ARTIGO – A mosca azul e os mil artifícios para causar. Por Marli Gonçalves

Como é que se causa? Nada mais é natural agora que, ao que parece, todo mundo tem de causar para aparecer? Susto. Simplesmente tomei um susto, na verdade, mais um, porque cada vez que vou dar uma olhada nos realities não consigo deixar de me assustar muito com aquelas caras, bocas, bundas, cabelos, músculos e etceteras das e dos participantes. Mas agora também tem até ministro se arrumando todo para o poder, né, Queiroga?

MOSCA AZUL - CAUSAR

Patchwork. A mulher que aparece na tela – uma “celebridade” dessas que a gente não tem nem a menor ideia de quem é, de onde veio, para onde vai e quem deu o título – ganhou a melhor definição dada pelo meu irmão: um verdadeiro patchwork. Dá uma olhada nesse grupo que está em “A Fazenda”. Cada vez mais impressionante o que o que estão fazendo em prol de causar, virar notícia, surgir nas redes sociais, no mundo digital, para virarem influenciadores (pior é que estão mesmo influenciando). Isso, os que querem ficar “bonitos”, dentro de critérios discutíveis de boniteza.

Parecem retalhos, não de tecidos no caso, mas de pedaços de gente ajustados e que acabam por criar figuras desconexas; algumas grotescas. O nariz, não dá para saber como respira; a boca, tão gorducha e inflada para fazer biquinho, que deve ter toda hora sem querer espetado um garfo. A colher não deve penetrar. Levam quase que almofadas em seus traseiros, que querem que fique bem perto da nuca! Cílios postiços que pesam para abrir e fechar os olhos, como sobras dos apliques escondidos nas cachoeiras de cabelos que alisam e jogam sem parar para lá e para cá.

Viraram pessoas sem expressão, imexíveis, tantas aplicações de botox que endureceram os movimentos. A testa parece um bloco. Os homens surgem quase como bonecos infláveis – já estão na fase de implantar próteses penianas. E tudo, tudo, mas tudo mesmo, por mais íntimo que seja, fazem questão de divulgar – seja para pagar a conta dos cirurgiões com a divulgação, ou só para o tal “causar”.

Nessa confusão da semana, não é que surge um novo Ministro da Saúde, o Queiroga? Reparou? Sumiu aquele cara com ar simples e reservado. Tomou suco de galo, tirou o óculos, parece que fez harmonização facial e agora usa lentes de contato e ternos bem cortados. Mudou o comportamento: virou respondão com os governadores, a mosca azul picou certeira, e para se manter no poder tem aceitado até os mais esdrúxulos pitacos do Bolsonaro. Como essa de suspender do dia para a noite a vacinação de adolescentes, minando junto a importância das vacinas, e ainda ameaçando acabar com a obrigação de uso de máscaras de proteção contra o vírus. Bem, a máscara dele, essa ele tirou, e está mostrando exatamente ao que veio.

O louco é que muitas dessas transformações para causar são eternas, riscadas e implantadas nos corpos. Bem diferente, diria, de looks e roupas extravagantes usados por estrelas nos tapetes vermelhos da vida, como no Oscar ou no recente baile do MetGala. No dia seguinte, elas podem aparecer na boa, de jeans e camiseta, guardando a foto célebre que correu o mundo. Podem mudar de ideia a hora que quiserem. Como a filha de Madonna que adorou levantar os braços e mostrar bem seus pelos na axila – nada que uma boa depilada um dia destes não resolva. Aliás, repito, deixem os sovacos em paz! Não precisamos da Lei do Pelo Livre! Cada um usa os seus próprios pelos onde bem entender.

Ao contrário dos patchworkers, tem quem queira – também, claro, para causar – apenas ficar feio ou mesmo horroroso, propositalmente– daí implantam chifres e outras misérias.  Em geral, estes ao menos têm uma ideologia por trás, um pensamento libertador ou provocador muitas vezes, como na questão dos pelos no sovaco, das tatuagens cobrindo o corpo, dos cabelos coloridos ou em forma de vulcões prestes a explodir. É uma expressão política.

No fundo, no fundo, enfim, cada um faz o que quiser, e continua válida a máxima “Falem mal, mas falem de mim”. A gente pode gostar ou não, e assim levamos, cada um na sua.

Mas pior de tudo mesmo,  picados ou seduzidos pela mosca azul, a varejeira, que nasce na lama de suas ganâncias – e esses são os que fazem mal de verdade e não apenas aos nossos olhos, perigosos – são os que se travestem de gente simples, camisetas falsas, em verde e amarelo, fantasiados de patriotas, religiosos disso e daquilo, apenas para disfarçar como na verdade agem e ganham suas gordurinhas na corrupção, na mentira e na manipulação da ignorância de um povo que continuam a cultivar, subjugados.

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Marli GonçalvesMARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon). marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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ARTIGO – O Homem não está nada bem. Por Marli Gonçalves

O homem não está bem; não está nada bem. O homem está confuso, nervoso, não sabe o que fazer, anda inseguro, percebe que está perdendo poder e que já não é mais invencível, daí reagir muitas vezes perigosa e virulentamente. O homem vê que a cada dia tem de dividir o poder com serenidade. Percebe que os tempos são outros e que há reação a qualquer de seus desmandos.

Sei que tudo isso se enquadra muito bem no que vivemos, e que claro deve ter vindo à sua cabeça a figura do presidente que essa semana, parece, criou, percebeu e sentiu a temperatura máxima, e essa não era um filme da tarde de domingo, muito menos do feriado nacional com tantos significados e que conseguiu transformar este ano em um dia de ódio e horror, terrível e tenso para os brasileiros.

Tudo bem que não dá para deixar passar isso em branco, vendo o desfile em verde e amarelo de tanta gente paramentada abanando a bandeira, confusa, enganada e/ ou apenas ignorantes em busca de um líder, sendo usada sem dó por oportunistas, pessoas más, para não dizer outras coisas, com pretensões da pior espécie, querendo fechar os horizontes da liberdade e da democracia. Brincando perigosamente com o futuro.

Claro que esse Homem aí, o que conclamou e tramou o que espantados assistimos, também não está bem, não está mesmo é nada bem. Mas isso não é de hoje. Esse aí nunca esteve bem, e em nada do que fez, nem como militar, muito menos como político, ocupação que exerce há mais de 30 anos sem brilho, e que por golpe de sorte e das condições daquele momento eleitoral foi posto no poder máximo.

Mais do que evidentemente não estar bem, repara só: esse Homem está bem maluco – não é impossível que acabe numa camisa-de-força – desorientado, inconsequente, e literalmente atirando para tudo quanto é lado na tentativa de se manter nele, no tal poder que, parece,  subiu para sua cabeça e, pior, para a de todos os seu filhos, parentes, amigos e ministros que o seguem nessa balada insana seja em cima de palanques, na frente da câmera de suas insensatas lives ou no cercadinho que se tornou o ponto de encontro da turminha que o anima.  E num país que se desmancha, precisando tanto de um governo.

Muito chato. Só imagino e adoraria saber detalhes de qual foi o real bastidor, os fatos que o levaram a apelar para a pena de Michel Temer para criar uma nota pública que pudesse por panos quentes e frios, pelo menos por hora, na perigosa confusão que armou. Queria ser a mosquinha que pudesse ver a real, que normal não foi, não caiu do céu esse arrego que deve estar causando forte azia e indisposição, inclusive em quem saiu atrás dos trios elétricos do horror achando que estava abafando.

Mas, enfim, pulando esse assunto que já deu, o que é visível é que o homem, o ser masculino, esse que já não aguento mais ver aparecer diariamente envolvido em tantas notícias de crueldades e feminicídios, talvez até por conta e somada a situação nacional, não está nada bem, e se debate angustiado. Com o avanço do movimento feminista, com a entrada cada vez mais expressiva  das mulheres no mercado de trabalho e lutando por sua independência e participação igualitária, as bases do tal domínio do macho estão ruindo à nossa frente, sendo levados pela onda de força que vem sendo demonstrada pelas mulheres, especialmente nesse momento de superação, da pandemia, onde fomos tão e mais brutalmente atingidas.

É preciso destacar esse momento importante. Porque dele poderá vir, finalmente, um novo mundo e quero estar aqui para presenciar e celebrar o resultado dessa luta de toda uma vida. Torcendo para que essa lufada, enfim, sopre cada vez mais forte aqui e em todo o planeta.

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Marli GonçalvesMARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon). marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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ARTIGO – Os nossos loucos (primeiros) dias de setembro. Por Marli Gonçalves

O que será, que será? Posso quase apostar que muito barulho por nada, que vão dar com os burros n`água. Sempre aprendi que cão que muito ladra fica rouco e não morde. Poderemos esperar, contudo, que uma primavera floresça – sementes também têm surgido em meio a esse setembro que já chegou, veio se esgueirando entre tantas ameaças. O golpe deles já foi esse: exatamente como queriam, passamos os últimos dias falando dessa gente, de suas ameaças e boquirrotices.

loucos dias de setembro

Nem contamos até 10 – nem precisa, porque já andavam armando confusão desde bem antes deste mês. Coisa chata, como se não tivéssemos tanto a resolver no nosso dia a dia. Como se o país estivesse a mil maravilhas e não com uma inflação galopante e ameaças reais, as de falta de água, de energia, de saúde, vacinas, e tudo o mais.

Mas setembro chegou e com ele umas luzes poderosas que ainda podem realmente mudar algo, se forem coesas. Vindas da total perda de paciência com o desgoverno e inquietude agora bastante expressa objetivamente pelos empresários líderes dos principais setores da economia, surpreendentemente até do agronegócio, que souberam até afugentar e se sobrepor aos medrosos que pularam fora com medo de puxão de orelha e bicho-papão. Os que ficaram firmes em seus manifestos sabem que tudo vai melhor com democracia e paz. Claro, sempre melhor para eles, diga-se de passagem. Mas têm poder.

Quando até os bancos e banqueiros se mexem, o sinal está claro. E de qualquer forma ele ainda está fechado para nós, os que assistimos ainda inertes ao andamento desse espetáculo deplorável, o momento da política nacional que tanto nos fraciona, estilhaça; não é mais nem que nos divide, porque agora tem de um tudo.

Tem os adoradores, os que antagonizam, com seus erros de cada lado. Adoradores! Seja de um, seja de outro, se me entendem. Aí não tem conversa, nem explicação, apenas uma espécie de amor platônico. Precisam de um paizinho que os guie, acima de tudo, seja o que fazem ou fizeram, mesmo que tenha sido em situações justamente que nos levaram ao desastre atual.

Entre os adoradores estão os que ainda não conseguem perceber ou já estão se dando muito bem com o fundo do poço; tem os que pensam igual, e sonham dia e noite, rezando ou não, para que retrocedamos em tudo ao século passado no que ali havia de pior, de atrasado. Do outro lado, os que ainda não admitem qualquer outra nova possibilidade, mesmo que próxima do razoável para unir – só enxergam um homem, sua barba e, ultimamente, também as suas coxas firmes. Tudo bem, vai, que ninguém mais pode fazer tanto mal quanto o atual perturbador geral da Nação está fazendo.

Perigosos, nessa miríade há os que acham que estão, como meu pai diria, por cima da carne seca, sendo que no fundo estão é como nós, à mercê de tudo de ruim. São os que – só pode ser – cegos e surdos, mantêm-se ocupados em se desfazer de informações sérias, da imprensa, que xingam cada vez que esta os chama à realidade. Gostam das mentiras que os alimentam, e imaginam uma Pátria toda verde e amarela, não gentil, armada, onde pensam que um dia poderão se dar bem. São agressivos e a maioria dos que devem ir sem máscaras às ruas dia 7 para apoiar a familícia, já que a vida comezinha deles também não lhes dá outras diversões além da beligerância com que tratam temas sociais ou de comportamento.

Agora surgem – o que até positivo é – os mais ou menos, que há dois meses preparam outra grande manifestação, mas para o dia 12: arrumadinhos, esses, entre eles muitos arrependidos com o apoio que deram a Bolsonaro em 2018, tentam consertar o que acabaram criando. Têm e mantém críticas aqui e ali a algumas decisões do Poder Judiciário, STF incluso, ao Congresso, se apresentam como centro e centrados, numa pauta confusa, e buscam uma pista, uma terceira ou quarta via, mas que tenha afinidade com a mão inglesa, direção à direita. Também prometem fazer barulho e são organizados.

Enfim, há opções para quase, ressalte-se, quase, todos os gostos. No dia 7 até com locais diferenciados para não se estranharem ainda mais.

Passando tudo isso pode ser que surjam novas brechas onde, então, poderemos – nós, o que ainda não acharam espaços confiáveis – nos encaixar.

Aí, então, será a primavera.

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Marli GonçalvesMARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon). marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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ARTIGO – Tá frio; tá quente: o jogo nacional e mundial. Por Marli Gonçalves

Tá frio; tá quente. Quando a gente acha que a coisa está indo, ela está é voltando, e em cima da gente. Até o tempo está igual: você não sabe mais nem se está quente ou frio. Se põe ou se tira. Não é brincadeira, não.

TÁ QUENTE; TÁ FRIO

Confesso: todo dia ao acordar, assim que dá, que lavo a cara, abro os olhos, me entendo no mundo, aciono o celular para verificar se algo mudou. Virou mania. Se o cara caiu. Se já foi interditado ou preso. Se avançamos, e se a situação – essa situação geral que vivemos, e digo geral, porque geral é mesmo, uma vez que, sinceramente, nada está bom, correto, nos trilhos – teve uma conclusão. Tenho bom humor, porque senão a decepção paralisaria. O que acontece todos os dias é que surgem mais pontos, mais fatos, e a confusão geral continua essa loucura, que eu até diria: está coletiva.

Porque só pode ser uma loucura coletiva, altamente transmissível. Aqui, pelo presidente que não governa, mas não para de demonstrar seu total despreparo para o cargo, que deixa o país como uma nau sem rumo. Ele governa de um barquinho, onde faz subir para acompanhá-lo o que de pior há em nossa praia, e que não cansa de chamar para o naufrágio que avistamos no horizonte.

Loucura no mundo, para uma geopolítica desconcertante, principalmente depois da pandemia ter bagunçado mais ainda o coreto. A impressão é de que, neste retorno, os países mais fortes sairão pisando a cabeça dos mais fracos, galgando uma montanha de corpos. Nada tem sintonia. Primeiro fazem; depois vão ver no que deu, lamentam, dão entrevistas e soltam farpas uns contra os outros.

Estamos todos com os olhos vendados e apalpando a História. Está quente? Logo o balde de água fria faz com que comecemos tudo de novo, e esse tudo de novo que digo nos leva ao século passado, com suas guerras (frias e quentes, aliás), religiões mortais, ideologias sanguinárias, padrão “já vimos esses filmes”.

Nem sei mais se as crianças ainda brincam disso, ou do que é que elas brincam quando não estão – até sem ter ainda noção – sendo vítimas das atrocidades e desse desenrolar do futuro que encontrarão.

Muitos artigos têm sido escritos dando conta que o presidente Bolsonaro não está (embora nunca tenha sido muito) normal das ideias. Cada vez que ele abre a boca, e o faz todos os dias, emite claros sinais disso. Cercou-se ainda de pessoas que pegaram a mesma tendência e que surgem dos gabinetes e dos ralos. Todos, que a gente nem sabe bem quem são – impossível listá-los de cabeça. O da Economia, o serzinho Paulo Guedes; o da Educação que você deve ouvido por aí; o cordato da Saúde, enfim, até os militares que abaixam a cabeça e batem continência para todos dançarem diante das graves e visíveis ameaças à estabilidade. A qualquer estabilidade. Inclusive a nossa, emocional.

As notícias são claras, cada vez mais mostram os fatos no momento exato que acontecem, com imagens e sons estridentes. E se repetem, como se não tivessem tempo nem de respirar. Ainda aparecem os querem brigar com elas, não acreditando, negando, seguindo líderes corruptos, que mancham os caminhos por onde passam.

Nós estamos confusos, sem conseguir achar a luz. Está frio. Está quente? O “agora, vai” fica pelo caminho. Continuamos agindo como os robôs que diariamente são ativados na vida digital, como se tudo isso fosse normal. Não é.

Minha proposta é que troquemos essa “brincadeira”. Lembram daquela – cor, flor, fruta – que alguém ficava lá pensando na letra até que falássemos STOP?

STOP!

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Marli GonçalvesMARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon). marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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ARTIGO – Golpes. Eles estão entre nós. Por Marli Gonçalves

Golpes. Golpe. Nunca ouvimos tanto essas palavras malditas. Nunca estiveram tão presentes e em suas mais variadas formas, de algum jeito sempre tenebroso. Perigoso. Eles nos cercam, ameaçam, nos põem em prontidão constante. Sempre tem algum que vaza, nem que seja um golpe de ar que resfria.

golpes

Tudo quanto é tipo de golpe. Todo dia alguém cria mais um, inclusive, sempre terrível, sempre com atos para ameaçar alguém, insidiosos como serpentes prestes a dar o bote. Pior, são criativos, e infinitos em seus estragos. Em geral, feitos, pensados maquiavelicamente para roubar, iludindo. Roubar até a nossa própria liberdade como vem sendo ameaçado todos os santos dias por esse desgoverno que parece pretender, sim, o golpe máximo, que nem mais é militar, mas sim acabar de vez com o país já tão maltratado, doente, miserável, ignorante.

Dificilmente os golpes são bonzinhos, ingênuos, mas sempre são tentados primeiro de forma a parecerem a salvação de alguma “pátria”, alguma questão. Assim, se realizam, enganam, penetram, inclusive entre os mal intencionados que adorariam ganhar algum de forma mais fácil, sem trabalho, e que se tornam, justamente por isso, presas fáceis. Esses, em geral, são enganados por estelionatários oferecendo vantagens que parecem baratas aos olhos de inocentes ou mal informados; ou, mesmo de tantos que parecem, como disse, sempre desejarem ser os espertos. O final da história é sempre ruim, seja para um lado ou outro.

Sempre alguém sai machucado. Na política, por um golpe de direita ou de esquerda desferido certeiro contra a democracia – esse o Golpe de Estado, que já conhecemos bem, infelizmente, mas parece que o aprendizado está passando, mesmo depois de recentes 21 anos de amargor e horror. Eles querem ser os que dão o golpe de misericórdia. Acham sempre que o deles será o de Mestre.

No amor, tem o tal Golpe do Baú, por exemplo, coisa antiga, que tanto apavora os ricos até que sejam enredados. Tem o Golpe da Barriga, outro, bem démodé, que tantas crianças infelizes põem no mundo, nascidas apenas para render, e que é constante sabermos de mais um, mesmo que a princípio se mostre cheio de encantos românticos e legais. O amor, aliás, origina uma série de formas de engano que levam a dar – e tomar – muitos golpes. Que machucam muito.

Os idosos, em geral, são as maiores vítimas de tudo quanto é tipo de golpe, às vezes até vindos de suas próprias famílias ou de quem eles ousaram confiar.  O golpe do bilhete premiado é um dos mais comuns. Bobo, até, mas ainda acontecem. Para catar a sofrida aposentadoria, os golpistas têm se esmerado em criatividade. Uma maldade sem igual.

Não está fácil para ninguém se livrar deles, dos golpes, porque estão vindo de todos os lados e formas; nos e-mails, nas redes sociais, no tal zap, com hackers malditos que invadem tudo. Nos roubam e se divertem. Não pode haver distração para não cair nesse buraco. No telefonema que avisa sobre o “sequestro” de alguém; nas instituições fantasmas que pedem doações, nos boletos falsos, nas compras que não chegam. No motoboy que vai buscar o cartão “clonado”! Até os que entregam a comida agora tentam passar valores extras no cartão. Na compra e venda de carros que nem existem. No emprego que, para conseguir, tem de pagar antes alguma “taxa”. No imóvel lindo da praia, das sonhadas férias, que, alugado, era apenas um terreno baldio iludido por uma foto tirada da internet.

Os golpes financeiros estão atingindo sofisticação máxima. É Pix e pow, golpe! Bitcoins, rentáveis, pirâmides que sempre acabam demolidas com vítimas nos escombros e na miséria. Notas falsas; outro dia apareceu uma de 420 reais! (que bicho teria na estampa? – a hiena, certamente, porque os golpistas dão muita risada na cara dos que enganam).

O nosso maior problema é estarmos totalmente nas mãos dos bandidos de todas as classes sociais (e partidos, e ideologias, e tudo o mais). Sem defesa. A polícia diz que vai investigar. Os bancos ficam mudos, e mudos continuam. As agências reguladoras e órgãos oficiais não mexem o traseiro para evitar o vazamento de dados – esses, vendidos nas esquinas do comércio popular. Os meus, os seus, os nossos. Os deles, em geral, são bem guardados.

Tomamos golpes de todos os lados. Até de falta de ar ao encontrar os preços subindo em escalada, com o momento aproveitado por oportunistas, só aumentando a fome, a miséria, o subdesenvolvimento. São golpistas esses que adoram essa confusão que está o país, insuflam os conflitos que jogam fumaça nos olhos. Esses que querem arregimentar “patriotas” para o caos com seus estúpidos argumentos e mentiras.

Insolentes, aproveitadores, os que deviam nos proteger, ameaçam com golpes e agora até na bovina versão de “contragolpe”, seja lá o que queiram dizer com isso.

Urgente, que tenhamos, sim, um golpe, mas de sorte, e que nos livre de todos esses males.

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Marli GonçalvesMARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon). marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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ARTIGO – Os medos nossos de cada dia. Por Marli Gonçalves

Nossos medos, os meus medos, os seus medos. Todo dia ouvimos falar em retomada. Flexibilização. Dá uma angústia, ao invés de alegria, por não vermos o bicho totalmente dominado. Vemos as ruas cheias, inclusive de caras de pau sem máscaras gritando suas ignorâncias. Nas cidades, o som do burburinho, das buzinas. Vacinados, muitos, mas mesmo assim, vulneráveis; uma dose, duas, três, contando com a da gripe. Você já se sente seguro?

medos

Todos os dias ouvimos também os ecos das variantes e suas letras gregas mais transmissíveis e terríveis; sabemos de pessoas próximas doentes. Importantes, morrendo, mesmo depois de ter feito tudo certo. Como passarinhos que saem dos ninhos, e acabaram atacados por gaviões que os esperavam, silentes. Países se fechando de novo por muito menos do que o que ocorre aqui, onde ultimamente desgraça pouca é bobagem, a começar nas políticas, incluindo os malfeitos e a guerra das vacinas que não chegam aos braços, mal distribuídas. A tal média móvel que nos informam num sobe e desce infernal e ainda números absurdos de mortes e contaminações – registre-se, essas são apenas os dados oficiais desse Brasilzão de Deus, onde um grita e o outro não escuta. De dez mil em dez mil, fica mesmo difícil estar tranquilo.

Pouco se fala dessa angústia, não temos ajuda real que anime a sair por aí, o que torna difícil não cuidar apenas de um dia após o outro, e olhe lá. Medo, temor, receio, pavor. Ansiedade, insegurança. Tudo muito próximo.  Parece uma praga, uma tranca. Mais de um ano e meio depois, a estranha sensação de que o mundo não só mudou, mas que está travado, correndo atrás de seu próprio rabo, em círculos e ondas. Sem saber exatamente, e o que é mais estranho, de nada, nem do tempo que as vacinas protegem, nem de como controlar as novas cepas, o que pode vir por aí em novas ondas, muito menos como fazer o que nós, individualmente, já estamos sendo obrigados, a tal retomada, girar a roda. O nariz fora da porta, o pé na rua, a vida social, uma tal vida normal que, creio, para as gerações atingidas ainda por muito tempo de nada será normal, até que isso tudo seja pelo menos um pouco ultrapassado.

Aliás, e até mudando de tema, embora tudo pertença a um pacote só, os relatos sobre os problemas ambientais que ouvimos esses dias já é outro bom motivo para tremedeiras: aquecimento global, derretimento de geleiras, incêndios, enchentes, frios e calores intensos – já não são mais previsões, mas o que até já estamos presenciando e ainda há quem duvide.  Tudo muito interligado, as doenças, os fatos, a natureza. Nossa saúde.

Sou marcada, não por uma outra pandemia que não tenho século de vida, mas por uma epidemia, a da Aids, que nos anos 80 e 90 vivemos de perto e levou embora muitos amigos, e o meu melhor amigo. Ela nunca passou, apenas mantém-se controlada e como há ainda hoje quem não acredite que esta também afeta a todos, foi sendo deixada num cantinho, sem cura, sem grandes avanços na pesquisa, mais de 30 anos depois, empurrada com a barriga. Agora, inconformada, perdi de novo muitas pessoas importantes, trechos de minha existência, de nossa história, a minha e a do país.

Nessa realidade do coronavírus o mundo até levantou o bumbum da cadeira, aliás deve ter quem esteja ganhando muito com isso. Mas não é o suficiente para acabar com o medo. E em um momento que tudo quanto é tipo de maluco negacionista esteja aproveitando para angariar seguidores, aproveitando o progresso nas comunicações, especialmente a internet, para disseminar mais ainda mentiras e esse pavor que nos faz não reconhecer mais nem os próprios familiares, amigos, vizinhos, como no piores filmes de ficção: viraram seres possuídos por um mal para o qual, parece, não há exorcismo, informação, livro, atestado que cure.

Escrevo sobre isso, sobre esse sentimento que nos paralisa, porque estou vendo que pouco se fala sobre o que passa dentro de cada um de nós, esse mal estar, e que temos sempre tanta dificuldade para expressar. Sei que não estou sozinha e, como todos, reconheço que não temos mais muito tempo a não ser realmente enfrentar, fazendo tudo direito continuamente, e dando a mão a quem precisa – são muitas essas pessoas, em todos os locais,  ao seu lado – da forma que nos for possível.

Coragem. E terceira dose já!

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Marli GonçalvesMARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon). marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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ARTIGO – Não tô gostando nada do que estou vendo. Por Marli Gonçalves

Não queria, mesmo, à essa altura da vida, assistir à essa despropositada série de ameaças e insanidades. Novamente, algumas; alguns fatos, na política, no país. Retrocessos em conquistas. Paralisação em progressos. Certamente se você já os viveu – acompanhou e fez parte de batalhas por mudanças – sente o mesmo; se for mais jovem, anote e acredite: o momento não é nada bom, já fomos melhores. Isso não é progresso.

Não tô gostando nada do que estou vendo

Na semana que estou fazendo um balanço, chegando aos 63 anos, os tais fatos que me surpreendem mal foram fortes. Por exemplo: pais e mães de uma escola de elite paulistana fizeram uma revoltinha. Acreditem, contra trechos do diário da adolescente judia Anne Frank que durante a Segunda Guerra, para sobreviver enquanto pode aos horrores, se escondeu em um porão onde achou forças para escrever o que passava, e um dos relatos mais pungentes sobre o Holocausto, publicado pela primeira vez em 1947. Que trechos chocaram pais em 2021, 74 anos após a divulgação do livro? Ah, o trecho onde ela expôs sua natural sexualidade. O livro estava sendo usado em aulas de inglês, leitura, para estudantes de 10 a 12 anos. Pasmem. Está o maior rebu por conta disso. Em que mundo esse povo vive?

Vejam só. Em 1966, aos oito anos de idade (e reparem que em plena ditadura), tive aulas na minha escolinha sobre todo o complexo sistema reprodutivo, tanto feminino como masculino, as transformações que logo sofreríamos. Explicações objetivas, com visuais explicativos. Lembro até hoje da minha alegria chegando em casa com um pacotinho de Modess. E hoje lembro que se não fosse isso não saberia nada, filha de mãe mineira e pai nortista, em vão ficaria esperando deles explicações sobre “essas coisas”, com as quais nunca tiveram tranquilidade em lidar.

Mas vamos lá, firmes, enfrentando esses dias que passam doidos, rápidos, lépidos, incontroláveis, atordoantes. Quando você se dá conta, pumba, já foi. Mais um ano. E que ano! Parabéns, conseguiu se esgueirar até aqui. Siga, firme! Todos os dias agradeço ao Universo essa chance, que tantos não tiveram – se você está aí lendo, creio que deveria fazer o mesmo, agradecer ao que tem fé. Vacinada, duas doses; entre os ainda apenas pouco mais de 10% da população desse país que claramente desanda, saiu dos trilhos, aparece descarrilado, sem rumo, tornando tudo mais difícil, mais custoso, conservador, burro, atrasado. Irritante.

Estar vivo. Isso hoje é honra valiosa. Mas não queria novamente estar vendo tudo isso acontecer, algumas coisas de novo, chatas, perigosas e repetitivas, e que agora chegam disfarçadas, embaladas em outros papéis, e o que as torna mais tenebrosas.

Estou, estamos, e como diz um amigo, a única alternativa possível ao envelhecer não é nada boa. Sendo assim, resta utilizar tudo o que se aprendeu nesse viver para seguir tendo consciência das mudanças, inclusive físicas, da responsabilidade justamente por isso, da vivência e experiência.

No geral, nós, mulheres, quando o tempo vai passando, vamos ficando cada vez mais invisíveis. Precisamos e continuamos a correr mais ainda atrás de esmolas emocionais, uma parte começa a se podar para se ajustar ao que a sociedade delas “espera”; essa sociedade que ainda hoje acha que tudo pode determinar com sua régua rígida, hipócrita e moralista. E quando, otimistas, achamos que isso estaria mudando, e estava, vem o tapa na cara. Percebemos que devemos continuar guerreando algumas das mesmas velhas lutas de mais de 50 anos atrás, brigando por condições no mínimo iguais, quando deveríamos ter até mais, respeito por direitos, pela liberdade de opinião e opções. Por uma educação decente que conduza as novas gerações aos desafios constantes, inclusive sexuais, e que vêm se impondo abertamente, desafiando limites.

Lá vamos nós, de novo, tendo de lidar com a ignorância, contra um emaranhado de atraso e no meio dessa pandemia que nos aprisiona e deprime. Nas ruas no último sábado, 29 de maio, embora muitos teimem não ter visto, sim, lá estávamos com as mais variadas bandeiras e a maioria não era partidária, vermelha ou verde e amarelo, essa que nos foi arrebatada. Éramos os mais velhos, muitos; os vi em cadeiras de rodas, com bengalas. Os vi, também, coloridos, com filhos e netos aos quais ensinavam cidadania. Todos conscientes, guardando distanciamento, certamente ali maioria já vacinada. Entre milhares, todos com máscaras usadas corretamente, conscientes do primeiro passo necessário para protestar. Também não estão gostando nada do que estão vendo.

Começamos a expressar mais claramente, nas ruas, o que se multiplicará nos próximos meses, esperamos de forma pacífica. O que renova a esperança e fará, com certeza, que se estanquem esses retrocessos. Que consigamos acabar com essa gente idiota, burra, cretina, nojenta que nos faz perder tempo quando tínhamos tudo para estar na vanguarda.

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Marli - foto Alê RuaroMARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon). marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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ARTIGO – Políticos patéticos e outros pês. Por Marli Gonçalves

Pesadelo, esses políticos patéticos, pobres e podres de espírito, perniciosos, pândegos, estão esgotando nosso arsenal, inclusive, de adjetivos para nomeá-los. E isso não é língua do “p”. “P” de parem com isso o mais rápido possível, o país paralisado, perplexo, o povo com pavor de ficar doente e não ter nem onde cair, e perturbado com a oscilação institucional, com ameaças sem nexo, provocações desmedidas
PÊS - -HIPNOSE - PATÉTICOS

Antes de mais nada, por favor, reparem que a bronca é geral. Não é só o pavoroso presidente e seus pândegos ministros, mas também os pálidos e penosos passos da oposição, a patifaria do Congresso Nacional, as pernadas de governadores em prol de uma eleição daqui a dois anos, a preguiça das instituições da sociedade civil. Inoperantes, inconsequentes, despreparados.

Não lembro de ter visto nessa minha vida de algumas décadas, importantes décadas, um quadro geral tão desanimador, reunindo tanta fraqueza, de ética, de opinião, de ação, de comportamento.

No poder, um masculino grupo de parvos e, pior, parvos que, sem verdades e ações, teimam em espalhar mentiras dia e noite, aceitas e espalhadas quando não por robôs que as impulsionam, por imbecis que se dizem patriotas. Lembram os pelegos sindicais de triste memória, e manipulam massas de forma tão sórdida que agora causam mortes, diárias, muitas, milhares. Incentivam a ignorância, como se tal fosse o “novo normal”. Jogam com vidas, com o futuro, destroem e amargam o presente.

São pusilânimes, porque ainda por cima tentam desdizer o que disseram, mandaram, gravaram, recomendaram, e na hora que são pressionados arrumam sempre um bode expiatório. Essa semana inovaram: depois, por exemplo, de lançarem oficialmente um aplicativo no site do Ministério da Saúde de “orientação” para o “tratamento precoce” contra Covid-19, ao serem pegos no pulo, acusaram… hackers!  Que hackers são esses, hein? Aliás, agora dizer que foi hackeado é mania nacional e até o ex-senador cristão e hipócrita até a medula usou essa justificativa depois de vazar “sem querer” imagem de um pênis, que, ora!, estava em seu celular, mas saiu dizendo que foi alguém.

Não sei se você aí sabe de uma das últimas: nesse momento tão sério o General Preguiça de olhinhos redondos giratórios que descomanda todo o processo de vacinação contratou um assessor novo, para sua comunicação. Trata-se de um indivíduo conhecido como Markinhos Show, que se define, leia bem, como “Palestrante Motivacional, Master Coach, Analista em Neuromarketing, Especialista em Marketing, SEO, Hipnólogo, Mentalista, Practitioner em PNL, Músico, Empreendedor e Especialista em Marketing Político.”

Ou seja, que palavra mesmo usar para defini-lo? Fechem os olhos, concentrem-se. Vocês podem estar sendo hipnotizados pelos tais olhinhos redondos, da cara redonda, esse que para ouvir melhor, sim, ouvir melhor, precisa tirar a máscara, tal qual os inconsequentes que a abaixam para falar ao celular e que vemos todos os dias nas ruas.

Não se sinta mal se, assim como outros milhares de brasileiros, babou de inveja ao assistir a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e sua vice, Kamala Harris. Não se sinta mal se de repente tem pensamentos estranhos, não exatamente generosos quando pensa neles todos, os operantes e os inoperantes, estes que se encontram sentados sobre dezenas de pedidos de impeachment e processos legais.

Não se sinta mal. Uma coisa pelo menos parece certa nos últimos dias. Parece que é possível ver uma luz no fim do túnel, o tilintar da ficha geral caindo. E novos ventos soprando nas ruas.

Pvamos em Pfrente. Pva-Pci-Pna Pjá!

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MARLI GONÇALVES

MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon).

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ARTIGO – A nossa revolta do século. Por Marli Gonçalves

Já é visível. Uma grande revolta nacional muito particular enfim parece se formar e ser urdida, ferve nas entranhas do país, e é só essa certeza e a torcida para que ecloda antes de ainda mais desmandos e outras centenas de trágicas e estúpidas mortes, o que dá forças para suportar o que assistimos, agora simbolicamente sem ar, sem o vital oxigênio

revolta

Sufocados. As pessoas estão ali, no Norte do nosso país, morrendo sufocadas, sem conseguir respirar, afogadas fora d`água, desesperadas, alinhadas lado a lado. Fique em apneia para entender esse sofrimento – quanto tempo consegue? Um minuto? Dois, se for muito treinado e saudável. Os pacientes que lotam as UTIs precisam de ajuda, e para a situação do Norte se espalhar não falta muito, acredite. Nessa toada, pode faltar, além de tudo o que já falta, oxigênio para todos. Oxigênio, minha gente.

Não, ninguém aperta seus pescoços com joelhos; ao contrário, profissionais de saúde ainda tentam bombear ar para eles com as mãos, desesperados, inventando respiradores manuais, por horas, esgotados. Lá fora, formam-se filas de novos casos e ouve-se o grito de horror, de socorro, e o choro dos familiares.

Onde estão os milionários, suas benemerências, seus jatos? Onde estão os militares que ainda se prezavam? Onde estão as organizações médicas? O que estão fazendo os congressistas? Os artistas se movimentam como podem, tentando arrebanhar tubos de oxigênio para enviar, mas podem muito pouco. A FAB? Manda, bem agora, aviões de carga para apertar parafusos fora do país.

O desgoverno é total. O General da cara redonda se reúne com o presidente e ainda ri, em meio a ampla gama de bobagens que proferem, como se não tivessem nada a ver com isso, empunhando caixas de remédios inúteis que compraram e que deve ter enchido é os seus bolsos. Em qualquer lugar do mundo já deveriam estar presos, sendo julgados por crimes contra a humanidade. Aqui, continuam livres, escrevendo declarações que serão guardadas porque haverão de ser julgados.  As pessoas pedem ar. Pedem vacinas. Pedem médicos, enfermeiros. Recebem ignorância, descaso, incompetência.

Não é mais nem de perto uma questão ideológica. Chegamos a um ponto em que esses seres só podem continuar sendo apoiados por bandidos. Ou por ignorantes iguais a eles, de má fé. A bandeira do Brasil está, sim, enfim, pintada de vermelho, do sangue de seu povo.

Brincam com as nossas vidas. Continuam com sua doente sanha negacionista, pregando contra a Ciência, contra as máscaras, nos negando as vacinas que há muito já deveríamos ter recebido e ainda nem aprovadas estão pela burocracia safada imposta pela agência governamental que dia após dia pede papéis. Mentem. O tempo passa, e o ar de todos está irrespirável.

É hora da revolta. É política genocida, sim, não há mais como negar. Precisa ser contida. Denunciada. Combatida, seja como for. Nem que seja com o sangue de quem puder partir para a batalha, como já precisamos fazer durante o período mais negro de nossa história, a ditadura, e que agora parece estar sendo revivida, e de forma ainda mais cruel. Assistimos ao vivo, diariamente, as mortes, por tortura; tiram o ar de quem precisa respirar.

Olho no espelho. Minhas olheiras estão cada vez mais profundas, porque não há quem possa dormir tranquilo assistindo a história se desenrolando dessa forma. Os pesadelos são a cada dia mais reais. Acordamos e eles estão lá, à espreita, acontecendo diante de nossos olhos bem abertos.

Não há mais muito tempo, nem paciência possível. Já! Queremos sentir a agulha entrando em nossos braços com a vacina. Será ela o remédio, a força, a coragem, a esperança, a forma de novamente sairmos ao ar livre.

E esse é justamente o medo deles, entenda de uma vez por todas porque a nós está sendo negada essa possibilidade. Eles temem o que sabem que não mais poderão controlar.

Está chegando a hora deste rompimento. A hora está chegando. Não sei como, mas dá para sentir que como está não ficará mais muito tempo. A revolta do século se aproxima. Que seja pacífica. E alegre.

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FOTO: Gal Oppido

MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon).

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ARTIGO – Alô, alô, brasileiro. Por Marli Gonçalves

Alô, alô! Aqui quem fala é daqui mesmo. Embora Marte pareça agora até um lugar mais agradável. De alguma forma estamos muito perto uns dos outros e sofrendo as mesmas coisas, independente de nos conhecermos ou não. A fita não muda, parece que as coisas só pioram, e não sabemos até quando iremos resistir

ALÔ ALÔ

Como estão vocês? Para variar, como diz a música, estamos em guerra, você bem imagina a loucura porque a vivemos dia após dia. Tendo de escutar toda sorte de provocações, bobagens, ataques despropositados, declarações estapafúrdias e comentários insanos, vindos de quem deveria nos trazer soluções. A coisa está ficando ruça. 2021, avante!

Pensar no amanhã, planejar qualquer coisa, parece mesmo impossível. O mundo todo de ponta-cabeça, sacudido, acuado, dividido, isolado, batendo recordes de tudo o que é ruim. Não tem para onde fugir no Planeta.

Alô, alô, marciano. A crise tá virando zona. Cada um por si, todo mundo na lona…Temos de agradecer e nos contentar em estarmos vivos, no meio dessa loucura, nos resguardando e acumulando forças para uma reação geral que hoje se dá apenas em redes sociais, palavras ao vento, memes, indignações que se somam e somem nos minutos seguintes. Virá?

Aqui, contamos mais de 200 mil mortes; mais de oito milhões de contaminados. Isso, em números oficiais, porque a coisa é certamente muito pior, talvez um dia saibamos a realidade desses tempos tenebrosos. Vocês têm noção do número de pessoas doentes que não conseguem ao menos fazer exames? Sabem os preços desses exames? Já precisaram deles?  Onde estão? Quantas pessoas próximas já perdeu?

Um ministro preguiça da cara redonda e olhinhos assustados tem o desplante de, assim como o seu ridículo chefe, ousar culpar a imprensa por divulgar as parcas informações de que dispõe, e com muitas dificuldades. Nossos ouvidos feitos de penicos. Um vaivém de decisões.  Briga de poderes, de Poder. Nem uma vacina aprovada até esse momento pela agência reguladora, de Estado, mas que como as outras agências se confunde com governo, nos deixando descobertos. Fazendo de tudo, parece, para que se espalhe insegurança com relação às vacinas, sejam de onde vierem. De planos, o céu está cheio.

Como bem disse Zeca Pagodinho de forma exemplar, quero tomar qualquer uma, se possível todas, uma em cada braço, uma em que cada lado da nádega.

Ah, mas não é só isso, vejam só a ousadia – poucos dias após as eleições – do Governo do Estado de São Paulo e Prefeitura, aproveitando o recolhimento obrigatório que nos cala e tira dos protestos nas ruas, em aumentar impostos e cancelar a gratuidade do transporte público para idosos entre 60 e 65 anos. Eles se (v) (r)endem ao lobby das empresas, e nem coram.

Todos serão cancelados assim que possível. Hão de se abrir as gavetas que guardam os pedidos de afastamento. Hão de surgir as liminares que reponham nossos direitos.

Parece não ter fim o desrespeito. E adicione-se o desrespeito de parte da população com comportamento insano, como se a vida já tivesse voltado ao normal, e que viraram arminhas humanas andando por aí, aglomerados, infectando e matando sem dó, sem máscaras, rindo à toa, e ainda marcando um carnaval do horror no calendário.

Essa semana assistimos, perplexos, a democracia ser ferida em seu berço, os Estados Unidos, cantado em verso e prosa, e até aqui nosso exemplo de ordem e justiça. O mundo inteiro repudia. Menos aqui, nesse planeta Brasil onde estamos; pior, ainda ousam nos ameaçar com o mesmo nas eleições de 2022.

As nuvens negras passam em cima de nossas cabeças. Os aviões estão no ar. Temo que tenhamos de apelar ao homem mais rico do mundo, Elon Musk, que gosta de brincar e investir no espaço. Quem sabe consiga nos levar aos marcianos, que devem estar bem atentos aos sinais que captam.

Alô, alô, marcianos! Aqui quem fala é da Terra!

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MARLI

MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon).

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ARTIGO – Os medos de dezembro. Por Marli Gonçalves

Difícil tocar nesse assunto desagradável, mas temos que bater a real: este dezembro será muito esquisito, tanto quanto quase o ano inteiro de 2020 foi, ou até um pouco mais, se novamente formos cobertos por mais uma onda alta sem que nem tenhamos recuperado o fôlego e já com nossa saúde mental tão afetada

DEZEMBRO

Lembro de fevereiro, o povo nas ruas, fantasiando suas liberdades e alegria atrás de trios elétricos, se espremendo, se encostando, se pegando, suor, brilhos, unicórnios, purpurina. Em quantas coisas ainda, persistentes, acreditávamos. Que Bolsonaro não resistiria mais muito tempo com suas sandices, que já ouvíamos sem acreditar que pudessem piorar, uma das principais. E, para aumentar mais ainda a desilusão de tudo o que os outros meses acabaram nos trazendo, o homem está aí, cada vez mais celerado e fora de si, criando fatos e nomeando pessoas que tornam ainda piores e incertos nossos dias.

No Carnaval e até antes, na passagem de ano, eu estava por perto, assistindo às festas nas ruas, mas já muito ressabiada com os ventos que sopravam do Oriente sussurrando uma doença que se espalhava pelo ar fechando cidades inteiras. Por precaução já tentava me manter mais longe, também até por conta do pânico de aglomerações, pavor que ganhei há alguns anos após um acidente no meio de uma delas. Sempre preciso estar perto de uma saída, sempre preciso saber como escapar, sempre preciso conhecer a área onde estou para me sentir segura. Agora não existe mais essa área, essa saída segura, o beijo, o abraço, e nem sorrisos mais são vistos.

Mas, admita, creio que nunca imaginamos de verdade o que poderia ocorrer aqui. O que aconteceu em todo o mundo. Que tantas vidas seriam levadas, de gente tão próxima, tão rápido. Que, ao contrário das ruas transbordantes, veríamos por meses portas fechadas, ruas desertas, capitais que viraram cidades mortas, fantasmas, onde transitavam apenas entregadores em motos e bikes. Que tanto álcool em gel seria usado em nossas mãos que se esfregam nervosamente. Que os rostos seriam cobertos por máscaras, e elas não eram de fantasias. Que nossos passos, o ir e vir, seriam determinados por regras governamentais. Que esse pesadelo se estenderia por todos esses meses, sem cura, sem solução.

…Adoraria afirmar que os alquimistas estão chegando com uma fórmula mágica. Mas a verdade é outra: os oportunistas estão chegando; estão chegando os oportunistas.

Que outra fase dessas viria e ainda há quem nela não acredite. Pior. Muitas portas permanecem fechadas. E as ruas? Lotadas, como se não houvesse amanhã, apenas outros dias anormais.

Agora chegou dezembro, e quando pensávamos que os caminhos estariam mais livres, eis que podemos ser cobertos por outra onda, e nem bem passou a espuma da primeira, que nos deu um caldo, afogou muita gente, detonou o país. Agora, ainda sem vacina ou proteção especial, estamos sem recursos, cansados, descrentes ao ver que pouco se aprendeu, e que muitas pessoas, principalmente jovens, estão preferindo apostar no pior, pouco se importando se espalham vírus que matam gente que elas nunca chegarão a conhecer ou nem a saber que foram as culpadas.

Pensam, talvez, que estejam praticando a liberdade, a desobediência civil? Exercendo “sagrados direitos inalienáveis”, curtindo a clandestinidade, desafiando o proibido, ou apenas vendo se adiam um pouco mais a volta às aulas onde aprenderiam que o futuro poderá penalizá-los de forma cruel por essas atitudes?

Como passaremos esse final de ano me parece um grande mistério, entre os maiores que já vivi. Há festas marcadas, lugares com reservas esgotadas. Como fechar as praias onde estarão indo e vindo as irresistíveis sete ondinhas a serem puladas? Que regras serão impostas? E quem as fiscalizará de verdade? Como as famílias se reunirão, sendo que algumas não tiveram contato entre si todos esses meses até agora? Como preservar os idosos?

Com a economia no buraco, a miséria e o desemprego, será que este ano vai bater aquele sentimento comum às festas de fim de ano quando todo mundo vira bonzinho da forma muito superficial, e quem pode finalmente abrirá a mão, o bolso, dividirá o pão? Ou alguns desses que podem, que mandam e desmandam, apenas aproveitarão para poder mais, dar ordens que não deviam, fazer muxoxo dos que se protegem, fazendo que um outro vírus que já se aproxima célere espalhe ainda mais incertezas?

Adoraria afirmar que os alquimistas estão chegando com uma fórmula mágica. Mas a verdade é outra: os oportunistas estão chegando; estão chegando os oportunistas.

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ARTIGO – Elogio da Loucura. Por Marli Gonçalves

 A Deusa Loucura está entre nós, confortável e ironicamente instalada em todo o mundo, mas muito mais próxima de nós, rindo satisfeita de suas artes que obrigaram a quem fez muxoxo ficar bem esperto, que fizeram tremer as bolsas, as carteiras, as mochilas. Artes que, inclusive, nos mostram todos os dias o perigo da ignorância que ainda grassa

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O bom humor nacional, o jeitinho brasileiro, essa ginga toda, não tem limites, e às vezes penso que, se de um lado é bom, suaviza um pouco as coisas, de outro é também o que nos mantêm inertes quando tratamos de situações que requerem ações, responsabilidade, sabedoria e conhecimento.

Essa semana de tremores e terremotos, de angústia e preocupação valerá por muito tempo como reflexão dos caminhos e do comportamento nacional. Deve ser assinalada nos calendários da história, vista e revista como a dos dias que despertaram toda a sorte de incertezas, chamaram o medo para dentro das casas, onde tememos ficar isolados. E não sabemos se será assim, ou melhor, ou ainda pior, na semana seguinte, nos dias seguintes, ou, ainda, nos meses seguintes. Nem como será a sequela que deixará, além da cicatriz que for se fechando.

Os dias que não poderemos beijar, abraçar, dar as mãos, tocar, sem temor. Quando o tremor e o temor se juntam como em um anagrama do I-Ching. E o baile de máscaras não tem beleza, nem sedução, nem fantasia como ousou dizer o homem que nos governa, obrigado rapidamente a tirar a sua própria máscara da ignorância, e que agora deveria arrancar também de todos os que cegamente querem impor as suas tolas palavras e sua inversão de valores a toda a sociedade. Sentiu em sua própria nuca o bafo da realidade. Seu rosto foi obrigado a se desvendar, de forma a se desobrigar de responsabilidade com o ato que convocou, como um tapa na cara de todos os democratas.

Um grupo sem qualquer empatia, agressivo, autoritário, descontrolado dirige a nação em momento tão delicado; que já o era, mas agora soma à sua crise social, econômica, política e de poder  – de repente, estonteante, rapidamente – fatores inesperados como crise na área de petróleo, queda das bolsas, aumento sideral do dólar, e um novo vírus se espalhando, somando-se ao sarampo que voltou com mala e cuia, à dengue e à miséria. Como vai ser propor, se necessário, o isolamento do nosso povo?

Vem da iniciativa privada as decisões mais apropriadas e, agora sim, a palavra cancelar perdeu seu sentido frufru e passou a existir, canceladas atividades, reuniões, eventos, shows, partidas, etc., pelo menos até o fim deste mês. Alguém tinha de levar a sério esse assunto, sem meter os pés pelas mãos a não ser como o cumprimento inventado lá no Oriente de bater as pontas dos pés numa dança que logo ganhará nome e ritmos.

A insanidade do centro do poder nacional está tomando proporções que já não cabem mais apenas em comentários políticos feitos por jornalistas, sempre recebidos por xingamentos e bananas. Não cabem mais nos recados mal escritos que nos mandam através de redes sociais robotizadas para evitar que sejam questionados em suas informações e visões dantescas do mundo. Eles, salvo exceções – e nessas horas terríveis nossa visão fica mais aguçada – mostram-se de tal forma inadequados, inapropriados e desproporcionais que havemos de temer o desfecho local dessa terrível temporada.

Se a Deusa Loucura nasce rindo no secular ensaio de Erasmo de Roterdã que com fina ironia expõe a situação que visualizava, não desejaremos nós que a tristeza seja o fim, quando se teima em insistir no que nesse caso não é nada bom do ditado citado na obra, e que assistimos no poder atual: “Não tens quem te elogie? Elogia-te a ti mesmo”.

Um perigo.

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ARTIGO – Em seu nome, Brasil. Por Marli Gonçalves

EM SEU NOME, BRASIL

Marli Gonçalves

Quantas já se fizeram em seu nome, quantas aprontaram! Pelo Bem da Pátria, como desculpas, porque você é lindo, promissor, tropical, seu povo é cordato, isso e aquilo. Quanto já se prometeu e pouco se cumpriu. Mas de esperança em esperança lá estamos nós de novo. Desta vez, ou melhor, mais uma vez, tateando no escuro, buscando onde é que está o botãozinho da luz, o nosso Ponto G coletivo

Meu povo, Brasil, já vivi para ver de um tudo, de bom, de ruim. Eu mesma nasci no sensacional ano de 1958, pelo qual tenho grande simpatia, e ainda além de mim mesma, que cheguei no pedaço.

Vivemos períodos novos, interessantes, violentos, estressantes, de crescimento e de queda, de orgulho e de vergonha. Já acreditei em promessas e me frustrei. Não acreditei e fui surpreendida. Não estava nem aí – e nem aqui, para falar a verdade – quando o caçador de marajás caçou foi o dinheiro do cofrinho de todos. Como naquela frase …como eu não tinha nada, não me importei… Assisti de camarote aos caras pintadas nas ruas. Feliz porque tinha ali gente a fim de participar ativamente – podíamos descansar um pouco, depois dos anos 60,70, e 80 – esses de tanta vontade represada, que o tal “novo” daquela ocasião acabou eleito, e deu no que deu.

E assim foi, de passo em passo até chegarmos ao primeiro Governo Lula, ao segundo… e ao desastre total e irrestrito do terceiro, gerado com aquela interposta pessoa que ainda tive de ouvir muitas cobranças de que eu devia apoiá-la por ser mulher. Lá fomos nós às ruas, bandeirinha verde e amarela em punho pelo impeachment e ao mesmo tempo uma desconfiança muito grande com o que também já era possível observar e se juntava ali, agora ovo chocado. Deles, grupos ali no meio e nas pontas das avenidas, ouvíamos xingamentos, grosserias, cânticos e palavras de ordem estranhas, enviesadas, desconexas, que viam vermelho em tudo. Alguns batendo continência.

Mas pensávamos que nada poderia ser pior na sequência. Ah, pode sim.LABRASIL0219

Agora, trancos e barrancos chegamos às vias de fato, do fato que nessa eleição se coloca tão clara e vergonhosamente. Antes, pediram uma mulher, veio uma; agora pedem uma simbiose Frankenstein e assim foi moldado. Na panela, o caldo mexeu: um político há 30 anos “que não é político”, “elite zóio azul”, careta e conservador, jovem, fala igual ao povo, cara de machinho, aparenta coragem, casado com mulher, filhos, e é temente a Deus. Tem outros temperos nessa receita, mas me permito não enumerar agora.

(Olho para os seus olhos e me inquieto. São vagos, sem brilho, mexem irrequietos e fugidios, desviam-se seguidamente do interlocutor.)

No fundo, nada vai ficar muito diferente no patamar cotidiano de Governo, enquanto houver as interdependências e as dependências dos Poderes.

O que assusta é que foram abertas cavernas e poços, onde se escondia um outro caldo de uma alma nacional não gentil, e que vem jorrando, manchando o solo.

Em seu nome, Brasil, vão cantar muito o Hino Nacional, manterão suas hipocrisias em soluções para problemas que mais uma vez não será dessa forma que serão resolvidos. Talvez até sejam ampliados. Precisaremos manter-nos firmes em nossos barquinhos nessa correnteza. Que o vento sopre a nosso favor, sereno.

O voto é nacional. A maioria ganha. Quem perde, se reorganiza. Quem pode, pode; quem não pode se sacode.

OFERECIDA E BRASILEIRA

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Marli Gonçalves – jornalista. Qualquer coisa a desculpa sempre será a mesma; em seu nome, Brasil.

marli@brickmann.com.br e marligo@uol.com.br

2018 se define

ARTIGO – NÃO FALO MAIS NADA. POR MARLI GONÇALVES

boca de caçapaBem mesmo fez um amigo meu, grande articulista e cronista. Tirou férias. Largou a caneta, não está batucando nas pretinhas, saiu fora, só volta depois das eleições e isso só depois do segundo turno. Ele tem lá suas razões pessoais, mas na geral a coisa está difícil. Não quero brigar com ninguém – até porque, acreditem, nenhum desses que nos disputam vale qualquer aborrecimento

Como vocês estão se virando nesse tempo estranho que estamos passando? Como têm mantido a paz com quem se relacionam? Tenho ficado bem quietinha aqui no meu canto. Redes sociais, leio tudo, tenho conhecidos e amigos do mais amplo espectro da política, que nunca fui de misturar opinião política e amizade por ser uma combinação explosiva.

Não opino. Mas leio. E nunca li tantas bobagens, conspirações, mentiras, argumentos vergonhosos, comentários vis, absurdos, como agora, vindo de todos os lados. Nem naquele tempo. Mas na época não tinha tantas redes sociais, tanto entrelaçamento. Nem tanto ódio entre as pessoas. Estávamos praticamente todos no mesmo campo de batalha.

Eu temia isso, e o que eu temia aconteceu. Outro dia sai e encontrei queridos amigos, verdadeiramente, pessoas que conheço das priscas eras quando também eu acreditei em certos líderes que queriam mudar o país, melhorar as desigualdades, proteger os trabalhadores, que juravam ética e luta pelo bem-estar dos cidadãos num país rico, orgulhoso, em crescimento, e principalmente em sintonia com o mundo cada vez mais globalizado. O sonho. O Éden.

(Só para esclarecer: participei da fundação do PT, de onde me mandei logo que os primeiros sinais de desvio apareceram e não demoraram muito, fui da Anistia, participei de movimento estudantil – enfim, minha ficha na vida e no DOPS é grande: sou do Bem! Mas não sou do A nem do B, e acho mesmo que não estamos com sorte para escolher dessa lista.)

Tudo ia correndo bem na conversa até que as quatro letrinhas apareceram: L-u-l-a. Do nada, ouvi pasma uma declaração romântica, apaixonada, cega, religiosa, de uma fé absurda, seja nele, seja aliás em qualquer outro ser humano, já que todos viemos ao mundo com fortes defeitos de fábrica. Meus olhos que já são grandes aumentaram. Minha boca secou. E agora? Minha opinião seria a última coisa que gostariam de ouvir naquele momento e de nada mudaria – só criaria uma tensão desnecessária. Se o povo não mudou até agora, após dois processos gigantescos e rumorosos, mensalão, lava Jato, julgado e rejulgado, listas de petistas presos ou em vias de, gravações, marcas de batom em malas, bolsinhas, cuecas e calcinhas não vou ser eu a reorientá-los, modestamente falando. Nem quero, não adiantaria mesmo.

Me fiz de morta, de Cleópatra, e sai andando, como se nada tivesse escutado. Feliz porque acho que consegui controlar as emoções do meu rosto, que transparecem com muita facilidade.

Mas descobri o que acontece: ficam tanto tempo caçando tucanos, essa espécie já tão démodé, que não veem que o inimigo – de todos, o pior, antiquado e inadequado, o mais perigoso, velho de ideias e ações, ventríloquo de milico – é o lado para o qual deviam ser apontadas todas as forças contrárias. Obrigação de todos nós, que estudamos; é um dever que temos.

Só que não quero magoar e perder amigos. Principalmente os que tendem para o lado esquerdo do coração; os que acham que o Bolsonaro é solução já não faço tanta questão de manter, se vierem para cima de mim – aliás, tenho tido de decepar uns e outros. Desculpem, mas a ignorância mata. Já matou e feriu muita gente minha.

Para terminar: eleições passam. Mas pelo menos em minha memória ficarão bem claras a índole e a lista dos que para se sentirem em cima da carne seca comemoram a morte de pessoas e empresas, jornalistas que atacam a… imprensa! especialmente porque nela não têm ou tiveram lugar, e os que fazem de conta que não estão ganhando nada para passar o dia inteirinho no bombardeio.

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Marli Gonçalves, jornalista – Mais não falo. Mas estarei sempre pronta para me defender e aos meus.

marligo@uol.com.br e marli@brickmann.com.br

Brasil, triste 2018

ARTIGO – Mucunaímas, vambora Vambora. Por Marli Gonçalves

Sabe aqueles filmes antigos tipo O Gordo e O Magro, ou os do Chaplin, em alguma cena em que alguém aparece e põe eles para correr de algum lugar, chuchando os seus traseiros? A típica cena de uma dupla de palhaços se apresentando no circo, em que invariavelmente um ameaça chutar o outro com aqueles sapatos enormes e pontudos? O que mais a gente pode fazer para eles se mexerem e o país voltar a andar? Já ouviu falar em pó-de-mico? Os Mucunaímas seriam os novos heróis.

Todo dia eles fazem tudo igual, discutem, dão entrevistas, denunciam, são denunciados, escolhem uma gravata e que terno azul marinho ou cinza vão usar para sentar-se à frente das câmeras de tevê que registram seus sonolentos discursos, apartes, cantilenas e escamoteios. São os políticos. Os juízes da Corte Máxima fazem quebra de braço, ora entre si, ora entre os Poderes. O Executivo não executa mais há algum bom tempo – o Dilma 2.0 não chegou nem a começar porque o carro lotado de mentiras já chegou na pista bem avariado e vem sendo trazido aos soluços até aqui, empurrado arrastado, mais de um ano e oito meses depois.

Parece que estamos vivendo uma ficção, mas o problema é que é bem real. Não é Macondo, mesmo com tantas cenas surrealistas se repetindo diante de nossos olhos, entre elas esses dias ver a criação de um governo fictício para ser como o macaco quando fura o pneu do carro. Muito louco. Saem os supostos suspeitos. Entram os supostos governantes no pretérito do Futuro, num pretérito perfeito. Não tem poesia. O que se vê é muita gente criando novelas, acreditando em suas próprias mentiras, e se enrolando e tentando enrolar mais gente. São vistos por aí falando a palavra golpe, o que os torna fáceis de serem identificados, muitos do bem, que não gostam muito de mudanças bruscas e querem sempre ficar do lado mais combativo, onde ficam fazendo “aspas” no ar com os dedos; tudo é golpe; golpe daqui – golpe dali.

Esses aí são combatidos, de outro lado, por outros que parecem saídos de contos do terror, zumbis também. Passam dia e noite falando que tudo é comunismo, esquerdopatia, petralhice e divulgando textos raivosos com informações questionáveis.

Virou guerra boba, de criança. Com bonequinhos infláveis e balões e patinhos. Um cospe no outro. O outro e a outra vão para o meio da avenida cuspir e fazer xixi e cocô na fotografia. Juntam dez para fazer fumaça e parar estradas, ameaçam rebolar e pôr para quebrar. Assim, inflamam mais ainda os que acham que vacina de HPV incentiva as meninas ao sexo, são capazes de acreditar que homossexualismo pode ser ensinado nas escolas, embutido nas cabeças, transportado em cartilhas, e desenterram o que de mais torpe esse país já teve, uma ditadura, tortura, mortes e seus agentes. Saíram da cozinha onde estavam a pueril coxinha e a popular mortadela. Agora estão todos no banheiro.

Tudo isso é o que dá mais combustível para os extremos. De um lado e de outro.

E nós? Os que seguram essas pontas? Os que estão tentando andar num país parado, vender algo no país que não tem dinheiro, comprar comida ao menos? Os que não tem nada a ver com isso e que, engolfados, são os maiores prejudicados? Os já onze milhões de desempregados, milhares de doentes sem remédios nem eira, nem beira, nem maca, as crianças microcefálicas atingidas por mosquitos e toda uma série que forma a que será, seja para quem for, como for, a herança maldita.

Tenho repetido o que me parece muito claro. O atual governo está sendo derrubado.

Não caiu ainda; está caindo. Tanto não é golpe que tem essa demora toda, porque está todo mundo – ou pelo menos a maioria que quer o seu fim- pisando em ovos, buscando fazer tudo certinho, ler até as letras pequenininhas. No momento se julgam as tais pedaladas, os fatos específicos que para a grande população pouco importam, se é isso ou se é por causa do cabelo dela. Não somos um país com tradição e conhecimento político, e teremos essa certeza quando o voto não for obrigatório. O que digo é que a maioria já está ficando de saco cheio da demora, de ouvir a mesma coisa, de todo dia conhecer um bandido novo e a situação ficar sempre mais alarmante. Querem, como disse no começo, dar um chute em alguns traseiros, jogar pó-de-mico onde esses caras passam para ver eles se coçarem.

Querem que se cocem, no sentido figurado, ou seja, que saiam andando do poder o mais rápido, enquanto ainda podemos agir e voltar para um bom caminho.

Momento informação: o pó de mico vem de uma planta chamada Mucuna ou mucunã com pelos que soltam uma enzima urticante chamada, vejam só, mucunaíma, e que dizem também ser excelente contra vermes.

Seríamos então um novo vetor popular nacional: seríamos todos temidos Mucunaímas.

Marli Gonçalves, jornalista Precisaram tantos anos de vida para só agora entender porque tantas pessoas se apegam tanto a Deus, seja ele brasileiro ou não. Só Ele mesmo talvez possa nos ajudar. É pelo menos o único em quem podemos confiar.

SP, MAIO 2016

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Análise de Cesar Maia – Como será, seria, pode ser, os nossos dias de Copa

3d_Animasi_Fire_Ball_Animated_O QUE PREOCUPA -PARA VALER- NA COPA!

1. Em reunião de simulação de situações em Brasília, os analistas chegaram à conclusão que a Copa em si não será problema. Em torno dos estádios se colocam cinturões de isolamento com duas circunferências concêntricas.

2. Os assistentes mostrariam seus ingressos em cada uma delas e finalmente no estádio. Mobilizações eventuais ficariam na parte externa à primeira circunferência. Um pouco de barulho, alguma ação de separação por parte da polícia e nada mais grave.

3. E assim se iria até a grande final no Maracanã. Bem, se o Brasil for vencendo as etapas anteriores. Mas se não for…

4. Esse é o ponto. Se o Brasil for desclassificado até a semifinal, os riscos de grandes manifestações serão enormes. Nelas estariam os manifestantes de sempre somados aos torcedores frustrados que convergiriam com os demais no sentido que tudo foi um gasto inútil. Um sentimento muito mais intenso que em 1950.

5. A conclusão unânime é que a paz na copa, ou pelo menos as manifestações sob controle dependem muito mais da seleção brasileira que dos esquemas policiais e militares. Que no caso de uma desclassificação prematura da seleção não haverá força policial ou militar capaz de conter as manifestações.

6. Assim, a responsabilidade da seleção será dupla: vencer as partidas e conter as manifestações. E, portanto, governos federal e estaduais nunca torcerão tanto pela seleção canarinha como agora na Copa-2014.

7. E se isso -a desclassificação- acontecer logo na segunda fase…, salve-se quem puder.

….. >>>>>fonte: EX-BLOG DE CESAR MAIA

ARTIGO – Tô cansada. Por Marli Gonçalves

792640_5WFIKZK42PWQA5TSZLUVEFITBZ7KPZ_fatiguee_H210633_LVerdade que em português a expressão não tem o charme e o elã da mesma coisa dita em francês – “Je suis Fatigué”- que sempre se escuta, especialmente nas ruas de Paris. Um enfado. Quando vivi lá um tempinho fiquei muito impressionada como pode ser aplicada a tantas coisas. Então, veja só, virou o Manifesto do Tô Cansada

FADIGA

Tô cansada. Física e emocionalmente falando. Mas sabe que me sinto assim justamente por estar cansada, muito cansada, mais ainda de suportar coisas, fatos, versões e etcs externos? E você vai concordar comigo, seja de direita, esquerda ou sei lá; seja branco, preto, amarelo, vermelho. Tédio e cansaço andam juntos.

Tô cansada da pobreza em que anda a política nacional, que consegue até fazer de gente inteligente uns verdadeiros imbecis na defesa do escancarado indefensável, e usando argumentos que ora, ora, ora, faça-me o favor! Tô cansada desse clima de beligerância, de torcida de futebol, de xingação que não leva a nada. Uns querendo que os caras morram; outros querendo que eles sejam incensados, santos, virem mártires. Apontando o dedinho: alguém aí já foi ou tem ideia do que é a vida numa prisão? Já não basta? Não querem também que eles durmam em cama de faquires, cheias de prego?fatiguer

3481db0aTô cansada, e muito, por outro lado, de acharem que somos um tipo de idiotas que têm de aguentar ouvir dizer que os caras são coitadinhos. Que conseguem empregos de 20 mil em hotel porque “empregos regeneram detentos”, como o dono do tal hotel ousou declarar (aliás, já pensou essa informação correndo na Detenção, a fila que se formará?). Enfim, tô cansada dessa política rastaquera que junta trem com fiscal, junta Brasil com Suíça e Alemanha, uma briga para saber quem é ou foi mais corrupto, quando, desde quando, em quais governos. Fora as indiretas: pegaram carregamento de cocaína em helicóptero de deputado mineiro, e a tocha acende no couro do Aécio. Quer acusar, acusa logo formalmente. Achar que ele cheira, cheirou ou cheirará é apenas chato, e também não vai ajudar ninguém a permanecer no poder fazendo campanha suja. Lula bebeu, mas não sei se bebe ainda ou se beberá, tá? Mas é que fotos dele para lá de Bagdá circulam desde os imemoriais tempos do sindicato. E não o impediram de chegar duas vezes à Presidência da República.

pleurer_filletteTô cansada de sentir medo. E de ouvir sobre o medo dos outros, que paralisa os mercados. De andar olhando para tudo quanto é lado, suspeitando de todos. Cansada de viver nessa tensão de cidade. Cansada de invariavelmente abrir o jornal, site, portal, ligar o rádio ou tevê e em poucos minutos saber de mais um sem número de mulheres mortas em violência doméstica, criancinhas sendo usadas como trapinhos, inclusive sexuais. Tô cansada do trânsito. Da perda de tempo. Da violência nas ruas, com gente se matando e brigando por causa de latarias, buzinas. Tô cansada de ouvir os números de recordes de trânsito e de ver as faixas pintadas que inventaram, e que me lembram a história de como hipnotizar uma galinha. Risca o chão e põe o bico dela na faixa.

Tô cansada das deselegâncias. Da falta de educação e de um mínimo de civilidade. Da falta de reconhecimento. Das sacanagens vindas de todos os lados tentando botar a mão no seu bolso para arrancar algum. Tô cansada da indústria de multas. Da leniência da Justiça. Dos juízes que não leem os processos que julgam, e que decidem – claro, quando querem, num tempo considerável que se deram – com uma canetada a vida de quem tenta se defender de abusos.parler_beaucoup

Tô cansada dessa absurda e silenciosa alta de preços que todos nós sentimos e que eles negam porque negam quando reclamamos de nossas sacolas vazias, do que cortamos do orçamento, com mãos de tesoura.

Tô cansada da falta de amizade, e da incompreensão das coisas mais básicas. Tô cansada de ver a miséria e a pobreza real, nas ruas, que desaparece nas propagandas oficiais com figurantes risonhos. Aliás, tô cansada das propagandas oficiais de um tudo que apenas disfarça campanhas ilegais, mais do que antecipadas, com uns cara de pau andando em campos verdes dizendo que vão melhorar coisas que já deviam ter melhorado faz muito tempo, já que estão no poder e me lembram o Cazuza – “meus inimigos estão no poder…”sprizgja

Tô cansada de ver ainda existirem tantas tentativas de censura, e de algumas conseguirem sucesso. De ver triunfar nulidades. De ver o Brasil sempre pensando no futuro, que nunca chega.

“Mas o pior é o súbito cansaço de tudo. Parece uma fartura, parece que já se teve tudo e que não se quer mais nada” (Clarice Lispector)

Bugs-Bunny-est-fatigueSão Paulo, fim do maldito ano de 2013

Marli Gonçalves é jornalista – Na verdade, verdadeira, “je suis três fatigue”. Mais: “tô de sacô cheiô”.

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ARTIGO – Vem quente que eu estou fervendo, por Marli Gonçalves

Quanto mais quente, melhor? Nem sempre. Alguma coisa parece estar fora da ordem e o calor não é mais aquele, só gostoso, de vontade de pegar uma praia, tomar cerveja, se lambuzar de sorvete. É estafante, diminui qualquer vontade e arrasa qualquer lógica; faz acreditar e delirar até que só a gente está tendo aquela sensação horrorosa, certa paranóia. E os acontecimentos não param de chegar: más notícias mundiais, medos e ameaças, previsões catastróficas e a maldita realidade esquentando nossas orelhas, até com caçadas humanas

Parece que estamos derretendo e o verão ainda nem chegou. O ar rarefeito e seco embota os pensamentos, e é muito difícil trabalhar pensando, com alguma atividade intelectual, necessitando de ideias e criatividade nesses dias em que a coisa pega pesado, que o tempo esquenta tanto que a gente acha que vai fritar que nem bolinho. E se nem pensar dá, imagine quem tem de fazer esforços físicos, braçais. Nesse tempo quente, tudo esquenta, a cabeça esquenta, e certamente sobe o índice de agressões e desentendimentos e desinteligências que ocorrem por aí porque ficamos muito mais irritados quando as roupas grudam no corpo e você sua, pinga, e ainda vem alguém lhe pagar um sapo, ou tentando lhe dar uma volta.

O calor que faz é quase selvagem. Não é civilizado, diz um amigo.

Penso imediatamente – no caso, pela nudez permitida – nos índios que, inclusive, também estão na ordem do dia, principalmente uma tribo guarani-caiowaa que conseguiu passar uma angústia enorme para a elite brasileira ao prometer lutar até o fim pela permanência em terras onde chegaram e se instalaram, vizinhos de uma usina que não faz qualquer questão desses vizinhos. Logo, pela internet, lutar até o fim acabou virando rapidamente ameaça de suicídio coletivo e aí foi o Deus-dará.

Do dia quente para a noite quente também, muita gente virou índio, trocou de nome na internet; os índios viraram a bola da vez de um certo delírio social e solidário coletivo, comoção nacional, razão pelo que se condoer, junto com furacões e super tempestades para assistir na tevê, pensando que, puxa, olha só, lá eles também têm desgraças. A água também traz enchentes. Árvores também caem. Mas repara só como muito menos pessoas morrem na desgraça. Porque há previsão, comunicação a tempo, serviços que funcionam, ordens que são cumpridas por todos. Há solidariedade. Um certo governo. Consciência de coletivo.

Depois de refrescar o pensamento com a nudez indígena, penso novamente no calor. E vem à mente os uniformes e fardas que, inclusive, mais do que quentes, tornaram-se roupas muito perigosas ao serem usadas nas ruas de São Paulo e arredores, onde parecem estar virando mira de tiro ao alvo. Todos os dias vários policiais são mortos ou emboscados. No seguinte, o revide, e mais mortes, para o outro lado. Bang-bang mesmo. Boatos e toques de recolher se espalham pela cidade, tornando-a uma verdadeira fogueira. Brasa viva, porque não se sabe para onde ir ou não ir. Zona de guerra urbana.

Só que essa guerra, sabe-se por que, de onde vem, como foi iniciada a sua formação e a organização do comando, ano após ano de negativas de autoridades do que ocorria em suas barbas. E essa organização de três letras que esquenta e sopra as orelhas do Estado e toda sua força policial não é mequetrefe. Rica e bem engendrada, suas raízes devem estar incrustadas crescendo de alguma forma invisível, para surgir quebrando a calçada e derrubando muros, tal como as seringueiras. Invisíveis e podres poderes. Porque o que vemos são apenas os seus soldadinhos bem rasos, esquálidos e bem jovens, sendo carregados mortos em rabecões ou vivos em camburões, onde são jogados invariavelmente com uma camiseta suja, uma bermudinha velha e sandália de dedo. São bucha de canhão, carne de segunda.

Essa coisa é muito maior e mais malévola do que se possa crer. Não é mesmo igual às organizações que nasceram e se criaram no Rio de Janeiro, mas ainda por cima parece evidente que parte dos enxotados de lá vieram para cá e entregaram seus curriculuns criminosos e de comportamento antissocial para serem aceitos e aqui protegidos. Tipo troca de passe.

É um novo cangaço que surge. O calor se espalha. E ainda há bateboca e dizquedizque de política com secretário boca mole, ministro metido, governador insípido e presidente gostando de beija-mão, adulação, para poder fazer cara de brava. Enquanto isso os índices sobem, inclusive os de custo de vida, e os de números de caçadas e mortes estúpidas.

O couro comendo aqui fora. O verão ainda vai chegar. Calor demais. Melhor desamarrar o nó da gravata.

São Paulo, frenesi de sirenes ligadas, 2012

Marli Gonçalves é jornalista Leque virou acessório indispensável para viver no barril de pólvora com fósforo por perto.

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ARTIGO – Baciadas, na cabeça

Marli Gonçalves

Há uma intensidade descomunal em tudo que estamos vivenciando. Não sei se já houve épocas assim, mas devem ter ocorrido – como costumo brincar – quando eu não tinha nascido ainda. Novidades, inventos, notícias, desavenças, crises, e até as recuperações, agora tudo vem em baciadas, como em liquidações de queimas de estoque. E as nossas almas já não cabem mais nem em meras bacias, se as colocarmos à venda

Baldes e baldes, infelizmente de água fria. Potes e potes – não são mais só copos – de mágoas. Está tudo vindo com um furor tal que é assustador. Tudo agora é superlativo, do bom ao pior, e em todo o mundo. Eu não tinha nascido ainda se houve época semelhante. Não me venham com as primaveras dos anos 60, que eram diferentes, nem com as revoluções culturais. Não é esse o assunto. Meu temor maior é quando movimentações ocorrem, sim, mas sempre a partir de manifestações violentas, sem causa e sem padrão, e o que é pior, sem lideranças identificadas. Apenas mártires. Dá até medo pisar sem querer no pé de alguém.

Nada mais basta nesse mundo em que o céu já passou dos limites e o infinito parece mesmo ser a única medida. Tudo é grande, enorme, complexo, interligado. Lembro quando falávamos das prisões como barris de pólvora. Hoje o mundo inteiro é o próprio barril com o pavio queimando, e o óleo se espalha, inflamável. Uma empresa abre o bico e grasna menos AAAs e os mercados se abalam de uma forma muito parecida aos maiores desastres naturais. Milhão não é mais uma grande coisa, e tratamos de bilhões e trilhões, como se até já os tivéssemos visto. 140 caracteres de uma mídia social ultrapassam tratados sociológicos enciclopédicos e descartáveis. Cliques podem ser mais perigosos do que pistolas. Invasões de terrenos em nuvens virtuais, piores do que pragas de gafanhoto.

Tudo é ágil, em desenvolvimento. Estáticos só os nossos políticos, dirigentes e líderes em seus lengalengas completamente desconectados da realidade, que teimam em manter de Norte a Sul. De um lado, o estonteante ritmo das coisas; de outro, a paradeira de nossas boquiabertas expressões ao ver, entre outras cenas, turbas de jovens que, de repente, quase do nada, saem às ruas, quebrando tudo, matando, saqueando e levando na mão grande o que sempre ouviram dizer que era muito bom para consumirem. Então, eles resolvem um dia provar.

Não há ficção que não tenha previsto isso, embora sem tantos detalhes, e sempre lembro de filmes de fuga, de Los Angeles, de Nova York, todos com Kurt Russell, que mostravam as metrópoles destroçadas por maltrapilhos violentos emergindo das trevas, de becos. Está igual, conforme sinistramente previsto bem antes pelo cinema justamente para esta década. Ou pior, se espiarmos de perto, onde eles estão vivendo e se criando, com seus piolhos, sarnas e cachimbos de crack; ou moldados em pensamentos de raça única, ou raça boa, como lá pelos outros cantos.

Ainda não obtivemos, por outro lado, as láureas do progresso, que viriam, por exemplo, com grandes descobertas de cura para doenças terríveis e devastadoras. Não resolvemos o problema da fome, que se agrava, e que pode juntar-se à falta de água. Ainda não sabemos o que é a liberdade verdadeira, porque esta sempre tem seus verdadeiros detalhes censurados.

Entendem-se as revoltas. Revoltamos-nos quando queremos algo e por mais que lutemos não conseguimos alcançar. Muitas delas são revoltas íntimas. Como a que senti, por exemplo, ao saber que um cara tão gente boa e tão belo como o Giannecchini não só pode ficar doente, como fica, e de forma tão grave, humano e mortal como todos, lembrando que somos meros. Apenas meros.

Ficamos revoltados quando jovens morrem e matam de um lado ou outro por causa de copos a mais de exagero de outros tão iguais a eles, iguais a nós. Nos revoltamos quando vemos as caras de pau dos que nos roubam de manhã, de tarde e de noite, e depois ainda vêm esfregar nas nossas caras a riqueza que deveria ser de todos.
Mas em geral nos revoltamos calados, em nossos cantos, cansados de todos esses excessos, de tudo estar tão rápido. Tão grande e tão incontrolável.

Só não fazemos revoluções. Senão elas também viriam em baciadas. E, como ocorreu em Londres, enfim sairíamos todos às ruas usando vassouras em vez de armas. E baldes, como capacetes.

São Paulo, meninos e meninas maluquinhos, 2011(*) Marli Gonçalves é jornalista. Uma profissão que tem de lidar muito com as tais baciadas. E cansada de ouvir falar em faxinas superficiais.

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ARTIGO – Sopas de letrinhas que dizem tudo.

                                                                                                                                                               Marli Gonçalves

 Ufa, vou sentar um pouco para descansar, relaxar, jogar conversa fora. Aliás, conversa, não: letras, letrinhas e letreiros. Siglas, acrônimos, abreviaturas, códigos. Horror dos horrores. Fora as senhas que “nêgo” agora quer, para serem aceitas, que a gente use letras e números, sem repetição, mais de 8. Tudo bem. Sem repetição; até mesmo porque nunca mais a gente lembra qual foi a finalmente aceita pela maquininha.

QAP. TKS. QRU. Permaneça na escuta. Obrigado. Você tem algo para mim? Quem não fica irritado (ou mesmo curioso) quando passa pelos grandalhões dos seguranças – de caras amarradas e olhar de “esgueia” – e os vê segurando radinhos que fazem bips ardidos com caras de agentes 007 e falando em forma de letrinhas? Será que estão dando alguma ordem para matar? Estarão falando mal de mim? SOS.

Estamos rodeados delas. Parece conspiração para que nunca mais nos entendamos entre nós, QSL? Pior é que nesta nova avalanche virtual em que vivemos elas se enfronharam de vez em nossas vidas e algumas resolvem se casar com números.

Cada site quer uma combinação para registro e cada um tem normas próprias. Se for de banco, acrescente-se ITokens e/ou cartões com centenas de mais números.

Charles, Alfa, Roma, Alfa, Charles, Alfa. Caraca. Esse é um código fonético que usa palavras chave para você soletrar claramente e não confundir alhos com bugalhos ou coisas piores. A gente até faz isso normalmente, mas sem grandes decorebas. Vamos já de O, de Ovo; P, de Pato; M, de Maria e N, de Nair, a coitada que acaba sempre entrando na história, e por aí afora, dependendo da criatividade do indivíduo. Na oficial os caras sofisticam: T, de Tango; P, de Papa; o O é de Oscar. Os pilotos usam muito.

Já os “Qs” são de um código internacional instituído em 1959, em Genebra, Suíça.

Agora é tudo sigla ou acrônimo. Sigla é um sinal gráfico, e o mais comum é que seja a primeira letra daquilo que se quer ganhar tempo. Acrônimo é a mesma coisa, mas você fala tudo junto. Entendeu? Tipo PAC (pronuncia-se “páque”). Para nunca ser normal, tem uns que as pessoas usam dos dois jeitos, dependendo de quanto querem parecer melhores. ONGs, por exemplo. Tem uns azedos que falam O, N, G, “oenegê”, enchendo a boca.

Por sua vez, funcionários públicos adoram uma abreviatura, faltam gozar com elas. Principalmente se forem salariais DA-4, DA-5. Também amam dizer que trabalham nelas, as letras. O cara trabalha no Instituto de Catadores de Pipas nas Ruas e enche o peito: vira ICPR. Temo que os serviços públicos nunca funcionem direito por conta dessas porrinhas, dessas letrinhas. Só os Correios, de códigos postais, se contei direito, tem 161 combinações de duas letras. Algumas, diferentes, mas para designar as mesmas coisas. Tipo Objeto Internacional(EF, EG,EU,EV,EX, CD,CE, algumas delas).

Já que comecei a reclamar, vou seguir. Já reparou que ninguém mais faz mais “mestrado”? É MBA (pronuncia-se emibiei), sempre dito com cara de importante, esfregado no interlocutor, como quem diz que é mais inteligente. Cada setor de mercado inventa também um monte delas, as palavrículas, e viram todos diferenciados. Tem sigla para falar em rádios amadores. Aliás, tem gírias. “O Botina Branca vai Bater poeira” (O médico vai tomar banho).O Capacete está vendo Caixa de Abelha” (O sogro está vendo televisão). Se alguém te oferecer um Chá de Urubu, aceite. É café. Copiou? (Escutou?)

Brincando com esse assunto descobri umas coisas bem legais, além de todo esse linguajar. Sabia que tem sites e mais sites de siglas? Tem um, o http://www.siglas.com.br, onde você pode pesquisar, até para entender do que é que estão falando, e que fica o tempo inteiro variando, mostrando uma sigla a cada segundo!Completíssimo. Andei por locais que a razão desconhece: sites de caminhoneiros (cowboys do asfalto, como se intitulam), sites para pessoas e instituições ligadas à segurança no trabalho (354 diferentes). Uma ZDI, Zona de Defesa Interna.

Tem siglas de informática, de exportação, de doenças. Siglas de unidades organizacionais (!), de saúde, de educação. Nasceram de alguma forma de tentativas de simplificação? Pior, grande parte delas é apenas só junta algumas com certo significado, ou sem vogais, ou corruptelas, como no caso do TKS (thanks, obrigado).

Englobando tudo isso, tem mais as siglas partidárias, sindicais e/ou qualquer coisa que não queira exatamente se identificar: PT, PSD, PMDB, PTB, PSDB, PDT, PSTU, UGT, CUT, UNE. OB. Ops, OB não. É marca de absorvente. Maxi, midi, mini.

OBS: imaginem que lembrei agora de umas férias de julho, do ginásio, da tenra adolescência. Tínhamos, acho que no segundo ano, um professor de Química horrível, carrasco, brucutu. Ele andou se irritando com a classe e não teve dúvidas. Nas férias daquele ano nos obrigou a fazer todas as combinações da Tabela Periódica de Elementos, uma a uma, na mão. Um “cobre”, se é que me entendem. Um a um. Um com cada um de todos os outros, seus números e massas atômicas. O Polônio (Po) com o Mendelévio (Md), o Magnésio (Mg) até dar diarréia, e o Bismuto (Bi) até encontrar com o amigo Laurêncio (Lw). O Rutherfórdio (Rw) com o Promécio (Pm).

Bullying! O que deve ter tido de gente que, só de vingança, se inspirou e tirou o nome do filho dessas combinações!

São Paulo, 2011, criptografada, com jargão, em tempos de DNIT

 (*) Marli Gonçalves é jornalista. ASASP (o mais rápido possível), QRV (estarei à sua disposição). A propósito, QSL é Entendido, confirmado. QSL?

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ARTIGO: Balas na cabeça. E sopapos na cara.

 

Marli Gonçalves

Juro. Corri para tudo quanto é lado. Me abaixei, desviei, tampei os ouvidos, cobri os olhos. Mas foi impossível não ter sido alvejada também duramente pela terrível sensação de impotência diante da loucura humana. Todos nós fomos baleados, principalmente na cabeça

 

O que fazer e o que pensar depois que acontecem desgraças como essa? Um homem marca um dia para morrer e matar. Marca o local. Escolhe as vítimas como se fossem tomates na feira. Explode seu vermelho para todos os lados. Prepara-se e executa.

Ouvi falarem que tudo era culpa do não-desarmamento – só que este foi resultado de um plebiscito popular – eu disse ple-bis-ci-to po-pu-lar, de 2005. Ou seja, o país decidiu. Fazer o quê? Os da paz total, onde me incluo, perderam. É assunto para bate-boca para mais de metro. E também não ia adiantar nada.

Ouvi falarem que o gajo era messiânico, islâmico, evangélico, fundamentalista e estranho, além de ter deixado crescer a barba. Vi só que encarnou um demônio, de carne e osso, com seus disparos de morte.

Estou ouvindo baterem a tecla no ato que ele gostava muito de Internet, clamando censura, na verdade, no fundinho, como se, se assim fosse, daquele jeito não teria sido.

Teve irresponsáveis falando em AIDs, homossexualismo latente e não resolvido, virgindade excessiva que teria subido para a cabeça, genética esquizofrênica, e criação por pais adotivos. Na carta que deixou – especialmente escrita, com cuidados gramaticais – daqui de longe vejo só a raiva do não ter vivido, e a busca de uma fantasia que deve ter sido trançada com seu próprio ódio, ano a ano, minuto a minuto.

Difícil entender como poderia ser evitado. Se ele tivesse falado com alguém. Falou? Tentou anunciar em alguma sala de bate-papo? De quem é o perfil no Orkut? Como treinou? Quantas vezes escreveu, leu, rasgou o seu testamento de morte? Onde o imprimiu? Acham que deveríamos ter previsto? Se nem quando as desgraças são previstas, escritas em versos e prosas, publicadas nos jornais, funciona! Alguém sempre diz a outro alguém que deveriam ser tomadas providências urgentes; e assim por diante, como no puro jogo de passa-anel de nossas infâncias.

Terá sido o que hoje até botam um nome pomposo? Bullyng? Ou a famosa e horrorosa, infelizmente uma tradição de afirmação social, a “azaração”. Duvido que algum de vocês, meus leitores adultos, não tenham sido alvo, passado por boas, pelo menos uma vez, apelidados de tudo quanto é coisa na escola! Na vida a gente encontra com seres do Mal em todas as idades e é assim que se vai vivendo. O ponto central, para mim, é lá atrás, nos primórdios: a índole, que se manifesta de alguma forma desde que somos crianças.

Sinceramente? Se eu fosse criança e tivesse assistido nem que fosse só os noticiários básicos, me esconderia debaixo da cama e ninguém mais me arrancava de lá. Se eu fosse adolescente, como o eram todas as vítimas, aí já não sei. Acho que pararia para refletir sobre as loucuras que passam – e como passam! – pela cabeça da gente nessa época, tentando filtrá-las e amadureceria um pouco mais. Entenderia que vida é para ser vivida. Que vida é frágil.

Mas nós, adultos, já vivemos para ver e viver coisas até piores, frutos das sandices humanas, incluindo as que o fazem pelo Poder. Soubemos e vimos gente ser queimada por ser estranha ou diferente; marcada como gado para identificação no matadouro, por professar seus credos; humilhada por ser natural – em alguma ou de qualquer coisa.

Na semana passada havia escrito sobre essa sensação cinzenta e abstrata pairando por aí. Vinha um pouco das radiações do mundo. Atômico e em guerra, até com a natureza. Aí acontece um filme de horror desses, e seus trailers são espalhados por todo o país.

Como disse, tentei bravamente me esquivar dessas balas, mas, mais do que o ato em si, o caso suscitou foi toda uma série de perguntas, e todas sem resposta.

Espirrou muito medo. Medo da intolerância, e medo da explosão dela.

São Paulo, 2011.Rio de Janeiro, que 2011!

 

(*) Marli Gonçalves é jornalista. Acha que é só juntar o crescente ódio e o embate de ideologias, a moral dos que se julgam arautos de verdades incontestes. Vira isso. Não precisa nem mexer. E não podemos fazer muita coisa.

 

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 Ouvi, e certamente você também, de um tudo nesses dias. Pior foi no dia mesmo, quando raros dos inúmeros chutes a gol não se mostraram nem ao mínimo coerentes. Desferidos sem dó por psicanalistas e analistas de recheio, minuto a minuto. Vi pedirem para as portas das escolas polícia, artilharia antiaérea, detector de metais, Raios-X e raios ultragamavioleta térmicos. A construção de um bunker, enfim. Aí fazem como sempre aqui: toda a tecnologia nas mãos de uma pessoa, comum e mal treinada. Que justamente nessa hora saiu para tomar um café, sabe como é? Quem mora em prédio, sabe.

ARTIGO – Nossos novos medos.

Marli Gonçalves

Diariamente temos medos, muitos medos. Antes, eram os regulares, aqueles contra os quais nos defendíamos como podíamos, com seguros – de fogo, de vida, de acidentes. Mas agora parece que tudo mudou, e a cada dia temos mais medos e do que a gente nem sabe o quê, nem de onde vem. Mas pressente estar próximo. E não há seguro possível para se prevenir.

Duvido que exista um só brasileiro que não esteja arrasado pelo que viu, está vendo ou acompanhando uma vez que tenha sabido das tragédias devastadoras ocorridas no Rio de Janeiro e, de certa forma, também em São Paulo. É um misto de compreensão dos desígnios de Deus, para os que crêem, e de absoluto inconformismo de quem observa com vista privilegiada, e aponta a incompetência, o descaso e o escárnio de autoridades, administradores e políticos, ano após ano.

2011 começou mostrando uma cara muito feia. Mas houve beleza na cena da Dona Ilair, a mulher que conseguiu salvar-se com a ajuda de vizinhos, e o que tentou agarrada ao seu vira-lata pretinho. Nunca sairá da minha memória. E sei que também não esquecerei o cachorrinho perdido, levado pela enxurrada dos braços de sua dona, em desespero. Coisas assim a gente não esquece; acontece com todos os jornalistas que fazem essas coberturas e acabam marcados. Passa ano, vem ano, e se começa a chover forte, meu coração ainda prevê essas tragédias que já viu in loco, vistas, acompanhadas, previstas. Tragédias naturais amplificadas por uma inexplicável leniência.

Mas veja que agora todos estão desassossegados. Antes, em geral, enchentes e deslizamentos atingiam “pobres”, derrubando e desmoronando casas de “pobres”. No máximo, encharcando carros incautos transitando ocasionalmente em áreas “pobres”, e não derrubando e matando também milionários em férias em suas mansões, haras, fazendas.

Percebo então o quanto estamos cercados de novos medos e ameaças, e que parece não haver mesmo mais nenhum lugar seguro. Nem com nós mesmos. Esse é o tema.

Shoppings centers? Assaltos, tiroteios, brigas de gangue, seguranças mal treinados, carros que podem voar dos estacionamentos que eles improvisaram subindo prédios, esticando curvas, fazendo puxadinhos.

Apartamentos? O elevador pode cair. Arrastões, porteiros descontentes que viram assassinos, síndicos enlouquecidos que matam em elevadores. Obras descontroladas que podem fazer ruir por terra os sonhos de toda uma vida, com areia ao invés de cimento, canos de “papelão” ou coisa parecida.

Férias paradisíacas? Tsunamis, maremotos, furacões e terremotos, enchentes e deslizamentos. Greves políticas incendiárias. Fora os cruzeiros mareados, o caos aéreo, claro, e outros problemas, menos nobres.

Carros blindados? Blindagens de embusteiros, falsas blitz que obrigam que as portas se abram, com seguranças coniventes, sequestros e mortes. E os outros: pessoas sem habilitação ou condições mínimas em veículos idem, bêbados, irresponsáveis de toda sorte furando sinais e brincando de rachas em ruas, avenidas ou estradas mal conservadas, tanto quando alguns de seus usuários.

Ruas? Pontos de ônibus invadidos por procuradoras bêbadas. Crianças esmagadas por ferragens, de quem se ferra e que ferram outros. Travessias radicais – o outro lado da rua pode significar ir para o outro lado da vida. Fora as guias e calçadas esburacadas que podem te mandar para o ortopedista.

Há ainda o perigo dos raios, das bombas que explodem para chamar a atenção do mundo, mas destroem famílias, alheias, postas involuntariamente no cenário de guerras. Há as doenças, vírus e bactérias novas, algumas trazidas na bagagem de forasteiros, migrando com suas malinhas para um país onde se desenvolvem e se criam, fortes e sem serem incomodados. Como moluscos africanos.

A vida passa a ser a transposição diária de uma sucessão imprevisível de acontecimentos e de superação de medos, inseguranças e fatalidades.
Temos medo. Temos medo também de virar um número entre tantos. Temos medos, receios, certezas e dúvidas. Estamos todos muito sensíveis, precisando desabafar, mas não conseguimos mais respirar aliviados nem com o desenvolvimento da vida virtual que nos isolou em cápsulas aparentemente seguras.

Agora, por conta, temos ainda novos medos, particulares. Paranóicos. De ofender os amigos por não conseguir responder a um e-mail (ou de ter respondido, sim, mas em mensagens perdidas por provedores e sistemas). Temos medo de não reconhecer a mensagem de SMS daqueles que parecem ter certeza que seu telefone é adivinho. E ele não é, por mais moderno que seja. Temos medo que nossos computadores “fofoquem” para quem mandou que deletamos mensagens que, muitas vezes, não deletamos não. Temos medo de que nossas mensagens sejam mal interpretadas, se interceptadas por quem procura motivos, pelos ciúmes dos amores ou maridos e esposas que na calada da noite violam sigilos e individualidade dos nossos destinatários. Vamos acabar secos, frios, formais. Ou dissimulados demais, cheios de códigos e senhas indecifráveis, criptografadas.

Temos novos medos. Novas nóias. E muita dificuldade de lidar com todas elas, mesmo que só nos nossos íntimos, como mães que envelhecem pensando no perigo que seus filhos possam estar correndo nesse exato momento. Incapazes que são e se sentem, de criar mantos protetores, couraças inexpugnáveis.

Vamos ficar loucos desse jeito. Procuraremos videntes, alguns, simplesmente crápulas? Procuraremos sinais do Universo? Diremos tudo aos analistas, psicólogos, psiquiatras e psicanalistas, que proliferarão, também buscando as mesmas respostas, já que ele vivem nesse mesmo mundo, neste mesmo tempo?

Ou simplesmente deixaremos o barco nos levar, sabendo-se lá que dia e como será?

São Paulo, de um Brasil inteiro, consternado. De um mundo todo em transição. 2011 em diante.

(*) Marli Gonçalves é jornalista. Nunca se esqueceu de uma entrevista que fez, 27 anos atrás. Era uma mãe muito pobre e de muitos filhos que acabara de perder um deles, atropelado na ferrovia. Ela tinha muito que fazer e continuar. Apenas virou para um dos outros filhos e pediu que ele fosse ao local do acidente buscar a cabeça do irmão, que havia sido decepada. Ela apenas queria enterrar o passado e continuar a enfrentar aquele seu futuro, muito real. Não havia tempo para dramas.
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E O FRANKEINSTEIN? NÃO FAZ PARTE TAMBÉM DESSA EQUIPE?

É OU NÃO É UM VERDADEIRO FILME DE TERROR?

ESSES SÃO SÓ 10! TEM MAIS, NA MESMA LINHA, GÊNERO, CARÁTER, FICHA CORRIDA, QUE ESTÃO SENDO ANUNCIADOS POUCO A POUCO PARA NÃO FICARMOS ACORDADOS E COM MEDO À NOITE, NO ESCURINHO DE NOSSOS QUARTOS,  NA TELA DE NOSSA TEVÊ, NAS PRIMEIRAS PÁGINAS… NOS PRÓXIMOS QUATRO ANOS…

 

(DO UOL)

Da esquerda para a direita:
 

Pesca e Aquicultura: Ideli Salvatti
Direitos Humanos da Presidência: Maria do Rosário
Comunicação Social: Helena Chagas
Secretaria de Assuntos Estratégicos: Moreira Franco
Transportes: Alfredo Nascimento
Turismo: Pedro Novais
Previdência: Garibaldi Alves
Minas e Energia: Edison Lobão
Comunicações: Paulo Bernardo
Agricultura: Wagner Rossi

ARTIGO – Confusões, reais, mentais, e outras

Por Marli Gonçalves

Trem bala perdida perdido, polícia sobe o morro e bandido desce, para ver a Marinha chegar. Cloaca falante ganha entrevista. Novo governo será o velho. Agressores são filmados até as pregas atacando e batendo, mas continuam “supostos”. Advogado criminal trapalhão do goleiro Bruno cai, mas porque revelou vício de crack. Dizem por aí, ainda, que a morta está viva, enquanto ninguém sabe da iraniana Sakineh. Acho que ando sacudindo demais a cabeça.

Caramba! Que dias! Ligar a televisão na Bósnia, no Afeganistão ou no Iraque deve ser mais ameno do que tentar copiar os modelos dos coletes azuis à prova de bala dos repórteres globais na linha de tiro. Vão virar moda de verão já-já. Se aumentarem o realismo, melhor tirar as crianças da sala, embora só elas devam saber melhor desviar-se das balas virtuais ricocheteando nas telas, de tanto jogarem o Wii. O Rio de Janeiro continua lindo, mas as línguas malditas ironizam que tudo é apenas planejamento governamental para lançamento de financiamento para compra de carros novos – o modelo Caveirão, o principal. Nós todos, bem no meio do tiroteio.

Em São Paulo, nada melhor. O passeio predileto para as ilhas de consumo shoppings centers pode se transformar momentaneamente em passaporte para caixões de medo, com assaltos ocorrendo mais do que pão com manteiga na padaria da esquina. Lá, na virada, onde a placa de rua está tombada porque alguém errático ou bêbado errou o freio. E assim ficará o poste mais alguns bons dias. Faz sol, chuva, venta, tem granizo, enchente, seca – tudo ao mesmo tempo agora. Não dá tempo nem de ver desenhos em nuvens.

Enquanto isso, em Brasília, os homens dizem que querem abrir a Copa. Os cartolas e Lula e os que vêm aí acham lindo Sergio Cabral e sua discurseira; falam em apoio incondicional. Policiais no cume dos morros cravam bandeiras com caveiras que lembram as escuderias do Esquadrão da Morte. Pelo menos as bandeiras cravadas na Lua devem estar lá ainda.

Nem na época de metaleira, quando sacudíamos bastante a cabeça, me vi tão confusa. Inclusive com relação à análise desses acontecimentos. Estão certos? Errados? Ataques de guerra momentâneos contra situações que levaram anos sendo claramente construídas nas nossas fuças (e avisávamos, e alertávamos) serão eficazes? No morro onde milhares de pessoas normais vivem lado a lado com bandidos, apenas duas escolas.

Me perguntam: e você, daria aula lá? Não agora, responderia, certamente que não. Mas há mais de 30 anos entrava tranquila para alfabetizar em favelas, inclusive os “contraventores”. O que há? Os bandidos eram mais civilizados? Bandidos traficantes são piores do que os bandidos sequestradores, assassinos, assaltantes? Não há mais paz possível nem entre eles e sua gente? Será que a guerra é só contra o tráfico?

Esse pensamento me provoca arrepios e as dúvidas que exponho, sem saber para que lado pender. Só girando violentamente a cabeça para ver se, primeiro, acordo deste pesadelo. Se fosse só isso… Homofobia em ascensão, atendimento de saúde em queda. Falação de projetos sociais, dezenas de moradores de rua assassinados violentamente nos últimos meses em Maceió, vidas encurtadas de forma mais rápida do que eles próprios pensaram ou tentaram.

Um novo governo eleito que, antes da posse, já é mais do mesmo. Sou otimista, pretendo acreditar na boa vontade, mas eles não ajudam. Viu ou soube da famosa “entrevista” que o presidente que vai embora “concedeu” aos blogueiros progressistas, como se auto-intitulam os chupa-ovos qualquer coisa, topa tudo por dinheiro e afagos? Não é que o Cloaca ganhou linhas e linhas de celebridade instantânea? Amou ser chamado de Cloaquinha, por Lula! E os outros? Nossa, qualquer-coisa perde. Tudo gente que passou os últimos anos mandando e-mails, excelentes para estudos psiquiátricos, se é que me entendem. Uso o Cloaquinha como exemplo e representante da laia. Saber o nome dele e o que faz só vai piorar o tal buraquinho sujo. Se você souber dos outros…

Ao mesmo tempo, a linda Irlanda não está mais às voltas com IRAs, nem a Espanha com seus ÊTAs. Agora a coisa está feia para todos. O mundo bate cabeça. Nos Estados Unidos, Obama aqui a pouco vai ser chamado de afrodescendentezinho (que eu também sei ser politicamente correta) safado. Já tomou uma cotovelada. Evo Morales já deu pernada. Chavez dá piti. Melhor pensar no casamento do Príncipe Williams. Com que roupa vai a Carla Bruni?

Para completar, sabe o que o deputado Jair Bolsonaro, aquela belezinha, andou falando? Que pais precisam agredir um filho homossexual para mudar seu comportamento. Onde que ele falou? No programa “Participação Popular”, na TV Câmara, que discutiu a “Lei da Palmada” – projeto de lei, também ridículo, que proíbe punição corporal dos pais às crianças, como se eles pudessem fiscalizar”! “Se o filho começa a ficar assim, meio gayzinho, [ele] leva um couro e muda o comportamento dele”, afirmou. Quer mais? Bolsonaro foi reeleito, pelo PP, e vai continuar lá, onde faz parte da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Deslize? Não! Ele reafirmou, depois: “Se o garoto anda com maconheiro, ele vai acabar cheirando, e se anda com gay, vai virar boiola com toda certeza”. Juro que não é piada.

Não dá vontade de embaralhar tudo? Desculpem, mas fui obrigada a escrever bem confusamente sobre todas essas pendengas. Agora, neste final, queria demais poder dizer “esqueça, que tudo isso é só sonho ou pesadelo”. Mas você sabe que é ainda pior. Assim, só nos resta fazer uma coisa: deitar o cabelo. Uma expressão muito usada há alguns anos e que queria dizer “ficar paralisado”, na cama, com a cabeça no travesseiro. Para não ficar tonto, nem tão confuso. Para ficar imexível. Esperar que tudo passe.

Deita o cabelo!

São Paulo, cidade atacada pelo PCC de forma diferente em 2006, traumatizada ainda em 2010, e agora não pode nem botar banca.

• (*)

Marli Gonçalves é jornalista. Até cortou o cabelo essa semana para ver se não era isso que estava esquentando muito a sua cuca. Mas ainda dá para bater o cabelo. Ou para compor um rock, hard rock, extraído das pedras furadas e ensanguentadas dos morros. Ou um blues da imensa tristeza de ver para onde caminha a humanidade.
PS: Mais um amigo/amiga se foi esta semana. No caso, amigo e amiga, que essa tinha dos dois sexos na veia. A cantora, transexual, performer, ativista dos direitos gays e maravilhosa, Claudia Wonder foi pro céu na sexta, 24. Que Deus a abrigue com carinho. Ela fez por merecer, por si e por outros e outras, durante toda a vida.
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Artigo-1º de novembro de 2010: O dia que parece não querer chegar

Marli Gonçalves

 Imagine o que será. Sabemos apenas que será segunda-feira, Dia de Todos os Santos, que a Lua estará minguante, signo de Escorpião, e um dia antes dos Finados. Que pode chover. Pode fazer Sol. Que pode ter nuvens. Pode ser que sim; pode ser que não. Que “ontem” ocorreu o segundo turno, e que quando esta manhã de segunda, dia 1º, chegar, já teremos sobrevivido às eleições mais esquisitas e irregulares que já vimos, entre as poucas que fizemos.

Eu não bebo, mas me imaginei acordando no dia 1º de novembro de 2010 (se é que eu vou conseguir dormir de domingo para segunda), com cara de ressaca, e até certa dor de cabeça. Ressaca eleitoral. Provavelmente eu e você já saberemos quem ganhou a eleição presidencial, e isso no fundo, no fundo, não fará muita diferença. Mas que vai ser difícil encarar esses próximos dias até chegar lá, ah! Isso vai!

Concentrei-me mentalmente para tentar vislumbrar um pouco mais desse futuro que está aqui na nossa porta. O que vi e explica a dor de cabeça que sentirei: eu, enlouquecida com tevê, rádio, computadores ligados nos noticiários e na apuração online pelo TSE. Tudo por uma questão de hábito, frise-se; e não de torcida. A não ser contra uma das partes, a pior.

Depois de dias, principalmente esses últimos, nos quais os ânimos se acirraram e se acirrarão de forma assustadora, e a movimentação política passa como tanque de guerra, eu admito: estou tensa. Tensa, eu disse. E não estou gostando nada disso. Dói meu estômago também, uma apreensão. Não sabemos que bicho vai dar, e o que realmente acontecerá. Se a Dilma perder, qual será a reação de Lula, que já está babando? Se ganhar, o que será de nós que a combatemos? Acabo de descobrir, por exemplo, que a campanha do PT contratou um grande escritório de advocacia só para ir atrás de “crimes contra a honra, calúnia, difamação, injúria”. Eu disse que o terninho Chanel que Dilma usa nos debates é falso. Se não for? E se ela tiver pago os R$ 20 mil que ele vale para costurarem no tamanho dela?

Pensa comigo: tem ideia do que pode, mal ou bem, ocorrer nesses dias? Os institutos de pesquisa estão errando ou blefando? Quais serão os índices de abstenção e nulos? Quantos vão dar de ombros e só resolver viajar, aproveitar o feriado prolongado? O que o governo vai tirar a mais de seu saquinho de bondades, mágicas, boas notícias, ufanismo? E os debates? Quem vai escorregar na casca de banana?

Voltemos a nos concentrar no dia 1º de novembro de 2010. Procurei também ver quem nasceu nesse dia e na lista muitos nomes complicados e não exatamente populares aqui, à exceção do Larry Flint, editor da Hustler, do novelista Gilberto Braga e, em 1974, nasceu a Hello Kitty, aquela gatinha japonesa bem viadinha que virou febre. Lá em Portugal, e se lá estivéssemos, as crianças costumam andar de porta em porta a pedir bolinhos, frutos secos e romãs.

Novos elementos: a partir desse dia a pesca estará proibida nos rios do Mato Grosso, por conta da piracema. Em compensação terá terminado, na região de Angra dos Reis, a temporada de pesca de sardinhas. O dia 1º de novembro é o Dia Mundial Vegano (“World Vegan Day”), comemorado desde 1994, quando a Vegan Society inglesa comemorou 50 anos e a moda acabou se espalhando, literalmente, e radicalmente para todo o mundo. Os vegans não comem isso, nem aquilo, e não adianta perguntar se eles ouvem os gritos de dor da alface, do tomate. Eles são bem específicos. Têm muitas coisas que eles não praticam.

Tenho horror a coisas específicas e fechadas assim, como as que a gente pode identificar numa política de esquerda, atrasada e renitente e que, à direita dos fatos, quer nos botar bem no meio de uma fogueira, de uma luta de classes desvairada, provocativa, perigosa, de uma divisão entre bons ou maus, independentemente das mentiras que contem. Já estou maluca, ou o mundo deles seria outro? No que mostram não há mais miséria, pobres, problemas de saúde, racismo, abortos, relações homossexuais que precisam ser estabelecidas civilmente, problemas ambientais.

Nunca antes, tudo.

É verdade, de alguma forma. Nunca antes na minha história e na história do país – nem com o Collor – a eleição foi tão matreiramente sabotada, manipulada. Marina rompeu um pouco com essa tristeza, por uns dias. Mas tudo já voltou a desandar, e o bolo ainda está no forno.

É. O dia 1º de novembro de 2010 será inesquecível. De qualquer forma. E está demorando muito para chegar.

Brasil, Brasil,Brasil

(*) Marli Gonçalves, jornalista. Não há intuição, jogo de cartas, tarô, búzios, borra de café, bola de cristal que possa se meter a besta e nos dizer o que será, o que será…

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extra! extra!

DE “BRINDE”: ACHEI UMA BANDA PORTUGUESA CHAMADA MÃO MORTA, MEIO PUNK ROCK, SUPER SUCESSO LÁ, E QUE TEM UMA MÚSICA CHAMADA 1º DE NOVEMBRO.

 ESCUTA SÓ:

Artigo – À meia-noite violarei o teu sigilo

 Marli Gonçalves 

Parece filme de terror, com a ameaça à espreita. Estamos virando um país de bandidos. Vivemos cercados de ameaças travestidas de oportunidades e o clima pesa, trazendo um desconforto quase insuportável, sufocante tanto quanto o ar seco e poluído. O frio sem hora, o calor que vai e vem. Todos viramos reclamões. Nada está exatamente bem. Algumas coisas estão péssimas. E, sinceramente, anda difícil respirar e relaxar.  

Sai mês, entra mês e a gente só vê as coisas piorarem para o nosso lado. As contas fazendo pressão, vazando para dentro na soleira pelo vão da porta, pagando serviços ruins, incompletos, muito caros. Culpa do sistema. Caiu o sistema. O sistema está lento. Um momento, por favor! Sua ligação está sendo gravada a partir deste momento. Anote o protocolo, nº 361.354.861.751.744.2551.211-2010N.  

Só por aí já descobrimos que somos milhões reclamando!Trilhões de vezes. Como compensação moral, essas companhias todos os anos lideram as listas de piores serviços, e ganham como “maior número de denúncias”. O que eles devem gostar. Só podem. E sabe por causa do quê? Como é que você vai se livrar deles? Só mudando de país, ou virando eremita. Temos que enfrentá-los no meio das barbaridades e modernidades. Telefônicas, operadoras de tevê a cabo, seguros-saúde, seguros-computador-celular-casa, seguros obrigatórios, companhias de luz, gás, água e esgotos, cartões de crédito. Vai! Encara! Vai ficar sem luz, sem gás, sem comunicação, na fila do SUS. Vai se fornicar todo. 

Por exemplo: fica sem pagar um mês. Algumas destas, em 15 dias já terão cortado as suas libertárias asinhas de consumidor. Outras cobrarão juros tão extorsivos que você logo sentirá o que é ser escravo. Sem documentos, sem lenços, nome no SPC, BNH, INAMPS, BC, BB, JC, TJ, TS, ST, SJ, no BIBIBI e no BOBOBÓ.  

Vamos ao ponto: e as informações a seu respeito – de todo esse mundo paralelo – estão aí, nesse meio, rolando entre eles, nos cadastrando, vendendo nossos endereços e hábitos e nos taxando. Onde, raro, houver concorrência, sempre tem a hora que eles passeiam de mãos dadas. A piada que no futuro “não poderíamos ligar para pedir uma pizza de calabresa porque o atendente teria nossa proibitiva ficha médica” é só uma piada. Se puderem, venderão a pizza casada com uma promoção imperdível de remédios para o colesterol alto, uma lixeira para o descarte da embalagem que, cortada, valerá um bônus para uma sobremesa. Topam tudo por dinheiro. 

Por outro lado, no Governo, no Estado, no que deveria ser a nossa garantia, estamos fichados, oficialmente. Tento fazer você entender melhor como as coisas estão funcionando. Mal. Quando um Governo é descoberto USANDO o sigilo fiscal, do Imposto de Renda, do Leão, da Receita Federal, o escambau contra QUEM QUER QUE SEJA, é grave. Muito grave. Gravíííííssimo! Quando a gente fica sabendo que – pior! – alguns desses mesmos dados estão sendo vendidos nas esquinas do comércio popular, em CDs a “10 real” já nem acredita. Mas, se o cara tiver más intenções, corre lá para comprar, para locupletar-se também.  

Estamos virando um país de bandidos? Onde bandido vota em bandido porque, afinal, também quero uma boquinha? Onde se fecha os olhos para a censura? Onde se desrespeita os direitos mais fundamentais e tudo bem porque (ainda) não é com você?  

Muito mais do que dizer “somos todos Francenildos”. Ou “somos todos essa tal de Verônica Serra”. Estamos sendo é todos otários, idiotas, monitorados, dependentes, enrolados, controlados e usurpados. 

Falei claramente? Com certeza, melhor do que os caras andam fazendo na televisão, imbuídos de seus ares sérios, sorrisos falsos e com seus terninhos bem cortados. Que falam termos que eu bem queria saber como são exatamente entendidos na linha final, onde autoritário é positivo; ser chefe. E o popular se confunde entre a palhaçada e a vitória do pobre. Onde poucos sabem o sentido e a forma das leviandades, muito menos das palavras. 

É poste, sabonete, lideranças – tudo sendo vendido em embalagens que nós mesmos fornecemos as dicas – escuta só. Se tanto falam em pai e mãe, é porque devemos estar mesmo órfãos e eles querem nos adotar, nos dando doces, prometendo educação, saúde, a transposição do rio São Francisco, o trem-bala de chupar otário, crack só na Bolsa, coisas PACas. São as novas dentaduras, óculos, muletas. Compram (ou vendem) seus votos com base nas ilusões da maioria. Um jogo de espelhos, tendencioso. 

Nada disso é novidade no mundo do papagaio de botinas, encarnado em maioral, e sua turma, cada vez avançando mais em áreas sensíveis, inclusive nos subterrâneos, dos mares. E da liberdade. Tudo muito flex, muito Filme B, chanchada. O empresário rico distribui bondades, faz implante de cabelo e fala em filosofia; já não tem mais a carcamana figura de Abílios, Samuéis, Hermínios.  

Cuidado: filmes de terror costumam ter corvos disfarçados em outros pássaros, manos infiltrados. Bruxas que viram lindas princesas. Sapos barbudos que viram ditadores encastelados. Beijos e abraços de morte. Perigo a cada porta ou gaveta que se abre, e eles arrombam! Filmes de terror mostram experiências, inclusive com o sangue dos vampiros, que um dia explodem, levando o laboratório aos ares. Filmes de terror também trazem fantasmas que se levantam de seus túmulos, ectoplasmas, ou seres imortais, ressuscitados da lama e do pântano. 

Está certo. OK. A sorte é que nem todas as mocinhas estão distraídas tomando banho no chuveiro e que há ainda cavaleiros e mineiros empreendendo batalhas, como Quixotes. 

E, dizem, não há mal que sempre dure. 

São Paulo, Central do Brasil, 2010, ou 5771 

• (*) Marli Gonçalves é jornalista. Sabe que todo mundo, no fundo, tem um sigilo que teme ser quebrado. E que ninguém gosta de ser refém.
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Artigo – O fascismo está de ronda. Em qual planeta você vive?

 Marli Gonçalves

A vontade é de sair por aí, cutucando todo mundo que encontro, chamando a atenção, conversando com calma, expondo a situação, mostrando imagens e notícias. Ei, você já viu o que estão fazendo com as liberdades? Ei, percebeu que não tem havido garantias mínimas dos cidadãos, em todo mundo? Caracolas, afinal, em que mundo você vive?

O perigo das massas não diz respeito só a engordar. O sujeito histérico de bigodinho rente, cara de maluco e mãozinha esticada. Milhões de outros esticando a mãozinha também. O discurso do todo mundo igual, treinado, vindo do homem de cara feia, fardado, que de Duce não tinha nada. Qual a diferença do sujeito atarracado – o ditador da Coréia do Norte, Kim Jong-il? E do outro baixinho, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad? São todos assassinos, mandantes, bárbaros, alucinados imbuídos de poderes e com domínio impressionante da comunicação e marketing.

Como são tão – ou mais – escrotos, midiáticos e sanguinários do que os outros, bem, esses dois últimos são visíveis, digamos assim. E Hitler e Mussolini já eram; só que foram, mas deixaram suas ideias de jerico e liderados aficionados.

Nós cantávamos e contávamos favas. Dizíamos-nos contentes, batendo no peito, celebrando que o horror jamais voltaria; que aqueles fatos horrorosos, como o Holocausto, Hiroshima, Nagasaki, jamais se repetiriam, porque o mundo estaria eternamente alerta. Era o fim das ditaduras, as da região “dos bananas” latino- americanos e outros, tribais, como as guerras africanas. Seria o fim da perseguição religiosa, racial, contra minorias.

Acho que desligaram esse alarme. Na última semana, mais de 300 ciganos foram deportados na França, como animais enxotados pelo elegante presidente Nicolas Sarkozy e sua linda primeira-dama, Carla Bruni. Depois de conseguir o apoio de Itália, a França ainda vai tentar convencer outros países da Europa a expulsar os ciganos, num congresso sobre imigração organizado para 6 de Setembro. Qual será o próximo?

Há alguns dias soubemos da chacina, fuzilamento, aniquilamento, assassinato cruel de 72 pessoas na fronteira do México com os EUA. Não é muito diferente do número de pessoas esperando por punições no Irã, por qualquer coisa que tenham dito que fizeram. Nem podem escolher entre apedrejamento, fuzilamento, forca, mutilação. Esqueceram das ocupações violentas do Haiti, das mortes nas fronteiras daqui de cima.

Vou chegando mais perto. Qual poder reveste os traficantes e donos dos morros e favelas cariocas a ponto de a própria polícia e autoridades mostrarem-se sem forças, e os governantes considerarem suas áreas como ocupações fortificadas? Um novo cangaço?

Favelas de São Paulo têm virado tochas, em um movimento claro de ocupação não só imobiliária de áreas nobres, como também de demonstração de força, da lei do quem-manda-aqui. O terror. São Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo já parou, sob a ameaça do PCC naqueles terríveis e inesquecíveis dias de maio. Isso foi esquecido? Todas aquelas mortes? Ônibus tostando? Fuzilamentos à luz do dia?

Esse clima de X versus Y, Copa do Mundo, Brasil ame-o ou deixe-o, inclusão, inserção digital e outras tem nos deixado a cada dia mais individualistas, e isso não é nada bom para quem pretende um, pelo menos, algum, Futuro. Não podemos ligar a maquininha do “foderaiser”, em sua forma mais aportuguesada, por menos que tenhamos relações com alguns fatos. Lembre sempre: a próxima vítima posso ser eu, você, nós todos.

Ao nosso lado, uma dirigente tenta fechar jornais; o ditador volta à vida; o general aparece cheio de comendas, arrotando nacionalismo, enfrentando potências, jogando povos contra povos.

Estamos com nossos dados particulares expostos como bundas na janela, de dados fiscais a pessoais. Andam querendo fazer leis até para dentro de nossas casas. A propaganda, direta e a subliminar, vem sendo inoculada nas veias, como um veneno letal, absorvido principalmente pelos mais jovens, que não viram, não sabem, não sentiram. E não estão nem querendo saber.

O caminho do perigo é conhecido. Não precisa ter bigodinho, nem levantar o bracinho nas multidões. Hoje a cara do fascismo é outra, mais palatável, repaginada, ares de modernidade. A estampa da caveira permanece, e não só nos paninhos do estilista metido a besta. Não são caveiras de bandeira pirata. Hoje, os piratas voltaram só a roubar, e nem bandeira têm.

São Paulo, árido, seco, estado constante de alarme e emergência

• (*) Marli Gonçalves é jornalista. Preocupa-se muito quando minorias acham que estão fortes, que está tudo dominado; quando os miseráveis acreditam no sucesso… dos outros; quando a violência contra o próximo é ignorada, porque está no vizinho.
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Artigo – Manias que todos nós temos

Marli Gonçalves

Nós, quem? Nós, vírgula!, você diria, já negando? Mas daqui a pouco vai relaxar e concordar. Todos nós somos muito loucos. Nossas minimanias são legais, algumas são geniais. Desde que não incomodem outros e ultrapassem os limites. Senão, vira o tal transtorno obsessivo-compulsivo, TOC, se toque!

Os psiquiatras, psicanalistas, psicólogos, analistas, terapeutas têm. Personalidades têm. Jornalistas têm, nem te conto! Publicitários são campeões, provavelmente empatados com religiosos de todos os naipes e militares. Loiras mexem nos cabelos, numa escovação contínua com os dedos. Atores usam óculos escuros bem grandões para não ser reconhecidos, chamando sempre a atenção. Gays mais liberados, homens ou mulheres, têm a mania de mostrar trejeitos claros de suas opções.

Manias são informativas. Mas não podem ser encaradas com preconceito, senão não se consegue aproveitar essa parte boa. Manias são engraçadas, mas deixe para rir em casa quando descobrir a de alguém. Manias são válvulas de escape, e muitas aparecem só quando ficamos tensos ou nervosos. Manias são dedos-duros, nos entregam sem que a gente perceba.

Algumas tiram o tesão. Outras são até afrodisíacas.

Não conheço nenhum estudo sobre esses nossos tiques, a ponto de poder liberar geral e dar aval à mania de ninguém, apenas observo – como diria? – as ruas, o tal grito rouco das ruas. Por exemplo: falar sozinho! Todo mundo um dia se distrai e sai falando sozinho. Ri sozinho de alguma coisa que lembra, conversa consigo mesmo. Debate uma ideia, como se realmente houvesse aquele anjinho de um lado e o diabinho do outro, como nos filmes. Dentro do carro, então, nossa! Igual, repare só, quantos limpam o “salão” do nariz, a maioria homens.

Cachorro fala? Que eu saiba, ainda não. Embora você tenha praticamente certeza de ouvir e ver vários nas ruas, conversando com seus donos, animadamente. Na verdade, dublados. Namoram, paqueram, fazem amigos, têm suas reações explicadas em detalhes.

Nota importante: antes de continuar lembrando mais manias, preciso adiantar que nada me exime – faço várias dessas coisas.

Tem as manias íntimas, beirando o inconfessável. Quem nunca se esqueceu de depilar um lado de alguma coisa? Quem nunca voltou da rua para se certificar de que a janela estava mesmo fechada, ou a torneira, a privada sem descarga? Quem nunca passou o dia inteiro tentando se lembrar de alguma coisa que, tem certeza, esqueceu, mas não era para esquecer e talvez nem tenha esquecido nada?

Quem nunca fez silêncio ao ouvir gemidos gostosos e camas falantes no apartamento de cima, no de baixo, do outro lado da parede? Quem nunca pegou um copo para escutar melhor, em “3D” ? Quem não parou de prestar atenção em quem estava com você quando, ao lado, rolava uma conversa bem mais interessante de ouvir? Legal mesmo é quando quem está com você tem a mesma mania, saca, e para de falar, fica em silêncio, para ouvir também. E quem não deu aquela última olhadinha no espelho, de rabo de olho, antes de sair, para ver se a bunda está lá no lugar, a sua mesmo?

E no trânsito, então? Confesso: tenho mania de ler as placas dos automóveis e ficar pensando palavras ou expressões para elas. Tipo: ABN, Associação das Baratas Narigudas, ou Nauseabundas, ou Nervosas, ou Nocivas, ou… Passo minutos nessa mania-brincadeira, incontrolável. Fora que tenho mania, na verdade, de ler tudo, e por isso amo profundamente a Lei Cidade Limpa de São Paulo, que melhorou muito a minha vida. Antes, era tanta coisa, tanta tranqueira, que voltava esgotada de tanto ler nas ruas. Não posso!

Para vocês terem uma ideia, fiquei doida semana passada, passando na Marginal Pinheiros e, de longe, avistando uma placa de rua “M. Gonçalves” . Outros tempos, e eu já me veria armando um plano para, digamos, “obtê-la”.

É. Eu também tenho mania de colecionar umas coisas. Algumas, até com sentido; outras, absurdas, e às vezes temporárias. Coleções que, quando descobertas ou quando observadas com calma, revelam manias que, convenhamos, não caem muito bem. Você deve ter alguma. Todo mundo, acredito, por mais minimalista que seja, coleciona alguma coisa. Não é possível não ter essa mania. O cara pode achar que não, mas coleciona, sei lá, camisas brancas. Outro, listas de mulheres (que fez) infelizes. Outras talvez colecionem amantes maravilhosos. Ou caixas de fósforos, isqueiros, canetas. Gravatas. Tem quem colecione, com prazer, desafetos. Outros, dívidas. Dizem que todas as mulheres colecionam bolsas e sapatos, mas prefiro não comentar.

Tem quem tenha a mania de mentir, tão mania que a verdade começa a mentir para tentar se encaixar. Tem quem tem mania de ser outra pessoa, o que deve ser um sofrimento e tanto, embora sejam tipos tão comuns.

Todo mundo tem uma mania antes de dormir. Todo mundo tem, por mais ateu, uma persignação que faça, seu Cruz Credo particular. Todo mundo olha disfarçadamente a sola do sapato quando sente um cheiro que pode ser, digamos, uma pisada. Todo mundo tem mania de gostar de sentar em lugares específicos, todo mundo tem uma mania ou forma de comer algo, ou alguém. Eu, me entrego pela última vez hoje, juro, por exemplo, ACUSADO 1,2,3! – tenho mania de esburacar o queijo. Quando eu vejo, já foi, zapt! Tortinho. Nessa série tem: o tubo da pasta de dente, a tampa da garrafa, um lado da toalha.

Já ouviu falar que é feio sentar no próprio rabo? Às vezes somos tão críticos, ou tão ligados em preceitos sociais, que sofremos angústias. Sofremos e brigamos com a gente mesmo, o que faz com que uma das nossas melhores manias, a de conversar com o espelho, se torne difícil ou impossível.

São Paulo, 2010, onde normal é ser maníaco pelo menos um pouquinho.

(*)Marli Gonçalves, jornalista. Confessa várias manias, sem nenhum toque. Pensei agora em uma música: Mania de Você, da Rita Lee. Escrevendo, peguei mais essa mania aí. Mania de você.
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