dias passam e se as pesquisas indicam que um candidato está ficando para trás, este e sua equipe resolvem iniciar uma bateria de ataques aos adversários que estão na frente.Woman_boxer_2

5. Em geral o fazem usando os comerciais, ou no final dos programas, como se estes tivessem terminado como terminam todos os dias. E fazem o ataque como se não fossem eles que o fizesses. Da mesma forma nos comerciais, ou diretamente, ou colocando a marca do programa do candidato imperceptível e atacando o adversário.

6. Esta mudança de percurso é percebida pelos eleitores que se perguntam: Por que agora? Será porque está perdendo? O publicitário Duda Mendonça tem uma frase que ficou célebre: “Quem bate, perde!”.

7. Com os quadros eleitorais majoritários definindo os candidatos, mais competitivos e os que estão atrás, ou estando na frente temem que a situação se reverta, começaram as agressões. As eleições no Rio têm sido um exemplo disso, desde a semana passada. Anotem quem bate. Anotem assim os perdedoresCammy-hdstance

ARTIGO – Serão os deuses candidatos? Por Marli Gonçalves*

Boy_PrayingTentei ficar por aqui quietinha, quietinha, esperando setembro passar. Mas estou vendo ataques tão sórdidos, tão desleais, pagos a soldo, sem propósito, maledicentes e mentirosos que não vejo restar outra alternativa aos que pelo menos tentam ser do bem. É preciso rejeitá-los sem dó sob o custo de sairmos dessa campanha num país ainda mais lastimável, terra arrasada. E Deus não vai ter nada a ver com issoImagen-animada-Adan-y-Eva-02

Nunca pensei que fosse ver de novo quão desesperadora a situação de uns e o medo de outros em perder a boquinha – ou tentar ganhá-la – como nessa eleição para a Presidência da República, principalmente nos últimos dias. Vinha vindo tudo calminho, educado até, com alguma cortesia entre os três primeiros colocados. Aí caiu o avião que imediatamente de alguma forma já mudou o país. Ascendeu Marina Silva como um foguete, e embora ela seja lenta, em poucos dias uma nova campanha entrou no ar. Imediatamente chegou junto o lado mais escuro e obscuro da força. Não é mais competição; virou guerra. E muito suja.

Adam-Eve-Snake-64548A frágil Marina, que nem é tão frágil assim pelo que vemos, já que responde com firmeza e determinação, agora é a única a quem cobram para ter tudo pronto, apresentar solução até para bicho de pé. Tudo o que diz tem de fazer muito sentido, ser basicamente um plano com começo, meio e fim. Perceberam? Não faz um mês que entrou – antes era apenas uma vice, e os vices são vices, estava abrigada numa sigla para não ficar com a sua rede no sereno – e agora até um ministério já estão chutando para ela. Se fala disso, copiou. Se muda uma vírgula, é porque voltou atrás. Se a amiga é rica, problema. Se trabalhou e ganhou, problema. Se não trabalhasse ia viver de quê? Do fundo partidário que não seria, já que todos os obstáculos, pedras, tachinhas e barreiras impediram a criação de seu partido.

29Só acho engraçado cobrarem tanta coerência e significado das promessas só da parte dela, quando, por exemplo, são famosos os discursos sem pé nem cabeça da Dilma, a candidata e a presidente, o que é pior, uma vez que faz isso há 4 anos todos os dias. Basta que a deixem falar de improviso, sem ler o papelzinho. Depois é só tentar espremer as palavras ao vento que profere com seu ar mandão, e enfim dar muita risada. O mineirinho também não fica atrás. Fala em reformar isso, aquilo, tudo por cima, tudo geral. Ninguém nos fala ao coração, do nosso dia a dia, do Futuro, de como poderemos acompanhar as mudanças, a tecnologia, os novos desafios do comportamento.

Agora, ainda por cima, enquanto nós, mortais, tentamos manter nossas cabeças fora d água num país parado, inquieto, recessivo, passaram a apelar para Deus! Apelar para a religião, como se o Estado laico não fosse uma de nossas maiores preciosidades a preservar, garantia que devemos defender com unhas e dentes e pontapés, já que é com isso mesmo que combateremos inclusive esses pastores e emissários reacionários, atrasados, essa gente que tenta nos atazanar se imiscuindo na nossa sagrada vida privada.  Fora que ninguém precisa de autorização para ser gay, que eu saiba, pelo menos. Vão lamber sabão para ver se faz bolhas!

462285583l8teEscrevo essa defesa por mim, não entendam como posição política. Só me respondam. Durante muito tempo, por exemplo, consultei o I-Ching, e foi bom. Quem de vocês aí do outro lado deixou de dar uma espiadinha no horóscopo do jornal, não se interessou por aquela vidente que joga um tarô fenomenal, foi ver aquele babalorixá dos búzios, não levantou as mãos e os olhos para o céu agradecendo ao invisível? Quem não pulou sete ondinhas, fez sinal do padre, promessa? Quem, espírita, não recorreu a alguns dos ensinamentos psicografados pelos mestres ? Ou a aqueles livrinhos Minutos de Sabedoria, aos calendários Seicho-No-Ie, aos livros de Paulo Coelho ( agora chutei o pau da barraca) ou mesmo aos biscoitinhos chineses da sorte ou ao papagaio do realejo? Digam: qual é o problema da Marina dizer que consulta a Bíblia? Vocês acham mesmo que, caso eleita, ela vá tomar as decisões só abrindo o livrão, fechada no banheiro? Se nem o pessoal da esquerda abre mais O Capital, ou o Livro Vermelho do Mao-Tsé Tung! Do lado da Marina, do Aécio, da Dilma, do Eduardo Jorge, de todos, igual com a gente, estão pessoas com todos os tipos de crença. Bom respeitá-las. Se não fizerem mal a ninguém, a nós também não farão, a não ser que atiremos pedras.graphics-monks-288666

Façam-me o favor. Todos os candidatos têm gente legal ao lado, para buscar formar uma equipe. Não são monolitos, ditadores que imporão usos e costumes – isso era lá na ditadura, e nela, para ela, não tinha eleição. Era só porrada, ordem; não queremos mais isso. Queremos discutir usos e costumes, mas a sério. O direito ao aborto, a legalização das drogas, a utilização das redentoras células-tronco, mudanças no Código Penal. Queremos ciência, filosofia, pesquisa, tecnologia acessível. Ir às estrelas se nos for possível.

A gente não quer só comida. A vida é maior que a economia, que agora volta a frequentar as colunas de jornais como há tempos atrás, de forma pesada e quando invadia todos os cadernos. A vida é maior do que as elucubrações que vêm gastando páginas e páginas, canetas, batucadas nas pretinhas, para analisar os ditos e não ditos. Contradições, turma, todos nós temos, basta abrir o baú, inclusive o de alguns analistas que já acharam “outras” coisas tempos atrás, gente séria. Só não revirem – nem abram – os baús dos que atacam de forma tão sórdida como nos últimos dias. Deles, só cairão moedas, traições e um enorme apego à boquinha, ao bico onde mamam.

JesusFlipsTableDa Bíblia eu aqui só sei, confesso, que é um livro grande que nunca li. Mas desde pequena uma delas, bem bonita, que vinha com a Enciclopédia Barsa, lembram?, ficava aberta na sala da casa de meus pais. Uma vez perguntei a minha mãe o porque, se era só um enfeite já que ninguém nunca foi muito católico por lá. Ao que ela respondeu, rápida: “Não, filha, dá sorte!”.

Vou confiar nisso.

São Paulo, 2014 Marli Gonçalves é jornalista – Ainda não decidiu em quem vai votar. Mas do jeito que estão atacando a Marina Silva, vou fazer igual ao que ouvi de um amigo: “Daqui a pouco, de tanto tentarem destruí-la, vão me forçar a gostar dela”.

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ARTIGO – Papagaiadas, pilhérias e modinhas. Por Marli Gonçalves

day28_210Não sei se vocês têm a mesma impressão que eu, mas por que é que tudo que chega aqui ao Brasil, mesmo quando é uma coisa legal, séria, importante, porque será que logo vira modinha, presepada, papagaiada? Perde o sentido. Fica escrachada. É só por o pé aqui, pronto, vira, vira, vira… Ih, acho que não dá nem para usar a palavra do que é que vira. Pode ter alguma criança na sala.

Claro que começo falando do tal balde de água com pedras de gelo, claro; claro que é importantíssimo chamar a atenção para a doença (esclerose amiotrófica), conseguir verbas, e não só para esta, bem sabem, mas para a pesquisa de outras várias doenças. Obviamente foi brilhante a ideia da campanha, jogar a água do balde em si, filmar, doar cem dólares, desafiar mais dois. Tornou especialmente visível o problema quando envolveu celebridades mundiais, e obteve alguns milhões de dólares rapidamente. Claro, ainda, e já que trabalho com isso, sei o quanto a imagem – o visual – é fundamental para o marketing, conquista de espaço e divulgação de algumas coisas mais barata e rapidamente. Nem conto para vocês o quanto inventamos na primeira campanha do Partido Verde à Presidência em 1988. Tudo era primeira página, afinal não era todo dia que árvores andavam e protestavam ou que surgisse o som do silêncio para alertar sobre a poluição sonora.

graphics-buckets-507156Mas precisa virar palhaçada? Todo mundo é obrigado a aderir? Precisamos mesmo assistir, por exemplo, a políticos cara de pau em campanha, tipo Suplicy, Maluf (!), este dentro de uma piscina já que até para aderir a alguma causa ele dá uma roubada? Duvido. Quero ver o recibo da doação. Maluf dando alguma coisa? Duvido-ó. Precisamos mesmo assistir estrelinhas de pouco brilho se molhando, gritando, fazendo foto ou filme e passando para as revistas de celebridades tentando obter essa tal de celebridade? Particularmente sinto certo asco quando misturam esses interesses com coisas sérias, mas aqui é tiro e queda. Já passamos para a história da Humanidade como um país não sério. Sim, óbvio que vi brasileiros sérios e de boa vontade aderindo. Pouquíssimos, mas vi. Acreditam? Juro que até guardei o material de divulgação para quem duvidasse: um grande magazine divulgou que a sua boneca virtual tinha entrado na onda? Enfim, pelo menos, já que é virtual, ela não ocorreu o risco de pneumonia.

food_truck3Acontece com tudo essa azaração. Vou dar outro exemplo, daqui de São Paulo. Liberaram a comida de rua, os tais food-trucks. Pois não é que já dá até para tropeçar neles? Não é que outro dia vários se uniram (outra “tendência”) dentro de um estacionamento coberto e eu vi (sim, vi sim) muitas pessoas sentadas no chão todo sujo de óleo, de um lugar abafado, para comer? É modinha. É moderno. Daqui a pouco vai ter gente até fazendo tatuagem para frequentar.

Depois certamente muitas dessas pessoas vão postar nas redes – que passarei a chamar de redes antissociais – porque não basta ser moderno, tem de mostrar ao mundo, fazer muquinho na academia, como faz um agachamento invejável, ao lado do “personal trainer”. Aproveita e, já que está por ali, xinga, briga, critica e fala mal de alguém, posta uma frase em algum quadradinho com indiretas.

Nas mesmas redes onde li gente “horrorizada” porque houve quem fizesse selfies no funeral de Eduardo Campos. E daí? Qual o problema? Não percebem que hoje cada um de nós virou mesmo um jornal pessoal ambulante? “Estive no velório e lembrei-me de ti”. Antes eram souvenirs; agora são selfies. Melhor não dar ideia porque senão no próximo espetáculo macabro desses vão vender caixõezinhos de recordação. Perguntem a alguém mais velho que foi, por exemplo, ao velório de Getúlio Vargas, que será largamente lembrado essa semana. Quem podia fotografou. São registros que ficarão aí, serão importantes no futuro. Ou não. Do jeito que as coisas vão indo nada vai ser mais marcante, já que massificado, moído e abandonado, ultrapassado sempre por outra e nova onda.master-chef-cooking-smiley-emoticon

Quer ver uma outra modinha? Diagnósticos médicos: depressão. Já devem até estar mandando fazer carimbos com a palavra. Dor de cabeça, tonteira, dor de estômago? É depressão. E tome antiisso. Uma amiga foi ver como lidar com menopausa, a coisa estava falhando um mês ou outro. Carimbada: depressão. Agora, além dos calores, a coitada está pirando no antiisso. Há pouco tempo, lembram o que era, tudo? Era stress. Qualquer coisa era stress, estresse em bom português. Como se fosse possível sempre controlar. Daí, se não resolvia, o problema era… seu!

jspcookDe modinha em modinha, dá vontade de enfiar é a viola no saco, e antes que inventem alguma coisa meio esquisita que seja obrigatória. Criatividade (e charlatanismo) não falta nesse país. Vide o tal horário eleitoral onde tem candidata cozinhando, como se diz popularmente, até o galo. O nosso galo. Só falta agora a outra vir mostrar como se faz salada.salting_the_turkey

Vem onda por aí. Pode olhar. Onda que pode ser verde. Ou azul da cor do olhar.

São Paulo, 2014. 

Marli Gonçalves é jornalista – Estou tentando não desistir do Brasil, mas está difícil. Se papel já aceitava tudo, imagine a internet. Imagina na copa; imagina na cozinha.

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Análise de Cesar Maia sobre a pesquisa DATAFOLHA. Maia é bom de marketing político…só por isso

O QUE MOSTRA E NÃO MOSTRA A PESQUISA DATAFOLHA!

1. A Pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S. Paulo (18) trouxe três resultados que contrariaram as expectativas de muitos. Marina com 21% não é uma delas, pois pesquisas anteriores com seu nome já mostravam esse patamar para ela, com redução dos que não marcavam nenhum deles. Os outros dois resultados sim: por um lado a estabilidade de Dilma, com seus 36%, e de Aécio com seus 20%. E um terceiro: a melhoria da avaliação de Dilma e seu governo.

2. A expectativa que se tinha era que, além da redução dos que não marcavam nenhum deles, Dilma cairia um pouco, assim como Aécio. A melhoria da avaliação de Dilma –sem nenhuma razão clara- é algo que as expectativas não projetavam. Mas sua entrada afirma que teremos segundo turno.

3. Os resultados da Pesquisa Datafolha deste fim de semana foram: Intenção de voto. Dilma 36%, Marina Silva 21% e Aécio Neves 20%. Outros 6%. Nenhum deles 17%, Segundo turno: Marina 47% e Dilma 43%. / Dilma 47% e Aécio 39%. Avaliação Dilma: Ótimo+Bom 38%. Ruim+Péssimo 23%.

4. Sabe-se que sempre que um fato forte impacta a opinião pública, como o foi o trágico desaparecimento de Eduardo Campos, as curvas de tendência de formação de opinião pública são interrompidas. Nesse sentido, se pode explicar a sustentação de Dilma e Aécio no mesmo patamar.

5. O que ainda requer uma análise mais cuidadosa é a melhoria acentuada da avaliação de Dilma, o que –contraditoriamente- aumenta a sua intenção de voto no segundo turno contra Aécio e diminui contra Marina. Afinal, as notícias –pelo menos as econômicas- nesta semana, foram ruins.

6. Provavelmente o impacto emocional pode ter provocado nas pessoas uma reação de solidariedade e proximidade com aqueles que governam. Isso já se viu em outras situações, mas em geral diretamente com quem sofreu a tragédia. Getúlio Vargas é um exemplo: a avaliação de seu governo cresceu muito após o seu suicídio, o que foi fundamental para a eleição de JK.

7. Nos próximos dias esse quadro tenderá a ser sedimentado e, em seguida, os números de Dilma –intenção de voto e avaliação- deverão retornar ao patamar anterior. O tempo de TV de Marina e a muito menor capilaridade de sua coligação podem transformar estes 21% num teto.

8. Mas, para isto, as comunicações de Dilma e Aécio deverão ter a sutileza –e o risco- de realizar campanhas sem incluir Marina em suas críticas. E Marina terá que se descolar da tragédia sob pena de produzir uma sensação de demagogia. Vide JK, mesmo com Jango como vice.