O Oitavo Selo, de Heloisa Seixas, um livro extraordinário lançado hoje em SP. Livraria Cultura. Ruy Castro está dentro, do livro, e da vida da autora, sua esposa, que conta das suas sete vidas numa narrativa envolvente e literária

Posted in Uncategorized with tags , , , , , , , , , , , , , on 24 de outubro de 2014 by Marli Gonçalves
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EU, RUY CASTRO E O CARLINHOS BRICKMANN

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HELOISA SEIXAS ABRAÇA UMA AMIGA: AUTORA DO OITAVO SELO – QUASE UM ROMANCE, A SUPER TALENTOSA E ESPOSA DO RUY CASTRO. CONHECÊ-LA VALEU A PENA

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DA ESQ PAR AA DIREITA, KRIGOR, CARLOS BRICKMANN, A ESPOSA DO KRIGOR E UM AMIGO. KRIGOR, PARA QUEM NÃO SABE, FOI, ALÉM DE DONO DA DUCAL, E ACHO QUE CONTINUA SENDO, O MEHOR AMIGO E MENTOR DE NADA MAIS NADA MENOS JOÃO GILBERTO. QUANDO FIZ – SIM – FUI UMA BOA PRODUTORA CULTURAL – OS SHOWS DE JOÃO EM SP, FICAMOS AMIGOS ( EU E JOÃO). UM DOS ORGULHINHOS QUE LEVO NESSA VIDICA. UM DIA CONTO MAIS DESSE PERÍODO. OS SHOWS FORAM PREMIO APCA DAQUELE ANO, 85

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EU E O IVSON, FOTOGRAFO DAS ANTIGAS , QUE ACOMPANHAVA O EVENTO

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Se impuseram dois lados…Bem, tem esse chamado aqui. Um bom programa para sábado, passando ali pela Avenida Paulista…

Posted in Uncategorized with tags , , , on 23 de outubro de 2014 by Marli Gonçalves

23 de outubro, Dia do Aviador. Voe!

Posted in Uncategorized with tags , , , , on 23 de outubro de 2014 by Marli Gonçalves

Recebi da querida Laurete Godoy, especialista em aviação, aviadores e, em especial, em Santos Dumont, nosso ídoloimage001(3)

Melhor do que sorvete na testa

Melhor do que sorvete na testa

Vamos lá, Sul, Sudeste! Norte!Nordeste!Centro-Oeste! Vejam mais análise de pesquisas, mas lembre-se: elas não põem mesa

Posted in Uncategorized with tags , , , , , , , , on 23 de outubro de 2014 by Marli Gonçalves

blueAS DIFERENÇAS, PELAS REGIÕES BRASILEIRAS, NA DISPUTA PRESIDENCIAL! TRÊS PONTOS A MAIS PARA AÉCIO NO SUDESTE EMPATAM A ELEIÇÃO PELO DATAFOLHA!bluean

(fonte: ex-blog de cesar maia)

1. Pelo Datafolha, a diferença a favor de Aécio no SUDESTE lhe dá, nacionalmente (ponderando pela participação de 44% dessa região), 5,28 pontos à frente. A diferença a favor de Aécio no SUL lhe dá, nacionalmente (pela participação de 15% dessa região), 3,3 pontos. A diferença a favor de Aécio no CENTRO-OESTE lhe dá, nacionalmente (pela participação de 7% dessa região), 0,84 pontos. No total, Aécio soma uma vantagem, nessas regiões, de 9,42 pontos de vantagem em nível nacional.

2. Pelo Datafolha, a diferença a favor de Dilma no NORDESTE lhe dá, nacionalmente (pela participação de 27% dessa região), 10,8 pontos. A diferença a favor de Dilma no NORTE lhe dá, nacionalmente (pela participação de 8% dessa região), 1,28 pontos. No Total, Dilma soma uma vantagem, nessas regiões, de 12,08 pontos.

3. A diferença nacional ponderada pelas regiões era a favor de Dilma de 2,66 pontos. Se Aécio ampliar a diferença em apenas 5 pontos no Sudeste e no Sul a eleição estará empatada.

4. Se no Sudeste Aécio crescer apenas 3 pontos trocando com Dilma, que desceria 3 pontos, pelos números do Datafolha a eleição estará rigorosamente empatada.

* * *

blueeyesTENDÊNCIA REGIONALIZADA DO VOTO NO ESTADO DO RIO!

1. PEZÃO x CRIVELLA. Capital: Pezão 11 pontos na frente. Na Baixada, Crivella 3 pontos na frente. Em Niterói/São Gonçalo/Itaboraí Pezão 11 pontos na frente. No Interior 1 (Serrana e Sul), Pezão 35 pontos na frente. Seu município Piraí, fica no Sul. No Interior 2 (Noroeste-Norte-Lagos), Pezão 12 pontos na frente. É região onde Garotinho é forte.

2. Sub-Regiões da Capital. Nos bairros que vão do Centro à Barra da Tijuca, passando pela Tijuca e Vila Isabel, Pezão tem 28 pontos na frente. Na região de Ramos/Olaria/Bonsucesso, Maré/Ilha do Governador, onde é maior a concentração de favelas, Pezão vence por 17 pontos. Na região de Meier/Madureira/Marechal Crivella está 3 pontos na frente. Jacarepaguá: Pezão 16 pontos na frente. Grande Bangu Pezão 10 pontos na frente. Grande Campo Grande/Santa Cruz Crivella 4 pontos na frente.

3. DILMA X AÉCIO. Capital: Dilma 8 pontos de vantagem. Baixada: Dilma 24 pontos de vantagem. Niterói/São Gonçalo/Itaboraí: Dilma 30 pontos na frente. Interior 1 (Serrana+Sul): Aécio 4 pontos na frente. Interior 2 (Noroeste, Norte e Lagos): Aécio 10 pontos na frente.

4. Sub-regiões da Capital. Nos bairros que vão do Centro à Barra, Aécio tem 25 pontos à frente. Em toda a zona norte agregada, bairros da Central e Leopoldina, Dilma tem 13 pontos à frente. Grande Bangu, Dilma 14 pontos na frente. Grande Campo Grande e Santa Cruz, Dilma 30 pontos na frente.

BlueEye5. No geral, Pezão vinha com 11 pontos à frente e Dilma com 10.

Íntegra/transcrição total do depoimento do Paulo Roberto Costa. Aquele que ficaram “p…” porque apareceu.

Posted in Uncategorized with tags , , , , on 22 de outubro de 2014 by Marli Gonçalves

hothotDIVIRTAM-SE. COMO EU SOU BOA TRAGO PARA VOCÊS ISSO AQUI BEM QUENTINHO. EXCLUSIVO!

( Os números são anotações do processo – não tem importância, mas não consigo tirá-los)

TERMO 1 DE TRANSCRIÇÃO
Em 22 de outubro de 2014, em cumprimento aos termos do Provimento nº 03/2006 da
5 Egrégia Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, procedo à transcrição dos
6 interrogatórios colhidos na Ação Penal nº 5026212-82.2014.404.7000, realizada em
7 08.10.2014, Às 14h00min.
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10 PAULO ROBERTO COSTA
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12 Juiz Federal: – Então, nesta Ação Penal 5026212-82, depoimento do senhor Paulo Roberto
13 Costa. Senhor Paulo, o senhor está sendo acusado de um crime, pelo Ministério Público
14 Federal, e na condição de acusado, o senhor tem direito a permanecer em silêncio, o senhor
15 não é obrigado a responder nenhuma questão. No entanto, como já foi trazido aos autos, o
16 senhor celebrou um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal, e
17 nessas condições, pela nossa legislação, o senhor fazendo esse acordo, se comprometendo a
18 revelar o que o senhor sabe, o senhor abre mão de, ao direito ao silêncio em seu depoimento.
19 Interrogado: -Correto, Excelência.
20 Juiz Federal: – Certo? Como há uma solicitação, a previsão legal de que o senhor renuncia a
21 esse direito na presença do seu advogado, eu também vou pedir a manifestação do defensor,
22 nesse momento. Se puder alcançar o microfone, doutor.
23 Defesa: – Então, Excelência, isso faz parte, nós não éramos, não representávamos o senhor
24 Paulo Roberto, mas eu já fui, já houve anuência da advogada, então…
25 Juiz Federal: – Certo.
26 Defesa: – Temos que referendar o que já foi decidido.
27 Juiz Federal: – Perfeito. Então apesar de o senhor estar sendo acusado, o senhor não tem o
28 direito de permanecer em silêncio, certo?
29 Interrogado: -Correto.
30 Juiz Federal: – E eu vou advertir o senhor, esse acordo é celebrado entre o Ministério Público
31 e o senhor, a sua defesa, e ele é apenas trazido ao juízo. O juízo tem a tendência de tratar esse
32 acordo com absoluta deferência das escolhas do Ministério Público. No entanto, o senhor,
33 para receber os benefícios previstos no acordo, o senhor tem que necessariamente cumpri-lo, e
34 o que interessa à justiça criminal, acima de tudo, é que o senhor diga apenas a verdade.
35 Interrogado: -Correto, Excelência.
36 Juiz Federal: – Certo? Não interessa se essa verdade é boa para sua defesa, não interessa se
37 essa verdade é boa para acusação, o que interessa apenas à justiça criminal é a verdade.
38 Certo?
39 Interrogado: -Correto.
40 Juiz Federal: – E eu vou também lhe advertir, que conforme a nova previsão legal, se o
41 senhor nas suas declarações o senhor imputar falsamente crime a alguém, o senhor fica sujeito
42 a uma nova sanção criminal. Certo?
43 Interrogado: -Perfeito.
44 Juiz Federal: – Então, o senhor deve apenas dizer a verdade, e aí o senhor tem os benefícios
45 previstos no acordo, certo?
46 Interrogado: -Correto, Excelência.
47 Juiz Federal: – Senhor Paulo, o senhor pode começar revelando sua formação técnica?
48 Interrogado: -Eu sou Engenheiro Mecânico.
49 Juiz Federal: – O senhor ingressou na Petrobras aproximadamente quando?
50 Interrogado: -2 de fevereiro de 1977.
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Juiz Federal: – O senhor pode me descrever brevemente sua carreira até 1 o senhor chegar à
2 posição de Diretor de Abastecimento?
3 Interrogado: -Posso. Eu ingressei por concurso público, inclusive aqui no Paraná, me formei
4 aqui na Universidade Federal do Paraná, e após a formatura da universidade, entrei na
5 Petrobras para fazer um curso de especialização de mais um ano e quatro meses. Esse curso
6 foi parte na Bahia, parte maior no Rio de Janeiro, depois uma segunda parte na Bahia. E
7 comecei a exercer minha profissão no Espírito Santo. Então, cuidando da parte de instalações
8 de plataformas marítimas no Espírito Santo, depois fui pra Macaé, Macaé – a Bacia de
9 Campos, que é a grande área produtora da Petrobras até hoje. Permaneci em Macaé durante
10 dezesseis anos. Cheguei em Macaé como Engenheiro simples, Engenheiro praticamente
11 estagiário, e saí de Macaé em 1995 como Superintendente Geral da área de produção da Bacia
12 de Campos. Então foi toda uma, vamos dizer, uma, um crescimento de Chefe de Setor, Chefe
13 de Divisão, Suplente de apoio e tal, até 1995. Em 1995 eu fui designado pra ser o Gerente-
14 Geral da área de exploração e produção da chamada Bacia de Santos e Pelotas. E a sede foi, a
15 gente fez uma sede nova da Petrobras em Itajaí, Santa Catarina. Fiquei lá um ano e meio,
16 depois voltei para o Rio de Janeiro, me indicaram pra chefiar toda a parte de logística da área
17 de exploração e produção, depois passei mais uns seis anos na área de gás natural, até que, no
18 mês de maio de 2004, o Conselho de Administração aprovou o meu nome para ser o Diretor
19 da Área de Abastecimento. Então permaneci na área de Abastecimento de janeiro, de abril, ou
20 melhor dizendo, de maio de 2004 a abril de 2012. Foram oito anos. E me aposentei em abril
21 de 2012, me aposentei da Petrobras e criei uma, depois, em agosto de 2012, uma consultoria
22 na área de gás, infraestrutura de um modo geral, atividades também outras não afins com a
23 Petrobras, mas de conhecimento meu, principalmente na área de infraestrutura.
24 Juiz Federal: – Uma referência na acusação que o senhor teria assumido essa posição de
25 Diretor de Abastecimento por conta de uma indicação política do ex-Deputado Federal José
26 Janene. O que o senhor pode me dizer a esse respeito?
27 Interrogado: -Perfeito. É, foi, esta correta essa colocação, a Petrobras, desde que eu me
28 conheço como Petrobras, as diretorias da Petrobras, e a presidência da Petrobras foram
29 sempre por indicação política. Eu dava sempre o exemplo aí, nas discussões aí, como General,
30 ninguém chega a General se não for indicado. Você, dentro de uma força, forças armadas,
31 você para como Coronel e se reforma como Coronel. Então, as diretorias da Petrobras, quer
32 seja no governo Sarney, quer seja no governo Collor, quer seja no governo Itamar Franco,
33 quer seja no governo Fernando Henrique, quer seja nos governos do Presidente Lula, foram
34 sempre por indicação política, e eu fui indicado, realmente, pelo PP, para assumir essa
35 Diretoria de Abastecimento.
36 Juiz Federal: – E especificamente pelo deputado José Janene?
37 Interrogado: -Pelo partido. Ele, na época, ele era o líder do partido.
38 Juiz Federal: – Sim.
39 Interrogado: -Ele teve influência nessa indicação, mas foi…
40 Juiz Federal: – E o senhor tinha alguma relação prévia com ele?
41 Interrogado: -Não, nem o conhecia. Nem o conhecia. Fiquei conhecendo quando houve essa
42 possibilidade de ser indicado para, para o Conselho de Administração, pelo partido, e fiquei
43 conhecendo ele e outras pessoas do partido naquele momento. Eu não o conhecia
44 anteriormente.
45 Juiz Federal: – O fato de o senhor ser o indicado político, dessa agremiação política, a
46 influência do deputado José Janene na sua indicação, isso era de conhecimento comum dentro
47 da empresa?
48 Interrogado: -Sim. Sim. Da alta administração da companhia, sim.
49 Juiz Federal: – Inclusive dos outros diretores, do Presidente da Petrobras.
50 Interrogado: -Sim. A resposta é correta. Como eu sabia também…
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Juiz Federal: 1 – Ou se o senhor…
2 Interrogado: -Desculpe, como eu sabia também que os outros diretores tinham suas
3 indicações e quem tinha indicado.
4 Juiz Federal: – Bem, isso na verdade não…
5 Interrogado: -É.
6 Juiz Federal: -Não é nenhum segredo…
7 Interrogado: -Não.
8 Juiz Federal: – É de fato normalmente divulgado na mídia. O ex-Presidente da Petrobras, o
9 senhor José Gabrielli, ele tinha conhecimento que o senhor era, vamos dizer, indicação do,
10 dessa agremiação política, e do José Janene?
11 Interrogado: – Quando entrei na diretoria da Petrobras, o Presidente era o José Dutra.
12 Juiz Federal: – Certo.
13 Interrogado: – Não era o Gabrielli. O Gabrielli só assumiu a diretoria, a presidência da
14 companhia em 2005.
15 Juiz Federal: – Sim.
16 Interrogado: -Então quando eu entrei, em 2004, era o José Eduardo Dutra, o Presidente da
17 Petrobras. E ele sabia, como também, depois, o Presidente Gabrielli também sabia. Não era
18 desconhecimento deles não.
19 Juiz Federal: – Certo. Esse processo aqui em particular, diz respeito a supostos desvios
20 ocorridos, valores da Petrobras, através de empresas contratadas pela Petrobras. Antes só de
21 lhe indagar a esse respeito, eu vou fazer o seguinte alerta: esse processo nós não estamos
22 tratando de autoridades com foro privilegiado, porque essas autoridades estão sujeitas à
23 competência do Supremo Tribunal Federal. Então, nas suas respostas, eu vou pedir ao senhor
24 que o senhor não decline nome de autoridades sujeitas ao foro do Supremo Tribunal Federal,
25 está certo?
26 Interrogado: – Perfeito.
27 Juiz Federal: – O senhor pode se referir a agentes políticos, agentes públicos, mas não vamos
28 nominá-los por uma questão aí de respeito ao Supremo Tribunal Federal, evidentemente isso
29 vai vir a público no momento adequado, segundo as decisões do Supremo Tribunal Federal.
30 Certo?
31 Interrogado: -Perfeito.
32 Juiz Federal: – Sobre esquemas narrados aqui pelo Ministério Público, de desvios de recursos
33 da Petrobras, através dessas empresas, por ela contratadas, o que o senhor pode me relatar?
34 Interrogado: -Muito bem. Na realidade o que acontecia dentro da Petrobras, principalmente
35 mais a partir de 2006 pra frente, é um processo de cartelização. O quê que significa isso? As
36 grandes empresas do Brasil, e são poucas grandes empresas que têm condição de fazer uma
37 refinaria, que tem condição de fazer uma plataforma, que tem condição de fazer um navio de
38 processo, que tem condição de fazer uma hidrelétrica, como Belo Monte, Santo Antônio, e
39 outras tantas lá no norte do país, que tem condição de fazer uma usina como Angra 3, são
40 pouquíssimas. E essas empresas, não só no âmbito da Petrobras, mas no âmbito de um modo
41 geral, nas grandes obras do país, quer seja ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos, o Brasil
42 fica restrito a essas poucas empresas. Essas empresas, então no âmbito específico da área de
43 Abastecimento, as obras, 2004, 2005, nós tivemos pouquíssimas obras porque o orçamento
44 era muito restrito e também não tinha projeto. Então as obras na área de Abastecimento
45 praticamente começaram a partir de 2006; 2006 começaram as obras, e as refinarias novas, no
46 caso específico, a primeira que vai ficar pronta agora em novembro desse ano, que é a
47 refinaria Abreu e Lima, lá em Pernambuco, a parte de terraplanagem dela começou em 2007.
48 Então, vamos dizer, teve um período aí de pouquíssima realização financeira de contratos por
49 não ter nem orçamento, nem projeto. Quando começou essa atividade, porque esse recurso era
50 todo alocado principalmente para área de exploração e produção, que é a área mais importante
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em qualquer companhia de petróleo. Quando começou então essa atividade, 1 ficou claro pra
2 mim, eu não tinha esse conhecimento quando eu entrei, em 2004, ficou claro pra mim dessa,
3 entre aspas, “acordo prévio”, entre as companhias em relação às obras. Ou seja, existia,
4 claramente, isto me foi dito por algumas empresas, pelos seus Presidentes das companhias, de
5 forma muito clara, que havia uma escolha de obras, dentro da Petrobras e fora da Petrobras.
6 Então, por exemplo, empre…, Usina Hidrelétrica de tal lugar, neste momento qual é a empresa
7 que tá mais disponível a fazer?
8 Juiz Federal: – Sim.
9 Interrogado: -E essa cartelização obviamente que resulta num delta preço excedente, não é?
10 Na área de petróleo e gás, essas empresas, normalmente, entre os custos indiretos e o seu
11 lucro, o chamado BDI, elas normalmente colocam algo entre 10% a 20%, então, dependendo
12 da obra, do risco da obra, da… condição do projeto, então de 10% a 20% pra esse, pra esse,
13 esse BDI. O que acontecia especificamente nas obras da Petrobras? Por hipótese, o BDI era
14 15%? Então se colocava, normalmente, em média, em média, 3% a mais. E esses 3% eram
15 alocados a agentes políticos.
16 Juiz Federal: – Mas essa, para eu entender então, as empresas elas previamente definiam
17 então, elas tinham condições por esse acerto prévio de definir a proposta de preço que elas
18 iam apresentar?
19 Interrogado: -Sim.
20 Juiz Federal: – E nisso ela já embutia, vamos dizer na prática, o preço que elas quisessem.
21 Interrogado: -É, normalmente, como falei, o BDI na faixa de 10% a 20%, e normalmente,
22 em média, 3% de ajuste político. A Petrobras em paralelo, a área de engenharia, que conduz
23 as licitações da Petrobras, vamos dizer, todas as licitações da área de Abastecimento de
24 grande porte são conduzidas por outra diretoria, que não era a Diretoria de Abastecimento,
25 que era a Diretoria de Serviço, ela presta este serviço para a área de Abastecimento, como
26 presta também para a área de exploração e produção e às vezes para a área internacional e
27 para área de gás natural. Então existe uma, uma diretoria que faz esta atividade. O quê que ela
28 faz nesta atividade? Ela pega o cadastro da Petrobras, escolhe as empresas que vão participar
29 do processo licitatório, faz a licitação, então é nomeada uma comissão de licitação ou a
30 coordenação da comissão de licitação é dessa diretoria, então ela faz a licitação. Tem uma
31 outra equipe, nesta mesma diretoria, que faz o chamado “orçamento básico”, então, em cima
32 do projeto que foi verificado, a Petrobras faz um valor inicial que ela acha que é viável fazer
33 aquela obra, o “orçamento básico” que a gente chama. E esse orçamento básico a Petrobras
34 considera valores razoáveis, se a obra é estimada a um bilhão de reais, por exemplo, ela, a
35 Petrobras era razoável uma, um acima até 20% e um valor abaixo até mais 20% menos 15%,
36 nesta média. Então são valores que a Petrobras acha razoável. Então ela, normalmente, se a
37 empresa deu 25%, normalmente esse contrato não vai ser executado com este valor. Então
38 chama-se essa empresa que deu 25% que é o valor melhor que tem, chama essa empresa pra
39 tentar reduzir pra 20 ou menos. Então, vamos dizer, essa diretoria é que faz também essa parte
40 de orçamento.
41 Juiz Federal: – Sei.
42 Interrogado: -Fez o orçamento, fez a licitação, abre o preço pra todas as empresas ao mesmo
43 tempo, e ali define-se, então, vamos dizer, o primeiro colocado, o segundo colocado, o
44 terceiro colocado, não quer dizer que define o ganhador naquele momento. Porque se o preço
45 tiver muito acima ou muito abaixo, pode ser que quem deu o preço muito abaixo ou muito
46 acima não vai ganhar aquela licitação. Então, é dessa maneira que funciona.
47 Juiz Federal: – Mas esses 3% então, em cima desse preço iam para distribuição para agentes
48 públicos, é isso?
49 Interrogado: -Perfeito.
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Juiz Federal: – Mas e quem, como chegou, como foi definido esse 3%, esse 1 repasse, foi algo
2 que precedeu a sua ida para lá ou surgiu no decorrer?
3 Interrogado: -Possivelmente já acontecia antes de eu ir pra lá. Possivelmente já acontecia
4 antes, porque essas empresas já trabalham para Petrobras há muito tempo. E como eu
5 mencionei anteriormente, as indicações de diretoria da Petrobras, desde que me conheço
6 como Petrobras, sempre foram indicações políticas. Na minha área, os dois primeiros anos,
7 2004 e 2005, praticamente a gente não teve obra. Obras muito pe…, de pouco valor porque a
8 gente não tinha orçamento, não tinha projeto. Quando começou a ter os projetos pra obras de
9 realmente maior porte, principalmente, inicialmente, na área de qualidade de derivados,
10 qualidade da gasolina, qualidade do diesel, foi feito em praticamente todas as refinarias
11 grandes obras para esse, com esse intuito, me foi colocado lá pelas, pelas empresas, e também
12 pelo partido, que dessa média de 3%, o que fosse de Diretoria de Abastecimento, 1% seria
13 repassado para o PP. E os 2% restantes ficariam para o PT dentro da diretoria que prestava
14 esse tipo de serviço que era a Diretoria de Serviço.
15 Juiz Federal: – Certo.
16 Interrogado: -Isso foi me dito com toda a clareza.
17 Juiz Federal: – Mas isso em cima de todo o contrato que…
18 Interrogado: -Não.
19 Juiz Federal: – Celebrado pela Petrobras?
20 Interrogado: -Não. Em cima desses contratos dessas empresas do cartel.
21 Juiz Federal: – Do cartel.
22 Interrogado: -Tem várias empresas que prestam serviço pra Petrobras que não tão no cartel,
23 então são empresas de médio e pequeno porte que não tem participação nenhuma no cartel.
24 Esse cartel são as principais empresas, talvez umas dez empresas aí que são, que participam
25 desse processo.
26 Juiz Federal: – E como que esse dinheiro era distribuído? Como que se operacionalizava
27 isso?
28 Interrogado: -Muito bem. O que era para direcionamento do PP, praticamente até 2008,
29 início de 2008, quem conduzia isso, diretamente esse processo, era o deputado José Janene.
30 Ele era o responsável por essa atividade. Em 2008 ele começou a ficar doente e tal e veio a
31 falecer em 2010. De 2008, a partir do momento que ele ficou, vamos dizer, com a saúde mais
32 prejudicada, esse trabalho passou a ser executado pelo Alberto Youssef.
33 Juiz Federal: – E…
34 Interrogado: -Em relação, em relação ao PP.
35 Juiz Federal: – Certo. E o senhor tem conhecimento, vamos dizer, exat…, como funcionava,
36 como esse dinheiro chegava ao senhor Alberto Youssef, os caminhos exat…, exatos que esse
37 dinheiro tomava?
38 Interrogado: -O meu contato, Excelência, sempre foi a nível de Presidente e diretor das
39 empresas, eu não tinha contato com pessoal, vamos dizer, de operação, de execução. Então,
40 assinava o contrato, passava-se algum tempo, que, depois de assinado o contrato, a primeira
41 medição que a Petrobras faz de serviço é trinta dias; executa o serviço, a Petrobras mede e
42 paga trinta dias depois. Então, normalmente, entre o prazo de execução e o prazo final de
43 pagamento, tem um gap aí de sessenta dias. Então, normalmente, após esse, esses sessenta
44 dias, é que era possível então executar esses pagamentos. Então, o deputado José Janene, na
45 época, ex-deputado porque em 2008 ele já não era mais deputado, ele mantinha o contato com
46 essas empresas, não é? Com o pessoal também não só a nível de diretoria e presidência, mas
47 também mais pessoal operacional, e esses valores então eram repassados para ele, e depois,
48 mais na frente, para o Alberto Youssef. Agora, dentro das empresas tinha o pessoal que
49 operacionalizava isso. Esse pessoal eu não tinha contato. Não fazia contato, não tinha
50 conhecimento desse pessoal. Então o que é que acontecia? É, vamos dizer, ou o Alberto ou o
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Janene faziam esse contato, e esse dinheiro então ia para essa distribuição 1 política, através
2 deles, agora…
3 Juiz Federal: – O senhor não se encarregava dessa parte da distribuição política?
4 Interrogado: -Não. Nunca fiz isso. Nunca fiz isso.
5 Juiz Federal: – E os diretores também da Petrobras também recebiam parcela desses valores?
6 Interrogado: -Olha, em relação à Diretoria de Serviços, era, todos, todos sabiam, que tinham
7 um percentual desses contratos da área de Abastecimento, dos 3%, 2% eram para atender ao
8 PT. Através da Diretoria de Serviços. Outras diretorias como gás e energia, e como
9 exploração e produção, também eram PT, então você tinha PT na Diretoria de Exploração e
10 Produção, PT na Diretoria de Gás e Energia e PT na área de serviço. Então, o comentário que
11 pautava lá dentro da companhia é que, nesse caso, os 3% ficavam diretamente para,
12 diretamente para o PT. Não era, não tinha participação do PP porque eram diretorias
13 indicadas, tanto para execução do serviço, quanto para o negócio, PT com PT. Então, o que
14 rezava dentro da companhia é que esse valor seria integral para o PT. A Diretoria
15 Internacional, tinha indicação do PMDB. Então, tinha também recursos que eram repassados
16 para o PMDB, na Diretoria Internacional.
17 Juiz Federal: – Certo, mas a pergunta que eu fiz especificamente é se os diretores, por
18 exemplo, o senhor recebia parte desses valores?
19 Interrogado: -Sim. Então o que, normalmente, em valores médios, acontecia? Do 1%, que
20 era para o PP, em média, obviamente que dependendo do contrato podia ser um pouco mais,
21 um pouco menos, 60% ia para o partido… 20% era para despesas, às vezes nota fiscal,
22 despesa para envio, etc, etc. São todos valores médios, pode ter alteração nesses valores. E
23 20% restante era repassado 70% pra mim e 30% para o Janene ou o Alberto Youssef.
24 Juiz Federal: – E como é que o senhor recebia sua parcela?
25 Interrogado: -Eu recebia em espécie, normalmente na minha casa ou num shopping ou no
26 escritório, depois que eu abri a companhia minha lá de consultoria.
27 Juiz Federal: – Como que o senhor, quem entregava esses valores para o senhor?
28 Interrogado: -Normalmente o Alberto Youssef ou o Janene.
29 Juiz Federal: – E na parcela pertinente, não a esse 1%, o senhor sabe quem fazia essa
30 distribuição? Quem, era também o senhor Alberto Youssef?
31 Interrogado: -Eu não sei se ele fazia diretamente ou tinha ent…, alguém que fazia para ele,
32 essa informação eu não tenho. Eu não sei lhe informar.
33 Juiz Federal: – Não, estou dizendo, isso o senhor está mencionando do 1% que cabia,
34 segundo o senhor, ao PP.
35 Interrogado: -Ao PP.
36 Juiz Federal: – Isso.
37 Interrogado: -Perfeito, perfeito.
38 Juiz Federal: – E para as outras agremiações políticas, o senhor sabe quem eram os
39 distribuidores?
40 Interrogado: -Dentro do PT, a ligação que o diretor do PT tinha, de serviço tinha, era com o
41 tesoureiro na época do PT, senhor João Vaccari. A ligação era diretamente com ele. Do
42 PMDB, da Diretoria Internacional, o nome que fazia essa articulação toda chama-se Fernando
43 Soares.
44 Juiz Federal: – É o conhecido também como Fernando Baiano, é isso?
45 Interrogado: -Perfeito.
46 Juiz Federal: – Isso acontecia também em relação a empresas ligadas a Petrobras,
47 subsidiárias?
48 Interrogado: -Bom, ligadas a Petrobras tem a BR, que eu não tenho conhecimento de
49 nenhuma atividade lá, e tem a Transpetro. A Transpetro tem alguns, alguns casos de repasse
50 para políticos, sim. A Transpetro.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Juiz Federal: – O senhor, por exemplo, da Transpetro que o senhor 1 disse que o senhor
2 conhece mais, o senhor chegou a receber também vantagem…
3 Interrogado: -Recebi.
4 Juiz Federal: – Propina em decorrência desses…
5 Interrogado: -Recebi.
6 Juiz Federal: – De contratos da Transpetro?
7 Interrogado: -Recebi uma parcela da Transpetro. Recebi.
8 Juiz Federal: – O senhor pode ser mais específico?
9 Interrogado: -Recebi, se eu não me engano, foram 500 mil reais.
10 Juiz Federal: – Quem pagou ao senhor?
11 Interrogado: -O Presidente da Transpetro, doutor Sérgio Machado.
12 Juiz Federal: – Isso foi aproximadamente quando?
13 Interrogado: -As datas talvez eu tenha dificuldade um pouco aqui de lembrar, que são muitas
14 datas, mas se eu não me engano, alguma coisa talvez como 2009, 2010, acho eu, por aí.
15 Juiz Federal: – Mas o senhor recebeu em uma única oportunidade?
16 Interrogado: -Da Transpetro sim, numa única oportunidade.
17 Juiz Federal: – E o senhor sabe me dizer o motivo, porque que ele foi pago…
18 Interrogado: -Sei.
19 Juiz Federal: -Por que foram pagos esses valores?
20 Interrogado: -Foi devido à contratação de alguns navios, e essa contratação depois ela tinha
21 que passar pela Diretoria de Abastecimento. Então, foi devido a esse, essa contratação de
22 navios pela Transpetro.
23 Juiz Federal: – E esse valor lhe foi entregue diretamente pelo senhor Sérgio Machado?
24 Interrogado: -Foi entregue diretamente por ele, no apartamento dele, no Rio de Janeiro.
25 Juiz Federal: – O senhor mencionou que o senhor deixou a Petrobras em 2012, é isso?
26 Interrogado: -Em abril de 2012.
27 Juiz Federal: – Mas o senhor continua a receber valores decorrentes desse, vamos dizer,
28 esquema?
29 Interrogado: -É, tinha algumas pendências de recebimento, a partir da minha saída da
30 Petrobras, a partir de abril de 2012, tinha algumas pendências, e foram feitos alguns contratos
31 com a empresa minha de consultoria, que eu abri em agosto, esses contratos, agosto de 2012,
32 esses contratos foram feitos no ano de 2013, e eu recebi algumas pendências ainda através de
33 contratos, vamos dizer de prestação de serviço, com essas empresas. Sim. A resposta é sim.
34 Juiz Federal: – Esses contratos então teriam sido feitos para, vamos dizer, ter uma
35 justificativa para os repasses à sua empresa e ao senhor?
36 Interrogado: -Perfeito.
37 Juiz Federal: – Mas esses valores eram relativos aos valores que lhe eram devidos
38 anteriormente.
39 Interrogado: -Perfeitamente.
40 Juiz Federal: – Decorrentes desse…
41 Interrogado: -Dessa participação.
42 Juiz Federal: – Esquema que o senhor mencionou…
43 Interrogado: -Isso.
44 Juiz Federal: – Dos 3%…
45 Interrogado: -Isso.
46 Juiz Federal: – Do 1%.
47 Interrogado: -Em cima do 1%, né?
48 Juiz Federal: – Certo.
49 Interrogado: -Perfeito.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Juiz Federal: – Há uma referência na denúncia, um veículo, que o senhor 1 Alberto Youssef
2 teria adquirido para o senhor, o senhor pode me esclarecer?
3 Interrogado: – Posso. Essa era uma pendência também que ainda tinha de recurso para
4 receber do Alberto Youssef, e ele achou conveniente, naquele momento, repassar esse recurso
5 através da compra desse veículo. Foi repasse de dívida do Alberto Youssef para comigo.
6 Juiz Federal: – Mas dívida decorrente daquele 1%…
7 Interrogado: -Isso.
8 Juiz Federal: – Que o senhor mencionou anteriormente.
9 Interrogado: -Perfeitamente.
10 Juiz Federal: – Esses valores que eram pagos pelas empreiteiras, pelo que eu entendi, então
11 eram pagos diretamente pelas empreiteiras a, para remuneração desses agentes públicos?
12 Vamos dizer, passava pelos intermediadores, mas não era um dinheiro que passava pra
13 Petrobras e a Petrobras…
14 Interrogado: -Não, não. Passava direto do, vamos dizer, das empresas, através de pessoas,
15 para os agentes. Não, não tinha nada, não passava nada pela Petrobras.
16 Juiz Federal: – Que empresas que participavam desse cartel que o senhor mencionou?
17 Interrogado: -Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Iesa, Engevix, Mendes
18 Júnior, UTC, mas isso está tudo na declaração que eu dei aí, talvez tenha mais aí.
19 Juiz Federal: – O senhor mencionou que o senhor teria, fazia tratativas com os diretores,
20 presidentes dessas empresas diretamente, isso?
21 Interrogado: -Perfeito.
22 Juiz Federal: – E eles tinham conhecimento desse, dessa remuneração.
23 Interrogado: -Sim. Tinham.
24 Juiz Federal: – Por exemplo, da Camargo Corrêa, com quem o senhor tratava?
25 Interrogado: -Camargo Corrêa, tratava-se com Eduardo Leite.
26 Juiz Federal: – A OAS também participava desse…?
27 Interrogado: -A OAS também participava.
28 Juiz Federal: – Com quem que o senhor tratava?
29 Interrogado: -Leo Pinheiro.
30 Juiz Federal: – A UTC?
31 Interrogado: -Ricardo Pessoa.
32 Juiz Federal: – Na Odebrecht?
33 Interrogado: -Rogério Araújo e Márcio Faria.
34 Juiz Federal: – Queiroz Galvão também participava?
35 Interrogado: -Ildefonso Colares, Queiroz Galvão participava. Ildefonso Colares.
36 Juiz Federal: – Uma empresa consta como depositante em conta do senhor Alberto Youssef,
37 Toyo Setal…
38 Interrogado: -Sim, Júlio Camargo. Toyo Setal também participava do processo, cartelização.
39 Juiz Federal: – Galvão Engenharia também?
40 Interrogado: -Galvão Engenharia, Erton, participava.
41 Juiz Federal: – Andrade Gutierrez?
42 Interrogado: -Andrade Gutierrez participava também, inicialmente era, eu não lembro o
43 nome da pessoa anteriormente, depois foi Paulo Dalmaso.
44 Juiz Federal: – A Iesa o senhor mencionou agora? Também participava?
45 Interrogado: -Iesa também participava.
46 Juiz Federal: – Lembra o nome da pessoa?
47 Interrogado: -Eu não estou lembrando o nome agora da pessoa, tá no depoimento aí do
48 Ministério Público, mas agora eu não estou lembrando o nome da pessoa.
49 Juiz Federal: – E a Engevix?
50 Interrogado: -Gerson Almada.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Juiz Federal: – Esse, o senhor mencionou de passagem, mas para ficar 1 claro. O senhor
2 ocupava a Diretoria de Abastecimento?
3 Interrogado: -Perfeito.
4 Juiz Federal: – Esse, vamos dizer, essa cartelização e esse pagamento desses 3%, também era
5 algo que existia nas outras diretorias?
6 Interrogado: -Sim. Perfeito.
7 Juiz Federal: – O senhor tem conhecimento se outros diretores, como o senhor, também
8 recebiam valores?
9 Interrogado: -É, dentro da área de serviço tinha o diretor Duque, que foi indicado na época
10 pelo Ministro da Casa Civil, José Dirceu, não é? E ele tinha essa ligação com o João Vaccari
11 dentro desse processo do PT. Dentro da Diretoria Internacional, era o Nestor Cerveró, que foi
12 indicado por um político e tinha uma ligação muito forte com o PMDB.
13 Juiz Federal: – Mas e o senhor sabe se, por exemplo, o senhor Nestor Cerveró e o senhor
14 Renato Duque eles pessoalmente também recebiam valores?
15 Interrogado: -Bom, era conversado dentro da companhia e isso era claro que sim. Sim, a
16 resposta é sim.
17 Juiz Federal: – Então esses 3% existiam em toda, nessas três diretorias, pelo menos?
18 Interrogado: -Correto.
19 Juiz Federal: – O processo, há uma referência a diversos depósitos que teriam sido feitos por
20 essas empreiteiras, em conta supostamente controladas pelo senhor Alberto Youssef. O
21 senhor, na época dos fatos, o senhor tinha conhecimento desse procedimento?
22 Interrogado: -Não.
23 Juiz Federal: – Que a empresa, por exemplo, depositava numa conta controlada pelo senhor
24 Alberto Youssef?
25 Interrogado: -Não. Não, porque o que, vamos dizer, o processo, como se processava isso eu
26 não tinha conhecimento. Esse, esse processo, como é que o Alberto Youssef trabalhava isso,
27 eu não tinha conhecimento. Então, vamos dizer, ele repassava pra mim os valores meus,
28 repassava pros políticos os valores dos políticos. Mas eu não, não, eu não tenho detalhes dessa
29 operacionalização. Aí só ele realmente que pode detalhar isso.
30 Juiz Federal: – Os valores que constam especificamente nessa denúncia, que são os depósitos
31 efetuados por essa empresa Sanko-Sider, nessas contas MO Consultoria e GDF
32 Investimentos, o senhor tinha conhecimento ao tempo dos fatos?
33 Interrogado: -Como é que eu conheci a empresa Sanko-Sider? Como eu falei, me aposentei
34 em abril de 2012 e por volta de novembro ou dezembro de 2012, em uma reunião em São
35 Paulo, na sede da GFD Investimentos aí, com o Alberto Youssef, ele me apresentou o senhor
36 Márcio Bonilho, que eu não o conhecia como, quando trabalhava na Petrobras.
37 Juiz Federal: – Quando foi, desculpe?
38 Interrogado: -Novembro ou dezembro de 2012. Eu me aposentei em abril de 2012. Ele me
39 apresentou o senhor Márcio Bonilho nessa época, e qual é o objetivo dessa apresentação?
40 Como eu tinha criado uma empresa de consultoria, e eu mantinha relação com várias outras
41 empresas, não só na atividade de petróleo, porque o que a Sanko-Sider fornece serve para
42 fábrica de papel, para uma siderurgia, para qualquer tipo de empresa, que são tubos e
43 conexões de um modo geral. E aí o objetivo então do senhor Márcio Bonilho era, fechou um
44 contrato comigo, existia um contrato fechado com a Costa Global, que se fosse, vamos dizer,
45 se eu conseguisse novos clientes eu teria uma participação, um percentual de 5%, que é de
46 praxe em consultoria esse valor, sobre a venda que fosse realizada. E ele me, estava me,
47 dentro do próprio contrato eu teria um pagamento de dez mil reais mensais para poder
48 operacionalizar esse trabalho todo, conversar com as pessoas, viajar, etc. Esse contrato foi
49 assinado, ou em dezembro ou em janeiro de 2013 e teve, acho que três ou quatro faturas pagas
50 pelo senhor Márcio Bonilho, então em torno de 30 ou 40 mil reais, e depois ele me ligou
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
dizendo “Paulo, eu estou com dificuldade financeira de caixa, não vou 1 poder conseguir o
2 contrato. Mas se, você tiver algum cliente que tenha sucesso, os 5% continua válido, eu não
3 tenho mais como te pagar os 10 mil reais mensais, mas os 5% continua válido”. Mas eu não
4 consegui, naquele momento, nenhum cliente se interessou naquele tipo de compra para ele
5 apresentar uma proposta, que seria apresentação de proposta. Então eu não tive sucesso em
6 nin…, em apresentar nenhum cliente a ele. Mas nessa reunião a primeira pergunta que eu fiz
7 para ele, para o Márcio, foi a seguinte “Márcio, para qualquer cliente Petrobras, se você não
8 tiver o seu cadastro na companhia efetuado, você não vai ser nem chamado. Você tem
9 cadastro?” ele falou “ah não, eu tenho cadastro”. Segunda pergunta “você já fornece para
10 alguém, das empresas que trabalham para Petrobras?” ele falou “já, já forneço para Camargo
11 Corrêa”. Eu falei “não, então, se fornece pra Camargo Corrêa já é um sinal verde de que você
12 pode também fornecer para outras empresas”, mas eu não, não tenho conhecimento de
13 depósitos e detalhamento de pagamentos da Sanko-Sider pra GFD ou MO, eu não tenho
14 conhecimento.
15 Juiz Federal: – Sim.
16 Interrogado: -Mas fiquei conhecendo então o senhor Márcio Bonilho em novembro ou
17 dezembro de 2012 no escritório do Alberto Youssef.
18 Juiz Federal: – Então o senhor não tem conhecimento se esses pagamentos feitos pela Sanko-
19 Sider para MO e para GFD estavam, vamos dizer assim, inseridas dentro daquele
20 procedimento de distribuição de dinheiro…
21 Interrogado: -Não tenho.
22 Juiz Federal: – Do senhor Alberto Youssef?
23 Interrogado: -Não tenho conhecimento.
24 Juiz Federal: – Pelo que o senhor falou, o senhor não conhecia detalhes desse procedimento
25 de distribuição?
26 Interrogado: -Não conhecia. Não conhecia. Não tinha esse detalhamento, eu tinha, o que eu
27 sabia é que ia parte para os políticos, o grupo político, parte tinha de despesas e depois outra
28 parte, uma parte era para mim e uma parte para eles, mas o detalhamento dessa, dessas
29 operações eu nunca tive acesso e nunca perguntei para ele esse detalhamento.
30 Juiz Federal: – E como é que o senhor sabe, por exemplo, que as pessoas recebiam?
31 Interrogado: -Quais pessoas?
32 Juiz Federal: – Esses políticos, por exemplo, esses agentes públicos, que eles recebiam a
33 parcela deles, como é que o senhor tinha conhecimento sobre isso?
34 Interrogado: -Nós tínhamos reuniões com uma certa periodicidade com esse grupo político,
35 né? E essa periodicidade então se comentava “ó recebemos isso, recebemos aquilo”, etc. Na
36 minha agenda que foi apreendida na minha residência, tem uma tabela que foi especif…,
37 detalhada junto ao Ministério Público, e essa tabela revela vários valores de agentes políticos
38 de vários partidos que foram, relativo à eleição de 2010. Essa tabela eu copiei no escritório do
39 Alberto, em uma reunião que eu tive lá com ele.
40 Juiz Federal: – O senhor celebrou esse acordo com o Ministério Público, já foi juntado aos
41 autos, o senhor faz referência a algum patrimônio. Primeiro esses 23 milhões de dólares que o
42 senhor teria em contas na Suíça, o senhor admitiu a existência desses valores.
43 Interrogado: -Perfeitamente. Como já assinei também um documento junto ao Ministério
44 Público para devolução integral desses valores.
45 Juiz Federal: – O senhor também admitiu a existência de uma conta no Royal Bank of
46 Canada em Cayman, isso?
47 Interrogado: -Perfeito. Também já assinado o documento de devolução total do valor.
48 Juiz Federal: – Esses valores que o senhor tinha nessas contas eram provenientes de, vamos
49 dizer, vantagens indevidas que o senhor recebeu?
50 Interrogado: -Perfeito.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Juiz Federal: – Por seu trabalho, em decorrência do seu trabalho como diretor 1 na Petrobras?
2 Interrogado: -Certo.
3 Juiz Federal: – E o senhor também faz uma referência a uma lancha, Costa Azul, em nome da
4 empresa Sunset.
5 Interrogado: -Isto.
6 Juiz Federal: – E um terreno que o senhor teria adqui…, adquirido em Mangaratiba?
7 Interrogado: -Isso. A lancha já foi também devolvida e o terreno, esse terreno foi pago em
8 valores aí pertencentes às minhas contas aí, valores legítimos, já foi pago também, o
9 Ministério Público já coletou esses valores.
10 Juiz Federal: – Mas esse patrimônio o senhor adquiriu então com um produto dessas
11 vantagens indevidas que o senhor recebeu.
12 Interrogado: -Esses dois patrimônios, sim.
13 Juiz Federal: – E esses valores que foram apreendidos na sua residência, que era setecentos e
14 sessenta e dois mil reais, cerca de cento e oitenta mil reais e mais dez mil euros, qual que era a
15 origem desses valores?
16 Interrogado: -É, a parte de euros e de dólar eram valores meus. De dólar que eu tinha durante
17 a vida toda guardado, e euros tinha dez mil euros lá de uma viagem que eu fiz à Europa, tinha
18 feito há pouco tempo. Os valores, os outros, era setecentos e poucos mil reais, eram valores
19 não corretos.
20 Juiz Federal: – Acho que por ora seriam essas as questões que eu tinha a colocar. Só mais
21 uma última pergunta, dos acusados desse processo, que o senhor mencionou, o senhor
22 conhece o senhor Alberto Youssef evidentemente, não é?
23 Interrogado: -Sim. Fui apresentado a ele pelo deputado José Janene.
24 Juiz Federal: – O senhor mencionou também o senhor Márcio Bonilho, as circunstâncias que
25 o senhor conheceu ele.
26 Interrogado: -Perfeito.
27 Juiz Federal: – Dos demais acusados, eu tenho aqui os nomes de Murilo Tena Barrios, o
28 senhor chegou a conhecer?
29 Interrogado: -Não, não cheguei a conhecer.
30 Juiz Federal: – Antônio Almeida Silva?
31 Interrogado: -Também não.
32 Juiz Federal: – Esdra de Arantes Ferreira?
33 Interrogado: -Não.
34 Juiz Federal: – Leandro Meirelles?
35 Interrogado: -Leandro eu conheci na carceragem da Polícia Federal aqui em Curitiba.
36 Juiz Federal: – Leonardo Meirelles?
37 Interrogado: -Não conheci.
38 Juiz Federal: – Senhor Pedro Argese Junior?
39 Interrogado: -Agora, agora eu tenho dúvida quem que estava na carceragem que era o…
40 Juiz Federal: – Não, mas na carceragem não faz, não tem relevância…
41 Interrogado: -Um dos Meirelles que eu conheci.
42 Juiz Federal: – Eu estou perguntando na época dos fatos.
43 Interrogado: -É, não.
44 Juiz Federal: – Pedro Argese Junior?
45 Interrogado: -Não conheci.
46 Juiz Federal: – E Waldomiro Oliveira?
47 Interrogado: -Também não.
48 Juiz Federal: – Certo, então eu vou passar as perguntas do Ministério Público, e
49 eventualmente, ao final eu faço mais alguma quest…, algum questionamento.
50 Interrogado: -Perfeito.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Ministério Público Federal: – Obrigado, Excelência. Voltando a ingerência 1 que o senhor
2 tinha na condição de diretor, nos procedimentos licitatórios e ao processo de cartelização. O
3 senhor poderia nos explicar como que ocorria a nomeação das comissões de licitações nas
4 obras de interesse da Diretoria de Abastecimento?
5 Interrogado: -Pois não. Dentro da área de Diretoria de Serviços, para cada licitação era feita
6 uma comissão, e essa comissão era indicada, normalmente pelo diretor da área de serviço.
7 Então existe um coord…, normalmente, um coordenador, e às vezes dois ou três membros e
8 para as obras de refinaria normalmente tinha um membro que era Diretoria de Abastecimento,
9 mas não era indicação minha, aí era grupo técnico que participava. Eu nunca, eu nunca
10 indiquei nenhum membro para comissão. Mas dentro de uma comissão dessa, quem manda na
11 comissão é o coordenador. Então a posição do coordenador é a que realmente prevalece. Mas
12 era, as comissões todas eram indicadas pela Diretoria de Serviço.
13 Ministério Público Federal: – E o senhor tinha, a partir do processo de cartelização,
14 mencionado pelo senhor, o senhor, em algumas oportunidades o senhor incluía ou pedia para
15 incluir empresas na comissão? Ou para excluir empresas do certame?
16 Interrogado: -Às vezes você tinha, vamos dizer empresas, ocorreu, vamos dizer, de eu ter
17 reuniões dentro da companhia, às vezes até reuniões com representante de grupo político para
18 inclusão de empresas em licitações. E aí sempre eu mencionava, só pode ser, ser incluída essa
19 empresa se ela tiver capacidade técnica, administrativa, financeira, etc. e a comissão aprovar,
20 porque a comissão era autônoma nessa, claro que uma, uma, uma solicitação de um diretor da
21 Petrobras pesava, mas a comissão podia chegar à conclusão que essa empresa não podia entrar
22 naquele certame licitatório. Então, às vezes, a gente teve esse pedido de colocação de
23 empresas, como também de empresas de menor porte, como nós tivemos uma fase, Vossa
24 Excelência, que nós colocamos, começamos a colocar empresas de menor porte para poder
25 quebrar um pouco esse cartel. Parece até um pouco demagogia falar isso, mas é a verdade, foi
26 feito isso. E essas empresas de menor porte, então, tivemos muita dificuldade para incluí-las,
27 e em uma dessas reuniões que eu tive com as empresas do cartel, isso eu já mencionei
28 anteriormente, a palavra que me falaram foi essa “você vai quebrar a cara, porque essas
29 empresas não vão dar conta do trabalho que está sendo colocado a elas”, e realmente algumas
30 empresas faliram. Algumas dessas empresas faliram, não deram conta, outras foram pra
31 frente, mas houve alguns casos de solicitação minha para a inclusão de empresas fora do
32 cartel e empresas para aumentar a concorrência. A resposta é sim.
33 Ministério Público Federal: – Então para que a empresa do cartel, a empresa combinada,
34 pudesse vencer o certame era imprescindível que só participassem daquele certame as pessoas
35 do cartel, seria isso?
36 Interrogado: -É, agora às vezes participaram empresas que não eram do cartel e ganharam a
37 licitação. Isso deixava as empresas do cartel muito zangadas. Mas ocorreu esses fatos de
38 terem empresas que ganharam a licitação que não eram do cartel.
39 Ministério Público Federal: – Certo.
40 Interrogado: -Isso aconteceu.
41 Ministério Público Federal: – E…
42 Interrogado: -Tem vários, vários casos desse.
43 Ministério Público Federal: – O senhor falou da margem de referência dos contratos, que
44 seria entre menos 15…
45 Interrogado: -Em torno…
46 Ministério Público Federal: – E mais 20% do valor…
47 Interrogado: -Isso.
48 Ministério Público Federal: – Levantado pela Petrobras.
49 Interrogado: -Isso.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Ministério Público Federal: – As empresas tinham conhecimento de 1 antemão sobre esse
2 valor de referência, a partir do senhor, a partir do Alberto Youssef?
3 Interrogado: -Não. Não tinham porque a comissão de li…, que fazia o orçamento básico, era
4 uma comissão direta à área de serviço e todas as informações que eu tenho, essa comissão,
5 esse grupo era muito fechado e muito correto, nunca tive nenhuma referência de ter
6 vazamento de informações, e mesmo o diretor da Petrobras, qualquer diretor da Petrobras ou
7 Presidente da Petrobras, se solicitasse a essa comissão a ter o preço antecipado, a resposta não
8 ia ser positiva, porque eles não iam dar, e isso seria até depois dentro da companhia
9 comentado e ia gerar um desgaste interno dentro da companhia. Então, essa comissão tinha
10 autonomia para fazer o orçamento, o orçamento era feito e era trancado lá a sete chaves dentro
11 da área da comissão. Agora, as fontes de referência para fazer, o que a Petrobras usa, ou fazer
12 o que as empresas usam, praticamente é a mesma, quanto é que custa o metro cúbico de
13 concreto colocado em tal lugar, quanto é que custa a tonelada de tubo de 10 polegadas, quanto
14 que custa válvulas de XX polegadas, de 150 libras, 300 libras, 600 libras, então a referência
15 praticamente é a mesma, o que a Petrobras nunca teve, nunca tem, e não tem condição de
16 saber é praticamente o BDI, quanto que a empresa vai ter seus custos indiretos, qual é a
17 margem que ela quer para aquele contrato. Aí, isso é contrato a contrato, então a Petrobras
18 estima esse valor, mas a referência de levantamento de dados é praticamente a mesma, seja a
19 Petrobras, ou seja qualquer empresa que vai fazer uma obra para Petrobras.
20 Ministério Público Federal: – Então, a empresa que for a selecionada pelo cartel para vencer
21 um determinado certame, ela, é possível mencionar que ela arbitrava o seu preço próximo aos
22 mais 20%, via de regra, e as outras com valores um pouco superiores?
23 Interrogado: -É, se fizer o levantamento completo na Petrobras, nos últimos dez anos, tem
24 muita variação nisso. Porque em alguns, em alguns contratos, vamos dizer, o orçamento era
25 muito exíguo, muito curto o orçamento. Então, você pode encontrar valores na faixa de 10%,
26 as vezes até valores menores que 10%. Dependendo também do mercado, da situação de
27 mercado. Se as empresas estavam com pouco serviço naquele momento, elas baixavam até o
28 seu lucro, para poder não ficar parada, vamos dizer, acabou uma grande obra aqui num
29 determinado local, ocorreu uma licitação aqui, nesse momento, numa outra obra, se ela não
30 alocar esse pessoal, ela vai ter que dispensar esse pessoal todo. Então, ocorreram muitas vezes
31 da empresa até reduzir o seu ganho para não ficar parada, mas, vamos dizer, se eu falar
32 valores médios, possivelmente fique na faixa de 15% para cima, possivelmente. Mas isso aí
33 teria que ser solicitado para Petrobras um histórico disso, eu não tenho como afirmar aqui
34 com exatidão.
35 Ministério Público Federal: – O senhor mencionou de, também uma etapa quando a empresa
36 fornecia um preço superior a 20%, de uma etapa de renegociação.
37 Interrogado: -Perfeito.
38 Ministério Público Federal: – Nessa etapa de renegociação participavam as outras empresas
39 que ofereceram um preço um pouco maior do que a…
40 Interrogado: -Não.
41 Ministério Público Federal: – Não.
42 Interrogado: -Não.
43 Ministério Público Federal: – Apenas a…
44 Interrogado: -Apenas aquela empresa, então se, vamos dizer, a melhor proposta foi 22% a
45 mais que o orçamento básico, então o quê que a empresa normalmente faz? Chama aquela
46 empresa que deu os 22% e tenta negociar a exaustão para reduzir aquele valor para 18, 15%,
47 alguma coisa nesse sentido. Mas chama uma empresa só, a que deu o menor valor. Se ela
48 chega à conclusão que não pode abaixar nada dos 22%, várias licitações da Petrobras foram
49 canceladas e abre um novo processo licitatório. Claro que tem problema isso, porque no
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mínimo seis, quase quatro, seis meses à frente se vai perder de prazo 1 no projeto, mas já
2 ocorreram vários fatos nessa linha.
3 Ministério Público Federal: – E em relação aos aditivos contratuais, uma vez já adjudicado o
4 objeto do certame, existia esse repasse de 1% que o senhor mencionou, 3% na verdade,
5 também em relação aos aditivos?
6 Interrogado: -Sim.
7 Ministério Público Federal: – Sim.
8 Interrogado: -A Petrobras, ela tinha duas escolhas para fazer em relação aos projetos.
9 Concluir o projeto todo e isso ia demorar muito tempo, ou entregar o projeto básico paras
10 companhias para executarem depois o detalhamento. Normalmente a Petrobras entrega o
11 projeto básico, a empresa detalha. Então, você não tem às vezes exatidão do projeto completo
12 quando se faz a licitação. Se você prevê naquele contrato, por exemplo, gastar 10 mil metros
13 cúbicos de concreto, e se gastou 15 mil, vai ter que ter um aditivo de 5 mil metros cúbicos de
14 concreto a mais medido e a ser pago. E isso tudo então, o valor do contrato sobe. Então, eu dei
15 o exemplo do concreto, mas vale para qualquer outra, outro item de uma planilha de preços de
16 um contrato desse. E lembrar que um contrato desse são milhares de itens. Então a resposta é
17 sim.
18 Ministério Público Federal: – E esses repasses em aditivos também eram operacionalizados
19 pelo Janene e pelo Alberto Youssef?
20 Interrogado: -O que fosse do PP, sim.
21 Ministério Público Federal: – Especificamente sobre o Consórcio Nacional Camargo Corrêa
22 e a obra da refinaria de Abreu e Lima, o senhor pode mencionar que a construtora Camargo
23 Corrêa participou desse cartel e efetuou esses repasses de…
24 Interrogado: -Sim.
25 Ministério Público Federal: – Sim. Nós temos aqui uma planilha que foi apreendida no
26 escritório, relacionando contratos da Costa Global, ela está nos autos 5014901-
27 92.2014.404.7000, evento 42 do anexo 8, ela menciona um contrato que teria sido firmado
28 entre a Costa Global e a Construtora Comércio Camargo Corrêa, no valor de 100 mil reais
29 mensais por 30 meses. Esse contrato especificamente ele foi um contrato que visou o
30 recebimento de propinas pelo senhor após a saída da Diretoria de Abastecimento?
31 Interrogado: -Sim. Com exceção de uma consultoria que eu prestei a Camargo Corrêa, que
32 eu avaliei alguma coisa como 100 mil reais, o restante, a resposta é sim.
33 Ministério Público Federal: – Existe também um outro contrato que relaciona a construtora
34 Camargo Corrêa, de número 10 dessa planilha que é no valor, foi celebrado um pouco antes,
35 no valor de 6 mil reais por 12 meses. Seria esse que o senhor se refere?
36 Interrogado: -Não. Fora esse, teve esse de consultoria, que é um valor muito pequeno, mas
37 daquele de 3 milhões aproximadamente 100 milhões foi, 100 milhões… de 3 milhões,
38 aproximadamente 100 mil foi trabalho realizado.
39 Ministério Público Federal: – E desse valor de três milhões, o senhor pode dizer se parte
40 desse valor adveio de recursos recebidos pela Camargo Corrêa na obra da refinaria Abreu e
41 Lima?
42 Interrogado: -Eu não posso garantir que seja só Abreu e Lima, porque a Camargo Corrêa
43 prestou serviço a várias outras obras da Petrobras, eu não tenho como dar essa resposta
44 porque essa informação eu não tenho.
45 Ministério Público Federal: – Vou reformular ela então. O senhor, esse cálculo do percentual
46 que era devido ao senhor, depois da saída da Diretoria de Abastecimento, ele foi efetuado de
47 acordo com as obras que ainda estavam em andamento, seria isso?
48 Interrogado: -É, vamos pegar o exemplo específico aí da Camargo Corrêa. Camargo Corrêa
49 estava executando o serviço dentro da refinaria Abreu e Lima. Quando eu saí da Petrobras, em
50 abril de 2012, a refinaria Abreu e Lima estava com cerca de 30% realizado. 70% foi realizado
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depois da minha saída de lá. Obviamente, que após eu sair da Petrobras, 1 ninguém mais, não
2 houve mais, aporte nenhum para mim. Vamos dizer, de abril de 2012 para frente, em relação a
3 coisas que estavam sendo realizadas daquela data para frente. Esses depósitos são coisas que
4 foram realizadas para trás. Então eram pendências não realizadas até abril de 2012. Não teve
5 depois de abril de 2012, eu não era mais diretor, a Camargo Corrêa ou qualquer empresa não
6 ia fazer nenhum repasse para mim se eu não era mais diretor da companhia. Então, todos
7 esses repasses eram referentes a serviços realizados anteriores a abril de 2012.
8 Ministério Público Federal: – E o cálculo desse repasse era efetuado de acordo com o que o
9 senhor falou, tão logo a empreiteira recebia o pagamento da Petrobras, era deduzido 1% e
10 distribuído na forma que o senhor explicitou, seria isso?
11 Interrogado: -Perfeito. Normalmente dez dias, uma semana, aproximadamente isso.
12 Ministério Público Federal: – Esse valor de três milhões eram referentes a pagamentos que
13 tinham sido efetuados a Camargo Corrêa antes da sua saída da Diretoria de Abastecimento,
14 mas que ainda não haviam sido repassados ao senhor.
15 Interrogado: -Perfeito.
16 Ministério Público Federal: – É, o senhor sabe dizer se esse pagamento de três milhões foi
17 efetuado, até quando, integralmente ou parcialmente?
18 Interrogado: -Já foi efetuado, foi feito integral, até final de 2013 ainda tinha uma pendência,
19 e foi quitado em final de 2013.
20 Ministério Público Federal: – Houve um adiantamento então, porque a previsão era de 30
21 meses após…
22 Interrogado: -Houve um adiantamento. Perfeito.
23 Ministério Público Federal: – Sobre o cartel, as empresas cartelizadas que o senhor
24 mencionou, o senhor mencionou também reuniões periódicas, o senhor participava dessas
25 reuniões?
26 Interrogado: -Não.
27 Ministério Público Federal: – Não?
28 Interrogado: -Nunca participei.
29 Ministério Público Federal: – O Alberto Youssef, o senhor tem conhecimento se ele
30 participava dessas reuniões?
31 Interrogado: -Acredito que não, não tenho conhecimento que ele participava, mas acredito
32 que não participava.
33 Ministério Público Federal: – O objeto específico dessas reuniões era definir quem iria
34 vencer determinadas obras da Petrobras, seria isso?
35 Interrogado: -Sim. Não só da Petrobras, mas obras do Brasil todo.
36 Ministério Público Federal: – E como que essa informação de quem iria vencer chegava ao
37 senhor e ao Alberto Youssef?
38 Interrogado: -Não chegava, só sabíamos disso quando era feita a licitação. Não tinha essa
39 informação prévia, eu nunca tive. Só quando a licitação era realizada.
40 Ministério Público Federal: – O senhor mencionou sobre, especificamente sobre a empresa
41 Sanko-Sider, o senhor mencionou que veio a conhecer o senhor Márcio Bonilho em 2013?
42 Interrogado: -Não.
43 Ministério Público Federal: – 2012?
44 Interrogado: -2012, novembro ou dezembro de 2012, numa reunião lá na no escritório do
45 Alberto Youssef, em São Paulo.
46 Ministério Público Federal: – Sem prejuízo ao conhecer o sócio, o Márcio Bonilho, o
47 senhor, havia em algum momento anterior, solicitado que essa empresa fosse cadastrada
48 perante a Petrobras?
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Interrogado: -Nem conhecia essa empresa. Não, a resposta é não. Nunca 1 conhe…, essa
2 empresa não era do meu conhecimento. Eu não conheci a Sanko-Sider antes dessa
3 apresentação que o Alberto me fez lá no escritório em São Paulo.
4 Ministério Público Federal: – Foram levantadas algumas, no laudo recentemente juntado
5 pela Polícia Federal, foram levantadas algumas inconsistências no cadastramento da Sanko-
6 Sider no CRCC.
7 Interrogado: -Correto.
8 Ministério Público Federal: – O senhor saberia dizer a razão disso, se alguém teria
9 interferido, talvez uma outra pasta, pasta de serviço, o senhor não tomou conhecimento disso?
10 Interrogado: -Não. A parte de cadastramento toda da Petrobras, quer seja para empresa
11 prestadora de serviço, quer seja para empresa fornecedor de produto, o Sanko-Sider maior
12 parte é fornecedor de produto, é feita através de uma área de cadastramento, que é o CRCC
13 que você acabou de mencionar. Essa área de CRCC pertence à Diretoria de Serviço, então,
14 vamos dizer, a minha área ou a área de exploração e produção ou a área de gás natural, não
15 participa, não participava e não participa desse processo. Esse é um processo que é conduzido
16 integralmente pela Diretoria de Serviço. Então se teve alguma inconsistência, algum erro,
17 alguma coisa, compete a Diretoria de Serviço explicar esse fato.
18 Juiz Federal: – Só antes de prosseguir, nós vamos interromper aqui a gravação por causa do
19 tamanho do arquivo.
20 (interrupção na gravação)
21 Juiz Federal: – Então nesta ação penal 5026212-82, continuidade de depoimento do senhor
22 Paulo Roberto Costa. Continuidade das perguntas do Ministério Público.
23 Ministério Público Federal: – Obrigado, Excelência. O senhor referiu a construtora Camargo
24 Corrêa, do diretor Eduardo Leite. Seria ele o contato do senhor na construtora, para esses fins
25 de repasse?
26 Interrogado: – Eu conheci outras pessoas da Camargo Corrêa, mas a pessoa que eu tinha
27 mais contato, tinha mais, vamos dizer assim, tive mais reuniões, foi com o Eduardo Leite.
28 Tinha também outro, o presidente lá da companhia, que era o Dalton, que eu participei de
29 algumas reuniões com ele, mas este tipo de contato era direto com o Eduardo Leite.
30 Ministério Público Federal: – O senhor debatia abertamente sobre esses repasses, esses, de…
31 Interrogado: – Não.
32 Ministério Público Federal: – Não, com ele?
33 Interrogado: – Não, não. Eu tive várias reuniões com ele, mas muitas reuniões mais o lado
34 técnico. Essa parte operacional eu não chegava a discutir nem com ele, nem com nenhum
35 outro diretor ou presidente de qualquer outra companhia.
36 Ministério Público Federal: – Quem discutia isso com ele seria a…?
37 Interrogado: – Ou o José Janene ou o Alberto Youssef. Ou com outras pessoas dentro da
38 companhia, não necessariamente só com essa pessoa, possivelmente.
39 Ministério Público Federal: – O senhor sabe dizer se ele é conhecido pelo apelido de
40 “Leitoso”?
41 Interrogado: – Eu não sabia disso, soube depois pela imprensa aí, algumas informações que
42 saíram pela imprensa, mas não tinha essa informação.
43 Ministério Público Federal: – Sobre a empresa GFD, o senhor soube de repasses de
44 empreiteiras pra GFD, inclusive no interesse da obra de Abreu e Lima?
45 Interrogado: – Não. Não tinha conhecimento desse assunto.
46 Ministério Público Federal: – E o senhor saberia dizer se o recurso que foi utilizado para
47 compra do veículo Range Rover, de que contrato ele adveio…
48 Interrogado: – Não. Porque esses valores todos, vamos dizer, eram valores que somavam
49 uma quantidade X, mas eu não tinha, eu não teria como saber se veio de A, de B, ou de C,
50 contrato A, B ou C, não teria como saber. Eu não sei responder essa pergunta.
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Ministério Público Federal: – O senhor sabe como ele foi adquirido, se 1 diretamente pelo
2 Alberto Youssef, por intermediários, em dinheiro, depósito?
3 Interrogado: – Também não sei porque o meu contato foi só com o Alberto nesse processo,
4 eu não tive mais contato com ninguém, a não ser com o Alberto e com o gerente lá da
5 agência. Eu não tive contato com nenhuma outra pessoa a respeito desse tema.
6 Ministério Público Federal: – Seria isso, Excelência.
7 Juiz Federal: – Tem alguma indagação? Daí só no microfone.
8 Ministério Público Federal: – Senhor Paulo, em relação ao senhor, ocupou a função de
9 conselheiro, presidente do Conselho de Administração também da companhia, da Abreu e
10 Lima?
11 Interrogado: – Sim.
12 Ministério Público Federal: – O que cabia ao senhor fazer como presidente do Conselho de
13 Administração?
14 Interrogado: – Na realidade a Refinaria Abreu e Lima S.A., ela foi criada visando a
15 possibilidade da Pedevesa entrar dentro da refinaria. Então foi criada uma empresa, chamada
16 Refinaria Abreu e Lima S.A., onde a Pedevesa teria condição de participar até 40% desse
17 empreendimento. Nós tivemos “N” reuniões com a Pedevesa, no Brasil, na Venezuela, a nível
18 de governo, na época o presidente Lula, presidente Chávez, depois a presidente Dilma, etc. e
19 nunca se viabilizou a entrada da Pedevesa na refinaria, tanto que depois que eu saí da
20 companhia, acho que um ano, talvez um pouco mais que um ano atrás, a Petrobras incorporou
21 essa refinaria dentro dos ativos da Petrobras, descartou de vez a possibilidade da Pedevesa
22 participar. Então esse conselho da Abreu e Lima, na realidade era um conselho formal, porque
23 era, pela legislação teria que ter esse conselho, mas todos os contratos da Abreu e Lima foram
24 aprovados na diretoria da Petrobras. Então fazia o formalismo da Abreu e Lima desse aí, por
25 exemplo, para processo legal, que era Abreu e Lima S.A., uma S.A., mas como a Pedevesa
26 não entrou então todo o processo era aprovado na diretoria da Holding da Petrobras.
27 Ministério Público Federal: – Entendi. Em relação aos contratos de Abreu e Lima, cabia ao
28 senhor a fiscalização dos aspectos técnicos do projeto?
29 Interrogado: – Não. Como é que funciona, o que eu vou mencionar agora vale tanto para área
30 de refino como vale para área de gás e energia, quanto vale para área de exploração e
31 produção. Essas áreas, refi, abastecimento, exploração e produção e gás e energia, são
32 chamadas na indústria “áreas de negócios”, “áreas-fins”, melhor dizendo, da companhia. E
33 tem as áreas intermediárias ou “áreas de suporte”, área de serviço é uma área de suporte.
34 Então, por exemplo, projetos, quer seja de uma refinaria, quer seja de uma plataforma, quem
35 faz o projeto básico da Petrobras é o Centro de Pesquisa da Petrobras, o CENPES, fica nele,
36 fundou lá no Rio de Janeiro. O CENPES era ligado à área de serviço. Quem faz a contratação
37 desses projetos todos é a área de serviço, tanto para área de exploração e produção, quanto
38 para área de refino, área de gás e energia, etc. As áreas fins, elas tem orçamento, então o
39 orçamento é aprovado pelo Conselho de Administração, que no ano de 2014, a área de
40 abastecimento tem X bilhões para gastar, a área de AIP tem Y e assim por diante. As áreas
41 são, fins, contratam a área de serviço para prestar esse serviço de contratação, de fiscalização
42 da obra, então os fiscais da obra não são da área de abastecimento, não são da área de
43 exploração e produção, são da área de serviço. Até a entrega, chave na mão. Então a área de
44 serviço entrega o proje, faz o projeto, faz a execução da licitação, executa a obra, chave na
45 mão. Então, é dessa maneira que a Petrobras funciona.
46 Ministério Público Federal: – Mas qual que era a atribuição da sua diretoria, do seu cargo,
47 em relação a esse contrato especificamente, objetivamente?
48 Interrogado: – Quê que era refinaria Abreu e Lima? O que é que eu participava? Primeiro,
49 obviamente que tinha técnico meu que acompanhava o projeto. Embora fosse feito no
50 CENPES, os técnicos acompanhavam o projeto. Na licitação, possivelmente tinha um
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membro da comissão de licitação que era da área de abastecimento. 1 Na fiscalização, a
2 fiscalização era da área de serviço que fazia a medição e fazia o pagamento e fazia o aditivo.
3 Mas o meu pessoal acompanhava, por quê? Porque o orçamento era meu.
4 Ministério Público Federal: – Entendi.
5 Interrogado: – Então o acompanhamento que nós tínhamos era em relação à parte
6 orçamentária. Muito é orçamentária.
7 Ministério Público Federal: – Em relação propriamente a MO consultoria, o senhor falou
8 que não tinha conhecimento da empresa.
9 Interrogado: – Não.
10 Ministério Público Federal: – Mas o senhor tinha conhecimento que o Alberto Youssef
11 utilizava de empresas para emitir nota fiscal para circular o dinheiro da propina.
12 Interrogado: – O que eu conhecia lá do Alberto Youssef era a GFD que eu tive algumas
13 vezes lá, e sabia que ele tinha uma rede de hotéis, Hotel em Londrina, Hotel em Aparecida do
14 Norte, Hotel lá na Bahia, e sabia que ele tinha também participação numa empresa de turismo,
15 que era a Marsans, mas esse detalhamento de como ele fazia as operações, ele nunca me falou
16 e eu nunca perguntei para ele.
17 Ministério Público Federal: – Mas sabia que tinha um valor para notas fiscais, o senhor
18 mencionou…
19 Interrogado: – Não, sim, mas…
20 Ministério Público Federal: – .Que era para isso, mais ou menos para pagar as empresas…
21 Interrogado: – Imaginava isso…
22 Ministério Público Federal: – …de fachada.
23 Interrogado: – Mas eu não tinha conhecimento.
24 Ministério Público Federal: – Não tinha…
25 Interrogado: – Como ele operacionalizava, não.
26 Ministério Público Federal: – A sua função, a função operacional, cabia ao Alberto Youssef,
27 é isso?
28 Interrogado: – Correto, correto. Eu não tinha conhecimento do detalhamento dessa operação.
29 Ministério Público Federal: – Em relação a um documento apreendido na sua residência,
30 inclusive mencionado na denúncia, tem uma planilha, que consta a rubrica “entrada primo”,
31 entre outras coisas, queria que o senhor desse uma olhada.
32 Interrogado: – É, foram valores que o Alberto Youssef me mandou.
33 Juiz Federal: – Qual que é a página da denúncia doutor?
34 Ministério Público Federal: – Qual que é a página?
35 Interrogado: – 13.
36 Ministério Público Federal: – Página 13. Esses valores quando o senhor ainda era da
37 Petrobras, isso aí é antes de 2012.
38 Interrogado: – Não, ta aqui, é 17 de 12 de 12, eu já tinha saído, eu saí da Petrobras no mês de
39 abril de 2012.
40 Ministério Público Federal: – Eram valores atrasados, seriam.
41 Interrogado: – Valores atrasados.
42 Juiz Federal: – Pode me passar?
43 Ministério Público Federal: – Em relação à folha 14 da denúncia, é mencionada aqui uma
44 outra planilha, apreendida na sua agenda, e que tem o nome das empreiteiras, queria que o
45 senhor desse uma olhada e me explicasse.
46 Ministério Público Federal1: – Essa aqui eu mostrei pra ele,isso. Tem uma outra planilha…
47 Ministério Público Federal2: – Não, não, tem uma menção só, a questão da Toyo Setal, do…
48 Juiz Federal: – Está na nota de rodapé, é isso?
49 Ministério Público Federal: – Não, isso aí é outra coisa. Tem outra coisa aqui…
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Juiz Federal: – Folha 14, acho que é uma nota de rodapé, que é a referência 1 do Ministério
2 Público.
3 Ministério Público Federal: – Não, tá no meio, tá no meio da, da folha 14.
4 Juiz Federal: – Ah, no meio? Tá.
5 Ministério Público Federal: – Isso, em relação a uma planilha que faz menção Toyo Setal,
6 “já conversei com o candidato”…
7 Interrogado: – Tá, já me lembrei. Já me lembrei.
8 Ministério Público Federal: – O que significa essa planilha?
9 Interrogado: – É, isso aqui, teve um candidato ao governo do Rio de Janeiro que me
10 procurou, eu já tinha saído da Petrobras, isso foi agora no início do ano de 2014, e o objetivo
11 era que eu preparasse para ele um programa de governo. Na área de energia, infraestrutura de
12 um modo geral. E eu participei de, acho que umas 3 reuniões com este candidato, lá do Rio de
13 Janeiro, como outras pessoas também participaram, e foi listada uma série de empresas que
14 podiam contribuir com a campanha para o cargo político que ele estava concorrendo. E essa
15 planilha então foi, que foi encontrada na minha casa.
16 Ministério Público Federal: – O senhor intermediava essas contribuições de campanhas
17 para…
18 Interrogado: – Não, ele me contratou para fazer o programa de energia, infraestrutura de um
19 modo geral, do governo. Listou uma série de empresas, algumas que eu tinha contato, outras
20 não, por exemplo, Hope RH eu nunca tive contato com esse pessoal, nem sei quem são essas
21 pessoas, Mendes Júnior eu conheço, UTC conheço, Constran eu nunca tive contato com
22 Constran, Engevix conheço, Iesa conheço, Toyo Setal conheço. E foi solicitado que houvesse
23 a possibilidade dessas empresas participarem da campanha e me foi dito naquele momento
24 pelo candidato, isso foi, posso colocar aqui…
25 Juiz Federal: – Certo, mas só uma questão, isso não é objeto, doutor…
26 Ministério Público Federal: – É só pontual, só, ok…
27 Juiz Federal: – Por que estão tratando disso?
28 Ministério Público Federal: – Não, tudo bem, em relação…
29 Interrogado: – Era isso, era uma candidatura para o Rio de Janeiro.
30 Ministério Público Federal: – Ok. E a pessoa de João Cláudio Genú, o senhor conhecia?
31 Interrogado: – Conhecia como assessor parlamentar do Janene, que foi depois incluído no
32 projeto todo lá do mensalão, e aí ele se ausentou aí do mercado, ficou fora do mercado devido
33 ele ser réu do mensalão.
34 Ministério Público Federal: – Sem mais perguntas, Excelência.
35 Juiz Federal: – Defesa do senhor Paulo, quer fazer perguntas primeiro ou quer falar no final
36 doutor?
37 Defesa de Paulo: – No final.
38 Juiz Federal: – Então dos outros presentes na mesa, tem perguntas?
39 Interrogado: – Posso virar?
40 Juiz Federal: – Prefiro que o senhor responda olhando para frente mesmo…
41 Interrogado: – Não? Tá.
42 Juiz Federal: – O senhor não precisa virar.
43 Interrogado: – Tá.
44 Defesa de Leonardo, Leandro Meirelles, Esdra e Pedro: – Pela defesa dos réus Leonardo
45 Meirelles, Leandro Meirelles, Esdra Arantes e Pedro Argese Júnior. Quando o senhor foi
46 guindado a essa condição de diretor da Petrobras, o senhor foi guindado por suas
47 competências técnicas ou por que já se sabia que o senhor estava propenso a participar
48 eventualmente de corrupção dentro da empresa?
49 Interrogado: – O Conselho de Administração da Petrobrás, ela examina sua competência
50 técnica, e eu, nos 27 anos de companhia, antes de exercer a Diretoria de Abastecimento, todos
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os cargos que eu exerci dentro da companhia foi especificamente por competência 1 técnica.
2 Então eu fui gerente da, principal gerente da maior unidade de produção da Bacia de Campos,
3 de 1900 e…, do ano de 2000, não, desculpe de 1990 a 95, por exclusiva competência técnica.
4 Como eu mencionei aqui, para chegar à diretoria da Petrobras não basta competência técnica,
5 se não tiver a indicação política, não chega. Então, o objetivo sempre do conselho é olhar a
6 capacidade técnica e a indicação política que dá suporte àquela indicação.
7 Defesa de Leonardo, Leandro Meirelles, Esdra e Pedro: – Antes de o senhor ser convidado
8 para ocupar essa diretoria, houve um contato prévio com o senhor, por parte de algum político
9 sem relatar evidentemente o nome?
10 Interrogado: – Sim, dos políticos do PP, sim.
11 Defesa de Leonardo, Leandro Meirelles, Esdra e Pedro: – E eles de alguma forma lhe
12 disseram que o senhor precisava contribuir com o partido, ou eles simplesmente disseram que
13 era para o senhor assumir uma diretoria e fazer um trabalho sério e honesto?
14 Interrogado: – O objetivo, foi dito que, obviamente, que o partido tinha interesses, eu
15 mencionei, desde que eu analise e veja que é possível ter essa participação, sim, se eu achar
16 que não, não. Mas é óbvio que nenhum partido indicou nenhum diretor da Petrobras só pela
17 capacitação técnica dele.
18 Defesa de Leonardo, Leandro Meirelles, Esdra e Pedro: – – E já existia antes de o senhor
19 assumir essa diretoria, um histórico de outras diretorias que participavam dessa divisão de
20 valores, eu não sei se ficou claro isso, Excelência.
21 Interrogado: – Eu não posso te confirmar porque, antes de 2000, eu assumi a diretoria em
22 abril de 2004, eu não posso te confirmar porque antes eu não participava da diretoria, eu não
23 tenho como eu responder a sua pergunta.
24 Defesa de Leonardo, Leandro Meirelles, Esdra e Pedro: – Na sua colaboração premiada, o
25 senhor relatou todas as eventuais contas fora do país na qual o senhor depositava recursos que
26 recebia por meio das propinas?
27 Interrogado: – Todas.
28 Defesa de Leonardo, Leandro Meirelles, Esdra e Pedro: – Tem alguma pessoa que não seja
29 diretamente ligada à sua família ou ao senhor que tenha sido relacionada?
30 Interrogado: – Não.
31 Defesa de Leonardo, Leandro Meirelles, Esdra e Pedro: – O senhor conhece o cidadão
32 chamado Lúcio Bolonha Funaro?
33 Interrogado: – Não.
34 Defesa de Leonardo, Leandro Meirelles, Esdra e Pedro: – Não conhece. Satisfeito,
35 Excelência.
36 Juiz Federal: – Eu vou pedir para declinarem sempre a defesa do acusado específico.
37 Defesa de Waldomiro: – Pela defesa de Waldomiro de Oliveira. Tudo bem, senhor Paulo
38 Roberto?
39 Interrogado: – Tudo bem.
40 Defesa de Waldomiro: – Essa denúncia aqui do processo do qual o senhor é co-acusado, ela
41 narra uma movimentação financeira entre as empresas supostamente controladas pelo Alberto
42 Youssef, que serviriam para, em tese, lavar dinheiro por corrupção e peculato nas obras da
43 refinaria Abreu e Lima. Pelo que o senhor disse hoje, em seu depoimento, é correto afirmar
44 que essa movimentação na verdade era necessária para que se efetivasse esses 3% que o
45 senhor comentou, que já era previamente agendado?
46 Interrogado: – Eu acredito que sim.
47 Defesa de Waldomiro: – Então essa movimentação toda era para poder concretizar os 3%
48 sendo 1% para PP, 2% para PT?
49 Interrogado: – É. Só que eu não tenho o detalhamento de como é que se processava isso em
50 termos de 2% do PT, esse detalhamento eu não tenho.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Defesa de Waldomiro: – Mas o senhor sabe que a movimentação toda tinha 1 uma finalidade
2 específica de concretizar esse valor que era previamente agendado?
3 Interrogado: – Sim.
4 Defesa de Waldomiro: – É correto dizer que não haveria início de obras, no caso da refinaria
5 Abreu e Lima, se não houvesse esse ajuste prévio nos 3%, não haveria execução, início da
6 execução?
7 Interrogado: – Não. Como eu mencionei aqui, a refinaria Abreu e Lima tem dezenas de
8 contratos, e um grande número desses contratos não tem empresas que participavam do cartel.
9 Então você tem vários serviços lá que foram feitos por outras empresas que não tinham
10 participação no cartel.
11 Juiz Federal: – Só contratos relativos ao cartel, é isso que o senhor mencionou?
12 Interrogado: – É, exatamente, então eu só posso falar sobre isso dos contratos das empresas
13 que participavam do cartel. Nem todas as empresas e, como eu falei, se pegar os contratos só
14 da Abreu e Lima são mais de, talvez mais de 50 contratos, e várias empresas não tinham
15 participação no cartel.
16 Defesa de Waldomiro: – Tá certo. E o destino após o repasse aos partidos, quem eram as
17 pessoas…
18 Juiz Federal: – Não, daí doutora, entra aquela questão que nós acabamos de conversar.
19 Interrogado: – Não posso mencionar.
20 Defesa de Waldomiro: – É porque faz parte, Excelência, da movimentação…
21 Juiz Federal: – Sim, mas eu acabei de mencionar que essa competência é do Supremo
22 Tribunal Federal.
23 Defesa de Waldomiro: – Mas aí a gente vai fragmentar o depoimento dele?
24 Juiz Federal: – Não, bem, veja bem, isso o juízo já definiu que vai ser objeto de apuração
25 pelo Supremo Tribunal Federal, não vai ser objeto desta audiência. Então tá indefe…
26 Defesa de Waldomiro: – E como eu vou exercer o contraditório, Excelência, se eu não sei…
27 Juiz Federal: – Doutora, está indeferida essa pergunta. Eu tenho que explicar de novo?
28 Defesa de Waldomiro: – Está consignado?
29 Juiz Federal: – Está gravado.
30 Defesa de Waldomiro: – Desses repasses que o senhor recebia, após ter saído da Petrobras,
31 algum valor que o senhor recebeu o senhor repassou a algum político?
32 Interrogado: – Não.
33 Defesa de Waldomiro: – Está bem. Satisfeita, Excelência.
34 Juiz Federal: – Outros da mesa tem perguntas?
35 Defesa de Márcio e Murilo: – Pelo réu Márcio Bonilho e…
36 Juiz Federal: – Daí, doutor, só no microfone daí, por gentileza, tem que se aproximar da
37 mesa.
38 Defesa de Marcio e Murilo: – Murilo, não há perguntas.
39 Juiz Federal: – Tá, certo.
40 Defesa de Alberto Youssef: – Boa tarde, Paulo.
41 Interrogado: – Boa tarde.
42 Defesa de Alberto Youssef: – Senhor Paulo, eu tenho umas perguntas pelo Alberto Youssef.
43 Interrogado: – Pois não.
44 Defesa de Alberto Youssef: – Eu vou iniciar, depois o meu colega vai complementar. Se o
45 senhor puder esclarecer, essa denúncia trata especificamente de uma questão, ela inicia,
46 dizendo aqui, que havia um grupo que se organizou para praticar crimes na Petrobras, ou seja,
47 o superfaturamento de obras. Então, eu vou ser bem objetivo em relação à denúncia. Primeiro,
48 com relação ao Alberto Youssef, o senhor disse que ele começou a participar a partir do ano
49 de 2008.
50 Interrogado: – É, isso.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Defesa de Alberto Youssef: – (Incompreensível) 1 de 2008.
2 Interrogado: – Isso. Não, eu conheci ele um pouco antes, mas até, até o início de 2008 José
3 Janene que comandava o processo.
4 Defesa de Alberto Youssef: – Ou seja, o Alberto Youssef então, esse processo de, vamos
5 dizer assim, acerto entre as empreiteiras e a Petrobras, não iniciou com o Alberto Youssef, ele
6 não teve poder nenhum para iniciar esse processo.
7 Interrogado: – Esse processo foi iniciado pelo José Janene.
8 Defesa de Alberto Youssef: – Pelo José Janene. O Alberto Youssef tinha a função
9 exclusivamente de operacionalizar a entrega de valores?
10 Interrogado: – É.
11 Defesa de Alberto Youssef: – Queria que o senhor detalhasse qual é a função dele.
12 Interrogado: – Tá, muito bem. Fechava-se um contrato, né? Numa empresa de cartel, tinha
13 essa relação de 1% para o PP, a empresa era a empresa X, então o Alberto Youssef ia lá
14 conversar com algumas pessoas dessa empresa, não posso te precisar se a nível de diretor ou
15 de presidente, ou um gerente financeiro, isso eu não tenho como te precisar, ele conversava
16 com essa pessoa e fazia então essa operacionalização para o repasse para os agentes políticos.
17 Defesa de Alberto Youssef: – Ou seja, após já estar definido, ele não, quer dizer, não foi ele
18 quem definiu o contrato, e não era quem definiu o percentual também que estabelecia…
19 Interrogado: – Não.
20 Defesa de Alberto Youssef: – De propina aos agentes públicos?
21 Interrogado: – Não. Não, o agente público já tinha dentro do 1% definido que era 60%.
22 Defesa de Alberto Youssef: – 60%, Ok. Então e as indicações dentro dessas empreiteiras,
23 partiu de quem?
24 Interrogado: – Eu não entendi sua pergunta, desculpa.
25 Juiz Federal: – Quais indicações, doutor?
26 Defesa de Alberto Youssef: – Eu vou reformular. O senhor disse que ele procurava pessoas
27 nas empreiteiras para conversar com, para fazer, para pegar o dinheiro. Não é isso?
28 Interrogado: – Correto.
29 Defesa de Alberto Youssef: – Quem que indicava essas pessoas das empreiteiras para o
30 Alberto, “ó, procure fulano que ele vai fazer isso”. Como é que era feito esse mecanismo?
31 Interrogado: – Isso eu não sei.
32 Defesa de Alberto Youssef: – Não sabe?
33 Interrogado: – Não sei o que lhe dizer. Possivelmente através de um diretor que tinha contato
34 e aí esse diretor não executava diretamente esse processo, ele indicava alguém para executar o
35 processo. Mas esse detalhamento…
36 Defesa de Alberto Youssef: – Era político também?
37 Interrogado: – Eu não acredito que seja político que tenha sido feito, que faria isso. Eu acho
38 que alguém de dentro da empresa. Mas eu não posso, eu não tenho, esse detalhamento eu não
39 tenho.
40 Defesa de Alberto Youssef: – As empresas sabiam que esses dinheiros, que esse dinheiro que
41 estava sendo pago, também ia para agente público?
42 Interrogado: – Sim.
43 Defesa de Alberto Youssef: – Elas tinham convicção de que esse dinheiro ia financiar
44 políticos e campanhas políticas.
45 Interrogado: – Certamente. Sim, a resposta é sim.
46 Defesa de Alberto Youssef: – Ou seja, esse esquema, me perdoe a expressão, mas já foi
47 usada aqui, de propina, era também usado para financiar políticos brasileiros e o esquema de
48 campanha de políticos.
49 Interrogado: – A resposta é sim.
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Defesa de Alberto Youssef: – Em 2010 o senhor disse que esse 1 esquema financiou
2 campanhas políticas?
3 Interrogado: – Sim.
4 Defesa de Alberto Youssef: – Várias campanhas?
5 Interrogado: – Várias.
6 Defesa de Alberto Youssef: – Inclusive majoritárias?
7 Juiz Federal: – Não, aí nós vamos entrar nessa questão, doutor. Não, nós estamos, não, aí…
8 Defesa de Alberto Youssef: – Eu só disse a campanha, doutor, não disse de quem era.
9 Juiz Federal: – Doutor, está indeferida a questão, doutor.
10 Defesa de Alberto Youssef: – Eu concordo com ela que esse sistema acaba prejudicando um
11 pouco o meu cliente, porque…
12 Juiz Federal: – Bem, mas seu cliente é um político ou é o senhor Alberto Youssef?
13 Defesa de Alberto Youssef: – A partir do momento que ele tem a…
14 Juiz Federal: – Está indeferido, doutor.
15 Defesa de Alberto Youssef: – Essa defesa de competência é complicada, Excelência.
16 Juiz Federal: – Bem, não foi eu que criei doutor, essa competência.
17 Defesa de Alberto Youssef: – Enfim, vamos continuar, o senhor confirma que houve então o
18 superfaturamento na obra de Abreu e Lima?
19 Interrogado: – Eu confirmo que, além do BDI, que as empresas colocam, que são os seus
20 custos indiretos mais o seu lucro, essas do cartel, vou repetir de novo aqui, não são todas as
21 empresas, são as empresas do cartel, colocaram em média esse percentual a mais para poder
22 atender interesses políticos.
23 Defesa de Alberto Youssef: – O senhor Alberto Youssef é tido como um doleiro nos autos
24 aqui, ele abriu alguma conta para o senhor, ou só entregava os valores?
25 Interrogado: – Só entregava os valores.
26 Defesa de Alberto Youssef: – Alguma vez ele participou de alguma manobra que fizesse
27 ocultar esse dinheiro?
28 Interrogado: – Não.
29 Defesa de Alberto Youssef: – Nunca fez isso?
30 Interrogado: – Não.
31 Defesa de Alberto Youssef: – Só, a função dele era pegar o dinheiro e lhe entregar.
32 Interrogado: – Era.
33 Defesa de Alberto Youssef: – Mero repasse?
34 Interrogado: – Era.
35 Defesa de Alberto Youssef: – Então, essas contas que estão lá fora não foi ele que abriu?
36 Interrogado: – Não.
37 Defesa de Alberto Youssef: – Certo. Estou satisfeito Excelência.
38 Juiz Federal: – A defesa do próprio acusado tem questões? Doutor, tem questões?
39 Ministério Público Federal: – Alguma colocação sua?
40 Defesa de Paulo: – Não, sem perguntas.
41 Defesa de Márcio: – Eu posso fazer, Excelência? Só fazer um esclarecimento, Excelência.
42 Pela defesa de Márcio Bonilho, foi questionado pelo colega que as empresas tinham
43 conhecimento acerca desses repasses para fins de patrocínio, partido de políticos, quando
44 você menciona as empresas são as construtoras?
45 Interrogado: – As empresas do cartel.
46 Defesa de Márcio: – As empresas do cartel. Quero, quero ficar muito claro. Então me
47 desculpe, é que eu não entendi.
48 Juiz Federal: – Certo, mais alguma questão?
49 Defesa de Leonardo, Leandro Meirelles, Esdra e Pedro: – Excelência, eu queria saber do
50 interrogado se os editais de licitações eram dirigidos especificamente a algumas construtoras,
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se existia, se eram os funcionários das construtoras que montavam 1 os editais das
2 concorrências?
3 Interrogado: – Não. Quem faz isso é a Petrobras. Então a Diretoria de Serviço, atrás de uma
4 comissão de licitação ia no cadastro, escolhia as empresas de acordo com a complexidade da
5 obra e de acordo com o valor da obra aproximado, que já se tinha ideia, etc, separava as
6 empresas. Então quem fazia tudo isso era a comissão de licitação interna da companhia, da
7 Petrobras.
8 Juiz Federal: – Uns esclarecimentos adicionais do juízo, o senhor mencionou esse pagamento
9 desses 3% por esse cartel de empresas, mas qual que era a motivação desse pagamento, o que
10 elas ganhavam, por que elas faziam esses pagamentos?
11 Interrogado: – Essas empresas, Excelência, elas tinham interesses não só dentro da Petrobras
12 mas em vários outros órgãos de governo. Vários órgãos de governo, vamos dizer, a nível de
13 Ministérios, ou a nível de Secretarias, etc, composta por elementos dos partidos. Então, vamos
14 dizer, se ela deixasse de contribuir com determinado partido naquele momento, isso ia refletir
15 em outras obras a nível de governo que os partidos não iam olhar isso com muito bons olhos.
16 Então, vamos dizer, esse seria um interesse mútuo, dos partidos, dos políticos e das empresas
17 porque não visava só a Petrobras, visava hidrovias, ferrovias, rodovias, hidroelétricas, etc, etc.
18 Juiz Federal: – Mas a, também teria por alguma motivação, vamos dizer, impedir que a
19 Petrobras quebrasse esse cartel? Fizesse, tomasse alguma providência em relação a isso, ou
20 não?
21 Interrogado: – É, a Petrobras até que tentou, mais o número de empresas grandes no Brasil é
22 muito pequeno. Então, vamos dizer, como eu falei, eu coloquei em algumas licitações
23 algumas empresas de menor porte, fui taxado naquele momento lá de doido, por alguma
24 dessas empresas do cartel, que eu ia quebrar a minha cara, essa foi a palavra que foi usada, eu
25 ia quebrar minha cara, porque as empresas não iam dar conta do serviço, e algumas realmente
26 faliram, várias empresas faliram, como Santa Bárbara, como AIT, como Tenace, empresas
27 quebraram nos contratos com a Petrobras. Outras foram para frente. Então, vamos dizer,
28 agora, não tinha interesse nenhum dessas empresas abrir para outras empresas. Porque iam
29 perder, vamos dizer, um nicho de mercado que elas já tinham na mão deles.
30 Juiz Federal: – E se essas empresas não concordassem em pagar essa vantagem, esses
31 valores, tinha alguma consequência?
32 Interrogado: – Bom, não.
33 Juiz Federal: – Alguma delas, alguma vez…
34 Interrogado: – Não.
35 Juiz Federal: – Vamos dizer, recusou a fazer esse pagamento?
36 Interrogado: – Nunca, nunca. Houve alguns atrasos, mas deixar de pagar, nunca tive
37 conhecimento que deixaram de pagar, devido a esses interesses maiores a nível de Brasil.
38 Juiz Federal: – O senhor mencionou de passagem, eu acho que eu não havia indagado, a
39 Mendes Júnior também participava desse cartel?
40 Interrogado: – Sim.
41 Juiz Federal: – Com quem que o senhor tratava na Mendes Júnior?
42 Interrogado: – Eu falei lá no Ministério Público o nome da pessoa, agora eu não… Sérgio
43 Mendes.
44 Juiz Federal: – Essa cartelização em obras funcionava em toda, praticamente, não era só na
45 refinaria Abreu e Lima, funcionava em outras obras também da Petrobras?
46 Interrogado: – Da Petrobras e fora da Petrobras.
47 Juiz Federal: – Na REPAR, aqui no Paraná, houve isso também?
48 Interrogado: – Houve. Como deve ter ocorrido também em Angra 3, como deve ter ocorrido
49 na construção de hidrelétricas lá no norte do país, como deve ter ocorrido em rodovias…
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Juiz Federal: – Pelo que eu entendi o senhor recebia, vamos dizer, a vantagem 1 que vinha para
2 o senhor fazia parte de um pacote maior, o senhor não sabia especificamente “eu estou
3 recebendo isso por conta da Abreu e Lima”…
4 Interrogado: – Não.
5 Juiz Federal: – …Ou “eu estou recebendo por causa da REPAR”.
6 Interrogado: – Não, não, esse controle eu não tinha.
7 Juiz Federal: – O senhor não tinha esse controle?
8 Interrogado: – Não tinha. Nunca tive.
9 Juiz Federal: – E o senhor sabe se o senhor Alberto Youssef tinha esse controle?
10 Interrogado: – Acredito que sim. E o Janene possivelmente sim.
11 Juiz Federal: – O senhor gostaria de falar algo ao final do seu depoimento? Ainda, algum
12 esclarecimento, alguma questão?
13 Defesa de Alberto Youssef: – Doutor, ele só não esclareceu qual a consequência que teria
14 para as empreiteiras se elas não pagassem, ele não explicou.
15 Juiz Federal: – Acho que explicou, doutor.
16 Defesa de Alberto Youssef: – Então não ficou claro…
17 Interrogado: – Posso repetir.
18 Juiz Federal: – Pode repetir, então?
19 Interrogado: – Posso. Bom, primeiro que essas empresas tinham interesse em outros
20 ministérios capitaneados por partidos. E como eu falei essas empresas são as mesmas que
21 participam de várias outras obras a nível de Brasil, quer seja em ferrovias, rodovias,
22 aeroportos, portos, usinas hidrelétricas, etc, etc, etc., saneamento básico, minha casa minha
23 vida, ou seja, todos os programas, a nível de governo, nos Ministérios, tem políticos de
24 partidos. Se você cria um problema de um lado, pode-se criar um problema do outro. Então no
25 meu tempo lá eu não lembro de ter nenhuma empresa ter deixado de pagar. Houve, houveram
26 alguns atrasos, de empresas do cartel, mas deixar de pagar, nunca deixaram.
27 Defesa de Alberto Youssef: – Eu só posso complementar? Ou seja, se as empreiteiras não
28 pagassem, elas certamente seriam prejudicadas por não pagar, é isso?
29 Interrogado: – Por que a Petrobras iria fazer de prejuízo para elas? Atrasar uma medição,
30 alguma coisa nesse sentido?
31 Não identificado: – São conjecturas…
32 Interrogado: – Mas eu acho que é mais a nível de outras atividades.
33 Juiz Federal: – Certo. E a vantagem também para elas era a questão que elas podiam, vamos
34 dizer, acertar o lucro delas, então, pelo cartel.
35 Interrogado: – Sim. Certo. Porque quanto…
36 Juiz Federal: – Prejudicando uma concorrência real, então, uma licitação real.
37 Interrogado: – É, porque, pelo BDI, a Petrobras não tem condição de saber qual é a empresa,
38 qual é o BDI que ela tem, seus custos indiretos, qual lucro que ela quer naquela obra, etc., não
39 dá para saber. Mas nesse sentido, Vossa Excelência tem razão.
40 Juiz Federal: – Isso refletiria naquilo que o senhor mencionou da questão do preço médio
41 praticado, se fosse verificado em obras, daria um percentual elevado então, próximo.
42 Interrogado: – Sim. Podia ser um percentual menor. Sim.
43 Juiz Federal: – O senhor gostaria de dizer alguma coisa ainda em sua defesa?
44 Interrogado: – Queria dizer só uma coisa, Vossa Excelência, que eu mencionei isso já para o
45 Ministério Público. Eu tive, trabalhei na companhia 35 anos. 27 anos da minha, do meu
46 trabalho, foram trabalhos técnicos e gerenciais e que eu não tive nenhuma mácula nesses 27
47 anos. Se houve, e houve erro, foi a partir da entrada minha na diretoria, por envolvimento com
48 grupos, políticos principalmente, que, usando a Oração de São Francisco aí, que é dando que
49 se recebe. Eles usam muito isso. Então, esse envolvimento político que tem, que tinha, depois
50 que eu saí eu não posso mais falar, mas que tinha em toda a diretoria da Petrobras, é uma
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mácula dentro da companhia, que eu acho que esse processo todo que nós 1 estamos discutindo
2 aqui é um processo que vai visar, melhorar esse país, e eu acho que é um processo
3 complicado, é um processo difícil, é um processo longo, mas que no momento que eu decidi
4 fazer a delação premiada, foi com o objetivo, discutimos muito já com os procuradores sobre
5 esse tema, foi com o objetivo que a gente tenha no futuro um Brasil melhor para todos nós.
6 Porque, repito, em 27 anos de companhia não tem nenhuma mácula no meu currículo.
7 Infelizmente, hoje tem e eu espero que seja superado aí, que o Brasil consiga superar com
8 essa ajuda que eu estou dando e que todos os outros vão dando, e principalmente vocês que
9 tem competência e autoridade para melhorar esse país.
10 Ministério Público Federal: – Excelência, só uma questão adicional, sem prejuízo do senhor,
11 se era em todos os critérios, eram em todas as licitações das empresas cartelizadas que tinham
12 esse repasse ou era só em algumas?
13 Juiz Federal: – Acho que já foi mencionado. Em todo contrato.
14 Interrogado: – Todo.
15 Juiz Federal: – Já foi mencionado. Então, não tem necessidade.
16 Interrogado: – Pode ter algum contrato que talvez o valor não seja 3, seja 2%, ou 1%, quer
17 dizer, mas…
18 Juiz Federal: – Certo, essa foi, já foi respondida, aí não tem…
19 Interrogado: – Tudo, tudo.
20 Juiz Federal: – Bem, então eu declaro encerrado o depoimento do senhor Paulo Roberto
21 Costa, e assim, também deixando claro que esse processo visa apurar crimes praticados contra
22 a Petrobrás; a Petrobras a princípio seria vítima desse processo, então não existe aí qualquer,
23 vamos dizer, a intenção realmente é trazer a verdade e tirar dela as consequências que forem
24 cabíveis, certo? Então pode interromper.
25
26
27 ALBERTO YOUSSEF
28
29 Juiz Federal: – Então nessa ação.
30 Defesa de Alberto Youssef: – Tem que estar todo mundo, os colegas que estão aqui… pelo
31 Marcio… Nem todos os defensores estão na sala.
32 Juiz Federal: – Sim, enfim.
33 Defesa de Alberto Youssef: – Pra não causar prejuízo à defesa.
34 Juiz Federal: – Nessa ação penal 5026212-82, depoimento do senhor Alberto Youssef.
35 Defesa de Alberto Youssef: – A defesa do Paulo não está na sala.
36 Juiz Federal: – Ele já está vindo, né.
37 Defesa de Alberto Youssef: – Eu queria só que eles ouvissem até porque eles vão ter que se
38 manifestar também em relação ao que eu vou falar agora. Desculpe, Excelência. É rapidinho
39 não vai haver maiores… mas é uma garantia do meu cliente (incompreensível).
40 Juiz Federal: – Qual é a questão então, doutor, para nós podermos começar?
41 Defesa de Alberto Youssef: – Vossa Excelência vai interrogar o Alberto Youssef agora e
42 houve um pedido do Ministério Público que ele já iniciasse a colaboração hoje, com tratativas
43 com esse juízo e com o Ministério Público. Então eu gostaria de explicar que nós não temos
44 um acordo homologado e que houve um pedido do Ministério Público Federal que essa
45 colaboração começasse hoje. Então a questão é, Excelência, se a colaboração começar hoje,
46 nós não vamos nos opor, meu cliente inclusive já disse que gostaria de depor, se há
47 concordância com o Ministério Público que essa colaboração já faça parte do acordo, que já
48 esteja incluída, que Vossa Excelência garanta a ele também que isso, esse depoimento já fará
49 parte daquela colaboração que ele está hoje tratando com o Procurador Geral da República e
50 com o Supremo. Só é essa nossa questão.
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Juiz Federal:- Não, 1 veja bem, doutor.
2 Defesa de Alberto Youssef: – Se ele tiver essa garantia, ele vai falar. Caso contrário, ele não
3 pode depor.
4 Juiz Federal:- Claro. Tem alguma questão do MP?
5 Ministério Público Federal: – Sem oposição aos fatos que ele trouxer aqui se não forem…
6 Defesa de Alberto Youssef: – Só no microfone, doutor, por favor.
7 Ministério Público Federal:- Sem oposição, os fatos que ele trouxer aqui vão ser
8 considerados pra fins da colaboração.
9 Defesa de Alberto Youssef: – Perfeito.
10 Juiz Federal:- Certo na verdade doutor a questão é a seguinte, me foi informado pelo
11 Ministério Público que havia um processo de celebração de um acordo de delação premiada.
12 Mas, a semelhança do que acontece com o senhor Paulo Roberto Costa, haveria em princípio
13 envolvimento de pessoas com foro privilegiado. Daí, nesse caso, a homologação desse acordo
14 depende do Supremo Tribunal Federal, não há condições de juntar inclusive esse acordo antes
15 que haja essa homologação. Mas de fato, tendo em vista que ele é acusado nesse processo e a
16 expectativa que se tem é de uma pessoa que se dispõe a colaborar, que efetivamente colabore
17 e os benefícios vão ser considerados na medida da colaboração dele. Faz parte do
18 procedimento.
19 Defesa de Alberto Youssef: – Sim. Faz parte do procedimento do acordo?
20 Juiz Federal: – Sim, sim.
21 Defesa de Alberto Youssef: – Se a sua garantia está sendo dada, a sua palavra para mim
22 basta.
23 Juiz Federal: – Até assim, por uma questão legal, eu vou ouvir o acusado já na condição
24 então de criminoso colaborador.
25 Defesa de Alberto Youssef: – Perfeito.
26 Juiz Federal: – Desculpe, criminoso não, mas de acusado colaborador e o que significa que
27 ele depõe sobre um outro regime jurídico. Certo? Bem, enfim, esclarecida essas questões….
28 Defesa de Alberto Youssef: – Bem, o Ministério Público já disse que não implica em quebra
29 do sigilo do acordo, não é?
30 Ministério Público Federal:- (incompreensível) Isso.
31 Defesa de Alberto Youssef: – Não, eu não poderia não dar ciência aos meus colegas, na
32 audiência, do que está acontecendo.
33 Juiz Federal: – Certo, certo.
34 Defesa de Alberto Youssef: – Os da defesa tem que saber disso. Eu não posso prejudicar os
35 advogados.
36 Juiz Federal: – Mais enfim, tão logo…
37 Defesa de Alberto Youssef: – O Ministério Público concordou, o juiz garantiu.
38 Juiz Federal: – Tão logo seja possível e haja homologação desse acordo pelo Supremo
39 Tribunal Federal, se ele for homologar esse acordo, evidentemente, isso será juntado aos
40 autos. De todo modo ainda que não haja…
41 Defesa de Alberto Youssef: – A sua palavra basta.
42 Juiz Federal: – Ainda que não haja eventualmente homologação pelo Supremo, o juízo diante
43 de uma efetiva colaboração dele, irá considerar evidentemente os benefícios legais
44 eventualmente cabíveis.
45 Defesa de Alberto Youssef: – Sua palavra para nós (incompreensível). Eu estou satisfeito,
46 muito obrigado.
47 Juiz Federal: – Certo? Bem, mas nessa condição então, senhor Alberto Youssef, o senhor está
48 sendo acusado de um crime pelo Ministério Federal, na condição de acusado o senhor tem o
49 direito de permanecer em silêncio, certo.
50 Interrogado: -Sim, senhor.
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Juiz Federal: 1 – Entretanto…
2 Defesa de Alberto Youssef: – A câmera está desligada também, né, doutor?
3 Juiz Federal: – Na condição de… se o senhor pretende realmente colaborar com a justiça,
4 hoje a Lei 12.850 estabelece um tratamento jurídico diferente pro senhor. O senhor tem que
5 renunciar ao direito ao silêncio e o senhor já depõem com o compromisso de dizer a verdade
6 nesse processo. Inclusive lhe faço aqui uma advertência que, na forma da lei, se o senhor
7 imputar falsamente crime à outra pessoa, pretendendo colaborar com a justiça, isso é
8 considerado um crime por si só, certo?
9 Interrogado: -Sim senhor.
10 Juiz Federal: – Então o senhor vai renunciar o direito ao silêncio pra essa colaboração com a
11 justiça?
12 Interrogado: -Eu vou colaborar.
13 Juiz Federal: – A defesa dele esclarece então ele está renunciando ao direito do silêncio pra
14 prestar esse depoimento?
15 Defesa de Alberto Youssef: – A defesa concorda, Excelência. E o acusado vai colaborar.
16 Juiz Federal: – Senhor Alberto Youssef, o que interessa especificamente em relação a esse
17 processo específico, segundo o Ministério Público Federal haveria um esquema de desvio de
18 valores em contratos celebrados com a Petrobrás por empreiteiras e, segundo aqui acusação
19 do Ministério Público, o senhor estaria envolvido na distribuição desses valores. Então nós
20 vamos ouvir o senhor especificamente sobre essas questões. A mesma advertência que eu fiz
21 ao senhor Paulo Roberto Costa aqui também é válida, existem… se eventualmente existirem
22 aqui autoridades sujeitas ao foro privilegiado, junto ao Supremo Tribunal Federal, isso é
23 competência do Supremo Tribunal Federal. Então, até em respeito à Corte, nós não vamos
24 identificar essas pessoas nesse presente depoimento. Então, se o senhor for se reportar a
25 alguma coisa dessa espécie, peço que o senhor diga ‘agentes políticos’, ‘agentes públicos’ ou
26 coisa da espécie. No momento oportuno, quando o Supremo Tribunal decidir que é o caso,
27 isso vai vir a público, não há nenhuma intenção de ocultar esses fatos, apenas que isso seja
28 decidido oportunamente pelo Supremo, no momento apropriado. O senhor compreendeu?
29 Interrogado: -Sim, senhor.
30 Juiz Federal: – O senhor pode me esclarecer então, para nós tentarmos ser direto ao ponto, o
31 senhor participou de algo dessa espécie, o que o senhor tem conhecimento sobre isso?
32 Interrogado: -Bom, em primeiro lugar eu quero deixar claro pra Vossa Excelência e pro
33 Ministério Público que eu não sou o mentor e nem o chefe desse esquema, como vem se
34 mencionando na mídia e na própria acusação aí, diz que eu sou o mentor e o chefe da
35 organização criminosa, bom, eu não sou. Eu sou apenas uma engrenagem desse assunto que
36 ocorria na Petrobrás. Tinha gente muito mais elevada acima disso, inclusive acima de Paulo
37 Roberto Costa, no caso, agentes públicos. Esse assunto ocorria nas obras da Petrobrás e eu era
38 um dos operadores.
39 Juiz Federal: – Mas o que ocorria exatamente? Qual que era o seu papel? Quando que o
40 senhor começou a se envolver com essa questão, especificamente?
41 Interrogado: – Eu me envolvi com essa situação, especificamente, de meio de 2005 ou
42 setembro de 2005, outubro de 2005, até agora, no final de 2012, enquanto o Paulo Roberto
43 esteve na Diretoria da Petrobrás.
44 Juiz Federal: – Por intermédio do ex-Deputado Federal José Janene?
45 Interrogado: – Sim, senhor.
46 Juiz Federal: – E a acusação se reporta, por exemplo, a depósitos, vários depósitos existentes
47 de empreiteiras, diversas empreiteiras em contas que supostamente eram utilizadas pelo
48 senhor, como essas contas MO Consultoria e GDF Investimentos. Por exemplo, nas contas da
49 MO consultoria, segundo o laudo 190/2014, que existe no processo, existem depósitos do
50 Consórcio NREST, da Invest Minas, da Sanko Sider, da Galvão Engenharia, da OAS… da
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Construtora OAS, esses depósitos efetuados nessas contas, o senhor tem responsabilidade 1 em
2 cima desses depósitos?
3 Interrogado: -Sim, senhor. Isso são pagamentos de comissionamento pra que isso depois
4 fosse repassado ao Paulo Roberto Costa e a agentes públicos.
5 Juiz Federal: – Essa MO Consultoria então era uma conta que o senhor utilizava?
6 Interrogado: -Essa era uma empresa de um amigo, chamado Waldomiro, e aonde eu utilizava
7 pra poder fazer esses repasses, emitia notas fiscais e contratos contra as empresas.
8 Juiz Federal: – E os depósitos efetuados também por essas similares empresas na conta da
9 GDF Investimentos? Por exemplo, eu tenho aqui referência no demonstrativo feito pelo
10 Ministério Público Federal, por exemplo, depósitos da Piemonte Empreendimentos, Treviso
11 Empreendimento, Mendes Júnior, Consórcio Mendes Junior, Clyde Union, também eram
12 decorrentes dessas situações?
13 Interrogado: -Clyde Union não. Isso foi comissionamento de bombas que foram vendidos
14 pra Camargo Correia. Sanko Sider, parte disso, realmente é comissionamento de vendas de
15 tubos e conexões pra Camargo Correia e também pras outras empreiteiras, parte disso foi
16 repasse pra agentes públicos e pra Paulo Roberto Costa.
17 Juiz Federal: – Mendes Júnior?
18 Interrogado: – Mendes Júnior foi uma troca que eu fiz de reais que eu tinha, pessoal meu, e
19 que eu acabei emitindo a nota contra ela, pra colocar o dinheiro na GFD, pra fazer
20 investimentos. Mas os reais vivos foi repassado à agentes públicos e o Paulo Roberto Costa.
21 Juiz Federal: – O senhor pode me esclarecer como é que funcionava essa… vamos dizer,
22 desvios de valores da Petrobrás ou de contratos celebrados por essas empreiteiras com a
23 Petrobrás? Como que isso funcionava? O que é que o senhor tem conhecimento dessa…?
24 Interrogado: -Bom, o conhecimento que eu tenho é que toda empresa que tinha uma obra na
25 Petrobrás algumas delas realmente pagavam, algumas não pagavam, mas é que todas elas
26 tinham que pagar 1% pra área de Abastecimento e 1% pra área de Serviço.
27 Juiz Federal: – E esses valores eram destinados pra distribuição pra agentes públicos?
28 Interrogado: -Sim, pra agentes públicos e também pra Paulo Roberto Costa, que era Diretor
29 do Abastecimento.
30 Juiz Federal: – Mas para área de Serviços também?
31 Interrogado: -Área de Serviços também, mais não era eu que operava área de Serviços.
32 Tinha uma outra pessoa que operava a área de Serviços que, se eu não em engano, era o
33 senhor João Vaccari.
34 Juiz Federal: – Mas esse 1% da área de Diretoria de Serviços também ia alguma coisa pro
35 Paulo Roberto Costa?
36 Interrogado: -Não, não senhor. Isso era pra outro partido.
37 Juiz Federal: – E desses 1% da Diretoria de Abastecimento, era o senhor que fazia a
38 distribuição?
39 Interrogado: -Sim, senhor. Grande parte disso era eu que operava, mais a frente também
40 tinha outros operadores.
41 Juiz Federal: – Quais seriam os outros operadores?
42 Interrogado: -Tinha Fernando Soares, que operava com Paulo Roberto Costa, para o PMDB,
43 e tinha quem operava a área de navios, que era o seu genro. E tinha um outro que se chamava
44 Henri, que também operava quando o Partido Progressista perdeu a liderança, aqueles líderes
45 antigos, da turma do senhor José, perdeu a liderança e veio a mudar a liderança, aí entrou esta
46 pessoa de Henri pra que pudesse fazer operações pra eles.
47 Juiz Federal: – E o senhor pode me esclarecer que mecanismos que o senhor utilizava pra
48 distribuir esse dinheiro, qual que era o procedimento?
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Interrogado: -O procedimento era com emissão de notas fiscais e recebimento 1 em conta ou a
2 empresa me pagava lá fora e eu internava esses reais aqui. E o que era de Brasília, ia pra
3 Brasília e o que era do Paulo Roberto Costa, ia pro Paulo Roberto Costa, no Rio de Janeiro.
4 Juiz Federal: – Mas o senhor pode ser assim mais claro. Por exemplo, uma dessas empresas
5 que participavam, o senhor pode me citar uma dessas empresas que participavam desses
6 pagamentos?
7 Interrogado: -Sim, posso. No caso a Camargo Correa que está aí no processo, que eu vou
8 falar dela.
9 Juiz Federal: – Com quem que o senhor tratava na Camargo Correia?
10 Interrogado: -No início, isso nas reuniões que eu acompanhei o senhor José, foi tratado com
11 João Auler.
12 Juiz Federal: – Ta, José Janene, o senhor mencionou?
13 Interrogado: -Isso.
14 Juiz Federal: – João Auler?
15 Interrogado: -João Auler. Depois, devido o desentendimento do senhor José Janene com o
16 João Auler, esse assunto passou a ser tratado por mim, e logo em seguida também trocaram o
17 interlocutor que foi o senhor Eduardo Leite e o senhor Dauto.
18 Juiz Federal: – Tá, mas vamos supor assim, a Camargo Correia tem lá 1 milhão pra lhe
19 repassar, como é que funcionava, o senhor pode me descrever, a operação disso?
20 Interrogado: -Bom, na época, a Camargo Correia ela usou a Sanko como fornecedora e me
21 fez repasse através de emissão de notas de serviços para a Sanko.
22 Juiz Federal: – O dinheiro dessa comissão então foi pra Sanko depois foi pro senhor?
23 Interrogado: -Foi pra Sanko, da Sanko foi pra MO, da MO veio pra mim.
24 Juiz Federal: – Mas a Sanko mesmo assim fornecia, vamos dizer, produtos pra Camargo?
25 Interrogado: -Sim, a Sanko forneceu praticamente todo o material de tubulação e conexão
26 pra obra da RNEST, da Camargo, que foi, se eu não me engano, a obra de Coque. E, devido a
27 ter ganho este direito de fazer o fornecimento, foi pedido a Sanko que fizesse um repasse para
28 que eu pudesse pagar os agentes públicos e Paulo Roberto Costa.
29 Juiz Federal: – Isso foi feito através das notas de prestação de serviços da Sanko?
30 Interrogado: -Na verdade, parte desses valores foram feitos através de nota de serviço, parte
31 realmente os serviços foram executados. O que eu quero dizer ao senhor é o seguinte, a Vossa
32 Excelência, que realmente a Sanko executou esses serviços. Realmente a Sanko forneceu os
33 equipamentos pra Camargo Correia, mas foi colocado um acréscimo nesse valor das notas de
34 serviço pra que ele pudesse me fazer o repasse.
35 Juiz Federal: – Esse acréscimo corresponde exatamente o valor que foi depositado nas suas
36 contas, depois? Nas contas que o senhor controlava?
37 Interrogado: -É, partes sim e partes não, porque daí misturou um pouco com a questão do
38 comissionamento das vendas que a Sanko me pagava, pelas vendas que ela conseguiu fazer
39 pela Camargo Correia.
40 Juiz Federal: – Quanto que o senhor recebia de percentual de comissionamento, por venda?
41 Interrogado: -Às vezes 6, às vezes 7, às vezes 10. Depende de como era feito a venda.
42 Juiz Federal: – E quanto, aproximadamente, de comissionamento foi passado, através da
43 Sanko, pra suas empresas?
44 Interrogado: – Bom, tem uma tabela que eu acho que está apreendida, num e-mail meu, que
45 tem alguns valores que é nominado repasse e comissionamento. O que é comissionamento é
46 comissionamento de vendas. O que é repasse foram repasses pra agentes públicos e pro Paulo
47 Roberto Costa.
48 Juiz Federal: – O senhor usava também conta da empresa Empreiteira Rigidez?
49 Interrogado: -Sim, senhor.
50 Juiz Federal: – Outra empresa chamada Muranno?
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Interrogado: 1 – Muranno? Não.
2 Juiz Federal: – Consta nessas tabelas uma empresa, uma referência a Muranno. O senhor
3 sabe me dizer o que é que seria?
4 Interrogado: -Eu não me lembro da Muranno, mas se eu puder dar uma olhada…?
5 Juiz Federal: – Eu vou lhe mostrar aqui umas planilhas que foram objetos da busca e
6 apreensão, que se encontram nos autos nessa mesma ação penal, reunidas no evento 26. Vou
7 passar ao senhor.
8 Interrogado: -Sim, senhor. Vossa Excelência, nessa tabela aqui, que eu estou sem óculos,
9 mas é nessa tabela aqui que está o repasse e o que é comissionamento.
10 Juiz Federal: – Pode me passar aqui? Então uma tabela que está no evento 26, ela começa
11 fornecedor, nota fiscal, valor bruto, data de pagamento, aí tem repasse e comissão, isso de
12 período de 23/07/2009 a 18/03/2013. Aí tem repasse e comissão. Mas essa tabela ela abrange
13 a integralidade dos repasses e comissões feitos através da Sanko?
14 Interrogado: -Sim, senhor. É que a dívida da Camargo perante a esse… a esse assunto que
15 tinha na Petrobrás, era muito maior do que esses valores que estão aí. Então ela fez parte de
16 pagamentos através da Sanko e depois fez outros pagamentos através de outras empresas.
17 Juiz Federal: – Esse aqui o total dessa tabela, só pra referir aqui pros presentes, é de 28
18 milhões… não, 29.210.787. Então a parte da comissão vinha desse, vamos dizer, esquema
19 junto a Petrobrás e o resto seria?
20 Interrogado: – Não.
21 Juiz Federal: – O repasse seria o esquema junto a Petrobrás?
22 Interrogado: – O repasse era o esquema junto a Petrobrás.
23 Juiz Federal: – Certo.
24 Interrogado: -O comissionamento foi realmente vendas que eu efetuei pra Camargo Correia,
25 que foi feita através de mim, pela Sanko, e que foram pagas como comissionamento a mim.
26 Juiz Federal: – Que outras empresas participavam desse mesmo esquema junto a Petrobrás?
27 Interrogado: -Bom, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Correia, Odebrecht, UTC, Jaraguá
28 Equipamentos, Engesa, Tomé Engenharia, é….
29 Juiz Federal: – O senhor participou da negociação desses, desse acerto financeiro?
30 Interrogado: -Eu participei de alguns. Participei de alguns.
31 Juiz Federal: – Quando houve essa negociação, quem teria feito teria sido o ex-Deputado
32 José Janene?
33 Interrogado: -Até que ele ficou doente, foi o Deputado José Janene.
34 Juiz Federal: – Depois foram outros?
35 Interrogado: -Depois eu passei a representar o partido. Em alguma delas fui eu pessoalmente
36 que fiz.
37 Juiz Federal: – O senhor mencionou a Camargo Correia. A OAS também participava?
38 Interrogado: -Sim, senhor.
39 Juiz Federal: – Com quem que o senhor tratava esses repasses na OAS?
40 Interrogado: -Era o diretor da Óleo e Gás, o Agenor.
41 Juiz Federal: – E na UTC também participava?
42 Interrogado: -Também participou.
43 Juiz Federal: – Com quem que o senhor tratava?
44 Interrogado: -Eu tratei com doutor Ricardo.
45 Juiz Federal: – Na Odebrecht o senhor… ela também participava desse esquema?
46 Interrogado: – Sim, senhor. Tratei com Marcio Farias, presidente da Odebrecht.
47 Juiz Federal: – A Queiroz Galvão o senhor também…?
48 Interrogado: – Tratei com o diretor, na época, de Óleo e Gás, Othon Zanoide.
49 Juiz Federal: – A empresa Toyo Setal também participava?
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Interrogado: -Também participava. Tratei com o senhor Júlio Camargo 1 que representava a
2 Toyo Setal.
3 Juiz Federal: – A Galvão Engenharia também participava?
4 Interrogado: -Também participava.
5 Juiz Federal: – O senhor sabe com quem o senhor tratava sobre esses repasses lá?
6 Interrogado: -Na realidade eu tratei com o diretor da Óleo e Gás, o senhor Erton. Mas, num
7 primeiro momento, quem tratou foi o senhor José, com o próprio acionista da Galvão que, se
8 não me engano, é o senhor Eduardo ou o senhor Dario.
9 Juiz Federal: – Andrade Gutierrez?
10 Interrogado: -Andrade Gutierrez também participava, mais não fui eu que tratei. Na verdade
11 quem tratava na Andrade era o Fernando Soares e provavelmente com o presidente do
12 conselho, que era o doutor Otávio.
13 Juiz Federal: – A Iesa?
14 Interrogado: -A Iesa nunca tive contato.
15 Juiz Federal: – A Engevix?
16 Interrogado: -Tratei com o doutor Gerson Almada.
17 Juiz Federal: – E a Jaraguá Equipamentos, o senhor já mencionou?
18 Interrogado: -Jaraguá Equipamentos eu tratei diretamente com o Vagner e com o doutor
19 Ricardo, que eram diretores.
20 Juiz Federal: – E a Mendes Junior?
21 Interrogado: -A Mendes Junior eu tratei diretamente com os… no primeiro momento, o
22 senhor José tratou com o senhor Sergio Mendes. E depois quando eu passei a tratar, tratei com
23 o senhor Sergio Mendes e com o senhor Rogério, que era o diretor da área de Óleo e Gás.
24 Juiz Federal: – Então esses depósitos constantes nessas contas MO e GFD e outras contas, a
25 maioria era relativa a esses repasses?
26 Interrogado: -Sim, senhor.
27 Juiz Federal: – Que contas que o senhor utilizou pra receber esses depósitos dessas
28 empresas? Foi mencionado a MO, a GFD, mais alguma?
29 Interrogado: – Não, teve mais algumas. Teve algumas empresas que foi usada do senhor
30 Leonardo Meireles. E teve algumas empresas lá fora, quando o recebimento era fora, que era
31 usado de terceiras pessoas, no caso da operadora Nelma Penasso e do próprio Leonardo
32 Meireles. E também de Carlos Rocha, que me indicava conta de clientes que precisavam de
33 dinheiro lá fora e eu precisava desses reais aqui.
34 Juiz Federal: – Qual que era o percentual de ganho em cima do contrato que era repassado?
35 Interrogado: -Vossa Excelência fala do contrato…?
36 Juiz Federal: – Das empresas com a Petrobrás.
37 Interrogado: – 1%.
38 Juiz Federal: – 1% ia pro PP, já foi mencionado?
39 Interrogado: -Sim.
40 Juiz Federal: – E o senhor que cuidava da distribuição desses valores?
41 Interrogado: -Sim, senhor.
42 Juiz Federal: – O senhor tinha um ganho próprio?
43 Interrogado: -Eu também tinha o meu ganho.
44 Juiz Federal: – Quanto que o senhor?
45 Interrogado: -Em média de 5%.
46 Juiz Federal: – Quanto?
47 Interrogado: – 5 %, em média.
48 Juiz Federal: – E o senhor Paulo Roberto Costa?
49 Interrogado: – 30 %.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Juiz Federal: – Outros diretores da Petrobrás também recebiam valores 1 pagos dentro desse
2 1%?
3 Interrogado: -Dentro deste 1% só Paulo Roberto Costa e a parte dos agentes públicos, dos
4 agentes políticos.
5 Juiz Federal: – E o senhor mencionou, tinha outros percentuais eram destinados a outros
6 operadores? Não sei se ficou claro isso.
7 Interrogado: – Porque na verdade o Paulo Roberto fatiava um pouco essa questão de
8 recebimento de obras, porque ele também tinha que atender PMBD e às vezes alguém do PT,
9 então outra pessoa fazia o recebimento ou muitas vezes ele repassava pra mim próprio fazer
10 esse pagamento.
11 Juiz Federal: – O senhor chegou a fazer pagamento pra outros diretores da Petrobrás?
12 Interrogado: – Não, Vossa Excelência.
13 Juiz Federal: – O senhor discutiu esse assunto com o senhor Márcio Bonilho, sobre a
14 utilização da empresa dele pra fazer esses repasses?
15 Interrogado: – Bom, na verdade, quando eu conheci o Márcio Bonilho, a empresa dele
16 passava por grande dificuldade e foi uma maneira dele também conseguir alavancar as
17 vendas, por isso ele aceitou fazer esse repasse.
18 Juiz Federal: – O senhor chegou a tratar esse assunto com o outro sócio, com o senhor
19 Murilo?
20 Interrogado: -Não, só com o senhor Márcio Bonilho.
21 Juiz Federal: – Seu contato era só senhor Marcio Bonilho?
22 Interrogado: -Sim, senhor.
23 Juiz Federal: – E ele tinha algum ganho específico em relação a esses repasses?
24 Interrogado: -Não, senhor. Só os impostos.
25 Juiz Federal: – O senhor tem conhecimento, houve aqui uma referência no processo de que
26 foram identificadas algumas irregularidades na obtenção do cadastramento da Sanko Sider
27 junto a Petrobrás, o senhor tem algum conhecimento sobre esse procedimento?
28 Interrogado: – Olha, na verdade, isso vira e mexe e acontece. A questão de CRCC na
29 Petrobrás é uma documentação bastante extensa e complicada de se fazer. Então pode ser que
30 em determinado momento ele tenha tido problema com o CRCC, mas se ele não tivesse
31 CRCC ele não podia fornecer pra Petrobrás.
32 Juiz Federal: – Certo, mas o senhor interferiu no procedimento de obtenção do CRCC da
33 Sanko junto a Petrobrás?
34 Interrogado: – Não, não senhor.
35 Juiz Federal: – O senhor tem conhecimento se algum agente, algum diretor, algum agente,
36 interferiu nesse procedimento?
37 Interrogado: – Não, não tenho conhecimento.
38 Juiz Federal: – O senhor tem conhecimento dessa… se havia, no âmbito da Petrobrás, pra
39 essas empresas obterem esses contratos de fraudes nas licitações, o acerto entre as empresas, o
40 senhor tem algum conhecimento sobre isso?
41 Interrogado: -O conhecimento que eu tenho é que existia um acerto entre as empresas, não
42 na questão das licitações. Mas sim, quando saía um pacote de obras na Petrobrás, as empresas
43 elas, entre elas, tratavam de se relacionarem e obterem quem ia ser o ganhador daquela obra.
44 Juiz Federal: – O senhor pode me esclarecer, o senhor mesmo mencionou que o senhor
45 participou de algumas dessas reuniões nas quais foram definidos esses, esse percentual, qual
46 que era, como que era essa negociação, qual que era o ganho da empresa, o quê que ela
47 ganhava efetuando esse pagamento de 1 %, por exemplo?
48 Interrogado: -Na verdade ela ganhava a obra. Se ela não pagasse tinha ingerência política e
49 do… e do próprio diretor que ela não fazia a obra se ela não pagasse.
50 Juiz Federal: – Mas isso era colocado pra empresa de uma maneira…?
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Interrogado: – Era bem colocado sim, Vossa Excelência. 1 Muito bem colocado.
2 Juiz Federal:- Mas esse percentual era negociado contrato a contrato, ou como isso
3 funcionava?
4 Interrogado: – Contrato a contrato, Vossa Excelência.
5 Juiz Federal: – Contrato a contrato com cada empresa?
6 Interrogado: – Sim, senhor.
7 Juiz Federal: – Mas era sempre escolhido previamente qual empresa que ia ser feita essa
8 oferta? Como é que isso funcionava?
9 Interrogado: – Na verdade tinham pacotes maiores que eram tratados com as empresas de
10 portes maiores e os pacotes de médio porte que eram tratados com as empresas de médio
11 porte. E os pacotes pequenos que a gente nem tomava conhecimento.
12 Juiz Federal: – O senhor, pelo que eu entendi, mencionou que as próprias empresas elas
13 definiam o vencedor previamente nessas licitações? Não entendi.
14 Interrogado: -Sim senhor, Vossa Excelência.
15 Juiz Federal: – Mas como é que funcionava então esse procedimento do… isso vinha, essa
16 negociação do percentual vinha depois ou vinha antes então dessa definição?
17 Interrogado: – Na verdade já vinha antes.
18 Juiz Federal: – Já vinha antes?
19 Interrogado: -Sim senhor, Vossa Excelência. Mas toda empresa que… desse porte maior, ela
20 já sabia que qualquer obra que ela fosse fazer, na área de Abastecimento da Petrobrás, ela
21 tinha que pagar o pedágio de 1%. E 1% também para área de Serviço e Engenharia.
22 Juiz Federal: – Essa área de Serviço e Engenharia o senhor também participou da
23 negociação?
24 Interrogado: -Não senhor, Vossa Excelência. Mas escutava sempre ser mencionado esse
25 assunto.
26 Juiz Federal: – Mas escutava de quem?
27 Interrogado: – Escutava nas reuniões que eram feitas entre o seu José, entre os próprios
28 empreiteiros e depois eu mesmo, quando tratei de algumas obras depois da doença dele e do
29 falecimento dele, deixei claro pros empreiteiros que eles também tinham que resolver a parte
30 lá deles na Engenharia.
31 Juiz Federal: – Dos demais acusados nesse processo, o senhor mencionou o Waldomiro
32 Oliveira é que lhe cedeu essas contas da MO e da… da empresa MO, como isso funcionava?
33 Interrogado: – Na verdade senhor Waldomiro de Oliveira é que me vendia as notas, no caso,
34 pra fazer o recebimento das empreiteiras, tanto da MO, quanto da Rigidez, quanto da RCI. Ele
35 cobrava um percentual de 14,5 % e eu lhe repassava isso.
36 Juiz Federal: – Mas essas empresas de fato não existiam?
37 Interrogado: – Na verdade existiam, mas não tinham, não tinham…
38 Juiz Federal: – Existiam no papel?
39 Interrogado: – Existiam no papel.
40 Juiz Federal: – Não prestavam serviço de qualquer natureza?
41 Interrogado: – Não, não prestavam serviço de qualquer natureza.
42 Juiz Federal: – Essa MO consultoria então, por exemplo, esses pagamentos não têm por base
43 nenhuma consultoria específica?
44 Interrogado: – Não, nunca. Nunca prestou serviço.
45 Juiz Federal: – E o seu relacionamento com o senhor Leonardo Meirelles?
46 Interrogado: -Na verdade eu era um cliente do senhor Leonardo Meirelles. E um
47 determinado momento eu comecei a usá-lo pra fazer dinheiro vivo, que é o que eu
48 necessitava, ou muitas vezes de algum recebimento lá fora ou de algum pagamento lá fora.
49 Juiz Federal: – O senhor fez transferências de valores desse… vamos dizer, desse esquema da
50 Petrobrás pra contas controladas pro senhor Leonardo Meirelles?
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Interrogado: 1 -Sim, fiz.
2 Juiz Federal: – Inclusive com remessa ao exterior dos valores?
3 Interrogado: -Não, eu, na verdade, recebi das empresas lá fora, diretamente da conta do
4 senhor Leonardo Meirelles. Eu nunca fiz uma remessa daqui para uma conta do senhor
5 Leonardo Meirelles.
6 Juiz Federal: – Deixa eu ver se eu entendi, a empresa depositava lá fora e o senhor trazia aqui
7 pra dentro, é isso?
8 Interrogado: – Exatamente, através do senhor Leonardo.
9 Juiz Federal: – Como é o que o senhor efetuava os pagamentos pro senhor Paulo Roberto
10 Costa?
11 Interrogado: – Eu mandava isso no Rio de Janeiro. A princípio eu entregava, a pedido dele,
12 para o senhor Genu, que repassava. Depois eu passei a entregar pra o seu genro, Marcio, que
13 ele me pedia.
14 Juiz Federal: – Mas o senhor fazia essas transferências eram bancarias ou o senhor entregava
15 em espécie?
16 Interrogado: -Sempre em espécie, Vossa Excelência.
17 Juiz Federal: – Essa movimentação da distribuição desses valores, a partir da transferência
18 pra MO Consultoria, normalmente era feito em espécie ou era feito em transferências
19 bancárias?
20 Interrogado: – Não, todas as transferências bancárias que tinha da MO era pra obter reais
21 vivos ou realmente pra fazer algum pagamento que o próprio seu José pedia que eu fizesse,
22 alguma coisa assim desse tipo. Mas fora isso, era só pra obter reais vivos.
23 Juiz Federal: – O senhor não fez depósitos em contas no exterior pro senhor Paulo Roberto
24 Costa?
25 Interrogado: -Não, nunca fiz, Vossa Excelência.
26 Juiz Federal: – Dos outros aqui, o senhor Leandro Meirelles, o senhor Pedro Argese, o
27 senhor Esdras, o senhor chegou a ter contato com eles?
28 Interrogado: – Conheci, mas na verdade eu tratava com o Leonardo.
29 Juiz Federal: – O senhor tratava esses assuntos com o senhor Leonardo, ele tinha
30 conhecimento da origem desses valores em contrato de empreiteiras com a Petrobrás?
31 Interrogado: -Acredito que sim.
32 Juiz Federal: – Por que acredito que sim?
33 Interrogado: -Porque teve empresas dele que forneceu notas.
34 Juiz Federal: – Pra essas empreiteiras?
35 Interrogado: -Pra essas empreiteiras, pra uma delas no caso.
36 Juiz Federal: – Qual?
37 Interrogado: -Se eu não me engano, Queiroz Galvão.
38 Juiz Federal: – Mas o senhor a daí discutir esse assunto então com ele?
39 Interrogado: – Discutir o assunto de que precisava emitir uma nota contra a empreiteira X, se
40 ele tinha condições. E assim foi feito.
41 Juiz Federal: – Pra justificar o repasse?
42 Interrogado: – Exatamente.
43 Juiz Federal: – Pra qual empresa dele que foi?
44 Interrogado: – Foi pra uma empresa de semeadura, se eu não me engano, a KFC.
45 Juiz Federal: – E com os outros, o Leandro, com o Esdras e com o Pedro Argese?
46 Interrogado: – Nunca tratei nenhum tipo de assunto com referência a isso, com o Leandro ou
47 com o Pedro.
48 Juiz Federal: – O senhor Waldomiro Oliveira que emitia essas notas fiscais da MO
49 Consultoria, ele tinha conhecimento que esses valores tinham origem lá nessas empreiteiras
50 com contratos com a Petrobrás?
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Interrogado: -Eu acredito que ele tinha conhecimento que tinha relacionamento 1 com as
2 empreiteiras. Não me lembro se ele tinha conhecimento se isso era oriundo da Petrobrás ou
3 não. Sinceridade eu não me lembro de ter comentado alguma coisa desse tipo com ele.
4 Juiz Federal: – O senhor não chegou a conversar com ele e explicar o que tava acontecendo,
5 por que esses valores, qual que era a origem?
6 Interrogado: -Não, não acredito. Pelo menos não me lembro, nesse momento.
7 Juiz Federal: – Qual que era o ganho dele que o senhor mencionou?
8 Interrogado: -Ele me cobrava pelas notas 14,5%.
9 Juiz Federal: – 14,5 % ou 1 %?
10 Interrogado: -14,5 %.
11 Juiz Federal: – Isso incluído os tributos que ele ia ter que pagar?
12 Interrogado: – Sim senhor, Vossa Excelência.
13 Juiz Federal: – Qual que era… o senhor sabe qual que era o ganho efetivo dele, fora tributos?
14 Interrogado: -Se ele pagava todos os tributos, eu acho que o ganho dele era muito pouco.
15 Agora, se ele deixasse de pagar, eu acho que era em torno de 5 a 6 %.
16 Juiz Federal: – E os repasses que o senhor fazia pro senhor Leonardo Meirelles, qual que era
17 o ganho dele?
18 Interrogado: -Ele me cobrava de 1 a 2 % pra me dar reais vivos.
19 Juiz Federal: – O senhor Antônio Almeida Silva?
20 Interrogado: – Senhor Antônio Almeida Silva… é um contador, né?
21 Juiz Federal: – É contador, isso, isso.
22 Interrogado: – O senhor Antônio Almeida Silva… bom, teve 2 vezes, 2 ou 3 vezes com o
23 Waldomiro no meu escritório e o que ele fez pra mim foi o imposto de renda de uma pessoa
24 que eu pedi pra ele que fizesse. Não sei se ele tava envolvido no caso com o Waldomiro, ou
25 não. Eu não posso dizer.
26 Juiz Federal: – Tem um e-mail que existe, o senhor até já mencionou de uma planilha que o
27 senhor recebeu no e-mail, esse e-mail é paulogoia58. O senhor usava esse e-mail, então?
28 Interrogado: -Sim senhor, Vossa Excelência.
29 Juiz Federal: – Eu vou passar agora, vou fazer uma breve interrupção na gravação aqui, vou
30 passar um diálogo, um dos diálogos que foram interceptados. Consta aqui que é um diálogo
31 em 21/10/2013, às 9:40, é um diálogo que é referido na denúncia, tá? Então 21/10/2013, às
32 9:40, está reportado na denúncia. Eu vou interromper porque o diálogo já está gravado.
33 pausa na gravação
34 Juiz Federal: – Então, retomando. Nessa Ação Penal 5026212, depoimento do senhor Alberto
35 Youssef. Esse diálogo foi passado é de 21/10/2013, às 09:40. A página da denúncia eu não
36 tenho aqui fácil, mas está na Representação Policial, na folha…
37 Ministério Público Federal: – Folha 17, Excelência.
38 Juiz Federal: – Ah, folha 17 da denúncia? Folha 17 da denuncia, então fica esclarecido. O
39 senhor ouviu esse diálogo, senhor Alberto Youssef?
40 Interrogado: – Ouvi sim senhor, Excelência.
41 Juiz Federal: – Era o senhor mesmo?
42 Interrogado: – Era eu falando com Marcio Bonilho.
43 Juiz Federal: – A segunda parte do diálogo que há uma referência a uma dívida desse 1
44 milhão, 2 milhões.O senhor pode me esclarecer esse diálogo, essa parte do diálogo?
45 Interrogado: – Sim senhor, Vossa Excelência. Na verdade, a Camargo Correia me devia 2
46 milhões que o próprio vice-presidente e o presidente pediu que eu adiantasse à agentes
47 políticos e a Paulo Roberto Costa e que, posteriormente, vinha e resolvia os pagamentos e
48 depois foi empurrando com a barriga, eu estava nervoso.
49 Juiz Federal: – O presidente e o vice-presidente quem?
50 Interrogado: – O Dauto e Eduardo Leite.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Juiz Federal: – Esse Leitoso que o senhor se reporta no diálogo 1 é o… quem?
2 Interrogado: – Eduardo Leite.
3 Juiz Federal: – E o senhor fala nesse diálogo: “Pior que o cara fala sério, ele acha que foi
4 prejudicado, você tá entendendo? É rapaz, tem louco pra tudo. Foi prejudicado? Tanto
5 dinheiro que nós demos pra esse cara.” De quem que o senhor está falando aí?
6 Interrogado: – Eu estou falando do Eduardo Leite que por conta do, das vendas de tubo que
7 nós fazíamos pra Camargo Correia, ele também recebia parte do comissionamento, tanto ele
8 quanto o diretor Paulo Augusto.
9 Juiz Federal: – Recebia parte do comissionamento o quê, das vendas da…?
10 Interrogado: – Comissionamento da vendas da Sanko.
11 Juiz Federal: – Quer dizer ele estava na empresa, a empresa comprava e ele também recebia
12 um percentual?
13 Interrogado: – Também recebia um percentual, Vossa Excelência.
14 Juiz Federal: – E quem fazia esse pagamento?
15 Interrogado: – Eu fazia.
16 Juiz Federal: – E o senhor pagava como isso?
17 Interrogado: – Em dinheiro vivo.
18 Juiz Federal: – Depositava em conta ou coisa parecida?
19 Interrogado: – Não, Excelência, ele retirava no meu escritório.
20 Juiz Federal: – O senhor fala aqui: “Faz conta aqui, recebi 9 milhões em bruto, 20 % eu
21 paguei, são 7 e pouco, faz a conta dos 7 e pouco, vê quanto ele levou, vê quanto o comparsa
22 dele levou, vê quando Paulo Roberto levou.” O senhor pode me esclarecer essa parte?
23 Interrogado: – É, Paulo Roberto também ganhava dinheiro de comissionamento da venda dos
24 tubos. Então, Paulo Roberto ganhava, Paulo Augusto ganhava, Eduardo Leite ganhava e eu
25 ganhava.
26 Juiz Federal: – Mas isso então não está relacionado com aquela distribuição dos valores?
27 Interrogado: – Está relacionado com aquela distribuição de valores. Se vossa Excelência
28 pegar e tirar esses 9 milhões e pouco que é referente a comissionamentos de vendas só
29 Camargo Correia. Sanko não vendeu só Camargo Correia. Sanko vendeu pra várias outras
30 empresas. Então, dinheiro de comissionamento que eu recebi dela foi maior do que os nove
31 milhões e pouco, mas o que se referia a Camargo, foi descontado os impostos e foi dividido
32 em partes a cada um que tinha direito ao comissionamento da compra, da venda dos, dos
33 equipamentos.
34 Juiz Federal: – Mas isso não tem a ver com aquele repasse dos contratos das empreiteiras?
35 Interrogado: – Repasse é uma coisa, comissionamento é outra.
36 Juiz Federal: – Tá, então esses 9 milhões é do comissionamento?
37 Interrogado: – É do comissionamento.
38 Juiz Federal: – O senhor tem, o senhor tinha, tem a contabilidade desses valores, quanto o
39 senhor passou pra cada uma dessas pessoas envolvidas?
40 Interrogado: – Eu acredito que na hora de fazer essa perícia a gente vai, vai, vai poder saber
41 qual os valores que cada, que cada um recebeu.
42 Juiz Federal: – O senhor Paulo Roberto, que foi ouvido, ele mencionou que esse percentual
43 seria de 3%, sendo 1% destinado ao PP. É 3% ou o senhor mencionou 1% mais 1%, o senhor
44 pode me esclarecer?
45 Interrogado: – Sempre se teve um entendimento que a Diretoria de Abastecimento era 1%, se
46 a Engenharia cobrava mais que 1%, pra mim é novidade. Pra mim a Diretoria de Engenharia e
47 Serviços também cobrava 1% e não 2. Se o doutor Paulo Roberto está dizendo que era 2, pode
48 ser que ele soubesse mais do que eu. Eu sempre entendi que era 1% pra Diretoria de
49 Engenharia e 1% pra Diretoria de Abastecimento.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Juiz Federal: – Mas os contratos feito pela Diretoria de Abastecimento 1 também havia essa
2 divisão ou era só daí pra Diretoria de Abastecimento?
3 Interrogado: – Não, eu vou explicar pra Vossa Excelência entender. O contrato é um só.
4 Juiz Federal: – Tá.
5 Interrogado: – Uma obra da Camargo Correia, 3 bilhões 480, está certo? Ela tinha 34 milhões
6 ela tinha que pagar por aquela obra para o PP, eu era responsável por essa parte. A outra parte
7 eu não era responsável. Ele tinha que pagar mais 1%, mais outros 34 milhões, ou 2 % no caso
8 o Paulo Roberto está dizendo, para outro operador que, no caso, o João Vaccari, que assim
9 diziam.
10 Juiz Federal: – Depois que o senhor Paulo Roberto deixou a empresa, continuou a funcionar
11 esse, esse esquema?
12 Interrogado: – Não, ficou um resquícios de recebimentos pra ser feitos, aonde esses
13 recebimentos foram feitos e repassados a ele e, e mais nada. E esse dinheiro que tinha pra
14 receber da Camargo que eu não recebi.
15 Juiz Federal: – Aquele veículo que o senhor comprou pro senhor Paulo Roberto, que é
16 mencionado na denúncia, o que é que era esse veículo?
17 Interrogado: – Ele tinha crédito comigo desse comissionamento e pediu que eu pagasse o
18 veículo.
19 Juiz Federal: – Desse comissionamento ou dos repasses lá?
20 Interrogado: – Dos repasses, desses tipos de comissionamento, da questão Petrobrás.
21 Juiz Federal: – E não continuou com… o senhor não continuou a trabalhar nessa distribuição,
22 vamos dizer, novas distribuições depois que o senhor Paulo Roberto deixou a diretoria?
23 Interrogado: – Não, Excelência.
24 Juiz Federal: – O senhor foi substituído por alguém?
25 Interrogado: – Eu não sei quem era o mando do diretor depois. Eu, eu praticamente me
26 afastei.
27 Juiz Federal: – Bom, em princípio eram essas as questões do juízo. Daí, eventualmente, tem
28 mais alguma coisa, faço pergunta ao final. Passo ao Ministério Público.
29 Interrogado: – Ok, Excelência.
30 Ministério Público Federal: – Obrigado, Excelência. Senhor Alberto Youssef, o senhor
31 mencionou, dentre as empresas que participavam, participariam de um cartel, Camargo
32 Correia, OAS, UTC, Odebrecht, Queiroz Galvão, Toyo Setal, Galvão Engenharia, Andrade
33 Gutierrez, Engevix, Mendes Junior entre outras, né. Essas empresas elas… o senhor tem
34 conhecimento se elas se reuniam pra fixar preços quem venceria os certames da Petrobrás?
35 Interrogado: – Olha, fixar preços, eu não acredito. Mas quem venceria o certame, tenho
36 certeza.
37 Ministério Público Federal: – O senhor pode afirmar então que elas se reuniam? Os
38 executivos dessas empresas confidenciaram alguma vez pro senhor essas reuniões?
39 Interrogado: – Sim, com certeza.
40 Ministério Público Federal: – E, e como funcionava daí, depois que elas definissem a
41 empresa que seria a vencedora pra um determinado certame, elas passavam esse nome pro
42 senhor ou ao senhor Paulo Roberto Costa?
43 Interrogado: – Era entregue uma lista das empresas que ia participar do certame e nessa lista
44 já era dito quem ia ser, quem ia ser a vencedora. Essa lista era repassada pro Paulo Roberto
45 Costa.
46 Ministério Público Federal: – Em qual momento era repassada essa lista?
47 Interrogado: – Logo que, que ia se existir os convites.
48 Ministério Público Federal: – Abriu o certame, a lista já era passada?
49 Interrogado: – Sim.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Ministério Público Federal: – E ela era entregue pelos próprios diretores 1 que o senhor
2 mencionou?
3 Interrogado: – Sim, senhor.
4 Ministério Público Federal: – E qual era o papel do, do Paulo Roberto Costa pra, pra
5 viabilizar a contratação da empresa teoricamente selecionada pelo próprio cartel?
6 Interrogado: – O papel do Paulo Roberto em que sentido?
7 Ministério Público Federal: – Ele, ele tinha ingerência na licitação pra inclusão de empresa,
8 exclusão de empresa?
9 Interrogado: – Ele podia tanto incluir quanto retirar.
10 Ministério Público Federal: – O senhor tem conhecimento que ele de fato tenha feito isso em
11 certames dos quais tenham participado essas empresas?
12 Interrogado: – Sim.
13 Ministério Público Federal: – Sim? E como que essas empresas chegavam ao valor de
14 contrato? A Petrobrás tem um valor de referência, né, de contrato. Como que elas chegavam
15 nesse valor de referência pra não ser muito maior ou muito menor? O senhor tem
16 conhecimento?
17 Interrogado: – Na verdade a Petrobrás trabalha no menos 15 e mais 20%. Elas sempre
18 estavam dentro dessa média. Quando elas saiam fora desse valor, o diretor chamava pra
19 negociar.
20 Ministério Público Federal: – E nessa negociação participavam outras empresas ou só a
21 empresa que tenha dado a melhor proposta?
22 Interrogado: – Só a empresa que tinha dado a melhor proposta.
23 Ministério Público Federal: – Esse valor de referência, então, que pautaria o menos 15 ou
24 mais 20, não era de conhecimento das empresas?
25 Interrogado: – Não, não era. Cada um tinha que fazer seu orçamento realmente bem-feito pra
26 poder ficar dentro do…
27 Ministério Público Federal: – E o senhor pode me dizer se essa cartelização permitia que
28 essas empresas fixassem o valor de seus contratos próximos ao mais 20%?
29 Interrogado: – É isso era discutido com o diretor, né? O diretor chamava e dizia: “Olha, está
30 acima do preço, tem que enquadrar. Quero que essa obra fique aqui dentro desse nível.” Dá
31 pra fazer, dá. Não dá, não dá. Chamava a segunda.
32 Ministério Público Federal: – Mas a segunda… via de regra, como a lista era tratada só
33 entre…?
34 Interrogado: – Normalmente nunca era tratado com as segundas. Normalmente sempre
35 fixava na primeira.
36 Ministério Público Federal: – Então, nós podemos concluir que, pela existência da
37 cartelização, os contratos celebrados pela Petrobrás, eram celebrados sempre no montante
38 máximo possível ou próximo disso?
39 Interrogado: – Ou próximo disso.
40 Ministério Público Federal: – O senhor pode afirmar se todos os contratos executados por
41 essas empreiteiras, mencionadas pelo senhor, existia esse repasse de 1% mais 1%, ou se em
42 alguns não? A maioria sim?
43 Interrogado: – Olha, a maioria sim. Teve muitos que teve que ficar dentro de um preço que a
44 empreiteira se dizia que era difícil de fazer a obra e aí negociava-se esse pagamento pra 0,5%,
45 pra 0,75. Na verdade isso era renegociado sempre.
46 Ministério Público Federal: – E sobre os aditivos dos contratos? Existia esse, esse percentual
47 de repasse de comissionamento pra Paulo Roberto e agentes políticos também nos aditivos?
48 Interrogado: – Sim senhor. E o aditivo era maior, podia chegar até… de 2 a 5%.
49 Ministério Público Federal: – Então nos aditivos poderia ter um valor de contrato maior?
50 Interrogado: – Sim.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Ministério Público Federal: – Mas a proporção dos repasses permanecia 1 a mesma? O senhor
2 referiu que 5% ficava com o senhor?
3 Interrogado: – Sim, mesmo jeito.
4 Ministério Público Federal: – 30%…?
5 Interrogado: – Mesma coisa.
6 Ministério Público Federal:- O senhor pode só resgatar, existia um custo de
7 operacionalização nesses repasses, né?
8 Interrogado: – Existia um custo, um custo de 20%. Esse custo era deduzido desse custo.
9 Ministério Público Federal: – Então eram 20% pro custo de operacionalização, 5% pro
10 senhor?
11 Interrogado: – Sim.
12 Ministério Público Federal: – Que mais?
13 Interrogado: – 30% pro doutor Paulo Roberto Costa e o restante ia pro partido.
14 Ministério Público Federal: – O senhor viabilizava esse repasse desses 14,5 % a título de
15 fornecimento de notas quando elas ocorriam?
16 Interrogado: – Por quem?
17 Ministério Público Federal: – O senhor mencionou que em determinadas oportunidades
18 eram utilizadas empresas como MO Consultoria?
19 Interrogado: – Sim, na verdade eu descontava os 20%. Repassava os 14,5 e ficava com a
20 diferença.
21 Ministério Público Federal: – Então o senhor recebia 5% mais a diferença desse preço de
22 custo?
23 Interrogado: – Sim.
24 Ministério Público Federal: – O senhor mencionou que algumas empreiteiras também
25 efetuavam pagamento diretamente no exterior?
26 Interrogado: – Sim, senhor.
27 Ministério Público Federal: – O senhor poderia apontar quais delas?
28 Interrogado: – Odebrecht. Que eu me lembre, assim, Odebrecht e… e a Toyo. A Toyo,
29 representada pelo senhor Júlio Camargo.
30 Ministério Público Federal: – E em relação a Camargo Correia, que é objeto do Consórcio
31 Nacional Camargo Correia, objeto dessa ação penal, a sistemática que era utilizada era sempre
32 por emissão de notas por serviços não prestados ou produtos não fornecidos, ou existia
33 também repasse em dinheiro, em espécie?
34 Interrogado: – Na verdade, eu recebia alguns valores em espécie, né, da Camargo Correia,
35 mas a maioria desses valores foi com emissão de nota através de fornecedores da Camargo
36 Correia.
37 Ministério Público Federal: – Esses contratos que foram celebrados pela, pela SankoSider e
38 Sanko Serviços, sobre, especificamente sobre essas empresas, o senhor falou que tratava
39 diretamente com Márcio Bonilho. O senhor tem conhecimento se Murilo Barrios tinha
40 conhecimento dessa sistemática, participava de alguma forma disso?
41 Interrogado: – Na verdade, eu vi o Murilo uma vez na, na, na Sanko, depois não vi mais. Eu
42 acredito que não.
43 Ministério Público Federal: – E sobre essa distinção, essa criação da Sanko, criação não… a
44 volta da Sanko Serviços à atividade. O senhor sabe por quê que foi utilizado a Sanko
45 Serviços? A Sanko Sider e a Sanko Serviços prestaram, informaram ter prestado serviço pra,
46 pro consórcio Camargo Correia. O senhor sabe se todos os serviço efetivados pela Sanko
47 foram pra efetivar esses repasses de comissionamentos ou o senhor não tem conhecimento?
48 Interrogado: – Na verdade, eu volto a explicar novamente esse assunto. De fato a Sanko
49 Serviços prestou serviços à Camargo Correia e de fato prestou fornecimento a Camargo
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Correia. A única coisa é que a Camargo Correia pediu que a Sanko emitisse 1 alguns valores
2 pra que fossem repassados a mim.
3 Ministério Público Federal: – É que na realidade existia a Sanko Serviços e a Sanko Side?
4 Interrogado: – Sim, pra mim era uma empresa só.
5 Ministério Público Federal: – E a Sanko Serviços estava inativa até 2010, isso que ele está
6 querendo comentar. E ela ressurge e presta… recebe doze milhões só do consórcio e não
7 presta serviço pra mais ninguém, entendeu?
8 Interrogado: – Eu acredito que… eu acredito que não. Eu acredito que a empresa prestava
9 serviços de modo geral. Eu não acredito que tenha sido reabilitada só pra isso. Ou, de repente,
10 por uma questão tributária, alguma coisa nesse sentido. Mas eu acredito que, realmente, os
11 serviços realmente foram prestados à Camargo Correia, a única coisa é que eles foram
12 sobrepostos os valores pra que pudesse ter sido feito o repasse pra mim.
13 Ministério Público Federal: – Sobre essa…esses repasses que foram efetuados pela Sanko
14 Serviços e pela Sanko Sider, a empresa MO Consultoria, a empresa GFD, e a empresa RCI, o
15 senhor mencionou que existia comissionamento e existia o repasse pra, de natureza política
16 que também iria pra Paulo Roberto Costa e agentes políticos,.existia uma destinação, por
17 exemplo, empresa MO o repasse era de tal natureza, empresa GFD o repasse era de
18 comissionamento, ou isso não existia?
19 Interrogado: – Não, isso não existia. Na verdade é como está ali na questão do e-mail. Se
20 Vossa… se o doutor pegar o e-mail, vai ver.
21 Juiz Federal: – A planilha, né.
22 Interrogado: – A planilha. Está bem claro ali o que foi repasse e o que foi comissionamento
23 de vendas de, de, de produtos.
24 Ministério Público Federal: – Consta, consta um e-mail que o senhor teria trocado com
25 Fabiane, fabiesta28@gmail.com, no qual existe uma planilha relacionando fornecedor, nota
26 fiscal, valor bruto, data do pagamento e status, comissão. O senhor confirma o recebimento
27 desse e-mail?
28 Interrogado: – Sim, senhor.
29 Ministério Público Federal: – Nesse e-mail consta 6 notas fiscais do ano de 2011, no valor
30 aproximado de 5 milhões de reais e todos eles com status comissão. O senhor se referiu a
31 comissão entre 5 e 10% que o senhor referia. Se nós verificarmos no Anexo 4 da denúncia,
32 especificamente no ano de 2011 foi repassado pra empresa MO, 2 milhões e… desculpa… 17
33 milhões. O comissionamento não bate, o senhor poderia explicar isso pra gente?
34 Interrogado: – Não, vou lhe explicar pra Vossa Excelência, pro doutor entender. Na verdade
35 a Sanko forneceu, entre serviço e venda de equipamentos pra Camargo Correia, em torno de
36 140 a 150 milhões. Deste valor, foi repassado 10% que seriam 14 milhões. Até onde…
37 Ministério Público Federal: – Foi repassado pro senhor?
38 Interrogado: – A mim. Até onde o Márcio já tinha pago 9 milhões e pouco, é onde tem
39 aquela minha conversa com ele, faltava fazer o restante do pagamento, mas também faltava
40 fazer o restante da entrega dos equipamentos, pra que ele pudesse fazer o recebimento e pagar
41 a diferença. Fora esses valores, também teve vendas que a Sanko fez pra outros, outras
42 empresas que também me repassou o comissionamento. Então, quando ele toma o cuidado de
43 passar o e-mail, a Fabiane toma o cuidado de passar o e-mail pra mim, que tava sentado junto
44 com o Márcio acertando as contas, ela frisou bem o que era realmente comissão e o que era
45 realmente repasse, vindo da Camargo Correia. Por isso, aonde está repasse, foi os valores que
46 a Camargo Correia passou a mais pra que a Sanko pudesse me repassar.
47 Ministério Público Federal: – Especificamente em relação à Rigidez, MO e a RCI, o senhor
48 pode afirmar, com certeza, que nenhum serviço de consultoria ou de qualquer forma foi
49 prestado?
50 Interrogado: – Com certeza. Nenhum deles.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Ministério Público Federal: – Em relação à 1 GFD da mesma forma?
2 Interrogado: – Em relação à GFD da mesma forma, mas no caso a GFD teve a questão…
3 Ministério Público Federal:- Dos comissionamentos.
4 Interrogado:- Dos comissionamentos. Só que por não… por natureza da empresa não poder
5 emitir uma nota, na questão de comissionamento, foi feito aquele contrato.
6 Ministério Público Federal: – O senhor poderia nos precisar de que forma eram efetuados os
7 cálculos dos montantes devidos? Era o senhor que efetuava esses cálculos a partir de 2008, de
8 todas as empresas cartelizadas, os montantes que deviriam ser repassados pros agentes
9 políticos, pro Paulo Roberto Costa?
10 Interrogado: – Na verdade, isso era gerenciado por todos. Agente político tinha um integrante
11 que gerenciava isso. O Paulo Roberto, por ser ele que gerenciava o contrato, também geria
12 isso. E eu era o… simplesmente era o recebedor e o repassador.
13 Ministério Público Federal: – Mas o senhor tinha um controle também disso?
14 Interrogado: – Eu também tinha um controle.
15 Ministério Público Federal: – E depois que o senhor Paulo Roberto Costa deixou a Diretoria
16 de Abastecimento da Petrobrás, foi efetuado um cálculo das comissões, repasses das
17 empreiteiras que estavam pendentes de recebimento por parte dele?
18 Interrogado: – Algumas pagou, algumas não pagou. E as que pagaram foi feito o repasse a
19 ele.
20 Ministério Público Federal: – O senhor que efetuou esse cálculo?
21 Interrogado: – Juntos efetuamos o cálculo.
22 Ministério Público Federal: – Especificamente em relação à empresa Camargo Correia,
23 consta um contrato nessa planilha, celebrado no ano de 2013, em 30 parcelas de 100 mil reais.
24 Interrogado: – Isso é parte do pagamento de comissionamento que o senhor Paulo Roberto
25 tinha direito a receber, a Camargo Correia fez direto contrato com ele. Eu fui quem
26 intermediei.
27 Ministério Público Federal: – Esse contrato não houve qualquer prestação de serviço por
28 parte da Costa Global?
29 Interrogado: – Não senhor.
30 Ministério Público Federal: – O senhor sabe dizer se esse valor, esses valores foram pagos
31 de fato?
32 Interrogado: – Eu acredito que estavam sendo pagos. Como são em várias parcelas, né, o
33 Paulo não me reclamou que, que eles não teriam feito os pagamentos.
34 Ministério Público Federal: – Tendo em vista que a Camargo Correia participava do
35 Consórcio Nacional Camargo Correia, o senhor pode afirmar se parte desses pagamentos
36 pendentes se referiam à Refinaria Abreu e Lima?
37 Interrogado: – Olha, na verdade a Camargo Correia tinha várias obras dentro da Petrobrás.
38 Ela tinha obra na REPAR, ela tinha obra na RNEST, ela tinha obra REGAP, ela tinha obra…
39 se eu não me engano, do Álcoolduto… então, os valores se somavam, né? Nas planilhas a
40 gente vai poder identificar alguma delas de qual obra seria, ou não. Mas normalmente vinha
41 se debatendo do valor global, os valores.
42 Ministério Público Federal: – E o repasse por parte das empreiteiras, pra repasse político,
43 repasse pro senhor, repasse pro Paulo Roberto, ele ocorria imediatamente após o pagamento
44 da Petrobrás à empreiteira ou ele ocorria de forma antecipada, como que isso funcionava?
45 Interrogado: – Não, normalmente funcionava em 10 parcelas, 12 parcelas, 15 parcelas. Não
46 necessariamente a obra havia terminado ele já tinha pago o comissionamento.
47 Ministério Público Federal: – Calculado sempre sobre o valor total do contrato é isso?
48 Interrogado: – Às vezes deduzidos os impostos.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Ministério Público Federal: – Sobre o veículo, o Excelentíssimo Juiz já indagou 1 o senhor, eu
2 gostaria só de uma especificação, o valor da transação o senhor recorda desse veículo Land
3 Rover?
4 Interrogado: – Acho que 200 e poucos mil reais, uma coisa assim.
5 Ministério Público Federal: – Como que o senhor viabilizou a compra desse veículo?
6 Interrogado: – Paulo Roberto Costa foi comigo na concessionária, comprou o veículo e eu
7 efetuei o pagamento.
8 Ministério Público Federal: – Foi pagamento em dinheiro?
9 Interrogado: – Teve pagamento que foi feito em conta e foi feito depósito em dinheiro. Foi
10 feito diretamente à concessionária.
11 Ministério Público Federal:- O senhor utilizava-se também do e-mail
12 perceiades@hotmail.com?
13 Interrogado: – Sim senhor.
14 Ministério Público Federal: – Quem que é Thiago Novaes Dias e Bruno Henrique Gomes,
15 sabe Alberto? Pagaram pelo veículo, umas parcelas do veículo Evoque.
16 Interrogado: – Bom, Bruno, se eu não me engano, é um cliente do Carlos Rocha, que eu pedi
17 que ele fizesse o pagamento. E Thiago Novaes eu não sei te dizer, alguém que deve ter ido
18 fazer o depósito, na boca do caixa, em dinheiro, pode ter dado este nome e ter feito esse, esse
19 depósito.
20 Ministério Público Federal: – E a Costa Global ela tinha atividade, prestava serviço, ou foi
21 criada só pra receber atrasados do…?
22 Interrogado: – Não, ele realmente estava prestando serviço de assessoria.
23 Ministério Público Federal: – Questão do Eduardo Leite. Então, além de ele ser, em tese,
24 praticar uma corrupção ativa, ele também lesava a própria empresa? Ele recebia comissões e
25 vendas pra própria empresa dele, é isso?
26 Interrogado: – É, na verdade ele tinha comissionamento, ele recebia por comissionamento da
27 venda de tubo que a gente fez pra Camargo Correia. Não que ele estava lesando a empresa,
28 até porque foi feito tomadas de preço e, com certeza, a Sanko foi a vencedora.
29 Ministério Público Federal: – Sem mais, Excelência.
30 Ministério Público Federal:- Só um, minutinho. Sobre os repasses efetuados à empresa
31 Labogen, tanto Labogen Indústria quanto Labogen Química, pela empresa MO. Essa
32 transferência da Sanko pra MO pra Labogen, era pra finalmente sacar dinheiro? O senhor
33 poderia explicar, explicitar isso pra gente?
34 Interrogado: – É que na verdade o Leonardo Meirelles, na atividade dele, eu fazia o repasse
35 pra ele da MO, ou da Rigidez, ou da RCI, em TED. Ele, provavelmente, com a atividade dele
36 fazia essa remessa pro exterior, vendia isso no mercado da Vinte e Cinco de Março, do Brás,
37 fazia reais e me entregava. A atividade dele era uma, a minha era totalmente outra. Eu, na
38 verdade, usava… prestava… usava os serviços dele. Entendeu? Eu não operava mais dólar, eu
39 não operava mais no mercado. Eu, a minha atividade passou a ser outra. Então eu usava o
40 serviço dele.
41 Ministério Público Federal: – Certo. E o senhor Leonardo ouvido, já inquirido em outra ação
42 penal, mencionou que o senhor investiu também dinheiro na Labogen. Isso está relacionado
43 com recurso que o senhor recebeu oriundos de contratos com a Petrobrás? O senhor poderia
44 explicar pra nós?
45 Interrogado: – Sim, com certeza, ta. É oriundo da minha atividade.
46 Ministério Público Federal: – Então, uma parte dos, dos recursos que passaram pela empresa
47 MO e foram pra Labogen, seria a sua parcela dos repasses das empreiteiras e que já ficaram
48 direto na Labogen, seria isso?
49 Interrogado: – Eu vou explicar um pouco esse assunto pra, pro doutor entender. Na verdade,
50 no decorrer do tempo que o Leonardo estava prestando serviço pra mim, ele ficou me
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
devendo uma parcela, alguns valores, em torno de 3 milhões e pouco, 4 milhões 1 e pouco. Não,
2 não tinha condições de pagar. Eu falei: “O quê que você tem pra gente resolver esse assunto?”
3 Ele falou assim: “Eu tenho a Labogen.” Eu falei: “Então vamos dar um jeito de colocar a
4 Labogen pra funcionar pra que a gente possa ter um retorno disso.” Então assim foi feito. Eu
5 arrumei mais dois investidores, que também investiram na Labogen, eu também investi mais
6 um milhão e pouco na Labogen, foi feito a indústria, e com isso a gente tava arrumando toda
7 documentação, parte operacional, pra que a Labogen fosse uma empresa, um laboratório
8 farmoquímica normal, prestando serviços pros laboratórios tantos privados, quanto pro
9 Ministério da Saúde.
10 Ministério Público Federal: – Esse aporte de capital do senhor e dos demais investidores foi
11 feito no Brasil?
12 Interrogado: – Foi feito tudo aqui no Brasil.
13 Ministério Público Federal: – Então, o senhor sabe dizer se a Labogen, de fato, exportou ou
14 importou mercadorias ao longo desse período de 2009 até 2014?
15 Interrogado: – Eu acredito que ele até importava alguma coisa. Não sei se de fato tudo, mas
16 alguma coisa eu acredito que ele deva ter importado.
17 Ministério Público Federal: – Ela estava em… esteve em atividade nesse período então?
18 Interrogado: – Eu acho que ela não teve atividade de produção, mas teve atividade de
19 importação.
20 Ministério Público Federal: – Mas, como o senhor mencionou, a maioria dos repasses pro
21 exterior era no intuito de viabilizar uma operação de dólar-cabo, seria isso?
22 Interrogado: – Isso era uma operação que ele, que ele fazia, era um negócio dele totalmente à
23 parte.
24 Juiz Federal: – Mais alguma pergunta?
25 Ministério Público Federal: – Não Excelência.
26 Juiz Federal: – Os defensores então têm perguntas? Pode levar lá doutor. Evento 26. Tem
27 uma busca e apreensão e teve também uma interceptação telemática. Uma das planilhas é uma
28 interceptação telemática, outras foram busca e apreensão.
29 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – Pela defesa dos réus Leonardo Meireles,
30 Leandro Meireles e Pedro Argese e Esdra de Arantes. O senhor disse que o senhor era cliente
31 do Leonardo Meireles, como o senhor conheceu o Leonardo Meireles?
32 Interrogado: – Através do Waldomiro, fui apresentado pelo Waldomiro.
33 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – Apresentado pelo Waldomiro. E o
34 Leonardo Meireles prestava esses serviços em que localidade?
35 Interrogado: – Olha, quando eu conheci o Leonardo eu não, nem sabia onde ele tinha
36 escritório, depois eu sei que ele teve escritório no Itaim e depois eu sei que ele frequentava
37 um escritório lá na… lá na zona norte, mas nunca estive no escritório dele.
38 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – O senhor esteve nesses escritórios, nessas
39 localidades?
40 Interrogado: – No Itaim, eu fui.
41 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – E ele teve alguma sala na GFD, ele
42 cumpriu carga horária lá na GFD, ele, ele estava integrado a GFD?
43 Interrogado: – Não, ele nunca teve lá na GFD, nunca foi integrado na GFD. Ele sempre
44 esteve na GFD tratando de assunto comigo, mas ele nunca ficou na GFD. Mas ele ia todos os
45 dias na GFD.
46 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – Ele ia todos os dias na GFD?
47 Interrogado: – Sim, praticamente sim.
48 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – O senhor era uma espécie de sócio oculto
49 da Labogen?
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Interrogado: – Olha, depois que a gente resolveu colocar a Labogen em 1 funcionamento, a
2 própria Labogen parou de fazer esses câmbios que o Leonardo fazia, a pedido meu e dos
3 outros investidores. E depois eu passei a ser um sócio oculto, sim, da Labogen.
4 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – E antes disso, como que era, qual era a
5 sua relação com a Labogen, não existia uma relação bem antes dessa, desse…?
6 Interrogado: – A minha relação com a Labogen era simplesmente fazer TED pra ele e
7 receber reais dele ou, eventualmente, mandar algum dólar na conta dele e receber dinheiro
8 aqui.
9 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – E tinha uma relação, o senhor sabe assim
10 dizer, economicamente, como era a vida do Leonardo Meireles?
11 Interrogado: – Olha, ele era sempre enrolado. Tanto é que ficou me devendo, por isso…
12 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – O senhor confiava nele pra fazer os
13 depósitos de maneira tranqüila? Tem uma ideia de qual foi o valor total de dinheiro mandado
14 pra fora do país através das empresas que estavam em nome de Leonardo Meireles e
15 terceiros?
16 Interrogado: – Olha, eu não tenho nem ideia, porque eu não tenho esse controle. Eu mandava
17 TED pra ele, ele me mandava os reais, agora eu não tinha…
18 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – Como é que funcionava isso? O senhor, o
19 senhor mandava o TED e ele imediatamente mandava… lhe colocava…
20 Interrogado: – Não.
21 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – O dinheiro em reais, aqui?
22 Interrogado: – Às vezes mandava parte no dia, às vezes mandava no outro dia, quarenta e
23 oito horas depois, setenta e duas horas depois.
24 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – Quem mandava antes o senhor ou ele?
25 Interrogado: – Eu sempre mandei antes.
26 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – Sempre mandou antes. O senhor sabe
27 quais das empresas que estavam sob o controle de Leonardo Meireles?
28 Interrogado: – Olha, eu não me lembro, mas… assim de cabeça, Labogen, Química Fina,
29 Piroquímica, HMAR, KFC, Hidro Semeadura… assim, o que me vem a cabeça nesse
30 momento é essas.
31 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – O Leonardo Meireles então não era um
32 serviçal seu, um funcionário seu?
33 Interrogado: – Não, nunca foi.
34 Defesa de Leonardo, Leandro, Pedro e Esdras: – Eu estou satisfeito, Excelência.
35 Juiz Federal: – Certo, os outros defensores?
36 Defesa de Marcio e Murilo:- Alberto Youssef, boa tarde.
37 Interrogado:- Boa tarde. Obrigado, Excelência.
38 Juiz Federal: – Certo, mas vamos com as perguntas pra nós não atrasarmos tanto.
39 Defesa de Marcio e Murilo: – Essa planilha que foi mencionada pelo juiz aqui da causa,
40 Alberto Youssef, que você respondeu, essa planilha foi elaborada por quem?
41 Interrogado: – Essa planilha foi elabora pela Sanko.
42 Defesa de Marcio e Murilo: – Essa planilha veio da Sanko?
43 Interrogado: – Veio da Sanko.
44 Defesa de Marcio e Murilo:- Onde ela foi encontrada aonde?
45 Interrogado: – Ela foi encontrada no e-mail da Fabiane, mandando pro e-mail que eu pedi, e
46 foi encontrada também imprimida na busca e apreensão no meu escritório, na GFD.
47 Defesa de Marcio e Murilo: – Essa menção a respeito aqui do… todos os valores depositados
48 na MO ou na GFD eram para pagar essas comissões de venda de produtos e serviços, pra
49 você, né?
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Interrogado: – Na verdade tá bem especificado aí nessa tabela, o que é 1 comissão e o que é
2 repasse.
3 Juiz Federal: – Ele já respondeu né, doutor, foi isso que ele…
4 Defesa de Marcio e Murilo: – Ele mencionou uma situação envolvendo um valor maior na
5 Camargo. Isso eu não entendi.
6 Juiz Federal: – Não, ele mencionou que nos valores pagos pelo Camargo Correia à Sanko
7 Sider era embutido um valor, parte que era repasse naquele esquema da Petrobrás. Foi isso
8 que ele mencionou.
9 Defesa de Marcio e Murilo: – Era repasse (incompreensível) ou era o valor pra
10 comissionamento dessas pessoas que você mencionou?
11 Interrogado: – Não, vou explicar novamente, doutor, pra que o senhor entenda. Nesses
12 valores que a Sanko Sider repassou tanto pra MO quanto pra GFD, parte era comissionamento
13 da venda de tubos e realmente que ele me devia, de comissionamento da venda de tubos. Parte
14 era valores que a Camargo Correia passou a maior pra que ele pudesse me repassar, correto?
15 Pra que eu pudesse pagar os agentes públicos, Paulo Roberto da Costa e assim por diante.
16 Defesa de Marcio e Murilo: – Quem é assim por diante?
17 Juiz Federal: – Doutor, daí entramos naquela questão.
18 Defesa de Marcio e Murilo: – Não, Excelência, então a gente vai ter que ver como é que vai
19 ficar essa situação porque nós estamos aqui cindindo a prova, escolhendo que tipo de prova
20 beneficia um ou beneficia outro.
21 Juiz Federal: – Seu cliente é agente político, doutor, agente público?
22 Defesa de Marcio e Murilo: – Mas estão dizendo que o meu cliente sabia que esse valor era
23 destinado a agente político.
24 Juiz Federal: – Sim, mas então…
25 Defesa de Marcio e Murilo: – Temos que saber que agente político é este.
26 Juiz Federal: Certo. Nós já definimos essa questão, doutor, e quem decide aqui sou eu esse
27 caso, certo? O doutor pode reclamar, constar em ata, mas é essa situação.
28 Defesa de Marcio e Murilo: – Mas assim Vossa Excelência impede que…
29 Juiz Federal: – Doutor, esta questão está definida já, nós não vamos voltar a essa questão, eu
30 sou o juiz desse processo e eu decido essa questão. Essa questão vai vir à tona no momento
31 oportuno pelo Supremo Tribunal Federal.
32 Interrogado: – Vossa Excelência…
33 Juiz Federal: – Vamos adiante.
34 Interrogado: – Vossa Excelência, eu posso esclarecer?
35 Juiz Federal: – Não, a questão de quem, pra quem ia esses valores?
36 Interrogado: – Não, ele está perguntando, no meu entendimento, ele está perguntando se
37 Márcio Bonilho sabia quem eram esses agentes públicos?
38 Juiz Federal: – Ele sabia?
39 Interrogado: – Olha, Márcio Bonilho frequentava meu escritório e sabia que meu escritório
40 frequentava várias pessoas, agentes públicos. Acredito que ele sabia.
41 Defesa de Marcio e Murilo: – Boa tarde, senhor Youssef.
42 Interrogado: – Boa tarde.
43 Juiz Federal: – No microfone, doutor, por gentileza.
44 Defesa de Marcio e Murilo: – Continuando, pela defesa de Marcio Bonilho e Murilo. Esse
45 comissionamento que o senhor se refere por serviços que o senhor prestou à empresa Sanko
46 eles foram objeto de pagamento ao senhor, pela Sanko, de que forma?
47 Interrogado: – Olha, a Sanko, quando tinha algum pagamento para me fazer de
48 comissionamento, ela não podia fazer esse pagamento na contabilidade dela, de modo que ela
49 não exercia um caixa dois. Então ela precisava que fossem emitidas notas. E assim foi feito,
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
parte das notas foi emitida ou pela MO, ou pela Empreiteira Rigidez, ou 1 pela GFD, e assim
2 foi-me feito os pagamentos.
3 Defesa de Marcio e Murilo: – Esse pagamento foi feito pela rede bancária?
4 Interrogado: – Exatamente.
5 Defesa de Marcio e Murilo: – Sempre?
6 Interrogado: – Sempre.
7 Defesa de Marcio e Murilo: – Além dessa aproximação do trabalho realizado pelo senhor,
8 que deu causa à comissão recebida, aproximação com a Camargo Correia? O senhor fez, para
9 a Sanko, aproximação com outras empresas que geraram contratos?
10 Interrogado: – Sim, fiz. Fiz com várias empresas, fiz com a Jaraguá, fiz com a UTC, fiz com
11 Consórcio CONEST, que era OAS-Odebrecht, fiz com a Tomé Engenharia, fiz com a Queiroz
12 Galvão, fiz com a Galvão Engenharia. Na verdade eu apresentei a empresa Sanko pra várias
13 empreiteiras, não foi só pra Camargo Correia.
14 Defesa de Marcio e Murilo: – O senhor recebeu a comissão por esses contratos também?
15 Interrogado: – Recebi também, está embutido ali.
16 Defesa de Marcio e Murilo: – E essa aproximação que o senhor fez da Sanko com outras
17 empresas, contratos não chegaram a ser celebrados, embora o senhor tenha feito o seu
18 trabalho?
19 Interrogado: – Teve contratos que foram celebrados e teve contratos que ele não ganhou. Isso
20 aconteceu.
21 Defesa de Marcio e Murilo: – O senhor recebeu alguma coisa em razão dessa aproximação,
22 desse trabalho com as empresas que os contratos não chegaram a ser fechados?
23 Interrogado: – Não senhor, Vossa Excelência. Não senhor, doutor. Na verdade, eu só recebia
24 quando realmente a Sanko efetivava a venda.
25 Defesa de Marcio e Murilo: – Há uma questão que precisaria ser esclarecida. Quando o
26 senhor se refere que parte do dinheiro recebido da Sanko era a título de comissões pelo
27 serviço prestado e uma parte seria para repasse, segundo suas palavras, à agentes públicos ou
28 outras pessoas, a pergunta que eu lhe faço é a seguinte: esse suposto repasse teria sido feito a
29 essas empresas por sua indicação? A essas empresas que eu digo é MO e GFD, por sua
30 indicação?
31 Interrogado: – Sim. Eu é que faria… eu é que fazia as indicações pra onde ele mandava esses
32 valores.
33 Defesa de Marcio e Murilo: – E posteriormente a esses depósitos, esse recurso destinado a
34 repasses ficava com o senhor?
35 Interrogado: – Não. Esse recurso, quando eu viabilizava ele em espécie, eu repassava esses
36 valores para Paulo Roberto Costa, por intermédio do Genu ou do seu genro, e o que era parte
37 dos agentes públicos, eu repassava aos agentes públicos.
38 Defesa de Marcio e Murilo: – Perfeitamente. Excelência, data vênia, embora já tenha
39 conhecimento da decisão de Vossa Excelência, mais uma vez a defesa de Marcio e do Murilo
40 vem a presença de Vossa Excelência para requerer a possibilidade do depoente revelar os
41 nomes dos agentes públicos, para os quais foram destinados esses repasses. E esse pedido se
42 justifica por dois motivos, o primeiro deles porque quando do nosso pleito para ter acesso ao
43 conteúdo a suposta delação premiada de Paulo Roberto Costa e o conteúdo da suposta delação
44 premiada do próprio depoente, Vossa Excelência indeferiu nosso pedido fundamentando que
45 na oportunidade do interrogatório a defesa teria condições…
46 Juiz Federal: – Sim.
47 Defesa de Marcio e Murilo: – De ter acesso a todo conteúdo desses depoimentos, uma vez
48 que, presente depoente, poderia ele esclarecer todos esses pontos. Considerando isto,
49 Excelência, venho mais uma vez requerer a Vossa Excelência que o depoente se manifeste
50 sobre esse …
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Juiz Federal: – Certo, aí 1 a questão doutor…
2 Defesa de Marcio e Murilo: – Me permita concluir.
3 Juiz Federal: – Sim, sim.
4 Defesa de Marcio e Murilo: – Se Vossa Excelência assim deferir, para que nós possamos
5 estabelecer o pleno contraditório uma vez que, no caso de meus clientes, houve uma citação
6 pelo depoente, de que ele tinha conhecimento a quem se destinava, agentes públicos, esses
7 repasses. Então é esse pleito que eu trago à Vossa Excelência para apreciação.
8 Juiz Federal: – Certo. Doutor, aí a questão já foi resolvida. Na verdade assim, a perspectiva
9 do juízo, o crime aqui, lavagem etc., se o dinheiro foi entregue a Deputado Federal X, ou se
10 foi entregue ao Deputado Federal Y, isso não vem a questão pra imputação em relação ao seu
11 cliente. Seu cliente não é nenhum desses acusados… ou melhor, não é nenhum desses agentes
12 públicos que teria recebido. Então, a questão não tem essa relevância toda como está sendo
13 colocada. Por outro lado, embora fosse o desejo do juízo que essas questões pudessem ser
14 tratadas com toda abertura possível, o fato é que essas questões relativas aos agentes públicos
15 está submetido ao Supremo Tribunal Federal. Então, é ao Supremo Tribunal Federal que
16 cumpre resolver essa questão e não aqui nós. Nós já resolvemos essa questão, não cabe voltar
17 novamente. Agora, não vejo qual que é o prejuízo, com facilidade, o contraditório pra
18 situação dos clientes dos senhores. Não, mas assim, não vou debater essa questão, nós vamos
19 prosseguir o interrogatório. Essa questão já está definida, certo? Houve até Habeas Corpus
20 pedindo suspensão desse interrogatório, que foi indeferido, não foi concedido liminar, então
21 nós vamos seguir adiante. Certo?
22 Defesa de Marcio e Murilo: – Minha intenção era só considerar pra futuramente
23 enfrentarmos isso no tocante à competência.
24 Juiz Federal: – Perfeito.
25 Defesa de Marcio e Murilo: – Nada mais, Excelência.
26 Juiz Federal: – Perfeito. E só lembrando que o Supremo Tribunal Federal decidiu, a 2ª Turma
27 do Supremo Tribunal Federal decidiu que essa Ação Penal deveria correr na Primeira
28 Instância. Então é uma questão já pacificada. Já decidida pela Turma, inclusive. Certo?
29 Defesa de Marcio e Murilo: – Eu teria um argumento a trazer, mas não é o caso.
30 Juiz Federal: – Certo. Então vamos adiante. Mais alguma pergunta no interrogatório?
31 Defesa de Waldomiro: – Boa tarde, senhor Alberto Youssef, tudo bem?
32 Interrogado: – Tudo bem, boa tarde.
33 Defesa de Waldomiro: – Me explica uma coisa que não ficou muito clara, qual que é a
34 diferença entre repasse e comissionamento?
35 Juiz Federal: – Doutora, desculpe, mas nós vamos repetir a cada inquirição essas indagações?
36 Defesa de Waldomiro: – Eu reformulo a pergunta. Repasse era fruto de pagamento de
37 propina a agentes públicos e Paulo Roberto Costa?
38 Interrogado: – Agentes políticos e Paulo Roberto Costa.
39 Defesa de Waldomiro: – As empresas MO, RCI e Rigidez eram utilizados pelo senhor pra
40 fazer unicamente repasses?
41 Interrogado: – Sim, senhora.
42 Defesa de Waldomiro: – O senhor disse que se as empresas não aceitassem repassar os
43 valores, elas não fariam as obras. O senhor disse também que os repasses eram entregues,
44 como o senhor falou, mencionado, aos agentes públicos e aos…. aos agentes políticos e ao
45 Paulo Roberto Costa. A minha pergunta é a seguinte: é possível afirmar que as
46 movimentações financeiras que o senhor fazia era pra viabilizar os repasses previamente
47 ajustados?
48 Interrogado: – É, com certeza. Na verdade, eu só, eu só tinha esses valores porque existia a
49 operação com as empresas, a Petrobrás e os agentes políticos.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Defesa de Waldomiro: – Então é possível afirmar que os agentes políticos 1 aguardavam essas
2 movimentações todas para poder receber a propina que lhes era devida?
3 Interrogado: – Com certeza.
4 Defesa de Waldomiro: – Está certo. O senhor pode explicar, quando o senhor fala sobre 5%
5 de comissão, mais 20% de despesas, e 14,5%, como que funcionava essas porcentagens
6 dentro das empresas que o senhor movimentava?
7 Interrogado: – Não, na verdade eu vou falar a respeito das empresas MO, Rigidez e a RCI.
8 Defesa de Waldomiro: – Está certo.
9 Interrogado: – Na verdade o senhor Waldomiro me vendia as notas pelo valor de 14,5%.
10 Defesa de Waldomiro: – E a despesas eram incluídas?
11 Interrogado: – As despesas de impostos eram deduzidas desses valores. Por exemplo, quando
12 ele emitia uma nota contra a empresa que estava fazendo o pagamento, a empresa lá
13 descontava o seu 6.15 de PIS, COFINS e a diferença mandava. E depois, se o Waldomiro
14 pagava o restante dos outros impostos? Isso eu não posso afirmar. Aí já é um problema com o
15 seu Waldomiro.
16 Defesa de Waldomiro: – Está certo. Estou satisfeita.
17 Juiz Federal: – Outros têm perguntas? A defesa do próprio acusado tem alguma indagação?
18 Desculpe, a defesa do Paulo Costa tem alguma indagação? A defesa do Alberto Youssef tem
19 alguma indagação?
20 Defesa de Alberto Youssef: – Eu tenho. Dentro da colaboração que você se comprometeu a
21 fazer, eu tenho algumas indagações a respeito especificamente desse processo aqui. A
22 acusação, primeiro, versa sobre uma suposta organização criminosa que se instalou dentro da
23 Petrobrás para superfaturamento da obra de Abreu e Lima. Então, dentro disso… e que você
24 era o líder. A pergunta é: você tinha poder pra determinar essa questão, o chamamento de
25 empresas da Petrobrás, ou influenciar diretamente dentro da Petrobrás, ao ponto de favorecer
26 alguma outra empresa?
27 Interrogado: – Não.
28 Defesa de Alberto Youssef: – Com quem você falava?
29 Interrogado: – Não. Eu só falava com Paulo Roberto Costa. Num primeiro momento eu
30 falava com José Janene, depois eu falava com Paulo Roberto Costa, mas eu era uma peça
31 dessa engrenagem. Na verdade tinha muito mais acima, inclusive do Paulo Roberto, que
32 comandava esse, esse assunto.
33 Defesa de Alberto Youssef: – Inclusive agentes políticos também? Não precisa falar o nome.
34 Interrogado: – Na verdade, na verdade, todos agentes políticos. Todos no sentido de que
35 estavam nessa organização.
36 Defesa de Alberto Youssef: – Ou seja… não vou pedir para citar o nome, mas vou colocar
37 agente político. Posso perguntar assim?
38 Juiz Federal: – O que é? Como assim?
39 Defesa de Alberto Youssef: – Agentes políticos. Genérico.
40 Juiz Federal: – Sim, agentes políticos.
41 Defesa de Alberto Youssef: – É possível então, dentro dessa engrenagem, que quem
42 comandava toda essa sistemática dentro da Petrobrás, não era nem o senhor Paulo, nem você,
43 mas sim havia agentes políticos que sabiam de tudo isso e que, de uma forma ativa ou
44 omissiva, compactuava com esse sistema?
45 Interrogado: – Com certeza e recebia por isso.
46 Defesa de Alberto Youssef: – Você falou que haviam outros operadores que operavam outra
47 parte dessa, desse sistema dentro da Petrobrás, ou seja, você não era, como se está dizendo na
48 mídia ou se dizendo no Brasil inteiro, o centro dessas operações. Esses operadores eles eram
49 ligados a partidos políticos? Você sabe quem eram esses operadores e a quais partidos eram
50 ligados?
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Interrogado: – O João Vaccari era ligado ao Partido dos Trabalhadores. 1 O Fernando Soares
2 era ligado ao PMDB, e é ligado ao PMDB.
3 Defesa de Alberto Youssef: – Nessa mesma linha, você teve reuniões com o senhor João
4 Vaccari? Pessoais.
5 Interrogado: – Se eu não me engano, eu tive uma ou duas.
6 Defesa de Alberto Youssef: – Pra tratar de que assunto?
7 Interrogado: – Pra tratar desse assunto.
8 Defesa de Alberto Youssef: – Petrobrás?
9 Interrogado: – Petrobrás.
10 Defesa de Alberto Youssef: – Vocês conversaram então sobre esse assunto e ele tinha ciência
11 do que estava acontecendo?
12 Interrogado: – Com certeza.
13 Defesa de Alberto Youssef: – Ele operava pra qual partido?
14 Interrogado: – Trabalhadores.
15 Defesa de Alberto Youssef: – O senhor… na questão de remessa de valores, o senhor disse
16 que não fez remessa de valores pra fora, que o senhor tava afastado do mercado de câmbio.
17 Então a sua função, na verdade, não era ocultar o dinheiro, nem dissimular. O senhor pegava
18 o dinheiro e entregava simplesmente aos agentes públicos, agentes políticos ou ao Paulo
19 Roberto?
20 Interrogado: – Exatamente.
21 Defesa de Alberto Youssef: – O senhor abriu alguma conta pra eles pra esconder esse
22 dinheiro?
23 Interrogado: – Não, senhor.
24 Defesa de Alberto Youssef: – Alguma vez o senhor abriu uma empresa, em sociedade com
25 eles, pra que eles ficassem de sócios ocultos?
26 Interrogado: – Não, senhor.
27 Defesa de Alberto Youssef: – Eu queria que o senhor me explicasse a questão da GFD. O
28 senhor fez investimentos em operações lícitas?
29 Interrogado: – Sim, senhor.
30 Defesa de Alberto Youssef: – Alugueis, compra de móveis e tal. A origem desse dinheiro era
31 só desses, desses denominados repasses ou comissões da Petrobrás?
32 Interrogado: – Não, na verdade, quando eu vim do mercado de câmbio, aonde eu interrompi
33 essa profissão, eu fiquei com dinheiro e foi desse dinheiro que eu fiz investimento na GFD.
34 Defesa de Alberto Youssef: – A GFD era uma empresa que tinha representação, porque o
35 senhor usou interpostas pessoas pra figurar na GFD? Já que o senhor tinha intenção de
36 investir, no caso, especificamente, do senhor Costa, do senhor…
37 Interrogado: – Carlos Alberto Costa.
38 Defesa de Alberto Youssef:- Carlos Alberto Pereira da Costa. Qual a função dele, porque o
39 senhor usou esse sistema?
40 Interrogado: – Eu usei esse sistema porque eu tinha uma demanda com a Receita Federal e
41 não podia figurar isso enquanto essa demanda não fosse… não fosse decidida. Na época do
42 acordo que foi feito com o Banestado, a gente não teve a leniência da Receita Federal e essa
43 discussão prosseguiu, por isso eu não puder fazer esses investimentos no meu próprio CPF.
44 Defesa de Alberto Youssef: – O senhor disse no inicio, quando inquirido pelo doutor Sergio,
45 se não me falhe a memória, posso ser corrigido, que o senhor participou de algumas reuniões
46 com empreiteiras, nas empresas. Eu gostaria que o senhor descrevesse, se o senhor pode
47 descrever, como eram feitas essas reuniões e qual era o objetivo disso e quem eram essas
48 pessoas e as empresas que estavam?
49 Interrogado: – Na verdade, essas reuniões eram feitas às vezes com empresas
50 individualmente ou às vezes com as empresas junto com o diretor Paulo Roberto e o próprio
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
agente político que estava comando a situação, pra se discutir exatamente questão 1 de valores,
2 questão de quem ia participar do certame, esse tipo de situação. E outros problemas que
3 também que se encontravam nas obras que pediam pra ser solucionados, esse tipo de assunto.
4 Isso era feito uma ata, nessa reunião participava o agente político, o Genu, eu, o Paulo
5 Roberto.
6 Juiz Federal: – Mas desculpe era feito uma ata formal disso?
7 Interrogado: – Era feito uma ata escrita.
8 Juiz Federal: – Mas constavam esses detalhamentos?
9 Interrogado: – Constava os detalhamentos, Vossa Excelência.
10 Defesa de Alberto Youssef: – Inclusive algumas dessas atas se comprometeu a entregar?
11 (incompreensível), se tiver o acesso.
12 Interrogado: – É, está na mão de interposta pessoas, de terceiro, que ficou de me entregar pra
13 poder eu entregar ao processo.
14 Defesa de Alberto Youssef: – O senhor disse que ficava muito claro nessas reuniões que as
15 empreiteiras tinham que se submeter ao sistema, sob pena de não participarem?
16 Interrogado: – É, na verdade, as empresas, principalmente as grandes, ficavam refém desse
17 esquema porque: ou participa ou não tem obra.
18 Defesa de Alberto Youssef: – O senhor participou, viu essas reuniões, o senhor lembra de
19 alguma delas, sabe quem estava? Especificamente, no caso.
20 Juiz Federal: – Ah, só um minutinho. Vamos interromper aqui por causa do tamanho do
21 arquivo.
22 Interrupção na gravação
23 Juiz Federal:- Então nesse processo 5026212, prosseguimento do depoimento do senhor
24 Alberto Youssef. Palavra da defesa.
25 Defesa de Alberto Youssef:- Embora seja a sua palavra, que está sendo corroborado por
26 outro colaborador e, enfim, por outros (incompreensível) de prova, gostaria que o senhor
27 pudesse trazer algum fato concreto. Sei que datas são difíceis e tal, então… mas uma reunião
28 dessas que pudesse até ajudar o Juízo, melhorar a sua colaboração e até os outros colegas aqui
29 para um eventual esclarecimento de quem participava disso. Eu vou até só esclarecer uma
30 coisa, os outros acusados que estão nesse processo, a exceção do Paulo, tinham participação
31 nessas reuniões?
32 Interrogado: -Não, senhor.
33 Defesa de Alberto Youssef:- Não sabiam de nada disso?
34 Interrogado: -Não, senhor.
35 Defesa de Alberto Youssef:- Então eu gostaria que o senhor esclarecesse agora aí essa… se o
36 senhor tiver um fato, concreto, que o senhor possa nos fazer.
37 Interrogado: -Não, eu… nós participávamos de reuniões, no caso, ou em hotéis no Rio ou
38 hotéis em São Paulo ou na própria casa… vamos falar, do agente político que primeiramente
39 comandava esse, esse assunto através da área de Abastecimento. E nessas reuniões eram feitas
40 atas de discussão de cada ponto que estava sendo discutido ali naquele dia, entendeu?
41 Defesa de Alberto Youssef:- Ou seja, todo mundo sabia ali sabia do que estava acontecendo?
42 Interrogado: -Todo mundo sabia o que estava acontecendo.
43 Defesa de Alberto Youssef:- Há um fato que eu gostaria que o senhor esclarecesse. Alguns
44 meses antes do senhor Paulo Roberto Costa assumir a Diretoria de Abastecimento, foi
45 indicado um outro diretor, que antecedeu ele e foi retirado, de uma forma um tanto… pouco
46 ortodoxa, do cargo por não concordar em participar de esquema. O senhor sabe disso?
47 Interrogado: -Eu, o que eu me lembre…. eu não tenho conhecimento deste assunto
48 especifico. Mas eu tenho conhecimento que, pra que Paulo Roberto Costa fosse, assumisse a
49 cadeira de diretor da Diretoria de Abastecimento, esses agentes políticos trancaram a pauta no
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Congresso durante 90 dias. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva 1 ficou louco, teve
2 que ceder e realmente empossar o Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento.
3 Defesa de Alberto Youssef:- Eu estou satisfeito, o doutor Bretas vai ter algumas questões
4 aqui. Eu só…só gostaria de me contextualizar aqui o seguinte, o senhor falou que havia uma
5 situação, contexto de fatos, envolvendo a Diretoria de Abastecimento, na qual Paulo Roberto
6 Costa que ficava a frente da diretoria.
7 Interrogado: -Sim.
8 Defesa de Alberto Youssef:- Existiam também outras diretorias, dentro da Petrobrás, que
9 também operavam com modus operandi semelhante?
10 Interrogado: -Eu acredito que todas.
11 Defesa de Alberto Youssef:- O senhor poderia mencionar alguns nomes de diretores, até para
12 melhorar a sua colaboração, e outras diretorias?
13 Interrogado: -A área Internacional, que eu me lembro, primeiro o Nestor Correia … Nestor
14 Correia, que eu disse.
15 Juiz Federal:- Só para esclarecer aqui, é que o senhor disse: “Eu acredito.” A questão é: o
16 senhor sabe se isso havia a reprodução desse mesmo esquema nas outras diretorias ou é
17 crença do senhor apenas?
18 Interrogado: -Vossa Excelência, eu não operei em outra diretoria.
19 Juiz Federal:- Certo.
20 Interrogado: -Mas eu sei que existiam os mesmos moldes em outras diretorias.
21 Juiz Federal:- Mas sabe por quê? Em decorrência do quê?
22 Interrogado: -Eu sei por conta de… os próprios empreiteiros, os próprios operadores, no
23 caso, o Fernando Soares e…
24 Juiz Federal:- Eles lhe afirmaram que …?
25 Interrogado: -Sim.
26 Juiz Federal:- Ou os empreiteiros lhe informaram que havia essa…
27 Interrogado: -Sim. Todas as áreas. Tanto na área Internacional, quanto na área de Serviço.
28 Defesa de Alberto Youssef:- Esses outros operadores, João Vaccari e Fernando Soares que o
29 senhor se referiu, também operavam perante a diretoria de Abastecimento ou…?
30 Interrogado: -Operava também.
31 Defesa de Alberto Youssef:- Também?
32 Interrogado: -Operava também.
33 Defesa de Alberto Youssef:- Foi mencionado, tanto da parte do senhor quanto da parte do
34 Paulo Roberto Costa aqui, todo um fracionamento de percentuais, 1% pra partido político, do
35 qual 60% ia pro partido em si, 20% da despesa e depois… isso era feito um controle? De que
36 modo era feito uma prestação de contas, fiscalização, disso?
37 Interrogado: -Esse controle era feito.
38 Defesa de Alberto Youssef:- Por parte do agente político, por exemplo?
39 Interrogado: -Não, o agente político se reunia, praticamente, quase todos os dias comigo.
40 Depois, semanalmente. Paulo Roberto, a cada 15 dias ou semanalmente. E eram…
41 Defesa de Alberto Youssef:- Essas reuniões eram feitas na GFD?
42 Interrogado: -Não na GFD porque, na época, eu não tinha um escritório na GFD. Tinha um
43 escritório na… eu não ficava na GFD, eu ficava num escritório na São Gabriel. Então não era
44 na GFD e também não era em escritório. Às vezes em hotéis, às vezes na casa do próprio
45 agente político.
46 Defesa de Alberto Youssef:- Está certo. Estou satisfeito, Excelência.
47 Interrogado: -Mas, pra deixar claro, as outras diretorias, o senhor me perguntou o nome, a de
48 Serviços era o Renato Duque, na área Internacional passou acho que dois diretores lá, se eu
49 não me engano, um foi o Zelada, o outro foi, eu acho, que o Nestor, o Nestor Correa.
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
Juiz Federal:- Esclarecimentos do Juízo. O senhor mencionou que recebia 1 essa comissão da
2 venda de tubos também da Sanko Sider.
3 Interrogado: -Sim.
4 Juiz Federal:- O percentual que o senhor recebia? Tinha um percentual definido ou sobre a
5 venda do produto ou era um pacote fechado? Como é que era?
6 Interrogado: -Da Camargo Correa foi 10%.
7 Juiz Federal:- 10% de cada venda de tubo?
8 Interrogado: -De cada venda do valor…
9 Juiz Federal:- De cada venda?
10 Interrogado: -Né? E de outras empresas, menos.
11 Juiz Federal:- E o senhor mencionou que o senhor pagava também um percentual de
12 comissionamento inclusive lá os próprios diretores da Camargo Correa. Isso estava dentro do
13 seu percentual?
14 Interrogado: -Tava dentro do meu percentual.
15 Juiz Federal:- Alguma dessas reuniões que o senhor participou com as empreiteiras alguma
16 delas se recusou a pagar o… esse percentual?
17 Interrogado: – Sim. Algumas sim. Algumas se recusou a pagar 1%, disse que só podia pagar
18 meio. Outras, disse que não podia pagar nada. Então teve empresas que honraram e teve
19 empresas que não honraram.
20 Juiz Federal:- Certo. Mas essas empresas que se recusaram totalmente a efetuar o
21 pagamento, se recusaram por quê? Por qual motivo? Não concordaram com o… vamos dizer,
22 com esse esquema ou disseram que não tinham dinheiro. O quê que era?
23 Interrogado: -Ah, não concordaram com o valor porque disse que a obra tinha sido pega…
24 tinha sido mal orçada e tinha sido pega no limite e que não tinham espaço pra pagar
25 comissionamento nenhum.
26 Juiz Federal:- Esse 1% que o senhor mencionou que isso ficava a seu cargo de distribuição, o
27 senhor pode me dizer de novo qual que era a divisão do, dos ganhos dentro desse 1%?
28 Interrogado: – 30% era pro doutor Paulo Roberto. 60% era pros agentes públicos. 5% era pra
29 mim, 5% era pro João Genu. João Cláudio Genu.
30 Juiz Federal:- Na época que o senhor José Janene participava, era esse mesmo percentual?
31 Interrogado: -Sim, era esse mesmo percentual. Só que aí o seu José Janene é que distribuía
32 pro partido, né. E provavelmente ele que fazia a divisão entre ele e o partido.
33 Juiz Federal:- A parte dele estaria dentro desses 60%, então?
34 Interrogado: -Sim, senhor.
35 Juiz Federal:- Ou teria uma parte separada?
36 Interrogado: -Não, não. Estaria dentro desse valor.
37 Juiz Federal:- E esses percentuais sempre foram assim ou havia flexibilidade nisso?
38 Interrogado: – Que eu me lembre, sempre foi assim. Não tinha muita flexibilidade sobre esse
39 assunto, não.
40 Juiz Federal:- Não variava de contrato para contrato?
41 Interrogado: -Não, porque na verdade às vezes tinha contrato que só se recebia 0,5%, às
42 vezes tinha contrato que recebia 0,75. Mas essa divisão ela sempre correu no cronograma
43 desses valores.
44 Juiz Federal:- Tem alguma coisa que o senhor gostaria de dizer ainda no seu depoimento?
45 Interrogado: – Bom, é aquilo que eu volto a dizer a Vossa Excelência, eu não fui o criador
46 desse, dessa organização. Eu simplesmente fui uma engrenagem pra que se pudesse haver o
47 recebimento e os pagamentos aos agentes públicos.
48 Ministério Público Federal:- Doutor, e naquela composição, os 20% entraria onde? Que ele
49 trouxe aqui.
50 Juiz Federal:- Que 20%?
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Defesa:- De 30, 5, 5 e 60. Tinha os custos da 1 emissão da nota.
2 Juiz Federal:- Tinha 20% de custos?
3 Interrogado: -Não, mas esse eu digo do líquido, né.
4 Ministério Público Federal:- Do líquido. Perfeito.
5 Juiz Federal:- Do líquido, tá.
6 Interrogado: -Esse eu digo do líquido, doutor.
7 Juiz Federal:- Esse é o líquido? Está certo. Bem, então é isso. Então eu declaro encerrado o
8 depoimento do senhor Alberto Youssef. Pode interromper.
9
10
11 ESDRA DE ARANTES FERREIRA
12
13 Juiz Federal:- Então nessa ação penal 5026212, depoimento do senhor Pedro…
14 Interrogado: – Esdra.
15 Juiz Federal:- Ah… o Esdra né. Esdra de Arantes Ferreira, é isso senhor Esdra?
16 Interrogado: – Isso, Excelência.
17 Juiz Federal:- Senhor Esdra, o senhor está sendo acusado de um crime, nessa condição, pela
18 nossa lei, o senhor tem direito de permanecer em silêncio. Se o senhor fizer uso desse direito
19 isso não lhe traz nenhum prejuízo. Mas também é a oportunidade que o senhor tem de falar no
20 processo. O senhor prefere falar ou o senhor prefere ficar em silêncio?
21 Interrogado: – Excelência, com todo respeito, eu vou usar o direito de permanecer calado.
22 Juiz Federal:- Não pretende responder nenhuma pergunta?
23 Interrogado: – Não senhor, Excelência.
24 Juiz Federal:- A orientação da defesa é essa mesma, doutor?
25 Defesa:- A orientação é essa, Excelência.
26 Juiz Federal:- Certo. Pode alcançar o microfone, por gentileza?
27 Defesa:- A orientação da defesa é para que ele permaneça em silêncio.
28 Juiz Federal:- Então reputo prejudicada as perguntas que seriam feitas ao senhor Esdra e
29 declaro encerrado esse depoimento.
30
31
32 LEANDRO MEIRELLES
33
34 Juiz Federal- Então nesta ação penal 5026212-82, depoimento do senhor Leandro Meirelles.
35 Isso?
36 Interrogado: – Isso.
37 Juiz Federal:- Senhor Leandro, o senhor está sendo acusado de um crime pelo Ministério
38 Público Federal. Nessa condição o senhor tem direito de permanecer em silêncio, segundo a
39 nossa lei, mas também é a oportunidade que o senhor tem de falar no processo e tudo que o
40 senhor falar vai ser considerado para o seu julgamento.
41 Interrogado: – Ok.
42 Juiz Federal:- O senhor prefere falar ou o senhor prefere ficar em silêncio?
43 Interrogado: – Prefiro ficar em silêncio.
44 Juiz Federal:- Orientação da defesa técnica é essa, doutor?
45 Defesa:- Sim, Excelência. Prefiro que fique em silêncio.
46 Juiz Federal:- Não pretende responder nenhuma pergunta?
47 Interrogado: – Não.
48 Juiz Federal:- Então com isso eu declaro encerrado o depoimento do senhor Leandro
49 Meirelles e ficam prejudicadas as indagações que seriam feitas.
50
154.14 – 05 interrogados –5026212-82.2014.404.7000_ 08.10.14_14h00
1
2 PEDRO ARGESE JUNIOR
3
4 Juiz Federal:- Então nesta ação penal 5026212, depoimento do senhor Pedro Argese Junior.
5 É isso senhor Pedro?
6 Interrogado: – Perfeitamente.
7 Juiz Federal:- Senhor Pedro, o senhor está sendo acusado de um crime pelo Ministério
8 Público Federal. Nessa condição, o senhor tem direito de permanecer em silêncio, pela nossa
9 lei, se o senhor fizer uso desse direito isso não lhe traz prejuízo, mas também é a oportunidade
10 que o senhor tem de falar no processo, tudo o que o senhor falar vai ser considerado para o
11 julgamento.
12 Interrogado: – Perfeito.
13 Juiz Federal:- O senhor prefere falar ou o senhor prefere ficar em silêncio?
14 Interrogado: – Eu prefiro ficar em silêncio, Meritíssimo.
15 Juiz Federal:- Não pretende responder nenhuma pergunta?
16 Interrogado: – Não, senhor. Com todo respeito, não.
17 Juiz Federal:- Essa é a orientação da defesa técnica, doutor?
18 Defesa:- Sim, Excelência. A orientação da defesa técnica é para que ele permaneça em
19 silêncio.
20 Juiz Federal:- Então, nessas condições, eu declaro encerrado o depoimento do senhor Pedro
21 Argese Junior e reputo prejudicado os questionamentos que eu iria então realizar. Pode
22 interromper.
23
24 Nada mais havendo a ser transcrito, nós, Flávia Cecília Maceno Blanco (Diretora de
25 Secretaria) e Gisele Becker (Técnico Judiciário) encerramos presente termo e certificamos
26 que é reprodução fiel dos depoimentos colhidos fonograficamente.

Sobre o Ibope. Não me peçam para desenhar. Qualquer ser pode entender essas informações. Claro, desde que queira pensar

Posted in Uncategorized with tags , , , , , , , , , on 22 de outubro de 2014 by Marli Gonçalves
  • tv_04a_bbIbope ganhou R$ 5,2 milhões para medir ‘traço’

    Dos R$ 12,7 milhões pagos pelo governo Dilma Rousseff (PT) a institutos de pesquisa, R$ 11 milhões foram destinados somente a empresas do grupo Ibope. E sempre sem licitação. O Ibope embolsou R$ 5,2 milhões, por exemplo, somente nos últimos três anos e dez meses, para confirmar o que todo mundo já sabe, principalmente no governo: não sai do “traço” a audiência da TV Brasil, a “tevê do Lula”.

  • A TV Brasil, em Brasília sintonizada no canal 2, é mantida pela estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC), criada no governo Lula.TV-eyes

  • Os pagamentos do governo Dilma a institutos de pesquisa saíram da verba publicitária da Secretaria de Comunicação da Presidência.

  • Em 2013, por exemplo, o Ibope recebeu do governo federal mais de R$ 1 milhão para aferir a audiência da TV Lula.

  • Outros institutos, como Datafolha e MDA, ganharam um bom dinheiro no governo Dilma, mas quase dez vezes menos que o Ibope.

    FONTE: NOTAS DA COLUNA CLAUDIO HUMBERTO – DIÁRIO DO PODER

Vai lá no BB pedir empréstimo, vai! Essazinha foi e se deu bem. Bem, a ordem da frase você pode mudar.

Posted in Uncategorized with tags , , , , , on 21 de outubro de 2014 by Marli Gonçalves

3d_animasi_woman_modern_dance_BB empresta R$ 2,7 milhões a Val Marchiori mesmo sem comprovação de renda

FATOS INACREDITÁVEIS DE NOSSO BRASIL

É bom ter amigos, e ser social, hein!

O presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine e a socialite Val Marchiori

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