#ADEHOJE – A MODA DE TOCAR O TERROR

#ADEHOJE – A MODA DE TOCAR O TERROR

SÓ UM MINUTO – Não está nada boa essa moda de tocar o terror que temos visto por aqui nas mais diversas áreas, especialmente a “bandidal”. Hoje o Aeroporto Viracopos e toda a região estão vivendo um dia de inferno. E foram levados vultuosos valores pela quadrilha fortemente violenta, armada, preparada, e fazendo mortos e reféns. Virando rotina.

O mesmo modo de tocar o terror está sendo usado na política, no governo, na Justiça e, pasmem, pela imprensa, que agora deu de anunciar – isso não é informar – que, se o STF liberar que não sejam presos após a segunda instância, serão soltos quase 200 mil criminosos nas ruas. Os números sendo maltratados.

Gente, pensa. Nem isso vai acontecer, nem a Lava Jato vai se acabar. Vamos manter um pouco de calma para ver se saímos desse encalacrado momento nacional.

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#ADEHOJE – DESMONTES E O MONTE DE LEIS PRO VENTO

#ADEHOJE – DESMONTES E O MONTE DE LEIS PRO VENTO

 

SÓ UM MINUTO – Um monte de leis, sobre tudo e todos, mas quem é que vai aplicar, fiscalizar? O mundo caindo e o prefeito Bruno Covas sancionando leis perfumadas. Fora obras desnecessárias, como a do Anhangabaú. Agora proíbe que se fume em parques municipais. Parece brincadeira. Andou falando também que pretende multar quem atira bitucas na rua. Ah!!! Ok, que lindo! Então, vamos arrumar quem fiscalize as vagas de idoso, que canso de denunciar uso indevido. Quem vai multar quem mata árvores jogando lixo em sua base? Ah, temos muitas coisas para corrigir. Podiam começar pelos fios caídos – os malditos fios…

Já não basta Bolsonaro desmontando o país? Querem incentivar a deduragem, ainda por cima.

O desemprego cai, porque ninguém mais pode ficar esperando que cais ado céu e sai para a atividade informal, esta, que aumenta a olhos vistos, todo mundo pondo literalmente a mão na massa. Ah, são 12 milhões e 600 mil pessoas por aí procurando vagas, emprego, uma luz.

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ARTIGO – Até quando o horror contra a mulher? Por Marli Gonçalves

 

O Brasil está na muito desonrosa posição de ser o quinto país do mundo em registros de feminicídios, o assassinato de mulheres por  serem mulheres, violência doméstica, discriminação de gênero, nomenclatura que desde 2015 nos ajuda a calcular esses números e índices, mas ainda não nos ajuda a mudar o quadro que visivelmente só piora. O primeiro semestre de 2019 marcou o aumento de 44% de aumento nos casos em comparação com o ano passado. Que que há?

Joana correu para a porta para fugir e se livrar do agressor, o próprio marido, depois de se desvencilhar dele que já a agarrara pelos cabelos porque ao entrar em casa a encontrou falando ao telefone, baixinho, dando risadas. Ele não teve dúvidas, ela devia, só podia, estar falando com um amante, combinando algum encontro; e já chegou dando bordoadas. Joana não conseguiu sair. Foi morta a facadas ali mesmo, na soleira da porta de dentro de sua casa. A amiga com quem conversava ouviu tudo, o telefone largado na pressa, os gritos, os pedidos de socorro que não pode atender. Nada pode fazer a não ser testemunhar que minutos antes apenas tinha ligado para contar à Joana uma piada que ouvira, e antes que esquecesse o final, como sempre acontecia. Ela própria falava baixinho do outro lado da linha porque estava no trabalho e acredita que Joana sem perceber achou que também devia ficar falando baixinho…

Um grande amor sem fim, a paixão à primeira vista. Se conheceram e não mais se largaram. Ele, alguns anos mais velho, ela saberia que já tinha casado algumas vezes e tido sete filhos “por aí”. Mas isso ela soube mesmo só muito tempo depois. Ele era bem relacionado, estrangeiro, arrojado, o homem fascinante. E um dia deixou de ser.

Não demorou a aparecer o bicho peçonhento que deve estar por trás da violência e morte de tantas mulheres: o ciúme. Ciúme é doença, não tem nada de amor, tem tudo de desconfiança. Cresce, se espalha, domina o cérebro e os pensamentos, cria situações. Envenena. Faz perder a razão. Não há diálogo possível com os infectados, inclusive sejam eles homens ou mulheres.

Valentina não podia olhar para o lado, onde ia era seguida, passou a viver como em uma prisão regime semiaberto. Ele buscava e levava ao trabalho; aliás, nenhum prestava; ninguém prestava. Foram meses com a violência só crescendo, e quando quis dar um fim ao namoro, ao que já não era nem de longe romance, só terror, viu sua vida ameaçada. Suas coisas – todas – roubadas, quebradas, atiradas pela janela, a porta derrubada a pontapés.

Valentina está viva para contar a história porque fez como se faz no cinema para se defender: a garrafa, batida, quebrada na ponta da mesa, caco afiado, para conseguir sair e pedir socorro à vizinha. Teve que gritar, bater na porta dela, que sim, ouvia a briga, mas nada tinha feito. Há algum tempo era ainda maior o número de pessoas que acreditavam que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Provérbio idiota. Mete-se, sim. A colher e o que mais for preciso. Chama-se a polícia.

A caminho do hospital, machucada, Valentina até viu os policiais que foram chamados: estavam às gargalhadas com o agressor. Anos mais tarde, me contou, recebeu o telefonema de uma mulher que lhe perguntava como havia sobrevivido. Estava grávida deste mesmo homem e temia pela sua vida e a do filho, vítima que estava sendo de violência, ameaças, ciúmes, o roteiro completo.

Todo dia sabemos de casos de mulheres violentadas, espancadas, mortas, muitas assassinadas junto aos filhos, das formas mais torpes. Tem o que mata e depois tenta forjar que foi suicídio. O que machuca e se arrepende e tenta socorrer, contando as mesmas mentiras com lágrimas de crocodilo, culpando a escada de onde ela teria caído sem querer, o escorregão no banheiro. Tem o que diz que “se ela não é minha não será de mas ninguém” – é o que joga ácido no rosto, mutila seus seios, quebra suas pernas. Alega que ambos estavam bêbados ou drogados ou “que foi ela que começou”.

Antes que alcancemos o topo da lista mundial, o Brasil tem de mudar esse quadro, de incentivo à violência em várias áreas, inclusive na política e na liberação de armas. Tem de cuidar da proteção efetiva, que funcione não apenas em um papel com ordens judiciais que enfim não protegem ninguém. Não adianta nada vermos as lindas reportagens sobre patrulhas que sabemos que não existem na realidade para a população, principalmente a mais pobre e que mora em regiões mais afastadas. Botões que a mulher aperta sem parar e o pânico de se encontrar sozinha com seu algoz.

O medo e a violência contaminam o ao redor, de quem teme ou passa a temer até se aproximar, prestar ajuda nesses casos, e como vemos até hoje acontecer. A mulher demora – algumas, muitos anos – a conseguir se desvencilhar, acabam se afastando de todos, para não “provocar”, para que ninguém mais se machuque, nesse círculo alucinante e cruel.

Denuncie. Ligue 180. Ajude, se souber de alguém nessa situação terrivelmente solitária. Não são “companheiros”, nem “ex-companheiros ou ex-maridos” estes homens. São monstros, assassinos. Aliás, o pessoal do jornalismo do SBT/interior adotou como regra jamais usar a palavra companheiro nos casos que acompanham. Muito bem, uma coisa a ser feita, entre tantas que faltam.

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Foto: Gal Oppido

MARLI GONÇALVESJornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. Lançamento oficial 20 de agosto, terça-feira, a partir das 19 horas na Livraria da Vila, Alameda Lorena, 1731, São Paulo, SP. Já à venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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#ADEHOJE – AVALIAÇÃO DE BOLSONARO CAINDO. E SUPERLUA, OUTONO…

#ADEHOJE – AVALIAÇÃO DE BOLSONARO CAINDO. E SUPERLUA, OUTONO…

Só um minuto – Feliz Outono e hoje tem SuperLua. Pesquisa Ibope Inteligência apurou que três em cada 10 brasileiros consideram bom ou ótimo o Governo Bolsonaro; 3 em cada 10 consideram regular. ¼ (24%) , ruim ou péssimo. Da última pesquisa para cá, em fevereiro, caiu 15 pontos a aprovação da administração e 16 pontos a forma com que ele, Bolsonaro, governa.
Avaliação negativa é mais acentuada entre os moradores das cidades com mais de 500 mil habitantes. Veja mais abaixo mais detalhes

– Ex-deputado do PMDB carioca, Domingos Brazão vem sendo apontado pela PF como mandante da morte de Marielle Franco.

– Hoje fez uma semana do massacre na escola em Suzano. E cada vez mais se descobre que o terceiro menino tem tudo a ver com a elaboração do ataque.

dados da pesquisa

Cerca de um terço dos brasileiros avalia como ótima ou boa a administração de Jair Bolsonaro. Levantamento realizado pelo IBOPE Inteligência entre os dias 16 e 19 de março aponta que três em cada dez brasileiros (34%) avaliam de forma positiva (ótima ou boa) o governo de Jair Bolsonaro. A mesma parcela considera a gestão como regular e praticamente um quarto (24%) como ruim ou péssima. Aqueles que não sabem ou não respondem à pergunta somam 8%.

Nota-se uma retração de 15 pontos percentuais (p.p.) na avaliação positiva entre as pesquisas realizadas de janeiro a março. No primeiro levantamento, aqueles que avaliavam a gestão como ótima ou boa eram 49%, em fevereiro caíram para 39% e recuam para 34% em março. Já a avaliação ruim ou péssima registra um aumento de 13 p.p. no mesmo período: os que avaliavam negativamente a administração de Bolsonaro totalizavam 11% em janeiro, passando para 19% em fevereiro e atualmente somam 24%.

O estudo também investiga a aprovação da forma com que Jair Bolsonaro está governando o país. São 51% os que aprovam, ao passo que 38% desaprovam e 10% não sabem ou preferem não opinar. Entre janeiro e março, observa-se que a aprovação registra uma queda de 16 p.p.: 67% aprovavam em janeiro, caem para 57% em fevereiro e recuam agora para 51%. Por outro lado, a desaprovação apresenta crescimento de 17 p.p., passando de 21% para 31% e 38%, respectivamente.

DESTAQUES POR SEGMENTOS
Bolsonaro apresenta avaliação positiva mais expressiva entre aqueles com renda mais alta.

-Bolsonaro tem avaliação mais positiva (49%) entre aqueles com renda superior a 5 salários mínimos (S.M.), estrato no qual apresenta a segunda menor queda no acumulado dos três meses, uma vez que tinha 57% em janeiro (a menor delas é verificada entre os mais jovens, pois era avaliado positivamente por 44% em janeiro e é agora por 37%, ou seja, diminuição de 7 p.p.).

– A avaliação positiva também é mais alta entre os que se autodeclaram como brancos (42%) – mesmo percentual que tem entre os que vivem nas regiões Norte/Centro-Oeste – único segmento em que Bolsonaro se recupera em relação a fevereiro. Além disso, obtém 41% entre aqueles que moram no Sul e também entre os evangélicos e 40% entre os mais instruídos.

– É entre os moradores do Nordeste que a avaliação ótima ou boa apresenta maior retração: queda de 19 p.p. considerando o acumulado dos três meses, caindo de 42% para 31% entre janeiro e fevereiro e atingindo 23% em março. Em seguida, destacam-se aqueles que possuem renda familiar entre 2 e 5 S.M., estrato que apresenta recuo de 18 p.p. no mesmo período, variando de 53% em janeiro para 46% em fevereiro e para 35% em março.

– Considerando o mesmo período, observa-se uma perda menor entre as mulheres em comparação aos homens, visto que decresce 11p.p. entre elas de janeiro a março e 17 p.p. entre eles.


Avaliação negativa é mais acentuada entre os moradores das cidades com mais de 500 mil habitantes


– O maior percentual de avaliação negativa (soma da avaliação ruim e péssima) é registrado entre os entrevistados que residem nas cidades mais populosas, ou seja, aquelas com mais de 500 mil habitantes. Além disso, há um aumento de 18 p.p. entre o período de janeiro e março neste segmento (14% em janeiro, 23% em fevereiro e 32% em março).

– Também chama atenção o aumento de 21 p.p. da medida negativa, neste período, entre os que residem nas cidades das periferias brasileiras (8% avaliavam como ruim ou péssima em janeiro, passando para 19% em fevereiro e a 29% em março).

– Cabe destacar, ainda, um aumento de 17 p.p. entre os que têm de 45 a 54 anos (9% consideravam ruim ou péssima em janeiro, 20% em fevereiro e 26% em março).

Evangélicos e moradores das regiões Norte/Centro-Oeste são os que mais aprovam a maneira que Bolsonaro vem administrando o país

– Considerando apenas o levantamento de março, a aprovação da maneira de governar do presidente Jair Bolsonaro atinge 61% entre os evangélicos e entre aqueles que vivem nas regiões Norte/Centro-Oeste. Já entre os homens e aqueles que moram em municípios menores, com até 50 mil habitantes, atinge 57%. Além disso, comparativamente, a aprovação é maior entre os homens do que entre as mulheres (57%, contra 46%).

– Na comparação entre o primeiro e o último levantamento a queda na aprovação é superior a 20 p.p. entre a parcela da população que têm de 45 e 54 anos, entre os que residem nas cidades da periferia e entre aqueles que têm o ensino fundamental completo. Nesses segmentos a medida varia, entre janeiro e março, de 70% para 45%, de 63% para 42% e de 69% a 49%, respectivamente.

Moradores do Nordeste são os que mais desaprovam a forma do presidente administrar o país
– A desaprovação é mais expressiva entre os que vivem na região Nordeste (49%), segmento que registra maior crescimento, dado que 25% desaprovavam a administração em janeiro, 44% em fevereiro e agora, em março, 49%, ou seja, 24 p.p. entre a primeira e a terceira pesquisa. Ademais, também é alta a desaprovação nos municípios com mais de 500 mil habitantes (44%).


Evangélicos são os que mais confiam no presidente
– A confiança no presidente Jair Bolsonaro ultrapassa os 50% em 12 dos 31 segmentos avaliados na pesquisa de março, sendo mais significativa entre os evangélicos (56%), entre os homens, aqueles que vivem na região Sul e os que têm renda familiar superior a 5 S.M. (55% em cada um dos estratos). Ainda, alcança 54% entre os mais velhos, entre os que vivem no Norte/Centro-Oeste e entre aqueles que residem em municípios menos populosos, de até 50 mil habitantes.

– Apesar dos que confiam no presidente representarem metade da população, a queda no percentual é mais acentuada entre os que têm de 45 a 54 anos (21 p.p.), entre os menos instruídos (20 p.p.) e os residentes da região Nordeste (18 p.p.), variando de 67% a 46% no primeiro grupo, de 67% para 47% no segundo e de 59% para 41% no terceiro.


Nordestinos e moradores dos grandes centros urbanos destacam-se entre os que não confiam em Jair Bolsonaro
– Os que moram no Nordeste e aqueles que vivem em municípios com mais de 500 mil habitantes (53% em cada um desses segmentos) são os que mais declaram que não confiam no presidente em exercício. Destacam-se também os que residem nas capitais (52%), as mulheres e os entrevistados com idade entre 45 e 54 anos (49% em cada estrato). Este último grupo é o que apresenta maior crescimento entre as rodadas: 23% deles diziam que não confiavam no presidente em janeiro, 39% em fevereiro e 49% agora em março. Portanto, foram 26 p.p. de aumento entre o primeiro e o terceiro levantamento.

– Ademais, nas capitais a medida cresce 19 p.p., de 33% na primeira pesquisa para 52% na atual e o percentual dos que não confiam no presidente na região Nordeste aumenta, na proporção exata que recua o dos que confiam, 18 p.p., variando de 35% em janeiro para 53% no estudo atual.

COMPARATIVO – AVALIAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO DOS ÚLTIMOS PRESIDENTES ELEITOS

Considerando os resultados de pesquisas de avaliação da administração dos últimos presidentes eleitos, realizadas também no mesmo período de governo, observa-se que a avaliação positiva de Jair Bolsonaro é inferior àquelas registradas para Fernando Henrique Cardoso (1º mandato), Lula (1º e 2º mandato) e Dilma Rousseff (1º mandato). No entanto, ela é mais expressiva do que as de Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff no início do segundo mandato.

FICHA TÉCNICA DA PESQUISA (JOB Nº 0076-03 | 2019)
Período de campo: a pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 19 de março de 2019.
Universo: população brasileira de 16 anos ou mais.
Tamanho da amostra: foram realizadas 2.002 entrevistas.
Margem de erro: a margem de erro estimada é de 2 (dois) pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.
Nível de confiança: o nível de confiança utilizado é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento.

ARTIGO – Contagem progressiva. Por Marli Gonçalves

1, 2, 3, pra frente. Os dedinhos das mãos, dos pés, pega mais alguns emprestados de quem estiver aí do seu lado para a conta dar certo. Pode contar. É bom olhar pra frente. Às vezes muito melhor do que olhar para trás. Conta o quanto falta para você chegar lá. No ano que vem. No que deseja.  No dia que se sentirá em glória absoluta.

No caminho vá plantando coisas boas. Não aceite provocações – tente. Não aceitar não é ignorar, mas apenas preparar pra comer o prato frio depois, saboreando até os ossos. Cada segundo que passa é para a frente: é mais, temos de pensar, ao contrário de imaginar um tempo que passa e se escoa.

A vida não é foguete que a gente lança para o espaço naquela expectativa da tensa contagem regressiva.  A gente a conta das mais variadas formas. Como contamos os degraus de uma escada que descemos ou subimos, os quilômetros que nos farão chegar ao destino. Vivemos contando tudo.  Então que seja para o progresso. Pensamento otimista para crer que a terra sob nossos pés pode parar com essa tremedeira que escangalhou nossos planos recentes. Precisaremos fazer novos cálculos.

Não é para menos que se demonstra que há matemática em tudo. A existência é uma sucessão de equações que vamos resolvendo em busca de desvendar as incógnitas. Pensa se não. Algumas equações são tão intrincadas que ficam sem solução até o fim, mesmo que você diariamente se pergunte o que foi que calculou errado, quais valores usou, onde cruzou os fatores. Quem somou, quem subtraiu, quem dividiu. No amor essas são as maiores variáveis.

Filosoficamente, multiplicamos menos do que deveríamos, e somamos muito timidamente. Deram agora de querer emplacar o dividir, mas isso acaba não levando a lugar nenhum, porque somos um só conjunto buscando intersecções. Não há probabilidade de dar certo.

Os números nos rodeiam, nos norteiam. Nos desnorteiam quando estamos devendo, quando a eles são aplicados juros e correções. Nos alegraram quando foram notas boas, que ainda sou do tempo do 0 a 10, nada de A, B, C, mais ou menos, AAA. Era nota precisa, também bem diferente dessas notas que a gente vê jurado dando na tevê, que todo mundo ganha com decimal  e sempre entre o 9 e o 10.

Nesse mundo que busca destrinchar tudo, quem anda bem por cima é o percentual. Tudo é percentual – esses dias mesmo soltaram rojões e fogos de artifício com o crescimento de 0,1 da economia do país. Isso é que é otimismo. Bom, pelo menos um pouco, para a nossa positiva contagem progressiva.

No futebol! Não tem jogo a que a gente consiga assistir sossegado sem que os locutores fiquem que nem matracas falando em percentuais, citando números que  decididamente não farão a menor diferença na partida. Quantos chutes, quantos pontapés, quantas vezes um time venceu , empatou ou perdeu do outro. Quantos cuspinhos no ar. Os computadores facilitam muito isso, esses cálculos com as informações inseridas.

Pena que a gente não venha com um botãozinho de apertar e a resposta do tempo aparecer. Abastecemos nossas vidas continuamente e o caminhar se chama destino.

O melhor é pensar nele avançando, sempre de forma que seja esplêndido e surpreendente. Inusitado.  Se quiser contar quanto falta para as coisas que já sabe, aí tem lugar que responde rápido: http://www.contadordedias.com.br/.

Você só tem de inserir a data inicial e a final, para saber quantos dias, quantas semanas, o que será a sua contagem. Bom para acalmar a ansiedade. Matematicamente.

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Marli Gonçalves, jornalista Já disse que conto três vezes, três chances que dou?
 2017-2018

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ARTIGO – Socorro. É guerra? Por Marli Gonçalves

 

ladrão de coraçãoNão tem mais nem o tradicional mãos ao alto, isso é um assalto, aquele pedido de licença tradicional dos ladrões. Levante as mãos. Não, não levanta, cuidado com os movimentos bruscos. Esconde esse celular. Não vai para a praia que tem arrastão lá. Vigi, está tendo um tiroteio ali na esquina. Tá lá um corpo estendido no chão

Nananeném, era o que certamente Bruna entoava para por a filha de dois anos no berço quando uma bala atravessou a janela do quarto e a sua cabeça. Lá se foi a jovem mãe de 21 anos para o Reino dos Céus deixando a órfã e o Engenho da Rainha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Um dia antes, Daiane, de 15 anos, chegava a sua casa em Belford Roxo. Não teve tempo de perguntar para a mãe o que tinha para o almoço. No fim da tarde de sexta um porco grunhia dentro do seu chiqueiro quando teve os miolos estourados. Não sei se virou bacon. Balas perdidas, balas amargas. A própria Polícia Civil do Rio contou: no Estado, 846 pessoas morreram ou ficaram feridas ao serem atingidas por balas perdidas – 83% morrem; quando não morrem 80% ficam paraplégicas – o que dá uma média de quase três vítimas por dia. Foram 72 apenas agora em outubro. Esse ano.

Feliz Dia dos Mortos. Rezemos por eles.

Precisamos falar sobre isso. Sobre a violência. Dar um basta, fazer algo. Mas nessa semana, quando esse assunto sério estava sentando na mesa, ficamos mais preocupados foi se o Renan Calheiros ia sentar ao lado da ministra Cármen Lúcia; se o new cabeludo Renan ia se pegar a tapas com o ministro careca brilhante que tem a língua solta. Se o Temer ia precisar ligar o extintor para apagar o incêndio entre os Poderes com aquele seu sorriso congelado. Quando era justamente para esses três Poderes estarem discutindo o Plano Nacional de Segurança Pública. Vai, me diz aí se leu em algum lugar o que foi que discutiram sobre esse assunto, quais foram as novas resoluções, que medidas serão tomadas para acabar com esse inferno que virou nossa vida, insegura, com medo até de nossas sombras.

É, eu também não soube de nada.Resultado de imagem para thief animated gifs

Mas nessa semana soube que em cinco anos houve mais assassinatos no Brasil do que na Síria, que está em guerra. De janeiro de 2011 a dezembro de 2015, 278.839 pessoas foram mortas aqui; na Síria, foram 256.124 vítimas. Uma pessoa foi assassinada a cada 9 minutos no Brasil em 2015. 58.383 pessoas foram assassinadas, 160 por dia, quando se fazem as contas. Imaginem quando computarem os dados desse difícil 2016.

13 mulheres são assassinadas por dia no Brasil, informa o Atlas da Violência 2016. Uma pessoa é vítima de sequestro relâmpago na cidade de São Paulo a cada cinco horas.

Não sei se já perderam a conta, mas difícil também é ter dia de não se ouvir falar em caixas eletrônicos indo aos ares em pacatas cidades ou nos grandes centros urbanos, onde andam derrubando até as sedes das transportadoras de valores. Você aí ouviu falar de algum plano para controlar a venda de explosivos? Nem eu.

Os homicídios cometidos por armas de fogo no país somaram 42.291 casos em 2014, ou 21,2 para cada 100 mil habitantes. Fala de um especialista: “O Brasil não tem controle sobre vendas, não registra os compradores. Existe um mercado aberto, paralelo e ilegal, porque as indústrias estão registradas, estão vendendo, mas a gente não sabe quem compra e quem distribui isso”.

Na tevê a reportagem mostra o roubo de celulares das mãos das pessoas em plena luz do dia, no centro da cidade, usando justamente isso, o movimento, como um artifício. Um bolinho de gente de todos os tipos vai atrás da vítima, têm velhinhos, jovens, negros, brancos, uma mulher. Teatral. Um esbarrão e tchau celular, carteira e a dignidade, já que no bando tem até quem pare para se solidarizar com a vítima, distraí-la ainda mais. A cena é dantesca. Parece inspirada naquele quadro do Fantástico que não foi para a frente, o tal Eles decidem, quando 20 pessoas ficavam o dia inteiro acompanhando para palpitar o coitado que tinha uma dúvida. Chatíssimo.

E os requintes que não ficam devendo aos mais violentos filmes de terror, mistério, seriados de investigação? As pessoas matando por nada. Tem sido normal cortar o corpo, decepar cabeças, afivelar malas cheias de pedaços, tem gente até emparedando com cimento, que cavar buraco é mais difícil. Se não é a bala, é a faca, a marreta, o martelo, o pedaço de pau, a corda. Teve até flecha disparada com arco. Casos de tentativas de envenenamento de crianças, com chumbinho, veneno de rato disfarçado em doces. Tentaram suavizar um pouco: uns gaiatos bandidos se vestiram de palhaços.

É crime organizado, requintado, quadrilhas especializadas, usando cibernética, tecnologia, inteligência, dinheiro graúdo rodando. Deixando trilhas de sangue de culpados e inocentes, muitos. Bandidos e policiais, às vezes até policiais bandidos. Nós ainda estamos atrasados, burros, lentos, aprendendo só agora, por exemplo, que as câmeras de radar podem ser usadas sabiamente para a segurança, revelar culpados. E filmam melhor que testemunhas com celular já que não tremem nem se assustam com tiros e explosões.

Enquanto isso não se pode ter nada, usar nada, andar pelas ruas, nem parar no trânsito, sair e chegar ileso vale reza e aleluias.

Não é por menos que o tal Halloween cresce no Brasil – as bruxas estão soltas e não há ninguém tentando capturá-las, assustá-las ou ensinar a importância da paz. Estamos em guerra.

Bandeira branca, amor.

pulando pelado____________________________

oculos fendiMarli Gonçalves, jornalista – Entre meus melhores amigos tenho um casal que amo, e o seu filho, do qual me considero madrinha, relapsa, mas madrinha. Acabam de me anunciar que se mudarão para a Espanha. Adivinhem um dos motivos.

Bangbang Brasil, 2016

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Uma questão de números. Ela precisa de 171. E pode não ter nem 150

 animation-counter-gif-love-numbers-Favim_com-292566Que vergonha

Um dado preocupa o Palácio do Planalto. Levantamento do governo mostra que, com o aumento da pressão popular, Dilma pode não ter nem mesmo 150 votos para derrubar o impeachment. E precisa de 171.

FONTE: COLUNA CLÁUDIO HUMBERTO