Os Trapalhões – revisitados. Sponholz!

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Olha a Censura aí, gente!

Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA EDITORA RECORD

Livro “O delator”, biografia de J. Hawilla, enfrenta dificuldades de lançamento em São José do Rio Preto

O livro “O delator”, biografia de J. Hawilla escrita pelos jornalistas Carlos Petrocilo e Allan de Abreu, vem enfrentando dificuldades de lançamento e divulgação em São José do Rio Preto – cidade natal do biografado e lar dos próprios autores durante muitos anos. A primeira barreira encontrada pela editora Record foi na marcação de uma sessão de autógrafos na Livraria Leitura: segundo a loja, seria necessário ter uma autorização da família do biografado por escrito para realizar o evento.

Em seguida, houve uma tentativa da editora de divulgar o livro em outdoors na cidade, primeiramente com a empresa J Silva e depois com a Interdoor. Ambas declinaram, depois de receberem a arte, alegando veto de seus departamentos jurídicos sob o argumento de tratar-se de uma biografia não-autorizada. A editora ressalta que biografias não-autorizadas são permitidas no país e não estão condicionadas à aprovação de biografados ou de suas famílias desde 2015, por decisão do STF. Mas a premissa não foi suficiente para reverter a decisão das empresas.

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Jornalista ameaçado. MPF pede proteção para Leonardo Sakamoto

JONALISTA 2MPF/SP pede à Polícia Civil investigação de ameaças ao jornalista Leonardo Sakamoto em virtude de fake news

Notícias falsas espalhadas na web geraram nova onda de ódio e risco para o ativista de direitos humanos

O Ministério Público Federal em São Paulo encaminhou nesta quarta-feira (11) à Polícia Civil do estado um ofício com cópia do depoimento do jornalista Leonardo Sakamoto, que relatou à Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão ameaças que vem recebendo no mundo virtual e real desde que começou a circular na internet a informação falsa de que seria o dono de agências de checagens de notícias contratadas pelo Facebook com o objetivo de tentar diminuir a disseminação de fake news na rede social.

Sakamoto é jornalista e conhecido ativista brasileiro que defende os direitos humanos. Ele é colunista do site UOL, professor de jornalismo da PUC/SP, diretor da ONG Repórter Brasil, que denuncia o trabalho escravo, e conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão.

Segundo o relato de Sakamoto ao Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em exercício, Pedro Antônio de Oliveira Machado, desde maio deste ano, quando a iniciativa do Facebook de fazer checagem das fake news ganhou força, o nome do jornalista passou a circular em informações difundidas por perfis de diferentes redes sociais como sendo “o responsável pela censura no Facebook”.

Segundo as notícias falsas que estão sendo disseminadas em sites e redes sociais, inclusive por autoridades como o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o procurador de Justiça do Rio de Janeiro, Marcelo Rocha Monteiro, ele teria sido contratado pelo Facebook para realizar o serviço de checagem. O trabalho é feito, no Brasil, pelas empresas Lupa e Aos Fatos, com as quais Sakamoto não tem qualquer relação.

Após a divulgação dessas fake news, Sakamoto passou a receber ameaças, inclusive de morte, nas mídias sociais. Com o passar do tempo, essas ameaças virtuais tornaram-se reais, e o jornalista já foi abordado na rua duas vezes por desconhecidos em tom ameaçador, questionando-o sobre a “censura”, o que o fez decidir procurar o MPF.

Além do depoimento, Sakamoto juntou prints de tela (arquivos de imagens) de algumas ameaças recebidas na internet, como uma que dizia: “É só me dar uma arma que meto uma bala no meio da cara desse Filho da Puta!”. O jornalista acionou também sua advogada que está tomando providências no campo cível.

“Fui acusado falsamente não apenas de ser responsável por agências de checagem, mas também de estar usando-as para, em parceria com empresas de redes sociais, censurar pessoas e grupos. Isso atiçou ódio contra mim, gerando ameaças na internet e agressões verbais nas rua. Ainda bem que não houve violência física, por enquanto”, afirmou o jornalista após depor ao MPF.

Para o procurador Pedro Machado, o caso é grave por se tratar de ameaça a jornalista. “As fake news, para além dos prejuízos decorrentes da própria veiculação de informações falsas, ganharam proporções ainda mais graves no caso relatado pelo jornalista. Isto nos mostra que junto com os benefícios de ampliação da comunicação, as redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas podem também gerar efeitos negativos muito graves, incitando situações que põem em risco a integridade física de pessoas. O caso ganha especial gravidade e preocupação porque trata-se de intimidação de jornalista, pois a liberdade de imprensa é um dos pilares da democracia”, afirmou.

Sakamoto lembra também que a mentira, na internet, pode durar indefinidamente. Ele lembra que outra acusação falsa feita contra ele em 2016 voltou a reboque das novas fake news. “Mentiras como essa têm ‘cauda longa´, continuam circulando na rede muito tempo depois de terem sido criadas. Nesse caso, o ódio causado pela propagação da mentira sobre as agências de checagem resgatou outras, como a de que eu defendo a morte de aposentados – o que, inclusive, já havia sido levado a conhecimento do Ministério Público Federal em 2016. Desse caldo, surgem ameaças de morte.”

Para Machado, ameaças não devem ser confundidas com liberdade de expressão. “A liberdade de expressão é uma garantia constitucional que obviamente há de ser exercida com responsabilidade, não existindo imunidade para quem abusa e pode ser responsabilizado pelo Poder Judiciário. Esta é uma questão que tem merecido a preocupação do Ministério Público Federal. Estamos atentos para, quando for cabível e necessário, adotar medidas de responsabilização que sejam de atribuição do MPF”, afirma o procurador.

ARTIGO – A grande jogada e o novo árbitro. Por Marli Gonçalves

Sinto muito. Não deu, bola para frente! Temos, logo agora, outro campeonato para prestar atenção. Formar a seleção e torcer para que ela, essa sim, nos salve desse campo esburacado.

Vou dar uma de louca. A louca otimista. Vai! Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima! Vamos, vamos! Tentar aproveitar e começar do zero agora, como se não houvesse esse ontem, não tivessem ocorrido essas brigas, essas divisões, nem existisse um sem-noção candidato para nos perturbar.

Para torcer agora você não precisa sequer usar o amarelo, para não ter de aguentar aqueles chatos que invocaram com a camisa da Seleção saindo para tomar Sol na rua durante os protestos.  E que vão voltar a atacar, escuta o que estou dizendo. Vão vir com aquele irritante “eu não falei?”. Chatos que quase tiraram ainda mais o ânimo da gente. Pode – e deve – sair de azul, amarelo, verde, vermelho, todas as cores do arco-íris. O Hino continuará um só.

Enfim, demos um tempo, fizemos uma pausa vendo a bola correr de lá para cá e de cá para lá. No fundo, foi devagar, devagar, devagarinho igual na música o que rolou nessa Copa. Fiz as contas: já vivi 15 Copas. Das que me lembro, essa foi a mais esquisita, mais ainda do que a passada aqui no Brasil, aquela desgraça que ajudou muito a esburacar o nosso gramado.

Essa de agora parecia desengrenada – e não só pro nosso lado. Vide o monte de grandões que foram caindo um a um detonando as bolsas mundiais de apostas, as marmotas e outros bichos videntes, a lógica, se é que há alguma no futebol. Foi pegando gosto, vendo até onde dava para ir, tentando sobreviver ao ufanismo radical que tentavam sem sucesso inocular em nossas veias abertas, como de toda a ladina América Latina.

Está claramente diante de nós um Novo Mundo e é preciso enxergá-lo o quanto antes para tentar correr atrás dele enquanto é tempo. É mundo moderno, que usa educação, tecnologia de ponta, procura fontes alternativas de energia, tem consciência de que a natureza revida e que a liberdade é um dos bens mais valiosos para uma sociedade pluralista e melhor organizada. Que só sobreviverá se for em paz.  A tal sociedade globalizada.

Globalizada a um ponto tal que daqui, desse outro lado do mundo, nos próximos dias estaremos todos nós diante da boca de uma caverna funda e inundada que retém o grupo de meninos lá na Tailândia. Do lado de fora da caverna, uma tenda improvisada, uma tela, algumas cadeiras, unem esses meninos às suas mães que ficam ali sentadas o dia inteiro e assistem ao vivo a tentativa de resgate e o desespero de seus filhos, ao mesmo tempo em que oram e dão graças por eles ainda estarem vivos e com alguma esperança. Do outro lado, de dentro do local escuro e úmido, eles acenam para as mães. E para todos nós.

Não é só. Temos muito com o que nos preocupar. Mas precisamos fazer isso com leveza e com muita rapidez no contra ataque.

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Marli Gonçalves, jornalista – Sorria. Brasil, você está sendo filmado. Depois alguém vai ver essa fita.

marligo@uol.com.br/ marli@brickmann.com.br

 

Julho, 2018

ARTIGO – Anestesia geral. Por Marli Gonçalves

Tanto faz como tanto fez. Abobalhados. Inertes. Adormecidos. Lentos. Parecemos autômatos diante dos acontecimentos. Esperamos os dias seguintes, e os seguintes…

Ouvimos, lemos, sabemos ou somos diretamente atingidos, diariamente, por toda sorte de acintes, assaques, misérias, decretos e decisões que visivelmente nos prejudicam – a todos. Leis lidas a bel prazer. Bancos, seguradoras, poderosos limpam os pés nas nossas costas. Vemos gente pela qual temos apreço ou mesmo mal conhecemos, sofrendo ou caindo, miseráveis, seja nos postos de saúde ou nas calçadas, mortas pela violência desmedida e sem fim. Assistimos impassíveis a embates públicos nojentos e é como se nada daquilo nos dissesse respeito, estivesse ocorrendo em outro planeta.

Doenças terríveis que já haviam sido erradicadas – sarampo, raiva, poliomielite! – voltam céleres. Matam. E há quem tenha – para isso, sim – energia e coragem de negar as vacinas; pior, criminosamente tentam ainda argumentar contra elas do alto de suas ignorâncias, e acabam conseguindo, atingem uma importante parcela da população, aquela que a cada dia mais não sabe onde está parada. Apenas está parada esperando o futuro do país do futuro que não chega nunca.

Faltam pouco mais de três meses para a eleição de um novo presidente da República, repito, presidente. Isso, além dos cargos de governadores e deputados que serão regentes dessa desafinada orquestra a partir do primeiro dia do ano que vem. E é como se nada da crise braba que estamos vivendo, das terríveis descobertas de corrupção, roubos, extorsões, pilhagens e pilantragens em geral fizessem real diferença fora dos vídeos feitos com celular deitado. Depoimentos que mostram, sim, um Brasil real, pobre, largado, cheio de recônditos de nomes estranhos, de pessoas e cidades, e onde se fala uma língua que portuguesa não é, com seus esses e plurais esquecidos tanto quanto eles próprios.

O primeiro colocado nas pesquisas eleitorais, feitas com esses nominados aí que pretendem por a mão na direção, aparece; e é um preso com várias condenações e que de lá onde está trancafiado ainda posa de mártir e redentor, perseguido, um Messias. O segundo colocado é um ser abominável, incapaz de nada a não ser de bravatas, que até parecem soar reais nesse verdadeiramente desesperador momento: é como se ele pudesse bater, balear, fuzilar todos os problemas. Nas intenções de voto, vêm seguidos de outros: um amorfo, uma amorfa, um destrambelhado e outros pequenos seres prontos a negociar suas cadeirinhas nos estúdios de tevê por algum cargo. Estão ali no meio do campo, meio transparentes, correndo como os bobinhos, esperando quem sabe qual será a jogada.

O resultado mais plausível nesse instante é que saiam vitoriosos os votos nulos, brancos e abstenções. Afinal, em quem votar nessa seara, nesse deserto de ideias e propostas reais? Mais: como levarmos esses seis meses que temos adiante com um presidente que só consegue cair cada vez mais em desgraça e impopularidade? Que anda com cascas de banana nos bolsos e que vai jogando a cada passo que dá, escorregando?

A apatia é tanta que alcançou o que jamais imaginaríamos possível, as demonstrações populares. O futebol. Ah, que bom, tem Copa do Mundo. Ponto. Ah, que bom, o Brasil ainda está classificado. Gol. Depois do silêncio e da tensão que acompanham as sofridas partidas – como todas têm sido – gritos rápidos nas janelas, uma bombinha aqui; outra ali. Pronto. Ah, acabou o jogo e o Brasil ganhou. Não se ouve mais nada, a não ser a vida tentando voltar ao seu normal. Até o ufanismo das bandeirinhas espalhadas para decorar os espaços pouco tremulam.

O tempo está passando e não conseguimos mover o pé para fora dessa areia movediça que nos imobiliza.

Belisquem-se. Alguém, por favor, ligue o alarme. Bote água para ferver. Dê um antídoto para a população acordar e ver o que ainda podemos fazer; mas de verdade, não pelas redes sociais que parecem ser o que nos anestesia!

Eu só queria muito poder desejar um feliz segundo semestre. Percebeu que o ano já chegou à sua metade?

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Marli Gonçalves, jornalista – Urge ver o Brasil fazer gols em seu próprio campo.

marli@brickmann.com.br; marligo@uol.com.br

SP, julho, toca a sua sirene!

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